sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

404 #6578674856E+48.

Estou me sentindo atordoado hoje. Coisas, muitas coisas estranhas acontecendo ao meu redor.

Não sei se foi só comigo, mas o ano de 2010 está sendo dos mais bizarros e implacáveis de minha vida...E o final dele, tá cada vez mais estranho. Ontem à tardinha, recebi uma inesperada notícia , das mais sérias. Gente que eu conheço e gosto desenvolvendo uma moléstia em seu corpo deveras jovem para este tipo de doença.

E fico tão confuso que nem sei o que fazer, como agir. O que fazer, quando o corpo de alguém decide se voltar contra seu dono?? Maldita biologia, que não ensinou nada que pudesse erradicar tal maldita doença.

Sei muito menos o que escrever.
Espero apenas que a coisa não seja tão séria quanto aparente ser...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

AniversáriommMax.

Não sei se acontece com todo mundo. Não sei se a maioria das pessoas trata a data especial com o mesmo desdém, ou o mesmo receio. A gente vai vivendo e vivendo, e se depara com estes momentos, estes números, divisores de águas, não somente por sua numeração especial, mas pelo efeito psicológico que tais números nos dizem.

Falo daqueles momentos únicos na vida de uma pessoa, aqueles macabros aniversários, em que os mútiplos de dez aparecem. Certo, imagino que aos dez anos de idade ninguém vá ter uma crise existencial. Se existirem crianças de dez anos que se lamuriam pela primeira década vencida, estas crianças já não estão vivas, ou pelo menos estão moribundas. Normalmente, ninguém tem muitos problemas com este primeiro decênio, ao menos não no sentido de se sentar e ficar rememorando seus dias já passados. Imagine só. "Aos sete, eu deixei de ir ao parque para ficar em casa vendo aquele desenho. Naquele remoto dia, em que as árvores estavam tão verdejantes, meu coleguinha foi agraciado com a sorte grande, pois encontrou enterrado na areia do parque um comandos em ação muito antigo. Porque eu não fui lá naquele dia. Teria sido eu a achar."

De fato, preocupações não costumam habitar a mente de infantes. Ao menos não este tipo de procupação, de ver o tempo passar, a vida correr, e a gente sempre tentando alcançá-la. Aos vinte, a coisa já muda. Seria o primeiro divisor de águas mentais. Apesar de que, a maior parte das gentes não tem muitos dramas, nós que pertencemos ao time dos eternos pensadores em excesso, sempre gostamos de encontrar mais lenha para nosso fogo de pensamentos, aquela chama eterna em nossas cabeças. Eu me lembro que ao chegar neste ano fatídico, a crise abundou em minha cabeça. Mas dizer isto sobre mim é o mesmo que afirmar que para viver precisamos respirar. Aos vinte, a maioria das pessoas ainda não quer saber muito de se preocupar. O corpo está em forma, a energia está no auge, podemos passar noites em claro sem nem sentirmos, festas, festas. Diversão.

Daí em diante, a coisa só vai piorando, pois o tempo é inexorável, por mais que nos afirmem que não parecemos ter os anos que nos são devidos, o relógio não para. Aos trinta, sabemos que a vida anda cada vez mais e mais depressa, que o tempo cada vez mais urge, que as coisas estão acontecendo, e que deveríamos fazer isto e aquilo, e que emprego e dinheiro e família e que não sei mais o quê, responsabilidades, chatices. Cada vez mais e mais é difícil ignorar a somatória de todos nossos dias. Ainda temos pique, ainda temos energia, mas já não é possível negar que não são iguais ao pique e a energia de dez anos atrás. Eu, que já passei por este divisor, sei que a coisa é inegável, que a pilha vai mesmo acabando, e mesmo nossa mentalidade muda. Existe a trrível prenda da madureza sempre espreitando, roubando nossa diversão, e acrescentando uma pá de coisas com que se preocupar. Eu devria dormir mais. Eu deveria ganhar mais. Eu deveria ter filhos, eu deveria me casar, eu deveira comprar uma casa, um carro. Escolher a vida.

