sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mal aí! Tô sem trocado!

Hoje pela manhã, inadvertidamente criei uma baderna na padaria que costumo frequentar todas as manhãs em busca do pão meu de cada dia. Já havia apanhado minha dupla de franceses, um bolo que costumo comprar às vezes para o café daqui do escrotório, e...olho para o lado de fora do estabelecimento e avisto um mendigo...daqueles que geralmente se posta à porta destes locais e fica acossando as pessoas que estão no caixa para que lhes dê algo. Mas este carregava estampada em sua cara algo que não me agradava. Como se diz, o santo dele não batia com o meu, ou no mínimo tinha a nítida sensação que não devia dar nada a ele.

Fui para o caixa, comecei o processo de pagar, aliviado pelo fato do cara ter sumido momentaneamente, mas do nada ele reaparece. Como é de praxe, estava eu com os ouvidos ocupados pela música, e quase não entendi o que ele disse. Algo como "me paga um pão com ovo aí moço." Hesitei. Maldito coração mole, me fez com que eu pedisse para a caixa para atender o pedido do cara. Afinal, eu poderia estar errado sobre o cara: a fome e a miséria podem fazer uma pessoa ter mau aspecto e poderia estar enganado, quem sabe?

Acho que não. A baderna começou aí, pois a outra caixa, que presumo ser uma das ditas "chefes" ou mesmo a dona da padaria, armou uma confusão com o cara, não queria deixar ele sequer entrar ali. E pelo que consegui entender através do Faith No More em meus ouvidos, me recriminou por ter atendido o pedido do cara. A caixa que me atendia estava toda sem graça, me passou a fichinha do dito lanche, e fiquei com aquilo na mão. A "chefe" foi atrás do outro cara que presumo ser dono ou sub-chefe, que seja, da padaria, e o cara estava lá fora, me olhando. Estendi a nota para ele, e ele tomou-a, sem nem me olhar na cara e me agadecer.

Presumo que meu instinto estava certo. O cara deve ser desses que só causa problemas. Dava para ver na falta de humildade mesmo que ele "pediu" a coisa. Quase exigindo mesmo.

Estas coisas são complicadas. Em geral, fico com vontade de dar alguma coisa para aqueles que me parecem ser sinceros, que estão realmente implorando por uma ajuda qualquer. Conheço pessoas que nunca dão nada: "eu não tenho filho desse tamanho!" e frases do gênero sempre estão entre as justificativas, mais que justas, creio eu. Afinal de contas, quem somos nós para tentar resolver todos os problemas dos outros? "Quase não consigo resolver os meus!"

Certo, certo. Eu mesmo falo isso de tempos em tempos mas tenho essa fraqueza de quando em vez, de querer ajudar. Mas existem também umas pessoas que são golpistas profissionais: fazem pose de coitadinhos, exibem alguma conta de remédios, de luz que está vencendo e que vão cortar, e que eu "vim duma cidade do interior, me roubaram e agora não tenho dinheiro para pagar a passagem de volta", et coetera ad infinitum.

Já vi todos estes em ação nas ruas. Tinha uma dona meio gorda que uma vez me interpelou no centro, exibindo a tal conta de água e que blah blah blah. Fiquei tocado, mas não dei nada, uma vez que realmente não tinha nada além do essencial para a minha condução. Já cruzei com esta mesma dita em vários pontos da cidade, e ela sempre vem com a mesma conta e a mesma história. É uma das tais profissionais do ramo. Ultimamente, eu a rechaço com agressividade, uma vez que este tipo de coisa me enerva bastante.

Sei que existem os que são sinceros, ou pelo menos eu ACHO que eles existem no meio de tais pedintes, mas é difícil de acreditar com 100% de convicção, hoje em dia. Deve ser barra viver uma vida dessas, eu sei. Mas quem sou eu para resolver os problemas deles. Conforme dito, eu não resolvo nem os meus, caralhe. Dizem que é o discurso padrão dos que não tão nem aí, mas...ah fazer o quê.

Outra coisa que estou constatando aqui...ontem foi o aniversário desta coisa aqui, propriamente dito, e nem me lembrei. Oh pobre brog, seu pai nem lembra de seu aniversário. Fique assim não, eu prometo escrever e escrever, sobre abobrinhas e abobrões, sobre isto e aquilo. Até quando? Espero que seja por muito muito tempo, "muitos anos de vida!" por assim dizer, né.

