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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Resumo.

Dizem, enchem-me o raio da circunfêrencia, dizem. Falam que deveria continuar. Continuar a fazer isto; ora, eu sempre fiz isso: basta olhar dentro de uma de minhas esquecidas gavetas. São como os entulhos cerebrais, sempre repletas de dizeres, estranhos dizeres, palavras e rimas que nem sempre rimam, mas falam sempre do mesmo, sempre daquilo que nunca entendi, que se entende por mim mesmo, ao menos acho que sou eu, não sei ao certo, não mais.

Dizem tanta coisa, dão tantos conselhos. Alguns mais nobres, outros dignos de serem encaminhados para a lata de lixo, orgânico ou não, é tudo a mesma merda. Tanta coisa mudou, nada mudou. Ciclos da vida, que se repetem. Ouroboros, em minhas costas impressa. Simboliza sim, a vida que é minha: a repetição de dias, lugares, pessoas. Sentimentos que nunca se vão, mesmo com tantos e tantos anos a acumularem peso em minhas costas, encher de entulho minha cachola.

Avistei hoje cedo, certa pessoa trajando farrapos, revirando o lixo alheio, em busca sabe-se lá de quê, de alimentos, de algo que possa ser o luxo da pessoa que o lixo revira. Por vezes, é assim que me sinto, revirando meu próprio lixão interno, doravante denominado cabeça, em busca de algo que preste, de algo relevbante a se dizer, de algo que algum dia me remova desta condição de mendigo de mim mesmo, de minha própria paranóia, refém de meus eternos medos, de minha eterna insegurança. Da certeza latente, perene, perpétua. Da sensação de ser sempre o inadequado, o incoerente, o estranho.

Ser estranho não é mal, diria parte incerta de minhas vozes internas. Quem quer ser apenas um ser tributável e quotidiano? Grande parte da humanidade de frangos e frangas, que tanto anseiam carro novo, bolsa nova, sapato novo, emprego mais desafiador, emprego mais rentável, casa na praia, tantas coisas, tão legais, tão relevantes. Tão imortais, que aqui ficarão enquanto a carne apodrece em um buraco escavado pelos seus sobreviventes. Enquanto os vermes de você se alimentam, lá estará sua casa, seu iPhone, seu carro. Imortais. Não é meu caso, de certa forma.

Se anseio coisas? Sim, eis que também sou frango humano, como todos que habitam este esférico galinheiro. Mas posso afirmar que tais coisas são bem diferentes. Aliás, a palavra chave aqui é esta, diferente. Humano, mas nem tanto quanto os outros? Nem tanto. Mas, aqui sempre esteve, esta nítida certeza de ser diferente. Problemas não existiriam se não houvesse dentro de mim certa porção que insiste em querer ser igual, em quere as mesmas coisa, em amar as mesmas matérias-primas, em rechaçar aquilo que tantos dizem ser dons e que muitas vezes considero maldições.

Cresço, envelheço, de dentro pra fora, de fora pra dentro, por todos os lados, em todas as células. Em todas as fibras de meu ser. Mas, até hoje não acho nada legal certas coisas que os normais de minha idade deveriam gostar. Ternos. Gravatas. Carros. Relacionamentos vazios. Status. Cresço, mas não cresço. E em um mundo como este em que vivo, me parece que os teimosos feito eu ou são vencidos pelo cansaço e pela necessidade fútil que a vida adulta exige, a exigência de que, para ser normal, para ser aceito, para ser respeitável, ter bom aspecto e ter sucesso, o primeiro passo é assassinar dentro de você toda esta vontade de apenas querer viver. Querer se divertir, querer acordar e ir para uma praia, curtir o sol, correr feito doido na areia, depois se jogar feito maluco nas ondas do mar. Crianção. Cresça! Compre carros, ternos, gravatas. Tenha relações com pessoas que você não gosta, tenha filhos. Tenha contas a pagar. Seja adulto!

Por mais boçal que possa ser, nunca quis tais coisas. Nunca. E apesar disto, sempre soube qual seria o custo de me recusar a deixar que me matem internamente. Sabia que seria para sempre solitário e que enlouqueceria, em certa altura do campeonato. Que abandonaria o páreo, deixaria meu luigar para uma pessoa normal, mais digna de mênção. Que desistiria.

Tal luta, de certa forma, foi-me inglória, pois a cada ano que passa, vejo que a luta sempre foi em vão. O mundo não mudará, as pessoas não se importarão, caso exista um maluco, um adultescente a menos no mundo. Ano após ano, mais matam o ser interno, e do lado de fora apenas resta uma casca de ser vivo, um adulto que não vive, existe. Por que sabe estar sozinho, e sabe que perdeu a batalha. De nada valem seus dons de criança grande para o mundo de adultos que o rodeia. Ninguém quer saber de canções ou rabiscos. Não se pode pagar por casas, carros, putas, - pagas ou não - geladeiras, sofás, IPTU, IPVA, DPVAT, ICMS, IPI, e tantos Is por aí com sonhos. Nenhuma pessoa pode se alimentar de papéis rabiscados, ainda que sejam tão orgânmicos quanto as caríssimas folhas de alface, tão saudáveis, tão verdes e frescas.

Logo, paro de escrever, paro de desenhar, paro de cantar e de tocar cordas. Paro com tudo, pois não é papel de adulto. Não é digno. Não é respeitável. O mundo venceu. Ele me diz o que devo ser - exatamente tudo aquilo que nunca quis ser. E como ainda me recuso a ser, cada dia é uma nova morte. Existem milhares de formas de se suicidar sem morrer. Viver é uma delas. Viver, desta forma, preso numa mentalidade juvenil, em um copro que deveria ser tudo aquilo que não é.

O mundo venceu. E tem vencido, sempre. Por 34 anos, ele venceu. E estou morto há exatamente tantos anos. Zumbi do mundo moderno. Cadáver adiado que não se reproduz nem se reproduzirá.

Amo tanto meus filhos, que não os quero pôr neste mundo desprovido de sentido.

Ora vejam. Cá está, mais do mesmo, a mesma repetição. O mesmo saco. "Lá está o eterno adolescente, chorando suas mágoas eternas."

E ainda me perguntam porquê parei de escrever.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bagaço Mecânico.

Bem, conforme pude constatar, algumas pessoas aí fora ainda, de certa forma. Entendo, entendo...ou não. Pessoas que não possuem auto-estima, não entende muita coisa por aí, pelo que parece.

Enfim, eu não aposentarei isto cá para sempre, mas me reservarei a escrever apenas quando...sei lá, quando me achar um pouco mais inspirado para escrever algo menos banal que simples lamúrias de um doente mental, em tantos níveis.

Divertidos somos, quase que só nas aparências.



De fato. O tcheco falou. Patético.

De qualquer maneira, ficamos assim então. Pois hoje, meu "célebro" congelou-se na bruma inesperada da manhã de frio inesperado que me assolou o sótão.




PS - sim, bigodes protegem contra frio! Comprovado pelo doutor Esquisito do sótão. Mas só se forem encaracolados. Ha. Ha. Ha.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Terça.

Às vezes parece eterno.

Tantas manhãs. Tantas noites, dias. Sem dormir, sem alento em quase parte nenhuma. Odia, parece ter começado anos atrás, agora. Muito, muito tempo. Sempre, pra sempre. Mesmo que a luz se alternasse, as cinzas eram as mesmas. As pessoas, as mesmas. A mesma, aflição.

O que estava diferente naquela manhã? Alguma espécie de fogo, alguma sorte de gelo, alguma sensação térmica, algoi estava diferente? A manhã, de inverno incipiente, recém começava, de novo, mais uma vez. A mesma hora do lusco-fusco, as mesmas luzes dentro dos painéis luminosos. Bom dia, Mantenha a cidade limpa. 10 de Maio. 7:12.

Embarcar feito mais uma cabeça de gado no coletivo, minutos depois, a mesma coisa. Sentado, olhando para fora, vendo mas não enxergando, a noite, o dia, a rua, as pessoas, os carros. Tudo, uma coisa só, que não fazia nenhum sentido. E o ruído, de alguma espécie de canção naqueles ouvidos. Não se lembraria dela, momentos depois.

Quando a primeira nota soou, ali mais nada estava. No primeiro movimento da moderna sinfonia, as coisas, que já não existiam lá fora, passaram a não ter mais nenhum sentido.

Tudo que existia naquele momento eram as ondas sonoras cuidadosamente colocadas em seu canal auditivo. O mundo, a temperatura, as pessoas, os gritos e infêmias. Nada. Só havia a crescente progressão de sons em camadas se unificando diante de canais vestibulares, tímpanos e três ossinhos quase microscópicos.

Nada mais havia além da música.
Nada sentia além dos arrepios que esta ainda lhe causava.

Estava vivo, ainda. Ainda conseguia sentir a beleza embutida em todos aqueles sons que se uniam. E a voz,

And when the dawn begins to creep
Sunlight finds you in a heap
And how you wish that you could sleep
Forget the lies that you've been told
You think you're settin' free your soul
But you're really gettin' old

E sim, estava vivo. Estava ficando mais velho, cada vez mais velho, antigo como o hábito de não enxergar, não conseguir ver nada além do que sua mente insistia em achar, em todos lugares, em todo vagar, uma vida inteira.

