terça-feira, 11 de agosto de 2009

O detalhe da carnificina.

Ontem, fui informado que o Sr. Antônio, o Gengiva, ou o Itinerante em turnê européia havia retornado a esta roça asfaltada, e fui ter com ele e com o Hugo para confraternizamo-nos diante de tal ocasião. Como erade se esperar, o evento foi típico: rimos a não mais poder diante de exibições de Hermes e Renato e discussões acerca das diversas imbecilidades que nos afligem e nos divertem mundo afora. Entretanto, ontem mesmo o Hugo presenteou o cara com um jogo de Xbox 360 lindamente adquirido no Xópis Oi, pela justa quantia de 15 reais. Por minha sugestão, a escolha em questão foi do jogo novo do Wolverine. Eu já havia ouvido falarem muito bem dele e havia visto um video de um preview do jogo, que eu já desconfiava que era previamente censurado, por motivos que ficaram evidentes quando vi a ação do mesmo se desenrolar.

O jogo tem tudo o que faltou no filme novo do mutante preferido entre os nerds de 10 a 90 anos. Sangue, muito sangue. E é como eu esperava: mostra o herói como um animal truculento e violento, como disse o Hugo, "Puta merda, ignorante até mandar parar!"

Eu ADOREI este detalhe. Fiquei realmente empolgado de ver os inimigos sendo esquartejados com tanta maestria, com tanta truculência. É estranho isto, pois aqui reacende-se a eterna polêmica de pessoas que não jogam e/ou não curtem video games. Jogos eletrônicos realmente influenciam uma pessoa a ser violenta?

É um debate inútil em minha opinião, pois nunca chegaremos a um consenso sobre o assunto em minha opinião. A relação entre pessoas e videogames costuma ser do tipo 8-80: ou se gosta muito ou se odeia com todas as forças. E ser veementemente contra algo deturpa a opinião sobre um tema como este. As pessoas que acham que os videogames são uma espécie de trombeta anunciante do juízo final, do apocalipse, evidentemente irão sempre usar qualquer argumento para tentar destruir a reputação dos mesmos.

Eu mesmo, sou um fã nato do entretenimento eletrônico, e tenho tendência a ironizar as situações que fico com raiva com supostos cenários de violência gratuita. Exemplifico com um caso imaginário mas plausível em meu caso: chego num cinema e enfrento um fila imensa. Chegada a minha vez, sou informado que o cinema está lotado e que eu não poderei entrar. Neste momento, minha cabeça é inundada de visões de incêndios criminosos, dentes arrancados com instrumentos enferrujados e quejandos.

Sou assim por conta de videogames como o Wolverine? Bem, todos sabem que sou um nerd declarado e que curto muito jogos eletrônicos. Jogo desde os primórdios, e sempre apreciei jogos com alguma violência. Lembro-me quando vi o Doom pela primeira vez, jogo que ficou mundialmente famoso por sua sanguinolência. Você podia usar uma moto-serra como arma! Quando vi aquilo, foi uma visão de um sonho sendo realizado. Achei absolutamente DO CARALHO. Anos mais tarde, vi o GTA 2. Nunca ri tanto na minha vida quando verifiquei que alguns bônus do jogo eram obtidos matando-se pessoas com um LANÇA CHAMAS.

Agora, isto me tornou um cara violento? Eu saio na rua com uma moto-serra desmembrando pessoas gratuitamente? Eu realmente queimo cinemas e arranco dentes das pessoas?

Não.

Desde antes do meu primeiro contato com algum videogame, eu já curtia me divertir com violências imaginárias. Eu sentava com um papel e canetinhas nas mãos e ficava desenhado histórias de truculência gratuita, devidamente acompanhadas dos efeitos sonoros produzidos com a boca. Era uma piada de se assistir, dizia minha mãe. Eu brincava de bangue-bangue com revolvéres e espingardas de plástico. Eu, como toda criança, judiava horrores de pequenos animais sem nem me dar conta disso. Quem não conhece algum menino que já se usou de uma lupa para fritar formigas? Fora o detalhe que o videogame NÃO foi minha primeira experiência com uma mídia violenta. Tínhamos a televisão para nos suprir. E o exemplo acima, o detalhe macabro de arrancar dentes das pessoas com instrumentos enferrujados, não é imaginário. Eu li esta cena em um de meus livros prediletos, a saber, Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro. Não se trata de um livrinho ridículo, eis que foi imensamente premiado e aclamado mundialmente quando foi escrito.

