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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Escrita e dados perdidos.

Escreve, escreva, não me importo, escreva. Escrito na parede, no abismo da parede do quarto sem teto, sem forro, sem aquecimento, sem telhado, sem eu, sem você, escreva. Máquinas de escrever, estas não mais existem, mas funcionam como tal, estas máquinas modernas, conectadas aos tubos globais, internetais, que tanto unem as pessoas, mantendo-as distantes.

Existem, existem, seres como eu, como você, como nós, por aí, por ali, por este planeta? O que fazer para encontrá-los, além de aqui estar, digitar, fazer contabilidades, senos, co-senos, co-secantes, co-molhantes, parábolas, forças de Van der Waals, móleculas de trítio, sódio, deutério, deuterostômios, protostômis e quejandos.

Quantas palavras difíceis acumuladas de tempos remotos, nerd da pré-escola, pré-faculdade, pré-faz de conta ou simplesmente FAE de conta, como bem o verifiquei com estes olhos que a terra há de fagocitar.

Pois, os lisossomos combinaram-se ao retículo endoplasmático rugoso e seus tantos ribossomos, a fim de sintetizarem proteínas vitais ao funcionamento da célula eucarionte, para depois serem tolhidas ao direito da vida, fixadas em uma placa para o ensino medianamente estúpido de alguma aula de citologia e histologia geral, coradas com tantos corantes, anilinas deveras tóxicas, mas muito apreciadas pelas cores que fingíamos ver aos nossos microscópios. E quem falou que usaríamos os ultra-modernos artefactos de visualização tridimensional por varredura de elétrons ou o outro lá que esqueci o nome?

Frustrações logo estabelecidas às portas do curso superiormente inferior de biologia.

E vejam, são bactérias? O quê Não seriam sujeiras na lente desta megalupa envelhecida pelo tempo, imersa em óleo microscopal, e que tanto arranhamos, para o desespero de Maria Rita? E os esqueletos, estes tão limpos, tão normais, para depois darem lugar às aulas de cadáveres em si, mal-estar generalizado, o antigo e eterno Hulk que tem mais tempo de morte que tínhamos de vida, que dorme para sempre, todo aberto, em uma piscina de formol.

E porquê "O Max não vai ler"? Porque ele não lê, e é um pulha dos infernos do caralho.

Mais adiante, plantas e plantinhas, pepalantos e ecologia, picaretagem, picaretagem. Não é preciso saber fazer, é preciso ter o caô, esta arte tão necessária para qualquer universitário ser em formação formado por qualquer destas vis instituições. Pessoas, que pareciam ser tão legais e não bem foram, divertidas viagens, divertidos momentos, vômitos em panelas de chás de hippies, pois sim, torne-se para sempre o Buriol, terminação alcoólica tal e qual. Bem adequado.

Tente trabalhar como tal, frequente o laboratório de bíoquimica. FAIL. Vá para a microbiologia. 'Nother FAIL. Zoologia? Me pareceu ser o canal, ser o ideal, mas trabalhe ali, em meio às naftalinas peças, "avis raras" propriamente ditas, catalogue pássaros e acompanhe beija-flores na calada das frigidíssimas madrugadas, conte seus pios, tenha seu parceiro de pesquisa arrebatado, abandonando-me em meio a tal pesquisa, apenas para depois ser abandonado também pelos animais em si. Um ano e meio jogado no ralo, trabalhando de graça, de gratis, aturando um miserável orientador que só desorientava, filho da puta dos infernos, queime lá com toda sua incopetência e arrogância. FAIL.

O que fazer, como fazer. Sem chão, abandonar o curso, abandonar o diploma, depois de três anos? Não: existe a licenciatura, que não me deixa mentir, as aulas infames que me deixaram assustado, a formação de profissionais da educação que nada educavam, por assim dizer, ó FAculdade de Educação, FAE, FAE de conta que ali algo se aprende. Eu queria apenas pegar meu "diproma", abandonar o barco, elaborei trabalhos sarcásticos e com nenhum teor sério que foram idolatrados pelos professores, como assim?! FAIL, fail. Apresente sua "monografia" em dupla em um piquenique hippie, seja elogiado efusivamente, tenha um ataque de pânico em outra aula, retorne para casa escoltado por enfermeiros, em uma ambulância Federal. O que fizeste de sua vida enquanto biólogo?

Falhei, somente isto. E com a nota que passaria em um ves...prostibular para medicina, ou merdicina. Ao menos ali eu poderia ter acesso a fármacos relativament proscritos para não-doutores, me divertiria horrores em um universo papoular, doces opiáceos; com tanta morfina nas veias, e me acabaria no nada, ecá não estaria, enchendo a paciência de outrem.

Mas não aconteceu. Então, o que fazer?

Escrever e escrever, redigir e sorrir. Sorrir.

E voltar ao trabalho de contabilidade.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ônibuses.

1997. Em plena luz da madrugada, alguém tentava se manter acordado dentro do ônibus, um velho livro de bioquímica em seu colo. A prova, a prova. Era preciso estudar, era preciso passar. A edição, carcomida pelo tempo excessivo encerrada na biblioteca central da universidade, exibia sinais de amarelecimento e bolores, muitos bolores. Era preciso beliscar-se, puxar os pêlos do braço para manter-se acordado. A pesca de tubarões e outros peixes ali parecia estar legalizada, de qualquer forma, eis que alguém sempre pendia a cabeça involuntariamente em direção aos piruvatos, ácidos graxos e outras coisas que só o mapa diabólico encerrava. Era preciso manter-se acordado.

Entretanto, houve um momento em que alguém deixou que a cabeça se prostrasse quase morta, por um tempo maior que o devido. De repente, tudo havia sido transportado para 2000, ano este em que as más sensações começadas por volta do ano passado, retrasado, que seja, tomassem conta do inquieto e insatisfeito espírito daquele alguém. Era meio-dia, ou quase isto, e ele transitava dentro de azul mercedes, apanhada nas imediações de seu sub-emprego, adquirido para tentar manter-se vivo diante das circunstâncias. Ia em pé, e a cabeça bambeava de um lado para outro; o lauto almoço de dois pães com "mortandela" lhe pesava no estômago e na mente, e sentia o irresistível apelo de Morfeu, mesmo ali, de pé. Segurava firmemente as hastes metálicas que lhe serviam de apoio, mas ainda assim, tinha muito sono. De repente, um solavanco, mesclado com uma pescada fenomenal, rendeu-lhe sonora batida de suas fuças no cano em sua frente.

Junto com o barulho do metal colidindo com aquela cabeça dura, hove ummomento de clareza, um sonoro momento de brancura em todas as vistas, em todos lugares. De repente, era 2004. Contava as moedas guardadas num improvisado porta-moedas de Kinder Ovo, eis que após ter abandonado aquele emprego de merda, ia muito hesitante de encontro a seu destino, por assim dizer. Iria novamente prestar aquele concurso, malfadado empreendimento que lhe poderia gerar um brilhante futuro nas artes e partes. As mãos já tremiam de antemão. Ele sabia que borracha não deveria ali ser usada, tampouco muitos recurso os quais estava acostumado a ter em suas mãos, tantos recursos, tintas, papéis, canetas. Tanta coisa. Mas ainda era muito cedo, e não havia pregado os olhos naquela noite, eis que a ansiedade, tão forte naquele alguém, tinha lhe roubado todo e qualquer possibildade de dormida naquela noite, que precedia tão importante momento. Sentiu os olhos pesarem e se fecharem por um momento maior que o devido.

E de repente, era 2006, e ele ia atonitamente calado dentro do coletivo que lhe levava dali para longe dali, longe de todo aquele repente, todo aquele sonho que havia se transmutado em horrendo e infindável pesadelo que havia se tornado aquele retorno àquela faculdade, àquele nonsense que havia se tornado toda aquela esperança. O chão não existia; era como se estivesse sendo transportado num eterno vácuo. Era como estava se sentindo por dentro: um absoluto vazio, um oco eterno. Naquela manhã, havia escutado todo o blah blah blah de certa Andrea LAMA, e sentiu que não podia mais tolerar aquilo, não sem voltar para aquele covil de "artishtash" flácidos armado de duas escopetas calibre doze, muita munição e três quilos de C-4. Nada mais fazia sentido. Era o vácuo eterno dentro de si. Fechou os olhos procurando alguma luz, mas só encontrou as trevas.

E quando abriu novamente os olhos, era 2008. Ia impaciente daquele emprego recém-readquirido para seu esconderijo secreto, onde a vida real nada real lhe aguardava. Era noite de encontro com toda aquela gente que só existia em um mundo eletrônico, em uma realidade virtual, que estava cada vez mais e mais se tornando mais importante que a realidade real. Uma vida secundária que estava se tornando cada vez mais importante que a real, WoW, WoW. Nada mais lhe importava a não ser roxos armamentos, muitas insíginias, o reconhecimento de gringos que nunca haveria de ver nem conhecer naquela realidade real mas cada vez mais e mais distante de sua paralela existência com o mundo que havia lá fora, e que cada vez mais fazia menos e menos sentido. Impaciente, tentou repassar mentalmente a estratégia do combate virtual da noite, fechando os olhos e tentando se lembrar de todos os detalhes.

E em 2009, ia novamente se sentindo cada vez mais em ais vazio por dentro, agora sem a paralela realidade, sem qualquer propósito para aquel inútil existência naquele esférico manicômio que girava a sabia-se lá quantos mil quilômetros por hora espaço afora. Nada lhe fazia sentido, nada lhe trazia sentido, nada era real, agora que o surreal deixara de existir. Nicotina, nicotina, sentia o apelo daquela coisa que tanto lhe tentava. Alguém nunca poderia ficar sem alguma forma de auto-agressão, alguma forma de escapismo, de punição por mais uma vez ter chegado à conclusão que para nada prestava, para nada existia além de por meio de linhas toscamente escritas tentar existir deveras. Nada. Nada. Nunca seria nada, como Pessoa, o Fernando havia lhe afirmado em nota secreta, em dedicatória a alguém escrita, sem nem ao menos saber disso, sem nem se dar conta que 81 anos depois aquele poema encontraria o destinatário ideal. Desesperadamente, fechou novamente os olhos.

E em 2010, algumas décadas após aquele fatídico dia de setembro de 1977, alguém ainda se pergunta por que diabos existe gente como ele no mundo, que só servem para dar despesa, desdém, a todos os alheios passageiros desta imensa viagem de ônibus que nunca terminou, que começou sabe-se lá quando e que sempre continua na mesma. Tabaria, tabacaria. Ainda em alguém existe morada para tais aflições, tal inutilidade de ser nada e ser tudo. Falhara até em pequenas homenagens que a muito desagradaram, em impaciências para com alguém que tanto lhe considera, sem mesmo saber, por quê, por quê. Pra quê? Onde é o ponto final desta linha, onde é o pingo nos is que reside toda aquela renúncia de ser nada, nunca poder ser nada, nunca poder querer ser nada?

Onde?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Coleção Completa.

"Aqui, sua tia mandou estes livros de presente para você."

O ano era 1990, se não me engano. Recebi em mãos dois livretos. O primeiro que examinei, tinha a capa preta com uma magnífica ilustração exibindo um quarto de criança, com um garotinho apontando uma arma de brinquedo contra dois olhos vermelhos que ameaçadoramente se encontrava debaixo da cama, enquanto um tigre com cara de assustado segurava um pequeno tênis de criança como se fosse isca para que o monstro babando debaixo da cama dali saísse e fosse alvejado pelo intrépido infante. Chamava-se "Algo babando embaixo da cama". O outro livro, de capa predominantemente branca exibia outra ilustração tão maravilhosa como a do outro livro e chamava-se simplesmente "Calvin e Haroldo".

