terça-feira, 9 de março de 2010

Açafrão.

O café. Parto em busca do café, pois somente ele pode me entender nesta abjeta manhã, em que as gentes se reunem em apertadas cozinhas, sentam-se à mesa para comer com os olhos a televisão, o mundinho que tudo acontece, em que tudo acontece, com toda sua corja de sorridentes mentirosos, pagos para atuar e bem representar, se manifestar em televisivas ondas, que correm pelos ares, para outros lares, para todos os bares, para todos, para todos.

Contudo e com todos, eu me deparo com esta cena, em que as gentes se acotovelam à mesa, para falar e falar e falar, e apenas os outros ficam a esperar, a sua vez de falar e falar, de tudo e de todos, mas de nada. Nada por nada, noves fora, zero. E assim como as coisa são, eu também o sou, daqui de minha nova sala, de minha nova ocupação, de minha nova preocupação. Andei sem andar, subi sem subi, nem sei se mereci, por isto e por aquilo, e por deixar de ser, deixar de cre, deixar de fazer, cá estou, sempre a me perguntar, o que foi, o que fora, o que poderia ser.

Dizem que faz parte, desta arte que é viver. Mas o que é isto, esta coisa, estas coisas que nos poem a fazer, o que deveríamos fazer, o que deveríamos fazer. Onde estão as coisas, aquelas coisas, que há tanto tempo para nós tanto significavam? Onde foram parar, onde foram ser vivenciadas? Eram para nós nossa vida, nossa estrela guia, nosso sentido, nosso objetivo. Onde forma, para onde foram. Tudo passou mas nada aconteceu, tudo sarou, mas a dora ainda existe, tudo está em ordem, mas assim não é. Não foi. Não poderia ser.

E se digo que sou nada, minto, pois bem sei, bem o sei o que sou, esta coisa à parte, esta coisa que não entende nada nem ao menos faz questão de entender tudo, mas ainda assim se depara com toda esta insanidade, esta necessidade de a tudo ser, a tudo conhecer, a tudo agradar, a todos agradar, enquanto o outro lado sabe que não é bem assim, não pode ser bem assim, não deve ser assim.

Nunca foi assim.

Quem é você, que tanto me conhece mas que não existe, quem é esta pessoa que tanto existe sem existir, sem fazer, sem acontecer? Quem, há algumas décadas anda sem sair do lugar, conhece sem conhecer, faz sem fazer, mas sonha por sonhar, por ter que sonhar, por ter que ser o que é sem nem ao menos quere assim o ser, sem nem saber por que, porquera.

Quem, quem foi esta pessoa? Quem dela se lembra, que dela algo conheceu, algo tirou, algo compartilhou? Existir sem haver, haver sem estar, sem ficar. Sem deixar marcar, sem deixar marcas, sem deixar nada por nada. E lá fora, o verde existe, o tempo passa e as coisas existem, sem que nenhum deles saiba, sem que nada se pergunte por que, indagação inútil e perigosa esta, que tanto nos leva a tudo sem nos levar a nada. As cores são porque o são, o carro é o que é, as pessoas...

O que são as pessoas?

Quem são elas, que se acotovelam em mesas para o repasto alheio?

Quem, fica lá sem nem ao menos lá estar?

Quem se importa? Quem se pergunta o que perguntar? Quem se importa em ao menos lá estar, sem nem ao menos saber para quê lá está? Quem sabe o que não sei? Quem sabe o que sei? Se ninguém sabe nada, então por que sabem o que não sei? Sabem o que não sei, não soube, não saberei fazer? Como sabem, como sabem?

Quem se importa?

O café. Busco o café. Bebo o café.

E chego ao fim.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Gizes pretos de desenhar.

Aqui estou, como de costume. Diante de mim uma lata suarenta de coca-cola, geladaça, e alguns pães de queijo. Não costume me indulgir de tal forma nos confézes da manhã, mas desde ontem a noite já vinha com este desejo. Sublime mistura esta, de pães de queijo e coca. Quase tão bom quanto Ruffles e coca. Bobagens sempre caem bem, inda mais segundas feiras pela manhã. E em momentos como este, em plena segunda de cinzas - todas as segundas salvo feriados são cinzas - é bom fazer um agrado a nós mesmos em ocasiões como esta.

É chegado também o momento de realizar o balanço do final de semana, como sempre. E felizmente tenho o prazer de informar que quase tudo teve bão neste par de dias em particular. De facto, teve muito bão. Sábado foi um dia de rock, deveras. E mesmo que eu estivesse um tanto quanto cansado devido à irregularidade do sono na semana passada, eu para o show me dirigi, acompanhado de minha irmã e companheiros e companheiras diversos, parando antes para tomarmos a fresca em um buteco qualquer da savaca.

