terça-feira, 30 de novembro de 2010

Consumo.

-Eu quero.
-Eu sei que o senhor quer! E nós temos. O que o senhor quer?
-Eu quero um trailer. Quero saber o quanto custa um trailer??
-Não sei, senhor. Aqui vendemos artigos para o lar.
-Mas eu quero um lar! Um trailer é um lar.
-Não necessariamente senhor. Eu moro num apartamento de dezoito quartos e não o considero um lar.
-O quê? Então és rico!
-Não, senhor. Eu sou um dos quartos.
-O quê? Como assim!
-Eu sou uma dessas pessoas que é apenas um quarto do que poderia ser.
-Por sua infâmia, condeno-o a dez deméritos.
-Honra ao mérito! Eu?
-Não, demérito, sua anta!
-Eu me chamo Custódio, em verdade.
-Mas que diabo! O que o senhor quer, afinal de contas!
-Já disse, um trailer.
-Não temos, já disse.
-Mas que meeeeeerrrrrrr...cearia mais vagabunda, esta.
-Não é mercearia!
-Não se vende aqui, artigos para o lar??
-Sim. Mas não necessariamente somos mercearia!
-Eu sei. Já me disseste que és um mero quarto.
-...
-Diga.
-...
-O quê??
-Quartos não falam.
-Pare com isso, seu retardado. Acabastes de falar.
-Céus! Um quarto falante.
-Onde? Onde??
-Aqui, bem à sua frente, seu trouxa.
-...
-O quê? Que foi agora?
-...
-Diga logo!
-(Trouxas não falam)
-Prá meeeeeeeerrrrrrrrr...da, seu merda.
-(Eu não falo.)
-Você está falando! Só porque está entre parênteses, não quer dizer que estejas mudo.
-(Parênteses entre parênteses?)
-Pare com isso! Queres apenas me confundir, cão imundo.
-Au.
-O que foi agora?
-Sou um cão. E imundo. Au.
-Au é o símbolo do ouro.
-Quer dizer que sou feito de ouro??
-Ouro! Ouro! Venha cá!
-Se desafaste, seu sacripanta!
-Ouro!
-Pra merda, sai de perto de mim!
-Ouro!
-Não quero correr!
-Ouro!
-Saco, lá estou eu, correndo.
-Ouro!

(Nisso, todos os demais consumidores, ao ouvir as bravatas sobre o metal doirado, saem em procissão, correndo atrás do Consumidor.)

-Ouro! Ouro!!
-Não sou de ouro, caralho!
-Queremos ouro!!

(O Consumidor se vira de repente, esbaforido. E contempla a Turba com desprezo.)

-Tristes tempos, estes. Em que todos desejam o que não podem ter. Em tempos imemoriais, costumávamos trabalhar noite e dia, apenas para conseguirmos mero direito de mijar no muro. Eu me lembro, que em 1773, eu fui almirante regional de...

(CLANG! Um dos Consumidores acerta o Consumidor com um cano bem no meio da testa.)

-Ouro!

(Todos se lançam po cima do corpo do Consumidor, sobe aquela poeirinha clássica que tudo esconde, e depois de um tempo, a nuvem dissipa, restando apenas uma poça de sangue e tripas espalhadas no chão.)

-Mas que enganação! Ele não era feito de ouro bosta nenhuma.
-Bosta? Tem muito aqui, no interior dos intestinos.
-Seu porco.
-Oink.
-Oba! Bacon! BACON!
-Mas que merda! Oink!
-Bacon! Bacon! Bacon!

E assim, prossegue a humanidade.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quá-quá-quá, 444.

Sair, levantar-se do mar de gelatina que encobre todo o ser, de domingo para segunda. Vencer a espessa camada de gel que existe entre a cama e o ar, entre as cobertas e o descoberto, tarefa quase impossível em situações assim, em dias assim, em momentos como aquele. Como despertar um morto-vivo?

