segunda-feira, 12 de abril de 2010

Cu-meçar de novo!

E que comecem os jogos semanais escrotoriais escravocratas mudernos. Ou seja, é segunda. Aquela manhã remelenta mais adorada por todos nós meros mortais com menos de muitos milhões no bolso ou na conta das ilhas Cayman. Ah, foda-se também. O final de semana foi muito bom, e igualmente muito frio. Não sei ao certo como foi a barra aqui em Belzonte, mas lá pros lados do Retiro das Pedras, o bicho estava pegando. E isto foi só a primeira leva de frio deste ano, inda tem mais por vir.

Falar do Retiro e falar de frio é quase um pleonasmo, se não for de fato. Mas, como não sou nenhum novato na arte de lá comparecer em eventuais finais de semana, fui devidamente preparado com minhas tantas camadas extras de roupas e meias, e passei até bem. Um friozinho faz até bem, desde que estejamos devidamente agasalhados.

E o que aconteceu de tão bom no final de semana? Nada de mais, creio eu. Apenas reuniões com pessoas legais, conversas agradáveis, a estadia no quarto mais legal do mundo(ele continua sendo, só perdendo para meu sótão em si), consumo de cervejas propriamente ditas e não este mijo enlatado nacional que nos empurram em cada botequim desta cidade, deste país. Fui apresentado à variedade Pale Ale na ocasião, e achei bem boa, opinião que geralmente custo a ter em se tratando de cervejas, pois ainda sou daqueles que prefere muito mais uma bebida ordinária feito um refrigereco. Segundo meus companheiros de butecos porraí, é questão de costume. Pois sim. Não faço muita questão de implementar tal costume tão cedo ainda em meu corpo, portanto nem me importo tanto; mesmo assim, a cerva esteve boa, devo admitir.

No mais, consegui finalmente adiantar um projecto de presente criativo, ou seja, desenhado, para um de meus melhores amigos, e isto também me fez bem. Esta promessa de tal presente está quase fazendo aniversário, e creio eu que não estará pronto até a data do aniversário em si, mas ao menos agora eu posso dar uma resposta melhor a meu amigo: ao invés de "não fiz ainda", "nem comecei", "tô sem idéias", "vai se fuder" e outros tantos impropérios, agora eu posso responder, "Estou fazendo! Vai se fuder.", como é de praxe em nossas comunicações.

É muito bom fazer as coisas. Estes projetos pessoais que todos temos, ou aquelas pequenas obrigações diárias que não são tão vitais assim - consertar alguma parte defeituosa da casa, arrumar o quarto, etc - que tanto adiamos. Já repararam como a não execução destas picuinhas acabam virando um inferno mental? Quanto mais adiados, mais eles nos apoquentam. Como disse um outro amigo meu, utilizando-se de uma frase muito pronunciada por um tio seu e que acabei transformando em sábio ditado, "O trabalho que mais cansa é aquele que você não faz."

Bem verdade, isto. Como disse, estou longe de terminar tal projeto, mas venci a inércia. Creio que por vezes esta seja de fato a pior parte: começar a fazer as coisas. As coisas fluem bem mais tranquilamente depois de vencido este primeiro passo. Evidentemente, nem sempre é assim, bem claro esteja, pois nem todo projeto pode ser resumido a isto, mas neste meu caso, foi bem assim. Ao menos a coisa agora está andando, e é essencial não deixar esfriar agora, caso contrário, o drama mental irá se iniciar novamente, e quero muito reduzir tais choramingações mentais estes dias. Ando bem farto delas.

Veremos como se sucede. Agora, vamos retornar à vida real, pois a manhã está apenas começando e há muito o que fazer, em projetos menos legais porém obrigatórios no contrato social de ser um assalariado de uma empresa como esta aqui. Trabalhe, vagabundo!

Sim, sim. Mais informações no decorrer dos acontecimentos. Antes de mais nada, um suco preto de acordar será bem vindo. Como não como não. Sem café, não sou nada.

Ah, cafeína. O que seria do mundo sem você? Nádegas, nádegas.

E depois desta nota infame, é melhor que eu realmente bata em retirada. Até!



sexta-feira, 9 de abril de 2010

Bate-pernas!

Acho que eu nunca odiei tanto o corpo docente de Belo Horizonte tanto quanto o fiz ontem. Muitos que cá habitam devem ter percebido a zona que eles criaram no centro da cidade por conta da greve deles(aliás, que está acontecendo este ano? É ano nacional das greves??) Não quero saber de motivos, não quero entrar em discussões. Têm lá seus motivos e lutam por eseus direitos, mas a baderna por eles causada ontem me afetou diretamente na hora de ir embora.

