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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Não.

Ontem. Foi difícil voltar para casa. Muitas emoções em conflito. Coisas internas. Coisas que me tiram a calma, me tiram o sono. Coisas que me impelem a escrever textos do gênero que escrevi na data de ontem. Negativas. Suicidas.

Viver, nada mais é que uma consecução de dias, uma consecução de achar algum sentido. Não enxergo mais sentido, mas nem por isso posso me ausentar de meus deveres enquanto "pai" de família, enquanto irmão, enquanto filho. Dizem que quem se mata é covarde, mas dizem também que aquele homem que se mata com um tiro sai deste mundo batendo a porta.

Ultimamente, era assim que estava me sentindo. Com vontade de bater a porta na cara deste mundo, destas pessoas, destes valores e convenções.

Ontem, tive mais uma noite que não houve. Na manhã do dia de hoje, decidi. Não sentir. Mais nada. Embora tenha funcionado adotar uma postura a la Rorschach(vide Watchmen) na manhã de hoje, bem sei que talvez isto não funcione muito tempo. Pois bem sei eu o que se passa dentro deste cadáver adiado que não procria e por aí perambula.

Muita coisa. Mas acho melhor fazer como um amigo meu, de meus maiores amigos de todosos tempos, afirmou. Ele me disse uma vez que pediu aos céus, a Mitra, seja lá quem for, que parasse de sentir. Isto, em pleno momento do mais franco desespero.

Afirma ter funcionado. Pois bem. Pedi o mesmo, pela manhã. E até o momento, tem funcionado. Coisas que me fariam gritar, me fariam ter ódio absoluto, não tiveram efeito quase nenhum em minha morta pessoa, nesta manhã do dia treze de Abril deste ano.

Que assim continue.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vingança!

Continuando os pinçamentos começados ontem, e me relembrando dos velhos tempos de colégio(horríveis tempos passados), sou obrigado a fazer homenagem a uma pessoa que me fez relembrar o Buriol de uns 20 anos atrás(estou ficando muito velho, deveras).

Em nome de todos os gordinhos(sou um ex-gordo) que já sofreram com folgados imbecis na escola, apenas pelo fato de serem gordos, eu lhes apresento o Gordinho Zangief.

Ao ver esta cena, que muitos acharão simplesmente hilária e que bem sei que outros(provavelmente falsos moralistas) dirão que é "muito violenta", ou bobagens do gênero, eu não pude deixar de sentir o gostinho da retribuição, da vingança. Senti mesmo maldosa satisfação, eu diria.

Como queria ter procedido assim com os idiotas que tive de tolerar em meus gordos e adolescentes anos. Pois acho que esse magrelo folgadinho, se tiver um mínimo de noção do perigo, vai pensar umas duas vezes antes de mexer com quem está quieto no seu canto.

Vingança. É um prato que se come frio, deveras. E pode até por vezes ter sabor de fel, mas é um gosto que é bem vindo para aqueles que sofreram a injustiça ou simplesmente foram vítimas de alguma espécie de agressão...

Não costumo pôr em prática tal coisa, muitas vezes em detrimento à minha própria pessoa. Mas sinto ferver o sangue por vezes...e sinto o clamor de agir desmedidamente, em machucar, agredir, ferir, matar, esfolar vivo, tantas e tantas formas de agressão possíveis. Entretanto, em minha mente - e algumas vezes em meus escritos, como podem já ter percebido - eu deixo a imaginação solta para machucar quem me irrita. Mas raramente levo a cabo tais devaneios.

Não sei como funciona o universo, apesar de tantas e tantas vezes "perder tempo" tentando decifrar o funcionamento desta coisa. Mas gosto de imaginar que existe certa forma de retribuição para cada ação indecorosa cometida aos outros. Bem sei que isto pode ser apenas uma vã esperança de obter a tal vingança sem sujar minhas mãos. Mas gosto de pensar na teoria do "aqui se fez, aqui se paga."

E mais uma vez, me surpreendo com a maldade latente existe em mim...e nos seres humanos em geral. Pois bem sei que tal sensação de maldoso deleite existe em todos nós.

Mas, no momento....

def get_back_to_wok(now):
while pretending_to_be_working = 1:
open_VMware = 1
study_Python = 1
another_day += 1

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Retorno do R...ecalcitrante.

Olhos. Pendentes de sono, olhos. Dormentes em todo meu costumeiro hábito adquirido de, durante trinta e três dias(e meio) ter conseguido acordar a hora que eu bem entendesse. E agora, tendo este meu saudável hábito interrompido pelas idióticas lides do capitalismo de proveta, cá estou a cabeçear de sono, diante deste aparato computadorístico.

É a vida. Nem só de férias vive o homem, infelizmente. Há que se voltar à senzala moderna das quatro paredes que nos encerram dez horas por dia, para que no final do mês possamos ter dinheiro para comprarmos o que não queremos, o que não precisamos de fato. Enquanto lá fora, tudo o que gostamos de fazer fica à nossa espera nas horas de folga. Ó céus, ó vida, que azar.

É o mundo. Assim está organizado, desde sei lá quando. E como não somos todos abençoados pelo nascimento em doirados berços da herança milionária de alguns pais de sortudos filhos por aí, como o dono desta empresa a qual sou escravo, temos que nos sujeitar a tal agressão, acordar em horas insones da madrugada para vir ter ao trabalho que tanto odiamos, esperar dez horas passarem. É a vida.

Enfim. Não é tão mal assim. Sei que poderia ser muito pior, pois cá existem alguns infelizes, residentes das famosas ZL(Zona Longe), que têm de acordar às quatro da matina para cá chegarem antes das oito.

Deixemos de divagar sobre as práticas horrendas que o vil metal nos obriga...estou de volta, estou inteiro, fiquei trinta e três dias de férias, aproveitei bastante, fiz quase tudo que desejava fazer: não viajei para nenhum lugar além de virtuais localidades em um universo alternativo e artificial, somente tendo me dirigido para a casa de meu irmão extra-oficial, que considero muito mais irmão que meu próprio irmão, se é que dá para entender semelhante e incongruente sentença. Proveitosa viagem esta foi; mesmo que viajantes propriamente ditos sequer considerem tal peregrinação como uma atividade digna de férias, foi por lá que tive o prazer de vislumbrar uma certa luz no final do escuro túnel que minha vida profissional tem sido nestes últimos anos.

Com cuidado considero tal possibilidade, e com afinco tenho tentado levar a cabo tal possibilidade. Nada é certo, mas ao menos considero tal evento como a mais concreta forma de obter alguma mudança séria em minha vida, quiçá uma saída desta merda que me encontro, em que fico basicamente vegetando por dez longas horas diárias.

Veremos o que se sucede. Entrementes, é hora de retornar ao mundo exterior que tanto abandonei por esta sequência mui palatável de dias que se passaram.



Fui mordido por uma píton. E agora aguardo que o veneno da mesma não seja assim tão venenoso, que eu consiga compreender os mecanismos por detrás de tal coisa.

Veremos o que se sucede. Enquanto isto, enquanto as dez horas de terrível ócio pago não passam, estudemos os efeitos de tal veneno.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Perigo.


...Estava eu a reler algumas de minhas recentes bobagens cá escritas, e me deparei com o comentário do Símbolo a respeito de algum de meus "rants" sobre como ainda sinto raiva, impaciência, vontade de matar idiotas que emporcalham ruas, que constroem casas em áreas de risco e ainda assim não morrem(por mais escroto que possa soar isso, por vezes considero tais desastres uma forma de seleção natural, tão escassa entre humanos), etc, etc.

Sinto raiva, muitas vezes descabida, às vezes a respeito de coisas que não têm a ver comigo diretamente, como dizem. Complicado, eu sei. Sei que tenho opiniões detestáveis e ultra-pessimistas, e em momentos assim, prefiro mesmo me recolher, não me incomodar nem incomodar ninguém.