Muitas coisas aconteceram, mas nada do que aconteceria em dias normais, em dias não-normais, nada de mais, nada de menos. Existir, apenas pela música e por mais nada, outros vícios mais terrenos nem foram visitados, vencidos pela relutância de novamente ter de recomeçar. Enfim, continuar a ser o que se é; em formas assim ou assadas, em forma de música, não linhas, não plugado, ligado, desligado: um violão, um microfone e mais nada. Nada além de 2 acordes e muita imaginação?

Ver e rever, subir e descer. Grave do agudo, cromaticamente falando. Pode dar samba? Não! Pode dar roque! Sempre a pedra, sempre a pedra. Sair? Daqui para ali, lá longe? Nem pensar. Fico, diga ao povo que fico, permaneço. Esteja. Assim se almeja, assim se deseja. Ficar e ficar, sem saber estar.

Acorde, levante, vá para seu lugar, pense n oque fez, no que não fez. Fez alguma diferença? Faz alguma diferença? Guerras, existem lá fora, onde eu não moro, onde nunca nem fui, onde não desejo ir. E lá dentro, um armistício, paz forçada a custas altas, elevados emolumentos, taxas, perguntas, tantas perguntas. Respostas? Em falta; volte talvez daqui a seis meses. Seis anos. Seis décadas. Talvez centênios, milênios. Nem sei.

Acordar, vencer a gelatina que nos prende às cobertas. Ter de desistir de todos os oníricos designíos, em prol de uma vida que nem sempre vale o que anunciam, nem sempre é o que não deveria ser, mesmo sendo. O que não é. Não foi. E talvez até seja.

Acordar, blob. Acordar, blec. Estique-se sobre a gosma do dia, do momento. Da segunda, primeiro dia até a próxima sexta, até a próxima libertação. Qualquer que seja ela.

Derrubar café quente por cima da geléia, por cima da baba gosmenta que nos prende ao pé da cama, ao travesseiro, ao outro mundo que adentramos todas as noites mas que nem sempre queremos sair pelas manhãs.

Ainda assim, levante-se. Hás de ganhar o dia, ganhar a vida! Neste dia, ao menos.

Levante-se. Levante-se.

Ou aperte o soneca mais uma vez...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Fim.

No final do túnel, havia a luz.

Negro túnel, coberto por estranhas ranhuras em suas paredes metálicas. Olhava e olhava, minutos e minutos se passaram, mas lá do fundo, nenhuma luz saía. E ao redor, naquelas paredes que pareciam cada vez mais se fechar, nada acontecia. O tempo não parecia estar correndo.

E apesar disso, algo dentro de si sabia que deveria estar ali por mais de hora. Mas tal era o estado prostrado que se encontrava, não saberia dizer com precisão quanto tempo ainda restava, quanto tempo passara. Tempo, tempo. Do fundo do túnel a luz emanaria, libertando-o para sempre de tudo, de todos. De todos? De si.

Lá fora, inexistência por todos os lados. Névoa branca cobrindo as montanhas, rasas montanhas, pequenas elevações do solo. A neblina escondia tudo, todos. Quanto tempo ainda passaria até a luz aparecer? Não saberia dizer. Enevoada era sua vista, tomada por tantos compostos, manufaturados por máquinas, embalados por máquinas, engolidos por um ser humano. Não tão humano, não tão ser assim.

Aparentemente.

O foco se dirigiu para pequeno parafuso no corpo metálico. Mais para o lado, madeira, e outro parafuso. Smith? Wesson? Estranhos dizeires, escritos. Impressos na máquina de projetar chumbo, pequenas porções de morte. Não pensava direito, não conseguia pensar direito. Lá no final estava a luz, o fogo, aguardando o estalido da mola, o impacto da espoleta. Clic. Bang.

Onde estava a luz naquele dia, naquele negrume raiado? Pesado, em sua mão, estava aquele artefato. Não matarás. Não mataria, apenas...liberaria. Liberdade. Para ser nada. Para abraçar o que sempre fora, nada, noves fora, nada, nada.