Como é de meu hábito, saí andando daqui até a Afonso Pena. Levo muito menos tempo, passo muito 'menas' raiva e tenho que aturar muito menas gente do que se apanhasse um coletivo qualquer. Mas eu podia ver que a greve e sua manifestação, que partira da praça da Assembléia às cinco da tarde marromenos, estavam fazendo seu estrago no trânsito. Estava tudo parado, agarrado. Nenhum carro se movia e o buzinaço corria solto no ar, ainda que a regra universal da física e do trânsito dite que dois corpos NÃO ocupam o mesmo lugar no espaço, por mais que se buzine.

Cheguei à Afonso Pena e imediatamente vi que estava fudido: o ponto de ônibus estava absolutamente lotado daqueles maravilhosos seres que são os fumequeiros, aqueles seres tãããão inteligentes que teimam em lotar meu ônibus. Na hora já olhei e disse para mim mesmo: "é, estou na merda hoje." Pensei o quanto seria bom se tivesse que dar aula naquela quinta, pois até as nove a coisa deveria ficar mais tranquila. Mas não era dia de aula. Pensei em contactar alguns amigos meus para ver se animavam ficar em algum canto esperando o caos baixar, mas eis que meu telefone molecular estava irremediavelmente morto, sem carga.

O que fazer? Fui até a casa dos Quadrinhos, para ver se havia algum companheiro por lá, mas nada feito também. O que me restava fazer? Ir para casa a pé. Mesmo assim, ainda andei até a Savassi, com a esperança de ali encontrar alguém. Acontece que o caos dos professores parou a cidade quase inteira: não havia quase ninguém nas mesas dos bares da Savaca, coisa muito incomum para uma quinta feira, acredito eu. Nenhum conhecido ao redor, nada.

É. Voltar a pé para casa! Uhu!

Subir e subir, e andar e andar. Quando cheguei novamente à Afonso Pena, vi que a coisa estava mesmo feia. Ninguém descia, nada subia. Tudo estava parado. Fiquei de olho para ver se algum desgarrado busão subia a avenida, mas não. O lado que subia para o Mangabolhas estava quase deserto, os únicos veículos que ali existiam eram bem-aventurados carros que por algum motivo encontraram vias alternativas para ali chegar. Não havia um único ônibus subindo.

E como aquela avenida é longa. Ontem eu pude contemplar de perto, sentir na pele o tanto que aquilo é comprido e como é um morro gigantesco. Me senti um verdadeiro alpinista. Galgava tudo aquilo como se estivesse de fato escalando uma gigantesca montanha. O que de fato eui estava fazendo. Quando se olha o mapa de BH no Goooooooooooooogle maps, nem parece ser um trajeto tão árduo assim; longo, de fato, quase sete quilômetros, mas o que realmente mata ali, não é mostrado em mapas bidimensionais.

A subida, essa sim, mata. Inda mais que é praticamente interminável. Você sobe , sobe e sobe e não chega. E a subida vai piorando à medida que fui me aproxiamndo de casa: ali sim é a base da Serra do Curral, e a avenida que precede o bairro é das mais imperdoáveis para os andarilhos feito eu, especialmente quando se chega à base da praça do Papa. Ali, a inclinação do morro cresce uns quinze "degraus" ao menos. Minhas pernas já estavam pedindo arrego. E mesmo vencendo aquele morrão, ele NÃO é o último, maldito hábito dos homens em viver em locais elevados, por mais aprazível que seja para as vistas. Garanto que ninguém pensa nas pernas nestas horas.

Enfim, consegui chegar em casa, após uma hora e meia de marcha acelerada e quase initerrupta, partindo de um trajeto nada lógico para a distância transposta. Cá estou hoje, com as pernas surpreendentemente cansadas, porém sem aquelas dores causadas por excesso de ácido lático no tecido muscular estriado esquelético que...tá, irei me calar biologicamente falando. Hunf. Mesmo assim, fico feliz de ver que ao menos para isso serviu minha perambulação constante que costumo fazer todos os dias. Se eu fosse sedentário, hoje não teri aguentado nem me levantar da cama.

Mesmo assim, presumo eu que a população em geral ontem quis ver a caveira de todos aqueles professores, eu incluso. Não quero saber de nada, motivos, aumentos, porra nenhuma. Eles conseguiram foi é fuder tudo, avida de quase todos na cidade. Olho por olho, dente por dente, eu presumo. Danem-se. Causaram o caos, foi tudo que conseguiram.

Enfim, ao menos estava um tanto frio ontem, ou eu teria me desidratado por completo na empreitada. E ainda bem que é sexta feira, pois é o dia mais sagrado da semana. Só não é mais santo que as sextas que são feriados. E para o final de semana, a excursão para a capital regional do frio já está agendada. E eu dormirei novamente no quarto mais legal do mundo, lá na torre. Isto é bom, muito bom.

Enfim, vamos nos preparar para o descanso merecido. Esperemos que ao menos hoje estes revoltados profissionais não nos causem novamente o caos, ou estarão correndo sério risco de vida, creio eu. Não de minha parte, mas se existe um bicho mais arredio e perigoso que os Senhores Volantes de BH, eu ainda estou para conhecer. É um risco de vida mexer com tais seres, broncos e raivosos como o são.

