Mostrando postagens com marcador O Max não vai ler(mas deveria). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Max não vai ler(mas deveria). Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de março de 2011

Burizilla!

Então, lá estava o Noiado a transitar, novamente, no coletivo azul-desgraça que por aqui existe, em esta imunda e irrequieta cidade esquecida de tudo e por todos, em especial por este mesmo ser que ali existia, sem quere deveras ali estar. Entravam mais e mais sombras no ônibus, cada qual com seu fator antipático atrelado. Uma trajava óculos dignos de zangões que por aí voam. Outra falava pelos cotovelos, suplantando mesmo o aparato cancelador sonoro que Noiado usava em seus ouvidos.

Desnecessário dizer, isto aumentou em vários pontos o desafeto que tal misantropo ser já sentia por todos ao redor. E o universo somente afirmava, "os incomodados que se retirem, que se mudem," e muito dele se ria.

Ou ao menos era assim que tal entortada mente pensava.

Bem. Fazer o que. Apesar de toda sua desavença com o universo, bem sabia ele que era inútil reclamar, e dali se retirar era impossível, uma vez que o coletivo era pilotado por agente psicopata do trânsito, chegando a 120 km/h em uma descida. Não queria saber de suícidios, ao menos ainda não era chegado o derradeiro momento em que sua paciência e fé na vida se esvairia de vez, e tal ação extrema já não soaria tão absurda. Ainda não.

Entretanto, mais e mais sombras, barulhentos vultos continuavam a entrar no transporte, não tinham forma, apenas volume, tanto no sentido de ocuparem espaço e eventualmente bloquearem o caminho, mas também tinham alta amplitude sonora. E o aparato pregado aos ouvidos do Noiado era ineficaz para abafar toda aquela ruidosa existência.

De repente, uma das sombras, passando por ele, esbarrou no fio que transportava seu calmante musical do aparato musical aos problemáticos ouvidos do Noiado, arrancando o fone da cavidade auricular deste, e de quebra arrancando as "tripas" do fone para fora.

"Nó véi. Mal aí."

Não souberam dizer ao certo o que sucedeu nas doze horas depois deste incidente. As autoridades ficaram perplexas diante de tanta destruição. Tudo que sabiam dizer é que às sete e vinte e sete da manhã daquela sexta feira, dezoito de Março de 2011, uma hecatombe se abateu por toda a cidade. Um ônibus foi totalmente destruído, amassado, esmigalhado atá a última molécula, nos primeiros minutos do desenrolar da tragédia. Depois, uma estranha criatura, que urrava pelas ruas, tomou dimensões dantescas e saiu pela cidade, promovendo destruição gratuita em tudo que encontrava pelo caminho.

Estranho foi o fato que o primeiro alvo da aberração foi a "faculdade" FUMAC, digo, FUBEQUE, digo FUMEC, que foi completamente assolada, patricinhas e boys e emos e tudo mais. Depois, a criatura se dirigiu ao campus da UFMG, onde arrancou do solo o prédio das "belas artes" e arremessou-o ao espaço sideral, com todos os artistas flácidos e plácidos que lá existiam, e todas aquelas "obras" de arte de gosto discutível foram destruídas. Oh! Desgraça para todos os imbecilóides intelectualóides que das "artes conceituais" tanto gostavam.

Certo prédio que ficava quase na esquina do cruzamento com as Avenidas Álvares Cabral e Olegário Maciel foi também aniquilado da existência, obliterado atá a mais fundamentla partícula sub-atômica que o compunha. O "Templo Maior" da Igreja Universal dos ladrões...digo, do reino da picaretag...er, deus foi a próxima vítima. Não sobrou sequer uma daquelas colunas de caríssimo mármore daquele religioso motel que ali existia sem sequer pagar alguma sorte de imposto ao governo, apesar da extorsão diária dos lobos...er, pastores por sobre os burros...er, fiéis, que pagavam "religiosamente" o dízimo. Imposto sobre burrice, de fato, mas mesmo assim. A venda de indulgências era algo que a criatura não tolerava, nem da parte dos ditos protestantes nem da parte dos agentes da maior religião do planeta. Desnecessário dizer, que os demais templos das outras formas de escravidão espiritual também sofreram duras penas no trajeto destrutivo da criatura.

Os órgãos governamentais foram os próximos. O DETRAN, por exemplo, e todos seus ladrões, er, digo, agentes, foram estraçãlhados. Mesmo os policiais servis que transitavam pela cidade, com o intuito de verificar quem era o agente que mais multas distribuía para a população em geral. Estranha competição olímpica esta, mas que teve súbita e fatal interrupção, devido ao esmagamento repentino de tais agentes do KAOS que circulavam pela cidade.