Tudo passava, tudo passa, diziam. Não. Nada passava. Nada passou. Nem mesmo o tempo, agora também deformado pela ação de tantos fármacos. Dê o melhor de si. Faça por onde. Vozes, estranhas vozes, já não saberia dizer se era efeito de um ou de outro, de sua cabeça ou do coquetel de coisas, garrafa de coisa, quebrada, cacos por todo o chão, naquele canto.

Músculos oftálmicos cansados desviaram o olho para o chão, para o canto onde os cacos jaziam. Que sujeira. Iriram achar uma bagunça miserável, lhe xingariam, amaldiçoariam seu cheiro, imprestável, apodrecendo. Tempo, tempo. Tic tac, tic tac. Tudo pesava, mesmo a morte em sua mão. A luz, deveria achá-la. Se não podes vencê-los, junte-se a eles. Mesmo? Não.

Não, não. Jamais.

Pesado era o cabo, pesado o gatilho. Onde mesmo conseguira aquilo? Roubara, de seu irmão que havia roubado de outro familiar, esquecido pelo tempo, enegrecido pelos óxidos de ferro. Lá no fundo estava a luz, lá no fundo estava. Clic. Bang. Retesar antigos e carcomidos mecanismos, em amolecida mão, era uma tarefa demasiado dura. Mas era necessário. Não sabia se iria aguentar muito tempo, mas tinha que tentar, tinha que encontrar.

Contração, lembrou-se de processos musculares, fibras, actina e miosina, sarcoplasma. Ecos, ecos numa imensidão vazia mas tão cheia de nada que tudo ali era apenas um eco, ainda mais agora. Força, bombas de sódio! De potássio! Potássio. Do Kazakistão? Daquele país onde um bigodudo cujo nome nem mais conseguia fixar em sua mente, havia...feito coisas, mas era tudo um filme. Uma mentira em série.

Força.

Clic.

Dizem muita coisa, dizem estar a luz lá no fundo. Dizem que sua vida passa diante dos olhos, mas o que via era apenas o túnel metálico, as raias que conduziam ao plúmbeo projétil, incisivo instrumento de aniquilação de idiotas que não sabem viver, aparentemente. A mola soltara, o cão se movimentava, martelo final com o qual fixaria o último prego naquele paletó de madeira que não existia, além de seu corpo, além das tábuas do chão, dos cacos mais adiante, da efusão química que naquele corpo circulava, naquelas veias. Um ou outro, a luz ou a corrente de tóxicos, lhe levaria dali.

Clic.

É muito rápido. Não dá para se pensar em nada. Não se consegue rememorar nenhuma lembrança, não existe nenhuma epifania num átimo de tempo feito aquele. O cão se aproximava, em milionésimo de segundo, mais e mais, para a fonte de luz e de escuridão. Clic.

O que mais queria? O que mais encontraria, naquele momento final? A redenção, a danação eterna, o condenamento por suas ações, por sua fuga? Não poderia saber, em menos de um segundo. Clic, era tudo que poderia ter ouvido, tudo que ouviu antes. Da luz. Do fogo.

Muito iriam dizer, muito iriam xingar, mas nada iriam saber, sobre tudo que naquele eterno eco, naquele vazio absolutamente cheio que ecoavam vozes e fatos, memórias e recomendações, assim e assado, isto e aquilo, nada, nada. Nada iriam saber. Muito poderiam dizer, mas nada iriam descobrir, porque será.

Clic.

Já era muito tarde agora, bang.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Descobrida tão óbvia.

...E então, de repente, o Noiado fez uma descobrida, descoberta, coisa assim, coisa óbvia, que sempre esteve à sua cara, bem ali, no seu nariz. Claro, claro. Era óbvio a todos.

O Noiado é um nerd. Sempre foi um nerd. Sempre será um. Sempre, sempre.

E o que é ser nerd? Não pertencer ao povão, aos frangos? Em parte. Irremediavelmente, bem sabe ele que faz parte do Grande Galinheiro, inexoravelmente. Mas, sempre se sentiu à parte de tudo aquilo, de todo este caos que o circunda, coisas que nunca entendeu nem nunca quis entender, apesar de ainda assim tantas questões, tantas inúteis indagações tenham circulado em sua cabeça, por toda uma vida.