Que todos tenham um bom final de sumana, então. Beijo na bunda, até segunda.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dragão, donde estás?

Aconteceu ontem. Ou quase.

Por algum motivo indefinido, o dia havia corrido muito bem até então, e eu aceitava os agrados inexplicáveis, desconfiadamente, é verdade, mas mesmo assim não sou louco de me tornar casmurro diante de tais coisas. Sei apreciar estes raríssimos momentos de bem-estar com a vida, sem necessariamente me questionar por quê. Na verdade, quero mais é para de ter tal pergunta na cabeça. Mesmo assim, eu ainda reservava minha desconfiança, pois não se muda do dia para a noite.

Eu havia recebido efusivos elogios por minhas artes e partes que tanto teimam em me dizer que são de fato artes e não somente partes. Me fez bem, muito bem. Um dia eu juro que eu ainda irei crer veementemente nesta tal realidade que algum mecanismo sórdido interno teima em rechaçar. A manhã havia corrido sem maiores problemas, tudo nos conformes, bom dia como vai, está tudo funcionando, as coisas estão em dia. Certo, certo. Vamos almoçar? Bom almoço, onde comemos a rúcula mais amarga jamais provada por mim dantes. Fez bem ,apesar das lágrimas que fizeram brotar em nossos olhos. Choramos a perda do título perdido por outrora salada em outro lugar, e nos fartamos em saborear o restante do modesto prato, modestas carnes, bom sabor, muito bom sabor.

Eu e meu fiel companheiro de todos os almoços corporativos limitados, LTDA, nos separamos à esquina, eu com o intuito de simplesmente passear no xópis, ele com o objetivo de mais trabalhar; para ele o tempo de fato rugia naquela tarde incipiente. Fui ter ao pálacio do consumismo classe-medista belorizontino(fede, fede) e suas roupas absurdas, tanto no preço quanto no desenho arrojado porém idiota. Olhava todas aquelas inócuas vitrines sem nem me importar. O Diamongol para mim tem apenas três serventias: cafézes, evenmtuais idas ao Subway, e a livraria, que ultimamente anda quase desclassificada do compêndio "três utilidades para um xópis escroto."

Fui ter à livraria. O café está muito caro e o frio ainda não apertou a ponto que eu paertasse meu bolso, ainda não. Postei-me mui civilizadamente na escada rolante(volante! volante!) e me deixei ser conduzido para o andar de baixo.

Foi quando aconteceu.

Olhei de relance para o espelho que ainda não sei por que cargas d'água põem ao redor dos fossos das escadas deste gênero mundo afora, e vi. Escamas. Fogo. Garras. E um braço. Feminino.

A dona daquele dragão estava subindo os degraus enquanto de meu lado estava eu com aquela ânsia inexplicável, aquele efeito irremediável que me causa tal visão, mulheres e tatuagens. Vi as costas da possuidora daquele soberbo animal de tinta, mas estava preso ao fato que ela subia enquanto eu descia, e muito me lamentei do fato ter ocorrido desta maneira.

Se quiserdes fazer deste ser teu escravo, seja mulher e tenha um belo dragão impresso em vossa pele ó minha senhora, minha mestra.

Cheguei ao meu destino embasbacado, tonto, sem saber o que fazer, para onde ficava mesmo a livraria? O que era uma livraria? Perguntas, todas inúteis estas. Mas as que teimavam em ressoar em minha cabeça era, quem era aquela moça? Para onde ia? Será que não estaria interessada em adquirir um branco(põe BRANCO nisso) escravo? Um servo fiel e irredutível. Moça, teu dragão em teu corpo fez de mim seu escravo naquele momento.

E eu sabia disso. Apesar de ter perdido uns bons dois minutos andando sem rumo no andar inferior do shopping, eu precisava, precisava encontrar minha dona. Agora, em situações normais, este ser facilmente escravizável só diria, "droga, novamente me fudi" e prosseguiria cabisbaixo para a insípida livraria. Mas algo me impeliu a agir de maneira diferenciada naquele dia.

Parti atrás dela, em busca daquela mulher e seu dragão, que tanto me enfeitiçaram. Rodei o andar inteiro, olhando para dentro de todas as lojas, buscando, procurando. Analisei todas as moças que achei no caminho, e mesmo que tenha recebido aquele olhar que tanto me desnorteia e tanto faz-me sentir um perfeito idiota, as donas de tais olhos eram desprovidas do acessório que havia me arrebatado inexoravelmente naquela tarde.

Nada achei no segundo andar, e parti para o terceiro. Novemente, perscrutei toda a extensão do andar e de seus itens consumistas, modernos equipamentos para seu lar, agora com desconto! Tênis a dois mil reais! Track & Field, Timberland, tudo muito bom, muito caro! Compre djá! E io posso mudar sua "bida." Mudaria de vida, de fato, se ali encontrasse aquela intrépida fêmea, que ainda tanto me fugia.

