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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

AniversáriommMax.

Não sei se acontece com todo mundo. Não sei se a maioria das pessoas trata a data especial com o mesmo desdém, ou o mesmo receio. A gente vai vivendo e vivendo, e se depara com estes momentos, estes números, divisores de águas, não somente por sua numeração especial, mas pelo efeito psicológico que tais números nos dizem.

Falo daqueles momentos únicos na vida de uma pessoa, aqueles macabros aniversários, em que os mútiplos de dez aparecem. Certo, imagino que aos dez anos de idade ninguém vá ter uma crise existencial. Se existirem crianças de dez anos que se lamuriam pela primeira década vencida, estas crianças já não estão vivas, ou pelo menos estão moribundas. Normalmente, ninguém tem muitos problemas com este primeiro decênio, ao menos não no sentido de se sentar e ficar rememorando seus dias já passados. Imagine só. "Aos sete, eu deixei de ir ao parque para ficar em casa vendo aquele desenho. Naquele remoto dia, em que as árvores estavam tão verdejantes, meu coleguinha foi agraciado com a sorte grande, pois encontrou enterrado na areia do parque um comandos em ação muito antigo. Porque eu não fui lá naquele dia. Teria sido eu a achar."

De fato, preocupações não costumam habitar a mente de infantes. Ao menos não este tipo de procupação, de ver o tempo passar, a vida correr, e a gente sempre tentando alcançá-la. Aos vinte, a coisa já muda. Seria o primeiro divisor de águas mentais. Apesar de que, a maior parte das gentes não tem muitos dramas, nós que pertencemos ao time dos eternos pensadores em excesso, sempre gostamos de encontrar mais lenha para nosso fogo de pensamentos, aquela chama eterna em nossas cabeças. Eu me lembro que ao chegar neste ano fatídico, a crise abundou em minha cabeça. Mas dizer isto sobre mim é o mesmo que afirmar que para viver precisamos respirar. Aos vinte, a maioria das pessoas ainda não quer saber muito de se preocupar. O corpo está em forma, a energia está no auge, podemos passar noites em claro sem nem sentirmos, festas, festas. Diversão.

Daí em diante, a coisa só vai piorando, pois o tempo é inexorável, por mais que nos afirmem que não parecemos ter os anos que nos são devidos, o relógio não para. Aos trinta, sabemos que a vida anda cada vez mais e mais depressa, que o tempo cada vez mais urge, que as coisas estão acontecendo, e que deveríamos fazer isto e aquilo, e que emprego e dinheiro e família e que não sei mais o quê, responsabilidades, chatices. Cada vez mais e mais é difícil ignorar a somatória de todos nossos dias. Ainda temos pique, ainda temos energia, mas já não é possível negar que não são iguais ao pique e a energia de dez anos atrás. Eu, que já passei por este divisor, sei que a coisa é inegável, que a pilha vai mesmo acabando, e mesmo nossa mentalidade muda. Existe a trrível prenda da madureza sempre espreitando, roubando nossa diversão, e acrescentando uma pá de coisas com que se preocupar. Eu devria dormir mais. Eu deveria ganhar mais. Eu deveria ter filhos, eu deveria me casar, eu deveira comprar uma casa, um carro. Escolher a vida.

Aí chego no cerne do pensamento do dia. A data de ontem foi destas "ocasiões especiais" para um de meus melhores amigos, um destes irmãos não-de-sangue que todos nós temos. Ontem, ele atingiu o célebre e tão temido dia em que se completam mais um destes marcadores especiais de idade. Ao que sei, meu companheiro não a recebeu com bons olhos, e não posso deixar de concordar com ele. Este número é muito agressivo, opressivo.

Ele é destes amigos para se guardar a sete chaves mesmo, daquelas pessoas que agradecemos à vida por ter nos permitido encontrar, aquele tipo de pessoa que simpatizamos de imediato, e um "kindred spirit", por assim dizer. Um companheiro que sempre está por perto, nem que seja para encher nosso saco. Sim, mesmo irmão de sangue brigam, mesmo em cossanguinidade encontramos pontos de vista diferente, mesmo sendo irmaos, tão parecidos, tão diferentes. Assim acontece também com nossos irmãos por nós eleitos. Tão parecidos, tão diferentes.

Sei que o cara já segurou minha onda, minha barra, muitas e muitas vezes. E já me fez passar muita raiva. Ouvi a mãe daquele meu aluno, sobrinho torto que possuo, afirmar que a chegada nesta idade pode ser traumática, sim, mas existe uma vantagem que, caso aconteça com meu companheiro, será o ouro. Falo do fato do "fôdas" de repente se ativar em toda sua plenitude. Segundo ela, "nesta idade, você sabe quem é, faz de tudo que quer fazer, e manda o resto pra merda, o resto e todos que não gostarem, não concordarem."

Pois, tal habilidade me pareceu estar cada vez mais presente na compleição de meu amigo. E caso o tal dispositivo, tal interruptor mental realmente se desenvolva e fique permanentemente ligado em tal idade, isto seria um excelente presente de aniversário, creio eu. Eu sei que gostaria que tal coisa acontecesse comigo. E até onde sei, meu companheiro também ansia por esta libertação, esta alforria.

Sei também que digo tudo isto e posso estar passando a quillômetros de distância do que realmente passa na cabeça do cara. Não sou vidente, mesmo tendo me enganado em muitas de minhas profetizações. E não sou o cara. Não sei o que se passa, mesmo sendo nós tão companheiros, amigos.

Sei que há quase dez anos somos companheiros na luta pela vida, e sei que muitas vezes nos deixamos abalar por bobagens. Sei que o cara costuma se refugiar, esconder do mundo em tais datas. E sei que não é nada de anormal ficar viajando errado nesta ocasião, ainda mais uma tão "especial" como esta.