Depois de consumir dois pasteis de azia e alguns refrigerecos, já estava turbinado o suficiente para o show, e para lá fomos, rachando todos um táxi e pagando ainda menos que um busão para as imediações do Santa Teresa, bão, bão. Entretanto, lá chegando, tive uma má impressão devido ao porte das pessoas na porta presentes. Creio eu que estou desatualizado com a cena local, ou simplesmente achando a cena local cada vez mais deprimente. As pessoas estao se vestindo e se comportando de maneira muito estranha e hedionda. Devo estar ficando velho, de fato.

Afinal, para lá eu tinha ido apenas para ver um bom show de rock, e não para ver bizarras pessoas com hábitos esquisitos. O evento em si foi um festival envolvendo quatro bandas, sendo que somente uma eu queria ver de fato era o Black Drawing Chalks, banda de rock muito boa, originária de Goiânia(!) e que definitivamente marcou a noite e fez valer o preço do ingresso. As outras bandas eu "se esqueci" dos nomes e não mais achei o link do festival. Mas foram tão, mas tão irrelevantes que nem vale a pena eu procurar muito tais referências. A primeira banda era um pop-rock meio ska, meio chatinho e felizmente de curta duração. A segunda....Bem, a segunda foi por nós escorraçada, retalhada, vaiada e execrada. Descobri que não sou o único de minha turma que não gosta de reggae. Todos nós passamos raiva com o segundo show, que não acabava nunca e era muito, mas muito chato.

No término da malfadada banda de reggae, eu já estava me perguntando se não teria sido melhor nem ter vindo naquele espetáculo, pois eu estava muito, mas muito quebrado, com dor nas costas (Meus ossos! Meus ossos! A terceira idade é cruel) e querendo fazer os guitarristas/vocalistas de reggae engolirem seus chapeuzinhos. E ainda achava que iria haver um outro show antes do que eu realmente estava interessado, mas felizmente estava errado, pois os goianos subiram no palco, com suas caras de Sabbath(o vocalista era muito mas muit Sabbath ao menos) e atitude mais rock'n'roll transparecendo mais facilmente que os prévios integrantes que ali estiveram.

Não me desapontei. O show deles foi do caralho, muito bom mesmo. Salvou a noite: o pessoal todo fez festa, mosh, stage diving, pessoas invadindo o palco e fuçando nas guitarras dos caras, e tudo de boa, sem rolar nenhuma sorte de confusão ou brigas. O som deles é muito bom, bem pesado, bem stoner. Do jeito que nós todos gostamos. Seu show também é como um bom espetáculo de rock deve ser, sem muitos fogos de artíficio, mas com guitarras altas e distorcidas, batidas estrondosas e muita diversão. Fui agraciado até com um inusitado par de peitos feminios que de repente surgiram no meio da multidão. Me parece que "tomara que caia" neste caso não é uma vestimenta adequada...

Depois do show deles, para mim a noite estava encerrada. Eu me arrastei para o fundo do bar, quase mesmo rastejando-me no chão, tamanha era minha dor nas costas. Quando de repente avistei uma cadeira vazia, foi como se avistasse um oásis após uma estadia num deserto. Acho que nunca me senti tão satisfeito em realizar um ato tão trivial quanto me sentar. Ainda demoramos a ir embora dali, entretanto, pois surpreendentemente mas sem muita surpresa, algumas de nossas companheiras do grupinho da noite se mostraram autênticas groupies e ficaram assediando os integrantes da banda. Eu, que não queria saber de mais nada, delas me despedi e para fora de lá me dirigi.

A noite foi encerrada com um acontecimento que me será memorável: saindo de lá, do céu estavam caindo gotas e mais gotas. Caminhei junto com Max e Alice até as imediações da Savaca, onde apanhei um táxi e voltei para casa. Se aquela cadeira no bar era como um oásis, avistar minha cama foi como avistar o paraíso em si.

Para finalizar o final de semana, eu e minha irmã estávamos definitivamente impelidos a nos dedicar a nossas tão faladas afinidades musicais. Depois de um show como aquele, tudo que nós queríamos era estar fazendo o mesmo, ao menos um pouquinho. Lembro-me de nossa última apresentção como "banda", uns cinco anos atrás, e o quanto aquilo nos fez bem - costumo sempre me lembrar daquela noite com um franco sorriso no rosto. Foi legal demais. Então, nós estamos levando adiante, devagar e sempre, a proposta quase óbvia de unirmos forças para fazermos algo de significativo com toda essa nossa dita afinidade pela música.

E ontem a coisa teve muito boa entre nós. Acho que foi a primeira vez que conseguimos tocar juntos e com certa cadência um par de músicas, ainda alheias mas é necessário treinar-mo-nos primeiramente. E sentir aquela famosa sensação, aqui por mim tanto descrita, de arrepiar-se durante tal processo, fez-me muito bem e me deixou mais animado.