Mas o que faria eu se a encontrasse? Provavelmente nada, meu lado normal e auto-depreciativo já me dizia, ainda és o mais banana dos receptores de tais fatais olhares. Bem sei, dizia eu, e empurrava rudemente o pensamento para o fundo da cachola. Mas o senhor hoje pode ir ter à merda. Eu só queria achar o dragão. Somente isto. Vencida tal etapa eu pensaria no resto. Pé atrás de pé, passos e passo, e aquele indefectível ar de aflição estampado em minha cara, lá ia eu.

Nada no terceiro andar. Rodei novamente o segundo andar e ainda assim tornei ao andar do qual aquela criatura e sua carnalmente impressa criatura haviam se originado magicamente naquela metade daquele fatídico dia. Procurei e procurei, e andei e andei.

Nada. Não foi desta vez que achei minha dona, minha fatal possuidora. Instantaneamente as cadeias mentais que já se haviam desenvolvido em meus tornozelos e pulsos caíram por terra. A certeza de ter falhado na busca me libertou por completo daquilo. Não teimei em em lamentar o ocorrido por muito tempo. Deixa pra lá. Supostamente, dizem, existem muitos peixes no mar.

Mas os peixes que se fodam. Eu só queria aquele dragão e sua dona. Só isso. Suspirei, não necessariamente desanimado e infinitamnete derrotado, pois ainda não estou tão louco a ponto de encarar uma "derrota" como esta como um motivo real para encurtar minha vida ou me tornar depressivo. O dia ainda estava longe de terminar e eu ainda me sentia muito bem, pois em momentos como este, eu me surpreendo em verificar o elementar fato de que ainda tenho emoções e um pendão de esperança de ainda encontrar aquela moça, tatuada ou não, que será de fato minha dona.

Adiante, para fora do prédio e de volta ao outro prédio, eu me sentia de certa forma mais leve, mais feliz, mais vivo. Ainda estou vivo, por assim dizer. Ainda existe em mim algo que me impulsiona a agir feito idiota diante de tão vaga promessa que por um furtivo momento passou diante de meus olhos.

Não foi desta vez, mas chegará, eu sei. Eu quero que seja assim.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A cela.

Eu queria ser mais avacalhado.

Eu queria ter esta faculdade de simplesmente me desligar de todas minhas regras e padrões medidos em laboratório e padronizados pela IUPAC.

Por vezes me farto de ser eu mesmo....de ser aquele cara que enxerga o verde cinza e o azul cinza, o vermelho um cinza um tanto mais escuro e tudo mais. Cinza cinza cinza.

Por que o tempo passa. O tempo voa, e quando muito espantamo-nos, a década passou, mais uma delas, e cá estou, na mesma de dez, vinte anos atrás.

Existem coisas acontecendo, coisas que parecem mesmo serem mensagens veladas, como já disse aqui dantes. E estão surgindo com mais frequência, cada vez mais e mais. Olhe ao seu redor, o que vês?

Olhares que nunca antes haviam existido. Conversas que nunca tiveram ânimo de começar com este ser eremita e sociopata. Coisas, eventos, gritando para mim. Desista. Pare. Mude. Resistência é inútil.

Existem paredes grossas demais ao meu redor, entretanto. E por mais que estejam surgindo rachaduras cada vez mais pronunciadas nelas, ainda existe um bom meio metro de concreto e aço ao meu redor.

Esta cela era o local mais solitário do mundo...e dos mais seguros também. Mas o que é segurança....sem vida para ser resguardada?

Dias e dias, meses a fio, anos e anos. Encerrado aqui. Recebendo visitas - nada íntimas - pela pequena fresta na porta maciça de titânio diante de mim. E mesmo que tenha sido eu mesmo que tenha me trancafiado neste eterno solilóquio mental, me parece que há muito perdi a chave daqui.

O que me resta fazer?

Bater nas paredes, esmurrar a porta. Até os braços caírem, até os nós dos dedos sangrarem; berrar e berrar, até ficar sem voz. As paredes não são eternas. Não podem ser. Bato e bato, esmurro e esmurro.

Quem se diz prisioneiro de si mesmo? Quem é louco a ponto de se encerrar em tal prisão, se negar toda uma vida, tudo que nele tem de bom e verdadeiramente não frango. Tudo o que me diferencia dos outros gnus deste imenso rebanho....tudo, tudo encerrado em gavetas trancadas. Em pastas esquecidas. Em monólogos interiores.

Mas me estendem a mão lá de fora. Me olham com outros olhos, olhares os quais nunca julguei serem algum dia dirigidos a este ser que tanto não existe enquanto por aí circula...um estranho entre os normais, e um estranho entre os outros estranhos.