Enfim, desejo a Max um excelente divisor de águas; que sua vida se torne mais leve, que as famosas "cocotas" apareçam para ficar em sua existência, e que o passar dos dias sejam-lhe aprazíveis. Sei que o cara merece, mesmo que tenham lhe dito, em sessão "cartomante"(aquela amiga que diz ler vidas passadas) anos atrás; sei que graças a ele os frangos existem como frangos, em nossa definição, que sempre que bebemos rum imitamos piratas, que sempre que nos encontramos na vida real temos boas conversas e que ele é outra pessoa caso você queira conversar via internet com o sujeito. Uma pessoa mil vezes mais má e mala que ele é na vida real...

Enfim, se você tem destes amigos que deseja tudo de bom e um pouquinho de sacanagem, beba comigo. Erga sua xícara matinal de café, ponha duas doses de rum e beba. Eca! E estou trabalhando. Não possho ficar bebo. Num possho, tenho qui trablhhar...hic!

À sua saúde, Max. Seu fedaputa. Mas nem tanto quanto o Daniel.Dinheiro e cocotas. Rum e Campari(eca, eca eca, só um doido como ele pra gostar desta merda.)

E agora, de volta a nossa programação normal de pós feriado...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pu-purri.

Tanta coisa pra fazer, não é verdade? Tantos lugares que ainda não conhecemos, coisas a serem vistas, comidas a serem experimentadas, temperos a serem degustados. Viajar, viajar, experimentar, dizem ser, dizem saber. Ir e vir, estar sempre em estado de eterna partida, por assim dizer.

Cheiros bons das manhãs, as padarias e seus pães fresquinhos, o bom café. Cheiro da chuva na terra seca, som das gotas em telhas de barro cozido, ali organizado em seu teto, além mundo escondido num canto da cidade, num canto da bagunça urbana, onde cantam curiangos, onde malacos vão incomodar, por vil necessidade de tanto invejar.

Palavras por outrem escritas, mesmo do além mar, onde a europa jaz, donde Pessoa escreveu, donde tantos outonos estão a passar, enquanto aqui nós temos nossa mais gélida primavera dos últimos dez anos de todos os tempos; lá esta a Loba ao sul que não me deixa mentir, eis que lá é ainda mais tenebroso, mais rigoroso, o frio que não acalenta, à espera de quê, à espera da vida? Como faz, como faz?

E mesmo ao norte, em remota porção por nós do centro-sul do centro-oeste sudeste tão desconhecida, existe um Símbolo a falar, a escrever, a pensar e a ler, coisas bem mais contundendes que um mero Noiado qualquer jamais ousaria escrever, tamanha é sua não-vida, tamanha é sua incompreensão do mundo vasto mundo sem nenhum Raimundo que sirva de rima nem de solução. Tente, tente, quem sabes um dia acontece?

Pois ali não existe o horário de verão, cá não existe chuva em julho, em maio. Cá não temos florestas, temos cerrados, temos civilização? Temo, de fato? Teremos? E o que diria de nós o amigo europeu? Cá somos apenas um nada, um país de selvas e Samba? Não, quem pensa assim são estadounidenses, aqueles arrogantes seres que se afirmam "americanos", esquecendo de todas as outras américas.

Tentemos focar no bom lado da vida, o cheiro do café, o cheiro da padaria, e tantos outros aromas que alguns de nós não conhecem ainda. A companhia de nossos animais de estimação, tantas vezes mais humanos que muitos frangos por aí circulantes, a contemplação das caducifólias d'além-mar, tão exuberantes em cores.

E que todos nós encontremos uma maneira de salvar nossas vidas, nossas vidinhas, tão ordinárias, tão extraordinárias, dependendo do dia, do momento.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fedaputa Pinheiro Lima.

Bem, me informaram que é hoje, então que seja hoje, assim espero. Homenagens em dias errados não estão com nada.

Existem pessoas que a gente precisa conhecer em nossas vidas. Pelo menos assim me parece. Eu, eterno Noiado que sou, conheci uma pessoa destas, únicas e de certa forma, necessária para minha vida.

Tudo começou em meados de...de...er, acho que 2003, não me lembro a data ao certo, quando terminei de cursar o módulo Básico II na casa dos Quadrinhos daqui de BH, uma escola de desenho, por assim dizer. Me vi diante da seguinte pergunta: o que fazer agora que o ciclo básico deste curso está no fim? Para onde ir? Tinha algumas opções, como ilustração digital, quadrinhos e outras. Uma delas, entretanto, me chamou a atenção, por que o cara que ministrava a tal disciplina veio conversar com a galera do Básico II e fez propaganda sobre seu módulo. Pendências com desenho seriam resolvidas, eu iria ter que desenhar pra caralho, etc.

O cara em questão se chamava Daniel Pinheiro Lima. Quem é assíduo deste mural de lamentações deste brogue talvez já tenha ouvido falar dele e seu personagem principal, Oswaldo Augusto. Eu, que de antemão já sabia que não me daria bem no módulo em questão - desenho animado - resolvi me jogar na fogueira e me forçar a desenhar bilhões de frames entre uma ação e outra dalgum personagem desenhado. Não deu certo, como de esperado, mas mesmo assim não lamento ter cursado a quase totalidade dos 2 módulos.