Certo, estamos marcando passo de até hoje não fazermos o óbvio, mas é sempre tempo de começar. E tendo em vista que temos que começar de algum lugar, creio eu que este lugar não está tão mau-arrumado assim. Veremos como a coisa se desenvolve no decorrer dos acontecimentos; agora é tarde já e tenho que voltar à cinzitude desta segunda.

Vejamos o que vem a seguir, pois não.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dulcíssimos doces.

Ontem foi-me um dia inicialmente estranho, que começou com um mau presságio, como se uma onda de chatices fosse tomar conta da totalidade do dia e tornar minha rotina de trabalho um inferno. Confesso que cedi para o mau-humor e comecei a crer que seria mais um daqueles dias infernais. Não sei bem em que momento resolvi debelar tal sensação, mas sei que certa forma funcionou, pois a partir do meio dia em diante as coisas melhoraram bastante. Aquela chuvinha mole e chata se foi, e a atmosfera reinante no trampo ficou mais leve.

Resolvi também, de última hora, comparecer num festival de música que irá acontecer no final de semana, com bandas que mal conheço, mas mesmo assim, estou disposto a ir mais em aglomerações como esta, pois sempre é bom ir num showzinho de rock, nem que seja para se reunir com os amigos e ficar lá xingando a banda. Eheheheh. Mas creio que não será bem o caso, pois uma das bandas que irá tocar neste semana-fim é das melhores que já escutei em terras nacionais brasileiras de nosso país e de nossa gente, redundantemente ou não.

Ao término do expediente, combinei com um de meus companheiros do rock de encontrarmo-nos para que eu fosse comprar os ingressos, eis que também financiei a ida de minha irmã ao evento. O engraçado é que lá nós fomos, batendo perna naquele labirinto chamado centro, com tanta e tanta gente, que teima em atravancar o caminho de um cidadão normal, isto é, não-lerdo. Andamos e andamos desviando de todas aquelas gentes bizarras que por ali se encontravam, e compramos a dupla de ingressos. A primeira etapa da missão foi cumprida. Agora é esperar até amanhã às 20h e verificar como vai ser a coisa em si.

Mas o engraçado, o fato que serviu de sustentáculo principal para que eu elaborasse agora o que estou a escrever neste exacto instante, foi o que aconteceu depois, e que agiu em conformidade com o restante da semana, ao menos em termos de transporte mental ao passado. Explico melhor: quando saímos da galeria da praça 7, meu companheiro se lembrou de passar em uma lojinha ali perto, estabelecimento este que nem sabíamos se estaria aberto. Enfrentamos por mais alguns minutos, algumas passadas, a turba errante que ali se concentra todos os dias e para a tal loja nos dirigimos.

Lá chegando, o júbilo tomou conta. Estava ainda aberta. E ainda existia do jeitinho que eu me lembrava. Sim, ali já havia estado antes, e há muito havia me esquecido daquele local, sendo transportado de volta para eras passadas apenas contemplando o estoque farto da lojinha.

Trata-se de uma daquelas lojinhas famosas do centro, onde se vende muito, mas muito...açúcar em sua forma mais tentadora. Doces. Balas. Chocolates.

Faziam ANOS que eu não entrava em uma loja como aquela, e confesso que gastei mais do que gostaria de gastar, mas fui transportado pelo entusiasmo do momento. Eu sempre fui muito fã de todas estas bobaginhas tão doces, tão saborosas, tão criminosas. Colorídissimas balas, sacos e sacos de mastigáveis cariáveis. Pirulitos, chocolates, toda aquela dulcíssima combinação de sabores azedos e doces, com cores "a la neon" por módicos preços. A mão coçou, a carteira se abriu e o dinheiro de lá saiu para pagar a baciada de balas e chocolates que dali levei. É fantástico. As balas são muito mais baratas do que aquelas compradas em qualquer outro local, e ainda por cima pode-se fazer um "pupurri"(sei lá como se escreve isso) de diversos tipos delas, pelo mesmo preço.

Eu, que sou um ex-gordo, conheci de perto o vício por tais coisas. Na época do colégio, eu juntava meu miserável dinheirinho e baixava em uma loja similar nas imediações de minha escola, e torrava tudo em drops, balas e quejandos. E passava a tarde inteira mastigando tudo aquilo, provavelmente sentado diante de um computador ou de um videogame. Não era de se estranahr que eu tinha aproximadamente de 20 a 25 quilos a mais de banhas espalhadas pelo corpo. Nerd, sedentário(estas palavras são quase sinônimos, creio eu) e com muito açúcar colorido nas mãos. O que mais pode dar errado?