Aí chego no cerne do pensamento do dia. A data de ontem foi destas "ocasiões especiais" para um de meus melhores amigos, um destes irmãos não-de-sangue que todos nós temos. Ontem, ele atingiu o célebre e tão temido dia em que se completam mais um destes marcadores especiais de idade. Ao que sei, meu companheiro não a recebeu com bons olhos, e não posso deixar de concordar com ele. Este número é muito agressivo, opressivo.

Ele é destes amigos para se guardar a sete chaves mesmo, daquelas pessoas que agradecemos à vida por ter nos permitido encontrar, aquele tipo de pessoa que simpatizamos de imediato, e um "kindred spirit", por assim dizer. Um companheiro que sempre está por perto, nem que seja para encher nosso saco. Sim, mesmo irmão de sangue brigam, mesmo em cossanguinidade encontramos pontos de vista diferente, mesmo sendo irmaos, tão parecidos, tão diferentes. Assim acontece também com nossos irmãos por nós eleitos. Tão parecidos, tão diferentes.

Sei que o cara já segurou minha onda, minha barra, muitas e muitas vezes. E já me fez passar muita raiva. Ouvi a mãe daquele meu aluno, sobrinho torto que possuo, afirmar que a chegada nesta idade pode ser traumática, sim, mas existe uma vantagem que, caso aconteça com meu companheiro, será o ouro. Falo do fato do "fôdas" de repente se ativar em toda sua plenitude. Segundo ela, "nesta idade, você sabe quem é, faz de tudo que quer fazer, e manda o resto pra merda, o resto e todos que não gostarem, não concordarem."

Pois, tal habilidade me pareceu estar cada vez mais presente na compleição de meu amigo. E caso o tal dispositivo, tal interruptor mental realmente se desenvolva e fique permanentemente ligado em tal idade, isto seria um excelente presente de aniversário, creio eu. Eu sei que gostaria que tal coisa acontecesse comigo. E até onde sei, meu companheiro também ansia por esta libertação, esta alforria.

Sei também que digo tudo isto e posso estar passando a quillômetros de distância do que realmente passa na cabeça do cara. Não sou vidente, mesmo tendo me enganado em muitas de minhas profetizações. E não sou o cara. Não sei o que se passa, mesmo sendo nós tão companheiros, amigos.

Sei que há quase dez anos somos companheiros na luta pela vida, e sei que muitas vezes nos deixamos abalar por bobagens. Sei que o cara costuma se refugiar, esconder do mundo em tais datas. E sei que não é nada de anormal ficar viajando errado nesta ocasião, ainda mais uma tão "especial" como esta.

Enfim, desejo a Max um excelente divisor de águas; que sua vida se torne mais leve, que as famosas "cocotas" apareçam para ficar em sua existência, e que o passar dos dias sejam-lhe aprazíveis. Sei que o cara merece, mesmo que tenham lhe dito, em sessão "cartomante"(aquela amiga que diz ler vidas passadas) anos atrás; sei que graças a ele os frangos existem como frangos, em nossa definição, que sempre que bebemos rum imitamos piratas, que sempre que nos encontramos na vida real temos boas conversas e que ele é outra pessoa caso você queira conversar via internet com o sujeito. Uma pessoa mil vezes mais má e mala que ele é na vida real...

Enfim, se você tem destes amigos que deseja tudo de bom e um pouquinho de sacanagem, beba comigo. Erga sua xícara matinal de café, ponha duas doses de rum e beba. Eca! E estou trabalhando. Não possho ficar bebo. Num possho, tenho qui trablhhar...hic!

À sua saúde, Max. Seu fedaputa. Mas nem tanto quanto o Daniel.Dinheiro e cocotas. Rum e Campari(eca, eca eca, só um doido como ele pra gostar desta merda.)

E agora, de volta a nossa programação normal de pós feriado...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Nonsense da vida.

Mataram um torcedor do time X; torcedores do Y acharam que a cabeça dele seria muito mais bem decorada com placas, sinais de trânsito, descidas com força por cima de seu crânio.

Injetaram vaselina na veia de uma menina, que morreu.