Por dois anos, o Noiado tentou se negar como nerd, embarcando nisto e naquilo, mas sem ver sentido nenhum em nada do que fazia. Ele sabia que algo fazia falta. Algo com que se identificou tanto, mas tanto, que o fez sair da vida real, por assim parecer, para embarcar em um outro mundo. O mundo não-real dos nerds. Em especial, dos nerds qeu, como ele, são viciados em certa droga, certo escapismo denominado diversões eletrônicas, video-games, joguinhos. Joguinhos. Curiosa e malvista alcunha esta, condenada por todos os outros seres pensantes(ou nem tanto) que habitam este planeta. Condenada mesmo por outros tipos de nerd, aqueles que deste tipo de "nerdice" nunca gostaram.

Ali ele se reencontrou. Por mais estranho que possa parecer a todos os outros seres, frangos ou nerds não-electrônicos. E reencontrou sua tribo, seus amigos que são como ele, e não tentam negar. Ele, que nestes dois anos rechaçou com veêmencia tudo isto, em vã tentativa de se encontrar e sempre se perder diante do caos do mundo e de suas estranhas regras, teve de engolir tudo que havia sido dito. Tudo.

Bem sabe ele que as gentes que o conhecem bem irão menear a cabeça diante disto, mas bem sabe ele também que os verdadeiros amigos são aqueles que o entendem. Que continuam sendo seus amigos, mesmo que ele retorne ao antigo vício.

E ele sabe que não é o único a se valer de tais artifícios para escapar, ainda que momentaneamente de todo o absurdo que o circunda. Sabe que mesmo os frangos se isolam em suas novelas, suas partidas de futebol, suas fofocas. E os outros nerds se afundam em livros, em sites da internet, em imagens e mais imagens de bobagens gratuitas, em pornografia, em drogas menos legais e mais sintéticas. Todos têm este direito. Todos.

E a vida prossegue. Adictos, somos todos. Diferentes formas de fuga, encontramos todos. E sempre haverão diferentes escapistas condenando o escapismo alheio. Sempre assim, sempre assim.

A vida prossegue.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Músga, parte dois.

Pensei e pensei a respeito do tema, tentei elaborar alguma lista mais ou menos certa, mas creio que é uma tarefa meio que inexequível, ao menos sei que não faria justiça à todo meu universo musical que faço uso para ilustrar auditivamente falando, minhas emoções diárias. Então, achei melhor apenas fazer um relato sobre algumas músicas e suas associações.

Já afirmei antes, e volto a dizer, infelizmente me parece que a raiva é a emoção mais bem manifestada por pessoas de meu clã, esses malditos Burians, tchecos tortos transplantados para terras tupiniqunis. E se algum dia ouvires em minhas caixas sonoras estereofônicas canções da banda Soundgarden a todo volume, fiques avisado: O clima é de raiva, da mais absoluta possível. Caso esteja ouvindo músicas como "Ty Cobb", "Blow Up The Outside World", "Fell On Black Days", podes saber que o bicho está pegando mesmo. Agora, caso "The Day I Tried To live" esteja no repeat, aí aconselho manter distância, mesmo. É impressionante como uma música consegue ilustrar de forma tão acurada o que sinto em momentos de tremenda fúria. Podem categorizar a voz de Chris Cornell como sendo visceral, ou simplesmente gritada mesmo, não me importo. Já foi mais de uma vez que fiquei afônico de tentar acompanhar a letra de tal música.

Outra banda que faz-me experimentar uma certa catarse de raiva, é Alice In Chains, mas esta banda, ao contrário de Soundgarden, consegue ter músicas mais amenas que escuto em momentos mais normais de meu dia a dia. Das bandas de Seattle, boa e saudosa fase dos anos 90 que tanto curti, estas duas são as que mais se sobressaem ainda quando o assunto é ter raiva.