E que venha o semana-fim porque eu tô cansado!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Quarta feira de ontem. À tardinha.

Horas e horas. Que não passam. De jeito nenhum. Remorso, remorso. Precisava de tanto assim? Tanta coisa chata a se dizer, para que dizer. Nota para mim mesmo: fique calado. Não mais digite tais coisas em tais horas. Eram três as horas. E nada, nada passava, nada acontecia, cafézes e mais cafézes, confezes, caféééé para o que der e vier.

Quatro horas e nada, nada a acontecer. Existe sim, o local onde o tempo não tem o menor significado, e tal local fica às imediações da praça da Assembléia Roubativa, isto é, Legislativa. Leis e regras. Regra de cu é rola, mas prometo não mais dizer assim, desta maneira. Horas e horas. A fio.

Cinco horas e desço para o café com pão, café com pão, café com pão, virge Maria o que foi isto contabilista? Foi o tempo que passou, não mais que quinze minutos ou será punido pela diretoria vigente, pois sim. Partamos, eu e meu companheiro, adevogado por formação e servo da diretoria daqui nunca presente por simples opção. Quase lá, quase lá. Cinco e meia.

Dez para as seis, cinco para o prego, está caindo a caneta! Retiro-me de minhas vestes ditas formais e daqui saio, sem me despedir de meu confrade, o Adevogado Gigante, que à sua mesa não se encontra quando por ali passo. Andar e andar, pé por pé pé por si, quase isso, tamanho é meu estado de semi-autômato inflingido pelas horas a fio a ali estar a existir, quase somente isso.

O ponto de ônibus. A espera. A inesperada aparição de uma outra compatriota, esta de tempos biologicamente remotos, naquela extinta época em que se cursava o curso de biologia regido pela universidade daqui mesmo, logo ali, logo ali. Mas é curto o encontro: eis que meu ônibus se aproximou e tolheu-me da companhia da multi-cursista diversa.

Ainda não é época dos burros universitários circularem neste veículo, logo acho um assento vago e ali me posiciono, isolando-me musicalmente de todo o ruído do galinheiro ao meu redor. Isola-me também de duas chamadas não atendidas em meu aparelho orto-molecular, que apesar de muito ter tentado, não desviou-me de minha incursão quase exclusiva ao país da música para os zuvido e para as idéias.

Porém, quando em casa estou a chegar, ouço meu nome no ar, e me viro para ali encontrar, a curta distância, aqueles que em vão tentaram me contactar, ao celular. Antônio, o Gengiva, e Hugo, o Gigante Adevogado, estão ali. Para eles me dirijo, com um ar de satisfação. A semana quase passou em branco de encontros fortuitos com companheiros de plantão, e isto sempre me faz mal.

Fez-me bem com eles encontrar, deveras. Vimos as futuras instalações da Casa D'Antônio, que será ainda mais meu vizinho num futuro próximo. Depois, fomos para a residência ainda dele oficial, que a poucos passos dali se encontrava. Averiguamos o farto pomar que ali se encontra, com frutos a rebentar por todo o local, e conjeturamos sobre a melhor maneira de os cultivar.

"Los tres amigos" quando ali se reunem, só pode algo significar: mais uma sessão solene do mais popular video-game para várias pessoas já feito; inda mais em se tratando de três nerds musicais como nós. Que se pluguem a bateria de mentira e a guitarra de plástico; quando Antônio está entre nós, a voz dele emite-se também no microfone popular, de plástico também mal-feito.

Assumo as quatro cordas em quatro botões, Adevogadus assume as baquetas, e conforme já dito, Gengiva se põe a cantar: diversão garantida, mui salutar, por horas e horas. Um maldito inseto põe-se a perto de mim circular, e muitos pontos me custa, pois não o posso enxotar. Quase me faz uma visita interna, em minhas vias aéreas: maldito, maldito. Nos intervalos, tento a ele caçar, mas sem muito êxito.

Em uma dada hora, estou eu verificando a torrente de "notas" que baixam da tela, e escuto Antônio a engasgar, tossir como um condenado à enfisema. Prossigo, para depois constatar que o mosquito que estava ali a me incomodar, não mais havia. Pelas vias aéreas de Antônio sugado ele foi, em um momento de inspiração, esta literal, do ar. Muitas risadas por nós, os de fora de tal situação, estiveram a soar.