Chove lá fora, pra caralho, e um monte de frangos que entupiu os bueiros todos com seus lixos, seus pequeninos papéis de bala, tão inofensivos, e outros dejetos, agora culpa a prefeitura, o governo, os policiais, todos menos o papa e seus líderes religiosos, por sua imbecilidade. Agora, perderam todos seus pertences na chuva que carregou seus barracões construídos em um local que iria ceder com a primeira gota de chuva. Não que se preocupem com isso: é só solicitar um crediário e ficar xingando o governo, os vizinhos, sei lá mais quem.

O trânsito está uma merda, ainda mais em dia de chuvas eternas. Como qualquer um agora que passar defronte a uma concessionária é imediatamente elegível para um financiamento, o número de carros imensos contendo apenas um frango cresceu pra dedéu. Junte a isto a precipitação pluviométrica e o fato que frangos desaprendem a dirigir em dias úmidos e terás o caos por completo.

Abra um papelote, dito jornal, de vinte e cinco centavos e se delicie com as mortes e assassinatos mais abjetos jamais descritos, que o povão tanto adora ler e reler, e se acotovelam feito frangos catando milho que lhes foi jogado.



Depois estranham que eu prefira ficar em casa no meu Cataclysm.



Nonsense é viver num mundo destes.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sessão Cineplex 2010 de cinema em casa: #4.

Ach. O ano está acabando, graças a Mitra. E vemos por aqui em terras mineiras, toda esta chuva que cai, cai, cai, e faz cair coisas, casas, favelas, frangaiadas diversas espalhadas pela crosta terrestre. Nem bem pensei em nada disso ao acordar hoje. A chuva cá está, e felizmente não faço parte do time das pessoas que foram "vítimas" dela: a única lamentação pela manhã de hoje é não poder ficar em casa, dormindo, esperando o tempo clarear, ficar menos mole, menos derretido.

Estou um tanto quanto quebrado, pois na vida de um Noiado como eu, que possui amigos que muito nos requisitam a fim de fazermos mais uma sessão de cinema em casa, existem estes entraves de natureza de tempo, ter de ficar acordado maravilhando pérolas da sétima arte, películas que quase a elevam ao oitavo nível de grandeza, pós-nec-meta-modernismo com flocos crocantes e o delicioso chocolate...er...Enfim, meus compatriotas lá em casa compareceram em massa na data em questão, e mais uma vez nos reunimos defronte a um aparato televisivo. Boa noite, aquela de sábado para domingo.

A reunião teve toques de requinte nunca dantes vistos, como a degustação de fondue de queijo, mesmo soando um absurdo para o calor excepcional que ocorreu na data. Não obstante o fato do prato principal da noite ser um tanto inadequado para o clima reinante, não tivemos quase nenhum problema em consumir tanto queijo derretido com gosto de vinho e mais outrso tantos frufrus de tal requintado prato.

Forrados os estômagos, fomos ao que realmente interessava. A exibição contou com cinco títulos, listados a seguir:

1 - Machete
2 - Piranha 3D(sem 3D, evidentemente)
3 - A Fera Assassina
4 - Sharktopus
5 - A Ilha Dos Mortos

E coincidentemente, a ordem dos filmes desta vez praticamente coincidiu com o ranking dos mesmos, em termos de preferência para nós, patronos da sétima e meia arte, por assim dizer. Vamos às sinopses mais detalhadas e a classificação.