Mas era muito bom, ficar ali se entretendo com alguma espécie de jogo eletrônico - o que mais poderia ser? - enquanto ficava ruminando incessantemente tanto açúcar colorido. Lembro-me de um final de semana que comprei um saco de 1 kg daquela famosa bala Soft - mais dura que uma pedra, apesar do nome - e ter ficado todo o final de semana jogando Ultima 7 e me "alimentando" do contúdo do saco. No término do final de sumana, o saco NÃO estava vazio, mas quase. Eis que sempre restam as balas de mau sabor, como menta, decorando o cadáver do recipiente. Inclusive um de meus amigos, sempre joselito, tinha um uso especial para tais inúteis confeitos, servindo de munição para se atirar em inocentes transeuntes à rua defronte à casa de outro amigo seu. Ri muito deste caso.

Ontem eu dormi até mais tarde porque tive que fazer o "test-drive" dos produtos ali adquiridos. Foram aprovados com louvor, e mesmo me assustaram, pois eu sentei-me defronte ao computador, e não resisti. Pus para rodar minha cópia ilegal do jogo Fallout 3, e me pus a jogar um tiquinho, enquanto saboreava o saco daquelas quase luminosas e radioativas balas de goma ultra-ácidas em forma de minhocas.

Eu não conseguia parar de comer as desgraçadas coisas. São muito, mas muito ácidas de fato, do jeito que eu gosto. Tive que me conter lá para a meia noite, pois ainda precisava dormir. Eu juro que misturam alguma espécie de crack naquela josta. Mas felizmente aquele ácido crack tem um efeito colateral que me impediu de continuar a glutonice: eu cortei minha boca toda, enchi de aftas a língua e a gengiva, e estas se levantaram quase de imediato, causando aquela excelente sensação ao se escovar os dentes e relar a escova nas raízes expostas dos dentes. Só quem já experimentou tal coisa sabe o quanto que é bããããooo. Sabe-se lá porque isto comigo acontece; presumo que seja um mecanismo de defesa contra a joselitice do controlador do corpo em questão.

"Pare de comer essa porra, miserável!"
"Pô! Tá tão gostoso! Só mais uma pontinha, digo, mais uma balinha! Deixa, deixa!"
"Vai doer na hora de escovar os dentes seu troncho!"
"Mas tá tão gostoso! Só mais uma . Ou sete."
"....Tá bom, vai lá."

De qualquer forma, lá estão a me esperar, todas aquelas coisas criminosas. O final de semana promete, creio eu. Ainda bem que não sou mais o gordo dantes, que conseguia dar cabo em tal quantidade imensa de doces químicos em questão de horas. Hoje em dia eu tenho que pensar não somente na aflição das gengivas levantadas, mas também nas cáries que possam vir a surgir de tal orgia açucarada. Creio que o inferno deve ter uma cadeira de dentista: não existe cadeira mais desconfortável e causadora de imediato tensionamento de TODOS os músculos de meu corpo.

Vamos ver. Amanhã tem rock, hoje tem doce. E guitarras e baixos e computadores e...

É, a vida de um nerd é quase sempre a mesma, eheheheh. Mas tá bão também.

E que venha o final de semana afinal. Segunda tem mais...Inté.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Teletransporte? Musitransporte.

Cá estou, em plena viagem para Prado, na Bahia, em 1985.

Não, não se trata de mais um devaneio sem sentido de minha parte. Certo, isto acontece todos os dias, mas não é disso que estou a falar, não hoje ao menos. É que hoje acabo de chegar aqui e fui subitamente transportado para a data em ocasião, uma vez que meu chefe de setor cá estava a escutar rádio via internet, mais uma destas maravilhas do universo moderno todo interligado por esta imensa rede. E na audição da rádio em questão, eis que surge uma música que ouvi em demasia na ocasião - a saber, Dire Straits com "So Far Away" - época em que alugamos uma casa nesta cidade e para lá fomos, em julho de 1985. Viagem frustrada, com muita chuva.

Mas divago. O que por vezes me surpreende é como eu faço certas associações mentais com músicas: existem certos momentos de minha vida que estão firmemente relacionados, - no ponto de vista da memória, ao menos - com a melodia sendo tocada na ocasião. Assim, quando escuto "Você Não Soube me Amar", da Blitz nacional, sou transportado para 1982, viagem à Cabo Frio, Rio das Ostras e imediações. Ali ouvi esta música até mandar parar. Na viagem de Prado outra música que imperou foi a versão de Joe Cocker de "Unchain my Heart", que sempre que escuto me faz viajar de volta para aqueles remotos dias.

