segunda-feira, 2 de março de 2009

Tentativa e erro.

Argh. Eis que é segunda feira novamente, e encontro-me levemente zumbizado. É estranho, há dias que a noite é foda, como dizem. Ontem fiquei boa parte do período da tarde matutando, jogando jogos electronicos, tocando guitarra, etc. Como era de se esperar, era tudo uma vã procrastinação para minha obrigação perante à cafetina. E ela estava me aporrinhando, deveras.

Enquanto passava mais tempo adiando a tarefa, estive a conversar com amigos naquele telefone muderno que é o MSN, enquanto tentava desenhar algo. O tempo passava, e eu não rendia muito; tinha uma re-tira(reedição de material antigo de 2006) já esboçada mas estava com imensa preguiça de finalizá-la a tinta. Talvez seja mera insegurança, mas temia fazer aquilo a tinta. Então, lembrando-me do esboço que fiz na derradeira quarta-feira(que me agradou, mesmo sendo a lápis e rabiscado....vai entender), e após a elaboração do esboço mostrado acima, que também me agradou, por mais estranho que seja, resolvi tentar uma nova abordagem e fazer a tarefa a lápis mesmo...

Costumo ser ultra-lerdo para desenhar, como se aquilo fosse a tarefa mais exata que eu tivesse que fazer. Com tinta, demora um cadinho a mais, o que faz a tarefa de 2 horas viras 7 ou 98 horas. Enfim, sou assim, estou farto de tentar lutar contra isso. Como estava me sentindo mais seguro com o bão e velho lápis, liguei o foda-se e tentei. Demorei bastante, como era esperado, mas pelo menos consegui fazer a coisa andar. Ainda explorando uma abordagem diferente, resolvi "letrar" a coisa no fotochopps, uma vez que ando farto de meus garranchos, que muitas vezes ficam ilegíveis, ainda mais nessa maravilha aqui que reduz as imagens em aproximadamente 99%(separei as imagens para tentar amenizar isto) Não, não usei a famigerada e odiada fonte comic sans, ao contrario, baixei uma pá de fontes de um site supostamente criado com o objetivo de auxiliar cartunistas.

Bem...após o término de tudo, tarde da noite, observei o resultado final e achei...ruim. Fui dormir contrariado, por ter gasto tanto tempo e não ter sido proveitoso. Enfim. No caminho para cá hoje, estava elaborando um texto narrando meu "infortúnio"...Mas, ao chegar aqui e abrir as imagens, minha opinião mudou um pouco. Não mais achei assim tão horrendo quanto me pareceu ontem a noite. Certo, o processo a lápis é mais complicado porque a imagem tende a ficar mais suja na hora de digitalizar. As letras ontem me pareceram muito bizarras e destoantes. Hoje, nem tanto. Sei lá. É uma nova abordagem. Há que se experimentar coisas novas, uma vez que costumo sempre me desiludir e desanimar facilmente.

Talvez fazendo novas tentativas eu consiga finalmente ser mais produtivo. Idéias para prosseguimento existem, e pretendo pô-las no papel.








Enfim, como se diz, vamos ver se agora vai. Espaço para melhoras sempre há de existir; o importante é continuar fazendo e tentar evoluir, não é mesmo? Pelo menos assim penso eu...Ou quero pensar assim, doravante.

Que Mitra me ouça.

Veremos. Deixa eu tomar mais um outro caféééééééééé ali para tentar me despertar mais adequandamente. Somente um Red Bull no café foi insuficiente....Boa(se é que isto é possível) segunda a todos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Suco de acordar.


C8H10N4O2.

Sim, gloriosa molécula esta. Se desaparecesse, creio que pelo menos metade do mundo se prostaria de joelhos, implorando por misericórdia. Ao menos pelas manhãs.

É claro que estou falando da cafeína. Quem mais, em estas manhãs duras nos vem servir de alento perante à luta diária, este embate incessante com a vida, esta feitora de escravos.

Logo ao acordar, milhares de pares de olhos remelentos não sabem se o dia será assim ou assado, bom ou ruim, isto ou aquilo. Mas seus inconscientes já sabem que ao menos haverá a presença de um líquido espesso, de coloração negra, fumegante, a esperar por ser devidamente deglutido por estas almas atormentadas. Ao menos pelas manhãs, tal certeza serve de guia, de motivação.

