sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Somátoria.

Não é engraçado, irônico ou sei lá o quê mais - que sempre que estamos em momentos de aflição, diante de encruzilhadas da vida, entre a cruz e a espada, por assim dizer, sempre, SEMPRE aparece mais alguma coisa, mais lenha para a fogueira que já consome nossos nervos?

A soma de todos os medos no mesmo instante. E só vai aumentando.

Enquanto isso, os nervos ficam em frangalhos e não existem fitoterápicos para acalmá-los.

Então, já que tudo tá fudido, bebe-se café. Muito café.

Deixemos o circo pegar fogo...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Poesia.


De dia, o sol brilha.
De noite, a lua brilha
E eu corto sua cabeça com uma foice.

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Sei lá. Nem tô de mau humor nem nada, só "pildido".

Aí deu na telha postar este velho poema nonsense, de autoria de Antônio, o Gengiva, circa 1996.

O rabisco é meu mesmo, de 2005 eu acho.

Este poema é tão poético. Tão singelo.

Por vezes, queria cortar meus problemas com uma foice...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mr. Coffee Hyde.

Dia como outro qualquer. Há que se acordar cedo, para ir dormir cedo, fazer valer o que faz a pena, o que faz o dia valer a pena. Pensamentos infundidos, difundidos por uma arcaica fita ká-sete a rodar em um igualmente anacrônico sistema de som à cabeceira daquele Senhor. Ânimo para a luta diária. Blah e blah.

A noite, ainda teimava em continuar em suas vistas, em sua mente, em seus pensamentos. O mundo não existe, não antes da primeira xícara de café, bem sabia ele. Diziam que seus tremores, seu estado agitado de nervos, todo seu frenesi era decorrente do consumo excessivo de vinte ou cinquenta chávenas de tal infusão. Ou seriam canecas? No momento, tudo que conseguia pensar era na primeira dose, o aroma, a fumaça, o negro e espesso aspecto do café que ele mesmo preparava pelas manhãs, tão forte que era servido em fatias.

Mas...ao abrir a porta da despensa, se lembrou do ocorrido na noite anterior, em que chuvas intensas impediram-lhe de chegar ao supermercado e renovar o estoque de grãos torrados e moídos, usados para a preparação de tal elixir.

Sentiu um tremor percorrendo seu corpo. Calafrios. Sabia o que significava isso. Ter de esperar chegar ao serviço público, ou antes púbico, para se afogar no mixo café lá servido, isso era inconcebível. Revirou furiosamente a despensa em busca de alguma réstia de pó. Achou apenas farelos passados em uma enferrujada lata esquecida por detrás de tantos condimentos; Mitra, para que tantas especiarias em seu caminho?? O pó quase não tinha mais cheiro, mas seu estado de nervos era tão crítico que não pôde resistir. Improvisou um canudinho com um envelope de papel que embalava um tempero qualquer, e aspirou diretamente da lata para suas fossas nasais, o conteúdo da lata.

Imediatamente sentiu uma aflição ainda maior a percorrer seus sentidos, ao perceber que tal experimento era ineficaz para atender seus anseios: o envelope embalara pimenta do reino em pó, e o café em si não foi absorvido por sua mucosa do jeito que sua confusa cabeça esperava que acontecesse. Sentiu uma angústia icomensurável tomar conta de seus sentidos, assim como uma crise de espirros e sensação de queimação intensa como jamais experimentara na vida. Tombou para trás, atônito em seu sufoco. Caiu por cima de laranjas, toranjas e cajus secos que mofavam em fruteiras anônimas ali. Não bastasse isso, um violento espirro sacudiu as estruturas de outra prateleira da despensa, e latas e mais latas de atuns, leites condensados e em pó caíram-lhe por cima do corpo já deveras aturdido e contundido daquele Senhor.