You've dreamt of divin' in the sea
Your outstretched arms in front of me
And how you wished that you could breathe

Respirar. Deixe-me respirar. Deixe-me tentar....achar...o que tento achar...

In the grip of ecstasy
When the shadows follow me
And the night won't set me free

A noite...ela dura mais de trinta anos...

You wish someone could love you less
Longing for that one caress
I see you sink under Duress

E afundo....sem saber porquê me afundei...sem saber por quê isto acontece...sem saber por quê não encontro nada do que vim aqui procurar...

E quando tudo acabou, as formas voltaram a ter sentido, o mundo fez-se mundo novamente. E eu lá. Deixando acontecer. Deixando. O que mais posso fazer?

And when you wanna kill it dead
You let it throttle you instead.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Foda-se.

Dizem, muita coisa.

Dizem, tudo sobre a vida. O universo. Todas as coisas que nos rodeiam. E tudo que dizem...deve estar errado. Tudo que digo deve estar errado. Tudo, errado.

Dizem também que em tempos de baixa, pode ser a vida te mandando um recado. Nunca li tanto "foda-se" da vida ao mesmo tempo agora do que nestas últimas semanas. A única mensagem que leio é esta. Vá se fuder, Buriol.

Só queria saber por quê.

"PorQuê? Ora, porquera. Vá se fuder."

Lado outro, transito por aí, tenho certos desejos atendidos. Não tive de dar aula ontem a noite, enquanto me propunha pagar vinte reais para não ter de fazê-lo, achei cinco reais na rua, na discreta forma de nota, papel moeda. Nesta manhã, com este dinheiro comprei pães de queijo e um refrigerante. Café da manhã dos campeões. E cigarros com café. Campeão.

Você me diz, "fôdas" eu digo, "já estou acostumado".

E não sei pra quê ir pra frente, mas vou. Nem que seja pra te encher o saco, fedaputa.

Foda-se você também.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dia.

Não sei de nada.

Sei que existem maus dias.

Dias assim, eu sei que ele já acabou antes mesmo de começar.

E já não sei mais o que fazer. Especialmente quando todos dias estão assim.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Loucuras.

Você sabe que está indo bem quando, logo pela manhã de terça se surpreende pensando em quais locais dos edifícios ao seu redor serviriam de bons pontos para se encostar, com um cigarrinho na boca e um rifle de precisão nas mãos. Após esta árdua escolha, selecionar entre anôni trnaseuntes quais serviriam de melhor alvo. Não importa em verdade, nada dos pré requisitos que lhes serviriam para angariar este ou aquele emprego no submundo moderno. Não. Em se tratando de alvos, poderíamos separar tais matérias primas para a loucura por diâmetro de cabeças, ou simplesmente por suas caras. Gostei desta pessoa, mas não daquela outra. Bang. Pronto. Pensando-se bem, gostei tanto daquela pessoa; melhor não continuar deixando-a ser torturada pela vida, não é mesmo? Bang.

Nestas horas em que o ônibus se arrasta lentamente pela cidade, me pergunto estas coisas. Qual seria a primeira providência a se tomar quando finalmente a sanidade me abandonar de vez. Adquirir rifles de precisão seria uma ótima, mas me pergunto onde seria possível arrumar tal aparato sem ter de se aborrecer com autoridades, ó inúteis figuras, que permitem o uso de alcóol mas proscrevem o uso de aspirinas. Por quê, mas porquê. Permitem tanta coisa, proíbem tudo. Tudo que é divertido. Tudo engorda ,é imoral, amoral, apático. Irrequieto.

Me pergunto se ao invés de rifles, granadas de mão não seriam mais facilmente adquiridas. A grande vantagem seria a de nem sequer precisar de mirar direito; bastaria arrancar o pino e arremessar a bomba em direção à rua lotada. Todos devem se ver livres, todos desejam se ver livres. E daqui, o que se leva, o que podemos levar? Nem mesmo as dívidas. Nem mesmo as terrenas preocupações, umas tão nobres e sérias, como o resultado do Big Bróder, ou o desfecho do reencontro de Manuela Gerturudes com Fernando Augusto Cury. Se as pessoas fossem assim tão boas, eu me preocuparia com meu extermínio primeiro. Para se livrarem de mim primeiramente. Mas sou tão bom, tão humano, tão filantropo - que prefiro livrá-las de mais dor.

Por isso falo, do alto de tantos prédios, de tantas anônimas faces, tantas faces. Se livrem de mim. Se livrem. Se livrem. De vocês, de eu tu ele nós vós eles. Façam bem, uns aos outros. Se permitam, viver. Se permitam, fazer tudo. O que vocês fariam se tivessem a plena liberdade de escolher? O que fariam? O que faria se não existisse medo, se não existisse amanhã? Poderíamos mesmo fazer tudo que bem entendêssemos?

Eu só queria saber o que vem em seguida, se tudo acaba mesmo ou se teremos de rever nossa infame vida, em telas, telinhas, telões, diante de outros mortos, fazer o exame, fazer a avaliação. O boletim de ocorrência de uma vida vivida, fracassada, desorientada. Tudo flui, tudo é tempo, todas nossas ações têm consequências. Têm mesmo? Seria eu alguém que não se importaria em mostrar para os outros como sempre estive errado? Como sempre fui aquilo que me disseram que não era?

Quem seria você, se todos pudessem ver o que fazes quando és tu, somente tu, somente você mesmo, aquela pessoa que não se esconde diante das outras pessoas? Que não usa máscara? Quem é você? Saberia dizer aos outros? Seria mesmo o que pensam de você?

Não somos nada, e somos tudo. Todos os motivos, todas as razões.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cineplex 2011, número 01.

Ah, eis que novamente podemos erguer os olhos e dizer, foda-se segunda. Não, não. Quero dizer, sim, todos sabemos, infelizmente, que novamente a semana deu seus dias. e cá estamos, mais uma vez, caras enterradas em xícaras de café, à procura de algum fator que possa justificar o dia de hoje. Como não estou encontrando tal justificativa para este abjeto dia em parte alguma, prefiro escrever sobre o evento regional mundial semanalmente executados de seis em seis meses ou assim que der um tempinho de nos reunirmos com o objetivo final em mente: embriagar-se mentalmente com a essência primordial de filmes dignos de integrarem parte da oitava arte, esta desconhecida por todos ou quase todos os seres humanos, empenhados em viver e somente viver.

Nós, que somos seres que habitam esferas diferentes da maioria dos outros seres vivos que habitam esta terra, não estivemos preocupados em fazer vãs, tolas comemorações apenas pelo motivo banal de que um "líder" terrorista foi morto neste final de semana. Não - nossa alegria, nossa diversão tem raízes menos idiotas, mais puras do ponto de vista essesncialmente não-imbecil que é tão raro na humanidade vigente por cima deste planeta. Ao invés de fazermos inúteis comemorações ocas, preferimos reunir-nos para vermos filmes, muitos filmes, dignos de mênção a uma segunda feira, plena manhã, dia dois de maio do ânus domini de 2011.

Após muita deliberação, muitos empecilhos no caminho, conseguimos realizaro primeiro evento deste ano. Sim, estamos desfalcados, mas isto em verdade não importa. O importante é ver filmes, fazer comentários, muito se rir das patéticas histórias, risíveis defeitos nada especiais por eles veiculados, experimentar a franca diversão, ausente de motivos mais reais que a mera necessidade de muito se rir de outras coisas que não as sacanagens da vida...

Nesta sessão, foram exibidas as seguintes pérolas:

1 - Aliens versus Ninjas(ou o contrário)
2 - Hyenas
3 - The Expendables
4 - Diário Mortal(rejeitado)
4 - Feras do Mar(algo assim) 3
5 - Predadores
6 - Fome Animal

Em primeiro lugar, devemos dizer que o impropério de que meus companheiros de sessões trash até o momento não terem ainda assistido o Cálice Sagrado dos filmes trash - a saber, Fome Animal - foi devidamente corrigido em esta exibição. Deixado para ser o último filme da exibição, ele ofuscou todos os demais, como era de se esperar de uma película trash desta envergadura. Tendo em vista que ele já seria o grande campeão do evento, o paradigma do "terrir" será considerado um evento à parte. As notas dos demais filmes foram dadas desconsiderando-se o dez evidente de "Braindead", estranho nome que Peter Jackson deu para esta pérola do cinema mundial.