A violência faz parte da natureza humana, sempre fez. E sempre fará, acredito eu. Pessoas sempre tendem a tentar se impor, se degladiar, e frequentemente apelam para a agressão física. Como discuti ontem com meu aluno predileto, se você trancafiar duas pessoas juntas em um quarto fechado, logo, logo elas estarão brigando, pois uma vai quere se impor, vai querer mandar no pedaço, vai discutir com a outra sobre opiniões e "etisseteras".

Creio ser uma queima inútil de pestanas ficar discutindo isso. Entretanto, faço concessões sobre o fato de sermos influenciados pelo que vemos em tais mídias, mas volto a dizer. Isto não gera influência em TODAS as pessoas. Eu mesmo, sei que o que imagino é apenas uma fantasia que considero até uma forma de aliviar a tensão e a raiva diante de frustrações da vida. Mas sei que não são todas as pessoas que assim se comportam, especialmente nos dias de hoje, que parece-me que pais têm cada vez menos tempo para educar seus filhos adequadamente, relegando-os a babás e creches, e não realmente ensinando seus filhos a ter este discrenimento entre fantasia e realidade. Entre certo e errado. Eu sei que é errado agir com truculência. E creio mesmo que um pai violento e bronco influencia muito mais um menino a ser violento que um videogame, um filme, um livro.

Como costumo dizer, nunca subestime a imbecilidade das pessoas, pois inteligência tem limites, mas burrice não. E se você vir umacena no GTA 4, onde você pode matar gratuitamente uma pessoa na rua, para depois resolver experimentar re-encenar a coisa na vida real, você ou é um completo idiota ou uma pessoa com sérios problemas mentais.

Eu sou um nerd. Jogo todo tipo de jogo violento, e curto muito. Nunca entrei em brigas, nunca matei ninguém nunca assaltei bancos, nem nunca pretendo fazer isso. Eu sei o que é certo e o que é errado. Jogos não me tornaram um idiota.

Enfim, como disse, creio que nunca chegaremos a um consenso sobre isso. Como quase todas as polêmicas humanas. Como disse, sempre iremos ter algo para discutir e apelar para a violência. E nos divertir com isso, pois sem violência não tem graça, eheheheh. Imagino mesmo um confronto entre militantes da "anti-violência" e dos "pró-violência".

Aposto que iria ter pancadaria! Ahahahahahahahaah!!!

Oh, the humanity.


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Zigunda-feirazzzzzzzzzzz...

Enquete do dia: O que você aprendeu no fim de semana?

Geralmente eu gosto de fazer o balanço do fim de semana na segunda feira, e neste fim de semana em particular, que foi bem diferente das tradicionais folgas semanais relax com quase nada acontecendo que costumo passar em minha casa, houveram alguns destaques nas eventualidades que ocorreram.

Inicialmente, funcionários de supermerdados grã-finos são imensamente preguiçosos e se recusam a vasculhar os estoques quando você só encontra um exemplar de sua cerveja caríssima favorita na prateleira. Pela cara do sujeito, dava pra ler nas entrelinhas: "Ah nem dotô, não vou ir lá buscar esse trem procê nem fudendo. Se vira." Depois, verifiquei que as madrugadas televisivas continuam uma merda, por mais que você tenha canais a rodo em sua tevê a cabo. E eu continuo sofrendo de aflição icomensurável quando assisto vídeos de alguns intrépidos seres humanos a tentarem fazer manobras audaciosas que dão errado, como pular um lance de vários degraus de escada em uma bicicleta apenas para chegar no chão e sua bicicleta se arrebentar toda, arrebentando também o dono, cuja cara serviu de pano de chão do asfalto. Calafrios e aflições tomam conta de mim ao ver tais coisas. Tanto que nem consegui ver o outro infeliz que caiu de cabeça no chão após uma manobra errada de skate, quebrando a mandíbula em cinco lugares deiferentes. Eu simplesmente não consigo me manter frio diante destas coisas, me parece que me transfiro para o azarado que está sendo filmado.

Percebi também que para estas coisas - os ditos esportes radicais: bungee jumping, base jumping, aquele tal de "le parkou"(sei lá como se escreve isso), eu não tenho a menor coragem para realizá-los. Altura e riscos elevados não combinam comigo, e sempre que estou em um local alto eu sinto vertigem e a tal da atração pelo abismo, algo bem bizarro.

Mais adiante, percebi que sim, eu ainda gosto muito de botecos, e prefiro assistir aos jogos de sinuca que são ali travados do que participar deles em si. As conversas em botecos são muito agradáveis em geral, e percebo que de fato tenho que retomar minhas escassas atividades butequeiras. Outro fato é que após alguns meses de abstinência, os bastonetes cancerígenos se revelam extremamente toscos, com gosto hediondo. Tomei um emprestado do Eric e nem consegui terminar de inalar aquela merda. Suponho que isto seja um bom sinal...