1 - Machete(2010) Eu já esperava muito deste filme, desde que havia visto o trailer, na época supostamente fictício, do mesmo em conjunto com aqueles dois clássicos que compunham a dobradinha Grindhouse. Dirigida por Robert Rodriguez, e estrelada por um dos heróis mais infames de todos os tempos, encarnado pelo "belíssimo" ator Danny Trejo, que neste título tirou a barriga da miséria. Trejo já havia participado de muitos filmes mexicanizados, como A Balada do Pistoleiro e Era Uma Vez no México. Sua fisionomia sempre foi mui inspiradora para produzir um vilão convincente(o cara é feio pra carai), mas neste filme, ele foi o herói, o mocinho, aquele que levou todas as mulheres(literalmente). O filme é absurdamente divertido. Eu, que nutria grandes esperanças mas costumo ser um tanto cético quanto a elas, não me desapontei. Com cenas de esquartejamento gratuitas e muita ação hilária, os 105 minutos do filme passaram voando. Existem tantos destaques no filme, que fica difícil até escolher um em particular, mas creio que o momento mais memorável foi quando Machete abre a barriga de um malfeitor, agarra uma tripa do infeliz e a usa como corda para pular pela janela e chegar no andar de baixo, evitando assim uma explosão, numa cenma que me remeteu ao primeiro Duro de Matar, apenas com a hilariedade acrescida de uns duzentos mil pontos. Não consigo achar pontos negativos no filme, apesar de ter pescado um pouco(muito fondue e poucas horas de sono dá nisso)nas partes mais discursivas do filme, que foram poucas. Contando com um elenco memorável, hilárias sequências e muita mas muita diversão, este foi o campeão definitivo do evento. Eu dou nota 9,9.

2 - Piranha 3D(2010) - Este filme é como Machete, que nem de longe é um filme que possa ser levado a "sério", no sentido de apenas ser um filme dedicado a aficionados dos bons e velhos filmes trash(inclusive o fato de ter sido lançada no formato que se tornou a coqueluche dos cinemas atuais, o 3D). Nada errado nisso, pois eu e meus companheiros muito nos deleitamos ao assistir à épica história de como a população ribeirinha de um paraíso tropical subtropical norte-americano pode ser aterrorizada por um cardume gigante de pré-históricas e vorazes piranhas, encerradas desde epócas remotas da evolução do globo terrestre, em um lago subterrâneo, sobrevivendo apenas pelo consumo de si mesmas em um ciclo aparentemente initerrupto de canibalismo e reprodução desenfreada(só esta descrição já renderia um filme.) Pois bem, no filme, elas são libertas de sua prisão subterrânea eterna por...uma garrafa de cerveja tombada de um pescador incauto, que a deixa cair de seu bote ao pescar. Assim que o vasilhame "bate" no leito do lago, a hecatombe acontece: há um tremor, a crosta se fende, e as piranhas são libertas e partem em direção ao mais próximo porto local, não sem antes terem elas devorado de forma desordenada seu inadvertido libertador. O filme é mui gratificante aos olhos de seres cultos como nós, que tanto aprecia esta variedade de cinema, e quase nos levou às lágrimas(de riso), especialmente na parte em que o "garanhão" do filme é castrado de uma forma não muito tradicional, e as vorazes piranhas saem brigando pelo falo decepado. Poucas vezes me deparei com cena tão bela, tão poética, tão...tão, mesmo não tendo maneiras de a apreciar em sua plenitude, tamanha era a convulsão de riso que me encontrava. Em geral, é uma película altamente recomendada para reuniões deste tipo. Nota final? 9,5 no mínimo.

3 - A Fera Assassina(The Big Bad Wolf, 2006) Neste momento, o Noiado se encontrava em franco declínio de consciência, e teve de se retirar à cama mais próxima. Fui informado pelos meus compatriotas que o filme que deixei de ver não foi dos melhores. Me disseram coisas como "protagonista deveras efeminado" e "fantasia de lobo de borracha absurdamente ridícula". Em seus pareceres principais, meus amigos deram nota 7 ao filme, e vindo isto deles, que são muito menos chatos que eu para dar nota, acredito que o filme seja uma bomba mesmo. Ainda bem que não me esforcei para vê-lo...

4 - Sharktopus (2010) Este foi outro filme que vinha eu esperando muito tempo para poder assistir e avaliar, desde a época em que havia sido apresentado a seu maravilhoso trailer. Infelizmente, o que aconteceu foi um caso clássico de que o trailer realmente concentra o que o filme tem de melhor, não restando muito mais além das cenas ali exibidas. Foi mais um exemplo de filme aparentemente feito para agradar exclusivamente platéias ansiosas por sua dose de cinema 7.5 mas, infelizmente, não sobreviveu muito. A patética história de um animal "construído" em laboratório, misturando-se um tubarão e um polvo, feito por encomenda pelo "exércio" americano para ser "uma arma letal porém controlada remotamente por si só já seria chamariz suficiente para um bom filme, mas contando com "defeitos especiais" risíveis - o CGI do sharktopus em si é dos mais horrendos que já vi; acho que eu mesmo faria melhor - e com péssimas atuações em geral, uma história enfadonha e devagar demais para um título como este, o filme desapontou um bocado. As cenas de morte são absurdamente mal-feitas, mais uma vez graças à péssima computação gráfica empregada. Teria sido muito mais engraçado se tivessem tentado fazer a coisa funcionar com fantasias de borracha e cordinhas. Nota? Dou uns 8, no máximo.

