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terça-feira, 10 de maio de 2011

Terça.

Às vezes parece eterno.

Tantas manhãs. Tantas noites, dias. Sem dormir, sem alento em quase parte nenhuma. Odia, parece ter começado anos atrás, agora. Muito, muito tempo. Sempre, pra sempre. Mesmo que a luz se alternasse, as cinzas eram as mesmas. As pessoas, as mesmas. A mesma, aflição.

O que estava diferente naquela manhã? Alguma espécie de fogo, alguma sorte de gelo, alguma sensação térmica, algoi estava diferente? A manhã, de inverno incipiente, recém começava, de novo, mais uma vez. A mesma hora do lusco-fusco, as mesmas luzes dentro dos painéis luminosos. Bom dia, Mantenha a cidade limpa. 10 de Maio. 7:12.

Embarcar feito mais uma cabeça de gado no coletivo, minutos depois, a mesma coisa. Sentado, olhando para fora, vendo mas não enxergando, a noite, o dia, a rua, as pessoas, os carros. Tudo, uma coisa só, que não fazia nenhum sentido. E o ruído, de alguma espécie de canção naqueles ouvidos. Não se lembraria dela, momentos depois.

Quando a primeira nota soou, ali mais nada estava. No primeiro movimento da moderna sinfonia, as coisas, que já não existiam lá fora, passaram a não ter mais nenhum sentido.

Tudo que existia naquele momento eram as ondas sonoras cuidadosamente colocadas em seu canal auditivo. O mundo, a temperatura, as pessoas, os gritos e infêmias. Nada. Só havia a crescente progressão de sons em camadas se unificando diante de canais vestibulares, tímpanos e três ossinhos quase microscópicos.

Nada mais havia além da música.
Nada sentia além dos arrepios que esta ainda lhe causava.

Estava vivo, ainda. Ainda conseguia sentir a beleza embutida em todos aqueles sons que se uniam. E a voz,

And when the dawn begins to creep
Sunlight finds you in a heap
And how you wish that you could sleep
Forget the lies that you've been told
You think you're settin' free your soul
But you're really gettin' old

E sim, estava vivo. Estava ficando mais velho, cada vez mais velho, antigo como o hábito de não enxergar, não conseguir ver nada além do que sua mente insistia em achar, em todos lugares, em todo vagar, uma vida inteira.

You've dreamt of divin' in the sea
Your outstretched arms in front of me
And how you wished that you could breathe

Respirar. Deixe-me respirar. Deixe-me tentar....achar...o que tento achar...

In the grip of ecstasy
When the shadows follow me
And the night won't set me free

A noite...ela dura mais de trinta anos...

You wish someone could love you less
Longing for that one caress
I see you sink under Duress

E afundo....sem saber porquê me afundei...sem saber por quê isto acontece...sem saber por quê não encontro nada do que vim aqui procurar...

E quando tudo acabou, as formas voltaram a ter sentido, o mundo fez-se mundo novamente. E eu lá. Deixando acontecer. Deixando. O que mais posso fazer?

And when you wanna kill it dead
You let it throttle you instead.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Loucuras.

Você sabe que está indo bem quando, logo pela manhã de terça se surpreende pensando em quais locais dos edifícios ao seu redor serviriam de bons pontos para se encostar, com um cigarrinho na boca e um rifle de precisão nas mãos. Após esta árdua escolha, selecionar entre anôni trnaseuntes quais serviriam de melhor alvo. Não importa em verdade, nada dos pré requisitos que lhes serviriam para angariar este ou aquele emprego no submundo moderno. Não. Em se tratando de alvos, poderíamos separar tais matérias primas para a loucura por diâmetro de cabeças, ou simplesmente por suas caras. Gostei desta pessoa, mas não daquela outra. Bang. Pronto. Pensando-se bem, gostei tanto daquela pessoa; melhor não continuar deixando-a ser torturada pela vida, não é mesmo? Bang.