Eu tinha 13 anos na época. Não era nenhuma ocasião especial, do tipo aniversário ou coisa assim. Evidentemente, de bom grado recebi tais inesperados presentes, pois logo de cara já gostei das capas dos livretos. O desenho era realmente impressionante. Eu, desde minha tenra infância já havia sido "amaldiçoado" com a carga genética de minha mãe, e já gostava muito de passar horas por dia rabiscando e fazendo histórias, e curtia bastante este tipo de humor, em tiras. Era muito fã de Garfield, e posso afirmar que foi de minhas primeiras influências nesta área.

Mas com Calvin e Haroldo foi diferente. Eu fiquei completamente embasbacado com os dois livretos. Os tempos eram diferentes, não havia internet, e eu ainda era praticamente uma criança em vários aspectos, inclusive de brincar com carrinhos e coisas do gênero. E sempre tive imaginação fértil, gostando de inventar mesmo personagens fixos para meus devaneios infantis. E volto a dizer, eu fiquei maravilhado com os desenhos de Bill Watterson. Era um mundo bem diferente dos desenhos mais simples de Garfield. Muito diferente. E o humor, as histórias de um garotinho de sete anos com uma imaginação mais fértil que o solo da mata atlântica, quando esta ainda existia em sua plenitude. Eu gargalhava alto de certas tiras. As caras do Calvin eram as mais engraçadas possíveis.

Desde então, considero estes personagens como paradigmas deste tipo de humor desenhado. E até hoje eu considero todos os elementos do universo criado por Watterson como absurdamente fantásticos, tanto em termos de desenho quanto em termos de humor. Os livretos impressos pela (acho que) extinta editora Cedibra, estão em meu poder até hoje, bastante amarelados e com orelhas nas pontas, tantas foram as vezes que li e reli. Fiquei desapontado quando soube, em 1995 que Bill subitamente deixou de as desenhar, por motivos que até hoje não entendi ao certo. Sei que ele nunca terceirizou a produção de seu trabalho, ao contrário de Jim Davis(Garfield) e mesmo o nosso tupiniquim Maurício de Sousa; tampouco permitia a exploração comercial de seus personagens além da publicação dos livros. Não produziu bonecos, adesivos e quejandos. Talvez isto tudo tenha gerado uma espécie de estafa. É muita responsabilidade e muito trabalho para um cara só.

Muito tempo se passou desde então, 20 anos (a gente só envelhece mesmo). Minha vida deu várias voltas, fiz várias coisas, tive vários desejos. Mas um deles sempre me acompanhou. Eu sempre quis ter todos os livros desta dupla. Mas eram muitos, e minha grana sempre foi algo que não me permitia muito me permitir certos luxos, como este. Lá para 2006, se não me engano, um amigo meu, o famoso Damasceno, o Eduardo, adquiriu algo que me fez ter ímpetos de invadir seu apartamento na calada da noite e de sua estante sequestrar...The complete Calvin And Hobbes, uma caixa contendo três imensos volumes com todas as tiras da dupla.

Na quinta feira passada, eu e meus companheiros de "escrotório" fomos ao xópis Diamongol, que aqui perto fica, para lá almoçarmos. Conforme já disse antes, aquele templo do consumismo neo-burguês-zeolandês-capitalista-classe-média belorizontino para mim só tem três serventias: eventuais almoços, quando o escasso orçamento permite, consumo de cafézes mui saborosos e visitas à livraria que lá existe, que muito decaiu desde sua reforma que a transformou em Saraiva Megastore, nome muito imponente, mas que poucas vantagens significou para mim e meu infalível companheiro de consumismo literário, a saber, Hugo o Devogado Gigante.

Terminado o almoço, decidimos ir em tal livraria, que deixamos de frequentar por muito tempo, devido à reforma que poucas vantagens para nós significou. Como vingança do destino, ou simplesmente ironia do universo, Hugo avistou duas coleções embaladas em caixas que o tentarma bastante a ficar imensamente mais pobre para atender a seus desejos. Eu ri para ele e falei, "É, já vi que o senhor irá ter que gastar." Eu tinha visto algo mais modesto, uma antologia poética de Carlos, o Drummond de Andrade que me tentou, e estava em promoção. Mas o buraco orçamentário em minha conta era tão grande que não me atrevi a comprar. Mais tarde, quem sabe?

Quando íamos saindo da lija, Hugo viu outra caixa na vitrine que chamou sua atenção, e fomos em sua direção para examiná-la. Era uma coleção de três volumes de história da segunda guerra mundial, assunto que sempre o fascinou.

Foi aí que a coisa aconteceu. A ironia.

Enquanto meu companheiro babava por cima da caixa e já fazia cálculos para ver como e quando seria possível adquirir tal coisa, eu olhei inocentemente para meu lado esquerdo.

The Complete Calvin And Hobbes.

O mundo parou naquele instante. Meus olhos brilharam, e eu voltei vinte anos atrás no tempo. Na hora eu soube que TERIA que adquirir tal coisa, agora diante de mim, tão perto mas tão longe devido ao seu preço, salgado mas justo. A coleção é absurdamente bem feita e bem trabalhada, com a caixa e os três volumes que contêm tudo que eu queria desde 1990.

Pois bem. Ontem, após seis meses de espera, o sindicato do sei-lá-o-quê que os funcionários desta empresa que trabalho são afiliados, resolveu liberar o icomensurável aumento anual de 5%, que estava travado em processo administrativo qualquer desde dezembro de 2009, e de repente me vi com uma quantia que me permitiria fazer uma extravagância. Manobra arriscada, pois eu sabia que ficaria absolutamente falido após tal empreitada.

Mas eu sabia o que iria acontecer. Saí do almoço, me separei de Hugo, que precisava tornar ao escritório para fazer algo, e ouvi a vozinha fina de um moleque de sete anos me chamando. "Venha, compre."

Fui.

Comprei.

E fiquei tão feliz. Eu era o garotinho de sete anos. Que desde os treze esperou por tal momento. Quase fui esmagado pelo peso de tal caixa, assim que a removi da prateleira. A moça do balcão não conseguiu erguer tal peso para me devolver, após ter passado o cartão na máquina e ter me aliviado de um peso similar em minha conta bancária. Fui cambaleando de volta para a sede da Funchal, entortado pelo peso de tal caixa. Tive que gastar mais dinheiro para chegar até a casa de meu sobrinho torto, aquele que dou aulas de como não desenhar e como jogar conversa fiada e filosofia barata fora, pois sabia ser impossível transportar tal peso (10,2 Kg) em um coletivo, ainda mais naquele horário.

Meu aluno ficou louco, e disse que irá hoje mesmo adquirir sua caixa também. Bom ver que o pequeno menino de minha altura e metade de minha idade está sendo bem orientado, não? Ainda tive o privilégio de depois conseguir uma carona com a mãe dele até minha casa, onde fiquei um bom tempo apenas contemplando a caixa, sem ainda de fato ler tudo. Sei que ali talvez exista a explanação acurada dos motivos que levaram Watterson a deixar de produzir tal obra-prima, e sei que ali se encontram inumeráveis motivos de boas gargalhadas.

Na calada da madrugada, quando tive súbita insônia que tanto pesa minhas pápebras nesta manhã, mandei às favas as preliminares e saboreei muitas tiras, tendo que segurar meu volume do riso quando me deparava com aquilo que já sabia que iria encontrar ali.

E estou tão feliz. Minha vida ficou um pouquinho mais completa.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Solteirices, canalhices & desconforto social.

Ah, enfim começo a me recuperar da hecatombe - muito proveitosa - do final de semana. Como dizem alguns amigos meus, é a idade. Antes dos 30, em especila antesdos 25, você poderia ficar a semana inteirinha participando de esquemas como o por mim vivenciado no finds e ainda assim ter energia para fazer tudo - ou quase tudo - que você faria normalmente.

Agora, com 3.2 quase chegando nos cabalísticos 33, não dá mais. Sinto muito, mas demoram uns três, quatro dias até que sua energia volte ao níveis normais. Mas como já disse, foi muito bom e valeu muito a pena; que venham mais que a gente dá um jeito.

Felizmente, minha figura residente de otoridade caseira, ou seja, minha mãe, está a viajar, pois a zona foi grande, e nem ainda terminei de arrumar tudo. Hoje de manhã já verifiquei, muito contribuindo para um resmungo matinal, que os malditos bichos lá de casa - animal de estimação é o caralho - reviram alguns lixos que havia deixado para trás. Malditos. E nem adianta fazer nada; são animais e portanto estão sempre à cata de restos.

Especialmente quando minha mãe não está em casa, pois eu sou um verdadeiro troncho quando se trata de manutenção da casa. Sou um autêntico solteirão que cuida da casa conforme muitas - não todas, bem entendido - as regras de uma figura icônica dos fóruns da internet. Falo do famoso(?) Foul Bachelor Frog.

Descobri essa bobagem na data de ontem, apesar de já ter anteriormente me deparado com "parentes" deste sapo. São os famosos memes da internet, que circulam em sites infames como o famoso 4chan.org, que - dizem - reúne as coisas mais estranhas do universo virtual. A famosa repartição /b/ deste site, deu origem, pelo que sei, ao sapo em questão e a outro ícone com o qual me identifico muito, o Socially Awkward Penguin, e tantos outros memes da internet, como o Philosoraptor e tantos outros.

Ah, bobagens da internet. Vivam os à toas. Eles salvam meus momentos de atoísmo per se. Mas é impressionante como me identifico com coisas como esta:




Ao final da tarde de ontem, quando já havia declarado o término de meu expediente, umas duas horas antes do término do expediente - sem o conhecimento das autoridades empregatícias, evidentemente - fiquei muito tempo observando (e rindo sufocadamanete) tais bobagens. Algumas delas se encaixam como luva em minhas mãos. As desventuras do pinguim, já vivenciei inúmeras delas ao longo de minha vida, e confesso ter me identificado com várias do Sapo também.

No final de semana mesmo, me dei conta que estava sem mãe em casa por duas semanas quase, e o caos solteirício já havia se instalado, pois, apesar de minha irmã ser uma "presença feminina" na casa, ela é tão solteira tosca quanto eu quando se trata de arrumar casa, arrumar comida e etisseteras mais. No sábado pela manhã, horas antes da festa começar, fui tomar café e só havia manteiga rançosa - por termos esquecido de guardar a tal na geladeira - e um pacote de pão de forma de aveia, que trajava festiva cor azul-bolor por toda sua extensão. Mais uma vítima do desleixo caseiro dos donos da casa.

O que fiz? revirei a geladeira e achei uns pães de forma mais velhos, porém não mofados. Olha só, tem maionese. Está na validade. Estava na geladeira. Não tem cheiro estranho. Tá valendo. Resultado: café da manhã garantido!


Tipo isso, por assim dizer. Eheheheh. Pão de forma velho, com maionese não-criminosamente-velha. Fantástico.

É válido dizer que não me identifico com TODOS os memes ilustrados no site de refêrencia, tanto de um quanto de outro, mas bem sei que alguns daqueles "fatos" ali ilustrados já foram por mim cometidos.

E aposto um bom dinheiro como alguns de meus leitores irão se identificar também. Conheço bem as pragas. E sei que também já foram - ou são - solteiros convictos e toscos. Eheheheh. Ou simplesmente tão socialmente inadequados como o pobre Pinguim.

Ah, a vida de solteirice. Por mais que estejamos todos em busca de alguém, sabemos como é bom, por vezes, poder ser simplesmente tosco. Infelizmente, não dá pra ser para sempre, caso contrário, podemos terminar como "The Dude", de meu mais novo icônico filme de refêrencia, ou simplesmente "não-sei-como-não-tinha visto-este filme-até-hoje", The Big Lebowski. "The Dude" é um sinônimo -pós-graduado até, eu diria - de um autêntico Foul Bachelor Frog. All hail.