Mas o celular do adevogado não cessou de tocar, e a rádio-patrulha não hesitou dele nos privar, acabando com nossa sessão do power-trio Beautiful Bitches; mesmo assim, na derradeira música da sessão planejada, ficamos sem nosso baterista, mas mesmo assim Antônio é um cara teimoso, e o show quis terminar, fazendo gambiarras diversas até conseguirmos fechar a sessão, após sete ou doze tentativas. Hu-há.

Fico ali mais umas sessões, mas tenho que também me retirar, tenho mais que fazer do que somente ali ficar, por horas e horas. Porém, para casa volto, muito satisfeito de ter ali encontrado, naquele lugar, meus companheiros desta vida, nada salutar. E que sempre torna-se ainda menos, quando teimo em não os encontrar.

E as horas aqui já começaram a passar; entretanto, enquanto estive a digitar, momentos nada desagradáveis estiverram a escorrer, e não creio eu ter sido totalmente em vão, uma vez que mais vale um texto no blog que uma contabilidade na mão. Hu-há!

E agora, prossigamos, prossigamos. Que a vida e meus amigos me perdoem, meus tantos deslizes que me ponho a cometer, em meus piores momentos. Sem eles, não vale a pena viver, não é mesmo?

E aqui chego ao fim, por assim dizer. Por hoje, muito a não se fazer.

Horas e horas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Regras & regulamentos. Manuel e Manuéis

Hoje estou um tanto quanto aborrecido, por conta de uma besteira que me ocorreu ontem. Quase fiz greve de texto hoje, mas creio que não devo agir de tal forma diante das adversidades. Para melhor explicar meu caso, vou voltar um bocado no tempo...

Vocês se lembram da escola? De uma disciplina chamada português? Ou língua portuguesa, algo que o valha. Geralmente tínhamos também a disciplina denominada redação, que às vezes vinha vinculada à aula de português, mas que também ocupava seu lugar próprio, como disciplina isolada. Enfim. Eu até gostava desta matéria, uma vez, que, como pode ser percebido aqui, eu acho legal escrever.

Mas sempre ou quase sempre eu me dava mal nesta matéria. Não pelo conteúdo das histórias por mim narradas, mas por outros motivos, creio que dois, em verdade: um - sempre arrumavam temas muito ruins dese desenvolver alguma redação...e dois, as malditas regras oriundas à língua em si me ferravam. Sempre. E as professoras em geral eram aquelas senhoras mau-humoradas e pouco prestativas; pouco professoras, por assim dizer.

Creio que por conta disto, muitos escritores em potencial encheram o saco e foram tentar outras praias, outras áreas, outras matemáticas e físicas por aí. Eu mesmo, fui procurar na biologia algum alento.

Eu sempre gostei de ler, e já gostava de escrever, ainda que na forma quase anônima de emails para amigos. Emails quase épicos, de páginas e páginas, em geral procurando rebuscando o português de forma hilária, uma vez que meu interlocutor preferido era um de meus melhores "chatos preferidos"(amigos), adevogado de profissão e sarcástico por natureza. Divertia-me horrores escrevendo aquelas coisas.

Arrisquei mesmo, por vezes, escrever para mim mesmo algumas histórias maiores, em geral tecladas aqui mesmo neste prédio em que me encontro, pois antes de 2004(antes da malfadada incursão ao submundo das "artes") eu trabalhava aqui, fazendo basicamente o que faço hoje, e tendo muito tempo livre porém não tão livre assim para fazer o que gostaria de fazer. Mas eu podia disfarçar digitando tais histórias. Creio que amadureci, de certa forma, minha maneira de escrever, e como não precisava responder nem a uma professora de português nem agum editor qualquer, eu tinha liberdade.

Bem, voltando ao presente, este meu cantinho de escrevinhações já está quase fazendo um ano. Estou sempre fazendo força para escrever sempre, e este ano estou tentando me conter para não tornar isto aqui um mero mural de lamentações de um cara como eu.