Saiu dali esbaforido, e pôs-se a vestir imediatamente. Sabia que em seu emprego encontraria aquele ralo café, mas que bebido aos litros, aplacava-lhe a necessidade diária de tal molécula. De repente, a fita K7 que ainda continuava a dizer blandícias toscas em forma de arranjados, planejados encorajamentos vazios, parou de mataquear inutilmente, para se embolar toda no artefacto. Ele deu um safanão no aparelho, que tombou ao chão, mudando da função "TAPE" para "RADIO". E então o Senhor escutou:

"A guerra da Conchinchina estourou em todos os lados, a leste a oeste. E creio que a nor-noroeste também. Os primeiros países a tombarem diante da bomba verde de metano produzido por vacas holandesas foram Colômbia, Estados Fudidos da América do Norte, Laos e Goa, apesar deste não mais existir enquanto país desde láááá longe no passado. Mesmo assim, embargos financeiros foram instituídos mundo afora, e a crise de 1929 fez seu retorno com força desde a zero hora de hoje, que se tornou ontem desde a meia noite. A produção de café brasileira está seriamente comprometida, pois bombas de efeito moral foram arremessadas contra cafezais, que se encontravam infestados de chineses da con, ou conchinchineses, ou algo que o valha. Tais bombas tiveram efeito muito negativo sob a moral dos cafeeiros, que tombaram mortos devido à súbita realização que a moral neste apís de merda anda mais por baixa que minhocas em fértil solo. A polícia não quis comentar o caso, preferindo ir tomar uma cervejinha no bar mais próximo. O subcomandante do exército apenas disse que "Por mim eu só tomava suco de cevada até morrer. Fodam-se os cafézes." O IML divulgou também que o número de mortos em tal empreitada beira a casa dos bilhões, com desvio-padrão de +/- seis bilhões."

O grito que sucedeu no bairro em que Senhor residia pôde ser ouvido por todos os estados setentrionais do sul do Brasil. Não era possível, não conseguia crer em tal declaração radiodifundida. Como assim, o inferno havia decidido migrar para a superfície terrestre? Antes estava tão direitinho, estabelecido em Hades da abobóda celeste. Sentiu que seu coração não iria aguentar. Sentia os primeiros efeitos da abstinência prolongada, de cerca de duas horas desde a última golada da infusão sagrada. Frias e espessas gotas de suor a descer por suas costas. O frenesi tomava-lhe conta dos sentidos rapidamente. Sede de sangue!

Isto é, de café.

Rasgou suas roupas todas, pôs fogo na lata de lixo do banheiro, quebrou o vaso sanitário com os dentes, e passou fio dental cuidadosamente. Há que se preservar a dentina. Armou-se de um machado e uma serra elétrica, estranhos itens que um servidor público, isto é, púbico, pode adquirir com módicos descontos às lojas do Paulo, perto do Mercado Central, e invadiu de supetão o corredor do prédio, onde bufou de ódio perante o hediondo papel de parede, que dançava com todas aquelas horrenda margaridas pessimamente desenhadas em sua estampa. Arrancou grandes porções daquela injúria visual, e pôs-se a dar golpes violentos de machado à porta do Vizinho. Café! Ele sabia que deveriam ter café ali! Tinha certeza!

"Já vai," disse sonolenta a sogra do Vizinho. Assim que a velha retirou a corrente de segurança e abriu sonolentamente a porta, foi surpreendida com uma lâmina cortante em suas fuças, e caiu irremediavelmente morta ao chão. O Vizinho, que assistiu lentamente a cena, balbuciou, "Ah bem, depois eu dou o resto da véia pros cães." Senhor, que já invadira bifando o recinto, exigia, "CAFÉÉÉÉÉ´´´´´!!!" Vizinho só disse, esboçando um gesto de impaciência, "Calma, caro Senhor. Sente-se, abanque-se. Irei buscar um bule fresco para ti. Não é preciso que me grites com tantos acentos soltos no ar. É preciso não desperdiçar os sinais de pontuação em estes tempos de crise latente."

Senhor sentou-se nervosamente à uma cadeira, pelo Vizinho ofertada. "Gostaria de uma torradinha de pão de centeio para acompanhar?" - "Sim, se não for muito incômodo," disse Senhor, tentando recompor sua compostura há muito perdida. Enquanto o Vizinho saiu para providenciar, o poodle da casa veio latir nervosamente, insistentemente perante os pés de Senhor, que apenas tomou tal canídeo nas mãos, abriu a janela e arremessou-o na direção su-sudoeste, tomando o cuidado de antes checar a direção do vento em sua biruta de bolso. Onde estaria guardado tal instrumento, já que não havia bolsos em seus farrapos que trajava, esta era a questão. Talvez os chineses saberiam o que fazer com tal demoníaco ser.