Estranhamente, por bizarra coincidência, a ordem dos filmes foi exatamente a ordem das notas. Em primeiro lugar, temos Aliens Versus Ninjas. Os japoneses nunca param de me surpreender, e em matéria de cinema, a regra continua sendo verdadeira. Vemos aqui uma estranha estória de grupos de ninjas errantes e rivais, que estão sempre a se degladiar entre si. As coisas complicam quando um estranho meteoro cai perto de uma aldeia. Evidentemente, tal meteoro veio recheado de estranhos seres de outro planeta, outra galáxia, outro estúdio de maquiagem um tiquinho mais sério que o que inventa um traje de borracha com cabeça de golfinho deformado, com uma série de estranhos orifícios no topo destas, de onde os tais aliens "botam" seus ovos - ou melhor, expurgam seus descendentes em foma de lagartixinhas de prástico perolado, que mais pra frente "evoluem" em um ser parasita que domina a mente de seu hospedeiro. Evidentemente, se seu hospedeiro é um ninja emo, irás adquirir todos os trejeitos e habilidades do hospedeiro, se tornando um ninja em segundos...ainda que emo. Os personagens principais do filme são figuras bizarras, um par de ninjas emo que disputam quem é o mais emo e mais mortal com uma espada para cortar seus próprios pulsos...er, não. Não são tão emo assim. Existe uma mocinha ninja também, que possui punhos de aço - literalmente - e um "ninja mais velho" que é a coisa mais irritante do planeta. Mais velho neste caso ,não quer ser uma alegoria de sapiência, de conhecimento, sabedoria que os mais velhos costumam carregar em histórias orientais. Não: neste caso, o ninja mais velho é simplesmente o personagem mais retardado e irritante do filme. Trata-se de um "japa"(com o perdão da expressão, mas não existe nenhuma outra mais adequada)oxigenado - literalmente - e com comportamento suicida e imbecilizado. A boa notícia é que sim, ele morre mais pra frente, e os autores de tal filma, acho que sabendo o alívio que a morte de tal hediondo personagem causaria em sua audiência, planejaram sua morte para ser a mais ridícula possível, pois assim que sua cabeça é arrancada com um chute, ela voa e quica pelas árvores ao redor, para se auto-estaquear de maneira digna de um ninja o fazer. Logo em seguida, o diretor fez questão de pôr um corvo empalhado, toscamente manuseado por uma pessoa oculta pela câmera mas nunca pelas suas ações, para bicar os olhos mortos do idiota. O final desta película é absurdamente eletriziante, e qualquer um que queira se divertir deveria acrescentar tal película em seu acervo de filmes maravilhindos. Existem tantos outros detalhes sobre tal filme, mas se eu falar todos, a graça estará estragada. Mas pode esperar muita groselha como sangue, caras sendo partidos ao meio pelos golfinhos alienígenas, cabeças que estouram feito balões de água colorida, e um coro de ninjas dominados por "golfinhos vaquinhas lagartixas perolados" de plástico, que dominados por seus parasitas preferidos, se esquecem da língua natal(japonês) e começam a xingar os adversários no mais puro e "sotacado" inglês: "you motherfucker. Fuck you! Fuck you!" Nota final: 9,5.

Hyenas - este foi o segundo título da noite. A capa do filme prometia mundos e fundos em termos de diversão cinéfila, mas em verdade, mais uma vez aprendemos que não se deve julgar livro - ou filme, neste caso - pela capa. A história, sem pé nem cabeça direito, sugeria a vida, o dia a dia de um caçador de monstros humanos, parecidos com os lobisomens, mas que eram híbridos de hienas e gente. De onde tiram estas idéias? Não saberia dizer. Um cara mais velho, de dreads e chápeu de caçador conta a história a repseito de um outro cara, que era o caçador de tais monstros mais competente de todos. E logo em seguida vemos como este tal cara se tornou o mais fodão dos caçadores de...hienas humanas, algo assim. Ou melhor dizendo, acho que era isto que iriam narrar no filme, mas a história pula alguns pedaços, por exemplo, ficamos sem saber como afinal de contas este fodão se tornou caçador em si - de repente, sua família é morta pelas hienas, ele é "recrutado" pelo cara dos dreads, mas...nunca fica esclarecido como, de uma hora para outra, ele se torna a lenda. Mas isto não é empecilho para o filme ser um desastre, ao contrário. A "computação gráfica" usada para retratar as hienas é das coisas mais risíveis do universo. A luta entre duas filhas de uma "fêmea alfa" das hienas pela hegemonia do poder entre elas é das coisas mais patéticas que já assisti. Apesar de todos estes "prós", o filme é de certa forma meio que enfadonho. A ação é muito arrastada, e as tentativas de melhor elaborar a estória se torna chata rapidamente. Mas em geral, o filme tem bons momentos. Eu diria que uma noita oito está de bom tamanho.

The Expendables - Assistimos a este para quebrar o protocolo de somente assistirmos filmes de terrir em nossas sessões. Em geral, associa-se a terminologia "cinema trash" com este gênero de filmes, zumbis, vampiros, coisas assim. Mas todos sabemos que existem filmes trash em todas as partes, basta haver uma pessoa com uma câmera na mão e baixo orçamento no bolso para que o cinema trash possa existir. E neste caso, o orçamento não deve ter sido dos mais baixos, pois um filme que engloba a maioria dos atores que costumam encarnar personagens de filmes de ção nas décadas de oitenta e noventa, a grana gasta deve ter sido considerável, ainda que algumas presenças, feito a de Schwarzenegger834jhrtshiobn(sic) e Bruce Willis tenha sido apenas para constar, com pontinhas de uns cinco minutos. Mesmo assim, o filme vale a pena ser visto apenas pela diversão. Estrelado, escrito e dirigido por Sylvester Stallone Botox da Silva, trata-se de um filme de ação típico de sessões da tarde por nós tanto vistas nestas décadas passadas. Eu já estava meio que cabeçeando de sono a esta altura do campeonato, mas pude perceber que nestes filmes, o que menos conta é a história em si. Assim como outra recente pérola de Stallone - Rambo 4 - o elemento principal aqui são cenas de desmedida violência, onde certas pessoas são reduzidas a carne moída por metralhadoras. O grupo liderado pelo diretor do filme aniquila todo o exército de obscuro país de obscura localização na américa central, para salvar a mocinha que o Stallone não fica com no final. Er?....sei lá. É este o filme. Em geral, serve pela diversão e nanastrice de atores de ação reunidos. Nota oito, no final.

Os outros dois, Diário Mortal e Feras marinhas(?) 3 eu não assisti em integridade, pois já havia me retirado para minha cama a esta altura do campeonato. Meus fiéis companheiros destas sessões ficaram encarregados de analisar. Sei que o Diário Mortal é apenas um filme chato, que foi logo rejeitado pela equipe, não se tratando de filme trash per se, apenas um filme que tenta ser sério e só consegue ser chato. Foi abandonado após meia hora de exibição. Houve a tentativa de se assistir um outro filme cujo DVD não quis funcionar, infelizmente. Quando acordei, eles estavam assistindo o tal do Feras Marinhas, do mar, sei lá, três. Filme que não assisti na íntegra, mas que pude perceber direitinho de que se tratava. A tradicional história de que seres mutantes, ou que ficaram enterrados em uma loca primitiva, isolada da vida moderna por milênios a fio e que por um acaso qualquer se liberta de suia prisão ancestral e aterroriza a população atual. Pelo que pude ver, nada que garantisse algo maior que um sete.

Predadores, o mais novo filme da franquia "Predador", dirigdo por Robert Rodriguez e estrelado por uma pá de gente que já atuou em diversos filmes do universo deste diretor, foi assistido com grande expectativa, pois se tratava de um filão com imenso potencial, tendo em vista o que um diretor como Rodriguez e a idéia em torno do universo dos caçadores espaciais pode gerar. Mas em geral, o filme apenas presta, apenas é um bom filme para se assistir em uma mera sessão da tarde ou mesmo noite de gala da Globo, com o inédito filme...A história gira em torno de alguns protagonistas, em geral máquinas de extermínio humano, que são capturadas pelos predadores, armadas e jogadas em uma selva de um planeta que é usado pelos tais predadores apenas como reserva de caça sazonal. Nada de mais, nenhuma sequência hilária de mortes exageradas. Bom filme médio. Nota sete, a meu ver.

Fome Animal...sou indigno para aqui retratar a magnânima experiência que é assistir tal pérola. Faziam anos, muito tempo mesmo que havia assistido tal filme, e o tempo serviu apenas paras deixar a experiência ainda mais proveitosa, pois eu não me lembrava de muitas cenas do filme, ou lembrava-me de maneira inferior a que Peter Jackson retratou nesta obra prima do terrir. Falar sobre ele é indigno. Tentar retratar os assombros e espantos de um filme tão genial é impróprio. Recomendo a todos que ainda não tenham visto; caso gostem, assim como eu e meus compatriotas, de filmes deste gênero, recomendo. É o paradigma dos filmes trash, e muito mas muito divertido, em todos os sentidos.

E isto resume as atividades do final de semana. Todos os demais ataques de alergia e sono que se sucederam foram mera consequência do caso. E agora, para algo completamente diferente...trabalho! Ou o fingimento de.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Os outros.

Adoro quando, em minhas andanças pela internet, me deparo com sites como este.

