terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pinçamentos.

Acho curioso observar alguns hábitos das pessoas transeuntes pedestres que existem por aí, por esta cidade, por este mundo. Por vezes, tenho meus típicos acessos de incorporar a índole de meu pai - tão reinante no0 clã Burian, mesmo tendo vindo de um não-Burian, por assim dizer - e me ponho a criticar tudo e todos, em notas mentais, felizmente.

Mas hoje de manhã ao comprar o pão meu de todas manhãs sem o suor de meu rosto(eca, quem quer comer pão com suor de minha cara??), eu fiquei observando um grupo de pessoas que circundavam uma banca de jornais, como se estivessem a observar alguma cena de um crime recém-cometido ou algo assim. Vocês sabem, pessoas ditas "populares", do povão, costumam fazer isso, costumam se acotovelar para ver o desenlance de alguma sorte de infortúnio alheio, como uma tentativa de expurgar seus próprios demônios em uma estranha catarse....Não sei.

Mas o pessoal em torno da banca só estava lendo as manchetes dos jornais e vendo capa de revista. Normal, muita gente faz isso, mas fiquei intrigado foi com a cara de absoluta concentração deles, como se estivessem assistindo a um filme ou coisa assim. Como estava atrasado, não pude ficar analisando muito o que estavam eles a bizoiar, se estavam vendo as últimas do BBB nas revistas, ou se estavam lendo as chamadas dos jornalecos regados a sangue alheio que circulam por aí ao módico preço de 0,25 R$ ou se estavam interessados nas diversas pornografias tanto divulgadas em qualquer banca de jornais hoje em dia.

E também não estava eu querendo ficar ali bisbilhotando a vida alheia. Não me interessa se eram ou não apenas frangos dos mais reles, mas de certa forma esta questão inútil pipocou em minha cabeça na hora que vi tal cena.

É engraçado o que se passa em minha cabeça nestas horas matutinas do dia nascente. Ou em qualquer hora. Não sei se acontece isso com as demais pessoas, se elas de fato pensam o tempo inteiro feito eu, ou se simplesmente assistem tudo ao redor. Pensar demais dá desordem, bem sei eu, que sou este Noiado no Sótão por estar pensando em merdas absolutamente frívolas para o restante da humanidade o tempo inteiro. Talvez não para toda ela, é fato. Bem sei que defvem existir outros noiados como eu por aí, mas nós somos a exceção, creio eu. Caso contrário, a humanidade já teria sido extinta, uma vez que tais figuras perdem tanto tempo se questionando sobre tais "filosofias" que acabam se esquecendo de viver, propriamente dito.

Ehehehe. Sei, estou novamente soando amargo. Não, não estou. Surpreendentemente não. É algo que estou tentando ao máximo refrear neste ano. Estou apenas tecendo comentários sobre constatações de mim para mim e a quem interessar possa, quem acha que uma leiturinha simples como estas platitudes diárias minhas possa aliviar um pouco a monnotonia do dia a dia em geral. Creio que é isto que sempre me atraiu na profissão de cronista, que eu bem queria ser, e que tanto admiro em nomes renomados como Rubem Braga. Acho que uma boa crônica por dia faz o dia mais leve, por assim dizer.

Enfim. A hora ruge, o tempo ruge e o horário deve ser cumprido. Há contabilidades a contabilizar e detalhes a acertar em nossa diária trivialidade. Em frente...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

CinePlex 2010: #1

Sim, é chegada a hora de esfregar novamente os olhos, tentar crer no que se está assistindo na tela da televisão: no primeiro final de semana do ano rolou também o primeiro CinePlex, evento este de considerável repercussão nos círculos dos amantes da sétima arte; a data em ocasião marcou a reunião dos tradicionais amigos para a exibição de uma pá de filmes, e nem mesmo conseguimos chegar à metade das novas aquisições que Eduardo, o Psico adquiriu nas bancas dos Xópis Oi e Xavantes, tudo a um módico preço. Teremos material para várias sessões.

Exibidos na ocasião foram:

-...(não me lembro do nome do primeiro a ser exibido, algo com alíenigenas em um supermercado)
-Mangue Negro
-UHF(que eu conhecia como "TV Pirata" na tradução)
-Arraste-me para o Inferno
-Halloween II (de Rob Zombie)
-A Tribo

Começamos com o primeiro, cujo nome me escapa; era uma história, er, digamos, mais séria que as demais, com uma unidade de agentes de determinada agência que se encrregavam de eliminar pessoas infectadas com aliens. Não foi um bom filme no geral: apesar de termos dado risadas em alguns momentos, a história tentava ser o que não era, algoi que prestava. Acabou sendo um filme mais chato que tudo.