Me estendem a mão, me gritam, batem nas paredes. A parte de mim que teima em se encerrar teme muito pela queda deste muro, destas paredes, mas eu bato e bato nesta tosca alvenaria de minha mente.

E as rachaduras aumentam. Ainda que por vezes as vozes externas se calem em tempos que por dêsanimo exacerbado eu pare momentaneamente de esmurrar aquelas paredes...as rachaduras existem, e não retrocedem, mesmo que queiram. Mesmo que alguma coisa dentro de mim ainda queira falhar, falir, desistir.

Nestes momentos de extremo cansaço, de fadiga generalizada pelo esforço de tentar de mim mesmo me desvencilhar, quando paro de bater nas paredes, as vozes lá de fora parecem mesmo se calar. E imploro para que não se calem. Eu me tranquei aqui, mea culpa est, mas preciso de ajuda.

Por favor, não desistam de me ajdar, eu peço. Não se esqueçam de meu nome. Eu imploro.

Tenho vontade de ser liberto de minhas paredes, tenho vontade de retribuir tais olhares, tais pequenos gestos que tanto me fazem bem. Tenho medo, eu sei, daqui sair, mas aqui não quero morrer. Não desta maneira. Não encerrado em um eterno inverno, sem nenhuma jaqueta de pensamento nem um outro corpo macio e quentinho para me abraçar.

Por vezes, cabisbaixo em um canto da cela, parece mesmo que sinto uma estranha e transparente carícia de alguma entidade que daqui desta realidade já se foi, mas que de alguma forma de mim ainda se importa...ainda me quer ver livre de minhas paredes.

Nestas horas, as vozes lá de fora clamam pelo meu nome mais uma vez, e ergo-me bufando, determinado. Estou aqui. Quero sair. Quero ser gente, quero poder ser alguém que não seja ninguém, um ser esquecido numa solitária. Um esqueleto carcomido pelo tempo e pela soberba.

Estou aqui. Bato e bato nas paredes, que se mexem, pouco a pouco perdem sua integridade quase inemovível. Perdi a chave desta cela, mas aqui não quero ficar.

Não devo ficar.

Não irei ficar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A conversa.

Aconteceu-me ontem, e na verdade tem acontecido muito por estes dias. Ocasiões em que de repente nos flagramos conversando com pessoas as quais não necessariamente temos muito contato, mas que definitivamente fazem parte de nossas vidas, de uma forma ou de outra.

Ontem, após ter visitado meu sobrinho postiço, fui ofertado uma carona de volta para minha casa. Por mais que eu seja fã incomensurável do nosso transporte púbico - de pessoas e pêlos....er....tá, tosqueira tem hora(toda hora é hora) - eu aceitei prontamente, ainda que tivesse sido advertido que antes de irmos para os meus lados, teríamos que visitar um de nossos templos do moderno consumismo, ou xópis. Sem problemas, vamos lá.

O que aconteceu foi que fomos conversando, eu, meu sobrinho e sua mãe, mulher calejada na vida, destas pessoas que já viu muita merda, já fez muita merda e se mantém firme perante o caos reinante na vida. Eu a admiro, de certa forma. Não a tenho como uma dessas pessoas idealizadas, mas sinto definitivamente uma afinidade com esta pessoa.

Pois bem, conversamos muito, sobre os mais diversos assuntos, entre veementes devaneios vindo do banco de trás. Estes sobrinhos são muito irrequietos, por vezes. Mas a conversa fluía naturalmente, e falávamos dos mais diversos assuntos, e conversa gerava conversa. O tipo de papo que eu curto, pois o que incomoda mesmo é não ter assunto nestes momentos.

O que eu achei engraçado é que diversos tópicos da conversa pareciam voltados diretamente para mim, como se estivéssemos falando apenas de mim e minhas mazelas, sendo que não era o caso: as pessoas envolvidas na conversa eram conhecidos dela, gente que nunca havia ouvido falar dantes.

Acontece que muito do que foi dito ali parecia ser dirigido diretamente para mim, de fato. Não sei se acontece com outrem, mas tenho visto isto acontecer muito comigo nestes últimos tempos. Coisas que andam me atormentando, me atrapalhando, ecoando em minha cabeça; coisas as quais não costumo nem conversar com os outros, pois julgo ser meus problemas meio que "egoístas", ou seja, aqueles que eu deveria resolver por conta própria.

Muitos destes tais problemas mui particulares foram comentados ontem nesta conversa, como se aquela pessoa, aquela mulher com a qual tenho contato no máximo duas vezes por semana, às vezes nem isso, ela parecia que sabia destas minhas secretas mazelas, pois volta e meia lá estávamos novamente tratando de algum assunto que me dizia respeito - indiretamente.

Às vezes me parece que a vida tem destas coisas. Quando o caos começa a imperar, acontece algo como isto, uma conversa em que você de repente se vê diante de seus demônios pessoais, como se a vida estivesse mandando um recado. Aviso: isto ainda tem de ser resolvido.