Eu queria matar este cara e assumir sua identidade. Não, em verdade não. Pois, nunca teria o talento que ele possui. O humor e o sarcasmo, se aproximam dos meus, a visão de vida por ele ilustrada é parecida com a minha, por mais execrável que possa parecer para pessoas "normais."

Fodam-se. Eu não sou "normal", feito "vocês", citando os idiotas, evidentemente.

Em verdade, queria ter sido autor de tiras como esta, e esta.

Ou esta, que considero particularmente genial. Se você já sentiu depressão, irá se identificar plenamente com esta tira. Recomendo a todos os "normais" que acham que "você só está assim porquê você quer." E já que estamos falando nisso, se você pensa assim, morra. Sinceramente. Filho da puta.

Adoro quando outras pessoas dignas de crédito, como este cara, falam por mim, por assim dizer. Expressam exatamente como me sinto.

Ou quase. Existe uma tira, aqui ilustrada, que não se aplica a meu caso. Se invertessêmos o comportamento do protagonista - e deletássemos certos quadrinhos da tira original - teríamos um retrato de minha vida. Pois me sinto PIOR perto de outrem, e não faço a menor questão de esconder tal fato - como o caso de chegar no escritório. Minha cara não se ilumina em fingimento de ter de parecer bem perto dos outros. Não: em verdade, dependendo de meu humor matinal, ou fico ainda mais com cara de tristeza ou a carranca se torna ainda mais fechada de ódio. E quando retorno ao lar, somente ali sinto alívio. E por "lar", entenda-se meu canto, não minha casa em sua totalidade.

Sim. Noiado no Sótão. Nada mais verdadeiro.

Lado outro, me identifiquei também deveras com este personagem que Brian Patrick inventou. Eu rachei de rir desta tira e de outras que serviram de sequência ainda que não necessariamente conexa com a original. E como sei que sou este ser patético que reclama de tudo e todos, bem sei que a probabilidade disto aqui acontecer comigo seria grande, caso de fato se sucedesse.

Eu adoro este lado negro de certos cartunistas. Patrick elaborou uma história em seu site - ainda inacabada, infelizmente - que me deixou sinceramente aflito quando a li. Mas é daquelas que, por mais aflitivas que possam ser, vocÊ não consegue parar de ler. Confira, caso esteja curioso.

O máximo que já fiz que poderia levemente se aproximar disto é uma sequência de quadrinhos - para variar inacabada, por este "autor" chamado Buriol sempre detestar o resultado final. Algo deste naipe:










Enfim. Nada que se compare. Meros rabiscos.

Se alguém tiver paciência, recomendo a leitura de todos os quadrinhos de Brian Patrick. Se gostam de ironia, sarcasmo, humor negro e/ou nem tanto(às vezes) e quejandos, irão gostar do trabalho do cara.

Adiante. Há que se fingir que trabalha aqui por mais nove horas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cenas, II.

-Me desculpe, mas é proibido fumar aqui, senhor.
-Foda-se.
-O quê? Assim, sem nem pagar um jantar antes?
-(....) Aceita vale transporte?
-Tás achando que meu cu é roleta de ônibus???

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-Preciso, preciso de dormir. Preciso muito, mesmo.
-Já tentou encher a cara?
-Já. Infelizmente, meu estômago se esvaziou forçosamente depois de tal tentativa. Adormeci, mas ao lado do vaso sanitário.
-Já é alguma coisa.
-Mas agora ele não para de me ligar, de pedir minha companhia.
-Hmmmm...já tentou ir à igreja?
-Já. Me falaram tanto de um deus que se vingará de nós todos por termos comido uma merda de maçã, que resolvi virar carnívoro por natureza.
-Bela natureza, esta. E eu sou vegan.
-Mas isto não é contra a natureza humana?
-É que eu não gosto de mim mesmo e sou muito cagão para me matar; então, fico fazendo pose de vegan e enchendo o saco de todo mundo que não é. Se tenho de sofrer, eles que sofram comigo.
-Vejo que és emo, também.
-Claro. Para ser mala, é preciso ser inteiramente mala.

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-Com licença. O senhor está com o carro parado defronte à minha garagem.
-Quer que eu saia, então?
-Não. Quero que o senhor enfie este carro no seu ouvido.
-Oba! Tem um KY aí?? Adoro novas modalidades de sexo!
-...

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-Meu aluno, que se tornou um de meus melhores amigos, está com câncer. Teve metástase. Vai ter de operar, e por conta disso, talvez fique com sérios problemas decorrentes de tal operação...Ao menos, espero poder dar um pouco de apoio para ele...
-Vejo que prefere a companhia dele à minha.
-(...)Velho. Você, assim como ele, é meu amigo. Não minha namorada.
-Hunf.

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-Vou matar você!
-Por quê? Por ter sido eu o motivo de revolta contra vários colegas de sala em meus anos de colégio? Por ter roubado o dinheiro da merenda dos gordinhos idiotas? Por ter feito chacota com os tímidos que ficavam quietos nos seus cantos? Por ter desprezado colegas que não tinham roupa de marca, acessórios da moda, coisas do gênero?
-...er, não. Ia te matar, figurativamente falando, por andar devagar feito um velhinho de 105 anos no trânsito. Mas, já que se trata de um babaca deste naipe, vou te matar pelos motivos por si mesmo citados. Hasta la vista.

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-Quero um feriado!
-Serve um baseado? Ah, ha, ha!
-Serve! Dá aí!!!
-....

-------------------------------------------------------------

-Cara! Já imaginou se, tipo, se alguns alíenigenas viessem para cá? E tipo, o oxigênio deixassem eles doidões?? E tipo, se nós fôssemos para o planeta deles e eles respirassem THC?? Eu trocaria de planeta na hora, cara!
-Mas, cara, tipo, se a gente só respirasse THC, nós iríamos morrer, tipo rapidinho, cara!
-Nó, tem isso, cara. Que merda. Tô com fome.
-Eu também, tipo. Vamos ali pra cozinha, cara! Tem biscoito com geléia, cara!
-Manjar dos deuses, cara. Tipo, do que a gente tava falando mesmo?
-.....er, tipo, não lembro não cara.
-Ahahahahahahahhahahahahaha!!!!!
-Hahahahahahhahahahahha!!!!

-------------------------------------------------------------

Feriado, que venha o feriado!!!!


....

terça-feira, 19 de abril de 2011

Conselho.

"Se não tem nada agradável a dizer, fique calado."

O mesmo pode ser dito de escritos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Das resoluções falhas.

Não demorou muito. Umas quarenta e tantas horas, mais, menos, desvio padrão da puta que o pariu. Pra merda com toda a matemática e os números, detesto números. Mas divago, pra variar. O que sucedeu foi que minha resolução de não sentir nada, como já era previsto, acertado, definido, não rendeu em nada. Melhor dizendo: a vã tentativa de nada sentir se converteu em extrema angústia, coisa que em mim tem um efeito maravilhindo, como diriam alguns colegas. Angústia, tristeza, estas coisas, em mim, geram paralisia. Ataques de pânico. Agorofobia, qualquer coisa do gênero. Se existir algum imbecil aí que denomine tais coisas como mera frescura, não irei desmenti-los, pois eu mesmo me canso de tal paralisia, me xingo e me agrido diante de toda esta merda, mas irei mandá-los terem à merda, alegremente. Se não querem ajudar, podem ir para a casa de vossas mães, seja lá onde elas morem, em meras casas de baixo meretrício ou em palacetes no Botafogo.

Tanto faz, tanto fez. A verdade é que, mais uma vez me identifico com o protagonista de um de meus preferidos livros, aquele que leio e releio pelo menos uma vez por ano - falo de "Sargento Getúlio", de João Ubaldo Ribeiro. E cito a frase que me define: "acho que careço de ter raiva."

Raiva. Enquanto o medo, a angústia, a tristeza, me paralisam, me fazem andar como uma lesma nas ruas infestadas de meras sombras de frangos, eternos obstáculos em meu caminho, a raiva me põe fogo nas vistas, me faz andar em velocidade lúdrica, me faz um "people dodger" mais eficiente. Me põe a tremer, de tanta adrenalina initerrupta em minhas veias. E me faz escrever aqui, resmungar, que seja, foda-se, com uma velocidade surpreendente. E bem sei que é por vezes deveras hilário observar pessoas como eu, eternos mau-humorados. É bom vê-los se fudendo, tendo crises nervosas, nos faz rir. Bem sei disso, sei que sou facilmente risível em todos meus devaneios raivosos do dia-a-dia. E, ainda que por dentro eu sinta vontade de matar todos que de mim riam, bem sei que ao menos para isto presto, para servir de mau exemplo, servir de comédia para outrem. "Ainda bem que não sou assim."

Me faz sentir, de certa forma, útil para algo, já que não presto para mais nada, já que me encontro em um estado latente de eterna panela de pressão, das mais fortes já inventadas, que não explode de maneira alguma. Deveriam me estudar para aperfeiçoarem tais utensílios. Imagino que nenhuma autoclave no planeta tenha mais resistência à pressão interna que eu. Me faz sentir orgulhoso, de forma doentia.