Mas nem sempre as músicas trazem boas memórias, como se era de esperar. Por vezes, situações chatas também ficam para sempre associadas a certas músicas que estavam rolando na ocasião. Existe uma música que musicou (que frase horrível) certo espetáculo de teatro do Grupo Galpão, não sei bem nem o nome da peça muito menos da música em si, mas que sempre que escuto, sinto-me mal. Pois foi ela que me embalou durante certa noite de 2004, dia em que havia decidido terminar com um certo rolo da época, e foi muito chato. Sempre evito de escutar esta música. Felizmente, gravações do Grupo Galpão não fazem parte de minhas preferidas musicalidades. Existe uma banda - Dramarama - que gosto bastante, mas que possui uma música que até hoje me causa calafrios quando com ela me deparo no shuffle de meu iPod. Tal canção marcou uma noite horrenda, em que atuei como "agente preparatório para a pegação alheia", ou como diria um ausente amigo meu da época da biologia, fui o "vinagrão" - preparei a salada para que outros dela comessem. E foi uma de minhas piores visões da vida, você ver todo aquele seu "esforço" ir por água abaixo...

Por este motivo, existem certas músicas que fujo mais que tudo, que realmente me causam pavor, especialmente se estiverem associadas com maus momentos, maus hábitos, maus dias...Por mais que elas possam ser ótimas músicas, eu tenho que as evitar. E por vezes, isto pode significar a ruína de certas audições.

Existem outras sensações externas que igualmente nos transportam para certos redutos de nossa memória, como um passe de mágica, e acho que todos têm estas associações mentais encerradas dentro das cacholas, ao menos assim creio eu. Aquele cheiro daquele prato naquele almoço naquele dia, a visão de certo objeto inusitado, quer seja ele um carro, uma casa, uma paisagem familiar...não importa: você recebe o estímulo sensorial e todas aquelas conexões mentais, todas aquelas sinapses, toda aquela noradrenalina, acetilcolina e seja lá mais o que for entra em ação e ativa aquela zona da memória há tanto enterrada.

E dependendo de quem esta associação afeta, isto pode gerar uma sessão de nostalgia mental que pode perdurar por horas e até mesmo dias, em especial se o princiapal envolvido for uma pessoa com minha índole introspectiva. E viagens erradas existem e abundam.

Mas, enquanto existem tais desvantagens, por vezes escuto de propósito certas músicas, pois sei que elas irão me transportar para momentos legais. Aquele final de tarde em Itacaré. Aquela viagem de campo muito boa na biologia. Aquele final de semana em que finalmente subi num palco pela primeira vez, munido de guitarra e vergonha, mas que no final foi muito mas muito legal.

É bom ter estas referências. Relembrar é viver, enfim. Ou algo assim.

E agora, eis que a música que devo escutar é o lamento estridente da impressora matricial a despejar folhas e mais folhas de estranhos números, mas que tão importantes são para a sobrevivência deste império dos sentidos...sem sentido.

Assim, assado. Até a vista.

quarta-feira, 3 de março de 2010

XXXXX. Ç.

Chove, chuva. A Pessoa se encontra em algum lugar, mas não sabe onde está ou o que está acontecendo. A Pessoa não deveria ter comido toda aquela pizza no jantar. Mas todos aqueles peperonis! Todos eles sorriam, lindos lindos, engordurados naquele sebo todo do queijo e da massa, acrescentar azeite! é uma boa idéia? Talvez, se fosse um prato um tanto quanto mais leve, uma sopinha de isopor ou angu com Toddy.

Pesadelos, pesadelos abundaram, habitaram seu sono, fizeram com que a noite se tornasse ainda mais negra naquela manhã, ou naquela tarde, quiçá vezpertina de Matutina. Espírito Santo ou Bahia? Não saberia a Pessoa dizer, uma vez que faz-se manhã e é chuvosa, moles massas, tudo macio e escorregoso. Assistir a todas estas gotas caindo lhe é um suplício, uma barafunda, no meio da turba, caem as gordas, escorrem ralo abaixo! Se tornaram 99% gordura, tanto na vida real quanto na carochinha que lhes é confiada à nascença. Onipresença! Onisciência, onipotência. Existe alguém que muito se ri de tudo isto, de nós e nossa inutilidade.

Grandes são os desertos, minha alma, e tudo é deserto. Deserto? No meio de todo este mofo recorrente, deste mofo iminente, de todo este bolor? Não acredito, pois eis que toda esta chuva é contraditória a esta poesia! Ainda que seja em a alma exterior de alguém que não conheço, não conhecerei, nunca conheci, não é razão para se estar me contradizendo. Me contradizendo! Como ousa! Como lousa! Um quadro negro! Aulas de matemática. Eis que não sei mais dividir, somente por um, não por dois, nem por três. As casas são decimais mas não inteiras, nem tampouco racionais. Quem se lembra? Quem se lembra daquelas remotas tardes de 1987, 1986, 1985? Tardes de deveres de casa, matemáticas eram noves fora, quadradinho dentro. Quem se lembra do QVL? Alguém? Alguém?