Estranho é o universo dos viciados em tal coisa.

Creio que se algum dia tal molécula for proscrita pela legislação vigente, haverá um levante popular em massa. Uma guerra de proporções dantescas.

Ou as pessoas simplesmente tombarão em um sono eterno.

Lembro-me que em 33 de outubro de 2008-B, houve uma tentativa de abolição de tal substância. As otoridades houveram por bem(mal) achar que tal coisa era prejudicial. Não sei bem como chegaram a esta conclusão, pois é sabido que os funcionários públicos estão entre os recordistas mundiais do consumo de cafézes. Não obstante este fato factual, alguma mente doentia baixou um decreto proibindo tal coisa.

Metade do país tombou em um sono profundo e initerrupto, por dias a fio, até o estágio três, falecimento e óbito.

Os restantes dos consumidores se organizaram em guerrilhas espalhadas pelas ruínas das cidades, destruídas durante a passagem do furacão Cafeína pelo país. Donde isto veio? Não se sabe, mas algumas mentes acreditam que tal decreto obsceno agrediu o véu do espaço-tempo, criando um portal abstrato neo-plasticista que arrastou para a destruição milhares de metrópoles mundo afora, mundo adentro, não importa. Houve uma verdadeira hecatombe.

As guerrilhas marcharam em direção ao hediondo palácio onde o ditador anti-café se estabeleceu, sedentas por seu sangue. Ou pelo menos pelo seu café, que os rumores populares diziam estar estocado em aqueles porões ali existentes. É verdade que muitos dos guerrilheiros de tal santa cláusula não conseguiram nem ficar acordados durante os planejamentos do assalto, outros ficaram praguejando que estavam com cefaléias teríveis, causadas pela abstinência forçada de café
. Em suma, não eram os melhores combatentes que se tem notícia.

Entrementes, o autor que vos escreve sentiu o cheiro de café(muito atrasado em esta manhã em particular) às portas da repartição não-pública que trabalha e precipitou-se em direção ao abençoado aroma, tendo tropeçado em uma escada que ali não havia antes, rolando pelos degraus e encontrando a morte andares abaixo do que se encontrava às portas da redenção. Ou não.

Em sua homenagem, criaram isto:


Em homenagem ao mais ilustre beberrão de café do clã Burian que se teve notícia. E exímio escrevedor de coisas sem sentido algum na abstinência de tal infusão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

SDA.


Fundada na virada do ano do milênio, para muitas desconhecida, somos a Seita do Declive do Alvorescer. Sim, bem sabemos que nossa fundação coincidiu com o fim do mundo, em 15 de Agosto de 1999, ano este em que foi-nos anunciado que as 8 da manhã o mundo iria sofrer uma série de cataclismos que iriam culminar na vasta destruição do mesmo. Como tudo isto ocorreu de fato, ainda que hereges afirmem o contrário, estamos todos cursando o purgatório do pós mundo, e apenas uma seleta selecção de pessoas realmente merecedora dos Céus ira se adentrar na morada do Senhor. Não, não o senhor que está aí assistindo o popozão popozando na televisão. Refirimo-nos apenas aos seguidores de nossa iluminada doutrina.

A idéia de salvação, pastoreamento das almas desgarradas e extintas na data em questão ocorreu a três iluminados espíritos, os sócios-fundadores e presidentes hereditários de nossa amada seita, a saber, Antônio, o Gengiva; Hugo, o devogado doutor e Marcos, o Buriol. Sendo que este último, que ocupa o cargo de presidente e xamã ocidental da ala oriental da Seita, em um momento iluminado, criou a imagem gráfica - acima reproduzida - que doravante iria servir de marcação gráfica para a pronta identificação visual dos templos de nossa única religião, a única que será defato aceita nos campos, pradarias, tundras e taigas do Senhor. Não, não estamos nos referindo ao senhor, criado a leite Moça e que fica escutando hinos blasfêmicos ao pé de seu aparato radiofônico, tais como Jonas Brothers, Abba, Idiota Quest, Panic at the disco e quejandos. Somente irão ser purificados os espíritos que escutam a verdadeira música Celeste. O index musicum proibitorum, bem como a listagem oficial da música oficial da Seleção Celeste pode ser adquirida pela módica quantia de R$ 500 reais,00 em todo e qualquer templo da seita. Afinal, estando todos mortos, a imagem virtual de algo tão nefasto artefacto manufaturado por agentes do demónio que mesmo desencarnados(afinal de contas, todos estamos mortos desde 15 de Agosto de 1999, não se esquecam nunca deste facto, irmãos!), ainda teimam em tentar as pobres almas desgarradas que vagam por este purgatório. Foi-nos encarregada a dura tarefa de apropriarmo-nos de tão malfada cousa do demônio para sua posterior expugarção. Sim, estamos nos referindo ao dinheiro, este papel amaldiçoado que têm em usas mãos e carteiras. Livre-se já deste mal doando tal malevolência para um dos Pastores Adventistas Xamanistas de nossa Seita.