Aí, na data de ontem, um de meus chatos preferidos me manda um email, com regras do bem escrever. Algo assim. Li a coisa, achei bem válido e bem-escrito, mas de cara descartei aquilo como necessariamente regras - coisas que DEVEM ser seguidas à risca. Meu interlocutor não concordou de forma alguma, até se exaltando na discussão que se seguiu. E evidentemente, fiquei a remoer a coisa, que me roía por dentro feito cupins em madeira fraca.

Evidentemente, sei que o caso é diferente. Não estou eu, neste meu humilde blog, tentando escrever um best-seller, nem estou fazendo nenhuma prova de português para o derradeiro suspiro de renúncia de todo profissional diplomado porém desempregado em sua área específica(veja também: concurso público).

Sei que se estivesse sendo publicado em alguma revista, se estivesse sendo pago para escrever, ou se estivesse fazendo alguma prova, eu teria que engolir em seco e seguir as tais regras ditadas pela nossa língua purtuguêza. Mas não estou fazendo nada disso: escrevo porque simplesmente gosto de escrever. E gosto de escrever da minha maneira. Como eu mesmo pensei ontem, existe na escrita, bem como no desenho, algo denominado estilo, ou seja, a marca prórpia do escritor, por assim dizer. Nenhuma regra engloba tal coisa. É o que sempre me deu raiva de usar o programa de editoração de texto Word(como diria meu pai, wordinário) da Micro$oft. O corretor gramatical sempre me irritou, porque fica cagando regras que eu não quero usar.

E alguns de meus escritores preferidos, atropelam tais regras sem dó, e ainda assim fizeram grandes obras literárias. Palavras de baixo calão - bem utilizadas - fazem o texto ficar do caralho. Leia "Sargento Getúlio", de João Ubaldo Ribeiro, para se ter idéia do que estou falando. Frases curtas e soltas? Leia qualquer livro de Chuck Palahniuk, ou mesmo "Ham on rye", de Bukowski.

Se tem algo que me estraga, são as regras. Eu sempre cito o caso dos desenhos, porque em mim são eles que sempre me dão uma certa neurose. Porque, em alguma altura do campeonato alguém me disse que eu deveria seguir certas regras para melhor desenhar, e aquilo se tornou uma obsessão que até hoje persiste - e que me drenou quase por completo o prazer e a espontaneidade da coisa.

Enfim, como já narrei antes, infelizmente sou um cara que aparentemente, não reage bem à críticas. Sei que estou errado, erradíssimo, e estou tentando, até hoje, melhorar isto. Mas não quero me deixar abater, e vou continuar tentando escrever, tentando desenhar, tentando existir sem ter que ficar tendo tais dramecos por conta de outrem.

Mesmo porque, convenhamos. Talvez seja por conta de minha escrita errada, que eu não tenha sucesso algum como escrevinhador...

Sempre é assim, não é. Quem se acha vive se perdendo.

Prossigamos. Em minha mesa, abundam notas a serem digitadas, e mesmo aqui tenho que seguir as regras da boa digitação. Pelo menos não é minha área em si. Contabilidade, oh ciência exata porém quase inexata.

Amanhã tem mais. Enfim.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Surpresa!

Já nem sei dizer como aconteceu. Não saberia dizer, de maneira alguma. E tudo aconteceu tão rápido, de maneira tão brusca, que quase nem vi acontecendo direito.

Algumas pessoas gritaram por socorro, outras ficaram paralisadas diante a cena. Mas, momentos antes, ninguém havia se importado. Não até a coisa em si acontecer de fato.

Meu coração estava disparado, a sei lá quantos mil batimentos por minutos, eu arfava feito um cachorro asmático...e raivoso. Creio que estava também babando, mas nem tive tempo de checar. Tempo...ou frieza. Não sei ao certo.

A baderna continuava ao redor, uns a clamar pelo meu sangue, outros estavam mesmo rindo histericamente e clamando por mais ação, mais! violência e mais! Muito mais!

Vários corriam na direção oposta à cena. E eu, enquanto a adrenalina baixava, me mantinha estranhamente calmo. Zen. Calmo como uma vaca hindu. Tudo ao redor estava em silêncio, ainda que algumas mulheres ao redor estavam se descabelando, se debulhando em pranto histérico. Mais adiante, alguns outros malacos olhavam a cena estarrecidos e discutiam entre si. Outros, com aparência de valentões pareciam gritar em minha direção, mas sem se aproximar.