E agora, olhe só, que horas são. E eu aqui, escrevendo isto. Com tanto computador para eu formatar e despachar para Curvelo. Mãos à obra então. Deixemos o lado solteiro lá pra casa, e aproveitemo-lo ao máximo enquanto minha autoridade residente não retorna. Há que se aproveitar.

Pode deixar que irei cumprir a meta.

E agora, ao trabalho. Já!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Johnnie Walker ou o doido que anda feito doido.

Hoje, encontro-me confortavelmente aquecido, por mais frio que a manhã esteja, neste iníco de inverno belorizontino meio que fora de hora. Pois vim andando, da Afonso Pena até aqui, uma caminhada que já me acostumei nestes anos que me encontro encerrado na contabilidade dos numerários alheios. São quase dois quilômetros de caminhada. Não acho grandes coisas, mas me parece que a sedentária população mundial considera isto como uma intransponível distância. Me olham estranho todas as vezes que comento a respeito de meu hábito de para cá vir, usando apenas meus pés. Presumo que andar seja algo em desuso nestes dias de tantas opções menos onerosas para as solas de nossos sapatos, algo assim.

Comentei o fato com uma pessoa hoje de manhã, e diante da reação de estranhamento, prontamente acrescentei mais dados andarílhicos de minha pessoa. Ao que recebi aquele olhar típico: este cara é doido. Tem à mão passagens pagas pela empresa em que trabalha e não os utiliza; prefere chegar no emprego a pé. De fato, não é muito lógico, se formos analisar a coisa por este lado. Acontece que sou um cara que fica dez horas por dia sentado à frente de um computador, estou ficando cada vez mais velho e portanto propenso a ter problemas de saúde, e creio que todos sabem que sedentarismo aumenta em muito sua não-saúde. 
Logo, o que fazer? Tenho a mesma falta de tempo que todos que passam dez horas por dia aqui enfurnado. Preferi aliar a necessidade de cá chegar com a vantagem "esportiva" de para cá vir andando. Assim posso chegar em casa à noite e não ter que me preocupar com eventuais caminhadas e mesmo me permitir certas comilanças de quando em vez, coisa que muito aumenta o diâmetro de meus companheiros escrotoriais, que lá ficam reclamando de suas crescentes barrigas sem nem saber por que elas estão aumentando cada vez mais. 

Certo, sou meio doido mesmo por fazer tal coisa, ainda mais agora que vejo tal fato por escrito. Mas é um hábito que me acompanha já faz muito tempo. Na época em que entrei na biologia, uma das épocas mais negras monetariamente falando de minha vida, eu recebia grana para apannhar quatro ônibus por dia - dois para ir e dois para voltar - e mais uma quantiazinha para almoçar no infecto bandejão do campus. Eu não tinha grana nem para xerocar os textos necessários para as provas. Depois de um mês, descobri uma "brilhante" maneira de conseguir salvar um dinheiro. 
Passei a pegar um ônibus para ir de minha casa até o ponto final dele, que ficava na boca da favela perto do xópis Del Rey, e andar o resto até o ICB. E quando voltava, fazia o caminho oposto. Junte-se a isto o fato que passei também a embolsar o dinheiro do almoço, passando a me alimentar de quatro fatias de pão de forma todos os dias....e você tem um cara que perdeu vinte quilos em seis meses. 
Saudável, de fato. Muito. Eu precisava de perder peso naquela época, pois tinha o traseiro do tamanho da lua e calças que não me serviam. Hoje em dia, cabem dois de mim naquelas calças que não me serviam. Mesmo que tal dieta tenha sido eficaz para emagrecer, não a recomendo a ninguém. Credo. Mas desde então, sempre que me apanhei com a necessidade de chegar nalgum lugar que os carros e autocarros desta cidade não possam me transportar, já planejo a minha caminhada. Pé por pé. Naquele maldito dia da greve infernal dos ônibus, andei e cá cheguei, sem atrasos, sem ziguiziras. No dia da paralisação dos professores, eles pararam o centro da cidade. Lá fui eu a pé para casa. Cansei, muito, mas cheguei sem maiores problemas.

Bem sei que soa deveras patético um cara de 33 anos relatar que anda muito mais do que deveria, em uma idade que o que se é esperado é que tal marmanjo possua ao menos um carro, mas eu sou este ser abjeto e à parte da normalidade, conforme qualquer um que já tenha lido as coisas que cá escrevo pode constatar, mas não me apoquento muito por este fato. Se a necessidade surgir, ando sem problemas. E sinceramente, prefiro agir detal forma do que me tornar um ser cada vez mais rotundo, a exemplo de meus colegas de escritório.

E neste inverno incipiente, já comprovei que cá posso chegar pelas manhãs sem maiores problemas; digo isto por que tenho o bom senso - ainda que esparso - de saber que uma caminhada para cá na época do calor, faz-me aqui chegar suado feito um porco. Neste período me comporto como um reles assalariado normal e apanho o ônibus para cá. Não sou tão doido a ponto de trabalhar todo melado e fedido. 

Bem, a normalidade passa longe deste ser que tnato escreve, como podem perceber. Ao menos tenho hilárias histórias de auto degradação em tediosos momentos. Ao menos isto eu posso afirmar que possuo. 

E agora, o ser andante deve aqui ficar estacionado pelas próximas 9 horas, aproximadamente, e tentar fazer algo com sua inutilidade. Vejamos se a leitura do maravilhoso mundo dos servidores de rede hoje rende...
 

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Desenhos de grama.

Curioso. Passam-se anos e mais anos, e certas memórias são muito bem conservadas em nossas cabeças, coisas que nem são tão importantes assim para nossa sobrevivência nem nada, lá ficam resguardas, conservadas da ação degradante do tempo e da vida. Existem sem que nem ao menos nos demos conta que lá estão, a não ser em raros momentos, como o que aconteceu nesta manhã.

Estava sentado esperando o ônibus na praça do Papado indefinível e inemovível, esfregando as mãos para tentar aquecê-las diante daquele friozinho que está teimando em habitar irregularmente nosso país, segundo os metereologistas e entendidos na área, e de repente olhei para a grama orvalhada e me lembrei daquilo que estava há anos encerrado em minha cachola.

Fui transportado para outras eras, nem sei ao certo que ano do ínicio da década de 80, eu diria, em algum remoto inverno da cidade de João Monlevade, onde morei até os sete anos de idade. Ia a pé para a aula no pré-primário, como era conhecido esta pré-escola em tal época, e no caminho ia encontrando com meus amigos de então, gente que minha memória falha em absoluto para se lembrar como conheci. O grupo ia se tornando maior à medida que descíamos aquela rua.

Na época de inverno, que era bem rigoroso naquele buraco que é Janmonleva, a grama alta dos jardins defronte às casas, ficava toda "suada" de orvalho, e em raras, raríssimas ocasiões se transformava em geada. Esta grama alta e orvalhada se tornava um brinquedo para nós, os moleques daquela rua.

Saíamos correndo por entre às folhas esbranquiçadas pelo orvalho, encharcando os sapatos e as meias quase por completo, e fazíamos desenhos na grama com nossas passadas. Como eram muitas as casas até chegar à escola, muita era nossa diversão, mas algumas vezes minha turma se deparava com um gramado já por outros violado e parávamos desolados imaginado quem teria tido a audácia de violar nosso playground. A contemplação e o despontamento não duravam muito tempo, entretanto. Já avistávamos outro virgem jardim mais adiante, e lá íamos tirar a forra.

Acho que algumas vezes chegávamos até atrasados à aula por causa dos desenhos na grama. Me lembro que, apesar de tal brinquedo ser a glória no momento que precedia nossa prisão escolar, era o inferno para o restante das frigidíssimas manhãs naquele lugarejo. Os pés quase se enregelavam quando sentávamos às nossas carteiras e assistíamos as aulas.

Mas valia muito a pena. O caminho para a escola era como se fosse um prelúdio, uma preparação infantil para o que teríamos que enfrentar em nossa idade adulta, aquele momento em que você está indo para seu serviço e pensa, "estou indo para o inferno." Para uma criança, assim era o inferno: ficar trancado na escola, privado das brincadeiras de rua e correrias.

Em tais manhãs de inverno, entretanto, já chegávamos bem mais dispostos para a aula, pois muito nos divertíamos em nossas corridas por entre as geladas lâminas das folhas de todos aqueles gramados. Era a glória matinal que precedia o tédio da escola.

E hoje de manhã, ao olhar para aquele imenso gramado de tal praça, lembrei-me instantanemante de tal momento, e de repente me vi menino novamente, com ímpetos de me incorporar em um mago que conjuraria meus amigos de então, para que mais uma vez fossêmos correndo nos divertir em traçar aqueles desenhos no orvalho do gramado. Imagina a glória que não seria atingida em um gramado tão grande como o da praça do Papa.

Mas aí as pessoas adultas chegaram, me cumprimentaram e me afastaram de minha epifania saudosista da manhã. E o coletivo não tardou a chegar, me afastando daquela visão que nada significaria para um outro cara qualquer, mas que nesta manhã de abril me transportou para o passado muito remoto de minhas lembranças escondidas em algum lugar desta estranha massa pensante que é o telencéfalo humano.

Se algum dia tiver rebentos, espero que eles tenham muitos gramados orvalhados no caminho da seriedade representada pela escola. Que tal caminho seja orvalhado. E que desenhos bizarros sejam traçados no gélido painel que se ali se apresenta para as bem-aventuradas crianças.

E agora, deixemos de imaginar e de viajar, que o dia mal começa e temos que trabalhar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Páscoa musical.

Vamos lá, você consegue! Mantenha-se acordado e tente não se lembrar que hoje é segunda e...tarde demais. Já me relembrei. Maldição.

Ainda assim, adiante. Cumpra-se o dever de ser relator de trivialidades e acontecimentos nada incomuns na vida de um solitário ermitão muderno. Diante de mim, coca-cola e pães de queijo: decidi que se as segundas não podem ser naturalmente mais toleráveis e agradáveis, eu tornarei-as mais humanas me valendo de artificiais artifícios.

O feriado esteve bom, felizmente. Muito bom, apesar de eu nem ter saído ao portão de minha casa. E por mais que isto possa parecer um tédio eterno e absoluto, afirmo que não preciso muito mais para me dar por satisfeito. Estou com as pontas dos dedos da mão esquerda em frangalhos, e todas as teclas que teclo me doem, uma forma pulsante deles se me lembrarem que eles existem e que forma muito maltratados no feriado.

Não diria maltratados, para se falar a verdade. Foram muito usados, é verdade. Achei que já tinha eu calos o suficiente para aguentar longas sessões sonoras, mas parece-me que ainda há muito que se calejar, muito que se treinar. Muito que se fazer.

Lembrei-me hoje de finais de semana passados, em meados de 2002 ou 2003, época em que eu ainda tinha grandes desígnios artísticos envolvendo artes e partes desenhadas, e nem de longe imaginava o que viria em seguida, anos mais tarde. Mesmo assim, naquela época eu me divertia nos finais de semana de maneira quase igual a que me divirto hoje em dia, ou seja, de maneira muito nerd. Naquela época das internétis discadas, eu já era fissurado com essa joça, e somente tinha acesso à rede mundial em finais de semana, nas madrugadas, de meia noite às seis, de sexta para sábado e de sábado para domingo. No domingo havia aquele esquema da linha só contar um pulso, mas só tínhamos uma linha de telefone e esta não poderia ser ocupada o dia inteiro com inúteis navegações na internet.

Naquela época, eu nerdicamente sempre me conectava nestes infames horários para me entreter na rede, e lembro-me que sempre escutava nos finais de semana as gemas musicais por mim garimpadas durante a semana. Em suma, eu escutava no final de semana as coisas que havia baixado na precária internet durante a semana; eu sempre acordava meia noite para deixar baixando coisas até as seis. A internet era discada, lembrem-se.