Portanto, não se esqueçam, ainda há salvação. Visite hoje mesmo um dos templos de nossa iluminada Seita e purifique-se para todo o sempre dos agentes demonizantes que a todos cercam.


Sim, aproveitando a deixa do papo semi-religioso de ontem, resolvi fazer meu próprio edital da Seita do Declive do Alvorescer, que realmente foi "criada"(imaginada é a palavra mais adequada, creio eu) por 3 amigos com muito tempo livre nas mãos e idéias cretinas na cabeça na data citada acima. Sim, houve um burburinho na época, pois foi anunciada a data do fim do mundo. Sim, era um período que passamos - eu e o Hugo ao menos - por uma das famosas e intermináveis greves na UFMG, então nos mandamos para Itacaré em companhia de nosso ilustre anfitrião Antônio, o Gengiva. Sim, estavámos tão à toa naqueles dias que nos engajamos em inúmeras atividades construtivas, tais como a tentativa(infrutífera) de desvio de um rio, a confecção do primeiro estacionamento de pranchas de surf que se tem notícia, surf míope(assim o era para este que vos escreve), contemplação do vazio e criação de uma Seita religiosa. Existe até a comunidade naquele universo paralelo que é o orkut, com o infame desenho por mim elaborado. Como não frequento mais aquele universo, não sei bem a quantas andam as coisas por lá.

Sim, tudo isto é uma piada. Pode soar até de mau gosto para pessoas que não tenham o menor senso de humor, e até blasfemoso para outras pessoas que integram outras seitas e subseitas das religiões por aí existentes, tal como a Ooopps Dei. Não que eu creia que isto vá me causar agruras, uma vez que poucos ou nenhum ser vivo além deste praticante de solilóquios inúteis frequenta este pedaço deste imenso oceanod com 1 cm de profundidade que é a interneta.

Mas uma coisa garanto, se eu fosse picareta o suficiente para tentar levar a cabo a elaboração de uma autêntica religião autenticamente picareta como a SDA, aposto um bom dinheiro que conseguiria obter algumas ovelhas para meu rebanho. E estaria isento de impostos sobre minha arrecadação do dízimo de tais pobres diabos. Está ali, pertinho de mim o Templo da Igreja Universal do Reino Picaretal que não me deixa mentir. Existem poucas entidades mais 171 que aquilo ali.

Enfim, é a vida. Se quiser acreditar, creia em algo que não vá extorquir seu suado dinheiro em troca de vagas promessas que ninguém, absolutamente NINGUÉM poderá comprovar um dia. A não ser que alguém volte realmente dos mortos, pra nos dizer como é. Uma excelente idéia para os detentores de tais religiões...Arrumar um ator que assim o faça e lucrar com isto.

A título de curiosidade, inspiramo-nos em uma seita que de fato existe, em Brasília creio eu, a Seita Do Vale do Amanhecer. Ouvi dizer muitas histórias bizarras sobre tal seita...a recitação de passagens da bíblia em código binário, por exemplo.

Ainda bem que não tenho público, porque acho que a leitura desta coluna por tais individuos poderia me custar caro, imagino.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cinza-feiras.