Daí pensei no comentário do compatriota blogueiro, a respeito de como ao menos, eu ainda estar sentindo raiva, tendo energia para socar divisórias e abrir rombos em paredes do escrotório(história real), em detrimento aos meus pobres punhos que se machucaram deveras na empreitada, quarta passada. Disse-me O Símbolo estar sendo tomado de apatia, mesmo na idade um tanto mais jovem que a minha, uns dez anos mais ou menos.

E parei para pensar a respeito. A aptia existe sim, na vida deste Noiado. Depois do final de semana em presença de meus amigos tão talentosos, desenhistas de mão cheia, e tantos outros talentos reunidos, fiquei pensando. Tanta gente boa de serviço, excelentes pessoas, como já disse antes - pessoas que realmente considero serem do maior calibre.

Mas, em geral, nenhum de nós se deu bem na vida, por assim dizer. Não da maneira que supostamente querem que a vida nos seja, cheia de dinheiro, realização profissional, casamentos, carreiras, filhos, e tudo mais. Todas estas coisas que os pais querem que os filhos aprendam a construir em suas vidas.

E lá estamos nós, todos levando uma vidinha, não de todo má, evidentemente, por vezes até muito divertida, mas....sei lá. Desprovida de todos estes aspectos que nos dizem ser inerentes a um ser humano adulto. Coisas que deveríamos ter. Que deveríamos lutar por.

Bem sei que falo e falo, mas não posso mesmo generalizar a situação: se tem algo que aprendi ou que adotei como filosofia, é que existem diferentes tipos de SUCESSO, por assim dizer, na vida. Sucesso para mim NÃO é uma Ferrari na garagem. Não me importaria de ter, mas não necessariamente significa sucesso para mim. Nem uma pá de filhos, nem um apartamento de cobertura, nada disso. Como já disse, existem pessoas que consideram tais posses e realizações o sucesso, mas não é meu caso.

Acontece que, ultimamente, estou vendo a vida e não enxergando tal sucesso. Não vejo mais objetivos finais, pois tudo sabe a inútil. Todas as coisa que já quis ser, que já quis fazer, tudo perdeu o sentido diante de minha experiência perante esta vida, este mundo maluco, as coisas que as pessoas querem, não só pra elas, mas para os outyros também, as exigências que todos estes doidos me impõem, tudo isto.

Não consigo ficar indiferente a isto, mas também não consigo desligar. E tem me deixado tão doido quanto todo o restante dos frangos. Mas...me parece que este conceito, a aptia, começa a se consolidar em mim, de certa forma. Estou começando a me tornar um mero objeto, um enfeite. Bem como minha ocupação neste escrotório: dez horas de enfeite aqui. Todos os dias. Cansa. E ainda por cima, me evitam pois tenho o semblante sempre fechado, "eu não vou pedir nada pro mau-humorado do sexto andar! Ele vai me bater!"

Não, não vou. Eu agrido somente a mim mesmo, ou a objetos inanimados. A divisória esmurrada aqui do meu lado atesta isso.

E em geral, não seria tão ruim assim, se a apatia se manifestasse de forma narcótica, assim dizendo. Se eu me comportasse de tal maneira:


E ficasse de boa. Não quero carros, iates, mansões, nada disso. Só queria paz de espírito, paz. Nunca tenho. Hora nenhuma, nem mesmo nos sonhos, tão populados por imagens raivosas e sanguinolentas, idéias facínoras que se manifestam no inconsciente.

...Ah...ser normal...ser menos lixo. Me importar menos com bobagens e me divertir. Nada disso acontece. Não diria que o que sinto é deveras apatia, na definição clássica da palavra, mas...estou realmente me sentindo siumplesmente sedado perante a vida.

Mas já reclamei demais por hoje, e o tom é horrendo. Creio que existam alguns de meus amigos que estejam muito com vontade de me dar porrada, para ver se eu paro de "reclamar de barriga cheia", blah blah blah. Bem, a barriga é individual e pode não estar tão cheia assim. "Você só está assim porque quer!" Onde está meu .38 para que eu possa crivar de azeitonas sua cara e seu conselho inútil, seu filho da puta???

Tá vendo. A raiva existe. Ela ainda não morreu. Talvez eu esteja vivo também.

...E devo retornar ao serviço de ser enfeite. Árdua tarefa, bem sei. É necessário seguir o protocolo: é preciso encarar o monitor, deixar um PDF aberto que se finge ler, enquanto me anestesio com bobagens na internet.

Tá certo, estou sendo pago pra ser enfeite, não deveria reclamar né. Blah.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Novamente, não-sono.

Por que será, que em horas insones, as coisas parecem mudar de forma, de textura, de nome. E a estranheza, de se olhar para o teto e nada ver, nada sentir, além do ar da noite, do passar das horas, ainda que as horas teimem, transformem-se em mulas empacadas eternas, tique taque.

E como se torna lúgubre a cabeça de uma pessoa, em especial da pessoa que aqui descreve tais coisas, talvez desprovidas de todo o sentido para alguns, talvez seja tão familiar para contemporâneos insones desta geração. Unidos pela insônia.

Em noites de verão como a anterior, aprecio muito a falta da necessidade absurda de várias camadas de roupas e cobertores que nos demanda o falecido inverno. Mas às vezes o calor torna impossível encontrar conforto em certas noites. Cobertor pesado, calor. Tira-se, joga-se longe. Agora, frio demais, aprentemente. Questões de temperatura. Virar pra cá e pra lá. Frescuras de um corpo, de uma mente que anseia o descanso mas não consegue lá chegar.

E olho para cima, para o topo do filó que recobre a cama, parece-me um estranho vórtex na madrugada. Absolutamente necessário para evitar a visita de alados e hematofágos violinistas miniaturas dos infernos, o artefato me parece atrair a visão para o teto, para um ponto central da existência, como se tudo estivesse sendo turbilhonado para um ponto central e universal, o centro do universo, o centro da insônia. Tique taque.

Perguntas, tantas perguntas, tantos questionamentos, tantas dúvidas e frementes certezas, às vezes não tão certas, estarei eu certo? Estarei ficando doido? Visões, do que passou, do que vai passar, do que pode vir a ser, será?....notas e apontamentos, idéias e planos, obscuros planos, agora obscurecidos pela calada da madrugada, ausência de luz nas vistas e na alma.

Momentos em que a vígila se transforma em semi-consciência, lá estamos mas sem assim o ser, tudo se mescla, tudo se confunde, momentos de sonho e lucidez, de delírio e de estranhez. Passam as horas, mas sem passar. Tique taque.

E quando muito nos assustamos, o relógio, o despertador, soa uníssono, absoluto, irremovível, infatigável em nossos ouvidos. Não, não pode ser. O tempo não passou. Como é possível que o relógio tenha me pregado semelhante peça?

Soneca, uma, duas, três é demais, vezes.

Enfim. Faz-se dia, clareiam-se os céus. Levante-se ó caro insone. Sua hora e vez chegará.

Mas não nesta já falecida noite.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Bagunça.

Prezado Sr. Cérebro,

Quer me parecer que o sehor continua sendo o mesmo sabotador de sempre, uma vez que ontem, ao perceber o fogo, senti ímpetos de ser o primeiro a acrescentar mais lenha na fogueira. Felizmente, algum sentido que faça mais sentido dentro de mim falou diferente em minha conturbada mente e somente me limitei a apenas empurrar ao incêndio o restante de minhas convicções em um ser superior e altruísta. Depois, tencionava apenas me dirigir para casa, mas fui convocado a reunião barística, que não é o coletivo de baristas mas sim o coletivo de cachaceiros sentados em um muquifo qualquer do baixo centro da cidade - evidentemente, não tão baixo quanto alguns dos companheiros tombados no dever de serem devidamente companheiros já me sugeriram.