5 - A Ilha Dos Mortos(The Survival Of The Dead, 2009) - Este é mais um exemplo clássico de como um filme de zumbis pode ser prejudicado por vãs tentativas de se fazer alguma história mais profunda com o tema. Até agora não entendi direito a premissa básica do filme, onde dois homens, arqui-rivais desde a sua mais tenra infância, se degladiam para ver quem tem mais razão na sequinte querela: se zumbis podem ser educados a consumirem algo que não seja cérebros humanos, como por exemplo, carne de cavalo. Teoricamente assim, não precisaríamos matar nossos entes queridos porém para sempre infectados pela "doença zumbi", podendo apenas trancá-los num curral e de tempos em tempos lá dentro atirar um pobre cavalo. A história é muito arrastada e confusa, e flerta de tempos em tempos com discussões filosóficas e desenvolvimento de personagens absolutamente desnecessários para um bom filme de zumbis. Mesmo tendo sido escrito e dirigido por um dito mestre do gênero, George Romero, o filme não é dos melhores. Não fossem sequências engraçadas e absolutamente toscas(de nojentas mesmo) de mutilação de cadáveres reanimados ou não, o filme teria sido um desastre completo, mesmo para nós. Nota final? 7,5.

Em geral, a reunião foi muito proveitosa, no sentido de se libertar um pouco das amarras da vida séria e exigente dos tempos modernos, modernos. Apesar de não ter visto um dos títulos da exibição, eu me diverti horrendamente, mesmo tendo ficado um tanto quanto destruído no final de domingo. Hoje terei um dia cheio de pescarias por aqui. E já passa da hora de encerrar o expediente blogal.

Vejamos o que vem em seguida...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Re-encontro.

Não é engraçado?

Você passa dois anos num ocaso tremendo...e depois, se acha.

No mesmo local que você tinha abandonado. No mesmíssimo local.

Aí você se dá conta de que tentar ser algo que não é, só faz mal.

Dirão muitas coisas, conjecturarão muitas hipóteses, me criticarão até o final de meus dias.

Mas, faziam aproximadamente dois anos que não me sentia tão bem.

Absurdo? Talvez, para todos ou quase todos os de fora.



Pra mim não.




Viva a nerdice. Seja quem você é. E foda-se o resto.




E que venha o final de semana e mais nerdice....