Bem. Eis que mais um carnaval veio e passou, e nós os assalariados mínimos largamos do ócio para retornamos ao escrotório para encararmos...mais cinco horas de ócio pago. Sim. Por pessoas para "trabalhar" em uma data morta como esta, a meu ver, deveria ser punido. Mas como diz o velho deitado, "os de cima mandam e os de baixo bedecem." Ou algo assim.

Como sou um dos "de baixo", obedeço. Não maldigo este fato. Prefiro trabalhar hoje do que permanecer no sótão o dia inteiro, como foi o que se sucedeu neste feriado prolongado. Não foi exatamente péssimo, uma vez que descanso é sempre bem vindo e necessário, mas esteve longe de ser maravilhoso também. O ponto mais alto foi a visita inesperada de amigos que não apreciam pros lados da Mangabolha por muito tempo. Isto foi muito bacana. Esperava que pudesse fazer uma reuniao maior também, mas isto teve de ser adiado, uma vez que muitos dos companheiros imprescindíveis havia desaparecido para pular o carnaval em outras partes.

Enfim. De volta às lides; cheguei aqui bem mais cedo que de costume e como estivesse sem material novo para a ilustração, rabisquei meu querido personagem ilustrado acima. É estranho, mas sou mais parecido com ele do que imaginava. Estive ponderando sobre o assunto nestes dias, que não andaram às mil maravilhas, como se pôde ver(se é que alguém de fato viu) nos textos da semana passada. Sim, a moral andou em baixa por estes dias.

Nestas horas é que me identifico mais ainda com o Sr. Bode. Pois uma das inspirações para criá-lo foi exatamente esta: a luta do personagem contra seu criador., que o põe a prova, o tenta, o testa...Explanarei melhor com um pensamento que já me ocorreu por vezes...Sinto que todas as vezes que me proponho melhorar, tomar rumo, mudar, etc, parece que tem alguém me observando e me analisando. Não irei discutir religiões nem crenças aqui, uma vez que tal discussão só gera dissabores entre os homens. Afirmo entretanto, que sou agnóstico, portanto, não tenho uma opinião "convencional" sobre estas coisas. Penso, por vezes, que se existe de fato algo ou alguém comandando as coisas, somos como a sua sitcom. Seu divertimento, seu experimento, seja lá o que for. "Ah, então com que então queres mudar? Resolvestes mudar? Senão vejamos. Vamos por isto em prova." Ou seja, por vezes sinto que tem alguém me examinando e rindo horrores das minhas atitudes, de minhas ações, especialmente quando o destino me põe à prova diante da vida em si... Sinto como se eu fosse seu personagem. Seu divertimento. Sim, sei que seria excomungado - ou simplesmente ridicularizado - se alguma "autoridade inquisitória" porventura lesse esse pinçamento.

Ridículo? Pode ser. Mas é algo que me ocorre por vezes. E tal pensamento me ajudou na idéia da construção do personagem...Um exemplo desatualizado do tema eu já ilustrei em uma outra tira que estou reeditando; ainda não está pronta, mas na falta da versão re-editada(com efeitos 3D e monstros adicionados ao pano de fundo! Viva Hollywood.), posso pôr aqui a versão antiga mesmo, de 2006:


Enfim, embora eu não seja militante de tal teoria, por vezes me flagro agindo e pensando como se eu fosse um personagem de alguém - sim, me rio muito disto quando paro pra pensar em tal absurdo. É como se alguem admitisse que somos todos marionetes(embora alguns militantes de algumas religiões parecem pensar e agir assim). E como eu mesmo me divirto sacaneando meu personagem, por que não poderia haver algum "ser superior", "o criador", etc. que se divertisse às custas de suas criações? Seria um tema interessante para um debate(embate) teólogico. Ou não, pois como já disse, discussões sobre divindades, geralmente só dão em merda. Temos exemplos de bárbaries causadas por difereças religiosas por todo este planeta...

Enfim, a data é supostamente sagrada, então não pisemos nos calos de ninguém. Paremos por aqui, eis que existe uma pilha de documentos a serem digitados aqui. Se eu fosse o Sr. Bode eu estaria provavelmente agindo como o primeiro rabisco da coluna d'hoje...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Duelo.



"The radio still plays
Amongst the mangled metal frames
Petroleum spirit daze."

--Swervedriver, Son of Mustang Ford.