Fez-se feito os videogames, agora com menos realidade me 8 bits de definição em RGB na sua televisão de sua casa, em que seus pais restringiam o acesso, ou o excesso. Todas aquelas noites! Em claro mas no escuro! Na calada da noite, habitavam as mais diversas obscenidades em termos surreais, ali habitavam todos aqueles seres surdinos, mofinos mas que criaram força conforme o tempo passou, conforme a vida quis e foi. Para onde, para onde? Mais adiante, as gorduras totais eram saturadas e foram devidamente digeridas na noite de ontem, que não foi hoje mas será amanhã de manhã, vou pedir um cafééééééééeééééééeéééééé só pra mim, só pra mim e pra mim e pra mim e meu e mim mesmo e talvez o Syd. O Barret, claro.

Sempre chuva, sempre presente, quando deveria estar embaixo da terra, em límpidos canos e tubulações de PVC, quer seja disto, quer seja daquilo. Nada aquece mais que o aquecimento global, este desconhecido, este irreconhecível desconhecido, desfigurado, desmilinguido. Não a formiga! Não a crendice! Em quem, acreditar, quando Mitra aqui está para ficar, para aqui reinar, desde 25 de dezembro de outras passadas eras, outras passadas religiões que dela se apoderaram em evidente e astuta manobra para converter mas sem ser completamente, em termos romanos, em termos monoteísticos, a religião que só toca em uma caixa e nem tem surround. Coisa de pobre, evidentemente, evidentemente.

E mais adiante tombam as tumbas, novas ou velhas, trajando organdi verde ou apenas plumas e paetês compradas nos 104 tecidos, que tanto habitavam aquelas remotas tardes dos anos oi-oi-oi-oi-oi-oi! Cretin family, cretin family Everyone's against me! Cretino foi ter sido eu, apenas eu e eu e mim mesmo, aqui a escrevinhar tudo isto que nada diz mas tanto significa, àlguns, àqueles, àos oestes e Örestes, Quërcïa ou não, com acentos diversos, mais legais, mais sentidamente com sentido do que retirar da idéia o cerne da idéia que seria o äcentö.

E põrquê não ïnventär aqüi minha pròpriá linguagëm? Azim, zòmentë ëü entenderia o que se pässa!

Mas assim jhá o éh. Deztä fôrmá, ficärà defícïl entendher o qhue se paça pör aquhï, nhão éam mesmô?

Kontüdo, ö thempö paça e aqui tëm-se que thrabälhar, e haprendhër RRRedez e Rouindoüs Sërver 2003.

Ässïm, ässhado. Até amänhâ.

terça-feira, 2 de março de 2010

Mais um dia.

Manhã, novamente, manhã. O Noiado é despertado e olha preguiçosamente para a fonte daquele inoportuno som, aquele que conforme ele mesmo diz, "arrebatador de sonhos." Mais alguns minutos, nesta manhã cansada. Mais alguns minutos, mas não sem antes re-ajustar mais um horário para evitar imprevistos. Mais quinze minutos, quinze minutinhos. Bem sabe ele que não irá voltar ao país das asas inexistentes, das compras insanas e belas e solícitas odaliscas a granel. Não. Mas mesmo assim, é uma manhã mais cansada que outras, eis que o dia anterior foi muito andante, muito mesmo, com direito a uma ida e volta inútil de seu emprego às imediações da Central de Ladroagem do Trânsito, ou DETRAN. Ida e volta, duas vezes.

Andar faz bem à memória deste que lá em sua senzala esqueceu o fundamental para seu exame da malhção de velhos, ou simplesmente fisioterapia, mais uma vez a tal, mais uma vez a dita.

Enfim, pondo-se finalmente de pé, o Noiado olha através da janela para o plúmbeo horizonte, sinal certo de um dia chuvoso, dia em que as alergias infames se manifestam em sua maior força. Adiante; não é nada útil ficar ali a olhar para aquela paisagem acinzentada. O tempo passa e a manhã urge. Ou ruge, em anagrama mais adequado ao sentimento desta plena terça-feira nada gorda, nada magra. Adiante, adiante.

Bom dia, faz-se necessário um abraço naquela que o gerou, naquela que por tantos e tantos anos tolera este peso inútil de tanta potencialidade e tanta imbecilidade, constituição esta que quase anula a existência daquele ser. Faz bem à alma, ele presume. E de certa forma é bem verdade. Um abraço por vezes pode salvar vidas, conforme algumas vezes por ele já visto. Se não, ao menos pode acrescentar uma nota mais soante a esta sinfonia dissonante que é viver. E assim o foi, ao menos em seu interior, em sua mente. Seja lá onde for.

Sair e enfrentar o estranhamento da primeira manhã fria deste ano que parece que começou ontem mas que de fato tem como nascimento três meses atrás. Como o tempo passa, como os clichês imperam, como eles imperarão por toda uma vida, toda uma existência. Faz-se necessária nesta caminhada a té o transporte, a ferramenta fundamental para a sobrevivência do Noiado, aquela que para ele tanto sentido faz e para outrem não passa de esquisitices sonoras.