E tantas outras coisa foram destruídas, esfareladas. Tantas e tantas vítimas da raiva mordaz que habitava naquele aparentemente pacato ser que apenas queria chegar a sua moderna senzala, que só queria cumprir as dez horas obrigatórias de fingimento, para depois a alforria virtual acontecer.

----------------------------------------

Horas mais tarde, foi encontrado um corpo desacordado e desprovido de vida nas imediações de Ravena. Ninguém soube dizer como tal gringo foi ali parar. Trajava imundas vestes, e de seu ouvido pendia um fone de ouvido destruído. Aparentemente, morreu de causas auto- inflingidas, apesar de não existirem marcas de balas ou quaisquer outros ferimentos, causados por mortiféros projetéis e/ou agentes afiados. A cidade sequer se deu conta do fato: foi uma nota de rodapé no jornaleco Super - e de similares - do dia seguinte. Aparentemente, o indivíduo teria surtado dentro de um coletivo e saído gritando pela cidade, impropérios dirigidos a seu emprego, às religiões reinantes, a certos órgãos governamentais, como aquele que "gerenciava" o trânsito, e uma certa empresa inexistente denominada Funchato Ltadíssima.

Enquanto isso, a cidade prosseguiu normalmente seu dia naquela sexta feira. Pastores pregararm, oraram e extorquiram, agentes do trânsito multaram e extorquiram, "estudantes" da FUMERD, digo FUMEC, ocuparam até o teto todos os ônibus errados para irem consumir certos agentes entorpecentes e azararem uns aos outros em ambiente "escolar superior" por ali, e tudo mais seguiu da forma que deveria ter seguido.

E num buraco qualquer, o Noiado foi posto para apodrecer. E assim foi.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

2006 - (?)

Ah, estes dias. Estes dias estão me deixando meio perturbado, mais doido que o costumeiro, por assim dizer. O que sucede, o que acontece? Algo muito incomum?

Não. Infelizmente, não.

Como assim, continuarão a indagar as outras vozes que somente este Noiado parece escutar, o burburinho eterno de uma multidão que se contradiz o tempo inteiro, dentro da cachola deste ser imprestável. É como se houvesse sempre um debate, nem sempre amistoso, quase nunca amistoso, melhor dizendo, dentro da cabeça dele.

Hoje foi uma daquelas noites em que se acorda uma hora antes do despertador e não se volta mais a dormir, mesmo que tenha sido tentado inúmeras vezes fazê-lo com sucesso. E nestas horas lúgubres da madrugada, onde nem mesmo os pássaros ainda acordaram, o debate é intenso, os pensamentos não param, as formulações e hipóteses infinitas surgem e me deixam atordoado.

Disso tudo, quase nada te diz respeito. Dizem, alguns seres externos à toda esta confusão.

Bem gostaria que assim fosse. Bem gostaria eu que de fato, nada tivesse a ver comigo. E em teoria, o agente externo está correto. Mas o que é a teoria, na prática, especialmente quando a prática em si - acontece em outra cabeça que não a dele?

É tudo aqui dentro que acontece. Dentro desta massa encefálica estranha, dentro desta cabeça estranha.

Ao meu redor, o sofrimento impera, das poucas pessoas que eu REALMENTE me importo. E o que posso eu fazer, além de oferecer meus pensamentos tortos, minhas platitudes tão insípidas, meus padróes de pensamento irregulares e tão distorcidos para a maioria das pessoas que aqui dentro não vivem?

Devo eu simplesmente deixar pra lá - não me diz respeito, não serei eu que irei mudar tal coisa, esta pessoa não sou eu, blah. Blah. Blah.

Não dá.

Não sou assim. Mesmo já tendo eu sido vítima de minha própria boa vontade, ajudando ou tentando ajudar quem não merece, dispensando meu tempo com assuntos que nem deveria chegar perto, sob esta ótica do "fôdas" que me pregam os de fora, não dá. Não sou assim.

Eu até tenho tentado, de maneiras toscas e absurdamente loucas - para os de fora - me manter distante, tentar não me importar. Mas o resultado de toda esta ciência tem sido a descrença total nos valores humanos, na convivência com as pessoas. Mesmo com aquelas que eu tenho mais apreço, por vezes toda esta zona na minha cabeça tem é me tornado cada vez mais e mais misantropo, pois ando cada vez mais descrente de tudo.

Eu tenho a teoria de que algo aconteceu em meados de 2006, em uma data que o agente externo a que me refiro tanto neste texto irá se lembrar bem, uma maldita festa à fantasia onde algo aconteceu, alguma pedra fundamental foi movida, algum objeto sagrado profanado, alguma blasfêmia foi dita....não sei precisar o que diabos aconteceu naquela noite, mas houve uruca. Houve algum vudu, alguma maldição secular foi desperta e inflingida sobre os que lá estiveram.