Por quê? Por ter conhecido este cara. Este fedaputa! por assim dizer. Mas se o cara é tão legal assim, por que xingá-lo? Por que nem sempre um xingamento entre amigos é deveras um opróbrio. Nem sempre. No caso do cara, o sim e o não alternam. Sim, quando ele te olha para o que você está rabiscando e olha para sua cara com uma expressão que denuncia o erro, normalmente seguido de um comentário que acaba com seu ânimo pelo resto do dia(fedaputa!!) E ele é um fedaputa, no sentido não-pejorativo, por fazer coisas como esta, que ilustra com aguda precisão a definição pessicológica de nóia, esta coisa que sempre me acompanha.

Não sei que conseguirei, neste improviso matinal do dia, detalhar todas as nuanças desta amizade, por vezes conturbada devido às minhas companheiras infalíveis(neuroses diversas, inc.) mas mesmo assim, tentarei expilcar. Este cara, de fato, é dos melhores animadores que já vi trabalhar, que, apesar de afirmar que tem muitas nóias também, não se deixa por elas abater e produz coisas muito boas com regularidade. Um exemplo, eu diria, para este ser que escreve e escreve, enquanto também deveria de suas âncoras se libertar e no papel representar as linhas e linhas que sempre adio e adio. E fora deste escopo desenhístico, é um cara com o qual você pode conversar, sobre qualquer assunto. Evidentemente, sua conversa pode até gerar mais nóias, em especial em seres abjetos como este pendular Buriol dos tecrados alfanuméricos aqui, mas em geral, eu escutei bons conselhos em nossas conversas, de buteco, diante dos lindíssimos filmes que nossa galera(os Farrapos) gosta de assistir nas horas vagas; os filmes trash e de hilária ficção científica dos anos 50 e 60. Diversão garantida.

Engraçado é que ele mesmo sabe que esta dupla alcunha - fedaputa - é válida nos dois sentidos. Quem já foio aluno dele sabe do que estou falando. Eduardo, o Damasceno, outro fedaputa que já escrevi a respeito aqui, foi destes. Em sua primeira avaliação naquele tal modulo Básico II, em que Damasceno tinha como professor este ser a que me refiro nestas linhas, foi absolutamente massacrado por este. Nota zero! Por quê? Pelo simples motivo de que, segundo Daniel, ele não estava desenhando, e sim fazendo cópias de seus autores preferidos de desenhos. Isto pode acabar com uma pessoa, se for dito de maneira imprópria e dependendo da índole do alvo da crítica. Felizmente, no caso, o que aconteceu é que um fedaputa terminou por gerar outro, pois Damasceno é outro fedaputa, por assim dizer. O cara se esforçou tanto em provar o contrário para aquele professor, que acabou superando o mestre. Palavras vindas da boca do próprio Daniel. Eheheheh.

Como podem ver, pessoas como esta, são necessárias para a melhoria da vida da vida de outrem, por mais duro que seja encarar as verdades ditas por ele. Não posso dizer que, no meu caso, a coisa tenha funcionado com absoluto êxito, eis que meus dramas com estas artes e partes desenhísiticas, frequentemente geram matéria prima para este mural de lamentações a que vocês estão sujeitos a ler e menear a cabeça em sinal de preguiça. Mas existem pessoas e pessoas, e cada uma reage da sua maneira e tem seu tempo, por assim dizer. Ando refazendo uma série de conceitos tortos em minha vida, e nestas horas, eu sempre me lembro de incluir em minhas refêrencias mentais caras como este e outros Farrapos(desenhistas falidos ou quase falidos, que são meus amigos), para tentar me incentivar e tirar o pé da lama no quesito produtividade.

No ano seguinte, lembro-me que houve um infeliz acaso na vida deste cara, o término de uma relação que muito significava para ele, e na época em questão houve o primeiro "Farrapostock", reunião aleatória de pessoas integrantes a esta curiosa tribo. As pessoas se reuniram em minha casa no carnaval, e lá ficamos falando merda, consumindo iguarias suspeitas(gambiarras gastronômicas de primeiríssima ordem), bebendo e falando merda, assistindo eventuais filmes na televisão também. Algum tempo depois, lembro-me dele ter me agradecido, à mim e minha irmã por tê-lo recebido ali, pois a barra estava custosa para ele aguentar, devido ao rompimento com sua namorada. Diz ele que foi muito válido ter passado todos aqueles dias reunido com o galerão lémcasa, e muito me surpreendi com isto, pois a fachada das pessoas engana muito. Ele mesmo afirma que muitas pessoas já o confudiram com um ser mau-humorado e "sanguinário". Mesmo minha mãe, quando o conheceu, achou que ele estava com muita raiva de tudo, lembro-me dela me dizer isto. E não era o caso. Diz ele que em ocasiões que fica sem graça, seu semblante assume esta posição mais séria, e que pode transmitir esta idéia errada.

Pessoas são diferentes e ninguém lê mentes, de fato. E este lance de parecer ser uma coisa à primeira vista é um fato consumado na vida de todas as pessoas vivas. Creio que nós todos já nos deparamos com tal situação. Eu sei que já aconteceu comigo.

Na época em que eu tinha decidido abandonar este meu emprego aqui e retornar à faculdade, para tentar ingressar em um curso que talvez, TALVEZ, tivesse mais a ver comigo que a biologia, eu tive aulas preparatórias para a tal prova de aptidão com Daniel e Felipe de Mattos(outro fedaputa), e elas muito me valeram para a prova em si, eis que não sabia nada a respeito de tais exames, e precisava mesmo daquele "boost" para passar tal etapa. Eles nunca me cobraram nada, e muito me ajudaram. São pessoas que valem a pena ter como amigos, não acham? Entrementes, lembro-me bem do conselho "torto" de Daniel momentos antes da prova, data em que eu estava com os nervos em frangalhos: "Por que ficar nervoso? É o que você sempre fez na vida, vai lá e faça o que você sempre fez. Simples assim."