Naquela época, eu sempre costumava emergir de meus finais de semana nerds com alguma música nova que realmente tocava minha alma, algo que me fazia arrepiar, algo que me fizesse muito mais sentido que qualquer outra éspecie de som normalmente veiculado publicamente. Se eu passasse um final de semana sem descobrir mais uma faixa para a trilha sonora de minha vida, o final de semana era incompleto.

Hoje em dia, tempo passado e tempo mudado, pouca coisa mudou, devo dizer. Ainda sou um nerd solitário que me entretém digitalmente em feriados, que ainda escuta muita música e sempre está em busca de sons que possam fazer parte de minha trilha sonora, e que ainda de certa forma sonha com aspectos gráficos, mas deles já não mais deposita quase nenhuma esperança.

O que mudou, então?

Emerjo deste feriado escutando novos sons, que podem facilmente fazer parte de minha trilha sonora para a vida, mas com uma diferença básica: são sons por mim inventados, coisas que até então nunca havia escutado em minhas madrugadas anônimas. Coisas que partiram destes calejados dedos, daquele violão arranhado pelo tempo e pelos pequenos acidentes da vida. Coisas que inventei ali em meu sótão e que registrei em meu computador, valendo-me de meus aparatos que levei tanto tempo para adquirir. Coisas que muitos me zoaram por estar gastando dinheiro erroneamente, uma vez que eu não usaria aquilo nunca; quando eu iria precisar de um som de um ebow plugado num pedal de volume ligado em um mini amplificador Vox? Quando?

Bem, neste final de semana, grande parte destes meus inúteis aparatos fizerma valer seu valor, por tantas vezes multiplicados pelos nossos queridos ladrões do comércio de aparatos musicais brasileiros, que têm coragem de cobrar 1500 reais num amplificador que custa aproximadamente 140 doláres em Miami. Eu diria que valeu a pena ter investido tanto nestas coisinhas.

Por que, de alguma forma, eu ainda busco algum objetivo na vida, maior que ser apenas um enfeite escrotorial, ganhando mal para fazer coisas que nunca quis fazer. E se falhei em aspectos gráficos de minhas afinidades, esperava eu ao menos não falhar nesta minha outra afinidade. Algo com que eu pudessejustificar minha existência, justificar minha presença incômoda de ser um eterno ser que em nenhum lugar se encaixa, em nenhuma parte deste imenso quebra cabeças de gentes e gentes e gentes, tanta gente, por Mitra.

E que venha mais notas sonoras, por mais descordenadas que sejam. Por mais teoricamente erradas que estejam. Que façam algum sentido. Que me devolvam a sensação de dever cumprido, e não aquele estorvo mental de saber que algo deveria estar sendo feito, com toda esta...coisa que em mim existe e que até hoje não sei a serventia.

Talvez seja esta: a de me justificar o gasto energético dispendiado em me fazer existir, quem sabe? Algo que não seja apenas um imbecil isolado em seu mundo à parte.

Esperemos. Enquanto isto, vistamo-nos e obedeçamos às ordems contabilistas que de mim exijem que sejam devidamente preenchidos os campos de impostos sobre o ICMS de tomates.

Adiante, adiante. Por uma vida menos ordinária.

terça-feira, 23 de março de 2010

Ê lugar assombrado!

Terça-feira gorda, magra, ou seja lá o que for. Estou meio falho em minhas narrativas acerca de coisas nenhumas, mas que tenham mais sentido que palavras randômicas espalhadas aleatoriamente por uma página deste aparato moderno de escrita que é a internet e seus petrechos diversos. Perdão; as coisas estão meio que estranhas por estes dias, e no momento creio eu que esteja padecendo de incipiente enxaqueca. Nada que dois comprimidos azuis de ormigrein não resolvam.

As coisas não estão indo mal por estes dias, mas mesmo assim não tenho me sentido muito bem, creio que sequelas da malfadada semana que se passou ainda estão a me atormentar, mas eu só desejo que tais coisas se dissipem e que eu consiga fazer o que devo fazer. Pensava eu a respeito destas mazelas da vida moderna ontem à noite, enquanto me preparava para me retirar deste estado de consciência ou semi-consciência ou algo que o valha, e de repente me assustei com ruídos estranhos vindo de algum lugar do sótão.

Quem não está acostumando com aquele lugar geralmente passa aperto ali. Não sei se vocês se lembram do que escrevi a respeito daquele famoso filme de baixo orçamento que comentei aqui em alguma altura do ano passado, denominado Atividade Paranormal. Acredito que se aquele filme tivesse sido rodado em meus dominíos sotãonescos, o efeito aterrador teria sido ainda mais eficaz. Pois ali, as coisas as vezes se mexem sozinhas, como uma noite em que acordei meio que insone e fui ter ao meu computador, onde fui jogar um pouquinho de Fear, um jogo jpa antigo de computador onde abundam elementos sobrenaturais e assustadores. Estava eu lá, muito tranquilo a me entreter quando de repente várias portas dos armários defronte ao PC resolvem abrir do nada.

Estaria mentindo se dissesse que não fiquei com medo. Mas mesmo assim levantei-me e fechei todas as portas cuidadosamente, para depois voltar ao meu computador, para ao menos desligar a coisa antes de tentar voltar para debaixo das cobertas - me parece que a crença infantil de que seu cobertor é algo impenetrável ainda persiste neste adulto ou semi-adulto. Enquanto tentava desligar a coisa, as portas se abriram novamente, desta vez seguidas de alguma espécie de som indefinido. Nem quis saber, deixei-as abertas e me enterrei nos cobertores.

Me perguntam como consigo dormir ali. Eu já acostumei, mas sei que deve ser algo meio que assustador para pessoas desavisadas. Inda mais quando coisas deste gênero acontecem. Lembro-me também que em meados de 2005, num final de semana em que havia sido apresentado tardiamente ao espetáculo do terror que é o filme O Iluminado, eu havia me perguntado se conseguiria dormir ali tranquilamente. Alguma sorte de providência se apressou em me responder e me desafiar em uma noite qualquer por aquele tempo. Lembro-me que era uma noite excepcionalmente fria, e eu havia acordado com aquela vontade chata de ir ao banheiro, mas antes que eu pudesse me levantar, algo me pareceu estranho ali.

Existe ali uma porta na parede, por mais estranho que possa parecer isto, e que dá acesso ao sótão em si, com suas caixas d'água e quejandos. Esta porta sempre fica fechada e a luz interna desligada. Naquela noite, eu vi uma luz. A luz do sótão, estava acesa. A porta escancarada, e o ar estava completamente parado. Na mesma hora esperei ouvir "RedRum" na minha cabeceira. Novamente, fiz o que deveria ser feito: me escondi dentro do casulo de minhas cobertas e ali permaneci até que o cansaço me vencesse o pavor e a vontade de ir ao banheiro. Preferi ignorar tal necessidade mui veementemente; não me pareceu tão urgente ir tirar água do joelho naquele momento.

Somente quando a manhã rebentou é que fui lá desligar a maldita luz e fechar a porta. Felizmente não estava ventando, pois quando ali venta, se não calçar a porta, sou assustado pela sua bateção no batente, por mais infame que tal justaposição de palavras possa soar.

Algumas pessoas ainda me perguntam como é que consigo ficar ali, como consigo dormir ali. Afirmo-lhes que apesar destes pesares, é ainda meu lugar preferido da casa. Não é fisicamente tão bacana quanto o Quarto mais Legal do Mundo, mas mesmo assim, é meu paraíso na terra. O único lugar em que sou o rei, que tudo ali me pertence ou me diz respeito. Certo, por vezes até chego a sentir uma presença estranha ali, mas isto não se resume apenas ao meu quarto naquela casa. Eu e minha irmã já sentimos estas presenças indefinidas em outros locais da casa, em especial quando alio estamos sozinhos. É impressionante como o silêncio e a solidão causam uma apuração excessiva e nem sempre correta de nossos sentidos.

Mesmo assim, já escutamos passos na casa vazia, e diz minha irmã que até já escutou alguém batendo nas teclas da velha máquina de escrever de meu avô, que na época estava no andar de baixo da casa e hoje em dia se encontra em meu sótão. Nunca ouvi nenhum ruído proveniente deste aparato ali, felizmente.

Não sou exatamente crente do sobrenatural, mas por vezes acredito firmemente que existe algo a nos observar, a nos avaliar. Algo que não necessariamente está no mesmo plano que o nosso; por isso filmes como Atividade Paranormal e O iluminado me causam estranhas sensações.

Por vezes me parece mesmo que existe alguma coisa ali no sótão. Mas em geral, a sensação não dura muito ou a coisa de mim já se apoderou e está me moldando para realizar seus malévolos planos. BWAHHAHAAHA!!

Não, em verdade não. Acho que é somente o vento brincando com as sensações de um cara Noiado, que está num Sótão. Apenas isto.

E este cara noiado tem que ali comparecer, existem vírus virtuais a importunar um frango, sendo que deve ter sido o próprio que ali os depositou, em seu computador. E como sou o cara do TI daqui, inda mais quando o TI oficial está a viajar, devo deste assunto cuidar.

terça-feira, 16 de março de 2010

O melhor quarto do mundo!

Bem, novamente cá estamos. Obrigado por assistir a mais um episódio da vida de Noiado no Sótão! Agora com muito mais vitaminas e....Tá certo, essa rotina de apresentador de "pograma" de auditório não tá com nada mesmo. Vamos ao que interessa de fato, então.

Aparentemente hoje estou um bocado mais restabelecido das complicações gastrointestinais, então creio que o dia será um pouco mais leve. Falemos sobre amenidades decorridas no final de semana afinal. Que repetição bizarra de palavras.

Bem, conforme dito, fui ter ao Retiro das Pedras no final de semana, local de excelente localização, cujas imediações frequento desde minha tenra idade de...er, não sei bem ao certo, creio que foi lá para meados de 1990 que comecei a ser 'morador honorário' daquele local. É muito tempo. Que diabos vou eu fazer lá? Encontrar com amigos e me divertir. Esta deveria ser a premissa principal para a vida de qualquer um.

Meu amigo que lá reside desde aquela época, o Rafael, tem uma das casas mais legais que já visitei na vida. Seu pai, que infelizmente nos abandonou desde 2000, era um dos caras mais legais que já conheci, daquelas raras pessoas que você vê e que gostaria que fosse seu pai, um cara muito legal mesmo. Ele tinha idéias fantásticas acerca da vida e tudo que nos circunda, e prezava a diversão, coisas que admiro muito. De seriedade e chatice a vida já está cheia.

Mas enfim, a casa tem vários aspectos interessantes por ele bolados, que até hoje me surpreendem. A sala de música é uma delas: ele fez ali um reduto que é dos mais fantásticos que já vi. A sala realmente foi projetada para otimizar a audição de músicas, presumo eu que mais focado para a execução - indireta, evidentemente - de músicas clássicas. Reentrâncias e circunvoluções no teto parecem que fazem com que a música soe mais cheia, aparentemente. Não sei ao certo. Mas sempre foi um de meus locais preferidos naquela casa, pois além da excelente acústica, possui amplo espaço e uma mesa pesada e solidamente construída, mesa esta que fiz alguns de meus melhores desenhos quando lá estava a visitar. É um ambiente muito propício para a criatividade, aparentemente. Tem uma boa energia.

Ali existem várias coisinhas, pequenos objetos e miscelânias pelo pai de meu amigo colecionadas, esculpidas e/ou construídas que decoram o ambiente todo, dando uma energia especial para aquela sala. Eu sempre me sinto bem ali.

Mas neste final de semana eu descobri uma coisa que não julgava ser possível: descobri um local que consegue ser mais legal que aquela sala. Trata-se de mais uma peripécia de Eugênio Viotti, que eu até sabia da existência, mas apenas por fora, sem ter vivenciado a coisa até então.