Por um instante, parecia que não estava ali. Que estava sonhando. Sobre o quê, não poderia dizer. Mas era como se tudo fosse um sonho, de fato.

Um impacto atrás de mim, seguido do estrondo e o barulho de vidro quebrando provou-me o contrário.

Eu segurava o volante com um força descomunal. Mas nada fazia sentido. O que estava acontecendo? Estava dirigindo a mil por hora, numa estrada rude e aparentemente abandonada, numa região árida ou semi-árida e...

Mais um empurrão. Outro estrondo.

Olhei para trás. Através do vidro quebrado, vi um caminhão que me perseguia. Somente a parte frontal, sem o engate. Parecia um monstrengo, daquelas Scanias, e suas intenções pareciam ser nada amistosas. Pisei fundo. Não estava entendendo nada, mas não é preciso um relatório completo sobre a realidade momentânea para se saber que estamos correndo perigo. E de vida.

Vida....Céus, nada fazia sentido. O que eu estava fazendo ali?

Olhei ao meu redor. Não reconhecia nada. Estava num carro...numa caminhonete aparentemente velha, antiquada. Haviam cacos de vidro por todos os lados...O pára-brisa estava trincado e com alguns...Furos? Buracos de...

Balas?

Olhei para o banco do passageiro. Havia uma arma ali.
Olhei para minhas mãos que seguravam o volante. Ensanguentadas.

Olhei para o retrovisor...Não conheci o sujeito que me olhou de volta.

Outra batida dissipou meu estupor. Quem era aquele cretino? Por que queria me matar??

Um solavanco à frente me fez voltar minha vista para adiante. Olhos à frente, sempre dizem. Pelo menos enquanto se dirige ou....se foge desenfreadamente de um maluco que quer lhe matar a todo custo.

Que diabos estava acontendo?

Merda. Não entendia nada, não me lembrava de nada. Estava fugindo de um louco dirigindo uma cabine de caminhão gigante. Maravilha. Já estava a mil por hora, mas pisei mais fundo ainda. O motor se esgoelava. Não entendia como uma caminhonete velha daquelas estava correndo tanto, mas não estava num momento apropriado para reflexões do tipo.

A Scania me acertou de novo. Filho da puta!

Filho da PUTA.

Resolvi voltar minhas energias gastas com a minha exasperação, meu desespero, para a vontade de matar aquele cretino. Sem tirar uma das mãos do volante, apanhei a arma que estava no banco ao meu lado. Sem balas. Maravilha. Como extinguir um merda com uma Scania voando atrás de mim sem uma arma e dirigindo uma porra duma caminhonete velha?

Olhei rapidamente para a frente e elaborei um plano desesperado.

Fixei meus olhos na Scania, que bufava ainda, sedenta por meu sangue. Quando o miserável acelerou de novo, para me acertar novamente, joguei meu carro subitamente para o lado, diminuindo a aceleração e lutando para segurá-lo, apesar de toda a derrapada. Fechei os olhor por um segundo. Julguei ser o fim, mas me forcei a abri-los de novo.

Tinha dado certo, em parte. A Scania seguiu reto na estrada, enquanto eu fiquei um pouco para trás...Por trás dela. Ha! Agora eu estava atrás! Eu...

Eu havia feito uma grande bobagem. De que me adiantava estar atrás de uma Scania, dirigindo uma caminhonete que era uma pulga perto daquilo? Tamanha era minha raiva no momento, me xinguei uma porçaõ de insultos. Mas...algo aconteceu.

A Scania ganhou distância de mim enquanto eu me amaldiçoava, freou com fúria, e puxou um pião na estrada. Eu freei instantaneamente também.

Estávamos frente a frente agora.

Que beleza. O que eu poderia fazer? O que eu deveria fazer?
Que DIABOS estava acontecendo??
O QUE EU ESTAVA FAZENDO ALI???

Ninguém respondeu nada. Eu estava fudido. E muito puto.
A Scania roncou, acelerando e parando, sem soltar os freios, tal qual um touro que se prepara para atacar o toureador.

Certo. Foda-se. Estou dentro, seu cretino. Não me lembro de nada, então não me importo com nada.



Não tenho nada a perder.




Imitei o miserável, esgoelando a pobre caminhonete sem soltar os freios. Foda-se.