Não era tão simples, mas bem sabia eu que o cara estava certo. Fedaputa! Outra coisa que na época das aulas particulares pré-"belas" artes me embasbacou foi o tanto que este cara olhava para seu desenho, pensava um pouquinho e vomitava em cima de você um relato completo de suas aflições pessicológicas: você está assim, assim e assado, por conta disto e daquilo. Eu ficava embasbacado: como sabe disto?? Fedaputa! Várias outras pessoas que conheço experimentaram semelhante avaliação e ficaram igualmente aturdidas.

Eu, de meu lado, afirmo que a amizade com caras fedaputas como Daniel, o Pinheiro Lima, é muito necessária e benéfica para caras como eu, este feixe de contradições e complicações nervosas. E por vezes até me pergunto como ele e outros fedaputas chamados Farrapos me toleram até hoje, pois passam-se os anos e as nóias continuam a me ancorar. Não sei se eles mesmos sabem, mas uma de minhas viagens erradas que mais me joga pro buraco é do mundo me isolar(inculindo a eles), não por ojeriza do mundo em si, mas por achar que minha presença só enche o saco, tamanha são as neuras em mim encerradas. Bem sei que isto é errado, e por vezes me surpreendo quando se referem a mim como um bom amigo, um cara legal.

Mas, agradeço muito a vocês, meus caros, por tanta paciência e tantos bons momentos. A homenagem do dia é ao Daniel, mas pode muito bem se estender a todos os Farrapos, afinal de contas. Mas, voltando ao cara em questão, como já disse antes, ele faz as tiras do peixe Oswaldo Augusto há mais de dez anos, e são muito boas, algumas delas sempre me fazendo rir mesmo em meus dias de mais negros humores. E por vezes, a situação ali ilustrada é absurdamente coerente com minha realidade, mas com bom humor descrita, ao contrário de minhas explosões de raiva, agressividade e depressões aqui escritas.

Pois bem. Contrariando algumas convenções de regras legais e regulamentos, eu tive a seguinte idéia de um presente para este meu amigo. Fazer uma fan-art de seu personagem principal. Demorei horrores para pensar em algo interessante, ainda mais tempo para pôr a coisa no papel. Mas consegui fazer:

Bem sei que eu mesmo não fiquei 100% satisfeito, inda mais que eu tive um momento clássico de Esprit d'escalier na punchline. Eu deveria ter fechado a tira com as seguintes palvras para o Verme: "Fálico é o caralho, seu fedaputa!!" Um dos motivos pelo qual eu não gosto de escrever as falas dos personagens à mão, além da evidente razão de possuir péssima letra, é este: eu sempre fico matutando e depois penso em algo melhor para escrever.

Mas no geral, eu achei que funcionou, pois eu me apropriei dos personagens principais da tira - Oswaldo e o Verme - e meio que fiz uma experimentação que ficou bacana, em minha opinião. Em meu entendimento, no universo desenhado por Daniel, o Oswaldo é sempre sacaneado pelo Verme. Eu fiz uma inversão das coisas no meu rabisco. Eu quase nada sei da "mitologia" dos personagens criados por meu amigo, mas sei que em geral, o Oswaldo sempre sai perdendo. Desta vez não, eheheheh. E a piadinha cretina dita por Oswaldo no final me soou como coisa que o fedaputa de seu criador diria. Bem apropriado, eu diria.

Bem sei eu que o Verme nada mais é que quase um Lombardi na tira, e que a planta em que reside - aquele cactus aquático em que o Verme reside e que cujo espécie quatro anos de biologia falharam-me em ensinar, não faz parte do personagem em si. O Verme é um ser puntiforme, realmente de dificílima execução enquanto desenho, pois não. Ah! Outro detalhe. Sempre achei que no caso da planta, o Daniel se inspirou no desenho formado por aquelas pedrinhas brancas e pretas da calçada da R. Guajajaras com Afonso Pena, à esquerda de quem sobe tal rua. Ehehehe.

Enfim, é segunda feira, e este improviso está se estendendo por demais. Mas espero que seja o suficiente, em conjunto com a tira em si, para servir de presente para este fedaputa o qual quis homenagear na data de hoje, que me afirmaram ser seu aniversário. Depois eu darei em mãos o presente físico em questão, o papel em que desenhei a infâmia logo acima representada. Espero não ter detonado demais com sua obra(como Marcela disse, "Porra! O Oswaldo ficou muito Sr. Bode") e me desculpe não ter pedido autorização. Ela já estava pronta no sábado, data em que qause todos os Farrapos se reuniram em minha casa, para morrer de frio e encher a cara. Foi tudo muito bom, e a inesperada visita deste tal de Daniel, o Fedaputa e sua esposa, na data em questão melhorou mais ainda a ocasião, não só por opinião minha mas como a de outrem lá presentes. Não vos entreguei a coisa nem falei nada, nem para você nem para mais ninguém pois realmente queria que fosse uma surpresa, para o bem ou para o mal, eheheheh.

Valeu, seu Fedaputa! Parabéns ae zin! Nós, que somos tão velhos quanto o panquerroque, de 1977, temos as manhas e as moral.

Bem, ao menos alguns de nós têm. Eheheheh.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O casório de meu irmão.

Aconteceu no sábado. A mudança.

Mudança sem muito mudar o que nós todos já sabíamos, já conhecíamos. Ainda assim, foi dos acontecimentos mais importantes do ano. Coisa que raramente vemos, ainda mais em meu meio, meu círculo de amigos e conhecidos. O casório, de meu irmão Rafael; irmão este sem ser de sangue, por assim dizer, mas de fatoi um irmão, um destes caras que devemos conservar em nossas vidas, uma destas pessoas que sempre podemos contar, nas mais negras horas de nossas vidas.