Achei muito válido tal experiência, mesmo que seja ainda muito cedo para se pensarmos em resultados concretos acerca da resolução de tais mazelas. De certa forma, pareceu-me que tal conversa foi um aviso mesmo. Um sinal que eu não devo adiar a resolução destes problemas, que o tempo está passando e eles ainda imperam.

E o tempo sabe ser traiçoeiro. Quando você se espanta, dez anos se passaram e você não resolveu a coisa ainda. Já aconteceu mais de uma vez comigo. E por vezes me parece que estes avisos velados da vida estão aí justamente para - mais uma vez - alertar-nos que a coisa existe, e que deve ser repensada, redimensionada, reavaliada, resolvida.

Pensemos mais a respeito disto em nossos dias diários de diária labuta. Pensemos e pensemos.

E que a solução venha, nem que seja do caos.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Páscoa musical.

Vamos lá, você consegue! Mantenha-se acordado e tente não se lembrar que hoje é segunda e...tarde demais. Já me relembrei. Maldição.

Ainda assim, adiante. Cumpra-se o dever de ser relator de trivialidades e acontecimentos nada incomuns na vida de um solitário ermitão muderno. Diante de mim, coca-cola e pães de queijo: decidi que se as segundas não podem ser naturalmente mais toleráveis e agradáveis, eu tornarei-as mais humanas me valendo de artificiais artifícios.

O feriado esteve bom, felizmente. Muito bom, apesar de eu nem ter saído ao portão de minha casa. E por mais que isto possa parecer um tédio eterno e absoluto, afirmo que não preciso muito mais para me dar por satisfeito. Estou com as pontas dos dedos da mão esquerda em frangalhos, e todas as teclas que teclo me doem, uma forma pulsante deles se me lembrarem que eles existem e que forma muito maltratados no feriado.

Não diria maltratados, para se falar a verdade. Foram muito usados, é verdade. Achei que já tinha eu calos o suficiente para aguentar longas sessões sonoras, mas parece-me que ainda há muito que se calejar, muito que se treinar. Muito que se fazer.

Lembrei-me hoje de finais de semana passados, em meados de 2002 ou 2003, época em que eu ainda tinha grandes desígnios artísticos envolvendo artes e partes desenhadas, e nem de longe imaginava o que viria em seguida, anos mais tarde. Mesmo assim, naquela época eu me divertia nos finais de semana de maneira quase igual a que me divirto hoje em dia, ou seja, de maneira muito nerd. Naquela época das internétis discadas, eu já era fissurado com essa joça, e somente tinha acesso à rede mundial em finais de semana, nas madrugadas, de meia noite às seis, de sexta para sábado e de sábado para domingo. No domingo havia aquele esquema da linha só contar um pulso, mas só tínhamos uma linha de telefone e esta não poderia ser ocupada o dia inteiro com inúteis navegações na internet.

Naquela época, eu nerdicamente sempre me conectava nestes infames horários para me entreter na rede, e lembro-me que sempre escutava nos finais de semana as gemas musicais por mim garimpadas durante a semana. Em suma, eu escutava no final de semana as coisas que havia baixado na precária internet durante a semana; eu sempre acordava meia noite para deixar baixando coisas até as seis. A internet era discada, lembrem-se.

Naquela época, eu sempre costumava emergir de meus finais de semana nerds com alguma música nova que realmente tocava minha alma, algo que me fazia arrepiar, algo que me fizesse muito mais sentido que qualquer outra éspecie de som normalmente veiculado publicamente. Se eu passasse um final de semana sem descobrir mais uma faixa para a trilha sonora de minha vida, o final de semana era incompleto.

Hoje em dia, tempo passado e tempo mudado, pouca coisa mudou, devo dizer. Ainda sou um nerd solitário que me entretém digitalmente em feriados, que ainda escuta muita música e sempre está em busca de sons que possam fazer parte de minha trilha sonora, e que ainda de certa forma sonha com aspectos gráficos, mas deles já não mais deposita quase nenhuma esperança.

O que mudou, então?

Emerjo deste feriado escutando novos sons, que podem facilmente fazer parte de minha trilha sonora para a vida, mas com uma diferença básica: são sons por mim inventados, coisas que até então nunca havia escutado em minhas madrugadas anônimas. Coisas que partiram destes calejados dedos, daquele violão arranhado pelo tempo e pelos pequenos acidentes da vida. Coisas que inventei ali em meu sótão e que registrei em meu computador, valendo-me de meus aparatos que levei tanto tempo para adquirir. Coisas que muitos me zoaram por estar gastando dinheiro erroneamente, uma vez que eu não usaria aquilo nunca; quando eu iria precisar de um som de um ebow plugado num pedal de volume ligado em um mini amplificador Vox? Quando?