Eu não ouvia nada. A última coisa que ecoava em meus ouvidos era o derradeiro grito dele. Aquilo ele não deveria estar esperando...não de mim. Não do imbecil com cara de idiota que ele havia escolhido. Aquele que ele iria rir muito de sua cara, assim que estivesse longe dali comentando o caso com seus companheiros de "profissão."

Aquele que ele se aproximou furtivamente, tentando não fazer ruído ou despertar suspeitas. Em cuja mochila ele havia enfiado a mão enquanto este esperava o sinal abrir.

Havia sido um dia de merda, por todos os lados. Um daqueles dias em que parece que tudo está contra você, e que mesmo o sol só brilha para pôr em evidência sua vida de merda. Um mau dia, por assim dizer.

Simples assim.

Anos e anos. Toda aquela vida que poderia ter sido e que não foi. Todo aquele besteirol que todos os dias todos ouviam-no dizer e reclamar. Toda aquela covardia, aquele medo, aquela joça toda reunida. Em um só cara. Em uma só pessoa.

Aquele, que sempre se curvou diante das merdas, diante das agruras causadas pela sua visão um tanto diferenciada de tudo e todos. Aquele, que sempre teve medo. Que nunca, nunca, havia reagido a nada, ou quase nada, que lhe haviam infligido.

Até aquele momento.

Em plena rua. Em pleno centro daquela infecta cidade. Naquela hora morta da tarde, em que ele tentava retornar ao seu ocaso, ao seu eterno marasmo, após ter aguentado dez horas da mais tenra inutilidade. Estava ele distraído, tentando se desconectar do mundo, de todo aquele caos ao seu redor.

Nunca iria reagir. Não aquele pedaço de gente, aquele ser completamente inofensivo ao mundo, aquele ser idiotizado por sua própria imbecilidade. Não.

A mão do meliante arrancou-lhe a música de supetão, deixando-o apenas com o cancelamento sonoro promovido pelos fones, ainda a funcionar inutilmente. Ele viu, incrédulo, o sujeito se esgueirando rapidamente pelas demais pessoas, que fingiam nem estar ali. Indiferença pela indifernça. Nós te ignoramos, assim como você nos ignora.

Naquela hora, sentiu algo se romper por dentro. Algo que desarranjou tudo. Que mudou algo. Empurrou de súbito alguns dos frangos ao redor, sentindo algo muito mais que pura raiva. Adrenalina? Ódio perfeito?

Não saberia dizer.

Em instantes, alcançou o cara, sem nem mesmo saber como. Sem ter visto como aconteceu. Sentiu seus joelhos se escalavrando no chão, mas não sentiu dor. Viu a cara desorientada dele, e em seguida sentiu algo em suas mãos....em seus punhos fechados. Sentia, novamente, a pele se resfolegar, se desprender devido ao atrito com a face dele. Ele não havia feito a barba, não precisava fazer a barba.

Nunca mais precisaria.

Sentia o caldo quente a emanar das pequenas veias arrebentadas, sentia o impacto seco dos punhos com os ossos da face dele. E queria mais, algo dentro exigia mais. Exigia o ruído de coisas partindo-se, esfarelando-se no asfalto. Um dente a menos. Outro dente a menos. Todos os dentes a menos. Um maxilar a menos.

Um filho da puta a menos.

Quendo se deu por si, não havia muito mais material para um dentista forense identificar o presunto. Riu malevolamente de tal pensamento, e começou a sentir algo como dor pulsante em suas mãos...que estavam em carne viva nas junturas.

Arfava como um cão raivoso e asmático, e seu coração era um tambor tribal, descompassado mas frenético. Sentia-se muito bem. Foi aí que começou a perceber, abafados pela função agora inútil dos fones, os gritos ao seu redor. Toda aquela estupefação.

Todos a contemplar, ninguém a ajudar. Todos a condenar, todos a horrorizar. Sorriu para todos, mesmo para aqueles que pareciam ser mais valentes....mas que perto dele não chegavam.