Percebo ainda que continuo um tímido incorrígivel, pois neste boteco em questão estava sentado uma figura a quem muito admiro - o ilustrador Mario Vale, cujas ilustrações em um remoto livro de português em 1991 me inspiraram a criar alguns personagens e desenhos que me acompanharam por anos a fio naquela época. O cara estava lá, a galera o conhecia e ainda assim não tive coragem de tentar travar uma conversa com ele. Eita Buriol.

Verifiquei também que o Retiro das Pedras continua frio, muito frio, em madrugadas de agosto como estas que ali passei nesta ocasião. Fazia um bom tempo que não sentia o efeito cortante do vento gélido daquele lugar.

Aprendi também que se você for picado por uma cobra áspide, você não deve ficar igual um idiota vendo seu dedo polegar literalmente apodrecer para depois ir procurar ajuda média e ainda esperar que sobre alguma coisa dele. Aprendi também que picadas de cascavéis podem levar a um evento denominado síndrome do compartimento, e médicos terão que literalmente fatiar vosso braço para tentar salvá-lo.

Como podem ver, muitas das "aprendizagens" do fim de "sumana" foram derivados de entretenimento televisivo. Aprendi também que não sinto grande falta deste tipo de entretenimento...

Verifiquei também que a película que ganhou o Oscar de melhor filme de 2008 não é lá grandes coisas. É legal, mas nada além disso, em minha opinião.

Outras irrelevâncias abundaram, não muito interessantes. Foi um bom final de semana. É sempre bom encontrar as pessoas legais que você conhece mas que não tem tanto contato assim.

E vejam só, devo acabar com isto aqui pois existem questões reais e capitalistas me aguardando em minha mesa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Memorável passado, me condena. Ou a origem de Buriol.

Er, digitar. A idéia virá. Digitar, digitar. Tlec tlec tlec.

Hoje tá dureza. A fumaça fumegante do café não me trouxe ânimo ainda, mas ele virá. É engraçado essa sensação que acontece por vezes, a de ficarsem idéias na cabeça. Entretanto, nestas horas é sempre interessante repuxar lá de trás alguns acontecimentos que podem vir a ser de grande valia para o entretenimento de outrem, e um exercício de memória de minha parte. Ainda mais sendo sexta - dia internacional da gandaia, da esbórnia, da pândega.

Enfim, foi em uma data semelhante a esta que a patuscada em questão se operou, em alguma sexta feira longínqua de 1997. Estava eu no segundo período da biologia, e era alguma espécie de calourada, creio eu. Sempre ficávamos ilhados na faculdade todos os dias, das manhãs até o final da tarde, devido aos horários estranhíssimos das aulas - "sei lá o que I" de 8 às 10 da manhã, e no mesmo dia, "alguma coisa II" de 16 às 18. Não compensava voltar para casa, ainda mais que sendo estudante universitário, o dinheiro não existe. Tenho mesmo uma história interessante sobre um modelo de economia doméstica, por assim dizer, que apliquei durante quase todo o período biológico da minha formação como inútil profissional. Entretanto, esta será contada em outra ocasião.

Toda sexta feira acontecia do DA da biologia, aquela repartição infecta de hippies e ideais comunistas, se transformar em algo mais legal, o Buteco da Biologia, universalmente famoso, ao menos no sentido de ser famoso na universidade, claro. E naquela sexta feira além do tradicional buteco, estava tendo a tal da calourada. Antes das calouradas serem proscritas na área da universidade, geralmente elas eram regadas a vinho baratíssimo, daqueles garrafões de 5 reais cada.

Anbtes de entrar na faculdade, eu era um santo(ani-tofu) que nunca havia bebido na vida. Me mantive firma no primeiro período, mas no segundo eu resolvi experimentar por em prática o famoso refrão cantado horrivelmente em algum cancioneiro popular por aí: "Eu vou beber pra esquecer meus pobrema!" e assim o fiz naquela noite. Evidentemente, a história já se inclina para o lado cômico, por que quem já bebeu alguma vez na vida, sabe que esta história que estou escrevendo vai dar em merda.

Estava eu num de meus momento inexplicáveis de chato da festa, deprimido em plena calourada. Edgar, que era na verdade Edimar, mas que apelidamos Edgar(um dos companheiros mais legais da faculdade), sabendo de minha abstinência alcóolica previamente declarada, se aproximou de mim jocosamente com uma cerveja e ofereceu-me um gole. Ao que peguei a lata e dei uma talagada. Ele sorriu imensamente, orgulhoso de me ver tentando resolver as coisas do modo mais errado possível, e me disse, "Se você quer beber, vamos ali nos vinhos grátis que aí nem precisamos nos preocupar com gastos."