Muitos de meus companheiros que me acompanharam naquela infame noite sofreram algum tempo com a maldição, e muitos deles afirmam que já passou.

Pois. Pra mim não.

A trajetória de minha vida desde aquela malfadada festa foi dirigida ladeira abaixo, e me parece que de alguma forma, me tornei um eterno portador da maldição. E parece mesmo afetar as pessoas que estão a meu redor. Todo ano, penso, espero, que alguma coisa irá acontecer, que as coisas irão mudar.

Mudam. Pra pior. Descubro que um cara de 16 anos que conheço desde os 10 contraiu cancêr no testículo, que se metastizou. Descubro que uma pessoa muito próxima a mim, que eu julgava ser assim e assado, imune a certas artimanhas que alguns canastras têm, foi vítima do papo furado de outra pessoa que eu conheço, e que tem estampada na testa o dizer - CANASTRA. Um outro amigo que tinha a vida "conjugal" já planejada, é simplesmente abandonado pois "a mágica acabou", algo assim.

O que isto tem a ver comigo? Nada, dirá o agente.

Errado. Tem TUDO a ver comigo.

Pois assim sou. Quando as pessoas que me importo, as raras pessoas que me importo mesmo, são afetadas pela uruca, eu fico mal. Eu sofro também. Não sou indiferente; até gostaria de ser, pois sofreria menos. Mas não sou. Não sou.

E a uruca prossegue, eternamente, ao que me parece. Até quando durará, não sei dizer.

Sei que ainda não acabou.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2010.

Comecei o ano de 2010 entre amigos, recebi o número novo com esperança, fé. E de repente, me vi cercado por outros números, decorrentes de outras fontes, estas mais complexas, mais obscuras. De repente me vi embalado em papel alumínio, pronto para ser assado: era o começo de abril que se iniciava, mais uma vez. Fui até Marte, onde fui informado que em Vênus teria mais sorte.

Embarcando no micro-ônibus espacial, tive a sorte de me encontrar com Sid, o Barret, mais uma vez. Trocamos veementes idéias sobre o futuro do mundo, da música e do complexo de Golgi. Nada soube dizer, entretanto, para confortar o morto, que apodrecia a olhos vistos. Mas ele não se importava! Até se divertia com isso, ora bolas. De que vale a pena ser morto se não se pode nem ao menos fazer em morte o que não se pode fazer em vida?

Assim, me tornei astro-físico-químico-sólido-gasoso-ozônio e fui passear na estratosfera. Mas nada havia ali a não ser gases nobres, estes mui infames e arrogantes, nem sequer se misturavam, não se juntavam a nada. Diante de tamanha injustiça, decidi doar meus rins para uma criança pobre na Sérvia. Mas lá chegando, fui informado que à Bulgária tal criança estaria residindo, não mais ali. E como todos sabem que a Bulgária, assim como o Acre, não existem, eu deixei de acreditar na pessoa e o espanquei, para que assim aprendesse a não contar infames mentiras assim, à plena luz do dia.

Mais adiante, me deparei com muitos matos, matos, originários dali mesmo, apenas ervas daninhas locais, mas sendo elas variantes da planta de Jah, muito me regozijei em aspirar infusões vaporosas de tais plantas. De repente, tudo fez sentido. A terra era quadrada, o sol não era mais o sol e Plutão não era mais um planeta. Assim como o triceratops não era mais um dinossauro. Tal revelação quase me levou às lágrimas, e muito bem fiz em fugir dali, apanhando carona num zéfiro qualquer que por ali passou.

Dias depois, fui encontrado morto à casa do trinta mais dois mais um, e fui devidamente ressucitado depois de três dias. A porra do servidor tinha um lag do caralho e o spawn era cretinamente imbecil. Saindo de minha caverna, declarei para a multidão de quinhentos e cinquenta e sete mil milhares de reportéres que a páscoa seria ilegal este ano, que as pessoas eram todas idiotas e que os homofóbicos, os religiosos ortodoxos, os políticos, os pedófilos e os professores de educação física eram igualmente ilegais, uns chatos da porra. A turba me criticou e queria me devolver à cruz, mas arrumei uma maneira sorrateira de apontar numa direção: "olhe! o que é aquilo??" e seguir em outra assim que eles olharam. A vida de ninja tem dessas coisas.

Meses mais tarde, fui apresentado ao mais novo téologo da lógica local, mas como a incongruência de tal idéia é simplesmente insuportável, ele se converteu em um saco de café descafeinado. Ainda assim, o paradoxo da nova idéia era igualmente fisicamente impossível, e um buraco negro se abriu no local, me tragando para as profundezas sinistras de uma realidade onde nenhum Stephen Hawking jamais se aventurara antes. Lá chegando, vi que havia uma preguiçosa borracharia com uma "praca" dizendo: "VÊNDIS COCO" e um caboclo deitao à rede. Perguntei quanto eram os cocos, mas o caboclo simplesmente me olhou e me disse, hoje tem não sinhô, e fui obrigado a transitar para outro local.