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

N. A.

-Boa noite. Bem vindos à mais uma reunião dos Noiados Anônimos. Estamos recebendo hoje vários novatos nas artes de ser Noiado. Vamos receber o primeiro senhor Novato.
-Novato é o caralho.
-Ah, ha, ha. Calma, meu senhor. Mas conte para nós.
-Meu nome é Medo. E existo desde 1977. Setembro.
-Achei que o medo existisse antes. Mas enfim, conte-nos.
-Cale-se, primeiramente. Eu tenho medo de tudo. Medo de ser ridículo, medo de não passar, medo de passar, medo de alturas, medo de falar demais, de fazer brincadeiras e soar estúpido, medo de falar com quem eu não conheço, medo de desenhar e ficar uma merda(sempre fica), medo de atrapalhar os outros, medo de andar sozinho altas horas da noite, medo de que sempre me abandonem, medo de--
-Ah, medo. Mas a fila deve andar. Devemos pegar os depoimentos de todos os membros, nesta reunião semanal. Vá para seu lugar.
-Tenho medo de me sentar ao lado de um mala, de um neurótico. Medo de que me perguntem demais e--
-Vá logo. Muito bem, quem virá em seguida? Que tal você, senhor.
-Meu nome é Raiva, e tenho raiva de tudo; eu odeio as pessoas, em geral. Odeio joguinhos idiotas que as pessoas fazem. Odeio aqueles que jogam lixo no chão, entopem os bueiros todos e depois, quando seu barracão é inundado, afirma que a culpa é da prefeitura que não limpa os bueiros; odeio todos que são fingidos, odeio crentes. Odeio religião. Odeio burocracia, burrocracia, estúpidos processos inerentes a se obter qualquer permissão especial para fazer isto, odeio relacionamentos falsos, casamentos por simples acomodação...
-Ah sim, a raiva pode ser algo muito--
-Não me interrompa! Odeio quem faz isso!
-Mas o senhor deve odiar também quem não deixa os outros falar.
-Sim. Droga. Tá certo. Irei me calar. Odeio estar errado. Saco. Cu dos infernos.
-Bem, quem mais? Que tal você?
-Eu só enxergo cinza.
-Hein?
-É. Só vejo monocromáticos cinzas. Tons de cinza, por todos os lados. Vejo as cores, mas só interpreto os cinzas. O céu pode estar sem nuvens, mas eu só vejo um tom de aguada suja no firmamento, todos os dias. As ruas, todas cinzas. As pessoas. As cores, parecem não existir além de meu monitor de vídeo.
-Que saco deve ser isso, hein? Mas vamos prosseguir. Você.
-Eu sou um chato. Reclamo de tudo. Tudo está ruim. Dizem que tenho tudo, mas me sinto como se não tivesse nada. E bem sei que estou errado, e só faço reclamar. Não consigo agir, não consigo sair do marasmo. E reclamo, reclamo. Escrevo todos os dias, reclamando. E reclamo que me abandonam por reclamar demais. E fico puto com todos eles que o fazem! Para mim isto é abominável, um abandono. Mas não posso fazer nada, pois sei que estou errado. E odeio isto!
-Me parece que já vi o senhor antes por aqui.
-Sim. Não! Nego. E acho ridículo que me acusem de tal coisa!
-Sim, sim. Vejo bem.
-Vê nada.
-Pois bem. Prossigamos. Você lá no fundo.
(o cara lá do fundão quase cai de sua cadeira. E sacode a cabeça, não quer subir de maneira alguma ao pódio. O Orador novamente o exorta, mas ele estampa pânico nos olhos. Alguns dos Noiados mais chegados se reunem em torno dele e com ele conversam. Após muito falarem e falarem, ele finalmente é convencido, e avança hesitantemente ao pódio, andando duro feito um robô ou um padrinho de casamento engravatado que morre de vergonha de estar ali.)
-Não se acanhe, meu caro. Diga.
-Eu...eu tenho vergonha. (esconde a cara nas mãos) Sou tímido demais.
-Calma, estamos aqui para discutir tais coisas. Pode falar.
-Eu tenho vergonha de falar.
(o Raivoso dantes se exalta:)
-Fale logo, ô caralho!
-Bem...eu tenho muita vergonha. De falar. De dizer o que penso. De ser eu mesmo. De falar merda. De mostrar as coisas que eu faço, as músicas que componho, os rabiscos que elaboro. Tenho medo de ser arrogante quando me elogiam, tenho desconfiança de elogios, pois sempre acho que estão falando por falar, e me dá muita vergonha ser tratado assim. Mas sei que é difícil lidar com alguém que é tímido como eu. Eu não consigo chegar perto de uma pessoa atraente, sem ter ânsias de sair correndo. Olho para o chão enquanto ando, para não encontrar os Olhos, sempre eles, sempre me olhando, sempre me analisando. Sempre, sempre. E--