Seu trem de pensamento foi interrompido pelo Vizinho, que anunciava a chegada do café. Novamente, sentiu o frenesi tomar conta de seu ser, e tomou apressadamente a garrafa térmica das calmas mãos de Vizinho, que não protestou. Senhor pôs toda a garrafa na boca, e mastigou nervosamente tudo aquilo, já sentindo o deleite de poder se apoderar metabolicamente da afamada molécula. Mas, os cacos de vidro espelhado e fragmentos de plástico não foram distrações suficientemente eficientes para que Senhor pudesse constatar que o que a extinta garrafa continha não era café.

Cuspiu violentamente os restos mortais do recipiente, muito sangue e cacos de vidro, e bufou: "ISTO NÃO É CAFÉÉÉÉÉ´´´´´!!!!" Ao que vizinho, sentindo a imensa corrente de vento decorrente dos plenos pulmões a gritar a plenos pulmões de seu vizinho, apenas constatou, "Não me grites! Não gastes acentos indevidamente, caralho! Sim, é café, mas descafeinado. Meu médico me disse que preciso regulara pressão. Joguei fora no incinerador do prédio todos os sacos de café normal que aqui em casa restavam. E a torrada, vai querer com ou sem--"

Não pôde terminar a frase, uma vez que a moto-serra de Senhor havia fendido-lhe o crânio diante de tal infâmia. Urrou de franco ódio, atraindo para o prédio todas as tropas inimigas do Arzebajão que tomavam de assalto as ruas daquela Cidade. Ouviu seu urro ao vivo no aparelho televisor, que anonimamente assistia a tudo, e informava, "As tropas Albanesas agora parecem se dirigir para este prádio na rua Humboldt, onde um monstro por mim avistado, acaba de matar friamente seu Vizinho. O poodle que se foda. Eu detesto requeijão."

Em seus embrutecidos sentidos, Senhor sabia que seu tempo estava se esgotando. Entretanto, alguma réstia de sentidos, lhe bastaram para saber o que tinha que fazer. O incinerador do prédio!! Aquele biltre do Vizinho tinha arremessado sabe-se lá quantos sacos de café ali!

Sentia o rufar de tambores, e o cintilar dos metais dos tanques das tropas da Armênia se aproximarem rapidamente. Não havia tempo para elevadores ou escadas; era agora ou nunca.

Abriu a portinhola que conduzia ao incinerador e se jogou no apertado tubo metálico que conduziria à sua mais completa - e última - glória. Sentiu a velocidade aumentar ao passo que sua energia cinética era aumentada pela energia potencial gravitacional, ou alguma baboseira física ou tísica que ainda lhe retumbava os sentidos. Sentiu o aumento da temperatura decorrente da aproximação daquele inferno interior do prédio. Sentiu suas carnes em chamas, por estarem assim dispostas, expostas dentro de um incinerador. Urrou de dor, mas ainda assim, avistou no meio das chamas, o seu útlimo objeto de desejo: uma lata de café.

Engatinhou dolorasamente em tal direção, enquanto sentia que o fogo lambia-lhe o que ainda lhe restava de tecidos conectivos vivos e funcionais de seu corpo.

Lá fora, os tanques e veículos anfíbios da Inglaterra se posicionavam para desferir o golpe fatal contra aquele hediondo assassino...de papéis de parede ingleses rudemente vandalizados no corredor. Prepararam a catapulta, com carga de uma autêntica bomba de nêutrons. E ovos podres.

Senhor sentia que a vida abandonava cada vez mais rapidamente aquele maltratado corpo, mas sabia que era preciso adquirir a lata. Sentir pela derradeira vez, o aroma de tais grãos. Sua epiderme já havia derretido e se desprendido de 95% de seu corpo, e agora os músculos se tornavam carne cozida, ou melhor, churrascada. Estendeu a mão em derradeiro esforço, apanhou a lata.

Lá fora, os Chilenos já haviam aprontado a catapulta e arrumavam os úlimos ovos podres na cesta, ao lado da bomba H. Acertaram o relógio para o horário correto, e fizeram mira.