Vivenciado? Pois sim. Trata-se de uma experiência que tem que ser vivida, não apenas observada. Explico melhor: a casa possui uma espécie de torre, uma construção bem elevada que abriga, entre caixas d'água e encanamentos diversos, um quarto, que desde que o casório de meu amigo foi esquematizado e a casa devidamente modificada para abrigar o casal, foi convertido em quarto de hóspedes.

É o quarto mais legal do mundo. Eu presumo que se eu vivenciasse a experiência de ali ficar em meados de 1990, eu teria endoidado. Se com a minha idade já mais avançada de 33 anos eu já empolguei até mandar parar com o quartinho, imagino a algazarra que eu teria feito com 12, 13 anos de idade. O quarto em si não é dos maiores, mas ali tamanho não importa em absoluto, apenas a idéia em si.

Pois bem: é um quarto que emula....o interior de uma embarcação, como o interior de um veleiro ou algo assim. Meu conhecimento náutico é rídiculo, ao contrário do idealizador da idéia, que aparentemente era apaixonado por barcos. Exitem duas clarabóias que ficam localizadas bem por cima da cama. Imagine dormir ali em uma noite de claro céu. Você olha para cima e vê, ao invés de uma inócua escuridão ou apenas um teto infeliz...o céu com suas tantas estrelas.

Não sei bem ao certo se a idéia do quarto foi idealizada desde a elaboração do projeto da casa, ou se aconteceu de última hora, como foi com meu sótão, que só foi cincebido quando a construção já estava adiantada, causando muita ira no arquiteto responsável. Digo isto porque existe um pequeno defeito no quarto, que é sua altura em si. Eu só consigo ficar em pé ali na região das clarabóias. Mas nem me importo com isto. É um quarto que parece um barco! Existe clarabóias no teto! Bem em cima da cama! É um sonho de menino que foi concretizado. Uma idéia maluca que se concretizou e que é das coisas mais legais jamais constuídas em uma casa. Deu ainda mais personalidade e caráter àquela casa, que tanto acho um retiro para mim. Um retiro espiritual para mim.

O quarto possui um banheiro que é unique por si também: trata-se de um pequeno banheiro, dotado apenas de uma pia e uma privada, que não dá para se usar em pé, devido à inclinação do telhado que ali faz com que o teto fique ainda mais baixo. Mas quem se importa com isso! É um dos banheiros mais legais do universo também, pois está no quarto mais legal do mundo. A porta, ou melhor dizendo, a portinhola que fechava-o não mais existe, por motivos indeterminados, mas presumo que seria como a outra que existe na parece oposta àquela: uma portinha dotada de uma daquelas janelas náuticas, típicas daquelas pequenas embarcações.

Em anos mais jovens e mais impúberes eu ficaria satisfeito em apenas existir ali sem ninguém mas nesta minha idade em que começo a ficar pesaroso por estar sempre sozinho, imagino que com a companhia de uma pessoa legal, que não se importe com detalhes irrelevantes como a impossibiladade de se ficar em pé ali, a coisa deve ficar ainda mais legal. Sim, sou barango: todo rômantico é um barango nato, e sendo eu o último deles, sou também o mais barango de todos. Fazer o quê, é a idade e o fardo de ser reencarnação de um destes ilustres....gostaria de não empregar tal palavra, mas creio que por mais tosco que possa ser, é verdade: um destes ilustres punheteiros de épocas remotas.

Ah, a tosquice. Ao menos sou um romântico que preza muito a tosqueira. Pelo menos isto.

Enfim, eu voltei de minha visita me sentindo muito bem, renovado interiormente, devido a esta experiência e o convívio com meus companheiros de tantos anos que residen naquele reduto intocável. Naquele local que até hoje me serve de recarga contra as agruras da vida. E espero ali retornar em breve.

É o quarto mais legal do mundo, pombas!

Bem, vejo que é hora de sair de meu reduto romantizado e tornar-me ao realismo sórdido da vida muderna, esta desconhecida. Adiante, adiante. Amanhã tem mais.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Succubus United.

Ando meio preocupado por estes dias. Estou chegando àquela famosa idade de ter que me preocupar com certas coisas, certos aspectos da vida que são inexoráveis, não importa o que você faça ou deixe de fazer, irá passar por tais coisas. Goste ou não.

Não, a coisa em questão não é necessariamente algo trágico como a visita da dita iniludível ao leito de morte. Minha aflição, por assim dizer, é mais branda porém por vezes terrível. Lembro-me uma vez, há uns dez anos atrás marromenos, estava sentado à mesa de domingo de um amigo meu. Haviam alguns caras mais velhos presentes, amigos do pai de meu amigo, que discutiam entre si fatos da vida, e eu escutava pois a conversa estava extremamente divertida.

Um deles comentou que recentemente haviam sofrido uma baixa no grupo, pois um companheiro havia tombado morto em alguma paragem qualquer. Os outros sacudiram as cabeças tristemente e um deles comentou que era assim mesmo. "Vocês nunca repararam como as conversas giram à medida que vgamos ficando velhos? Primeiro é só 'fulano tá pegando siclana', anos mais tarde, 'fulano casou com siclana', mais pra frente, 'fulano teve filhos', mais adiante, 'fulano separou de siclana', e finalmente, 'fulano morreu.'"

Eu me lembro nitidamente do quão verdadeiras aquelas palavras me soaram na época; eu deveria ter em torno de 22 anos, porraí, naquela ocasião. E as conversas só giravam em torno da primeira premissa, "fulano está pegando siclana". Hoje em dia, já tenho exemplares de "fulano teve filhos" nas conversas com alguns de meus amigos ditos mais, er, vividos.

Mas a grande maioria das conversas ainda gira em torno de "fulano casou com siclana". E isto me perturba.

Mas porquê, perguntarão alguns. Bem, porque me parece que ultimamente as succubus andam à solta. E isto me assusta e até me enfurece, de certa forma. Pois eu prezo meus amigos e fico muito triste de vê-los literalmente definhar às custas de algo tão....devastador, eu diria. Lembro-me na época da primeira faculdade, alguns companheiros, daqueles que sempre estavam presentes às festas, enchendo a cara, fazendo algazarra, comendo e bebendo e rindo e se divertindo.

De repente, alguns deles desapareceram, juntamente com os "rolos" arrumados em festas anteriores.

E foi a última vez que os vimos.

Tá certo, não foi nada assim tão trágico, mas afirmo que a mudança na índole de tais caras foi muito notável. E sinceramente, ao menos um deles foi, definitivamente, vítima de uma autêntica súcuba. O cara praticamente morreu. Não tinha mais energia para nada, só ia às aulas, evitava as festas, quase não mais conversava direito nem fazia brincadeiras.

Alguns irão me acusar de estar sendo meramente um crianção ou algo do gênero, pois "isto é um fato da vida!" Não. Não necessariamente, ao menos. Pois muitos outros casais se formaram ao longo do curso, sem que os envolvidos não se anulassem como pessoas que sempre foram nem desaparecessem. E afirmo que escrevo isto sem a intenção de ser misógino, por Mitra. Sei bem que as leitoras - caso existam de fato - irão se lembrar de algum fato parecido que aocnteceu às suas amigas. Eu já vi acontecer com homens e mulheres, mas ultimamente, isto tem acontecido com maior frequência entre os conhecidos do que entre as conhecidas.

Dia a dia estou vendo acontecer com um de meus melhores amigos, e tenho me espantado com isto, como a coisa deixa uma pessoa outrora tão...humana....se tornar um autômato. Alguém que não é aquela pessoa que você conheceu antes. Certo, concedo que um casamento muda uma pessoa, e concedo que certas mudanças são de fato necessárias. Mas, por tudo que é de fato sagrado, deixar de existir não é uma opção que considero saudável a ninguém. E estas pessoas estão deixando de existir.

Havia um amigo que morava perto de minha casa, que foi meu companheiro infalível por anos, antes de entrar na biologia. Tínhamos aqueles grandes planos adolescentes de seter uma banda, custamos a arrumar instrumentos decentes, fizemos um mini-estúdio no porão da casa dele, convidávamos amigos para fazermos jam sessions extremamente desafinadas - éramos muito ruins como músicos na época - e nos divertíamos à beça.

Fomos perdendo o contato. Coisas da vida, acontece muito. Certo. Mas nada me surpreendeu tanto quanto a informação por mim recebida de seu irmão em um encontro fortuito no busão. O cara havia casado. Não me convidou....não me disse nada, nem a mim nem a meus irmãos, que também eram amigos do cara. Manifestei meu protesto de indignação para seu irmão. Não que eu faça questão de comparecer a casamentos; em verdade eu execro tais cerimônias, mas mesmo assim, eu achei que o cara fosse um amigo, e que me tivesse em alguma consideração. Um mínimo ao menos.

Alguns dias depois este meu amigo me surge em minha casa. A sombra dele surgiu à minha casa. Tudo que havia nele que nos era comum, como a afinidade musical e a nerdice de se jogar videogames e quejandos - tudo, absolutamente tudo, havia desaparecido. Foi algo triste de se ver.

Como disse, sei que as pessoas mudam ao longo da vida, e acho muito bom que isto aconteça, mas não desta forma. Não creio que você deva se anular para ter que ficar junto de alguém. Isto para mim é uma auto-agressão, uma injúria a si mesmo. E já vi casos em que a pessoa que tanto se transformou com o intuito de se adequar à tal realidade, anos mais tarde, em dado momento da vida, simplesmente enlouquecer ao perceber o que fez com sua vida.

E dá errado, muito errado. É algo realmente aterrador quando acontece.

Este ano sei que haverá um casório à vista, envolvendo um companheiro que considero um irmão, por vezes mais irmão que meu próprio irmão. Creio que não terei que escrever nada a respeito de drenagens da força vital de meu amigo, pois levo fé que este casamento não irá tomar esta errônea direção, mas mesmo assim fico um pouco apreensivo. O pessimista, este deveria se chamar Buriol. Ou algo assim.

Mas vão por mim. Não se anulem. Não vale a pena e só dá merda. Não façam isto com a vida de vocês, por Mitra. E no final, acaba com a vida dos dois envolvidos no desastre.

Enfim, adiante. A vida não pára, mesmo diante de meus veementes protestos. E não se pode descer deste ônibus caso queiramos ver o que vem a seguir. E por mais doentio que por vezes isto posssa parecer, eu ainda quero ver o que está por vir.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Já pro banho!

Está uma dificuldade tomar banho lá em casa nesta semana. Desde domingo, algo indefinido aconteceu e impôs certas dificuldades técnicas para a realização desta necessidade higiênica de todos nós, ou pelo menos de todos nós que temos noção das coisas e dos odores provocados pela não-lavação das coisas.

Pois, domingo de noitinha, ia preparar-me para dormir, e como é de praxe, preparei antes um bom banho. Não sei quanto à maioria das pessoas, mas para mim, um banho é algo que prezo muito em meu dia, não apenas pela sensação de limpeza e alívio causado pela remoção dos sebos em geral, mas simplesmente por que...eu gosto de tomar banho, especialmente se a temperatura da água estiver agradável o suficiente. Banho frio nunca. Jamais. Não consigo entrar e ficar nem dois segundos debaixo dum chuveiro frio. Mas quando a temperatura da água é certa, eu me demoro um tanto a mais do que deveria debaixo daquela chuva quente - a única por este ser apreciada. Alivia muito a tensão do dia a dia, de facto. Deveras. Enfim.

Bem sei que muitos ecochatos irão apedrejar verbalmente esta fraude de biólogo, que cursou todas aquelas disciplinas de ecologia e "desperdiça" água desta forma. Mau biólogo, mau biólogo. Bem sei disso, e poderia ficar aqui defendendo meui nefasto hábito hediondo de banhar-me mais demoradamente, mas não irei o fazer. Se teve uma coisa que aprendi naquele curso é que odeio ecochatos e não lhes dou atenção.