Lá adentrando, percebi de cara o motivo real da reunião, onde se discutiam as diversas possibilidades de ingresso no mercado de trabalho da miséria a dois, mais conhecido simplesmente pela alcunha de relacionamento. Ora, bem sabemos, eu e o senhor, tal ficção do interlúdio é por deveras fictícia, ainda mais para seres tão céfalos que acabam por se tornar acéfalos para a maioria da sociedade reinante, estas mulas que tanto relincham nos nossos ouvidos diariamente suas regras e regulamentos parametrizados secularmente, que tal ingressão nem é possível quanto desejada, e tratei de sair dali às pressas.

Tal não foi meu espanto quando me vi longe dali, do senhor resolver, mais uma vez, agir contra seu próprio dono. Para variar. De repente, ao transitar dentro do trânsito dentro do ônibus dentro das ruas dentro da cidade dentro de tudo mais, me surpreendi olhando para o poste de luz, analisando as ínfimas mariposas que orbitavam em volta da incandescente porém absolutamente ordinária lâmpada, formulando comparações pitorescas sobre tais seres que sempre almejam a luz, ainda que isto signifique uma morte lenta e dolorosa ao lá chegarem, ao finalizarem sua corrida, ao atingir o objetivo final de suas cretinas existências.

Logo, já estava ampliando a filosofia barata para os planetas, para questões galácticas acerca da existência de água em outros sistemas, da infinidade do universo, da absoluta necessidade de sim, haver vida lá fora, completamente diferente da que conhecemos, e o que é nossa ciência em comparação com esta infinidade de estrelas, de planetas, de todo este mistério do firmamento. De repente, lembrei-me de estúpido artigo que li no buraco negro da produtividade, este localizado na rede mundial de computadores, tendo sucursais em cada maquininha conectada a tal rede, acerca da mudança das datas de certa coisa denominada horósco, que nada diz em geral mas que tantas pessoas seguem, cegamente, dia após dia, editorial após editorial inútil.

Daí, lembrei-me de como somos arrogantes perante nosso conhecimento ínfimo sobre isto tudo; lado outro, também me recordei de como ainda ostentamos superstições infudadas sobre nossos destinos e tudo mais. Como existem mulas que se deixam levar pelos dizeres impressos nos jornais acerca de seus signos celestes, ou como ovelhinhas se reunem em estranhas e ostensivas construções oriundas de religiões que tanto pregam o desapego mas exigem dinheiro, têm muito mais dinheiro que a dívida internacional da Libéria, e ainda assim extraem doações e dízimos de fiéis. Depois, me vi derrubando meu próprio patamar, uma vez que sendo tudo tão amplo e complexo, quem seria eu para dizer o certo ou o errado nisto tudo. O que é nossa ingaia ciência diante de todo este universo? O que sabemos nós, desprezíveis seres ditos racionais, a respeito disto tudo?

Quando me espantei, já passavam das quatro da matina: havia transitado de volta para casa imerso em tais inúteis conjeturas, e lá estava, com os olhos bem abertos, insone perante tanto questionamento. Quando comecei a conseguir silenciar V. Sa., e comecei lentamente a embarcar na onírica paisagem que lentamente se abria diante de meus olhos agora fechados, o relógio tocou, incitando-me a levantar-me, a ir trabalhar, o pão nosso de cada dia.

Porquê, eu vos pergunto, caro senhor, POR QUÊ diabos o senhor não me deixa dormir? Por qual motivo obscuro vossa senhoria tem que me fazer ficar pensando A NOITE INTEIRA sobre inutilidades e questionamentos absolutamente irrelevantes?

Por quê não me deixa dormir, fedaputa dos infernos???


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De: Cérebro
Para: Buriol



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

2006 - (?)

Ah, estes dias. Estes dias estão me deixando meio perturbado, mais doido que o costumeiro, por assim dizer. O que sucede, o que acontece? Algo muito incomum?

Não. Infelizmente, não.

Como assim, continuarão a indagar as outras vozes que somente este Noiado parece escutar, o burburinho eterno de uma multidão que se contradiz o tempo inteiro, dentro da cachola deste ser imprestável. É como se houvesse sempre um debate, nem sempre amistoso, quase nunca amistoso, melhor dizendo, dentro da cabeça dele.

Hoje foi uma daquelas noites em que se acorda uma hora antes do despertador e não se volta mais a dormir, mesmo que tenha sido tentado inúmeras vezes fazê-lo com sucesso. E nestas horas lúgubres da madrugada, onde nem mesmo os pássaros ainda acordaram, o debate é intenso, os pensamentos não param, as formulações e hipóteses infinitas surgem e me deixam atordoado.

Disso tudo, quase nada te diz respeito. Dizem, alguns seres externos à toda esta confusão.

Bem gostaria que assim fosse. Bem gostaria eu que de fato, nada tivesse a ver comigo. E em teoria, o agente externo está correto. Mas o que é a teoria, na prática, especialmente quando a prática em si - acontece em outra cabeça que não a dele?

É tudo aqui dentro que acontece. Dentro desta massa encefálica estranha, dentro desta cabeça estranha.

Ao meu redor, o sofrimento impera, das poucas pessoas que eu REALMENTE me importo. E o que posso eu fazer, além de oferecer meus pensamentos tortos, minhas platitudes tão insípidas, meus padróes de pensamento irregulares e tão distorcidos para a maioria das pessoas que aqui dentro não vivem?

Devo eu simplesmente deixar pra lá - não me diz respeito, não serei eu que irei mudar tal coisa, esta pessoa não sou eu, blah. Blah. Blah.

Não dá.

Não sou assim. Mesmo já tendo eu sido vítima de minha própria boa vontade, ajudando ou tentando ajudar quem não merece, dispensando meu tempo com assuntos que nem deveria chegar perto, sob esta ótica do "fôdas" que me pregam os de fora, não dá. Não sou assim.

Eu até tenho tentado, de maneiras toscas e absurdamente loucas - para os de fora - me manter distante, tentar não me importar. Mas o resultado de toda esta ciência tem sido a descrença total nos valores humanos, na convivência com as pessoas. Mesmo com aquelas que eu tenho mais apreço, por vezes toda esta zona na minha cabeça tem é me tornado cada vez mais e mais misantropo, pois ando cada vez mais descrente de tudo.

Eu tenho a teoria de que algo aconteceu em meados de 2006, em uma data que o agente externo a que me refiro tanto neste texto irá se lembrar bem, uma maldita festa à fantasia onde algo aconteceu, alguma pedra fundamental foi movida, algum objeto sagrado profanado, alguma blasfêmia foi dita....não sei precisar o que diabos aconteceu naquela noite, mas houve uruca. Houve algum vudu, alguma maldição secular foi desperta e inflingida sobre os que lá estiveram.

Muitos de meus companheiros que me acompanharam naquela infame noite sofreram algum tempo com a maldição, e muitos deles afirmam que já passou.

Pois. Pra mim não.

A trajetória de minha vida desde aquela malfadada festa foi dirigida ladeira abaixo, e me parece que de alguma forma, me tornei um eterno portador da maldição. E parece mesmo afetar as pessoas que estão a meu redor. Todo ano, penso, espero, que alguma coisa irá acontecer, que as coisas irão mudar.

Mudam. Pra pior. Descubro que um cara de 16 anos que conheço desde os 10 contraiu cancêr no testículo, que se metastizou. Descubro que uma pessoa muito próxima a mim, que eu julgava ser assim e assado, imune a certas artimanhas que alguns canastras têm, foi vítima do papo furado de outra pessoa que eu conheço, e que tem estampada na testa o dizer - CANASTRA. Um outro amigo que tinha a vida "conjugal" já planejada, é simplesmente abandonado pois "a mágica acabou", algo assim.