Dito e feito.

Derramei copo após copo de vinho barato, que mais parecia um suco de uva daqueles Ki-Suco misturados com álcool 70. Evidentemente, eu me vi de repente extremamente alegre, extremamente falante, extremamente bêbado. E pulei, e dancei(músicas horrendas, eu dancei), corri pra lá e prá cá, troquei perna, capotei num canto cheio de lixo, fiz discurso de bebâdo científico, narrando os efeitos do álcool, seu volume de distribuição no corpo, seus efeitos sobre o cerebelo e a coordenação motora. Como podem ver, eu continuo o mesmo idiota de sempre quando estou tonto, apenas um tanto menos revoltado e um tanto mais avacalhado.

Eu era a diversão de todos, evidentemente, pois quem já passou mal devido ao consumo dessa droga legalizada sabe que toda primeira bebedeira geralmente acaba mal. E foi o que aconteceu. Eu já havia sido fotografado capotado no lixo, beijando uma imensa garota altamente imóvel - uma árvore(foda-se, se algum colega biológo vir isto aqui saberá que não omiti nenhum detalhe sórdido e hilário do caso) - e em certo momento, comecei a sentir os efeitos negativos, o preço a se pagar por não saber beber.

Em um dado momento da noite, comecei a passar mal, porque será? e me afastei um pouco da barulhada, indo deitar-me nalgum banco da praça central do campus. Fiquei ali uns instantes, tudo girava. Alguém me perguntou se eu estava bem, ao que respondi, "eu zô vêbazão véi", muito para o entretenimento alheio. Resolvi tornar ao DA, sentando-me no sofá do escritório dali. Após alguns instantes, veio o acontecimento.

Urp. Eu vou vomitar.

Uma coisa em mim parece se manter meio inquebrantável, mesmo estando intoxicado severamente, eu sempre penso na merda que vai dar. Eu estava no meio do escritório, não iria dar tempo de chegar ileso num Celite nunca. Olhei ao redor enquanto fazia um esforço tremendo para conter a expurgação do álcool, e vislumbrei uma possível solução para ao menos amenizar um pouco a coisa.

Havia uma panela numa prateleira perto de mim. Não é preciso nem dizer que ela não permaneceu vazia por muito tempo. Sim! Eu enchi a coisa de sangria estomacal. E apaguei logo em seguida, com a hedionda panela no colo. Momentos mais tarde, no meio da névoa alcóolica que ainda reinava em mim, escutei a voz de alguns amigos meus, incluindo Edgar, a rir em demasia. Ele mesmo me disse, "Pera ae mano, deixa eu esvaziar sua panelinha", jogou a coisa pela janela, e eu enchi o treco de novo. Mais aliviado, deitaram-me no sofá e me deixaram cozinhar minha bebedeira por um tempo. Lembro-me claramente de ouvir a banda convidada para a calourada tocando e eu pensando, "Merda, eu queria estar lá mas estou aqui morrendo."

Minha prima, que fazia o curso comigo, ria também a não mais poder, e convenceu um de nossos colegas que tinha carro de me levar para casa. Era evidente que eu não conseguiria chegar em casa sozinho. Me levaram, e lá chegando, descobri que não tinha as chaves de casa. Raios, onde elas estariam só Mitra saberia dizer. Consegui pular o muro de casa, e entrei cambaleante ali. Minha irmã mais velha na época namorava um cara com aspectos semelhantes a Edgar, que me viu todo vomitado, fedendo vinho e cambaleante e se sentiu todo orgulhoso. Interessante como um infortúnio faz crescer sua moral ante os "sujêras" da vida.

Na segunda feira, TODOS os veteranos que eu considerava mais legais, vieram me cumprimentar, agradecendo o favor que eu havia prestado. Qual favor, me perguntava. O fato de ter estragado a panela dos hippies fazerem chá. Eu me tornei uma celebridade instantânea naquela semana, TODOS sabiam quem eu era - o "calorvet" que havia feito a diversão da galera na calourada. Os hippies queriam me matar, e eu tive mesmo que me desculpar com a dona da panela, que era bem bonitinha, apesar de ser daquelas hippies mais nojentas de chatas do universo.

Desde aquele fim de semana, fui promovido a Buriol. Lembrem-se um pouco da química orgânica que entenderão a nerdice do apelido: OH é uma oxidrila, presente nos álcoois. Dá origem a compostos com terminação em "ol" - etanol, metanol, fenol, etc. Logo, anexe um OH ao meu sobrenome, Burian, exclua o "an" e ponha "ol".