A dor era insuportável, mas Senhor tinha que vencê-la, tinha que cumprir seu destino. Com debéis e derretidos dedos, fez descomunal força para abrir a lata. Seus ressecados e quase cegos olhos, puderam emitir ainda algum brilho quando tal tampa cedeu; ele se precipitou a direcionar o vasilhame em direção a suas arruinadas narinas.

Os Porto-riquenhos já haviam preparado todos os detalhes e agora, mãos nervosas se dirigiram para a alavanca.

O aroma lhe falhava a chegar, mas a vida se exauria rapidamente naquele inferno. Pensara ter visto, lido na lata chamuscada, os dizeires, "café descafei..."

Mas era tarde demais. Em um átimo, o projétil de fusão atômica fora arremessado pelos Marroquinos e atingiu a estrutura do prédio, obliterando tudo e todos do mapa, e impedindo que o grito de protesto daquele amante incondicional de café, CAFÉ propriamente dito fosse escutado por algum ser vivo, naquelas redondezas.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Busca.

Momentos de plena felicidade. Se alguém os tem, ou teve, na vida, sabe ao certo dizer quais foram. Sim, palavras de um pessimista, que conta nos dedos tais momentos, talvez por autêntica rabugentice decorrente da meia mal vivida vida, talvez apenas um sintoma fleumático de mais uma terça feira pela manhã, esta mui chorosa dos céus, a cair chuva aqui e ali.

Mas não sei se é somente comigo. Pergunto-lhes, o que são momentos de plena felicidade? E o que é felicidade em si? É algo completamente variável, diferente de pessoa para pessoa. E varia muito, ao longo da vida. Para um pirralho de cinco anos de idade, a felicidade completa seria ganhar aquele brinquedo, fazer aquela viagem para algum parque temático famoso, ou, mais modernamente falando, ganhar aquele videogame ou computador de última linha, ou aparatos eletrônicos diversos. Sim, esta nova geração está com seus anseios consumistas bem representados nas parafernálias eletrônicas.

E este consumismo representa a felicidade geral e absoluta para uma pá de gente. Todos sabemos. Todos nós temos tais desejos; mulheres e seus sapatos e bolsas e sapatos e roupas, e sapatos e perfumes e sapatos e sapatos. Esqueci de dizer sapatos? Homens com seus discos, computadores, netbooks, celulares, carros, carros. Carros, cada vez maiores, mais rápidos, mais ergonômicos, e coisas do gênero.

Triste dizer isto, mas consumir representa boa parte da terapia moderna para bem-viver, aparentemente. Eu mesmo me flagro viajando em catálogos virtuais de meus itens de consumo prediletos: computadores, sons, guitarras, guitarras, amplificadores e guitarras, baixos e guitarras, Gibsons, Fenders. Jazzmaster. SG. Estranhas afinidades de um Noiado. Fico horas e horas namorando tais artigos, e traçando planos inexequiveís para a aquisição dos mesmos. Não que vá levar tais planejamentos a cabo, mas bem sei que sou mais uma vítima da consumoterapia mundial.

Mas não faz parte de meus momentos de autêntica felicidade. Que me lembre, nunca senti aquilo que só eu sei definir de mim para mim como a definição deste sentimento tão pessoal. Sim, foram raros os momentos que fiquei em tal estado de graça. Mas não foram relacionados a consumismo...

Momentos feito o de ontem a noite, em que fui surpreendido com um pôster autografado de uma de minhas bandas prediletas e já em avançada via de extinção, presenteado por um de meus mais velhos amigos, valeram muito mais que comprar qualquer computador, qualquer carro. Não somente pelo item em si, mas pelo gesto. É bom lembrar que existem pessoas que realmente conosco se importam, não é verdade?

Outros momentos que me lembro agora...a primeira vez que consegui "descer" uma onda, em pé numa prancha. Foi a soma de vários e vários dias de árduas tentativas, e das melhores sensações que já experimentei na vida...A última vez em que eu e minha irmã estivemos em um palco, para tocarmos um bom e velho roquenrou. Vários amigos estavam presentes e testemunharam minha alegria de menino naquela noite. Foi somente divertidíssimo. E fez muito bem. Muito.