A realidade paralela era desta forma: paralela. Tudo igual, mas com algumas diferenças. As pessoas continuavam não tendo bom senso, nem discernimento. Muito me desapontei, mas também, o que deveria eu esperar de um universo paralelo gerado por um saco de café descafeinado??

Fui até londres, roubei o Big Ben. Não coube em meu quarto, joguei-o pela janela, cometendo o ledo engano de não checar antes se estavam chovendo ovos. O imenso relógio caiu por cima de um sobrevivente da gripe aviária, matando-o instantaneamente. Novamente procurado pela polícia, bati em retirada em direção à Abu Dhabi, onde consegui asilo juntamente com um bando de velhas taradas, que houveram por mal em tentar me possuir à força. Novamente fui obrigado a utilizar minhas habilidades samurais, e me apoderei da bengala de uma delas, enchendo de porrada as vetustas taradas.

Fugi o mais rápido possível, e quando vi já estava novamente em Azeroth. Maldição. Ainda assim, soube que meu coração dali nunca houvera saído, então apenas acendi mais um palhoso, comi batatas fritas, bebi pepsi e me sentei defronte ao monitor, exigindo menos latência e mais processamento. Dias depois, comprei novo computador.

E daí em diante, não sei bem o que aconteceu, pois quando assustei, já eram trinta os dias de dezembro, e deveria eu dizer adeus a este infame ano. Novamente, me vi rodeado de amigos, e senti que havia tomado a decisão certa. Ao menos na data em que apenas comemoro o fim deste número amaldiçoado, tive a sabedoria de não fazê-lo acompanhado apenas de minhas vozes na cabeça. Os amigos silenciariam tais espectros, nem que fosse por um dia apenas. Assim seria.

E assim acabou-se o ano, acabaram-se os posts deste diário de um louco, na data em questão. Iremos retornar ano que vem, assim o esperamos, não é mesmo? E todos os outros números, todas as outras datas, estas seriam mais marcantes, mais significativas. Que a uruca iniciada em 2006 tenha término no vindouro novo número.

Que assim seja. Para mim e para todas as pessoas importantes para mim.

Os 99% restantes podem ir à merda.

Que assim seja.

Ameim.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Chama o técnico!