Nestas horas em que o ônibus se arrasta lentamente pela cidade, me pergunto estas coisas. Qual seria a primeira providência a se tomar quando finalmente a sanidade me abandonar de vez. Adquirir rifles de precisão seria uma ótima, mas me pergunto onde seria possível arrumar tal aparato sem ter de se aborrecer com autoridades, ó inúteis figuras, que permitem o uso de alcóol mas proscrevem o uso de aspirinas. Por quê, mas porquê. Permitem tanta coisa, proíbem tudo. Tudo que é divertido. Tudo engorda ,é imoral, amoral, apático. Irrequieto.

Me pergunto se ao invés de rifles, granadas de mão não seriam mais facilmente adquiridas. A grande vantagem seria a de nem sequer precisar de mirar direito; bastaria arrancar o pino e arremessar a bomba em direção à rua lotada. Todos devem se ver livres, todos desejam se ver livres. E daqui, o que se leva, o que podemos levar? Nem mesmo as dívidas. Nem mesmo as terrenas preocupações, umas tão nobres e sérias, como o resultado do Big Bróder, ou o desfecho do reencontro de Manuela Gerturudes com Fernando Augusto Cury. Se as pessoas fossem assim tão boas, eu me preocuparia com meu extermínio primeiro. Para se livrarem de mim primeiramente. Mas sou tão bom, tão humano, tão filantropo - que prefiro livrá-las de mais dor.

Por isso falo, do alto de tantos prédios, de tantas anônimas faces, tantas faces. Se livrem de mim. Se livrem. Se livrem. De vocês, de eu tu ele nós vós eles. Façam bem, uns aos outros. Se permitam, viver. Se permitam, fazer tudo. O que vocês fariam se tivessem a plena liberdade de escolher? O que fariam? O que faria se não existisse medo, se não existisse amanhã? Poderíamos mesmo fazer tudo que bem entendêssemos?

Eu só queria saber o que vem em seguida, se tudo acaba mesmo ou se teremos de rever nossa infame vida, em telas, telinhas, telões, diante de outros mortos, fazer o exame, fazer a avaliação. O boletim de ocorrência de uma vida vivida, fracassada, desorientada. Tudo flui, tudo é tempo, todas nossas ações têm consequências. Têm mesmo? Seria eu alguém que não se importaria em mostrar para os outros como sempre estive errado? Como sempre fui aquilo que me disseram que não era?

Quem seria você, se todos pudessem ver o que fazes quando és tu, somente tu, somente você mesmo, aquela pessoa que não se esconde diante das outras pessoas? Que não usa máscara? Quem é você? Saberia dizer aos outros? Seria mesmo o que pensam de você?

Não somos nada, e somos tudo. Todos os motivos, todas as razões.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Nada.

Puta merda. Lá fora, bombas retumbam, o mundo urde, alguma coisa, algo acontece, em todos os lados, em todos locais. Dizer que a vida é estática é inútil; por mais parada que seja, tudo acontece, ao mesmo tempo, agora.

Problemas, todos temos, todos nos afligimos, todos sentimos.

Uns mais, uns menos, e a justiça, cega, surda, muda, parece agir contra nós, contra todos, a não ser aqueles que nunca sequer nem pensaram antes de agir, não pensam antes de agir, não vivem. Mastigam notas de cem euros, acendem seus charutos com folhas autênticas de fumo de Cuba, charutos da mais fina procedência, águas minerais que custam seu fígado, apesar dele não ser corrompido por tais aquáticas cousas.

Absurdos. Permeiam a vida, citam as leis do universo, científicas ou não. O que sabemos nós, a respeito da vida, se conhecemos apenas esta porção ínfima desta imensidão negra salpicada de pequenos pontos, brilhantes pontos, ofuscantes belezas, por nós nunca vistas, jamais avistadas. Deus? Ciência? Motivos? Alguém, ninguém saberá dizer, nada somos, nunca fomos, nunca seremos.