Ah, a insanidade. Ela se manifesta, por vezes, de maneira muito mais engraçada em uns que outros, não é mesmo. Sou muito mais ser louco desta forma que sair por aí matando crianças. Sim, bem sei que tenho meus devaneios assassinos, mas para isto me basta a imaginação. E bem sei que mais uma vez, o velho deitado é verdadeiro - cão que ladra não morde. Apenas fica puto pra caralho, com tudo e todos, com alguns amigos que exigem que eu saia de meu reduto apenas para nutrir mais ódio pelas sombras-obstáculo do mundo afora, apenas para que possam me analisar, dizer que eu não deveria ser assim.

Eu SOU assim. É diferente. E realmente, prefiro sentir toda esta raiva e continuar lúcido que sentir tristeza paralisante, humilhante, que me faz querer chorar em público, que me faz sentir ataques de pânico aflorarem sem motivo algum, no meio do centro da cidade, enquanto espero o leva-frangos para ir ter ao meu único local onde me sinto melhor.

Lado outro, bem sei que é difícil tolerar um ser tão repelente, e muito me espanto quando me repreendem severamente de não atender a locais púb(l)icos. Me surpreendo. Mas reconheço o motivo.

Eu não sou uma pessoa sã. Sou doente, sou mesmo. Mas este não é o tratamento de que careço.

Se algum dia serei uma pessoa normal? Não creio. Aliás, não creio mais em melhoras. E mais uma vez, me referindo a refêrencias como costumo fazer, ainda que me critiquem por isso fazer, cito aqui uma frase genial de música que considero genial,

"I don't try anymore,
'cause only booze improves with age."

Obrigado, senhores do Urge Overkill. E morram, por terem acabado, pulhas safados.

Como é bom reclamar. E que atire a primeira pedra quem não o faz. Atire a pedra, eu atirarei um tiro de bazuca. Mentiroso do inferno!

Tomem um triple goat de quebra:



Adoro este rabisco. Acho estranho que ainda existam imbecis que olhem para meu Bode e achem que ele é "dragão", "capetinha", etc. Mas como costumo dizer, "Inteligência tem limite. Burrice não."

Sim, está inacabado, para variar. No final, não consegui resolver os cascos do dito e me afastei do papel, antes que rasgasse tudo de ódio pela incompetência vitalícia. Mas, como diria alguns estudantes das artes flácidas por aí:



Tá vendo. A "faculdade" de "Belas" artes me ensinou algo. A ser picareta. Como 95% dos artistas d'hoje em dia.

Ah, como é bom reclamar!

Bem, podem usar este post como exemplo do que não deve ser dito caso se queira ter um bom dia. E aproveitem o final de semana...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Não dá.

Não.
consigo
dormir
não consigo
escrever
não con
sigo
pensar
em uma
forma
de
sair daqui
de
não
surtar
tremem
mãos
treme
mente
bate
na gente
na cara
da gente
olhos
rasos d'água
roxos
pelo impactto
punhos
meus
de ninguém
mais
não
consigo
não
consigo
não consigo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Não.

Ontem. Foi difícil voltar para casa. Muitas emoções em conflito. Coisas internas. Coisas que me tiram a calma, me tiram o sono. Coisas que me impelem a escrever textos do gênero que escrevi na data de ontem. Negativas. Suicidas.

Viver, nada mais é que uma consecução de dias, uma consecução de achar algum sentido. Não enxergo mais sentido, mas nem por isso posso me ausentar de meus deveres enquanto "pai" de família, enquanto irmão, enquanto filho. Dizem que quem se mata é covarde, mas dizem também que aquele homem que se mata com um tiro sai deste mundo batendo a porta.

Ultimamente, era assim que estava me sentindo. Com vontade de bater a porta na cara deste mundo, destas pessoas, destes valores e convenções.

Ontem, tive mais uma noite que não houve. Na manhã do dia de hoje, decidi. Não sentir. Mais nada. Embora tenha funcionado adotar uma postura a la Rorschach(vide Watchmen) na manhã de hoje, bem sei que talvez isto não funcione muito tempo. Pois bem sei eu o que se passa dentro deste cadáver adiado que não procria e por aí perambula.

Muita coisa. Mas acho melhor fazer como um amigo meu, de meus maiores amigos de todosos tempos, afirmou. Ele me disse uma vez que pediu aos céus, a Mitra, seja lá quem for, que parasse de sentir. Isto, em pleno momento do mais franco desespero.

Afirma ter funcionado. Pois bem. Pedi o mesmo, pela manhã. E até o momento, tem funcionado. Coisas que me fariam gritar, me fariam ter ódio absoluto, não tiveram efeito quase nenhum em minha morta pessoa, nesta manhã do dia treze de Abril deste ano.

Que assim continue.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O psicopata ausente.

Curioso. Chego aqui neste antro de rotina pós-escravocrata-moderna, e me deparo com um bando de frangos, todos com olhos vidrados na pequena tela de quatorze ou menos polegadas de arcaico aparelho televisivo, todos mui atentos às palavras e imagens ali proferidas e difundidas, uma ou outra, tanto faz. Todos, todas, indignados, aterrorizados com as imagens, depoimentos, sobre a mais nova coqueluche dos telejornais do nosso paíseco de merda. Falo do massacre realizado em escola pública a la Columbine; nossa versão tupiniquim do massacre é agora difundida por todos os lados.

Eu, em minha típica conformidade inconformista de toda segunda feira, quase três semanas sem dormir direito, com vários problemas particulares e familiares me infernizando os dias, olhei aquilo, aquele bando de idiotas boquiabertos diante da exploração da mídia por cima da dor alheia, da incongruência humana, da publicação do desastre, de tudo mais, me senti com ímpetos de re-encenar, na prática, tal atentado, ali na cozinha. Livrar o mundo de alguns frangos. E depois estourar minha insone cabeça.

Sim. Que mau humor, que coisa terrível de se dizer, seu cínico, seu maldoso, seu pecador! Quem é você para julgar os outros, tu que fazes o que não deve, que propaga o mau humor, que se esconde do mundo, etc etc e tal?

Grandes merdas ser adevogado, como diz o refrão do trote divulgado na internet anos atrás. Bem sei que jamais faria tal coisa. Mas tenho imaginação, muita imaginação, e tenho raiva, muita raiva, tenho vontades que jamais farei, tenho ganas que jamais darei asas. Como diz outro poular "deitado", que atire a primeira pedra o que jamais matou outrem em imaginação, em momentos que amis pura raiva fez com que os dentes rilhassem de ódio. Se algum hipócrita se apresentar, creio que poderei matá-lo sem maiores problemas. Uma junta de mil e quinhentos "assassinos hipotéticos" me isentará da culpa. Alegarei legítima defesa perante o conjunto vazio que é um ser humano que jamais sentiu raiva, jamais sentiu-se frustrado.

Como é bom ter esta faculdade, poder fazer churrasco de frango sem chegar mesmo a mover sequer um dedo, sem ter que se impor ao julgamento da nação e se submeter às sanções da lei. Dia outro, cá esteve um amigo que nem mais bem sei por que assim ainda o chamo, "amigo", a me fazer chacota, me humilhar perante os outros funcionários de seu império de merda. Enquanto dizia seus impropérios, matei-o mentalmente umas três vezes, cada qual de maneira mais criativa que outra, enfiando sua cara no vidro estilhaçado por seu corpo, segurando sua cabeça e enfiando-a no monitos ligado à minha frente, quebrando um teclado em suas fuças, e...

Céus, todos dirão. Céus, todos se horrorizarão. E irão me tachar de louco, de psicopata latente, de ameaça à sociedade. Quanto tempo mais levará para semelhante Noiado levar a cabo suas fantasias psicóticas, matar gente, fazer o caos na terra?

O tempo de uma vida, presumo. O tempo de minha vida. Não se apoquentem com pouca coisa. Já diz outro "velho deitado", cão que ladra não morde. E lá quero eu me acabar de tal forma? Quero eu ser caçado como um animal, quero eu tentar amenizar o inferno dos outros? Não consigo sequer amenizar minha própria existência inútil.

Não se preocupem. São apenas sintomas de excessiva insônia, de auto-censura e auto-cobrança em demasia. De uma vida toda que podia ter sido e que não foi. Apenas devaneios de um ser risível.

E continuemos, avançemos sabe-se lá para onde.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

De sobre casamentos e fobias sociais.

Sociofobia. Isto existe, presumo, nos dicionários e definições para-pessicológicas do mundo muderno da vida nos anos dois mil e quejandos. Sim, existe. E presumo que todos conheçam alguém com um grauzinho desta "patologia" por aí. Mas, presumo eu também, que não conheçam alguém que tenha a coisa tão aprofundada como este que vos escreve.

Certo, certo: sem exageros, sem teatros. Imagino que existam sim, pessoas que deste mal padeçam muito mais que este Noiado. Entretanto, digo este exagero pois fazia muito mas muito tempo mesmo que não sentia na pele tal aflição como me senti neste final de semana passado. Sou a definição apropriadíssima para o termo em inglês SAP - Socially Awkward Person. Ou, se preferirem o lado irônico da coisa, existe o Advice Animal feito especialmente para pessoas como eu.