-Assistência técnica.
-Sim. Eu quero uma assistência, de preferência que seja técnica, de fato.
-Pois não.
-Quero dizer que ontem, chegeuei em casa e o artefato não funcionava.
-Mas o senhor o conectou?
-Sim, é claro. Não sou dessas pessoas idiotas que não sabem usar o artefacto e ficam importunando a técnica assistência.
-Ainda bem, não tenho muita paciência com idiotas.
-Pois então, o que devo fazer? Como deverei proceder?
-Qual é o modelo do artefacto?
-Setembro de 1977.
-Hmmm. Modelo raro e tinhoso este, aparentemente. Data?
-Dezessete.
-Puta merda. Você tinha logo que escolher o mais complicado??
-Aparentemente, gosto de desafios.
-Gostas é de encheção de saco. Este modelo veio com um defeito de fabricação grave. Houve um recall de todos os modelos de tal linhagem em outubro de 2002, caso não tenha sabido.
-De que me adiantaria um recall depois de tantos anos? Agora não quero nem saber. Quero que resolvam meu problema.
-Senhor, a garantia de tal produto já caducou faz tempo.
-Não perguntei nada sobre garantia. Quero solução, não importa quanto custe.
-Bem...tenho que dar uma olhada no artefacto. Vou ter de comparecer ao local para melhor examinar o defeito.
-Pois sim. Venha.
-Vou.
(Tcham)
-Pronto.
-Ora! Já chegastes? Como é eficaz esta tecnologia de falar sozinho.
-Sim, sim. Mas vejamos o artefacto. Onde está?
-No Sótão. Joguei-o para lá assim que o defeito se manifestou.
-Pois bem. Senão vejamos. Hmmmm. Como suspeitava. O fabricante fez merda no módulo de compatibilidade com a humanidade. Vejo também que o índice de tolêrancia está a níveis absurdamente baixos. E se observamos aqui...sim...vejo que existe um módulo adicional instalado, de misantropia crescente. E está "setado" para crescer exponencialmente, ora veja!
-Imaginei que seria algo deste naipe que estivesse desconfigurando a máquina.
-Senhor, sinto lhe dizer, mas creio que de nada adiantará manutenção neste artefacto. O defeito parece ter consumido reservas vitais de humanidade, deixando tal faculdade permanentemente desabilitada no setup da mesma. A BIOS está muito corrompida, e o sistema operacional Buriol 1.0 é incompatível com Universo X.xx. Creio que chegamos a um impasse.
-Como assim?
-Sendo estes dois sistemas absolutamente incompatíveis, assim se torna impraticável o gerenciamento do módulo de humanidade. O artefacto está se degradando rapidamente, e faz por onde; adquiriu comportamento inusitadamente auto-destrutivo.
-Mas, não é verdade que "self destruction might be the answer?"
-Não neste caso, uma vez que isto não é um filme, e sim um delírio.
-Delírio?
-Sim, uma vez que aqui não estou, nem estás, e estamos todos.
-Hein?
-Não reparastes? Estamos mas não estamos, uma vez que nada mais somos que vozes, ecos no interior de tal artefacto.
-Ah! Pois então estamos todos falando juntos dentro da máquina?
-Algo assim, ao menos do ponto de vista manicomial.
-E o que fazer então?
-Bem....eu poderia tentar "setar" o volume das vozes, e acionar o "mute" em algumas delas, ou tentar "rotear" as mesmas para porções menos cognitivas do processador central. Mas, pelo que vejo aqui, o botão de "mute" está permanentemente danificado. E o roteador está quebrado. Mas que merda de máquina!
-Não xingue seu progenitor!
-Ora. Que vantagem existe em ser apenas uma voz no interior de um artefacto defeituoso destes?
-Ao menos não somos nós que tem que lidar diretamente com o Universo X.xx. Ouvi dizer que lidar com tal OS é realmente complicado.
-Tudo depende da versão da máquina. Mas concordo que neste caso, deve ser o inferno na terra, de fato.
-O inferno não é na terra, pois Universo X.xx é absolutamente indiferente a estas configurações externas e internas dos artefactos que com ele interagem. O inferno é interior. E neste caso, creio que talvez seja irremediável. Buriol 1.0 está cada vez mais instável.