Buriol.

Sim, meu passado me condena.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Por uma vida menos ordinária, parte um.

Hoje, eu acordei ontem. E, perplexo, percebi que a coisa ia além: era um ontem que estava acontecendo desde 2000. Aturdido, segui para meu emprego, em busca de alguma resposta, ou para que simplesmente as coisas permanecessem na mesma, de alguma forma, por mais paradoxal que isso possa parece, as coisas ficarem na mesma talvez fosse uma solução. Mas, eu sabia que aquilo era um absurdo: eu estava exasperado justamente por estar ali, preso naquele ciclo eterno de repetições.

Chegando no Templo da Não-Alforria, fui chamado à sala de Antônium, o Gengiva, que ali estava com sua indolência tropical de sempre. Cumprimentos atrapalhados e algumas frases soltas depois, soltei à ele toda minha inconformação de ali estar preso.

-Buriol, você é um idiota. Assista a um Hermes e Renato que vai tudo dar certo no final.
-Mas, cara, você não entende! Minha vida não vai pra frente.
-Pára de ser estressado à toa, porra! Você realmente precisa de sexo.

Para variar, saí dali contrariado por mais uma conversa infrutífera com o Homem. Devido à minha dívida com ele que me conter para não mandá-lo pastar. Ironicamente, aquilo me atava à grilhões empregatícios que me serviam de bola de ferro. Não consegui me concentrar em nada. Lá pelas tantas, Max entra no MSN, mas eu fico envergonhado de tentar discutir meus infrutíferos pobremas com meu companheiro, que já havia passado por situações semelhantes mas aparentemente já estava conseguindo sair da lama passo a passo. Ele já estava residindo em 2006, pelo que podia entender. Eu admirava meu companheiro por sua impertubalibilidade.

Mas a frase do Homem-Gengiva não me saía da cabeça, por mais estapafúrdia que fosse, que soasse aos meus ouvidos. E eu sabia que discutir as mesmas coisas de ontem com Max não me traria nenhum alento.

Mesmo assim, eu sabia que precisava fazer algo a respeito. Brevemente, expus meu plano para Max, que me ouviu com sua paciência usual, para depois me soltar algumas de suas famosas frases de efeito que me derrubaram ao solo:

Não espere mudanças se você sempre faz o mesmo.

Claro. Ali estava a resposta. Era necessária alguma mudança! Max sempre foi por mim conhecido por sua imensa sabedoria, e sua imensa indiferença em relação às encheções de saco.

Mas como fazer isso acontecer, se estava preso àquele loop temporal do ano 2000? Devia ser realmente o reflexo do bug do milênio em cérebros de poetas românticos tuberculosos do século XVIII, ressucitados duzentos anos mais tarde num cabeção feito o meu.

Algo precisava mudar, entretanto. E eu sabia por onde começar. Saí da senzala moderna sem nem dar satisfações a nenhum dos outros autômatos que ali se encontravam. Certo, eu estava desesperado, e momentos desesperados exigem movimentos bruscos e atitudes incompatíveis com minha personalidade de mula empacada. Desta vez eu seguiria o conselho do Gengiva e veria aonde aquilo iria me levar, além do desemprego é claro. Pois não esperaria outra reação da parte de uma corporação capitalista como aquela.

Enfim, saí dali em busca da coisa. Mas eu sabia que para um imbecil feito eu atingir a coisa, era necessária alguma intervenção cósmica ou algo assim. Mas eu tinha em minha cabeça o conhecimento acerca de uma lenda lendária sobre um artefacto mágico quesupostamente ajudava os naturalmente alijados nas artes seculares da sedução de mulheres. A PEDRINHA. A Pedrinha salvaria minha vida, me tiraria daquele ciclo eterno de enxague que estava em loop eterno. A Pedrinha, é sabido, aumentaria em 1500% meu fitness. Pronto, lá estou eu a falar em malditos termos biológicos. Mais um sinal que estava de fato preso ao eterno ciclo.

Eu sabia, entretanto, que obter tal coisa era uma tarefa muito, muito ingrata. Entretanto, eu tinha ouvido falar que existia uma pessoa que teria acessoa a outras pessoas e que poderia me ajudar em tão difícil empresa. Fernandus, entretanto, era uma figura enigmática do submundo daquela metrópole roçal que era minha eterna residência. Era sabido que tal pessoa já havia visto o mundo e feito coisas, e zombado de tudo e todos que se demonstraram contrários às suas crenças, sem entretanto usar de uma artimanha por mim muito utilizada: a raiva. Fernandus era parecido com Max neste aspecto, mas ele tinha acesso à Pedrinha e portanto, vivia rindo à toa.