Bem, contextualizando a coisa, neste final de semana foi o casório oficialmente dito de um amigo meu, destes amigos que se tornam seus irmãos sem que sejam mesmo da família, por assim dizer; se fosse possível, eu venderia meu "irmão" em algum mercado negro de bugigangas humanas ou coisa assim, e trocaria por um Hugo ou um Rafael da vida, tranquilamente. Mas, deixando de lado desavenças familiares, este tipo de amigo é daqueles que a gente faz esforço, sacrifício, põe a mão no fogo por eles. Eu, sendo o eremita que sou, ultimamente ando tendo "ziguizira" com qualquer local público, em especial se tiverem mais do que cinco indivíduos presentes. E se eu não conhecer tais cinco, a aflição é ainda maior.

Eu estava em uma cidade do interior, que eu não ia há uns dez anos, com poucos conhecidos à mão, e um salão de festas repleto de faces desconhecidas. Além disso, estava me sentindo absolutamente ridículo trajando aquelas vestes típicas de gente socialmente importante, ou apenas mais formalizadas, algo assim: para que existem tantos botões naquelas camisas? Para que usar gravatas? Para que ostentar um terno em um dia de tórridas temperaturas como as experimentadas naquele dia?

Não importa. O cara é irmão, a gente enfrenta estas coisas pelos irmãos. E enfrentei, lá fui de carona com gente que eu desconhecia, já quase morrendo de aflição por este simples fato. Além disso, meu lado resmungão, que tive o cuidado de acorrentar e esconder láááá no fundo da mente para não estragar de antemão o humor das demais pessoas que - naturalmente - não compartilham de minha misantropia e fobias sociais, e que muito se deleitam em reuniões semelhantes, não se calava e ficava tentando vir à tona. Bem sei eu o que sou, este ser turrão e mau humorado, que ultimamente anda ainda mais misantropo que o costume. Não queria estragar a festa de ninguém, então fiquei mais calado que já sou, brigando comigo mesmo, tentando refrear todos os ímpetos de bater em retirada toda vez que algum pânico social começava a querer se manifestar.

Como dizem, nestas horas, é melhor então se inebriar, ainda mais em um evento em que o consumo de álcool é não somnete liberado, mas também encorajado por TODOS os convidados. Não o fiz. Me conheço bem o suficiente para saber que se cedesse a tal impulso, eu teria terminado desmaiado numa privada, afogado em minhas próprias regurgitações. Fiquei tranquilo, ou ao menos tentei ficar, me comportei do jeito certo, não fiz nenhuma merda. E fui repreendido por muitos de meus inebriados companheiros. Aparentemente, eu sou dos caras mais legais do planeta, e nas horas alcóolicas, meus companheiros(os poucos que eu conhecia de fato ali), se lembraram de mim e como ando muito isolado, soltaram efusivos protestos de elevada estima e consideração, mesclados com protestos autênticos contra meu sumiço. "Cara! Vochê é um fedaputa! Dosh carash maish legaissss que conheço e fica só enfurnado naquela porra de shótão lá! Porra velho! A gente grada dochê...Hic! Nóoo ce viu aquela mulé ali?? Mash que delíchia hein Buriol? Hein? Hic! Seu fedaputa..."

Perdão, meus companheiros. Sim, a maré anda em baixa. Se existir alguém por aí que já vivenciou má fase, em que a gente se considera o mais vil e torpe dos seres humanos que jamais existiram, eles entenderão. Mas, acho que não. Eu, em toda minha constituição, por mais que nestas horas as pessoas tenham estas manifestações mui efusivas de apreço à minha triste figura, concordo de certa forma que estou sim, deveras recluso ultimamente, mas afirmo-lhes, do meu ponto de vista, estou poupando eles da presença incômoda de um cara que só sabe reclamar. Um cara que só reclama de barriga cheia, um adolescente terminal, um isto e um aquilo. Aquiesço: sou tudo isto e mais nove, que ainda não descobriram. Auto-estima? O que ser isto?

Certo, não queria transformar isto aqui em mais uma recordação de meu "diário emo" nosso de cada dia, mas...é o que me restou, no meio de minha incomunicabilidade para com os outros humanos. É aqui que em geral, o Buriol de verdade aparece, e se alguém tiver alguma dúvida do real motivo de querer evitar as pessoas, aqui fica bem claro. Me dizem que é "viagem errada" pensar assim, mas...então, sou todo uma viagem errada. Quem é obrigado a tolerar semelhantes "delírios de grandeza às avessas" de um sujeito como eu? Como disse, neste evento em questão, muitos foram os protestos contra minha ausência. É realmente isto que querem, meus amigos? Tolerar um cara como eu, que se acha(no sentido mais pepreciativo da expressão), o pior dos humanos? Estraga-festas, espalha-rodinha, resmungão, etc, etc. É o que me acho.

Existe sim, parte de mim que não duvida de que no mínimo eu não seja tão péssimo, mas tal porção é fraca. Ainda mais depois que percebi certos fatos inegáveis de minha existência, a neurose de ser um ser humano de certa forma, aberrante, impera em meus sentidos. Eu realmente tive momentos de franco desespero no meio da multidão festiva que existia no salão de festas. Acho que era o único que estava mais curtindo "bad trips" emocionais e sociais do que tudo ali. Sei que não é legal ostentar isto, e por mais pobre que tenha sido, mais irrelevante que uma tampinha de refrigerante que possa parecer, foi este meu "presente de casamento" para meu amigo e irmão, Hugo. Em sua forte inebriação, o cara me afirmou tudo que me disseram os demais amigos ali presentes: "Vochê é como um irmão para mim cara, vochê é uma pessshoa muito correta, muito boa! Cara! Puta merda, que bom que vochê veio, seu fedaputa! Vamo beber maish! Garshon, mais uma margarita e outra piña colada pro meu irmão aqui!"

Ehehehehe. Sim, sim, foram mais ou menos essas palavras que me disseram. Que bom, diz a pequena porção de auto estima que ainda existe em algum lugar do passado do meu cérebro. Peço desculpas a todos que ando falhando com minha presença, ou com meu mau humor, ou sei lá mais o que que sentem falta em minha ilustre e desanimada pessoa. Mas meu inadequado sentido aflorou muito na festa, e fazia muito, mas muito tempo mesmo que não sentia tamanho desconforto e inadequação social. Será a idade? Talvez, pois em certas horas também senti o peso dos anos nas costas doloridas por ficar em pé, pés doloridos por conta daqueles sapatos sociais tão confortáveis. Me senti um velho de noventa e sete anos ao me sentar numa cadeira certa altura da festa. Senti o maior alívio que um SAP(vide início) pode sentir. Quer dizer, minto. O maior alívio eu senti ao término da festa. Quando me vi novamente sozinho, apenas eu e meus demônios, no quarto.

Enfim, eu sei que teve tudo muito "bão", que a festa foi de arromba, que eu me diverti, apesar de todo meu arsenal de errôneos sentimentos terem aflorado de montão durante o evento...e muito agradeço a meu torto irmão, pelas palavras de alta consideração por ele emanadas em seu momento mais alcóolico possível da noite. In vino veritas, como se diz. Sei que o cara é dos mais certos seres humanos que conheço, e aceito a fraternidade etílica. Não pude acompanhar-vos em sua bebedeira, meu caro, mas bem sei que apenas minha presença, por mais ínfima que seja para este que vos escreve, foi um presente. Por mais ínfimo que seja tal presente.

Como é complicada a vida destes seres que não se gostam, não é verdade?

Enfim, assim foi, assim é. Assim, assado. E a segunda prossegue e temos que ainda tentar fazer coisas, aprender aquilo que não pode ser aprendido nem apreendido por este completo imbecil chorão. Hasta la vista, senhores e "cenouras". Se é que alguém vai ter paciência de isto ler.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vida?

Vida?.......que diabos?

Ontem, estive hoje em algum outro lugar. Em sonhos, em sonhos. Em locais por mim há muito esquecidos. Em ambientes fechados, lacrados, dentro de mim, em alguma parte de meu ser. Tranquei-os lá, com medo que viessem a se tornar realidade....ainda que isto soe bizarro, é o medo que mais me acompanha, o medo destas coisas, que ainda nem sequer chegaram a existir, que talvez mesmo nunca acontecerão. Um momento, um lugar, uma pessoa. Aparecestes de novo, roubaste meu afeto. Por um átimo de segundo, se é que a ortografia me permite dizer.

Dizem, dizem muita coisa, penso, penso em muitas coisas, em geral nem sempre, quase nunca agradáveis, casmurro ser que inexiste perante todos, perante si mesmo, imagem deformada diante do espelho, por trás do bi-gode de arame, da barba loura de Lincoln. Por trás das íris tingidas de um degradê de verde misturado a um marrom sujo, que acho não ser tão grandes coisas, mas que por vezes apanho outrem a contemplar, como se fosse a coisa mais legal do mundo. Ora! Olhos temos todos, menos alguns desafortunados infelizes. O que enxergam diante de vocês, pessoas? Garanto que não é a mesma imagem que me reflete o espelho, que me devolve o pensamento, análise torta que me formula o pinçamento.