-Eu sei, eu sei. E todos nós sabemos, desde o lançamento.
-Pois é.
-O que podemos fazer então?
-Creio que nada. Um dia tal artefacto será desativado permanentemente, e a julgar pelo tamanho da corrupção dos arquivos mais vitais do mesmo, talvez o mesmo entre em colapso auto-inflingido.
-Que péssima perspectiva.
-Sim...mas assim deve ser, aparentemente. Pelo que posso ler aqui nos medidores e mostradores, o módulo Insanidade 6.66 está quase todo instalado.
-Putz. É o famoso fudeu.
-Sim. Assim que a compilação dos dados se completar, só a Insanidade irá imperar aqui dentro. E lá fora, a idiferença Universal tratará de aniquilar o engano evolutivo.
-Assim está escrito?
-Assim me parece. Acho que o núcleo de semi-compatibilidade foi deliberadamente esfrangalhado naquele primeira tentativa de auto-destruição.
-E agora?
-Não sei. Acho que só nos resta esperar. Bom Senso 30.3 não está funcionando, Auto-Estima falhou desde a versão 12.0 e diversos outros módulos foram destruídos ao longo do uso deste artefacto.
-Vejo que existe intermitência em vários outros módulos de destruição também.
-Sim. Veja este aqui, por exemplo. Deveria funcionar para defender o artefacto de ataques virais de Idiotas X.xx, Frangos X.xx e outros tantos vírus criados por Universo X.xx, mas a coisa ficou tão doida que eles se voltaram contra Buriol 1.0. A máquina está se atacando.
-Por Mitra.
-É....a coisa vai mal aqui. A Humanidade está completamente destruída nesta interface de integração entre o artefacto e o OS do universo. Por outro lado, Preguiça X.xx está a pleno vapor, Misantropia evolui para uma versão icomensurável, algo em torno da versão 9000+.
-O que faremos então?
-Bem...estou tentando ver se consigo ao menos gerenciar os módulos da memória, para tentar desviar a rotina de autodestruição. Hmmmm...complicado. A memória está quase cheia, e somente de arquivos corrompidos. Humilhações, raivas, tristezas. Tudo acumulado e indelével.
-E quanto aos outros artefactos que interagem com este? Eles não poderiam prestar assistência?
-Já tentaram. A maioria já desistiu, tamanha é a funcionalidade da sub-rotina de autodestruição. Acho que chegaram à conclusão de que se o artefacto em questão quiser de facto se auto-destruir, o problema não é deles. E pelo que vejo aqui...existe mesmo um arquivo Rancor X.xx dominando o Bom Senso 30.3, causando confflitos inconciliáveis entre a máquina e as outras...vejo que isto só legva o artefacto a aumentar ainda mais o reinado de Misantropia 9000+.
-Não existe esperança, então?
-Não vejo muita. Mas pode ser apenas que seja um efeito colateral da sub rotina de autodestruição também. E a arquitetura de outro módulo está quase 100% implementada em uma área cognitiva vital de interação entre Universo X.xx e Buriol 1.0.
-Qual seria?
-Loucura 3.5. Aparentemente, a data para implementação definitiva para tal módulo está determinada.
-Ou seja, em questão de duas atualizações da versão atual da loucura, estaremos todos condenados.
-Todos, não. Certos módulos irão prosperar definitivamente em tal cenário. Mas o custo será alto, pelo que posso constatar. Poderíamos voltar para a estaca zero, ou seja, Paletó de Madeira 1.0, para depois revertemos tudo a pó 0.0.
-Ai ai.
-É...lamento não poder ser de maior assistência.
-Sei como é. Estamos todos em risco, e isto é uma merda.
-De fato.
-Esperemos então. Vejamos o que acontece, uma vez que aparentemente trata-se de um caso realmente perdido...
-Bem, não dira perdido, mas o problema maior é que Auto-destruição e Loucura 3.5 se tornarão imperantes, e daí, só o diabo saberia dizer o que aconteceria.
-Puta merda. Bem, agradeço a atenção.
-Disponha. Estarei ali, juntamente com vozes autodepreciativas, caso necessites de mais assistência e/ou informações sobre o quadro técnico reinante.
-Pois sim. Até a vista, então.
-Até.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