Bem, acontece que no domingo eu inocentemente abri a torneira da água quente, e deixei que a coisa esquentasse - sim, existe um exemplar de aquecedor solar em minha casa, e sim, ele funciona e é dubão, mas temos sempre que esperar um tanto ate que a água fique boa. Ecochatos, regozijei-vos com a economia de eletricidade, ao menos. Pois, eu entrei no box antes que a água esquentasse em sua plenitude e comecei a me lavar. Em breve a água se tornou insuportavelmente quente, e então vi que deveria "temperar" a coisa com água fria para que ficasse tudo no jeito.

Acontece que, quando fui torcer a torneira de água fria, levei um choque que me deixou desnorteado. Não um choque térmico, feito se a torneira estivesse gelada ou algo assim, mas de fato havia uma corrente elétrica indefinida e inexplicável passando por ali. O choque foi digno de se enfiar os dedos numa tomada: 110 volts, 60 hertz. Fiquei alguns minutos achando que era viagem minha, mas assim que encostei a mão novamente na coisa, bem no estilo Bart Simpson sendo testado por sua irmã para o projeto de ciências, eu tomei outra descarga. Pondo meus escassos conhecimentos de física quase tísica que ainda possuo, estendi meu braço para fora do box e apanhei uma toalha, para isolar minha mão da ultrajante e indevida corrente. Com custo, consegui regular a temperatura da água escaldante e terminar meu banho, não sem antes tomar mais um choque, uma vez que a toalha se umedeceu na torneira molhada e fechou o pequeno circuito entre mim, o chão e a torneira eletrificada. Ai! E enquanto me secava, estendi o braço para secar debaixo dele e encostei a mão no cano do chuveiro. Ai, de novo!

Engraçado é que nem chuveiro elétrico eu tenho ali. O que existe na ponta daquele cano é um chuveiro queimado que nem está ligado à rede elétrica, que aliás nem existe ali. Os eletricistas que fizeram aquela parte da casa aparentemente se esqueceram de ligar uma fiação adequada a um chuveiro ali. Algo desnecessário, penso eu. Se existe um ponto de energia reservado a um chuveiro ali, nada mais lógico que NÃO ligar uma fiação adequada para um chuveiro num local onde haverá um chuveiro um dia, pois não. A lógica destes sujeitos me surpreende, por vezes.

Mas enfim, desde então tenho tido que tomar banho de chinelos e ainda assim a coisa dá choque. Tenho que usar uma dupla dinâmica para controlar a água - uma toalha para secar as mãos e a torneira e um pano seco para torcer a dita. E até hoje não sei o que foi que aconteceu, muito menos como irei fazer para resolver tal coisa. Ontem descobri que minha mãe e minha irmã foram vítimas de seus chuveiros também, logo existe um problema indefinido qualquer na casa inteira, e não somente no meu hospício, digo, sótão. Terei que chamar um eletricista, aparentemente.

Engraçado, que este episódio novamente me transportou para aquela viagem à Prado na Bahia, em 1985, e em tantas outras localidades praieiras que costumam ter este tipo de problema, não sei bem por que. Já fiquei em pelo menos uns três locais como estes, beira-mar e dotados de chuveiros chocantes. Para se tomar banho ali, tínhamos sempre que trajar chinelos e meu pai na época chegou a improvisar umas tiras de borracha por cima das torneiras, que resolvia o problema parcialmente, pois uma vez encharcadas pelos respingos do banho em si, se tornavam novamente condutoras. Era sempre uma aventura tomar um banho ali, e era mais engraçado ainda escutar as mulheres do clã gritando devido às fagulhas de eletricidade que dali saíam.

E agora, tenho que ver o que faço com isso, pois eu suponho que um acontecimento deste não deva passar batido. Algo de indevido aconteceu, para estarmos todos tomando choques em nossos banheiros. Não tenho a menor idéia do que possa ter sido, entretanto, e reluto em chamar um eletricista por sempre desconfiar destes caras, que tanto exploram nossa ignorância a seu favor. Verei se eu mesmo acho algum impropério nas instalações elétricas antes de chamar um cara desses. Nao sei bem se um choque desses possa vir a ser algo fatal, como aqueles exemplos que tanto escutamos quando crianças, de que a pessoa "gruda" na fonte de eletricidade e lá fica fritando até a mais última e definitiva morte morrida. Uma experiência eletrizante! E a última também.

Enquanto isso, devo eu retornar ao estudo das redes, não as de dormir mas as de computadores. Ah, os pesares de se ter uma "promoção" à vista: tenho eu que aprender muitas coisas que ainda não sei nem se conseguirei aprender. Veremos.

Enquanto isso, recomendo a todos que tomem banho. Sem choques, entretanto. Faz bem.

E vamos nessa que o tempo ruge.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dulcíssimos doces.

Ontem foi-me um dia inicialmente estranho, que começou com um mau presságio, como se uma onda de chatices fosse tomar conta da totalidade do dia e tornar minha rotina de trabalho um inferno. Confesso que cedi para o mau-humor e comecei a crer que seria mais um daqueles dias infernais. Não sei bem em que momento resolvi debelar tal sensação, mas sei que certa forma funcionou, pois a partir do meio dia em diante as coisas melhoraram bastante. Aquela chuvinha mole e chata se foi, e a atmosfera reinante no trampo ficou mais leve.

Resolvi também, de última hora, comparecer num festival de música que irá acontecer no final de semana, com bandas que mal conheço, mas mesmo assim, estou disposto a ir mais em aglomerações como esta, pois sempre é bom ir num showzinho de rock, nem que seja para se reunir com os amigos e ficar lá xingando a banda. Eheheheh. Mas creio que não será bem o caso, pois uma das bandas que irá tocar neste semana-fim é das melhores que já escutei em terras nacionais brasileiras de nosso país e de nossa gente, redundantemente ou não.

Ao término do expediente, combinei com um de meus companheiros do rock de encontrarmo-nos para que eu fosse comprar os ingressos, eis que também financiei a ida de minha irmã ao evento. O engraçado é que lá nós fomos, batendo perna naquele labirinto chamado centro, com tanta e tanta gente, que teima em atravancar o caminho de um cidadão normal, isto é, não-lerdo. Andamos e andamos desviando de todas aquelas gentes bizarras que por ali se encontravam, e compramos a dupla de ingressos. A primeira etapa da missão foi cumprida. Agora é esperar até amanhã às 20h e verificar como vai ser a coisa em si.

Mas o engraçado, o fato que serviu de sustentáculo principal para que eu elaborasse agora o que estou a escrever neste exacto instante, foi o que aconteceu depois, e que agiu em conformidade com o restante da semana, ao menos em termos de transporte mental ao passado. Explico melhor: quando saímos da galeria da praça 7, meu companheiro se lembrou de passar em uma lojinha ali perto, estabelecimento este que nem sabíamos se estaria aberto. Enfrentamos por mais alguns minutos, algumas passadas, a turba errante que ali se concentra todos os dias e para a tal loja nos dirigimos.

Lá chegando, o júbilo tomou conta. Estava ainda aberta. E ainda existia do jeitinho que eu me lembrava. Sim, ali já havia estado antes, e há muito havia me esquecido daquele local, sendo transportado de volta para eras passadas apenas contemplando o estoque farto da lojinha.

Trata-se de uma daquelas lojinhas famosas do centro, onde se vende muito, mas muito...açúcar em sua forma mais tentadora. Doces. Balas. Chocolates.

Faziam ANOS que eu não entrava em uma loja como aquela, e confesso que gastei mais do que gostaria de gastar, mas fui transportado pelo entusiasmo do momento. Eu sempre fui muito fã de todas estas bobaginhas tão doces, tão saborosas, tão criminosas. Colorídissimas balas, sacos e sacos de mastigáveis cariáveis. Pirulitos, chocolates, toda aquela dulcíssima combinação de sabores azedos e doces, com cores "a la neon" por módicos preços. A mão coçou, a carteira se abriu e o dinheiro de lá saiu para pagar a baciada de balas e chocolates que dali levei. É fantástico. As balas são muito mais baratas do que aquelas compradas em qualquer outro local, e ainda por cima pode-se fazer um "pupurri"(sei lá como se escreve isso) de diversos tipos delas, pelo mesmo preço.

Eu, que sou um ex-gordo, conheci de perto o vício por tais coisas. Na época do colégio, eu juntava meu miserável dinheirinho e baixava em uma loja similar nas imediações de minha escola, e torrava tudo em drops, balas e quejandos. E passava a tarde inteira mastigando tudo aquilo, provavelmente sentado diante de um computador ou de um videogame. Não era de se estranahr que eu tinha aproximadamente de 20 a 25 quilos a mais de banhas espalhadas pelo corpo. Nerd, sedentário(estas palavras são quase sinônimos, creio eu) e com muito açúcar colorido nas mãos. O que mais pode dar errado?

Mas era muito bom, ficar ali se entretendo com alguma espécie de jogo eletrônico - o que mais poderia ser? - enquanto ficava ruminando incessantemente tanto açúcar colorido. Lembro-me de um final de semana que comprei um saco de 1 kg daquela famosa bala Soft - mais dura que uma pedra, apesar do nome - e ter ficado todo o final de semana jogando Ultima 7 e me "alimentando" do contúdo do saco. No término do final de sumana, o saco NÃO estava vazio, mas quase. Eis que sempre restam as balas de mau sabor, como menta, decorando o cadáver do recipiente. Inclusive um de meus amigos, sempre joselito, tinha um uso especial para tais inúteis confeitos, servindo de munição para se atirar em inocentes transeuntes à rua defronte à casa de outro amigo seu. Ri muito deste caso.

Ontem eu dormi até mais tarde porque tive que fazer o "test-drive" dos produtos ali adquiridos. Foram aprovados com louvor, e mesmo me assustaram, pois eu sentei-me defronte ao computador, e não resisti. Pus para rodar minha cópia ilegal do jogo Fallout 3, e me pus a jogar um tiquinho, enquanto saboreava o saco daquelas quase luminosas e radioativas balas de goma ultra-ácidas em forma de minhocas.

Eu não conseguia parar de comer as desgraçadas coisas. São muito, mas muito ácidas de fato, do jeito que eu gosto. Tive que me conter lá para a meia noite, pois ainda precisava dormir. Eu juro que misturam alguma espécie de crack naquela josta. Mas felizmente aquele ácido crack tem um efeito colateral que me impediu de continuar a glutonice: eu cortei minha boca toda, enchi de aftas a língua e a gengiva, e estas se levantaram quase de imediato, causando aquela excelente sensação ao se escovar os dentes e relar a escova nas raízes expostas dos dentes. Só quem já experimentou tal coisa sabe o quanto que é bããããooo. Sabe-se lá porque isto comigo acontece; presumo que seja um mecanismo de defesa contra a joselitice do controlador do corpo em questão.

"Pare de comer essa porra, miserável!"
"Pô! Tá tão gostoso! Só mais uma pontinha, digo, mais uma balinha! Deixa, deixa!"
"Vai doer na hora de escovar os dentes seu troncho!"
"Mas tá tão gostoso! Só mais uma . Ou sete."
"....Tá bom, vai lá."

De qualquer forma, lá estão a me esperar, todas aquelas coisas criminosas. O final de semana promete, creio eu. Ainda bem que não sou mais o gordo dantes, que conseguia dar cabo em tal quantidade imensa de doces químicos em questão de horas. Hoje em dia eu tenho que pensar não somente na aflição das gengivas levantadas, mas também nas cáries que possam vir a surgir de tal orgia açucarada. Creio que o inferno deve ter uma cadeira de dentista: não existe cadeira mais desconfortável e causadora de imediato tensionamento de TODOS os músculos de meu corpo.