Outro elemento muito presente em esta personalidade tão pessoal, é a melancolia, a tristeza, evidentemente(que surpresa, titio Buriol.) Existem algumas experiências sonoras que costumo reservar para momentos em que o bicho pega para este lado. Existe uma música, "Reverse Soundtrack", da conhecidíssima banda Something for Kate(Goddamned fuckin' nice aussies. Highly recommended), que já me fez ter ânsias de choro em público, em pleno ambiente de trabalho, anos atrás. Desde tal época, só a escuto em momentos de profunda depressão. Mas acredito que nenhuma sequência musical me remeta mais a tristeza do que as primeiras seis músicas do segundo disco daquilo que considero uma moderna ópera do roquenrou; falo de "The Wall", Pink Floyd. Quando o disco chega em certos versos de "Nobody Home", é meio que difícil para mim segurar o choro, se o dia estiver muito mas muito deprê. As letras das músicas que integram este "movimento" do disco são a definição definitiva bem definida do que considero a mais absoluta derrota perante o ocaso da vida...

Músicas para momentos alegres...(Alegria? O que ser isso?) Blah. Sim, existem momentos que me sinto meio abobalhado, meio que ululante. Nada melhor que coisas mais animadas. E sim, existem músicas deste tipo em minha imensa coleção de mp3Z: Apples In Stereo: escute o disco "Discovery Of a World Inside The Moone" e veja do que estou falando. Aquilo ali eu não consigo ouvir se não estiver completamente retardado de animação - acontece, mui raramente, mas acontece. Existem músicas de outra banda, esta denominada Spoon, que me fazem até quere dançar feito um idiota, caso o momento esteja bom; o disco "Girls Can Tell" é um exemplo clássico disso. Músicas com letras mais intensas, não necessariamente alegres por si, mas com melodias mais "dançantes", podemos encontrar em discos de Jane's Addiction. Escute "Been Caught Stealing" e "Stop!", por exemplo. Uma míriade de canções estupidamente alegres da banda que mencionei ontem, GbV, também podem ser ouvidas em momentos de extrema descontração.

Músicas para momentos, raros momentos que eu só consigo definir como "pós-orgásmicos", aqueles momentos em que se alcançou uma meta, conseguistes alcançar o inalcançável, deu tudo certo e no final você ainda ganhou a mocinha ou mocinho, seja lá o que for, aqueles raros momentos que tudo dá certo e a esperança no futuro está em alta. Sim, existe uma trilha sonora para estes raríssimos momentos. Trata-se de músicas que me definem enquanto pessoa, enquanto este ser humano muito estranho que habita esta vida, este planeta.

Tão raros são tais momentos, quão raras são as músicas que adotei para escutar nestas horas. Consigo me lembrar apenas de duas. Uma delas, é de minha banda inglesa preferida, daquelas raras músicas que costumo escutar e ser completamente arrebatado logo na primeira audição. Trata-se da canção "Duress", da excelente boa ótima banda Swervedriver. Podem me falar o que quiser - que é longa, que a letra não é exatamente alegre, que isto e aquilo - Dane-se. Não consigo definir uma música cujo impacto tenha sido tão fulminante e revelador para mim. Acho que nunca me esquecerei do momento que escutei-a pela primeira vez. Posso afirmar que, se eu pudesse casar-me com uma música, seria com esta.

A outra, não é tão significativa para mim quanto Duress, mas é igualmente certa para me definir musicalmente; trata-se de "Fripp" da banda Catherine Wheel. Eu adoro tal música, e só costumo escutá-la em tais momentos, raros momentos.

Em verdade, sei que tal compilação de nomes e bandas é injusta para o panorama musical que frequenta meus ouvidos, pois bem sei que estarei esquecendo de várias musicalidades no processo de inventar tal textículo. Mas, no exercício quase diário de aqui comparecer e dar meu pitaco em assuntos tão pessoais como este, é o que saiu. Bem sei que sou um maldito roqueiro de meia-idade e que é tendencioso a generalizar seu gosto em bandas de língua inglesa. Já escutei muitas acusações do tipo, "você só gosta de coisas americanas"(não é verdade) e "porque não escutas coisas brasileiras" blah blah blah.