O que isto tem a ver comigo? Nada, dirá o agente.

Errado. Tem TUDO a ver comigo.

Pois assim sou. Quando as pessoas que me importo, as raras pessoas que me importo mesmo, são afetadas pela uruca, eu fico mal. Eu sofro também. Não sou indiferente; até gostaria de ser, pois sofreria menos. Mas não sou. Não sou.

E a uruca prossegue, eternamente, ao que me parece. Até quando durará, não sei dizer.

Sei que ainda não acabou.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eu vs. Eu.


Algumas vezes, muitas vezes, todos os dias que saio de casa praticamente, eu sou o julgador dos outros. Olho tudo e julgo, olho todos e critico, etc.

E eu mesmo?

Não estou isento de minhas auto-críticas, de forma alguma. Em verdade, esta é a pessoa que mais recebe péssimas críticas...e que me responde de volta. Não o faço em silêncio, por assim dizer. Se fosse possível trnasformar em sons os pensamentos, ferrenhas e chulas brigas internas iriam sacudir a vizinhança, o bairro, a cidade.

E adianta de alguma coisa?

Muito pouco ou nada. Aparentemente.

Continuo na mesma, ainda que meu eu interior abuse verbalmente, mentalmente, fisicamente, tudo mais o que for possível fazer, eu contra eu, todos os dias.

O mais legal é que tanta briga nunca leva a nada, pois nada muda. Passam-se anos e anos, encontro em gavetas há muito esquecidas e empoeiradas, amarelecidos papéis, datando dos anos 90, com os memsos apontamentos que faço aqui. Pouco muda. Vinte anos se passam e nada.

Mas as brigas continuam. O julgamento eterno continua. As injúrias, calúnias, difamações, agressões, questionamenos e maus hábitos continuam. Tudo continua igual.

Não sei se é mesmo de Einsten a autoria de uma frase que li outro dia, que diz o seguinte: "loucura é fazer as mesmas coisas, da mesma maneira e ainda assim esperar resultados diferentes..."

Louco, é isso o que sou, aparentemente. E eternamente sozinho, mesmo estando sempre acompanhado de meus demônios.

Mas, aparentemente...






...todos nós somos. Todos sozinhos.

Será?



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ninguém.

Chegar ao escritório. Ninguém por perto. Lá fora, também ninguém. Aqui dentro, pessoas, mas ninguém mesmo assim, em todas as partes, muitas pessoas

mas ninguém.


Chegar, ver o monte de nada sobre a mesa, papéis, muitos, mas nada. Nada além de papéis, números alheios e mais

ninguém.

Quente é o dia, abafado é o tempo, chuva irá cair, lá fora, felizmente lá fora. Mas e os outros lá fora? E os outros? Outros?

ninguém.

Lembro-me, tenho que tirar o pedido, fazer o pedido, da mangueira cirúrigica. Conectar, braço à agulha, mangueira à máquina de café. À minha frente, uma máquina anda sozinha pois ninguém está a operar a danada. Ninguém liga a máquina de xerox, e mesmo assim ela se liga. Máquinas, ao meu redor, todas funcionam sozinhas.

Ninguém as ligou.

Fico aqui, atônito diante de tanta anonimidade. E sei, bem sei, que sou tão anônimo quanto eles, estes seres que não existem.

Dias assim, não sei o que fazer. E olho, tanta gente, ninguém.

Ninguém. Nem mesmo eu.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Número novo.

Começa assim mais um novo número. É engraçado isto, um amigo meu comentou comigo no dia da virada, nada mais fazemos que comemorar convenções. Nada além do mesmo dia após dia, para sempre. Ou até o derradeiro momento, ainda que se morra tentando chegar lá, algo assim.

E os dias deram em chuvosos, uma chuva eterna e mole, que torna tudo meio macio e escorregoso, prestes a fugir de nossos úmidos dedos.

Eu ainda não comecei o ano, em verdade. Ainda estou em marcha lenta devido aos excessos da festa de reveião prolongado. Não me consumi em alcóois, ao menos não de forma tão excessiva, mas já não sou mais aquele farrapo de antigamente, que suportava umas dez noites seguidas em claro sem se incomodar muito. É a idade, muitos dias após outros dias.

Estou satisfeito, pois terminei um ano sem dívidas e com novas porém pequenas posses. Tudo de legal, verdadeiramente legal, serve para amenizar a vida de um noiado. Passei o ano em boa companhia, ao contrário do anterior planejamento de rechaçar a tudo e todos e ficar sozinho.

Ao menos este engano não cometi. Isto não ficará martelando em minha cabeça o ano inteiro.

E agora, esperemos. O ano tem de dar frutos, tem de ser rentável. Cinco anos de quase nada bom têm de ser eliminados, já foram eliminados, eu exijo que já tenham sido eliminados. Todos nós precisamos de dias melhores.

Vejamos o que vem em seguida.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Nonsense da vida.

Mataram um torcedor do time X; torcedores do Y acharam que a cabeça dele seria muito mais bem decorada com placas, sinais de trânsito, descidas com força por cima de seu crânio.

Injetaram vaselina na veia de uma menina, que morreu.

Chove lá fora, pra caralho, e um monte de frangos que entupiu os bueiros todos com seus lixos, seus pequeninos papéis de bala, tão inofensivos, e outros dejetos, agora culpa a prefeitura, o governo, os policiais, todos menos o papa e seus líderes religiosos, por sua imbecilidade. Agora, perderam todos seus pertences na chuva que carregou seus barracões construídos em um local que iria ceder com a primeira gota de chuva. Não que se preocupem com isso: é só solicitar um crediário e ficar xingando o governo, os vizinhos, sei lá mais quem.

O trânsito está uma merda, ainda mais em dia de chuvas eternas. Como qualquer um agora que passar defronte a uma concessionária é imediatamente elegível para um financiamento, o número de carros imensos contendo apenas um frango cresceu pra dedéu. Junte a isto a precipitação pluviométrica e o fato que frangos desaprendem a dirigir em dias úmidos e terás o caos por completo.

Abra um papelote, dito jornal, de vinte e cinco centavos e se delicie com as mortes e assassinatos mais abjetos jamais descritos, que o povão tanto adora ler e reler, e se acotovelam feito frangos catando milho que lhes foi jogado.



Depois estranham que eu prefira ficar em casa no meu Cataclysm.



Nonsense é viver num mundo destes.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Re-encontro.

Não é engraçado?

Você passa dois anos num ocaso tremendo...e depois, se acha.

No mesmo local que você tinha abandonado. No mesmíssimo local.

Aí você se dá conta de que tentar ser algo que não é, só faz mal.

Dirão muitas coisas, conjecturarão muitas hipóteses, me criticarão até o final de meus dias.

Mas, faziam aproximadamente dois anos que não me sentia tão bem.

Absurdo? Talvez, para todos ou quase todos os de fora.



Pra mim não.




Viva a nerdice. Seja quem você é. E foda-se o resto.




E que venha o final de semana e mais nerdice....

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Descobrida tão óbvia.

...E então, de repente, o Noiado fez uma descobrida, descoberta, coisa assim, coisa óbvia, que sempre esteve à sua cara, bem ali, no seu nariz. Claro, claro. Era óbvio a todos.

O Noiado é um nerd. Sempre foi um nerd. Sempre será um. Sempre, sempre.

E o que é ser nerd? Não pertencer ao povão, aos frangos? Em parte. Irremediavelmente, bem sabe ele que faz parte do Grande Galinheiro, inexoravelmente. Mas, sempre se sentiu à parte de tudo aquilo, de todo este caos que o circunda, coisas que nunca entendeu nem nunca quis entender, apesar de ainda assim tantas questões, tantas inúteis indagações tenham circulado em sua cabeça, por toda uma vida.