Bem, neste final de semana, grande parte destes meus inúteis aparatos fizerma valer seu valor, por tantas vezes multiplicados pelos nossos queridos ladrões do comércio de aparatos musicais brasileiros, que têm coragem de cobrar 1500 reais num amplificador que custa aproximadamente 140 doláres em Miami. Eu diria que valeu a pena ter investido tanto nestas coisinhas.

Por que, de alguma forma, eu ainda busco algum objetivo na vida, maior que ser apenas um enfeite escrotorial, ganhando mal para fazer coisas que nunca quis fazer. E se falhei em aspectos gráficos de minhas afinidades, esperava eu ao menos não falhar nesta minha outra afinidade. Algo com que eu pudessejustificar minha existência, justificar minha presença incômoda de ser um eterno ser que em nenhum lugar se encaixa, em nenhuma parte deste imenso quebra cabeças de gentes e gentes e gentes, tanta gente, por Mitra.

E que venha mais notas sonoras, por mais descordenadas que sejam. Por mais teoricamente erradas que estejam. Que façam algum sentido. Que me devolvam a sensação de dever cumprido, e não aquele estorvo mental de saber que algo deveria estar sendo feito, com toda esta...coisa que em mim existe e que até hoje não sei a serventia.

Talvez seja esta: a de me justificar o gasto energético dispendiado em me fazer existir, quem sabe? Algo que não seja apenas um imbecil isolado em seu mundo à parte.

Esperemos. Enquanto isto, vistamo-nos e obedeçamos às ordems contabilistas que de mim exijem que sejam devidamente preenchidos os campos de impostos sobre o ICMS de tomates.

Adiante, adiante. Por uma vida menos ordinária.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Adeus, março cruel.

Acabo de chegar no escritório. Qual a primeira coisa a ser feita?

Arrancar o mês de março da folhinha e atirá-lo ao lixo.

Não sei se foi somente eu que o sentiu, mas me pareceu que março teve as regras de tempo ditadas por uma portaria especial, específica e reservada para aqueles momentos em que o tempo parece nunca passar. Foi um mês com quase cinco semanas, com milhares de dias (in)úteis e desprovido de feriados.

Logo, um mês chato. Simples assim.

Durante todo o mês, eu e meu fiel companheiro de Funchato, também denominado Hugo, o Devogado, estávamos sempre comentando em nossas morosas idas ao restaurante daqui de perto no horário de almoço, sobre este mês quase infinto, e sempre resmungávamos muito a respeito, como é de nosso costume. Penso que seremos um dia daqueles típicos par de velhos que sai às ruas apenas para praguejar contra tudo e todos e ser saudosista.

Opa. Já somos assim!

É que queremos poupar tempo, eu diria. O mês que tem muito tempo a ser decorrido nos leva a ficar ainda mais ansiosos pelo fim de tudo, o recebimento dos numerários competentes às horas por nós desperdiçadas nestas quatro paredes e afazeres de nossa vida de velhos com menos de cinquenta anos. Seremos um charme quando velhos de fato. Creio que a humanidade se reunirá e tratará de nos isolar em algum exílio qualquer.

Ah, enfim. Velhos nos tornaremos todos. É o destino. Mesmo que existam no caminho meses intermináveis e enfadonhos, é para lá que estamos nos dirigindo.

Mas divaguei e divaguei e perdi o fio da meada desta narrativa. O dia de ontem foi um dia especialmente lento, e parece-me mesmo que as coisas estavam conspirando contra o fim de março, como se desejassem que aquele mês ficasse em um loop eterno, cinco semanas a fio, cinco semanas seguidas de mais março. Repita.

Não sei bem o que aconteceu, mas foi daqueles dias que parecem dar tudo errado, ainda que somente com aquelas pequenas picuinhas, nada grandiosas nem muito sérias, mas excelentes para se enervar pessoas que só desejavam voltar para casa e assistir, do aconchego desuas camas, a morte de um mês deveras enfadonho.

Quando daqui sái ontem, tive que ir ter ao lar de meu sobrinho postiço, o qual faço papel de tio sujeira de aluguel desde 2004, a saber, meu aluno de desenhos e longas conversas acerca dos mais variados assuntos. Uma boa companhia para estes dias tão escassos de outras amizades, em suma(onde estão todos meus escassos amigos??). Mas, no caminho para lá, eu havia me decidido a não, NÃO pegar o ônibus para lá comparecer, eis que ontem foi dia de agravantes externos para o aumento da infernitude do trânsito já infernal desta cidade. Havia chovido, o que causa um aumento considerável na lerdeza do tráfego, e me parece que houve grandes eventos comemorativos devido ao término do governo de nosso ilustre governador.

Resultado, eu SABIA que o trânsito estaria todo agarrado, e os ônibus estariam completamente abarrotados daquela gente fumequeira de merda, que tenho particular ojeriza. Pé por pé, pé por si, vamos a pé da praça da Assembléia da corja de ladrões para irmos até a praça Milton Campos. Garanto que lá cheguei mais rapidamente que se houvesse apanhado o coletivo na Afonso Pena, que como previsto, era um mar de carros parados àquela hora.