E vivemos, vivemos...sem saber para onde, para quê....sabendo unicamente que um dia não mais desempenharemos tal função...e tanto faz, tanto fez, para tantos; para outros, há que se fazer valer, o tempo emprestado, a razão de ser, viva! Alguns de nós, entretanto, nada sabem sobre a vida. Nada sabem sobre nada. A vida se torna algo inócuo, desprovido de nada, ainda que seja tudo. Dia após dia, nada parece ser aquilo que deveria ser. E passam, passam, não fazem nada, não podem fazer nada. O que é o nada por cima de uma fração tão infinitesimalmente pequena de tempo, o que é toda uma vida em relação a números tão absurdamente grandes que nos afirmam ser a existência de tudo mais...?

E por todos os lados, tudo acontece, tudo aquilo que não sabemos, e mesmo as parcas coisas que conhecemos e achamos entender. Acontece. E tentando entender, tentando ser os primeiros, os mais sabidos, entramos no maior rol de miséria jamais visto, tanta arrogância, tamanha necessidade de provar a estupidez alheia, ainda que ninguém entenda nada, saiba de nada.

O nada tomou conta do mundo, dos homens. Todos ignoram, todos tentam ignorar. Todos tentam provar que são eles os detentores da razão. Mas quem possui a razão diante do nada? Quem levará o troféu de detentor da verdade? Quem levará para a morte a glória que obteve na vida, efêmera vitória, o tempo, inexorável, passa. Passará. Tudo carregará, sabe-se lá para onde.

Dizem muita coisa, do que sabem?

Digo muita coisa, o que sei?

sexta-feira, 18 de março de 2011

Burizilla!

Então, lá estava o Noiado a transitar, novamente, no coletivo azul-desgraça que por aqui existe, em esta imunda e irrequieta cidade esquecida de tudo e por todos, em especial por este mesmo ser que ali existia, sem quere deveras ali estar. Entravam mais e mais sombras no ônibus, cada qual com seu fator antipático atrelado. Uma trajava óculos dignos de zangões que por aí voam. Outra falava pelos cotovelos, suplantando mesmo o aparato cancelador sonoro que Noiado usava em seus ouvidos.

Desnecessário dizer, isto aumentou em vários pontos o desafeto que tal misantropo ser já sentia por todos ao redor. E o universo somente afirmava, "os incomodados que se retirem, que se mudem," e muito dele se ria.

Ou ao menos era assim que tal entortada mente pensava.

Bem. Fazer o que. Apesar de toda sua desavença com o universo, bem sabia ele que era inútil reclamar, e dali se retirar era impossível, uma vez que o coletivo era pilotado por agente psicopata do trânsito, chegando a 120 km/h em uma descida. Não queria saber de suícidios, ao menos ainda não era chegado o derradeiro momento em que sua paciência e fé na vida se esvairia de vez, e tal ação extrema já não soaria tão absurda. Ainda não.

Entretanto, mais e mais sombras, barulhentos vultos continuavam a entrar no transporte, não tinham forma, apenas volume, tanto no sentido de ocuparem espaço e eventualmente bloquearem o caminho, mas também tinham alta amplitude sonora. E o aparato pregado aos ouvidos do Noiado era ineficaz para abafar toda aquela ruidosa existência.

De repente, uma das sombras, passando por ele, esbarrou no fio que transportava seu calmante musical do aparato musical aos problemáticos ouvidos do Noiado, arrancando o fone da cavidade auricular deste, e de quebra arrancando as "tripas" do fone para fora.

"Nó véi. Mal aí."

Não souberam dizer ao certo o que sucedeu nas doze horas depois deste incidente. As autoridades ficaram perplexas diante de tanta destruição. Tudo que sabiam dizer é que às sete e vinte e sete da manhã daquela sexta feira, dezoito de Março de 2011, uma hecatombe se abateu por toda a cidade. Um ônibus foi totalmente destruído, amassado, esmigalhado atá a última molécula, nos primeiros minutos do desenrolar da tragédia. Depois, uma estranha criatura, que urrava pelas ruas, tomou dimensões dantescas e saiu pela cidade, promovendo destruição gratuita em tudo que encontrava pelo caminho.