Por dois anos, o Noiado tentou se negar como nerd, embarcando nisto e naquilo, mas sem ver sentido nenhum em nada do que fazia. Ele sabia que algo fazia falta. Algo com que se identificou tanto, mas tanto, que o fez sair da vida real, por assim parecer, para embarcar em um outro mundo. O mundo não-real dos nerds. Em especial, dos nerds qeu, como ele, são viciados em certa droga, certo escapismo denominado diversões eletrônicas, video-games, joguinhos. Joguinhos. Curiosa e malvista alcunha esta, condenada por todos os outros seres pensantes(ou nem tanto) que habitam este planeta. Condenada mesmo por outros tipos de nerd, aqueles que deste tipo de "nerdice" nunca gostaram.

Ali ele se reencontrou. Por mais estranho que possa parecer a todos os outros seres, frangos ou nerds não-electrônicos. E reencontrou sua tribo, seus amigos que são como ele, e não tentam negar. Ele, que nestes dois anos rechaçou com veêmencia tudo isto, em vã tentativa de se encontrar e sempre se perder diante do caos do mundo e de suas estranhas regras, teve de engolir tudo que havia sido dito. Tudo.

Bem sabe ele que as gentes que o conhecem bem irão menear a cabeça diante disto, mas bem sabe ele também que os verdadeiros amigos são aqueles que o entendem. Que continuam sendo seus amigos, mesmo que ele retorne ao antigo vício.

E ele sabe que não é o único a se valer de tais artifícios para escapar, ainda que momentaneamente de todo o absurdo que o circunda. Sabe que mesmo os frangos se isolam em suas novelas, suas partidas de futebol, suas fofocas. E os outros nerds se afundam em livros, em sites da internet, em imagens e mais imagens de bobagens gratuitas, em pornografia, em drogas menos legais e mais sintéticas. Todos têm este direito. Todos.

E a vida prossegue. Adictos, somos todos. Diferentes formas de fuga, encontramos todos. E sempre haverão diferentes escapistas condenando o escapismo alheio. Sempre assim, sempre assim.

A vida prossegue.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Músga, parte dois.

Pensei e pensei a respeito do tema, tentei elaborar alguma lista mais ou menos certa, mas creio que é uma tarefa meio que inexequível, ao menos sei que não faria justiça à todo meu universo musical que faço uso para ilustrar auditivamente falando, minhas emoções diárias. Então, achei melhor apenas fazer um relato sobre algumas músicas e suas associações.

Já afirmei antes, e volto a dizer, infelizmente me parece que a raiva é a emoção mais bem manifestada por pessoas de meu clã, esses malditos Burians, tchecos tortos transplantados para terras tupiniqunis. E se algum dia ouvires em minhas caixas sonoras estereofônicas canções da banda Soundgarden a todo volume, fiques avisado: O clima é de raiva, da mais absoluta possível. Caso esteja ouvindo músicas como "Ty Cobb", "Blow Up The Outside World", "Fell On Black Days", podes saber que o bicho está pegando mesmo. Agora, caso "The Day I Tried To live" esteja no repeat, aí aconselho manter distância, mesmo. É impressionante como uma música consegue ilustrar de forma tão acurada o que sinto em momentos de tremenda fúria. Podem categorizar a voz de Chris Cornell como sendo visceral, ou simplesmente gritada mesmo, não me importo. Já foi mais de uma vez que fiquei afônico de tentar acompanhar a letra de tal música.

Outra banda que faz-me experimentar uma certa catarse de raiva, é Alice In Chains, mas esta banda, ao contrário de Soundgarden, consegue ter músicas mais amenas que escuto em momentos mais normais de meu dia a dia. Das bandas de Seattle, boa e saudosa fase dos anos 90 que tanto curti, estas duas são as que mais se sobressaem ainda quando o assunto é ter raiva.

Outro elemento muito presente em esta personalidade tão pessoal, é a melancolia, a tristeza, evidentemente(que surpresa, titio Buriol.) Existem algumas experiências sonoras que costumo reservar para momentos em que o bicho pega para este lado. Existe uma música, "Reverse Soundtrack", da conhecidíssima banda Something for Kate(Goddamned fuckin' nice aussies. Highly recommended), que já me fez ter ânsias de choro em público, em pleno ambiente de trabalho, anos atrás. Desde tal época, só a escuto em momentos de profunda depressão. Mas acredito que nenhuma sequência musical me remeta mais a tristeza do que as primeiras seis músicas do segundo disco daquilo que considero uma moderna ópera do roquenrou; falo de "The Wall", Pink Floyd. Quando o disco chega em certos versos de "Nobody Home", é meio que difícil para mim segurar o choro, se o dia estiver muito mas muito deprê. As letras das músicas que integram este "movimento" do disco são a definição definitiva bem definida do que considero a mais absoluta derrota perante o ocaso da vida...

Músicas para momentos alegres...(Alegria? O que ser isso?) Blah. Sim, existem momentos que me sinto meio abobalhado, meio que ululante. Nada melhor que coisas mais animadas. E sim, existem músicas deste tipo em minha imensa coleção de mp3Z: Apples In Stereo: escute o disco "Discovery Of a World Inside The Moone" e veja do que estou falando. Aquilo ali eu não consigo ouvir se não estiver completamente retardado de animação - acontece, mui raramente, mas acontece. Existem músicas de outra banda, esta denominada Spoon, que me fazem até quere dançar feito um idiota, caso o momento esteja bom; o disco "Girls Can Tell" é um exemplo clássico disso. Músicas com letras mais intensas, não necessariamente alegres por si, mas com melodias mais "dançantes", podemos encontrar em discos de Jane's Addiction. Escute "Been Caught Stealing" e "Stop!", por exemplo. Uma míriade de canções estupidamente alegres da banda que mencionei ontem, GbV, também podem ser ouvidas em momentos de extrema descontração.

Músicas para momentos, raros momentos que eu só consigo definir como "pós-orgásmicos", aqueles momentos em que se alcançou uma meta, conseguistes alcançar o inalcançável, deu tudo certo e no final você ainda ganhou a mocinha ou mocinho, seja lá o que for, aqueles raros momentos que tudo dá certo e a esperança no futuro está em alta. Sim, existe uma trilha sonora para estes raríssimos momentos. Trata-se de músicas que me definem enquanto pessoa, enquanto este ser humano muito estranho que habita esta vida, este planeta.

Tão raros são tais momentos, quão raras são as músicas que adotei para escutar nestas horas. Consigo me lembrar apenas de duas. Uma delas, é de minha banda inglesa preferida, daquelas raras músicas que costumo escutar e ser completamente arrebatado logo na primeira audição. Trata-se da canção "Duress", da excelente boa ótima banda Swervedriver. Podem me falar o que quiser - que é longa, que a letra não é exatamente alegre, que isto e aquilo - Dane-se. Não consigo definir uma música cujo impacto tenha sido tão fulminante e revelador para mim. Acho que nunca me esquecerei do momento que escutei-a pela primeira vez. Posso afirmar que, se eu pudesse casar-me com uma música, seria com esta.

A outra, não é tão significativa para mim quanto Duress, mas é igualmente certa para me definir musicalmente; trata-se de "Fripp" da banda Catherine Wheel. Eu adoro tal música, e só costumo escutá-la em tais momentos, raros momentos.

Em verdade, sei que tal compilação de nomes e bandas é injusta para o panorama musical que frequenta meus ouvidos, pois bem sei que estarei esquecendo de várias musicalidades no processo de inventar tal textículo. Mas, no exercício quase diário de aqui comparecer e dar meu pitaco em assuntos tão pessoais como este, é o que saiu. Bem sei que sou um maldito roqueiro de meia-idade e que é tendencioso a generalizar seu gosto em bandas de língua inglesa. Já escutei muitas acusações do tipo, "você só gosta de coisas americanas"(não é verdade) e "porque não escutas coisas brasileiras" blah blah blah.