Sentia-se muito bem. Apanhou seu aparelho previamente furtado por aquele que ali não mais se encontrava, e replugou-o nos fones. Ah, música. Jesus & Mary Chain, quem diria:

"I was a car smash
She was a car smash
We did the car crash

I said the police
I kiss the police
I killed the police man

My mother kill my darkend soul
My mother kill my darkend soul
My mother lit my darkend soul

I got the stone look
I done the stone truck
I got the stoned look in my eye

Disease yeah
A disease yeah
A disease yeah

My lover touch my darkened soul
My lover touch my darkened soul
My lover lit my darkened soul

And now I know just where to go

I was a whore hound
I was a snake hound
I was a coke hound

I was the bad scene
I was the bad gene
I was the bad dream

My lover touch my darkened soul
My lover touch my darkened soul
My lover lit my darkened soul

And now I know just where to go"

Degenerate. De fato.

Pôs-se a andar, calmamente, enquanto a turba abria caminho. Parecia ouvir as ordens gritadas de alguns soldados rasos da PM, mas nem se virou. Estava tudo certo. Estava tudo calmo, agora.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Blah.

Purple Haze all in my eyes,
don't know if it's day or night,
you've got me blowing, blowing my mind
is it tomorrow or just the end of time?

Certos finais de semana são mais inúteis que outros. Certos encontros familiares não deveriam acontecer, em quando você tem uma coisa planejada para seu tempo livre e acaba não fazendo quase nada por conta dos casuais encontros que, por vezes, acontecem sem dar aviso.

Em virtude de um acontecimento memorável na vida de minha irmã mais velha - sua premiação devida à esforços reconhecidos pela empresa em que trabalha, ela foi premiada com uma viagem em reconhecimento a tais esforços no âmbito profissional. Justo e merecido, uma vez que sei bem o quão esforçados os "brasileiros" do clã Burian o são.

Mas de quebra, houveram muitas reuniões familiares devido a este acontecimento, e conforme dito, tais ocasiões tomam tempo, muito tempo, e estragam planos, ainda que pouco significativos na vida dos demais integrantes do clã, mas para mim.

Não sei ao certo se acontece com demais pessoas, mas o caso é que quando estou esperando alguém chegar, não consigo fazer nada que preste; eis o pensamento que aparece na minha cabeça: "blah, se eu começar alguma coisa mais elaborada agora, vou ter que interromper no meio, aí eu vou ficar puto." - e coisas do gênero. Aí, o que eu faço? Nada. Não toco, não desenho, não leio, não faço nada. E esta merda acontece não somente comigo: minhas tias e minha mãe têm o mesmo comportamento ilógico.

Ai, ai. É preciso corrigir nossos pequenos defeitos. Conhecê-los, eu conheço bem. É preciso corrigir...embora esteja bem difícil de fazê-lo ultimamente. Outra tendência familiar embutida em nós Burians é o tentar corrigir tudo de uma vez...não dá certo, infelizmente.

E ontem, para fechar com chave de ouro a inoperância quase completa do final de semana, meu cunhado, entusiasmado pelo acontecimento enobrecedor de minha irmã e sua quase-esposa, veio ter conosco ao almoço - que só saiu lá pelas 4 e meia da tarde - munido de cervejas e garrafas de vinho. Eu mantive distância de tais beveragens, uma vez que cerveja para mim só as de trigo, e mesmo assim no máximo uma long-neck e fim, e quanto aos vinhos....eu costumo dizer que não passam de algo que já foi um excelente suco de uva...mas que deixaram estragar.

Mesmo assim, suponho eu que por ação do álcool por ele previamente ingerido, fui obrigado a beber umas taças de tal suco de uva estragado, que estava bem ruim como de costume(suco de uva estragado!) e bem forte. Quase me fez descomer o goulash tipicamente tcheco que minha mãe havia feito para o tal almoço.

De fato, o almoço serviu para terminar de acabar com meu final de semana. Fui cambaleante até meu banheiro, me ajoelhei perante o oratório de louça, mas felizmente não precisei pôr pra fora aquela afronta ao meu organismo. Fiquei ali uns cinco minutos, e tive que me levantar, tontear até a minha cama e ali me deitar, enquanto cozinhava minha bebedeira infame. Que constituição fraca, a deste organismo. Supus eu, que após o reveião, data onde bebi muito rum sem passar mal, tinha eu adquirido mais força em meu figo. Enfim.

Acordei lá pelas 9 e meia da noite, com uma dor de cabeça excomungada, a boca seca e etc. Ressaca por conta de 2 taças de vinho. Bravo! Eu tenho que rir.