Respondo da seguinte maneira: por dois motivos: um - o que escutei não fez minha cabeça e dois - porque tenho preguiça. Tá, podem voar novas acusações. Não me importo muito. Não escuto isto ou aquilo porque é "em inglês."

Somente escuto o que me faz a cabeça, e não aquilo que me faz parecer "cult", por assim dizer. E sinto ter de usar tal exemplo, já pedindo perdão aos que realmente curtem a coisa: eu vejo muita gente que escuta bossa-nova apenas para parecer ser cult. E abomino, muito mesmo, tal comportamento. E acontece não somente no campo musical. Aposto que alguns de vocês conhecem alguém que leu aforismos de Nietzsche, ou leu "Zaratustra" e se diz intelectual. Sendo que nem sequer entendeu nada do que leu.

Eu tenho imensa preguiça deste tipo de gente.

Em suma, por hora é isso. Tenho que trabalhar, meu trabalho, ganha pão, de fato.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Músga, parte um.

Música, nos zuvido. Pessoas como eu, têm a música como algo diferenciado, essencial para um dia a dia menos opressivo, menos brutal. Dizem que gosto não se discute; não é bem verdade, pois todos discutem gostos alheios. Talvez esta versão mais correta do velho deitado seja mais adequada: "gosto não se discute, só se lamenta." Eu sei que não adianta muito discutir tais coisas, pois a variação das opiniões das pessoas varia de tal forma, que é de fato improdutivo ficar discutindo se alguém curte Beatles e não gosta de Rolling Stones. "Mas como você não gosta dos Stones? É rock clássico também!"

Não importa. Não faz minha cabeça, por assim dizer. Assim como Guided By Voices pode, para mim, parecer coisa de gênio, para a maioria das pessoas não passa de uma banda de garagem avacalhada. Não adianta, discutir isto não leva a nada.

Mas concedo que faço parte das pessoas que realmente dão um valor especial para a música em meu dia a dia. Acho que não me lembro de sequer um dia que não tenha escutado ao menos alguma canção de minha (estranha) preferência. E vou além. A música tem tamanho peso, tamanha importância em minha vida, que costumo associá-la a outras experiências. A música reinante em um ambiente legal, num momento bacana, por exemplo. Se sei que música é, ela fica para sempre associada a um momento mais aprazível, logo, ela se torna trilha sonora obrigatória para futuros momentos semelheantes àquele em que primeiro a escutei.

Não é uma prática normal, devo admitir. Ao menos, nunca ouvi pessoas que não valorizem tanto o peso da trilha sonora de seus dias, procederem de maneira análoga à minha. E pode ser uma prática meio que chata, por vezes, também. Existem músicas que gosto muito, mas que hoje em dia estão irremediavelmente associadas a maus momentos, e portanto, não são mais canções que escuto com a frequência que deveria. Sempre fica aquele estigma de estar irremediavelmente atrelada a uma má memória. Que maravilha.

Aspectos maravilhosos de ser doido? Talvez.

Tenho me deparado com algumas listas nos blogs que frequento(sim, olho para O Símbolo e o senhor PAR), e penso em compilar alguma, mas sempre me deparo com esta questão de discussão acerca de gostos, tão frequente, nem sempre útil.

Mas, "para lutar contra o pragmatismo e a horrível tendência à consecução de fins úteis", em dias tão tediosos, chuvosos, como temos tido "acá" nesta província interiorana do Brazil tão Brasil, tudo é válido para se combater o cinzento tédio.

Creio ser-me impossível elaborar uma compilação realmente adequada sem pensar muito no assunto, e como meu chefe já chegou e já me olha de soslaio, creio ser melhor continuar o assunto no dia de amanhã.

Sendo assim, boas salenas a todos os cronópios, famas e esperanças por aí. Eu sou um cronópio. Quem é você?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Necrologia.

Adicto que nada.

Qual é a denominação para aquilo que não mais sente, nada?

Zumbi. Deve ser isso.

Morri mas ainda não percebi.

Nem mesmo a mais infalível ilusão de vida a ela me devolveu.

Comofas////////?