Vamos ver. Amanhã tem rock, hoje tem doce. E guitarras e baixos e computadores e...

É, a vida de um nerd é quase sempre a mesma, eheheheh. Mas tá bão também.

E que venha o final de semana afinal. Segunda tem mais...Inté.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Teletransporte? Musitransporte.

Cá estou, em plena viagem para Prado, na Bahia, em 1985.

Não, não se trata de mais um devaneio sem sentido de minha parte. Certo, isto acontece todos os dias, mas não é disso que estou a falar, não hoje ao menos. É que hoje acabo de chegar aqui e fui subitamente transportado para a data em ocasião, uma vez que meu chefe de setor cá estava a escutar rádio via internet, mais uma destas maravilhas do universo moderno todo interligado por esta imensa rede. E na audição da rádio em questão, eis que surge uma música que ouvi em demasia na ocasião - a saber, Dire Straits com "So Far Away" - época em que alugamos uma casa nesta cidade e para lá fomos, em julho de 1985. Viagem frustrada, com muita chuva.

Mas divago. O que por vezes me surpreende é como eu faço certas associações mentais com músicas: existem certos momentos de minha vida que estão firmemente relacionados, - no ponto de vista da memória, ao menos - com a melodia sendo tocada na ocasião. Assim, quando escuto "Você Não Soube me Amar", da Blitz nacional, sou transportado para 1982, viagem à Cabo Frio, Rio das Ostras e imediações. Ali ouvi esta música até mandar parar. Na viagem de Prado outra música que imperou foi a versão de Joe Cocker de "Unchain my Heart", que sempre que escuto me faz viajar de volta para aqueles remotos dias.

Mas nem sempre as músicas trazem boas memórias, como se era de esperar. Por vezes, situações chatas também ficam para sempre associadas a certas músicas que estavam rolando na ocasião. Existe uma música que musicou (que frase horrível) certo espetáculo de teatro do Grupo Galpão, não sei bem nem o nome da peça muito menos da música em si, mas que sempre que escuto, sinto-me mal. Pois foi ela que me embalou durante certa noite de 2004, dia em que havia decidido terminar com um certo rolo da época, e foi muito chato. Sempre evito de escutar esta música. Felizmente, gravações do Grupo Galpão não fazem parte de minhas preferidas musicalidades. Existe uma banda - Dramarama - que gosto bastante, mas que possui uma música que até hoje me causa calafrios quando com ela me deparo no shuffle de meu iPod. Tal canção marcou uma noite horrenda, em que atuei como "agente preparatório para a pegação alheia", ou como diria um ausente amigo meu da época da biologia, fui o "vinagrão" - preparei a salada para que outros dela comessem. E foi uma de minhas piores visões da vida, você ver todo aquele seu "esforço" ir por água abaixo...

Por este motivo, existem certas músicas que fujo mais que tudo, que realmente me causam pavor, especialmente se estiverem associadas com maus momentos, maus hábitos, maus dias...Por mais que elas possam ser ótimas músicas, eu tenho que as evitar. E por vezes, isto pode significar a ruína de certas audições.

Existem outras sensações externas que igualmente nos transportam para certos redutos de nossa memória, como um passe de mágica, e acho que todos têm estas associações mentais encerradas dentro das cacholas, ao menos assim creio eu. Aquele cheiro daquele prato naquele almoço naquele dia, a visão de certo objeto inusitado, quer seja ele um carro, uma casa, uma paisagem familiar...não importa: você recebe o estímulo sensorial e todas aquelas conexões mentais, todas aquelas sinapses, toda aquela noradrenalina, acetilcolina e seja lá mais o que for entra em ação e ativa aquela zona da memória há tanto enterrada.

E dependendo de quem esta associação afeta, isto pode gerar uma sessão de nostalgia mental que pode perdurar por horas e até mesmo dias, em especial se o princiapal envolvido for uma pessoa com minha índole introspectiva. E viagens erradas existem e abundam.

Mas, enquanto existem tais desvantagens, por vezes escuto de propósito certas músicas, pois sei que elas irão me transportar para momentos legais. Aquele final de tarde em Itacaré. Aquela viagem de campo muito boa na biologia. Aquele final de semana em que finalmente subi num palco pela primeira vez, munido de guitarra e vergonha, mas que no final foi muito mas muito legal.

É bom ter estas referências. Relembrar é viver, enfim. Ou algo assim.

E agora, eis que a música que devo escutar é o lamento estridente da impressora matricial a despejar folhas e mais folhas de estranhos números, mas que tão importantes são para a sobrevivência deste império dos sentidos...sem sentido.

Assim, assado. Até a vista.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

De sobre Pessoas e cursos.

Putz. Tem dias que parece que a gente precisa de pegar no tranco, de fato. Cheguei aqui e fazem uns seis minutos que estou prostrado na cadeira, esperando o computador ligar, esperando o café chegar. Este é meu tranco, o cafééééééééééééé........Que ainda não chegou. Enfim, o tempo ruge, a DIRF deve ser digitada - cruel destino saber quanto todos na empresa ganham, e quantos ganham mais que você - e a "crônica" deve ser inventada. Senão vejamos.

Bem, dizia eu a respeito da época remota do final dos anos 90 e início dos....er, como se chama essa budega que passou? A década de zero? Enfim, de 1997 a 2002 eu cursei a tal da biologia, e conforme muitos já sabem, deu meio ou tudo errado - o fato de um biológo estar trabalhando com contabilidade indica que algo deu errado, não acham?

Mas, me lembro de um dia, acho que no penúltimo semestre do curso, eu voltava para casa em companhia de outro colega, - este muito memorável, por sinal - Leandro Malvadeza, como era apelidado, para que fizéssemos um trabalho qualquer do maravilhoso reino da FAE de conta. Encontramos no busão um tio meu, que reside na rua acima à minha. Como é de praxe, eu e Leandro reclamávamos da porra da faculdade, que era uma bosta, que esse trabalho não servia para nada e que estávamos mesmo doidos para que tudo aquilo acabasse. Ah, o tal trabalho que iríamos fazer em minha casa era a tal da monografia(em dupla) para encerramento das aulas na FAE de conta.

Meu tio, que por vezes tem seus repentes de sábio da montanha, riu e disse, "vocês irão sentir falta disso quando acabar, vocês verão."

Não levou muito tempo para que eu verificasse a veracidade desta afirmação. Mesmo enquanto escrevo estas maltraçadas, sinto saudade daquele tempo. Se teve uma coisa que eu realmente sinto falta daquela época é do convívio com toda aquela galera que esteve comigo no curso. Bem, não toda, evidentemente, pois malas existem em todas as partes do universo, mas as pessoas bacanas com quem convivi durante aquele curso, bem...elas fazem falta de fato.

Foi muito estranho para mim, este tímido incorrigível que sou, adentrar em um universo como a faculdade. Eu havia cursado boa parte de minha vida escolar em uma hedionda escola privada daqui de BH, a saber, o Colégio Nazista Dão Silvério. E até então tudo que eu conhecia a respeito de convívio em escola era que eu deveria tolerar os idiotas filhinhos de papai que lá existiam, de prefêrencia calado. Eu sempre me dava mal ali - era discriminado por não andar com "roupa de marca", era alvo fácil de zoações, dado minha natureza facilmente irritável na época, era um gordo branquelo e cabeludo, com óculos de fundo de garrafa, enfim.

Daquele convívio forçado com aquele tipo de gente eu só carreguei más lembranças, e quase cheguei a acreditar que toda a culpa de ser alvo daquela gente era porque de fato eu devia ser um cara muito estranho, muito feio, muito idiota, sei lá. Das pessoas que convivi ali, somente uma delas até hoje tenho contato e chamo de amigo, e um excelente amigo, por sinal. Dos melhores que já tive na vida. O resto, bem...

Estava bem apreensivo quando entrei na faculdade. Tímido do jeito que sou, estava literalmente num mato sem cachorro, "eu não conheço ninguém!" Mas, tive uma excelente surpresa ali. Não estava fadado a ser sempre o estranho, sempre o discriminado da turma. Haviam pessoas legais ali, e mesmo muitas. Me enturmei logo de cara, coisa que na época me deixou meio que perplexo. Não era mais o alvo, o estranho, o esquisito. Eu era mais um dos estranhos, mais um esquisito. Era simplesmente mais um. E todas as pessoas são esquisitas, de uma forma ou de outra. Não tive nenhuma saudade do pessoal do colégio.

Na faculdade, eu me embasbaquei com o tanto que me diverti com a turma, com o tanto que gostava de ir para as aulas lá na casa do caralho que é aquele campus, porque sabia que iria me divertir. Encontrar a galera! Rir a não mais poder!

Foram as pessoas que ali encontrei que me fizeram ficar no curso até o final. Foi o convívio com toda aquela gente que me fez segurar a onda de não mandar tudo às favas. Eu não tive uma boa expêriencia no curso no aspecto profissional em si, confomre dito e visto, mas....De fato, sinto falta daquele convívio, daquela vivência.

Até hoje me pergunto o que houve de errado no colégio, se eram eles mesmo ou se havia algo em mim que precisava ser mudado. Lembro-me que só consegui achar uma certa paz no final do segundo grau. Antes, eu só vivenciava o inferno diário ali. Ao passo que na faculdade, o que me frustrava, o que me irritava, era o curso em si, e não as pessoas com quem tinha que conviver ali.

Até hoje me pergunto se aquelas pessoas daquele colégio eram todas estranhas. Porque fora dali eu só encontrei gente mais normal. Gente que não ficava esperando você abrir a boca para imediatamente te encher o saco. Não sei o que é feito da maioria daquelas pessoas, pois quase nunca mais vi nenhuma delas. Mas, eu gostaria de saber, por vezes.

Em mais de dez anos de aulas quase diárias, eu só conservei UM amigo. Uma pessoa no meio de, sei lá, quase quatro mil? Não me parece ser uma boa estatística. E da faculdade, eu tenho contato com várias pessoas ainda, e as considero amigos.

Essas pessoas do colégio, se eram de fato tão insuportáveis, o que fazem hoje? Como convivem com outras pessoas?

Indagações que permanecerão sem resposta, creio eu. Mas enfim, dane-se também. É sexta, e hoje mesmo talvez eu vá ter com amigos da faculdade em uma possível confraternização. Não quero pensar naqueles que não são e nem nunca serão parte de minha vida, não mais.

Que venha o final de semana. Que todos encontrem seus amigos e se divirtam.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cadave.

Quando o assunto não-lamurioso nosso(meu) de cada dia se torna em demasia resmungão, é hora de escarafunchar "as memória" da gente em busca de causos menos chatos e mais interessantes, não é verdade? Bem, vou aproveitar aqui o gancho mental instigado pela conversa de pé de mesa ali da copa desta repartição não-pública porém púbica.

Me lembraram de épocas remotas, em que este ser que escreve ainda estava cursando a afamada biologia, no passado ano de 1997. Eu tinha acabado de entrar no maravilhoso mundo novo da primeira faculdade, onde tudo é novo e belo, e as expectativas e perspectivas são muitas. Lógico, eu era apenas um calouro: o lado negro eu iria descobrir no decorrer dos acontecimentos.

Mas enfim. A grade curricular do curso na época abrangia logo de cara, no primeiro período, aulas de Anatomia Humana Básica. Sempre houve muito burburinhos sobre tal disciplina, histórias do arco da velha, por assim dizer. Diziam que os cadáveres estavam ali há mais de trinta anos, que era a coisa mais nojenta do universo, e por aí vai.