A sensação de ver um de meus desenhos estampado definitivamente, por toda uma vida, nas costas de uma pessoa. Marcado na pele, por toda uma vida. Foi inexplicável o que senti, como senti.

E alguns outros, mais particulares, mais secretos.

Ah, esta vida, poderia ser só feita de tais momentos, para que não precisássemos procurar por placebos consumistas e/ou farmacológicos para conseguirmos uma mera emulação de tal sentimento. Precisamos sempre nos lembrar de tais momentos, procurar recriá-los na mente, buscar por novas maneiras de tornar a senti-los...

Que seja esta nossa busca na vida...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Phoenix.


Não fica no Arizona.

Mora aqui mesmo, em mim.

E significa renascer das cinzas, de fato.

Ou apenas uma possibilidade de reerguer-me.

Ou ainda o despertar de antigos sonhos, antigas vontades.

Mais uma vez, estendem-se possibilidades.

Que seja desta vez.

Ameim.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Carta abrida a um devogado, parte II.

Prezado Doutor Tie:

É com pesar que venho informar-lhe que a partir da zero hora do dia de ontem, o dia se fez hoje, e assim será até a zero hora do dia de hoje, que se tornará amanhã. De posse de tais informações, podemos analisar mais a fundo o problema em quastão, questão esta tão profunda, tão insólita, que nos põe aturdidos em todas as manhãs, sejam elas de ontem, de hoje ou de amanhã, evidentemente. A questão reflete simplesmente ao simplesquestionamento de verificar se existe ou não questão. Pois bem, senão vejamos.

Questionamentos existem, por todos os lados, como é bem entendido. Agora, saber se o problema é devido a tal questinomento, são outros quinhentos, ou ao menos alguns seiscentos, creio eu. Em verdade, me questiono acerca de todos estes factos, assim como os fatos, sejamos brasileiros ou não, respeitemos ou não nossa portuguesa e abrasileirada raiz de maiz, de milho, de milho. Curau? Quanto você acha que custa esta pamonha? Mas quanto você acha--

Sim, divago, bem sei. O que acontece é que os remédios que me são ofertados em este hospital, por vezes me parecem mais serem agentes de trânsito que sou obrigado a engolir, algo assim. E não fazem necessariamente bem ao trânsito intestinal, uma vez que fico entupido no prazo de uma semana, para depois ainda dar prejuízo ao vaso comunal que eu e meus companheiros de guerra somos obrigados a compartilhar. Um monte de bosta, como diria Papaco. E sou eu mesmo o cagão.

Mas voltando ao cerne do questionamento em questão, o que podemos inferir da análise de tais dados? que existe um questionamento superior, salvo inferior para resolvermos de maneira pacífica todas as aflições terrenas? Ou que temos tempo para fazer do tempo nosso companheiro, mesmo que não tenhamos tempo para mais nada além de sentarmos em casa diante de teletelas imbecilizadoras, baixando programas e músicas e pornografia e mesmo fazendo pedidos de alimentação à distância, sem nem precisarmos de sair de nossas cadeiras, sem nem precisarmos de dinheiro termos em mãos, mas sim em numerários distantes, residentes em outras máquinas, em outros lugares, em outros ares? E me dizem que o futuro não chegou, eis que vejo o agente do hospital, o subgerente meio vesgo a me olhar torto, diante da força por mim desprendida ao empurrar cada uma destas teclas situadas defronte a mais esta teletela perpétua em minha vida.

É preciso fazer silêncio, é preciso fazer com que os comandos não se misturem às ordem verbais. O que escrevo aqui, todos já o sabem, ou ao menos os agentes do Big Brother, ou simplesmente Google, já sabem, mesmo que de seus domínios nem ao menos tenham saído, apesar de que ainda assim conhecem a tudo e a todos, têm fotografias de todos e tudo, sabem todos os detalhes de nossas navegações, por mais sórdidas que sejam, por mais anônimos que nos tornamos neste novo universo humano, que de humano nem ao menos os comentários em blogs e fórums temos ao certo. Sabem de tudo de tudo e dizem que não sabem. Sei.