Música. Começemos com Dramarama e sua ode à vida inútil e este mundo bizarro que nos circula, palavras exageradas mas que que soam tão verdadeiras para este Noiado em questão. O vento é frio na praça, e mais além os friorentos mendigos que ali residem já há muito despertaram e já estão a postos em suas colheitas matinais por entre os detritos por outros ali deixados. Passa o tempo e não passam ônibus, e ele se põe a questionar se a famigerada greve ainda existe. Felizmente, após longos minutos de espera no vento frio, lá vem a caixa gigante de quatro rodas. Um brinde ao duo The Black Keys, por lhe fornecer música deveras animada para um pouco sacudir os frígidos ossos do Noiado. "Just Couldn't Tie me Down", de fato.

Mais adiante, ele observa com grave pesar as infelizes mães que retiram daquele ônibus seus filhos com problemas físicos sérios e que são tratados naquela clínica de reabilitação existente ali perto. É de se cortar o coração se você prestar atenção em demasia, e faz com que o Noiado tenha nefastos pensamentos sobre a criação, o Criador, e seu às vezes quase evidente sarcasmo perante à vida. Melhor não focar neste aspecto, não nesta manhã cansada.

Passam os carros, passam o tempo, passam as horas e a temperatura no display que ali existe para todos inquirirem a silente pergunta sobre os minutos, os segundos e as horas. Tempo. Mais adiante. Distraidamente, o Noiado olha para fora de sua janela, vê tudo mas nada vê, pois nada lhe parece real ou relevante.

E eis que naquele momento, uma de suas sinfonias roqueiras preferidas lhe atinge os ouvidos em cheio. Naquela manhã em especial, todo o sentido fazem aquelas palavras musicadas. Faz-se necessário escutar a dobradinha, eis que são de fato duas músicas de um mesmo disco que se emendam. Abençoados sejam os egocêntricos e complicados irmãos Robinson e sua banda de negros corvos.

"Hate and greed, swollen and sweet
Let's start this misery, if that's where you wanna be."

A Ballad In Urgency, de fato. Naquela manhã parece ser uma coisa urgente, escutar algo do naipe daquelas duas músicas, que tão reais, tão viscerais, parecem ser aos ouvidos do Noiado. Mas o grande momento, o momento que ele sabe que naquela específica manhã irá lhe causar aquela sensação única de arrepios que se irradiam da base da nuca por toda sua espinha, vem com o término da primeira música e o início da segunda. A emenda de piano, baixo e guitarra.

Que lhe acerta com todas as forças e quase o faz desmaiar. Feche os olhos, caro Noiado. Pois neste exato instante, tudo mais perde sua realidade nauseabunda. Tudo deixou de existir naquele momento. Apesar do ônibus estar estranhamente lotado para a hora, todos os passageiros, o trocador, o motorista e mesmo o ônibus deixaram de existir.

Naquele momento, naquele raro momento, tudo que existe é o Noiado e sua música predileta para aquele instante. Música esta, que lhe acompanha naqueles metros restantes até a saída do trepidante meio de transporte.

Música esta que lhe traz um pouco de vida para aquela confusa cabeça. Música esta que lhe tem especial significância, eis que naquele momento, de uma forma estranha e para todos desconhecida, aquela sonoridade lhe salvou a vida.

Afinal, aquelas pequenas coisinhas, aquelas notas para tantos tão triviais ou mesmo irritantes, são as cosas que salvam a vida deste Noiado. São estas coisas que têm real valor para este ser tão pobre de monetários mas tão rico de complexidades e platitudes.

E adiante ele segue, pois o dia há muito já avança e da vida real ele só pode fugir ou utilizando artificiais artifícios ou escapando para aquele reduto agora distante, mas que tem tanto valor para o Noiado no Sótão.

Este ser que tanto escreve e tanto pensa, mas nada resolve. Este paradoxo ambulante, tão pleno de chatices e ferrenhas críticas a si mesmo, mas que aparentemente é bom companheiro, segundo a opinião alheia de alguns, que tanto lutam para fazer com que ele entenda isto, aparentemente.

Adiante. Há muito a ser feito ainda. Que as pequenas coisas lhes forneçam ânimo para aqui no meio de nós ele continuar, apesar dos pesares e de sua cabeça repleta destas coisas.

Adiante.

"No time left now for shame
Horizon behind me, no more pain
Windswept stars blink and smile
Another song, another mile
You read the line every time
Ask me about crime in my mind
Ask me why another read song
Funny but I bet you never left home

And on a good day, I know it's not every day
We can part the sea
And on a bad day, I know it's not every day
Glory beyond our reach."

---------The Black Crowes, Wiser Time.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Raporte Rapôncio. Reporte, reporte!