Respondo da seguinte maneira: por dois motivos: um - o que escutei não fez minha cabeça e dois - porque tenho preguiça. Tá, podem voar novas acusações. Não me importo muito. Não escuto isto ou aquilo porque é "em inglês."

Somente escuto o que me faz a cabeça, e não aquilo que me faz parecer "cult", por assim dizer. E sinto ter de usar tal exemplo, já pedindo perdão aos que realmente curtem a coisa: eu vejo muita gente que escuta bossa-nova apenas para parecer ser cult. E abomino, muito mesmo, tal comportamento. E acontece não somente no campo musical. Aposto que alguns de vocês conhecem alguém que leu aforismos de Nietzsche, ou leu "Zaratustra" e se diz intelectual. Sendo que nem sequer entendeu nada do que leu.

Eu tenho imensa preguiça deste tipo de gente.

Em suma, por hora é isso. Tenho que trabalhar, meu trabalho, ganha pão, de fato.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Músga, parte um.

Música, nos zuvido. Pessoas como eu, têm a música como algo diferenciado, essencial para um dia a dia menos opressivo, menos brutal. Dizem que gosto não se discute; não é bem verdade, pois todos discutem gostos alheios. Talvez esta versão mais correta do velho deitado seja mais adequada: "gosto não se discute, só se lamenta." Eu sei que não adianta muito discutir tais coisas, pois a variação das opiniões das pessoas varia de tal forma, que é de fato improdutivo ficar discutindo se alguém curte Beatles e não gosta de Rolling Stones. "Mas como você não gosta dos Stones? É rock clássico também!"

Não importa. Não faz minha cabeça, por assim dizer. Assim como Guided By Voices pode, para mim, parecer coisa de gênio, para a maioria das pessoas não passa de uma banda de garagem avacalhada. Não adianta, discutir isto não leva a nada.

Mas concedo que faço parte das pessoas que realmente dão um valor especial para a música em meu dia a dia. Acho que não me lembro de sequer um dia que não tenha escutado ao menos alguma canção de minha (estranha) preferência. E vou além. A música tem tamanho peso, tamanha importância em minha vida, que costumo associá-la a outras experiências. A música reinante em um ambiente legal, num momento bacana, por exemplo. Se sei que música é, ela fica para sempre associada a um momento mais aprazível, logo, ela se torna trilha sonora obrigatória para futuros momentos semelheantes àquele em que primeiro a escutei.

Não é uma prática normal, devo admitir. Ao menos, nunca ouvi pessoas que não valorizem tanto o peso da trilha sonora de seus dias, procederem de maneira análoga à minha. E pode ser uma prática meio que chata, por vezes, também. Existem músicas que gosto muito, mas que hoje em dia estão irremediavelmente associadas a maus momentos, e portanto, não são mais canções que escuto com a frequência que deveria. Sempre fica aquele estigma de estar irremediavelmente atrelada a uma má memória. Que maravilha.

Aspectos maravilhosos de ser doido? Talvez.

Tenho me deparado com algumas listas nos blogs que frequento(sim, olho para O Símbolo e o senhor PAR), e penso em compilar alguma, mas sempre me deparo com esta questão de discussão acerca de gostos, tão frequente, nem sempre útil.

Mas, "para lutar contra o pragmatismo e a horrível tendência à consecução de fins úteis", em dias tão tediosos, chuvosos, como temos tido "acá" nesta província interiorana do Brazil tão Brasil, tudo é válido para se combater o cinzento tédio.

Creio ser-me impossível elaborar uma compilação realmente adequada sem pensar muito no assunto, e como meu chefe já chegou e já me olha de soslaio, creio ser melhor continuar o assunto no dia de amanhã.

Sendo assim, boas salenas a todos os cronópios, famas e esperanças por aí. Eu sou um cronópio. Quem é você?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Retorno.

O Adicto anda pelas ruas, anda pelos lugares, vê pessoas e gentes por todas as partes, mas não Pessoas, muito menos Gentes. Ele sabe que deveria encontrar, sabe que deveria achar, mas não sabe onde. Procura e procura, mas tudo lhe faz perguntar, questionar. Sente o retorno se aproximar, o retorno, a proximidade dele, e se assusta. Com o tanto que deseja, precisa retornar.

Para onde? O Adicto é adicto, é viciado. Não precisa de uma razão, um motivo, se assim apenas o fosse. Mas não é. Ele sabe de sua razão, sabe de seus motivos. Tenta e tenta se manter distante, mas sabe que não dá mais conta. Infiel, dirão uns, maluco, dirão outros, e todos o apedrejarão. Todos, menos seus companheiros de vício, que ele sabe bem onde encontrar, assim que o retorno acontecer. E deve acontecer, vai acontecer, bem sabe ele.

O tempo passou, anos passaram, longe. Mas em verdade, ele sabe que não saiu do lugar, não encontrou algo que só o retorno pode oferecer, naquele lugar, naquele mundo que só ele sabe acontecer, ali, somente ali, onde ele sabe que deve se encontrar. O Adicto sabe que talvez, porventura, não devesse agir como tal, mas está cansado. Cansado de tanto tentar, nunca conseguir. Tanto olhar mas nunca encontrar. Adiantará retornar? Conseguirá, de fato, retornar? E se depois ali não mais se encontrar, conseguirá ele voltar?

Não sabe. Não pode saber. Repire fundo, senhor Adicto. A coisa irá engrossar, o tempo irá passar, a vida prosseguirá, por todos os lados, por todos os lugares. Mesmo para ti, que retornarás. Que está retornando, mesmo sem saber se deve, se pode. Mas Adictos sabem: eles se afastaram, mas nunca dali saíram. Eles sabem, e o Adicto não é diferente. Ele sabe. E teme. Mas todos se cansam. Todos aqueles, que tentam encontrar mas não acham, sabem. Sabem que o tempo passa e as coisas deveriam acontecer, mas não acontecem. Não àqueles que são como ele. Adictos.

Prossiga, vá em frente. Caso tudo dê errado, o mundo real cá estará, ele sempre esteve. E o tempo passa, bem sabemos todos. Assim ou assado, acontecerá. Os relógios não param, ainda mais com tanta fonte de energia sustentável, tantos servidores, tantos reatores. Tantas células independentes, tanto progresso. Para o Adicto, nada disso presta, nada significa. Chega.

O retorno, irá acontecer. Está próximo. Em seu sangue, a sensação é de fissura. Tremores. O coração dispara quando vê a coisa diante de si. O mundo, o Mundo. Todo o Mundo, toda sua inutilidade e toda sua glória; todas suas cores, sons, criaturas. Tudo que ali está, encerrado dentro daquela caixa, daquele local. O Adicto suspira e pensa mais uma vez no outro mundo que está prestes a abandonar. Valerá a pena?

Só existe uma maneira de saber. Somente uma.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Normalidade.

Tec, tec, tec.

O que tanto escreves? Coisas. O que são estas coisas? Coisas que vivencio, que penso, nos dias que ainda estou vivo, estou acordado, lúcido. Lúcido, sei. Você. Sim; apesar de sempre ter sido tachado de doido, sei que não sou mais doido que as pessoas ao meu redor. Faço isto e aquilo, coisas estranhas, maravilhosas ocupações, mas somente para mim. Olhe ao redor. Quem está a volta de você é normal? Se responderes sim, estás enganado.

Ninguém é normal. Não ao menos como querem que sejamos, não como afirmam ser. Todos, todos temos as esquisitices que só mesmo nós compreendemos. Bela desculpa, esta, para ser esquisito e se apaziguar. Não é bem assim, eu diria. Pense, veja se tal normalidade existe em todos planos de sua vida. Pense. Seja sincero.