Hoje cá estou, a fazer este balanço negativo de um final de semana quase inútil. Ao menos não foi totalmente inútil. Mas mesmo assim. Ô dureza ter que vir para cá hoje, com a cabeça ainda meio que reclamando de meus impropérios cometidos.

No mais, quem de fato eu esperava para o final de semana nem apareceu nem deu notícias. Malditos sejam vocês, seus pulhas. Fiquei esperando à toa. Blah.

Enfim, que comece a semana. Com o café criminoso desta repartição não-pública, onde gastam aproximadamente 2 kg de açúcar para se fazer 50 ml de café. Hu-há. Presumo que o corpo de um ressacoso precise também de glicose. Mas nem tanto!

Pronto, parei. Já resmunguei demais por hoje...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Lixo.

Ah, sexta feira, sempre um dia melhor que o resto.

Antes vir a ter com o moderno sistema escravocrata-capitalista-neo-burguês-blah na data d'hoje, eu me ocupei a arrastar para fora de minha casa o segundo e último volume do lixo por mim acumulado durante uns cinco anos em meus domínios sotãonescos. Foi a tarefa mais árdua de minhas férias; não somente pelo trabalho em si, pois cinco anos de quinquilharias acumuladas siginifica uma quantidade bem respeitável de lixo, mas pelo processo de triagem do dito lixo.

Não sei se acontece com todo mundo por aí, mas eu tenho problemas em jogar algumas coisas fora. "Ah, mas eu posso vir a precisar desse potinho de remédio pra usar pra sei-lá-o-quê, blah blah blah", e coisas do gênero. Eu possuo um espírito gambiarreiro nato, e por vezes realmente sinto falta "daquela coisinha que joguei fora momentos atrás". Lei de Murphy associada. Daí, eu fui juntando pelas gavetas e armários, milhares de badulaques aparentemente inúteis, mas que poderiam vir a ser úteis para remendar uma coisa qualquer por aí.

Lado outro, como sou um rabiscador nato também, o acúmulo de papéis pelo sótão estava dando nos nervos - não somente papéis em branco(imensa maioria), mas muitos, muitos rabiscos. Eu fiz questão de triar todo este imenso volume de celulose, maculada ou não, de maneira bem cuidadosa, pois já deitei fora algumas coisas que me arrependo de ter feito. E, como a coisa não estava, como se diz, propriamente organizada, havia a possibilidade de no meio dos papéis apenas rabiscados com inutilidades, tipo o imenso volume de rabiscos estrurais por mim usados em minhas aulas de desenho, se escondiam coisas dignas de serem arquivadas.

Todo o processo foi muito, mas muito demorado mesmo, e me causou imensa alergia. Houve um dia que tive que tomar uma dose cavalar de anti-alérgicos, tamanho foi o desconforto causado pela poeirada e mofo dali provenientes.

Eu me pus a pensar na época, sobre o certo apego que temos pelas coisas. Mesmo alguns dos rabiscos mais interminados e devorados pelas traças, eu olhava e olhava e custava a juntar forças para deles me desfazer. E as quinquilharias de gambiarras, também era-me díficil pô-las no lixo. Evidentemente, são apegos diferentes, um pelo lado sentimental, o outro pelo lado "prático" (dicotomia que existe de maneira bem pronunciada em meu "célebro"). Mesmo assim, estes dois fatores atrasaram muito o término da tal faxina.

Em um dado momento, eu comecei a ligar mais o foda-se, pois eu precisava me ver livre de toda aquela carga. Mas, de tempos em tempos, eu me via hesitando em arremesar à lixeira um certo rabisco, um arame, um parafuso enferrujado. Outra coisa engraçada que se sucedeu foi a imensa viagem no túnel do tempo causada pela faxina. "Ah, eu me lembor de quando fiz esse desenho naquele dia em que..." ou "Nó, esse parafuso deve ter sido daquela merda de despertador que falhoe e que eu quebrei de raiva em...", coisas do gênero.

Enfim, hoje pus o último volume proveniente de tal tarefa inglória no lixo, e bem sei que se me atrevesse a revirar a papelada ali reinante, o ciclo novamente reiniciaria, e que eu iria encontrar algo que não "deveria" me desfazer.