Não importa. Julgueis estar morta, enterrada, esquecida, retrato desbotado, quase apagado, emoldurado em tom de sépia secular. Mas lá estavas, lá aparecestes, quase nada falastes mas as ações valeram mais que milhares de vãs palavras. Bem sei que não passastes de um fragmento de meu inconsciente, uma migalha de sonho. Uma imagem, não muito nítida, mera representação daquilo que já foi outrora um raio de luz nas trevas de minha desorientação perante este albirinto que é viver.

Mas fazia tempo que não aparecias, e eu já havia contabilizado tal desaparecimento como um número a mais no cemitério de minhas ilusões, um sonho a menos em minha vida, acrescente "mais um" no necromante estudo do tempo e do vento, que tudo leva, tudo apaga, tudo desbota, corroendo nossa memória, levando todas minhas emoções, deixando apenas este poço cada vez mais profundo de amargura que tanto escreve e escreve e prefere dos outros se abster, para que dele também se abstenham, espinho nas palmas de vossas mãos, pedra pontiaguda em seus sapatos.

Hoje, véspera de final de semana, dia que tantos e tantos escravos das lides capitalistas têm como o dia mais sagrado da semana, acordei mais uma vez acompanhado apenas do ar e de meus cobertores, dos cabelos perdidos pela ação do tempo e da morte que impregna pouco a pouco a alma de um homem, mas acordei com uma indefinível satisfação, uma ponta de alegria. Indefinível? De forma alguma. Bem sei qual foi o motivo de tal escasso sentimento habitar minha mente, meu ser, no lusco-fusco da sonolenta hora da cama se levantar. Sozinho, mas de certa forma acompanhado. De um fragmento de meu subconsciente. Algo que julguei estar morto, mas que soprou certo hálito de vida por entre o breve contato realizado em onírico momento, em indefinida paisagem. Apenas isto.

Apenas.

Dentro deste carrancudo ser que a todos amaldiçoa, ainda existe a vontade de vos encontrar. Achei que não, mas hoje sei que ainda tenho em mim a capacidade de almejar tal encontro. E, mesmo que as mazelas da vida tenham me tornado cada vez mais indiferente, apático, vejo nesta manhã que não é bem assim. Por mais débil que seja, a presença ainda existe. A vontade de viver, de achar, de acontecer. Bem sei que tais sentimentos em mim oscilam como rápido pêndulo de Foucault, que o estado de graça hoje reinante bem pode se converter em acessos inexplicáveis de raiva e de ódio insensato, indefinido para a maioria dos seres que nesta terra habitam...mas o que conta, no momento, é deixar tal sensação de mim tomar conta, e me reabastecer de certas forças, que julguei há muito estarem extintas.

Prossigamos então, saboreando tal efêmera alegria, esperando que algum dia este ser deixe de ser o que se tornou e se torne o que pode ser, o que deveria ser, se é que tal coisa seja possível.

Esperemos que sim. Espero que sim. Não sei.

O que sei é que me fez bem.

quinta-feira, 24 de março de 2011

501.

-Ei! Vamos sair, comemorar!
-O que há para comemorar?
-Ora! Você passou dos 500! Quinhentos textos escritos! Isto não é nada mau!
-Nada bom também. Analise estes quinhentos e veja se 10% salvam. Nem isto, aposto.
-Não é bem assim.
-Ô se é! Ontem mesmo verifiquei isto de perto. O Max e o Daniel que me corrijam se estiver errado! Sentei-me com eles na mesa e tive vergonha de estar ali, de ainda ser considerado amigo deles!
-Mas por quê??
-Ora! Pelo mesmo motivo de sempre! Sou eu aquele que desistiu, que nem quer mais saber. Que mesmo sente inveja deles, lá no fundo.
-Inveja? De quê?
-De poder ser, de não desistir. Eu desisti. Matei tudo.
-Tudo? Você fala de...
-..de tudo. De toda uma vida. Agora, fico tentando ser o que não sou, tentando alcançar algo que não conseguirei alcançar, apenas para desapontar outra pessoa, das últimas que ainda me tolera.
-Não diga isso.
-Digo. Digo, pois sei que até os laços de sangue, as pessoas ditas cosanguíneas que de mim gostavam já não mais nem querem se aproximar. E fazem bem.
-Porquê?
-Porque as rechaço. Não quero que ninguém mais se desaponte comigo. Não quero. Não vou deixar.
-Então porque não mudas? Não tenta algo diferente?
-Pelo simples motivo de ser eu apenas mais um louco nesta genética de loucos. Assim que meu pai se for, sei que seu lugar no trono dos loucos estará assegurado por esta merda ambulante que sou.
-...
-É. Não existe resposta. Bem sei eu. Não digo mais nada, pois mesmo para mim tudo já sabe a insanidade. A ovelha negra na vida de todos. Mas não se preocupes. Assim que a insanidade tomar conta, bem sei que certos receios não mais existirão...e que a solução final será concretizada.
-...
-Afaste-se mesmo, Razão! Não há espaço para você neste antro de loucura! Quanto antes melhor, quanto mais rápido se fores, mais rápido deixarei de ser apenas aquele que todos olham e meneiam negativamente a cabeça.
-Ah, isto não. De mim não se livras assim tão fácil.
-Eu sei. Mesmo nas horas mais insones, mais embaladas pelos narcóticos legalizados alheios, ainda apareces. Mas sabes, bem sabes, que és um dos principais motivos de minhas loucuras, de meu declínio mental.
-Por quê?
-Vá pra merda! Todos os momentos, você aparece e me fica empatando. "Pense bem, achas que pode mesmo encarar tal coisa? Você jpa falhou antes...pense bem, não se empolgue, o tombo é maior."
-Ehehehehehe.
-Filha da puta! Vá pro caralho!
-Vou, e te levarei junto, já que fazes tanta questão....

terça-feira, 22 de março de 2011

Cismas insones.

Não soube bem precisar que horas eram. Algo em torno de uma da matina, provavelmente. Algo assim. Acordou com o miado aborrecido do gato da casa, que ultimamente teimava em fazê-lo durante a madrugada, vingança alguma sorte de maldade, contra ele, o universo conspira. Que fiz de errado agora, para merecer tal castigo, ele se pergunta. Delírios. Sim, bem sabia ele. Mania de achar que tudo conspirava contra ele. Sempre assim. Xingou o gato com um chiado exportado da índole do pai, uma espécie de assobio calante, algo condicional e hereditário...mas que não surtiu nenhum efeito sobre o maldito felino.

Minutos que escoavam devagar, a noite e seu eterno vórtex por sobre a cama, naquele sótão, naquele local tão poeirento e por todos estranhado. O que fazes aqui, perguntava um de seus fantasmas. O que ainda procuras aqui. Nada? Tudo? Talvez um misto de ambos, uma vez que nada encontrava mas tudo procurava, dia após dia, noite após noite, hora a hora, assim seja. Levantou-se pesadamente para ir ao banheiro, talvez fosse aquela fina e insistente vontade de se aliviar que estivesse mantendo-o acordado. A esta altura, o gato calara-se. Sentiu na pele o incipiente inverno que já começava a chegar, outono é o caralho. Tudo de errado com o clima, com o planeta, com as pessoas, que tanto destroem tudo para se reproduzirem, deixarem fétidos descendentes, cadáveres adiados que procriam, como diria Campos, o de Carvalho. E para quê? Para quê insistiam sátiros e sádicos pais a trazerem filhos para este mundo? Para disseminar ainda mais o sofrimento, a aflição global?

As horas pesavam. Novamente debaixo das cobertas, sentia o cansaço tomando conta de sua mente, mas o sono não vinha. Rolar, para cá e para lá. Pensando, o que estou fazendo aqui, o que estão fazendo ali, o que fazem com as coisas, como irei pagar as contas, comprar coisas que não preciso, apenas para me dar falsa alegria consumista, apenas para se ter "objetivos" mais tangíveis que meus sonhos? Sonhos, que iam e vinham na vígilia eterna da noite, momentos entrecortados de lucidez e sonho. Números triangulares, fileiras de caracteres, aspectos condicionais, iterações. Identações e matemática, tudo que jamais imaginara ter de aprender, tudo aquilo que jamais achou ser possível entrar em sua cabeça, agora era cerne de irrequietos pensamentos e delírios na calada da madrugada, em sua mente, em sua cachola que teimava em não permitir que tais agentes invasores contaminassem e exterminassem ainda mais tudo que ele pensara ser um dia, todos os demais sonhos, todos mortos, todos tombados. E a certeza, a infalível certeza de que iria novamente falhar na mais nova tentativa que alguns amigos lhe ofereciam de sair da merda, imperava em sua mente. Não sabia pensar daquela forma, não sabia agir daquela maneira. Vais falhar, vais desapontar seu outro irmão, vais fracassar. É seu motivo de existência, fracassar.