Fui convidado para ser um dos padrinhos, através de um email o qual ele acrescentou, "bem sei que não gostas de tais formalidades sociais; se não quiserdes proceder como tal, entenderei bem." Evidentemente, o email não estava assim tão floreado por tal jargão advocatício, mas bem sabem os que me conhecem que tendo a assim escrever, apenas para encher render uma certa forma de humor.

Deixando de divagar, volto ao caso. Evidentemente, aceitei tal "encargo", pois como já disse, um irmão é um irmão, e não existem sacrifícios que não fazemos por tais pessoas. Sou de fato um cara questionador de todos os inúteis ritos sociais e por vezes até me exalto em tais recriminações, mas afirmo que nem sequer pestanejei. Para mim foi verdadeira honra ser selecionado para tal tarefa.

Evidentemente, ocasiões solenes como esta requerem alguma sorte de sacrifício para um ser avacalhado e mentalmente marginal como eu. A inglória necessidade de ter que me enfiar em uma certa combinação de roupas as quais já previamente escrachei aqui neste diário quase diário de resmungos. O malfadado terno. A maldita gravata. Por mais que me digam, eternamente odiarei tal traje. Vem do sangue.

Enfim, não recuei nem pestanejei. Que venha o terno. E camadas adicionais, evidentemente, de roupas um tanto menos prestigiosas por debaixo da fantasia. Pois bem conhecia o terreno em que a cerimônia iria ser realizada. Conheço bem o Retiro das Pedras, desde meados de 1990. Sei o frio que ali faz, e o que me esperaria naquele fim de tarde. Achei estar até exagerando, quando me vi vestido com tantas camadas de roupas, mas ainda em minha casa, onde já faz frio normalmente. Mas o bom senso e a experiência não me falharam.

O frio que ali fazia era exemplar, digno dos velhos tempos. Minhas camadas extras me salvaram, e eramaté meio insuficientes para o ambiente externo da capela. Tive dó das mulheres que ali compareceram, entretanto: todas mui elegantes, mui apreciáveis aos olhos de todos os marmajos ali existentes, mas muito despreparadas para tal inóspito ambiente polar. Enfim.

Faziam anos que não visitava tal capela, e não me lembrava de todo seu esplendor, localizada à beira do penhasco, com uma vista absurdamente bela. Eu e os demais padrinhos e madrinhas fomos orientados por uma agente da Gestapo disfarçada de organizadora de casamentos, e confesso que não entendi quase nada que a dita falava, eis que não entendo bem o alemão de Auschwitz. Entrar pra direita, pausar no meio, ir para o teto, cair de bruços, pisar na lua, o quê?!

Ficamos entontecidos pelas instruções, e aguardamos a chegada da noiva, que como de praxe, chegou um pouquinho mais tarde que o noivo, este meu irmão tão avacalhado como eu; conforme fui informado por outros amigos, o cara ficou tomando umas cervejas com outros convidados em sua casa momentos antes do casório, trajando roupas absurdamente surradas e agindo com sua naturalidade escrachada de sempre. Ri muito deste informe, pois bem conheço meu irmão: apesar destes pesares, na hora marcada, lá estava o cara, impecavelmente vestido e arrumado.

Quando a noiva chegou, houve certa demora para que ela saísse do carro: haviam reportes de choro incontindo no interior da moderna carruagem, e requisitaram um lenço. Eu, como bem conheço minhas alergias ao frio, havia levado um no bolso e acudi prontamente, aos comentários de "este sim é um cara prevenido". O mais engraçado, entretanto, era que o lenço não era destinado à noiva, mas sim ao pai dela, que rompeu em pranto assim que avistou a fileira de padrinhos e madrinhas defronte à capela. Agora era hora de entrar na igreja e seguir o mapa e o plano de batalha de Fräulein SS. Como? Nem sabia.

Felizmente, executar tal entrada não foi tão difícil assim, e tudo correu bem. Apenas segui meu par, a irmã de sangue de Rafael. Deu tudo certo, e a cerimônia começou. Custei a avistar Jade no meio de tantas cabeças que espichavam o pescoço para terem a primeira visão da noiva. Eu mesmo estava um tanto emocionado, pois bem me conheço nestas horas solenes, ainda mais envolvendo pessoas para mim importantes como o casal que estava prestes a oficializar o que todos já sabiam há anos, o que todos já estavam acostumados a ver. Sim, sabíamos que eles já eram casados, mas não diante dos ritos exigidos pela religiosidade que as famílias de ambos tanto queriam ver de perto. Enfim, é a vida: tem destas coisas.

A cerimônia "episcopal" foi curta (para alívio conjunto de todas as fêmeas tão carnalmente expostas naquele recinto) e sem maiores incidentes, contando apenas com uma crise de riso por parte da noiva, que foi tentada a fazer tal "deslize" por alguém lá de fora, que segundo me disseram, fez uma careta para ela. Tudo correu bem, e fomos direcionados para o exterior da capela onde a agente Helga SS, empunhando sua cruz de ferro, exigiu que as madrinhas e padrinhos se reunissem por detrás da capela para sessão solene de fotos e atiramento de arroz nos noivos, agora consagrados aos olhos da igreja. Atiramos nossos punhados de arroz na gelada escuridão, e escutei Rafael gritar, "Porra! é pra jogar pra cima galera, e não na minha cara!" Risos, risos. Adiante. A recepção nos aguardava, fora do condomínio mas não tão longe assim.