Mais um argumento a favor da obtenção da Pedrinha para que consequentemente pudesse obter a coisa. Parei no caminho para Contagem, ofegante, e pensei mais a respeito. Eu sabia que para obter tal Pedrinha, eu deveria agradar o detentor das informações necessárias para a obtenção da mesma.

É sabido que Fernandus gostava de certas oferendas alimentícias, e eu mesmo sabia de uma delas, a saber, o Hambúrguer de Ouro Produzido pelas organizações Maria Helena Burian. O lance, entretanto, é que além de eu estar um bocado longe do Mangabeiras, tal detentora deste segredo culinário tão apreciado por Fernandus, eu SABIA que ela não gostava de fazer tal coisa e se recusava a fazê-los em intervalos menores que uma vez a cada sete milênios.

Cocei a cabeça, desanimado. O que fazer então?

Bem, eu precisava continuar andando para chegar ao Covil das Engenharias que Fernandus trabalhava, então pé após pé, continuei em frente. Ainda maquinava em minha mente alguma solução para meu dilema, quando de repente me deparei com um infecto estabelecimento comercial, mas que vendia uma coisa que poderia ser a solução de todos os meus pobremas. Bem, não todos, mas aquele da oferenda necessária para a obtenção da Pedrinha.

A barraca vendia sanduíches de Pão com Linguiça, uma das iguarias preferidas por Fernandus. Comprei três exemplares, recheados com três tipos de linguiças. Aproveitei a deixa para também comprar um bocado de Pão de Queijo recheados de Linguiça, pois sabia que aquilo também agradaria tal CARA.

De posse de tais oferendas, fiz votos para que fossem suficientes para obter o bom grado do detentor da solução de meus problemas, e segui adiante em direção à Contagem.

Tu bí continued.....

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Burros pra cachorro!

Acho estranho umas coisas, e quanto mais o tempo passa, mais estranhas as coisas vão se tornando. Hoje de manhã quando estava quase chegando aqui, deparei-me com uma cena que tive que me segurar para não realizar uma atrocidade. "Instinto assassino...precisa ser contido...preciso me segurar...não devo matar a dona com o poodle de saia com sapatinhos."

Sério, eu tenho ganas de matar essas pessoas.

O que aconteceu de uns tempos para cá foi uma revolução canina. Cães hediondos, das mais diversas e bizonhas raças, estão....mandando em pessoas. Sim. Estão mandando nos donos. É cada vez maior o número de "serviços" disponíveis para estas criaturas, tais como acunpuntura...SPAs...personal trainers...até PSICÓLOGOS. PSIQUIATRAS. Receitam DROGAS anti-depressivas para CACHORROS. Sério. Leia a afirmativa anterior e sê sincero: não parece um disparate da maior qualidade?? Psiquiatras para cachorros??

Imagino uma sessão dessas:

DOUTOR PICARETA DA SILVA
Muito bem, diga-me o que passa por sua cabeça. O que vos aflige?

CÃO
...

DOUTOR PICARETA DA SILVA
Muito bem! Vejo que fizemos progresso!


Sério. É preciso ser muito BURRO para levar um cachorro num psiquiatra. Evidentemente, os "profissionais" que lidam com estes cães também são picaretas de marca maior, mas não sei bem se devo recriminá-los tão severamente. Afinal de contas, burrice merece ser explorada. Sou implacável com estes retardados mentais.

Mas, falando mais seriamente e menos enraivecidamente, o que aconteceu com as pessoas para lidarem com cães desta maneira? Eu sempre tive cachorros. Vários: boxer, pastor belga, fila e muitos vira-latas. Gostava de todos, mas isto não me fazia tratar eles como algo além do que eles sempre foram e sempre seriam, ou seja, cachorros. Lugar de cachorro é lá fora, não dormindo com você, por várias e várias razões que nem vou enumerar; uma pessoa com um mínimo de bom senso deve saber que NÃO se deve dormir com cachorros.

E o caso dos cães que destroem as casas em que moram? Eu resolvia esses lances todos na porrada, evidentemente sem exageros né. Se você não disciplinar seu cachorro, ele irá mandar em você. Eu já vi isso de perto várias vezes: pessoas que têm aquele tipo de cão Schnauzer, que é "uma gracinha", mas que destrói a casa toda, mija na cama dos donos e faz o escambau. Não batem nele, pois "ele é tão bonitinho". Uma torcida na orelha dele não vai exatamente desfigurar o cachorro nem é um ato de crueldade. Disciplina é sempre necessária. Este schnauzer MANDA nos seus donos. Eu vi isto de perto.