Toda sua incompetência perante a vida, todas as vezes que poderia ter feito a diferença mas não fizera nada, por medo, por preguiça. Preguiça. Preguiça de viver, de crescer, de ser. Para quê? Para não ser pago? Para continuar vivendo no sótão, sabendo bem o que era - o contrário do que escrevera dias antes, em seus murais de lamentações virtuais. "Todos são como sombras," disse ele. Não.

A sombra, era ele.

Interrompeu-se para se lembrar do horário de despertar, o aparato celuloso que usava apenas como relógio e despertador. Ninguém ligava, em todos os sentidos. Mas, bem sabia ele que o recíproco era verdadeiro. Ninguém se aproximaria dele, ninguém gostaria dele como amante, ninguém apreciaria seus sonhos e ilusões, catástrofe estendida do que era seu pai. Morreria sozinho, sem cometer o erro cabal de passar adiante o legado de miséria e loucura de uma vida de empáfia, orgulho besta e idéias inexequíveis e idiotas. Ninguém afundaria com ele na canoa furada que era sua vida, sua imbecil existência. Tão capaz, tão talentoso. Sim, pouco adianta ser tudo e não ser nada. Nada. Nada.

Novamente, o miado chato do gato inflamou sua raiva contra si mesmo, contra o mundo, contra o universo. Precisava de descontar em algo toda sua frustração insone, toda sua inexistência. Levantou-se com ódio sincero e apanhou a garrafa d'água, a lanterna. Perseguirei e molharei o infame felino. Morrerás, ó odioso gato que...

...não tem culpa nenhuma sobre o estado mental de um ser como ele. Suspirou pesadamente, guardou os petrechos de punição contra o barulho noturno. Para isto, e para isolar seus ouvidos dos clamorosos e odiosos rumores dos favelados que por aquele bairro teimavam em fazer festas barulhentas, existiam os tampões de ouvido industriais que comprara semanas antes. Antes isto que se expor ao vento frio da madrugada, também. Ha! Para que se proteger, para que adiar a chegada da Indesejada das Gentes? Para quê adiar a morte, se não existe vida?

Teimoso dos infernos. Dia anterior, escrevera débil oração para tentar manter seu ânimo perante a empreitada nova, sua mais nova certeza antecipada de falha. Nestas horas, sabia por que se isolava no sótão. Nestas horas, sabia, que era melhor, de fato, enlouquecer sozinho que corromper o bom humor alheio. Os incomodados que se retirem, pois não. Covarde dos infernos, só escolhia métodos lentos de encurtamento da inútil existência, cigarros, alcóol.

Mais pesadelos, mais linhas e linhas de código incompreensível para sua retardada mente de sonhador. Ninguém se aproxime, não se aproximem, não cheguem perto, não estraguem sua vida com este câncer que habita o esquecido cômodo incômodo daquela casa, daquele local.

Horas e horas, agora absolutamente silentes dentro de sua cabeça, ainda que seu subconsciente estivesse gritando a plenos pulmões. Ninguém ouviria, ninguém poderia ouvir. Enterrem este ser, matem este emo, era o que gritava. Tuberculose de séculos passados, o que fizeram seus compatriotas cientistas (ha, ha, HA! cientista, pois sim), em exterminar a pouca seleção natural que existia para eliminar tais seres da face da terra?? Por que acabaram com a tuberculose??

Não soube precisar a que altura o cansaço finalmente calou sua mente, suas vozes internas, todos aqueles demônios ululantes que somente ele enxergava, somente ele ouvia. Mas ouviu quando seu relógio-despertador disfarçado de celular vibrou por debaixo do travesseiro. Soneca, mais dez minutos. Agora que o sono veio, queres me despertar?? Era o que pensara. Pensou também no que faria para encontrar forças para continuar tentando a fazer aquilo que se comprometera a tentar fazer, seu caminho na serpente píton da matemática e da ignorância. Enquanto teimasse em continuar vivo, iria continuar teimando em achar a saída do beco sem saída da existência escrotorial mal-remunerada. Teimaria em se render ao público, acéfalo, concurso, para se embrenhar na selva da matemática computacional. Dois passos adiante, quinze para trás, todos os dias. Até se fartar e desistir? Não sabia, mas existia uma vozinha que lhe afirmava com convicção que sim, que falharia, que desapontaria a todos, novamente.

Levante-se, erga-se, ó Noiado. A noite acabou, e ainda que não tenhas encontrado alívio na madrugada, é preciso continuar. Esperança, onde estás? A última que morre? Como matar algo que nunca existiu além do campo onírico de toda uma vida?

Enfim. É a vida, é minha vida, pensou. Cale-se, continue. Sim.

Até quando?

sexta-feira, 18 de março de 2011

St. Patrick.

Em homenagem tardia ao dia de São Patrício:


"Far Away Boys"

Well I worked on the railroad
For t'pence a day
Drank down one penny
The other I'd save
I hammered and I hammered
For God knows how long
Well into madness, with each setting sun
I put my head down and I dreamt you were here
With me by the ol' tree, where no one could care

Far Away Boys, Far Away Boys
Away from ya now
I'm lyin' with my sweetheart
In her arms I'll be found

Then the sun belched upon me
You were no longer here
Lyin' in your place was my hammer and my gear
So I stamped out the fire that kept us both warm
The ashes were fallin'
Like the snow drops of old
We came to a mountain
Dynamite and she'll blow
A big hole in that rock
Like the one in my soul

Far Away Boys, Far Away Boys
Away from ya now
I'm lyin' with my sweetheart
In her arms I'll be found

We buried four workmen
They dug themselves well
From four empty coffins, to four early graves
They're only paddys, just paddys
Don't dig them too deep
You'll need all your strength boys
And they're replaced easily
With the heat I was melting
Into your sweet lips
Ah, your kiss takes me back
Takes me back from all this

Far Away Boys, Far Away Boys
Away from ya now
I'm lyin' with my sweetheart
In her arms I'll be found

Someone said it was Christmas
But not a tree was in sight
The only thing growin' was my will to die
Till the gaffer said 'men, your work here is done'
I said 'I'll see you in Hell, on that train we died for'
Never again, will I smell your sweet dream
But a pissed stained ol' gutter where:
You lips used to be

Far Away Boys, Far Away Boys
Away from ya now
I'm lyin' with my sweetheart
In her arms I'll be found

-----------Flogging Molly.

PS - Esta música fez imenso sentido no dia de hoje. Recomendo ouvir o disco inteiro, Swagger, regado a sua bebida alcóolica de prefêrencia....


quinta-feira, 17 de março de 2011

Vingança!

Continuando os pinçamentos começados ontem, e me relembrando dos velhos tempos de colégio(horríveis tempos passados), sou obrigado a fazer homenagem a uma pessoa que me fez relembrar o Buriol de uns 20 anos atrás(estou ficando muito velho, deveras).

Em nome de todos os gordinhos(sou um ex-gordo) que já sofreram com folgados imbecis na escola, apenas pelo fato de serem gordos, eu lhes apresento o Gordinho Zangief.

Ao ver esta cena, que muitos acharão simplesmente hilária e que bem sei que outros(provavelmente falsos moralistas) dirão que é "muito violenta", ou bobagens do gênero, eu não pude deixar de sentir o gostinho da retribuição, da vingança. Senti mesmo maldosa satisfação, eu diria.

Como queria ter procedido assim com os idiotas que tive de tolerar em meus gordos e adolescentes anos. Pois acho que esse magrelo folgadinho, se tiver um mínimo de noção do perigo, vai pensar umas duas vezes antes de mexer com quem está quieto no seu canto.

Vingança. É um prato que se come frio, deveras. E pode até por vezes ter sabor de fel, mas é um gosto que é bem vindo para aqueles que sofreram a injustiça ou simplesmente foram vítimas de alguma espécie de agressão...

Não costumo pôr em prática tal coisa, muitas vezes em detrimento à minha própria pessoa. Mas sinto ferver o sangue por vezes...e sinto o clamor de agir desmedidamente, em machucar, agredir, ferir, matar, esfolar vivo, tantas e tantas formas de agressão possíveis. Entretanto, em minha mente - e algumas vezes em meus escritos, como podem já ter percebido - eu deixo a imaginação solta para machucar quem me irrita. Mas raramente levo a cabo tais devaneios.

Não sei como funciona o universo, apesar de tantas e tantas vezes "perder tempo" tentando decifrar o funcionamento desta coisa. Mas gosto de imaginar que existe certa forma de retribuição para cada ação indecorosa cometida aos outros. Bem sei que isto pode ser apenas uma vã esperança de obter a tal vingança sem sujar minhas mãos. Mas gosto de pensar na teoria do "aqui se fez, aqui se paga."

E mais uma vez, me surpreendo com a maldade latente existe em mim...e nos seres humanos em geral. Pois bem sei que tal sensação de maldoso deleite existe em todos nós.

Mas, no momento....

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