A festa foi o encerramento ideal para tal evento. Estava tudo muito bom, eu sorria incontrolavelmente, e meus músculos da face protestavam devido ao prolongado desuso por ser este ser turrão que tanto se isola do mundo. Sorria muito indiferente às duras penas de pôr tais aparatos em funcionamento, pois ali encontrei quase todos meus amigos que fiz em tantos anos de idas eventuais àquele condomínio. E me sentia muito bem. O astral estava muito bom. Estava com medo que meu lado negro se manifestasse naquela noite, e alguma espécie de mau humor indefinido ou depressão súbita tomasse conta de mim. Já aconteceu antes.

Mas não naquela noite. Estava me sentindo muito bem, estava tudo muito bom. Tomei várias taças de champanhe, que estava surpreendentemente bom, comi diversos salgadinhos igualmente agradáveis ao paladar, joguei conversa fora com vários amigos, sendo que dois deles, meus capetinhas preferidos, aqueles seres que ficam por perto de um cara bobão feito eu, não cansavam de tentar me levar para o "mau" caminho. Peer pressure mothefuckers, I would say. Mas eu recevbia tudo com bom humor e rechaçava tais propostas com minhas exaltações teatrais de sempre, temperadas de meus típicos xingamentos: "Dançar é o caralho, pode ir sem mim seu viado" e quejandos.

Como era uma noite especial, de muitas indulgências, avistei alguns de meus amigos se intoxicando com a tal nicotina, que tanto me tenta nestas semanas, e lá fui também inalar tal coisa. Senti um misto daquela estranha sensação causada pela abstinência prolongada de tal agente intoxicante, e senti o alcóol dos champanhes se manifestando prontamente. Mas não houve nenhum incidente maior que este. Procurei poor coisas não alcóolicas em seguida, e fui mesmo um dos primeiros a se servir da magnífica comida ali servida naquela noite, e me restabeleci por completo. Não desta vez, vil etílico vilão, não desta vez. O senhor falhou em me fuder nesta noite. Fiquei muito satisfeito com isto.

Depois, continuei a trocar idéia com meus amigos, e os capetinhas continuavam a me tentar, e eram continuamente rechaçados. Estive firme a quase tudo, menos à visão de nova rodada de cigarros: para lá fui novamente, lá me intoxiquei novamente, e senti novamente aquela queda de pressão previamente relatada.

E nestal hora, um dos capetinhas me capturou pelo braço e me arrastou de surpresa até a pista de dança, lá me jogando, no meio daquela profusão de corpos que se contorciam conforme a música. Eu, robô, como sou, já senti a adrenalina subir, devido a tal vexatória situação. Mas naquela noite estava determinado a NÃO ser o chato da festa, e lá fiquei me contorcendo também, para o delírio de alguns dos presentes, como a noiva e sua irmã, que muito se embasbacaram de ver o Noiado no Sótão ali estar, arriscando rispiveis passos horrendos de dança. Minha irmã mais nova também, também não muito fã deste tipo de atividade, quase foi forçada a dançar, mas se limitou a muito se rir de minha hilária figura que parecia estar tendo um ataque epilético. Sengindo ela também, naquele momento estava meio enjoada devido às champanhas por ela ingeridas. Os capetinhas tentaram e tentaram convencê-la, mas ela foi mais firme que seu irmão e só ficou ali mesmo contemplando a comédia da noite.

Felizmente, nesta hora a música era muito boa, aqueles famosos remixes intercalados de mpusicas dançantes de tempos passados, swings e afins, velhíssimos "roquenrous" pais do gênero que tanto aprecio e tantas outras melodias realmente agradáveis para estes momentos. Quando a música de repente passou a se enveredar em praias por mim não muito apreciáveis, eu me esgueirei para fora dali, e fui beber alguma coisa. Em verdade, não estava mais nem um pingo bebâdo, e para ser sincero, estava mais era com simples sede, devido ao escesso de roupas ter quase me cozinhado vivo naquela hora.

Mas nem tudo são flores, e alguma coisa quse sempre dá errado para alguém em tais eventos, e avistei um de meus mais antigos amigos da galera do retiro arrastando para fora do salão sua namorada, com uma cara de fúria estampada em seu rosto. Mais tarde, ele reapareceu, e me relatou todo o acontecido: o alcóol, que tanto tentara me arruinar, tinha sido mais eficaz com sua namorada, e ele estava muito contrariado. Eu tentei conversar e fazer o possível para amenizar sua aflição mental que estava-lhe amargando a boca, estragando sua noite. Espero que minha conversa tenha ao menos amenizado de fato um pouco a coisa, pois é um cara que tenho muit consideração, companheiro de velhas nerdices por nós, os nerds infalíveis do retiro tanto vivenciadas em invernos passados.

Dali em diante, a festa, que parecia estar em um lapso de tempo, com uma temporalidade diferente do mundo exterior, foi se acabando aos pouquinhos, mas ainda houveram momentos memoráveis, como o "crowd surfing" do noivo, que foi capturado por nós e carregado por todo o salão, culminando mesmo no tradicional arremesso para o alto, como se fossêmos uma espécie de cama elástica para o infeliz. Infeliz? Qual nada, o cara rachava de rir até não mais poder, e decebeu nosso abraço coletivo quando encerramos a arriscada atividade bebum. Creio que era o único sóbrio no meio daquela galera. Felizmente, não aconteceu nada, ninguém se feriu, e até mesmo as maigas da noiva nos imitaram, muito para o riso de Jade. A coisa se reptiu mais umas duas vezes, pois as rodadas alcóolicas não paravam de circular pelo recinto, e estavam todos felizes e devidamente inebriados.

Quando estava prestes a me decidir por encerrar a noite, os capetinhas novamente me apareceram com uma oferta os quais pensaram ser algo do tipo "an offer you can't refuse", pelo que entendi.

Não.
Não.
Não.