A príncipio, tudo que me lembro é de ter ficado apreensivo de ter que lidar com gente morta. Não é uma coisa legal, mesmo. Mas não foi tão terrível assim. Primeiramente, tivemos aulas sobre esqueleto, e todos nós já havíamos visto um esqueleto inteiro montado, nada de novo, tudo na boa. Depois, foram aulas de junturas, ligamentos e quejandos; foi a primeira aula que tivemos com cadáveres de fato.

E foi estranho, muito estranho. Já havia ouvido falar do Hulk, apelido que deram para um dos cádaveres que está lá há tantos anos, e realmente foi uma visão que surpreendeu, e muito. Por mais que se ponha formol, um cadáver fica com estranha aparência depois de anos de morte. Fica cinza, e cheira muito estranho. As peças anatômicas - pedaços de corpos - em geral apresentam aspecto ainda mais deplorável que os cadáveres "inteiros".

Me lembro que nessa primeira aula eu não toquei nas peças, não as estudei de perto, de tão enojado que fiquei. Uma colega, ficou prostrada num canto e saiu mais cedo da aula, para desdém da professora. Ironicamente, alguns meses mais tarde esta mesma aluna veio a ser a monitora da disciplina, e começou a agir feito a mestra, que não usava nem luvas para manusear as peças. Blargh, por assim dizer.

A aula seguinte foi de sistema nervoso central. Cérebro. Mioooooloooooo....E eu, trajando jaleco e usando luvas, resolvi mandar às favas o nojo inicial e encher a mão de hemisférios cerebrais. Tudo que posso dizer é que são coisas frias e com tato estranho às mãos. E fedem formol, bastante. Fora isso, era como se estivesse lidando com qualquer coisa de laboratório. Creio que com meus colegas a coisa se passou de maneira semelhante. A primeira aula é traumática, mas passado esse choque inicial, fica de boa.

Mas tenho que dizer que as peças são muito estranhas, e se você parar para pensar, você sabe que a coisa é nojentona mesmo. Não obstante isso, é o que temos para realizar os estudos pertinentes À anatomia do "cerumano". E é estranho pensar que tudo aquilo que se encontra imerso em quantidades homéricas de pormol quando não estão expostos nas aulas, tudo aquilo - já foi parte de uma pessoa, que esteve andando por aí. Bizarro, de fato. A professora detestava "falta de respeito com os cadáveres", e entendo isto. Era uma pessoa, que viveu e morreu e agora serve para modelo de ensino em uma faculdade pública.

Ainda assim, houveram muitos momentos hilários em tais aulas. Lembro-me que havia uma hemi-cabeça (isto mesmo, uma cabeça serrada ao meio) que tinha um semblante que parecia que estava sempre a rir. Um de meus colegas quase desmanchou de rir quando viu aquilo, e a coisa contaminou a galera. "Risadinha" foi carinhosamente alcunhado nos pergaminhos sagrados dos estudantes de biologia daquele ano.

Agora, nada foi mais tosco que as aulas de sistema reprodutor. Vou deixar em aberto muitos dos detalhes acerca disso - já me basta ter que conviver com a memória de tais coisas. Se alguém for doentio o suficiente para ficar curioso, basta usar a imaginação. Evidentemente, houveram momentos de grande riso: assim que entramos na aula de sistema reprodutor masculino(argh), o mesmo colega que havia se desmanchado com Risadinha me abre um dos baldes de formol que haviam em cima das bancadas e me solta a seguinte pérola: "Puta merda! Aqui só tem uma sopa de piroca!" Nhé. E as peças anatômicas eram às vezes espetadas com alfinetes de cores diferenciadas, para melhor visualização de pertes específicas.

Acho que todos os homens se contorceram ao ver os tais alfinetes espetados na....no....Er, melhor deixar pra lá. Só a lembrança disso já me traz calafrios. E a aula do outro sistema reprodutor é igualmente ou ainda mais enervante. Novamente, se quiserem, usem a imaginação para visualizar as "perseguidas" mortas ali expostas, em hemi-pelves(isso mesmo) ou em cadáveres femininos inteiros. Pense nisso.

Acho melhor não.

Enfim, foram aulas muito marcantes para mim, e representaram bons momentos no curso, uma vez que foi uma das raras disciplinas não ministradas por picaretas - a professoara Karen é excelente, das melhores que tive no curso. E a disciplina era dotada de muita hilariedade também fora da parte prática. Quase me esqueci disso: a parte teórica era ministrada numa sala à parte, onde víamos a teoria ser exposta em arcaicos slides, daqueles de projetar na parete mesmo, sendo narradas na voz de um antigo conhecedor da matéria, de nome Jota D'Angelo. As fitas K7 que narravam as aulas eram salpicadas de comentários safados e sarcásticos deste cara. Todos nós rimos a valer quando ele falava do sistema reprodutor feminino, "para melhor visualização, exibimos aqui um auteêntico exemplar mais conservado de---" Aqui a Karen cortava a fita e não qause não deixava o último slide de uma mulher sexy (dos anos 70) aparecer na projeção. Eheheheh.

Enfim, sinto até saudade daquele tempo, afinal. O começo de qualquer faculdade é muito bom, ainda mais para um cara como eu...mas isto é coisa que irei explorar no pinçamento de amanhã, uma vez que o tempo passa aqui e tenho muita DIRF a digitar, muitos números a conferir e chatices do gênero. Devia ter ficado nas aulas de anatomia, mesmo. Blah.

Até amanhã então.




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nas ôndias.

Naquela noite, estava mais cansado que o normal, mas era um bom cansaço. Uma canseira típica de se ter ralado muito no dia anterior, muito mesmo. Mas a minha epopéia era muito menos digna, por assim dizer, de romances marxistas ou tratados trabalhistas; não estava eu ali a movimentar minha carcaça pelo proletariado ou nada do gênero.

Em verdade, estava eu ali contrariando muitas das regras tradicionais do bom estudante. O ano era 1998, e pela primeira vez em muitos anos, eu estava vendo novamente o mar diante de meus olhos, coisa que como costumam dizer, tem um certo poder sobre os homens. Mexe com algum rodel interno, faz-nos refletir, põe a cabeça em movimento, vai e volta, bem como as ondas na costa. E naquele ano, eu conheci o verdadeiro paraíso terrestre, localizado na Bahia, com pouso tranquilo entre morros e mata Atlântica, essa até então desconhecida.

Mas eu me sentia como se estivesse vendo o mar pela primeira vez. Nunca, nunca antes havia visto uma água tão límpida, uma praia tão bonita, um conjunto inteiro de perfeição a perder de vista. A varanda da casa não ficava nem a vinte passos do encontro das águas do rio Jeribucaçu com o Oceano Atlântico. E o melhor elemento....não havia ninguém por perto. Ninguém. A não ser nós, os reis da praia.

É fácil ser realeza quando se tem uma população que compreende você e seus amigos.

Naquele ano, a UFMG nos agraciou com uma greve que perdurou seis meses, e antes mesmo do término da paralisação, eu já estava enamorado com aquelas terras, com aquele mar, com aquela praia. Na ocasião do feriado de Primeiro de Maio, eu já havia estado ali. E soube que minha definição de beleza terrestre para sempre havia mudado.

Quando a josta da greve estava para acabar, foi-me oferecida mais uma estadia no paraíso, desta vez por três semanas initerruptas. Imediatamente, soube que seria uma daquelas famosas oportuinidades únicas que a vida nos oferece. Hmmmm....ir para lá ou voltar para a faculdade? Aprender a se adequar devido ao bel-prazer de alguns professores ou aprender a surfar?

"Onde assino para trancar o semestre?"

Quando em Itacaré cheguei, soube que não havia cometido um deslize grave. Soube inclusive, meses mais tarde, que foi uma das decisões mais certas que já tomei na vida. Então, me esbaldei ao visualizar mais uma vez aquela varanda e sua visão do oceano. Ali tudo é mais, tudo é mais certo, mais bonito. Mas não somente de belas vistas fui agraciado naquela viagem.

Conforme sugerido antes, estava meu anfitrião empenhado em tentar ensinar a todos seus amigos mais próximos, a "arte" de surfar. Eu, com meus quase oito graus de miopia, minha fama por detestar todos os esportes e minha forma física um tanto patética, não levava muita fé na coisa, mas me esforçava em tentar aprender algo.

De fato, aprendi muito naquele mês. Eu descobri que mesmo sendo atrapalhado e menos capacitado que muitas pessoas, eu estava fazendo coisas que nunca supus ser possível para um nerd autêntico como eu fazer. Havia aprendido a apanhar as ditas "espumas" na arrebentação e ficar de pé na prancha enquanto a semi-onda, por assim dizer, te carregava. Para mim, já era um feito extraordinário.

Mas o Gengiva queria mais. Queria me ver no fundão com a galera, passar a arrebentação e ficar lá, escolhendo sua onda. O mar de Julho sempre foi mais revolto, e haviam ondas bem grandes para um mineiro branquelo que se foi meter a surfista. A primeira vez que se passa a linha das ondas, é algo meio que assustador. Você sabe que está numa aréa extremamente funda, e com correntezas. E as ondas são muito maiores de perto do que lá de fora.

E eu caía e caía, tomando altas "vacas", tomando vários goles da água salgada. Como é de praxe de um Buriol como eu, eu não sabia lidar com tal frustração, ficando cada vez mais puto e atrapalhando-me deveras.

E como a coisa cansa. Cansa, muito mesmo. Seus braços parecem que vão cair, no final de um dia daqueles. As férias chegavam ao fim e eu ainda não tinha tido jeito de conseguir apanhar uma onda de verdade, mas todos os dias eu lá estava.

Um final de tarde, quando o sol já estava se abaixando no horizonte, lá estávamos nós em mais uma "bateria" onde eu só tomava tombos. A coisa que eu sabia que estava errando era a avaliação de "ondas em potencial" que vinham se formando. Com minha miopia de Mr. Magoo, eu ficava lá naquela dúvida, "é ou não é uma onda?" e perdia muitas. Ou tomava aqueles imensos caixotes na cabeça.

Um dado momento, eu vi algo que parecia ser uma onda, e me pus a remar para tentar mais uma vez...E a coisa crescia de tamanho e me puxava, e eu, cansado pra caramba, batia os braços feito um desorientado. De repente, numa fração de segundo, senti a prancha se posicionar com o bico na direção da praia, e a onda estava me carregando. E este milésimo de segundo me fez saltar na prancha, fazendo aquele movimento que meses antes Gengiva tinha me ensinado e que as espumas tinham de mim cobrado o aprendizado.

Deu certo, sabe-se lá como. De repente, eu estava de pé descendo uma onda que devia ser rídicula em altura, mas para um cara como eu...foi como se estivesse descendo uma tsunami.

Acho que poucas sensações se equiparam àquilo.

E eu gritava a plenos pulmões, tamanho foi meu entusiasmo. Poucas ditas "realizações" em minha vida causaram-me tamanha alegria. Mesmo sem estar enxergando nada direito, eu via aquela espuma límpida sendo rasgada pela prancha, e sentia na cara um vento bom. Tudo era bom, tudo estava em ordem. Quando na praia cheguei, fui muito congratulado pelos meus confrades, e voltamos imediatamente para o fundo. Apesar do dia estar já quase morto, ainda consegui apanhar mais umas duas ondas, sem nem saber como eu estava fazendo aquilo. Como diriam sábios do cancioneiro popular da Austrália,

"Don't listen too hard to the beating of your wings,
Or you might fall.
You only do what you do because a part of you believes
that you're here at all."

Certo, certo. Eu sei que foi uma das melhores coisas que já fiz na vida, ter atendido ao chamado da irresponsabilidade naquele ano de 1998. Fez-me muito bem, ter esta noção que nem sempre somos tão fracassados como a lógica dita. Nem sempre. Às vezes surpresas podem acontecer, mesmo com realizações ditas tão impalpáveis para aqueles que nunca as vivenciaram.

Eu senti tudo aquilo. E me fez muito bem.