Assim, o que eu dizia mesmo? Minha cabeça gira, e o mundo se torna multicolorido à minha frente. Não, não estarei eu vendo um espetáculo de Benoît Mandelbrot, expurgado de suas funções enquanto ser vivo um outro dia desses aí, ao menos creio não estar vendo anáçises de fractais diante de um winamp da vida qualquer aí. Milkdrop? O que ser tal coisa? Tampouco é visualização visual de um horrendo programa da maçã de madames digitais por aí, bem sei eu que isto deve ser o fundamental questionamento, sobre cores e o universo, e tudo mais. Será que sim, será quarenta e dois a resposta? Qual é a pergunta mesmo?

Sei que o senhor pode me ouvir, não o Senhor que algumas testemunhas de isto ou daquilo afirmam residir na abóboda celeste e que nos ama tanto que inflinge em nós todo o ódio de seus outros filhos humanos caso não aceitemos nem questionemos os dizeres de uma ficção generalizada traduzida e re-traduzida tantas vezes que do texto original nem ao menos o suspiro mortal restou. Não podemos, não devemos, fazer isto e aquilo, nem ver coisas coloridas se movimentando à parede. E nem ao menos de farmácos precisamos mais para obter tais resultados! Basta estar conectado a este universo! E seguir as instruções, evidentemente. Tudo derrete! Tudo é feito de nada!

O enfermeiro é gente boa, e vem me medicar mais, ou ao menos assim parece. Sinto dores, tantas dores, e nem ao menos descobri o que iria questionar. Passe bem então, caro Doutor que nem doutor é, apenas um devogado reles se tornou.

E tenha um bom final de semanazzzzzzzzzZZZzZzZZZZZZZZzzzzzZZzZZz...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pu-purri.

Tanta coisa pra fazer, não é verdade? Tantos lugares que ainda não conhecemos, coisas a serem vistas, comidas a serem experimentadas, temperos a serem degustados. Viajar, viajar, experimentar, dizem ser, dizem saber. Ir e vir, estar sempre em estado de eterna partida, por assim dizer.

Cheiros bons das manhãs, as padarias e seus pães fresquinhos, o bom café. Cheiro da chuva na terra seca, som das gotas em telhas de barro cozido, ali organizado em seu teto, além mundo escondido num canto da cidade, num canto da bagunça urbana, onde cantam curiangos, onde malacos vão incomodar, por vil necessidade de tanto invejar.

Palavras por outrem escritas, mesmo do além mar, onde a europa jaz, donde Pessoa escreveu, donde tantos outonos estão a passar, enquanto aqui nós temos nossa mais gélida primavera dos últimos dez anos de todos os tempos; lá esta a Loba ao sul que não me deixa mentir, eis que lá é ainda mais tenebroso, mais rigoroso, o frio que não acalenta, à espera de quê, à espera da vida? Como faz, como faz?

E mesmo ao norte, em remota porção por nós do centro-sul do centro-oeste sudeste tão desconhecida, existe um Símbolo a falar, a escrever, a pensar e a ler, coisas bem mais contundendes que um mero Noiado qualquer jamais ousaria escrever, tamanha é sua não-vida, tamanha é sua incompreensão do mundo vasto mundo sem nenhum Raimundo que sirva de rima nem de solução. Tente, tente, quem sabes um dia acontece?

Pois ali não existe o horário de verão, cá não existe chuva em julho, em maio. Cá não temos florestas, temos cerrados, temos civilização? Temo, de fato? Teremos? E o que diria de nós o amigo europeu? Cá somos apenas um nada, um país de selvas e Samba? Não, quem pensa assim são estadounidenses, aqueles arrogantes seres que se afirmam "americanos", esquecendo de todas as outras américas.

Tentemos focar no bom lado da vida, o cheiro do café, o cheiro da padaria, e tantos outros aromas que alguns de nós não conhecem ainda. A companhia de nossos animais de estimação, tantas vezes mais humanos que muitos frangos por aí circulantes, a contemplação das caducifólias d'além-mar, tão exuberantes em cores.

E que todos nós encontremos uma maneira de salvar nossas vidas, nossas vidinhas, tão ordinárias, tão extraordinárias, dependendo do dia, do momento.