Final de semana. Ainda que seja mais ou menos, é ainda melhor que o restante dos dias. Basta se ter esta informação em mente em qualquer sexta feira para melhor emoldurar os dias vindouros, o sábado e o domingo. E com este foco, com esta mentalidade, é mais fácil se divertir nestes dias tão essenciais para a existência.

Bem sei que o final de semana esteve repleto de tensões internacionais, mais terremotos sul-americanos, mais tragédias, mais dias e dias de reportes sobre o número de mortos, o desespero familiar, a filhadaputagem alheia e tudo mais que aconteceu e que somente agora pela manhã eu fiquei sabendo, ainda que parcialmente: não me demorei muito a examinar os fatos ou as interpretações dos fatos sobre ditos acontecimentos. Bem sei que é só o começo de uma infinidade de reportes semelhantes. Este ano está bom para os salafrários, com tanta coisa ruim acontecendo lá fora, sempre existe a manchete trágica para distrair a galinhada de fatos mais escandalosos e mais próximos, como sempre acontecem em nossa capital da desonestidade, vulga Brasília. Vulga, de fato. Bem vulgívaga esta cidade e seus habitantes, enquanto funciuonários públicos, eu digo. Enfim.

Na medida do possível, esteve bão o final de semana. Sexta, fomos para aquele reduto noturno estranho denominado Savassi, onde algumas das mais bizarras tribos desta cidade se reúnem. E vimos que por mais que o tempo passe, as ditas "novidades" das gerações mais recentes se manifestam de maneira bem estranha àquele local, com direito até a uma certa invasão do batidão do fanque em plena noite de emos e emas que por lá circulavam. Se nos postarmos suficientemente longe desse povo, teremos nosso sossego para a conversa diversa e tranquila de uma noite que foi regada a rum, ainda que em pequena quantidade, mas que mesmo assim tonteou levemente este ser que tanto escreve. Nada de mais, felizmente: nenhum vexame dali saiu. Não passei mal nem fiz papel de idiota para a alegria de quem está na platéia. Não desta vez, me desculpem.

Boa conversa jogada fora de buteco, sempre salutar, sempre almejada, ainda que nem sempre chegamos a conclusões algumas ou pelo menos a alguma conclusão que preste para algo. Mas sempre é assim, presumo eu. E ainda que não seja atingido o objetivo sumo de perceber aquela coisa, fazer aquela mudança, achar aquela pessoa ou seja lá qual for a ambição reinante no momento - conversas de buteco são sempre salutares, de uma forma ou de outra.

Lembrei-me de outra saída ocorrida em outra passada sexta feira, data em que houve outra reunião butecal, esta em local mais centralmente localizado e com uma galera completamente diferente da envolvida nesta última patuscada do dia 26. Foi um encontro um tanto quanto mais tenso, pois os envolvidos no processo esiveram a discutir, mesmo acaloradamente, acerca de certas condições reinantes na vida deste escritor de araque que aqui está. Os ânimos chegaram mesmo a se exaltarem, porém não chegamos às vias de fato: felizmente tudo ficou entre amigos, pois me parece que estes também não estão isentos de discussões mais sérias e divergências mais agudas.

A grande conclusão da noite foi-me nada lisonjeira, mas foram daquelas coisas que a gente precisa ouvir, e mesmo coisas que precisamos "se ouvir" dizendo para os outros para verificarmos o quão loucos estamos nos tornando. Explico melhor. Certas idéias se formaram em minha cabeça durante este longo período de "pobremas" que estou passando, e por mais incongruente que possa parecer, tais idéias faziam pleno sentido dentro do campo mental em que foram concebidas ou desenvolvidas, melhor dizendo.

Mas, quando tais idéias são ditas a outras pessoas, em voz alta, quando as palavras sairam de minha boca e soaram no ar, elas chegaram a meus ouvidos como uma sequência de absurdos. É a hora em que parei para pensar e verificar que estou de fato ficando cada vez mais e mais doido. Me parece que a solidão em excesso realmente faz com que a nossa percepção da realidade seja altamente deteriorada.

Lado outro, se foi bom ter ouvido tais coisas, para se chegar a esta conclusão, isto em nada adiantou muito no processo de solucionamento de tais "pobremas". Você tem a informação mas não sabe o que fazer com ela.

Aparentemente, um passo certo a se dar é tentar não se tornar o campeão mundial de eremitagem. E se as sextas feiras forem dotadas de eventos assim, quem sabe. Pode ser que dê certo, pode ser que algo aconteça que vá a tirar do marasmo este ser.

Enfim, veremos. No momento, o tempo ruge e pede-se café. Avante, pois eis que hoje recomeça a labuta com o intuito de afastar mais um aspecto de minha velhice declarada.

Até lá, café. Café e mais café.