Estranho foi o fato que o primeiro alvo da aberração foi a "faculdade" FUMAC, digo, FUBEQUE, digo FUMEC, que foi completamente assolada, patricinhas e boys e emos e tudo mais. Depois, a criatura se dirigiu ao campus da UFMG, onde arrancou do solo o prédio das "belas artes" e arremessou-o ao espaço sideral, com todos os artistas flácidos e plácidos que lá existiam, e todas aquelas "obras" de arte de gosto discutível foram destruídas. Oh! Desgraça para todos os imbecilóides intelectualóides que das "artes conceituais" tanto gostavam.

Certo prédio que ficava quase na esquina do cruzamento com as Avenidas Álvares Cabral e Olegário Maciel foi também aniquilado da existência, obliterado atá a mais fundamentla partícula sub-atômica que o compunha. O "Templo Maior" da Igreja Universal dos ladrões...digo, do reino da picaretag...er, deus foi a próxima vítima. Não sobrou sequer uma daquelas colunas de caríssimo mármore daquele religioso motel que ali existia sem sequer pagar alguma sorte de imposto ao governo, apesar da extorsão diária dos lobos...er, pastores por sobre os burros...er, fiéis, que pagavam "religiosamente" o dízimo. Imposto sobre burrice, de fato, mas mesmo assim. A venda de indulgências era algo que a criatura não tolerava, nem da parte dos ditos protestantes nem da parte dos agentes da maior religião do planeta. Desnecessário dizer, que os demais templos das outras formas de escravidão espiritual também sofreram duras penas no trajeto destrutivo da criatura.

Os órgãos governamentais foram os próximos. O DETRAN, por exemplo, e todos seus ladrões, er, digo, agentes, foram estraçãlhados. Mesmo os policiais servis que transitavam pela cidade, com o intuito de verificar quem era o agente que mais multas distribuía para a população em geral. Estranha competição olímpica esta, mas que teve súbita e fatal interrupção, devido ao esmagamento repentino de tais agentes do KAOS que circulavam pela cidade.

E tantas outras coisa foram destruídas, esfareladas. Tantas e tantas vítimas da raiva mordaz que habitava naquele aparentemente pacato ser que apenas queria chegar a sua moderna senzala, que só queria cumprir as dez horas obrigatórias de fingimento, para depois a alforria virtual acontecer.

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Horas mais tarde, foi encontrado um corpo desacordado e desprovido de vida nas imediações de Ravena. Ninguém soube dizer como tal gringo foi ali parar. Trajava imundas vestes, e de seu ouvido pendia um fone de ouvido destruído. Aparentemente, morreu de causas auto- inflingidas, apesar de não existirem marcas de balas ou quaisquer outros ferimentos, causados por mortiféros projetéis e/ou agentes afiados. A cidade sequer se deu conta do fato: foi uma nota de rodapé no jornaleco Super - e de similares - do dia seguinte. Aparentemente, o indivíduo teria surtado dentro de um coletivo e saído gritando pela cidade, impropérios dirigidos a seu emprego, às religiões reinantes, a certos órgãos governamentais, como aquele que "gerenciava" o trânsito, e uma certa empresa inexistente denominada Funchato Ltadíssima.

Enquanto isso, a cidade prosseguiu normalmente seu dia naquela sexta feira. Pastores pregararm, oraram e extorquiram, agentes do trânsito multaram e extorquiram, "estudantes" da FUMERD, digo FUMEC, ocuparam até o teto todos os ônibus errados para irem consumir certos agentes entorpecentes e azararem uns aos outros em ambiente "escolar superior" por ali, e tudo mais seguiu da forma que deveria ter seguido.

E num buraco qualquer, o Noiado foi posto para apodrecer. E assim foi.

quarta-feira, 16 de março de 2011

In memorian.