Se tenho que morrer, que seja de uma forma barulhenta, ao menos.


Vamos lá, seu filho da puta, pensei.
Ele soltou os freios primeiro. Por reflexo, fiz o mesmo.
O tempo parecia correr mais devagar, mesmo que isto parecesse absurdo.
Passei as marchas com fúria, arrancando reclamações veementes da caixa. Foda-se, foda-se.

80...100...120...140...160.

Não fechei os olhos.

Não poderia ter feito de outra forma.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ret-Lit. A portê de napadequá. Ou mais do mesmo.



Quando tudo mais falhar, tente o caos. Talvez faça mais sentido que a normalidade em si.


Lembrou-se bem do espanto que experimentou ao entrar naquela ante-sala. Sim, na verdade era um vestíbulo, mas o corredor que passou por ele falou que era parte de um todo. Pois todos não o eram? Ou não o são? São? Não saberia dizer ao certo. Sabia que seua olhos não o enganavam; havia uma celebração em andamento ali, mas não poderia dizer por qual motivo celebravam.

Enfim, celebrar é sempre mais divertido que se lamuriar por injúrias por todos esquecidas. Procurou se integrar às pessoas ali presentes. É verdade que esta integração nem sempre é possível, muito menos quando a música presente é extremamente desconfortável. Teve de ser obrigado a ver as pessoas sorrirem falsamente aos acordes bemóis sustenidos diminutos aumentados que o moderníssimo aparato sonoro exalava aos gritos. Enfim, a casa era grande: haveria de haver outro local de mais agradável localização em suas entranhas. Adiante, então.

Mais à frente, deparou-se com uma cena muito comum: um homem trajando um terno cáqui forçava uma moça a aceitar suas opiniões hediondas. Delicadamente, aproximou-se e defenestrou este, em uma nobre tentativa de receber as eternas graças daquela. Mas a vida é traiçoeira, e tal moça precipitou-se janela abaixo pois preferia alguém com mais confiança e menos bondade. Procurando conter-se, ele seguiu à frente de todos os bonzinhos ali ausentes, mas plenamente representados por seu eminentíssimo Rei.

Não obstante ter boa vontade, não encontrou alento em nenhum dos aposentos da casa em si. Praguejando mentalmente, perguntou-se o que é que estava fazendo ali. Imediatamente, todos se voltaram contra ele: era o chato da festa, uma vez que não conseguia se divertir como uma pessoa normal. Um agente da moral e dos bons costumes ofertou-lhe o mapa da saída mais próxima, e vendo sua hesitante hesitação, acrescentou à sua oferta a graça de que se ele agisse com velocidade, este não o privaria de seus joelhos. Como tais artigos não sao recauchutáveis, ele houve por bem - por mal - pôr-se dali para fora.

Cambaleou aturdido até o templo mais próximo(um bar), onde seu séquito o saudou efusivamente com olhares mortiços e sorrisos tristes. O REI havia chegado. Alguns de seus semelhantes entornavam por suas goelas um volume nada escasso de drogas legalizadas, fossem sejam elas alcoólicas ou nicotínicas. Pediu sua porção de anéstesico barato e pôs-se a praticar seu esporte preferido, o da elucubração e confecção dos mais diversos aforismos inúteis. Ao seu lado, um de seus compatriotas tentava juntar moedas para comprar a coragem necessária para o término auto-infligido de sua já escassa vitalidade. Outros tentavam lhe dar apoio, mas não encontravam palavras, uma vez que todas estavam afogadas na solução alcoólica previamente ingerida. Ele saiu arrastando seus pés em direção ao desconhecido, este conhecido dos seguidores da sua religião. Pórem, todos ali sabiam também que os seguidores de tal religião são excelentes covardes e/ou nutrem uma certa vã esperança que algum belo dia irão se resolver, ou que a vida irá se resolver, ambas tarefas inexequíveis aos fiéis. Logo, tinham a certeza de tornar a vê-lo ali outras vezes.

(Como nos dias de hoje - devido aos avanços da merdicina - a tuberculose não mais consegue mais agir como mecanismo de seleção natural para estas pragas da zoociedade moderna, há que se aguardar para que eles mesmos se exterminem, quer seja pelo abuso de coisas ou simplesmente pelo lento declínio. O único conforto é que não conseguem deixar descendentes; lentamente tal praga vai sendo erradicada, de uma forma ou de outra.)