Mesmo assim, andar a pé neste país de bárbaros é sempre uma aventura, pois você fica sempre à mercê da insegurança que é ser transeunte num país onde os sem-lei abundam nas ruas. Em dado momento, perto da Avenida Brasil, me deparei com algo que mais parecia um arrastão, não sei ao certo. Não encarei o povo estranho que se dirigia em massa para algum local que não quis descobrir qual era, e permaneci no lado da rua oposto à turba. Tratei de acelerar meu passo, pois tive péssima sensação diante daquele pessoal. E todos nas ruas evitavam de ter contato direto com eles também, se detendo em pequenos grupinhos enquanto esperavam aquele estranho cortejo passar. Tristes tempos, estes.

Quando cheguei à casa de meu aluno e sobrinho honorário, respirei aliviado, mas bem sabia que o dia ainda estava longe de acabar, pois ali fico duas horas, e quando de lá saio, já é aquele momento mágico em que aquela região se torna uma zona de prostituição. Nada amigável para se apanhar mais um ônibus para finalmente voltar para casa. Como narrei em alguma altura do ano passado, já fui vítima de injúrias a mim dirigidas naquela área, por acharem que eu seria um puto qualqer a fazer ponto ali. Seria uma novidade, eis que a região só tem putas e travestis; nunca vi nem espero ver nenhum garoto de programa ali, e muito menos anseio me tornar o primeiro, evidentemente.

Atravessando a avenida, eis que momentos depois, passa meu ônibus, que muito feliz ignora meu chamado e por mim passa reto, com seu motorista fazendo força para parecer que não me viu ali, entre as putas e quase deseperado para voltar para casa. Levou muitos "vai tomar no cu" de minha parte e gestos obscenos vidos de mim mesmo. Grande consolo, este. Agora teria que esperar uns quinze minutos pelo próximo, naquela área inóspita. Creio que ontem houve festanças futebolísticas também, pois havia um grande número de baderneiros às ruas buzinando feito loucos. E lá estava eu no ponto de ônibus, entre duas putas, completamente vestido , completamente não-prostituto - sem nenhum traje provocativo nem nada, com uma pasta gigante cheia de papéis e desenhos, com um imenso guarda chuva à tiracolo...e ainda me passa um retardado e novamente me tomam por prostituto e repetem a injúria do ano passado. Ha ha ha. Naquele momento, quis ter uma arma comigo para fazer uns furinhos na testa de semelhantes imbecis. Pelo menos não fizeram pior.

Qualquer dia desses, precisarei trajar uma daquelas tabuletas com o seguinte letreiro: "ESTOU APENAS ESPERANDO O ÔNIBUS AQUI" para que estes imbecis me deixem em paz. Ou não.

Temi mais quando passou um outro ônibus que a mim nada serve, com dois malacos a tiracolo agarrados pelos pés ao pára-choques do busão, com suas bicicletas roubadas, e tais malacos dele se soltaram e se separaram. Pensei que iriam encrencar comigo, pois ali mesmo já quase fui assaltado umas duas vezes. Mas estavam era fugindo da rádio-patrulha da ROTAM que vinha logo atrás. Mesmo assim, a viatura parou e puxou conversa com uma das putas ali presente. Nisto, meu ônibus chegou, e pude mesmo ouvir o trocador e o motorista condenando o comportamento impróprio dos policiais, "que belo exemplo desses gambés."

Tanto faz. Naquela altura, só queria voltar para casa. Só queria que o dia terminasse. Que o mês infinito se acabasse. Mas em dado momento, quando o ônibus parou num sinal e ali ficou parado uns cinco minutos, por motivos que não pude compreender, ainda tive o desprazer de assistir uma briga entre um imbecil qualquer e um travesti que fazia ponto perto da prefeitura. Geralmente este tipo de briga é dos mais feios que se pode haver, pois sempre soube da má-fama destes homens vestidos de mulheres. São terríveis e geralmente muito violentos. Não sei como a coisa começou, então nem sequer tentarei tomar partido de qualquer um dos lados envolvidos, mas ainda assim aposto que foi o imbecil que ali passava que provocou o travesti e começou a briga. Enfim, não sei, não quero saber.

Finalmente consegui chegar em casa, ileso. E por mais que o dia tivesse sido péssimo, ele estava morrendo, e eu não morri. Logo, eu venci. Que venha o próximo.

Mas antes disto, que venha o feriado. Amado feriado. Amo a páscoa, com toda sua picaretagem de ovos de chocolates caríssimos e parafinados, não por conta de tais engodos gastrônomicos mas por ser sim, dotado de um dia verdadeiramente útil: um feriado!

Boa páscoa a todos, e até segunda. Nauseabunda, evidentemente.