Não sei se acontece com todos.

Mas quantas vezes...contemplo a vida que vivi...os caminhos que trilhei, as coisas que fiz...e me espanto. Não com as burradas que já fiz, as coisas idiotas que disse, os lados negativos de minha pessoa que tanto ocupam meu foco. Mas me espanto em verificar...que já fui várias pessoas. Que durante todos estes anos, vivi mais de uma vida, por assim dizer. Relembro-me de fatos que ocorreram vinte anos atrás, mas não consigo me identificar com a pessoa que atuou como protagonista daquelas vivências.

Não preciso ir tão longe na linha temporal...mesmo acontecimentos de um ano atrás, não parecem ter sido vividos por Marcos, o Buriol, mas sim por uma outra pessoa. Outra personalidade. Dá pra entender?

Acho mesmo que não serei o único "cerumano" que já chegou a tal constatação. E suponho que a maioria das pessoas apenas considere isto como crescimento, desenvolvimento, passagem do tempo. Nossa mentalidade muda muito ao longo dos anos. Ou seja, tal devaneio de personalidades em minha vida não passa apenas de conversa meia-boca de mais um filósofo de boteco.

Bem...pode até ser, mas acho tal analogia válida em meu caso. Tenho tantos "Burióis" morando dentro desta cachola, que muitas vezes já me considerei levemente esquizofrênico. Mas como disse um amigo meu o qual comentei este delírio, é absolutamente normal ficar discutindo com estas "vozes" de nossa cabeça. Chama-se pensar. Simples assim, seu pulha. Não complique. Não procure sarna.

Ah, pensar muitas vezes faz mal. É uma das coisas que, quando contemplo meu eu passado de 1985, por exemplo, eu estranho muito. Como era despreocupado! Lado outro, se existir uma criança de oito anos com neuroses semelahantes às que tenho hoje, de fato, é um fato extraordinário e preocupante. Não aconteceu comigo, felizmente. Não me lembro exatamente quando foi que tudo começou - a torrente descontrolada de pensamentos e preocupações, muitas vezes completamente irrelevantes para minha pessoa - mas acho que foi naquela fase tão legal da vida em que os hormônios tomam conta do aborrescente e fazem certas doideiras aflorarem.

Mesmo assim, o Buriol de tantos anos atrás parece ser um desconhecido para o trigésimo quarto Buriol de hoje em dia. As coisas que tolerei no colégio...as picaretagens que vivenciei na faculdade de biologia...tudo tão estranho, extraterreno para este ser que tanto escreve hoje em dia.

É aquela velha questão: se pudéssemos voltar no tempo e vivenciar as coisas que nos aconteceram na época MAS com a mentalidade presente, teríamos procedido da mesma maneira?

O Funcionarismo Púbico dirá que não devo pensar nisso, ou, se estiver a falar comigo através da máscara de Guy Fawkes que costuma usar quando protegido pela internet, simplesmente me escrachará e me mandará parar de ver navios.

Hoje replico, "foda-se você." E novamente cito um de meus preferidos poemas de Pessoa, o que tinha tantos "Pessoas" em si.

Este sou eu. Problemático, sim. Mas ansioso de me ver diferente do indefeso Buriol que tanto tolerou chatices durante a vida e calou-se muitas vezes.

Que aquele morra para sempre. E que o atual se torne mais forte. Chatos somos todos; sim é verdade. Mas quem disse que sou obrigado a tolerar calado a chatice alheia?

Mudemos, sempre e para sempre. Para melhor.

"Ameim."

sexta-feira, 11 de março de 2011

Cotonetes.

Estava eu, a ver o panorama mundial, pela net, pela rede de tantos e tantos computadores interligados, mantendo as pessoas juntas mantendo-as convenientemente longe, cada macaco no seu galho, cada coisa em seu lugar, por vezes mais distantes que os outros. Olho para a piadinha jocosa e energúmena do Púbico Funcionário. Existe o comando, que deve ser usado. Existe no mundo virtual, tem de haver no mundo real: "/ignore". Sim, sim, deveras. Ignorar faz bem, especialmente quando não se vale mais a pena preocupar com tais coisas. O importante é seguir em frente. Adiante. Progredir.