Conheco gente normal que fala sozinho. Conheço gente normal, que é consumista compulsiva de porcarias tecnológicas que compram apenas por comprar. Conheço normais que só conseguem dormir se antes de se dirigir ao leito, lavam a mão umas quinze vezes. Conheço normais que adoram mijar em seus quintais, mesmo estando o banheiro ali, de seus lados. exisstem normais que trocam filhos por cachorros, gatos, iguanas, marmotas, e quejandos.

Existem seres absolutamente normais que se frequentam igrejas, cantam no coro, e pagam por seu lugar no "céu," religiosamente, por assim dizer, e roubam a internet do vizinho, fazem cópias ilegais de softwares, de cds de música que prega a palavra do senhor deles, este que sempre apregoa que não deves roubar. Normais, normais. Que são inteligentíssimos, produzem teses científicas, permitem o avanço da sociedade, ganham prêmios Nobel, mas que não conseguem interagir com pessoas do sexo oposto.

Normais.

Que se acotovelam diante de um aparelho televisor para verem dois homens se batendo, quebrando a cara um do outro, sangrando, em exibição típica e idiota de força. Que julgam quem não aprecia tal violência como seres aparentemente retardados, idiotas, afeminados, coisa que o valha. Normais, que se inscrevem em cursos que não querem fazer, aprendem matérias que não querem aprender, apenas com o intuito de arrumarem um emprego que lhes renderá estabilidade infinita para coçarem o saco e atrofiarem seus tão inteligentes cérebros em empregos absolutamente inertes.

Normais, que escutam música clássica e ainda assim conseguem apreciar um "fanque" carioca. Como seria possível conciliar tais extremos? Sendo normal, aparentemente. Normais, que desenham, desenham, desenham, e não conseguem render um puto com tal atividade, mas que ainda assim não param de tentar. Normal. Seres típicos, que pregam a paz no mundo mas realizam a desforra contra seus compatriotas em violentos videojogos. Requintados seres, que nunca permitem a pronúncia de palavras de baixo calão em sua presença, mas que não hesitam em julgar os outros ao seu redor, que não trajam roupas de marca, camisas de botão.

Pessoas que sempre têm de estar acompanhadas. Que não conseguem ficar sem sair de casa. Que não conseguem juntar dinheiro. Que se excitam com coisas impublicáveis, que riem de grosseiras piadas, que fazem parte de estranhas instituições, que ganham a vida explorando a fraqueza alheia. Que fazem dos outros alvos inimigos, mesmo que estes nunca tenham sequer lhe dirigido a palavra. Normais.

Gente que precisa de oito talheres à mesa para apreciar uma refeição com dito requinte. Que gostam de comer caviar. Que gostam de Campari. Que tomam drogas para recriar um mundo paralelo e lá tentarem viver. Que se refugiam da realidade em eletrônicas diversões, que procuram apenas o lado negro das pessoas, para depois usar tais apontamentos como armas contra tais pessoas aparentemente tão normais, tão triviais.

Pessoas que têm dinheiro suficiente para comer no desjejum notas de cem euros mas que regateiam preço ao comprarem camisas de camelô. Gente que apregoa o amor divino, a glória aos céus, a moral e os bons costumes mas que têm escondidas em algum canto de seus computadores arquivos de pornografia infantil.

Gente que coleciona cascas de ovos. Pessoas que vivem em apartamentos regidos por seus animais de estimação, que dormem com gatos, que levam o cachorrinho na acunpuntura. Gente que habita a casa de seus familiares mas que não lhes considera familiares.

Normais, normais. Que escrevem e escrevem, coisas estranhas, que moram em mofados sótãos e tanto maldizem a humanidade, mesmo sendo irremediavelmente parte dela, parte da mesma "escória" que tanto apregoa em seus escritos...

Normais, estes seres. Eu e todos nós. Todos vós. Eu tu ele nós vós eles.

Normal, é ser doido. Aparentemente.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Planejamento.

Vá para a casa de seu amigo, seu irmão. Vá e se reencontre. Em meio à trivialidade e saudosismo, se reafirme no que és. Feriado, feriado, tão poucos, tão queridos, por todos nós meros mortais que não nascemos em dourados berços de diamantes e ouro branco, ainda que mesmo assim seriam prateados, por assim dizer. Relembre tempos passados, ressurja das cinzas que antecederam tal data. Encontre.

Sinta a umidade do ar, beirando a casa dos milhares, uma vez que centena nenhuma poderia ser mais descritiva, sinta o frio local, que tão bem conheces, desde tempos primordiais. Chegastes preparado? Deveras, deveras, bem conheces tal clima, tal local. Névoa, "neve" a perder de vista, mesmo que avista não valha para muito no presente momento, em presentes circunstâncias.

Amigos, amigos, bem vindos sejam, bem aventurados sejam, que nos fazem rir, sorrir, no meio de tanta chatice humana, desumana, profissional, pessoal, passional, seja lá o que mais. Beba, beba, sorria, fume, se divirta. É uma ocasião especial, deveras. Sinta o etanol rodar, rodopiar sua cabeça, ameaçar expurgar além das mazelas triviais, banais, boçais, de tua cabeça, o conteúdo de peixes e cogumelos comestíveis de seu estômago. Resista! Visites a cama, porém não o banheiro.

Não sem antes desastrada e etílica mão quebrar em pedaços alheia propriedade. A vergonha, a vergonha. Acontece com os melhores e piores bebuns. Enfim.

Reencontre velhos amigos, cada qual de seu jeito, cada qual com seu jeito, sinta raiva daquele que é mais contundente mesmo sem ser um cretino, sinta a inexistência crescer dentro de você diante de tal comentário, tão normal a seu amigho quanto o ar que respiramos. Sinta a raiva aflorar, mas aquiesças em silêncio. Bem sabes o tão retardado e reclamativo andas em seus escritos, em seu ser.

Entretanto, tenha a errada viagem de crescer tal certeza em tua cabeça enquanto recusas novas socializações. No interior lúgubre de teu barco sem mar, seu quarto especialmente arranjado, sintas a inexistência tomar conta de teus pensamentos antes de dormir. Tenha raiva mais uma vez de teu amigo, mas saibas que foi culpa sua, sempre é culpa sua.

Não estragues o feriado. Passe por cima, acorde no dia seguinte, tudo em seu lugar, todas as paredes e muros com suas pedras e tijolos de silêncio e resignação.

Apareçam, outros companheiros! Aquele que foi seu companheiro em outro mundo nada real, e aquele que todos insistem em caçoar, de seus repentes e dizeres não muito pensados. Converse com este e aquele, sinta novamente a inexistência aflorar, a necessidade quase insana deste mundo abandonar, e retomares irreal vida, irreal ocupação no mundo das máquinas, da fantasia cibernética que já foi oitenta e cinco por cento de sua vida. Sinta o apelo de tal chamado, irresistível e perigoso, pelo ponto de vista de certa porção dita racional de tua mente e aos olhos de psicólogos, antropólogos, psicanalistas e quejandos.

Vá dormir, novamente. Mais cedo, mais faminto por sentidos, antes de perder os mesmo, naquele embalar mole da cama, da sonolência, de teu barco sem mar. Dia seguinte, reencontre o dono da casa, tudo em seu devido lugar, mas o vazio tomando conta de tudo. Sinta novamente a tentação de seguir adiante o plano de tudo abandonar, e ceda levemente, tome o primeiro passo. Pouco falta agora, para tudo recomeçar. Tudo terminar. Veja maus filmes, coma boas comidas, veja discussões alheias, se pergunte se existe união realmente valiosa, questione pele enésima vez a possibilidade das pessoas ficarem juntas. Vá dormir, novamente.

Acorde e vá trabalhar, sentindo o distante apelo da virtualização de teus problemas. Se pergunte se existes deveras, sendo humano sem deveras assim se sentir.