-Certo, certo, mas a fila deve andar.
-Falei demais né? Que vergonha!
-Volte para seu lugar. Quem mais? Você, de azul aí.
-Eu sou triste.
-Ah, uma condição nada agradável, por vezes. Mas diga.
-Eu fico triste todos os dias. Não existe um dia que eu não me sente a olhar para minhas mãos e imaginar o que poderia fazer com elas. Não existe um dia que eu não analise a situação do mundo, das pessoas, e não me sinta arrasado por isto. Vejo pessoas se enganando o tempo inteiro, mentindo umas para as outras, e fico triste. Fico triste por que me acham tanta coisa mas bem sei que nada sou; me entristece ter de ser um ator na vida, para se chegar à algum lugar. Me entristece ver que pessoas que se amam fazem joguinhos, especialmente as mulheres, para "testar" o amor de seus companheiros, e muito se espantam quando eles não recebem tal teste com alegria e entusiasmo. Me entristece ver que está tudo errado, e que só vai piorar.
-Complicado. Fico triste só de te ouvir.
-Normal. Todos saem de perto de mim depois de alguns minutos de conversa. Todos me abandonam. E nem mesmo posso culpá-los.
-Ah, é complicado ser Noiado. Estamos aqui para tentar te ajudar.
-Porra nenhuma. Isto não é nada além de um embuste; é apenas uma conversa interna, uma conversa com o espelho, uma tentativa vã de expor de maneira engraçadinha suas neuroses internas, seu babaca.
-Opa! Que é isto. O senhor está soando como o outro membro ali, o da raiva.
-Seu imbecil. Eu sei de tudo. Sei que você se formou numa coisa, que não serviu para nada, e tentou fazer outro curso, mas largou no meio, por ter tomado ódio mortal aos "artistas flácidos" modernos que tanto falams e só expoem lixo, lixo, lixo, por cima de um palanque, de uma falácia, de um discurso idiota e execrável. Sei que trabalhas com algo que não gostas; mas de que gostas?? O senhor não gosta é de nada!
-O quê?? Como sabe destas coisas? Quem te falou estas coisas? Você andou me espionando??
-Porra nenhuma, seu mané.
-Então...
-Seu idiota. Sei que você, no dia de ontem, se olhou no espelho e enxergou um borrão indefinido, uma sombra de pessoa. Algo que poderia ser mas não foi nem nunca vai ser, pois tens raiva de tudo, medo de tudo, só enxerga o cinza, ficas triste com tudo, questiona a tudo e todos, mas bem sabe que faz parte do mesmo monte de bosta que é a humanidade, e que recentemente resolveu desistir de tudo.
-Mas...
-Mas nada, mas nada. Detestas todos, detesta ter crescido com a esperança que as coisas fossem melhorar, e na verdade elas só pioram, você só mais e mais envelhece e cada vez mais se aborrece. Estás diante de um espelho, mas não enxerga nada, falas sozinho na frente do reflexo, dentro das quatro paredes. Quer ser isso e aquilo, mas não consegue sequer se motivar nem a estudar, a melhorar. Pegaste sua lista de "top 5 dream jobs" e a rasgou, queimou, tudo, tudo. Noves fora, coisa nenhuma, oras.
-E também não se esqueças! Odeias tanto as coisas, se revolta tanto contra o mundo que nem mesmo dentro de sua solitária estás achando consolo, paz. Paz? Nunca soube o que é isto! Nem mesmo dormindo, onde os sonhos que ali abundam são de natureza psicopata, olhos cortados, vinagre e limão espalhado por cima das feridas abertas, empurrar o cara no rio de lava.
-Isto, isto. Deixe pra fora, ponha tudo pra fora.
-E também me pergunto, o que as pessoas são? Todas se enganm, todas fazem mal umas as outras. E é normal, normal. Anormal é pensar que isto é anormal. Anormal é não quere nunca machucar ninguém, e ser tachado de idiota bonzinho por ser assim. Anormal é quere não ser o chato, mas sempre ser o chato por não querer ser. Anormal é não querer fazer mal a ninguém, e por isto ser rejeitado, rechaçado, inferiorizado. Por todas as pessoas de quem já gostei, todas me julgam "bonzinho demais", tedioso demais.
-E não é uma merda? Não te dá raiva? Não te deixa triste?