Fui irredutível, mesmo para o desgosto deles, que suponho ter até me levando em desconsideração perante tal recusa. Mas não me arrependo de ao menos nesta hora ter-me mantido firme em meus princípios (estas coisas tão incompreendidas por meus companheiros). Vi que causei surpresa, eis que a vi estampada ao menos no rosto do mais novo deles, que muito intoxicado estava, devido ao consumo quase initerrupto de copos e mais copos do mais autêntico Scotch (bebida que, após uns quinze anos sem ter provado, continuou absurdamente horrenda para este que vos escreve. Certas coisas nunca mudam, creio eu.) Perdão, senhores. Isto não. O mais velho dos agentes da Peer Pressure, Inc. simplesmente aquiesceu (abanando a cabeça), sem muito insistir.

Lá se foram eles, muito para desapontamento de Rafael, que ainda conseguiu soltar uma piadinha infame que causou muitos risos. Nesta hora, decidi permanecer mais um tempinho, pois a festa estava quse morta de fato, e a leva que saiu dali naquela infame hora levou quase todos os amigos mais próximos do noivo. A música reinante me remetia a um certo vídeo também. Conversei mais um tempinho, comi mais uns doces, todos esplêndidos ao paladar, e me despedi depois de uma meia hora, mais ou menos. Sem mágoas, sem arrependimentos, me sentindo muito bem.

E assim aconteceu, ao menos em meus olhos, a união de duas pessoas muito importantes para este torto ser, que tanto escreve e escreve, e tanto se recrimina de não ser assim ou assado. Foi tudo muito bom, tirando-se as tensões previamente relatadas.

Mas o fato que mais me surpreendeu na noite foi algo que NÃO deveria ser uma surpresa. Foi o tanto que meus amigos do nada chegavam para mim em tal reunião e manifestavam os "protestos de elevada estima e consideração" para com minha pessoa. Me surpreendi com isto, e me fez muito bem. Saber que apesar de ser eu este feixe de contradições, este mistério insolúvel para os capetinhas e os outros companheiros ali presentes, isto foi a melhor coisa que me aconteceu na noite, e me causou uma sensação comparavél a um "high" sem agentes nicotínicos, alcóolicos ou seja lá o que for, que caras como eu procuram em seus momentos de maior desespero. Em momentos que não estou cercado por meus amigos.

Obrigado, senhores. Por vezes, salvam a vida deste Noiado.

E parabéns a meu...nosso irmão Rafael e à Jade. Que assim seja, sempre, do jeito que sempre foi, mesmo dantes de tal oficialização religiosa. Aos olhos de um certo deus, estão casados. Aos nossos olhos, sempre estiveram.

E que assim seja, como diria o padre que lá ficou a dizer coisas que nem ouvi.

Que assim seja.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Damasco fica na Síria? Ou em BH?

Promessa é dívida, então cá estou eu.

Falo isto logo de cara pois ontem me deparei por acaso com uma "twitada"(que coisa mais ridícula, este neologismo internetal de última hora) de um amigo meu em que o pulha citava seu até então por mim desconhecido blog. Como sou este ser que escreve e escreve e escreve e está sempre tendo que arrumar assunto para ter o que escrever nesta coluna quase diária, resolvi me usar deste acaso para no dia de hoje ter como assunto este meu amigo em questão. Fica como um exercício mental sobre a criatividade de se ter que elaborar um texto sobre o que quer que seja que me apareça como assunto e também como uma forma meio fraudulenta de se presentear este cara, que muito prezo mas que teimo em esquecer-me de seu aniversário entra ano sai ano. Enfim, vamos ver no que dá.

O cara em questão chama-se Eduardo, mas todos nós mais conhecemo-no como simplesmente Damasceno, que é seu sobrenome. É mais um desses sujeitos que tive a sorte de conhecer numa época conturbada de minha vida, que estava atendendo as aulas de desenho naquela escola simplesmente denominada Casa dos Quadrinhos daqui de Belzonte. Lembro-me que um outro amigo, que na época também era meu professor de desenho animado ali, ter citado seu nome como um cara que desenhava muito - mas que ainda não sabia - e que era muito conhecedor daqueles desenhos típicos importados daquela terra de loucos que é o Japão. Vale a pena aqui dar uma bizoiada nos demais vídeos WTF Japan deste canal do YouTuba pra se ter noção do que estou falando em termos de absurdos.

Engraçado que agora faço este exercício mental de reviver esta experiência de travar contacto com Damasceno, mas não me lembro ao certo qual foi nossa conversa inicial, muito menos me lembro da data em que travamos contacto pela primeira vez. Me recordo que naquele primeiro momento o próprio Daniel tinha se referido a ele como "muito tímido, nas aulas sobre mangá que ele está prestando assistência ele apenas existe, é quase uma presença espiritual na sala."

Muita coisa mudou, muito tempo se passou desde então. Perdemos muito de nosso contato de tempos para cá, bem sei que por minha única e exclusiva culpa, por ter me tornado o mais célebre eremita do bairro Mangabolhas, e disto me lamento, mas voltarei a este tópico mais tarde. O que me causou pesar foi ter lido seus textos de seu blog, por sinal muito bem escritos e elaborados, e constatar que as viagens erradas ainda abundam na mente de meu amigo, tombado no dever de ter se entregado a certas paixões que não lhe fizeram nada bem. Embora tais experiências sejam necessárias na vida de uma pessoa, mesmo que sejam ruins, elas são necessárias, ou pelo menos assim o creio nos dias de hoje. Como diria Manuel, o Bandeira no poema Gesso: "Só é verdadeiramente vivo o que já sofreu."