Ignorada a ameaça de mau humor induzido, vamos ao comércio. Comércio de escravas brancas, pretas, vermelhas, universais, oh que maravilha! Dizem tanta coisa sobre este mercado, tantas ofertas, tantas carnes. Ó belas e acessíveis carnes, pague o preço e se divirta. Eu não. Existem prioridades mais prioritárias que esta. Existem Telecasters, SGs, e a tão almejada Jazzmaster, objetos mui aprazíveis aos olhos e aos desejos consumistas deste Noiado, ser estranho que rejeita objetos de consumo carnal; não tentem entender: assim como ele não vos entende, o recíproco é deveras verdadeiro.

Afinal, para qual de nós existe a verdade absoluta? Qual de nós deseja exatamente as mesmas coisas que o restante da humanidade? Ninguém, absolutamente ninguém negará o fato de que é impossível contemplar todas as coisas que outrem deseja sem torcer o nariz para certos anseios de nossos compatriotas, frangos por nascença, unidos pela genética, pelo acidente mais catastrófico que a evolução produziu. Uns querem carros, outros querem guitarras. Alguns desejam o rabo de Emengarda temperado no açafrão e azeite de dendê(Oh, dê, dê!), outros apenas almejam um prato de macarrão, qualquer coisa para se mastigar nas amargosas noites sem-teto em uma metrópole qualquer espahada na superfície deste glóbulo celeste.

E como é errática a vontade das gentes humanas, sobre-humanas, sub-humanas. Ontem, queria eu comprar uma cadeira, e deveras a comprei, hoje quero eu mais uma menina dotada de seis cordas em seu corpo, apenas para a possuir em minhas mãos e dela arrancaralgum suspiro. Sim, a analogia carnal é sempre existente neste caso, e garanto que alguns de nós na hora pensaram em outras coisas, tão presentes na mente dos homens que por aí existem. Sim, desejos, anseios: uns ditados pelo consumismo puramente capitalista em essência, outros menos voltados ao poder aquisitivo.

Por quê então estranhar o que os outros querem? Porque mesmo rechaçar as prefêrencias duns e d'outros? Sim, existem desejos impublicáveis, mesmo execráveis, como aqueles presentes nas mentes de certos representantes de certos curandeirismos representados por doutos e abastados senhores residentes e/ou representantes de certo "paíseco" europeu, capital do obscurantismo mundial, começado com a letra V. Bizarros senhores estes, uns dignos de pena, outros dignos de pedras, muitas pedras por cima das "santas" cabeças. Ambas.

Eu, de meu lado, fico com minhas bizarrices, e tento com elas conviver. Tenho meus anseios consumistas como outro ser qualquer, integrante da realidade econômica do mundo. Tenho estranhos desejos e estranhos gostos como qualquer outro ser humano.

E me pergunto, o motivo da mente, minha própria mente, me trair por horas, me pôr a questionar meus anseios em detrimento aos desejos dos outros...

Ó incongruente mente. Se ao menos soubéssemos domá-la de forma a ser menos problemática. Suponho que sim, exista uma forma. Ainda assim, não a encontrei...

O que fazer? Enquanto estiver vivo, é preciso buscar tal objetivo. O difícil é sempre se recordar de tal meta...especialmente estando nós cercados de agentes do caos, que tanto insistem em nos baratinar as mentes.

Mas, no momento, o importante é segui a píton, tentar entendê-la. Tentar achar o rastro da cobra e dela tirar alguma esperança, para mim muito mais válida que os anseios da acefalia púbica. Nos dois sentidos da infeliz comparação.

Voltemos então, ao estudo à distância segura de meu aparato computadorístico.

Até a vista, confrades de minha vida, estranha vida.