Creio que este endeusamento dos cães é meio que sintomático de algo maior. Em minha opinião, as pessoas estão preferindo ter um cachorro do que ter filhos. E acabam perdendo as estribeiras, ainda mais se tiverem realmente fundos para gastar com estes seus "filhos". Mas enganam-se se acham que esta "doença" é exclusiva de madames, como era estigmatizado antigamente. Hoje em dia pessoas estão gastando horrores com seus pets, e muitas vezes tratando tais animais de maneira mais dispendiosa do que com filhos em si. Acabam enviando estes cachorros para escolas, médicos, dentistas e o escambau, como se realmente fossem filhos.

Acho isto muito estranho, muito mesmo. Fico muito puto quando vejo pessoas sendo mandadas e desmandadas por uma pulga infíma que se diz cachorro, tipo aqueles yorkshires. E ai de você se zoar ou tentar reagir às investidas contra sua canela emitidas por tais criaturas. Você irá arrumar uma bela brigaa com seus donos e será acusado de ser "desumano" com os animais.

Se vier me morder ou fazer gracinha, eu chuto. Sim, eu chuto. Se for poodle ou aqueles ratos que se passam por cães, eu chuto com o profissionalismo de um jogador de futebol. Pra merda. Cachorros são CACHORROS. Não se vestem. Não usam óculos escuros. Não precisam de ração que custa mais caro que alimentar uma família inteira. Não precisam de sapatinhos. Não precisam de psiquiatras, acunpuntura, SPAs ou o inferno.

Cachorro não é gente. Apesar de eu ser uma pessoa que prefira muitas vezes os cães do que as pessoas, não é por isso que eu tratarei eles como se fossem gente. E creio que isto não me torna mais desumano.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Nada de novo...porém...

Dizem que as terças feiras podem ser consideradas continuações da segunda, mas creio que isto é muito variável, especialmente se formos levar em conta a psiquê humana, esta coisa tão aleatória. Hoje mesmo, aconteceram-me algumas bobaginhas logo pela manhã antes de chegar aqui, que normalemente me incitariam a fúria mortal que sinto quando alguém resolve travar a fila do supermerdado para averiguar o preço de uma merreca que sairia pela icomensurável fortuna de 0,75 R$ mas que alguém lá atrás informou que seria 0,50 R$. Eu teria ganas de enforcar a mulher que fez este infame pedido e atirá-la à sarjeta imunda, mas hoje nem liguei muito, ainda que tal manobra tenha me atrasado 10 minutos. Nada de demais, mas em se tratando da mente insana que digita estas mal traçadas linhas, poderia ser um sinal de raiva pelo restante do dia.

Mas enfim, nem tudo acontece do jeito que achamos que vai acontecer. Ontem, um dia normalíssimo, uma segunda como outra qualquer, tive uma noite tão agradável, como não vivenciava há muito tempo. E não aconteceu absolutamente nada fora do ordinário. Fui para casa, gastei meus dedos um pouco mais em Rúbia, tendo conseguido tocar até direitinho, conseguindo acompanhar partes que considero difíceis em músicas como Isle of the Cheetah, da ilustríssima desconhecida banda Hum. Mais tarde, rabisquei um pouco, e apesar de não ter feito nada de extraordinário, fiquei bem satisfeito com o rumo que os rabiscos tomaram.

E hoje pela manhã estava eu impertubávelmente sereno....da forma que eu mesmo pensei enquanto circulava pelo supermercado, "Por que não posso ser assim todos os dias?"

Alguém teria a resposta? Mais um de nossos famosos mistérios insolúveis chega à tona. Mesmo assim, nem podemos chegar a tanto, pois creio eu que não chega aser nenhum mistério, assim que paramos para pensar. Simplesmente não existe consenso para este tipo de coisas. Cada dia é de um jeito, cada momento traz inesperados acontecimentos, cada dia é único. Assim como cada pessoa...cada um reage do seu jeito, e nem sempre pode ser quantizado. Nem sempre? Nunca, seria mais acurado dizer.

Estas questões mesmo, que fazem tanto sentido, ou me incitam tanto a pôr meu carro de pensamento para funcionar, não significa nada ou quase nada para outras pessoas. E por que me dão tanto pano para manga para horas e horas de inúteis reflexões? Não saberia muito dizer ao certo, mas desconfio eu que realmente investigo para que...sei lá, para que possa encontrar uma maneira de me tornar mais...mais...er...talvez menos chato, menos turrão, mais aprazível, menos neurado, mais sociável, mais tolerável....não sei bem precisar.