Outro deles olhava fixamente para o copo vazio à sua frente e balbuciava: "a gente só valoriza as estrelas quando não consegue mais vê-las" Nada mais certo; nada mais poético; nada mais boçal. Sabia que não conseguiria encontrar ninguém ali que pensasse de forma diferente. Tampouco o desejava: saber que havia outros como ele ao redor era ao mesmo tempo reconfortante e inútil. Mesmo assim, deixou-se cair em um banquinho defronte ao balcão, seu trono.

Comprou pois, muito mais que seu volume prescrito da coisa etílica e pediu um canudo nicotínico, sendo atendido prontamente por um de seus súditos. Acendeu-o e deixou que ele o fumasse, enquanto esforçava-se cada vez mais para afogar em álcool as vozes inúteis em sua cabeça.

Enfim. Mais uma noite se passou, e nada mudou. Como sempre.


E eis que isto acabou fazendo sentido, ao menos para o autor.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Last Drink to Satansville.


- O senhor parece que não tem dormido direito.
- Nada mais certo. Estou tendo aqueles sonhos, novamente.
- Quem sonha, desdenha a realidade.
- Ou não. Não sei se é assim.
- Entretanto, o que se passa no momento?
- Passa o tempo, aqui e ali. Mas não necessariamente nesta ordem.
- Entendo. Mas o que o senhor deseja?
- Uma beberagem alcoólica. Preciso esquecer.
- Não me lembro. Entretanto, creio que posso lhe ajudar. Pois não.
- Sim, pois sim. Quero álcool, em sua forma mais bruta.
- Aham. Creio que isto possa lhe satisfazer.
- "Biotônico Fontoura". Sim, sei que isto tem mais álcool que uma cerveja.
- E é um excelente fortificante. Mas não sei se é forte o suficiente.
- Há de servir, pois meu propósito não é puro.
- Quem apareceu no sonho?
- Ela. Sempre ela. Creio que vi um átomo de hélio também, no pano de fundo.
- E este pano, era de seda, linho, jeans ou algodão?
- Não sei. É tarde para saber.
- Nunca é tarde. A não ser que se esteja atrasado.
- Atrasaram os relógios no domingo, logo deve ser tarde.
- Não necessariamente. Apenas restituíram a hora roubada anteriormente.
- E quem vai me restituir o tempo perdido no processo de atrasar o relógio?
- Talvez os bancos. Ouvi dizer que estão contratando.
- Contratando ou com tratantes?
- Contrabando. Trouxe este maravilhoso relógio suíço e paraguaio.
- Sei, sei. Mas olhe, mas veja. Ali aparece sempre a cara dela.
- Não vejo, eis que o sonho é seu. Mas posso imaginar.
- Imagino que sim. Mesmo assim, isto não me conforta.
- Bem. O que importa é que não nos importemos com frivolidades.
- Não creio que meu desespero seja tal coisa.
- Basta uma breve consulta ao pai dos burros para se determinar isto.
- Isto o que?
- O que?
- Não sei.
- Nem eu. Deseja mais alguma coisa?
- Respostas.
- Ah, todos desejam respostas. Mas nunca perguntam.
- Bem sei.
- Então por que perguntou?
- Não sei.
- Nem eu.
- Estamos quites então?
- Creio que sim, mas pode ser que não.
- Certo.
- Errado. O senhor me deve.
- Não sei se devo.
- Sim, deve. Vá atrás dela agora.
- Bom conselho. Obrigado.
- De nada.
- De tudo.
- Até a vista.
- Prefiro o XP. Mesmo assim, lhe agradeço.
- Já sei. Vá-se embora!
- Não precisa gritar. Estou indo.
- Bem sei. Desejo-lhe sorte, de toda sorte.
- Ah sim. Até amanhã.
- O quê? Hoje já é amanhã. Se bem que o amanhã nunca chega.
- Ah sim. Adeus então.
- A Deus o futuro pertence.
- Ou não.
- Sim. Certo. ponha-se daqui pra fora.
- Assim o farei.
- Adeus.
- Até amanhã.