Mas faz bem se desapegar dessas coisas, que no final das contas, são lixo. Devem ser expurgadas de nossas vidas. Me faz pensar em nossos pensamentos; acho que por vezes, se fosse possível, deveríamos fazer algo semelhante em nossas cacholas. É tanta coisa jogada ali, coisas que não são importantes, descartáveis diversos, entulhando tudo, e escondendo - por vezes - as coisas que realmente são importantes para nós. As memórias que deveríamos de fato guardar.

O resto é resto. Deve ser jogado fora.

Pena que um cérebro não é propriamente um sótão, por mais que pessicológos, pessiquiatras e outros tantos profissionais especializados nesta coisa afirmem. Não infentaram ainda o "defrag" e a ferramenta de "limpeza de disco" para o sistema nervoso central humano. Eu seria um dos primeiros a acampar na frente das lojas para adquirir tais ferramentas, caso elas de fato fossem inventadas.

Enquanto isso, temos que nos virar de alguma forma....e até hoje ainda não encontrei a maneira ideal de o fazer. Ao menos, vou limpando minhas memórias e quinquilharias físicas, reais de meus domínios, para ver se me torno mais leve, não sei. Vejamos, vejamos.

Enfim. É hora de tornar aos grilhões contábeis que pagam minhas contas.

Bão final de semana, e até segunda a todos...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Butecum salutaris est, alea jacta est. Etcoetera.

Ontem teve bão. Muito bão. O evento especial marcado para a ocasião acabou não acontecendo, mas mesmo assim, achei muito doido.

O que aconteceu de tão especial? Bem, quase nada, se você for uma pessoa não-Buriólica como este que aqui tanto escreve, dia após dia. Mas, coisas corriqueiras para uns podem vir a ser algo de extraordinário para um ser que esteve às raias da insanidade devido ao seu crescente grau de misantropia, que chegou a níveis mesmo alarmantes no final de 2009.

Na data da famigerada virada do ano, data em que experimentei tal sensação há muito esquecida - a de achar doido somente estar com a sua galera, com pessoas legais, apenas curtindo, jogando conversa fora, rindo de bobagens, sendo zoado e zoando de volta, eu me prometi que neste ano eu ao menos faria um esforço para fazer isto mais vezes.

Tem dado resultados. Todas as vezes que saio com meus amigos, eu acho bacana, e me faz bem, me dando forças e mesmo idéias para fazer as outras coisas que quero continuar fazendo e produzindo, mesmo que não seja de imediato.

Sinto que tais coisinhas, insignificantes para a imensa maioria das pessoas, para mim funcionam como uma recarga de ânimos. Não é nada bom se sentir um completo inútil dez horas por dia, e continuar se sentindo de tal forma ao voltar para casa. Pode endoidecer um Buriol.

Meu problema é quere que as coisas se resolvam de imediato. Acontece, com pessoas que não são dotadas de muita paciência. Na terça feira mesmo, quase tive uma recaída dessa sensação de impotência e desespero perante as minhas bobagens pessicológicas que tanto me chateiam. Ontem eu acordei com a tal sensação pulsando em meu coco. Felizmente, eu consegui, de alguma forma, pôr a coisa para correr, não sei nem bem como. Talvez tenha sido um reflexo da recarga que havia ocorrido no final de tarde anterior, quando a sensação ruim estava me perturbando, e acabei recusando-me a voltar para casa naquele estado. Eu SABIA que lá ficaria achando tudo ruim, sem conseguir fazer nada que preste.

Felizmente, havia um de meus amigos por perto. Fomos para um buteco, ficamos jogando conversa fora e olhando as cocotas passando, e me fez bem, muito bem. Este era outro lance que eu sentia falta inadvertidamente também.

Sempre é bão ver as cocotas passando. Eheheheh. Faz bem pros rins. Pra pele, pros cabelos, pra tonga da mironga, e, não resisto a piada infame e escrota, pro caralho. Ahahahahahha. Credo Buriol. Ah, blah. Fodas. Faz bem pra cabeça. Pras cabeças, uahahahahah.

Quanta cretinice junta. Enfim, voltemos à vida cinza deste escrotório. As dez horas mais cinzas de todos os tempos. Blah.

Ao menos sei onde buscar a recarga desta descarga que tal luta pelo vil metal me traz....É um bom primeiro passo, creio eu.