Posso afirmar sim, que gostaria muito que minha disposição geral fosse sempre como fui hoje pela manhã. Que me deparasse com bobagens feito o lance da fila do caixa e nem me perturbasse com isso, pois não é nada de mais. Nenhum problema insolúvel, nenhum dilema, nenhum fato que irá me alijar da razão, ou me causar transtorno real, por assim dizer. É apenas uma bobagem.

Por mais que minha cabeça saiba desta teoria, a prática quase nunca sai. Eu gostaria mais mesmo de ser assim, mais adepto da "não-importação" em relação a coisas pequenas.

Não sei se todos pensam assim, nem mesmo se todos têm algo com que se "preocupar" feito as coisas que me preocupam, que me pôem pra pensar, ou que me afetam negativamente. Não sei se as pessoas têm este tipo de pensamento. Muitas vezes desmereço os outros, mas tento por vezes pensar como outras pessoas, ou no mínimo incitar um pouco o pensamento alheio acerca destas questões. Se serve para alguma coisa, não sei dizer. Mas sei dizer que assim o sou. Trabalho para que me torne um tanto mais humano por assim dizer, mas tudo depende desta coisa que carrego encerrada cuidadosamente nesta caixa craniana.

Ô treco dificil de se decifrar, viu. Vai entender...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

I've got blisters on my fingers!



Ai, parece mesmo que eu encostei a ponta de meus dedos - da mão esquerda - em alguma coisa muito quente, feito uma frigideira. Falta-me uma certa tampa do indicador, os outros, excetuando-se o polegar, estão latejando. Certo, certo. Creio que estava defasadao em termos de calos, em termos de preparação para encarar de novo as lides como baixista de uma banda de garagem, ou melhor dizendo, sótão.

Eu e meus fiéis companheiros, o Xará e o Serginho, desde o remoto ano de 2005 estivemos às voltas com reuniões barulhentas organizadas quase sempre aos sábados no meu reduto. Após uma apresentação, creio que mesmo a última, em que eu e minha irmã fizemos no final daquele ano, que foi de fato a melhor apresentação que já fiz em companhia dela, eles resolveram me chamar para atender o papel de baixista na banda deles, que só faziam covers de musicas clássicas do mais puro panquerroque, lendo-se Ramones e mais Ramones.

Eu, que nunca antes havia tocado baixo, ainda mais em uma banda, hesitei, mas aceitei. Só tinha um detalhe pendente na negociação: eu não tinha um baixo nem amplificador para baixo. Mas pra tudo se dá um jeito. Danilo, outro companheiro nosso, e baixista por definição, tinha em suas mãos uma carcaça de um baixo que havia sido de um outro amigo nosso. Carcaça, sim. Só o braço e o corpo, nem parte elétrica nem cordas tinha o dito. E ainda faltava uma tarraxa. Um dos baixistas mais fodas que já conheci ao vio, o Luciano, que namorava minha irmã na época, operou o milagre de ressucitar aquela josta toda. Pondo partes velhas de um outro baixo dele e tres cordas igualmente velhas, pôs o treco para funcionar de novo.



Quer coisa mais punk que um baixo destes? Eheheh, desde então, eu venho arrebentando meus dedos nos malditos cabos de aço que se passam por cordas nesses instrumentos. Cheguei a comprar um set de tarrachas e por cordas novas no coiso, mas fora isso ele ainda continua tão bunito quanto a foto acima. Eu e meus companheiros nunca chegamos mesmo a passar dos ensaios no sótão, não fizemos nenhuma apresentação até hoje, aléma das reuniões eventuais com outros amigos. Já mudamos várias vezes de vocalista, por incrível que pareça. Mas o que nos une mesmo, é a procura de diversão. Por mais que a gente seja muito zoneado, bem panques de garagem mesmo, a gente se diverte muito em todos os ensaios.

Quando voltei a ter grana mais fixa com minha escravidão permanente, adquiri meu próprio amplificador de baixo, um trambolho de 30 kilos, comprei um microfone legal para nós e fui adquiurindo outras parafernálias musicais também. Ficamos muito tempo parados, enfrentando crises com o quesito voz, por ausência de um amplificador próprio para a coisa. Resolvemos a coisa em meados de junho, e desde então estamos desenferrujando aos poucos.

Tocar baixo de verdade é bem mais complicado do que apenas tocar Ramones, no entanto. E nós precisamos de mais tempo, mais prática, para realmente podermos fazer algum projeto mais ambicioso. Enquanto isso, estamos a nos divertir muito.

E meus dedos doem, latejam. Ainda vai demorar um tempinho bom para conseguir tocar por mais que uma hora sem que eu sinta que queimei os dedos todos numa panela por aí.

E...quê? Que horas são??