Onde está seu lugar? Aqui, neste mundo, dito real, ou ali, onde nada é de fato verdadeiro?

Sinta, em plena terça-feira, o ocaso de uma segunda que não teve lugar.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Traição. Vingança.

A semana deu seus dias, malditos dias.

Pessoas como eu são facilmente derrotadas por cretinos diversos, e desanimam facilmente das coisas. Aparentemente. Não sei se sou apenas teimoso em aceitar que o mundo é o que é, esta merda, ou simplesmente sou um bobinho que ainda tem algum resto de esperança vã e pueril, que ainda podem haver pessoas que têm integridade, honestidade, palavra, honra.

Aparentemente, não.

Mas tirando meus patéticos momentos teatrais, onde amaldiçoô a humanidade e suas práticas nada louváveis, desprovidas de toda e qualquer ética, eu sei que assim é o "cerumano", conforme descrito pelos regulares do ENEM. Má neeeemmm. E se revoltar com pessoas que agem como abutres, é o mesmo que se revoltar contra o verdume das árvores.

O importante é continuar vivendo, e tentar encontrar no meio desse turbilhão de porcos, aquelas pessoas que são realmente humanas. Existem, bem sei. O que me deixa exausto é como é difícil encontrá-las. A busca é incessante, e por vezes julgamos ter encontrado algumas gentes dignas de serem chamadas de companheiros nessa busca, apenas para descobrirmos que são apenas lobos vestidos de cordeiro, santinhos do pau oco e tantas outras alcunhas.

Por vezes, dá vontade de mandar tudo e todos à merda, e proceder de forma "insensata", como diriam alguns, abandonando este mundo feito já me disseram, "quem se mata com um tiro na cabeça sai desse mundo batendo a porta", ou simplesmente proceder como alguns antepassados meus, que surtaram e abandonaram a sociedade. Saciedade, de fato. Por vezes, creio estar prestes a realizar alguma destas práticas.

Mas, lado outro, quando passa a tempestade, toda esta fúria que os idiotas feito eu experimentam diante de tais circunstâncias ditas tão "normais" na nossa selva moderna, analisamos mais friamente toda a situação, e chegamos à conclusão que nos livramos foi de uma boa, ou seja, de um péssimo negócio. E tais desilusões me fazem remeter a uma citação recortada de algum jornal e cuidadosamente colada no interior de uma gaveta, como um eterno lembrete para quem quer que abrisse tal gaveta: "as inquietações são formas de despertar."

De fato. Alguém me deu um pé na bunda, passando por cima de mim. Apesar de todo o melodrama que se seguiu, me fez ver também que não valia a pena apanhar tal "promoção", uma vez que só aumentariam as encheções de saco dentro desta moderna senzala capitalista que habito, e o incremento salarial seria inexistente. Mau negócio, evidentemente. Pois tudo que o idiota que me fudeu vai receber são vazias promessas de crescimento e prosperidade, coisas que sei bem, NÃO irão acontecer. Não neste escrotório.

Então, o fidumaégua que se deleite em sua prática abjeta. Se torture com os telefonemas e problemas consecutivos. Eu ficarei na minha, até alcançar o novo objetivo que estou me propondo, que é sair desta budega aqui. Existe um limite que um homem pode aguentar de pilantragem. E o que mais acontece aqui é isso. Quero só visualizar o dia que poderei chegar na sala do filho da puta e dizer com aquele sorriso, "tofie esta joça de emprego no seu rabo," e virar as costas sem nem esperar resposta.

Ainda assim, mesmo tendo em vista tal visão alentadora, fico embasbacado em pensar como tais gentes não têm consciência. Como conseguem dormir? E é esta lição que dão ao seus filhos?

Algumas lições carregarei deste evento. Não confie em crentes. Há males que vêm para bem.

Viver bem será minha vingança, conforme diz a canção.

E enquanto isso, eu ainda posso me vingar graficamente de tais frangos.


"E assim, a vida prosseguiu..."

Bom final de semana à todas as PESSOAS de bem que existem. E o inferno na terra para os frangos fidumaégua, fudumajega, fisdaputa ordinários de uma figa. Que seus malditos e imuindos rebentos lhes rendam boas noites de insônia.....e tenho dito.




P.S. - Não seria legal matar um cretino enfiando um guarda-chuva na nuca do ordinário? Seria uma excelente cena para um bom filme para nosso tão-amado cineplex trash, creio eu...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Front stabbing.

Você já foi "esfaqueado pelas costas"?

Prática aparentemente regular em empregos mundo afora, somente quem já tomou uma dessas sabe como é desagradável. Não somente em relação a planos que já estavam sendo traçados, baseados na mentira que lhe disseram. Dói ser enganado, lubridiado, de fato.

Mas o que mais dói é saber que isto é considerado "normal" no mundo. Todos lhe dirão, "Acontece," com caras de vacas de presépio. E caso você fique indignado e afirme que sofrer tal prática hedionda em sua pele é o mesmo que fazer com que você perca ainda mais a fé quase já inexistente nas pessoas, é o mesmo que ser esfaqueado na alma em si, lhe dirão pastosamente que você nada mais é que um ingênuo. Um inocente.

Pobrezinho, dirão sarcasticamente todos os demônios ao seu redor, ele ainda crê que existe alguma decência neste mundo.

Concedo que tais demônios existam. Mas estes são os espertos, os que fazem os planos de atrapalhar sua vida, esculhambar sua vã alegria. Seres ignóbeis, estes se deliciam em saborear a desilusão alheia. De outro lado, existem as vacas, os frangos, seres que se deixam levar pela influência de tais demônios, que cumprem suas ordens. Na maioria das vezes, os demônios agem terceirizando suas vis ações. Apanham o primeiro frango que veêm na reta e passam a tarefa adiante.

"O mundo é dos espertos."

Pois que fiquem com ele, filhos da puta. Fiquem com ele. Fodam-se todos também.

O que pode o esfaqueado fazer? Terminar de sangrar e morrer. Abandonar este ninho de víboras, "este válio de lagrimas, esta merda." Como diria o Sargento, Getúlio de nome.

Fodam-se todos vocês e seu doentio deleite na dor alheia. Suas nojentas elucubrações cheias de mentiras e falsas promessas. Queimem todos nas vidinhas ordinárias e infames que tais práticas lhes garantirão.

Seria bom poder resolver isso na ponta da peixeira, na esquentada chuva de chumbo que tais criaturas merecem levar. Mas a moral e os bons costumes impedem-me.

Por hora, só posso ficar tremendo de ódio. Sem nem saber como reagir sem levar uma metralhadora à língua e alvejar todos os seres dos infernos com as palavras compatíveis com seu calão enquanto "pessoas".

E, a vida prossegue. É assim. Aceite. You are not a beautiful or unique snowflake.

Merda dançante e ululante, é o que somos todos.

E diante disso tudo, só me resta escutar a trilha sonora para momentos de extrema fúria:


"The Day I Tried To Live"

I woke the same as any other day
Except a voice was in my head
It said seize the day, pull the trigger, drop the blade
And watch the rolling heads

The day I tried to live
I stole a thousand beggar's change
And gave it to the rich
The day I tried to win
I dangled from the power lines
And let the martyrs stretch
Singing

One more time around
Might do it
One more time around
Might make it
One more time around
Might do it
One more time around
The day I tried to live

Words you say never seem
To live up to the ones
Inside your head
The lives we make
Never seem to ever get us anywhere
But dead

The day I tried to live
I wallowed in the blood and mud with
All the other pigs

I woke the same as any other day you know
I should have stayed in bed

The day I tried to live
I wallowed in the blood and mud with
All the other pigs

And I learned that I was a liar
Just like you.


-------Soundgarden.

Say it ain't so.