N. A.

-Boa noite. Bem vindos à mais uma reunião dos Noiados Anônimos. Estamos recebendo hoje vários novatos nas artes de ser Noiado. Vamos receber o primeiro senhor Novato.
-Novato é o caralho.
-Ah, ha, ha. Calma, meu senhor. Mas conte para nós.
-Meu nome é Medo. E existo desde 1977. Setembro.
-Achei que o medo existisse antes. Mas enfim, conte-nos.
-Cale-se, primeiramente. Eu tenho medo de tudo. Medo de ser ridículo, medo de não passar, medo de passar, medo de alturas, medo de falar demais, de fazer brincadeiras e soar estúpido, medo de falar com quem eu não conheço, medo de desenhar e ficar uma merda(sempre fica), medo de atrapalhar os outros, medo de andar sozinho altas horas da noite, medo de que sempre me abandonem, medo de--
-Ah, medo. Mas a fila deve andar. Devemos pegar os depoimentos de todos os membros, nesta reunião semanal. Vá para seu lugar.
-Tenho medo de me sentar ao lado de um mala, de um neurótico. Medo de que me perguntem demais e--
-Vá logo. Muito bem, quem virá em seguida? Que tal você, senhor.
-Meu nome é Raiva, e tenho raiva de tudo; eu odeio as pessoas, em geral. Odeio joguinhos idiotas que as pessoas fazem. Odeio aqueles que jogam lixo no chão, entopem os bueiros todos e depois, quando seu barracão é inundado, afirma que a culpa é da prefeitura que não limpa os bueiros; odeio todos que são fingidos, odeio crentes. Odeio religião. Odeio burocracia, burrocracia, estúpidos processos inerentes a se obter qualquer permissão especial para fazer isto, odeio relacionamentos falsos, casamentos por simples acomodação...
-Ah sim, a raiva pode ser algo muito--
-Não me interrompa! Odeio quem faz isso!
-Mas o senhor deve odiar também quem não deixa os outros falar.
-Sim. Droga. Tá certo. Irei me calar. Odeio estar errado. Saco. Cu dos infernos.
-Bem, quem mais? Que tal você?
-Eu só enxergo cinza.
-Hein?
-É. Só vejo monocromáticos cinzas. Tons de cinza, por todos os lados. Vejo as cores, mas só interpreto os cinzas. O céu pode estar sem nuvens, mas eu só vejo um tom de aguada suja no firmamento, todos os dias. As ruas, todas cinzas. As pessoas. As cores, parecem não existir além de meu monitor de vídeo.
-Que saco deve ser isso, hein? Mas vamos prosseguir. Você.
-Eu sou um chato. Reclamo de tudo. Tudo está ruim. Dizem que tenho tudo, mas me sinto como se não tivesse nada. E bem sei que estou errado, e só faço reclamar. Não consigo agir, não consigo sair do marasmo. E reclamo, reclamo. Escrevo todos os dias, reclamando. E reclamo que me abandonam por reclamar demais. E fico puto com todos eles que o fazem! Para mim isto é abominável, um abandono. Mas não posso fazer nada, pois sei que estou errado. E odeio isto!
-Me parece que já vi o senhor antes por aqui.
-Sim. Não! Nego. E acho ridículo que me acusem de tal coisa!
-Sim, sim. Vejo bem.
-Vê nada.
-Pois bem. Prossigamos. Você lá no fundo.
(o cara lá do fundão quase cai de sua cadeira. E sacode a cabeça, não quer subir de maneira alguma ao pódio. O Orador novamente o exorta, mas ele estampa pânico nos olhos. Alguns dos Noiados mais chegados se reunem em torno dele e com ele conversam. Após muito falarem e falarem, ele finalmente é convencido, e avança hesitantemente ao pódio, andando duro feito um robô ou um padrinho de casamento engravatado que morre de vergonha de estar ali.)
-Não se acanhe, meu caro. Diga.
-Eu...eu tenho vergonha. (esconde a cara nas mãos) Sou tímido demais.
-Calma, estamos aqui para discutir tais coisas. Pode falar.
-Eu tenho vergonha de falar.
(o Raivoso dantes se exalta:)
-Fale logo, ô caralho!
-Bem...eu tenho muita vergonha. De falar. De dizer o que penso. De ser eu mesmo. De falar merda. De mostrar as coisas que eu faço, as músicas que componho, os rabiscos que elaboro. Tenho medo de ser arrogante quando me elogiam, tenho desconfiança de elogios, pois sempre acho que estão falando por falar, e me dá muita vergonha ser tratado assim. Mas sei que é difícil lidar com alguém que é tímido como eu. Eu não consigo chegar perto de uma pessoa atraente, sem ter ânsias de sair correndo. Olho para o chão enquanto ando, para não encontrar os Olhos, sempre eles, sempre me olhando, sempre me analisando. Sempre, sempre. E--
-Certo, certo, mas a fila deve andar.
-Falei demais né? Que vergonha!
-Volte para seu lugar. Quem mais? Você, de azul aí.
-Eu sou triste.
-Ah, uma condição nada agradável, por vezes. Mas diga.
-Eu fico triste todos os dias. Não existe um dia que eu não me sente a olhar para minhas mãos e imaginar o que poderia fazer com elas. Não existe um dia que eu não analise a situação do mundo, das pessoas, e não me sinta arrasado por isto. Vejo pessoas se enganando o tempo inteiro, mentindo umas para as outras, e fico triste. Fico triste por que me acham tanta coisa mas bem sei que nada sou; me entristece ter de ser um ator na vida, para se chegar à algum lugar. Me entristece ver que pessoas que se amam fazem joguinhos, especialmente as mulheres, para "testar" o amor de seus companheiros, e muito se espantam quando eles não recebem tal teste com alegria e entusiasmo. Me entristece ver que está tudo errado, e que só vai piorar.
-Complicado. Fico triste só de te ouvir.
-Normal. Todos saem de perto de mim depois de alguns minutos de conversa. Todos me abandonam. E nem mesmo posso culpá-los.
-Ah, é complicado ser Noiado. Estamos aqui para tentar te ajudar.
-Porra nenhuma. Isto não é nada além de um embuste; é apenas uma conversa interna, uma conversa com o espelho, uma tentativa vã de expor de maneira engraçadinha suas neuroses internas, seu babaca.
-Opa! Que é isto. O senhor está soando como o outro membro ali, o da raiva.
-Seu imbecil. Eu sei de tudo. Sei que você se formou numa coisa, que não serviu para nada, e tentou fazer outro curso, mas largou no meio, por ter tomado ódio mortal aos "artistas flácidos" modernos que tanto falams e só expoem lixo, lixo, lixo, por cima de um palanque, de uma falácia, de um discurso idiota e execrável. Sei que trabalhas com algo que não gostas; mas de que gostas?? O senhor não gosta é de nada!