-É um inferno na terra. Odeio tudo isso! Odeio essa merda de mundo, onde tudo dá errado, onde todos se esforçam para atrapalhar os outros, por esporte, por mera diversão doentia. Onde as mulheres reclamam eternamente que não encontram os famosos "homens ideiais", porque simplesmente rejeitam todos os caras "bonzinhos" em prol de idiotas que as tratam feito cães sarnentos, para depois procurarem os tais "bonzinhos" e em seus ombros chorarem, ao passo que afirmam que nenhum presta, nenhum. Idiotas são as pessoas, que se casam, aos olhos de um deus, aos olhos de uma sociedade idiota, de branco, sendo que branco de cu é rola. Grande pureza, pois sim. E foda-se a pureza também, fodam-se os casamentos, toda esta hipocrisia.
-E fodam-se também as pessoas falsas, os frangos miseráveis que te dão amigáveis tapinhas nas costas, exibindo um sorriso de 146 incisivos brancos e polidos, para depois enfiarem a faca nas suas costas.
-E danem-se os empregos, as ocupações de sonho, que só dão trabalho, e só rendem hilários comentário por parte de todos os outros frangos, que julgam que música não é trabalho, que desenhar é coisa de criança. Que o emprego bom é aquele público, púbico, ora bolas.
-E odeio o fato que estou cada vez mais frango por tudo isso. Por estar me tornando cansado de tentar, e somente falhar. Por estar propenso a me tornar um zumbi, trilhar o caminho à zumbilândia pública, onde terei dinheiro, mas nenhuma alma.
-E você é um preguiçoso também né.
-Por não enxergar nenhum caminho. Não ver nenhuma motivação, neste imenso Admirável Mundo Novo que se tornou o mundo moderno. Tenho preguiça, pois no final das contas, nada vale a pena, nada. Se esforçar, para quê?? Para comprar tralahas? Para consumir melhor? Para me exibir diante de pessoas, e assim angariar uma companhia que só se unirá a mim por interesse? Por conta de meu carro, de minha conta, de meu frigobar, de minhas posses, de minha estética corrigida por Photoshop, digitalmente ampliado, melhorado? Para depois ter que me crismar, para casar numa igreja por que a noiva assim o quer, e a sociedade assim o exige?
-E família, o que é uma família. Tirando algumas exceções, todos querem te ver pelas costas. E você sempre se revolta contra seus pais, mas mal sabe que é apenas uma versão estendida deles, dele, de seus comportamentos, suas tolas obsessões. Sempre ser o fracassado, a exceção, aquele que se refugia em meios ilícitos ou lícitos aos olhos caducos da lei idiota que rege os homens; o cara que se esconde de tudo e de todos.
-De tudo e de todos.
-Por simplesmente não aceitar nada, questionar tudo e todos, e mesmo a si mesmo, por masi estranha e idiota que a frase possa parecer.
-Por não querer sair de casa, enfrentar a noite e seus olhos, suas avaliações idiotas, seus valores imbecis.
-Por não querer nunca mais se envolver com NINGUÉM, por achar que tudo sempre dá errado, que egoístas somos todos, eu tu eles, nós vós eles, por saber que o que resta no final de todos relacionamentos é um armistício, uma união onde a grande diversão é apurrinhar o cônjuge, a moeda de troca de favores é o sexo, e para quê? Para transmitir aos filhos o legado de minha miséria? Minha visão distorcida - dizem - do mundo??
-Não quero deixar isto para ninguém. Ningué merece mais de um Noiado.
-Ninguém. Porquê o senhor não se mata?
-Porque não consigo ser tão egoísta a ponto de abandonar uma certa pessoa, que já foi abandonada por um certo marido e será abandonada posteriormente pelo primogênito, pelo preferido.

-Encerremos aqui a reunião dos Noiados Anônimos, de nome Buriol. Mui anônimo, de facto.

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E depois ainda estranham o fato que eu prefiro um mundo menos real e menos chato...Porquê será?

O que me resta, sendo esta merda toda?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

404 #6578674856E+47.

Penso, penso e penso, e só me vêm à cabeça pensamentos nefandos.

Normal.

Mas, em dias cinzas como este, melhor seria não exercer minha habilidade de somente encontrar lado ruim nas coisas, pra não piorar tudo, mais do que já está. Lá fora chove, céu abaixo, e isto basta para aborrecer as pessoas.

Estou precisando de férias, e urgente...