Ainda que tal experiência tenha servido de matéria prima para sua produção artística, fico impressionado de ver que até hoje a coisa lhe importuna e lhe faz ter más lembranças ecoando na cachola e atordoando a alma.

Ou não. Sempre existe a figura inemovível do "Ou não." Talvez esteja ele falando de novas inquietudes do coração e da mente, e não daquela experiência a qual cito aqui, que me foi a única que tive notícia até então. Sim, sim, grande amigo este que se ausenta em irredutíveis redutos, que se enclausura em sotanescos sótãos e lá fica, Noiado, escrevendo merdas as quais não tem nem ao menos certeza de sua veracidade. Muito bem, Buriol.

Mesmo sendo eu este ser que ultimamente tem cada vez mais se descoberto autista de humanidades e quejandos, eu me preocupo com aqueles que para mim têm alguma importância.
E me preocupo mais ainda quando um companheiro em comum informou-me jocosamente, meses atrás, que "Damasceno está ficando parecido com você, morando num sótão e se isolando do mundo."

Não, não, não. Não é este o caminho. Por Mitra. Não. Não desejo a outrem minhas viagens erradas. Escrevo sobre elas, sim, mas com o simples intuito de talvez servir de mau exemplo. Nisso eu sou craque, o mau exemplo nato. Já escrevi impropérios sobre minha má reação acerca de estar perto de pessoas as quais admiro, e Damasceno foi um destes contemplados nas infame crônica de meses atrás. Mas aqui reitero meu aviso: Não, não façam como eu, dá tudo errado. Palavra de honra.

Eduardo Damasceno é ainda para mim um paradigma, não somente como desenhista(fedaputa dos infernos!!! Eheheheh) mas como pessoa, que, acredito eu ao menos, ser bem mais maduro e ser possuidor de reações mais adequadas perante certas picuinhas da vida que é ser um destes caras que curte fazer aquelas práticas nada valiosas para este mundo capitalista de hoje em dia. Lamento muito ter escolhido mau e ter me tornado um Noiado no Sótão, privando-me quase por completo da presença e influência deste cara(e de tantas outras pessoas que realmente valem a pena). Estou tentando agir com pessicologia reversa estes dias e me sanar da loucura auto-infligida, mas é algo que tomará mais tempo até que tenha resultados concretos. Se chegar a 10% da produtividade deste psicopata, estarei feito, creio eu.

Enquanto isto, manifesto aqui meu apreço por este cara e agradeço o que de positivo levei de nossa convivência. Espero um dia conseguir levar a cabo o projeto de crescer e me tornar um pupilo de Damasco, o Eduardo, especialmente no quesito produtividade artística, emblema este que deve ser exibido com toda a pompa por pessoas a ele semelhantes. Se assim me for possível, evidentemente. Pois dizem que à sombra de grandes carvalhos, nada cresce. Ehehehehhe.

Mas falo isso de brincadeira. O importante é que seu cargo de paradigma ainda impera, caro Damasco. Você é daquelas pessoas que encontrei na vida e falei para mim mesmo, "quero ser parecido com este cara!" logo de cara, assim na cara mesmo. Urra. Se for pela infeliz combinação de pavras parecidas numa mesma frase, cá estou, bem realizado. Sei que tivemos - e temos - nossos desentendimentos e nossas divergências, especialmente em quesitos artísticos: eu com meu chororô e você com sua espontaneidade. Típicas conversas da época da Môco velha, quando ela ainda existia e era ali sediada. E fodam-se os quesitos artísticos, para falar a verdade. O importante é que este é um cara que posso denominar amigo de fato, um daqueles caras que podemos confiar neste manicômio arredondado que é este planeta.

É muito bom encontrar um não-frango no meio desse galinheiro. É algo que está se tornando cada vez mais díficil de ser feito nos dias de hoje.

Bem, este "presente" se tornou bem mais meia-boca que eu gostaria que tivesse saído, mas assim é a sina de quem geralmente se vale do improviso todas as manhãs na hora de redigir estas mal-traçadas linhas diárias. Triste e esfarrapada desculpa esta, bem sei; assim como são tristes e esfarrapadas quaisquer tipos de desculpas semelhantes. Como as por mim utilizadas para não estar produzindo graficamente como gostaria. Como Damasceno faria. Eheheheheh.

Presente meia boca por presente meia boca, fica aqui registrada esta coluna do dia, que ela sirva de oferenda aniversarial a Damasco, este ser que faz aniversário em uma data que não me lembro, mas que me parece ser algo em torno de maio, dia vinte se não me engano. Algo que o faz taurino nessa bobajada que é o "horósco". Hábito que alinhás adquiri recentemente, ao ver as postagens deste cara no twitter. Diariamente tenho lido aquele shuffle de frases e palavras que é o twittascope, somente pelas risadas. Pior que aquilo, só o horósco dos busão's dotados de TVs que estão por aí circulando...

Taí, meu amigo. Espero que lhe seja de seu agrado, e espero não ter falado merda demais...E me desculpe se ainda não tenho dinheiro para comprar aos meus amigos presentes de verdade. Um dia terei, e me retratarei de semelhantes infâmias. E peço perdão pelas minhas eventuais falhas, pois bem sei que um dos opróbrios mais infames que já fiz está narrado em algum arquivo deste blog. E tinha a ver com o senhor e um de meus outros paradigmas vitalícios, aquele ser que desenha peixes e vermes. Ou peixes e plantas com vermes. Tipo.

É o revés de ter como amigo um Noiado no Sótão, meu caro. E reitero aqui minha síplica: NÃO se torne um. Não vale a pena.

"Por uma boa vida", como dira você mesmo, meu caro.

Por uma vida menos ordinária, como diria Marcos, o Burian.