-O quê?? Como sabe destas coisas? Quem te falou estas coisas? Você andou me espionando??
-Porra nenhuma, seu mané.
-Então...
-Seu idiota. Sei que você, no dia de ontem, se olhou no espelho e enxergou um borrão indefinido, uma sombra de pessoa. Algo que poderia ser mas não foi nem nunca vai ser, pois tens raiva de tudo, medo de tudo, só enxerga o cinza, ficas triste com tudo, questiona a tudo e todos, mas bem sabe que faz parte do mesmo monte de bosta que é a humanidade, e que recentemente resolveu desistir de tudo.
-Mas...
-Mas nada, mas nada. Detestas todos, detesta ter crescido com a esperança que as coisas fossem melhorar, e na verdade elas só pioram, você só mais e mais envelhece e cada vez mais se aborrece. Estás diante de um espelho, mas não enxerga nada, falas sozinho na frente do reflexo, dentro das quatro paredes. Quer ser isso e aquilo, mas não consegue sequer se motivar nem a estudar, a melhorar. Pegaste sua lista de "top 5 dream jobs" e a rasgou, queimou, tudo, tudo. Noves fora, coisa nenhuma, oras.
-E também não se esqueças! Odeias tanto as coisas, se revolta tanto contra o mundo que nem mesmo dentro de sua solitária estás achando consolo, paz. Paz? Nunca soube o que é isto! Nem mesmo dormindo, onde os sonhos que ali abundam são de natureza psicopata, olhos cortados, vinagre e limão espalhado por cima das feridas abertas, empurrar o cara no rio de lava.
-Isto, isto. Deixe pra fora, ponha tudo pra fora.
-E também me pergunto, o que as pessoas são? Todas se enganm, todas fazem mal umas as outras. E é normal, normal. Anormal é pensar que isto é anormal. Anormal é não quere nunca machucar ninguém, e ser tachado de idiota bonzinho por ser assim. Anormal é quere não ser o chato, mas sempre ser o chato por não querer ser. Anormal é não querer fazer mal a ninguém, e por isto ser rejeitado, rechaçado, inferiorizado. Por todas as pessoas de quem já gostei, todas me julgam "bonzinho demais", tedioso demais.
-E não é uma merda? Não te dá raiva? Não te deixa triste?
-É um inferno na terra. Odeio tudo isso! Odeio essa merda de mundo, onde tudo dá errado, onde todos se esforçam para atrapalhar os outros, por esporte, por mera diversão doentia. Onde as mulheres reclamam eternamente que não encontram os famosos "homens ideiais", porque simplesmente rejeitam todos os caras "bonzinhos" em prol de idiotas que as tratam feito cães sarnentos, para depois procurarem os tais "bonzinhos" e em seus ombros chorarem, ao passo que afirmam que nenhum presta, nenhum. Idiotas são as pessoas, que se casam, aos olhos de um deus, aos olhos de uma sociedade idiota, de branco, sendo que branco de cu é rola. Grande pureza, pois sim. E foda-se a pureza também, fodam-se os casamentos, toda esta hipocrisia.
-E fodam-se também as pessoas falsas, os frangos miseráveis que te dão amigáveis tapinhas nas costas, exibindo um sorriso de 146 incisivos brancos e polidos, para depois enfiarem a faca nas suas costas.
-E danem-se os empregos, as ocupações de sonho, que só dão trabalho, e só rendem hilários comentário por parte de todos os outros frangos, que julgam que música não é trabalho, que desenhar é coisa de criança. Que o emprego bom é aquele público, púbico, ora bolas.
-E odeio o fato que estou cada vez mais frango por tudo isso. Por estar me tornando cansado de tentar, e somente falhar. Por estar propenso a me tornar um zumbi, trilhar o caminho à zumbilândia pública, onde terei dinheiro, mas nenhuma alma.
-E você é um preguiçoso também né.
-Por não enxergar nenhum caminho. Não ver nenhuma motivação, neste imenso Admirável Mundo Novo que se tornou o mundo moderno. Tenho preguiça, pois no final das contas, nada vale a pena, nada. Se esforçar, para quê?? Para comprar tralahas? Para consumir melhor? Para me exibir diante de pessoas, e assim angariar uma companhia que só se unirá a mim por interesse? Por conta de meu carro, de minha conta, de meu frigobar, de minhas posses, de minha estética corrigida por Photoshop, digitalmente ampliado, melhorado? Para depois ter que me crismar, para casar numa igreja por que a noiva assim o quer, e a sociedade assim o exige?
-E família, o que é uma família. Tirando algumas exceções, todos querem te ver pelas costas. E você sempre se revolta contra seus pais, mas mal sabe que é apenas uma versão estendida deles, dele, de seus comportamentos, suas tolas obsessões. Sempre ser o fracassado, a exceção, aquele que se refugia em meios ilícitos ou lícitos aos olhos caducos da lei idiota que rege os homens; o cara que se esconde de tudo e de todos.
-De tudo e de todos.
-Por simplesmente não aceitar nada, questionar tudo e todos, e mesmo a si mesmo, por masi estranha e idiota que a frase possa parecer.
-Por não querer sair de casa, enfrentar a noite e seus olhos, suas avaliações idiotas, seus valores imbecis.
-Por não querer nunca mais se envolver com NINGUÉM, por achar que tudo sempre dá errado, que egoístas somos todos, eu tu eles, nós vós eles, por saber que o que resta no final de todos relacionamentos é um armistício, uma união onde a grande diversão é apurrinhar o cônjuge, a moeda de troca de favores é o sexo, e para quê? Para transmitir aos filhos o legado de minha miséria? Minha visão distorcida - dizem - do mundo??
-Não quero deixar isto para ninguém. Ningué merece mais de um Noiado.
-Ninguém. Porquê o senhor não se mata?
-Porque não consigo ser tão egoísta a ponto de abandonar uma certa pessoa, que já foi abandonada por um certo marido e será abandonada posteriormente pelo primogênito, pelo preferido.

-Encerremos aqui a reunião dos Noiados Anônimos, de nome Buriol. Mui anônimo, de facto.

.
.
.

E depois ainda estranham o fato que eu prefiro um mundo menos real e menos chato...Porquê será?

O que me resta, sendo esta merda toda?