Logo em seguida veio o grande vencedor da noite, por quase unanimidade: Mangue Negro, que eu já havia ouvido falar, mas ainda não tinha tido o prazer de assistir. Trata-se de um filme nacional de zumbis, onde a ação se passa - evidentemente - em um mangue. Não sei como tal película ainda não arrebatou nenhum oscar. É dos filmes mais geniais que jpa vi na vida, com atuações impagavéis de seus protagonistas, dando destaque para o protagonista frouxo e a velhinha do mangue, com sua "sopa de taioba, só se for com muita pimenta. hm." Tudo no filme é do bão, por assim dizer. Ouvi dizer que tal pérola fez sucesso até mundial, mas que ainda nem distribuidora aqui no país de origem tem. E me pergunto por quê. Oras. É uma autêntica pérola do cinema nacional! Que absurdo!

Logo em seguida começamos a assistir "A tribo", mas o filme era tão chato que foi votado como desclassificado por 90% da equipe de críticos de cinema ali presente. Era um típico filme ruim, que tentava ser sério, e ao contrário do primeiro filme cujo nome me fugiu, NÃO rendeu risadas. Rua com ele então.

Infelizmente, no momento de se assistir o Halloween II na versão de Rob Zombie, eu pedi arrego. Tinha tido reunião com o pessoal do WNGB um dia antes e já estava com carga negativa na minha bateria, mesmo tendo enchido a cara de Red Bulls noite adentro, não dei conta. O máximo que posso dizer é que o filme parecia ser de suspense na linha tensa, sem ser voltado para o lado trash. O pessoal que sobrevieu a ele até o final disse que não valia a pena, de qualquer maneira. Menos mal.

No dia seguinte, vimos Arraste-me Para o Inferno, do qual já dediquei um post inteiro, então nem irei escrever mais nada a respeito. Foi interessante vê-lo de novo para perceber certos detalhes que passaram despercebido na primeira vez que o vi, e para verificar que ele sobrevive ao teste: ele continua sendo um bom filme, mesmo depois da primeira vez.

Em seguida, assistimos ao pastelão UHF, de Weird Al Yankovic, que eu já havia visto antes naa TV a cabo, num madrugada qualquer. É um filme bobo, mas que diverte bem, no estilo trapalhões. Weird Al é conhecido por fazer sucesso em suas paródias, e esta foi bem ao seu estilo. Vale a pena ser visto, nem que seja pela impagável cena em ele se imagina como Rambo: é a coisa mais ridícula do mundo, e muito engraçado.

Ao término deste, o restante das pessoas também pediu arrego: estávamso todos destruídos pela noite mal-dormida. Mas o importante é que a reunião foi muito boa, nos divertimos a valer, comemos do bom e do melhor rango trash, enchemos a cara de calorias pela semana inteira. Vivam a s comidinhas gordurosas e insalubres. E vivam as reuniões do gênero, que tão bem fazem a minha pessoa.

O lado negativo foi que, devido ao meu estado de retardadice causado pelo cansaço e excesso de comidas trash, acabei esquecendo-me que a data de ontem era especial, uma dessas datas que só acontece uma vez por ano. Eu acordei me lembrando disso, tentei fazer uma nota mental para lembrar-me de fazer o que deveria ter feito assim que meus companheiros se fossem, mas estava num estado tão deplorável, que acabei somente arrumando a zona restante, tomando um banho e capotando na cama.

Aí, hoje de manhã eu vi a data, 11/01 no relógio da praça e lembrei-me que havia afinal esquecido de ligar para o aniversariante. Creio que ele ainda lê o blog: mal aí cara, muito mal mesmo. Depois tentarei me redimir. Hu-há, eu detesto quando faço estas coisas.

Mas suponho que acontece, infelizmente.

Bem, está ficando tarde. Amanhã tem mais.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Oldies, goldies.

Bom demais ter sugestões de última hora sobre o que escrever. Hoje mesmo, vim para cá pensando em algo interessante para digitar aqui, mas nada de especial surgia em minha cabeça. Daí, quando dei login para fazer o post, dei de cara com a última atualização do brog do Max. Pronto, taí um assunto legal, pois eis que também curto ser curador de museus particulares.

Coisas antigas me fascinam, desde menino. Todas as vezes que ia na casa de meu avô materno eu tinha ânsias de adentrar em um território altamente restrito para crianças como eu - o escritório de meu avô. Lá dentro, haviam relíquias que me fascinavam,verdadeiros tesouros aos meus olhos. Tinha máquina de escrever da década de mil novecentos e borrachinha, sei lá, no mínimo da década de 40, dessas em que se bobear dá até para escrever num A3, uma máquina de calcular do tamanho de uma máquina de escrever, um relógio antiquíssimo que meu avô havia recuperado de escombros de uma casa na primeira guerra mundial, e outras tantas velharias escondidas nos armários.

Mas o item que mais me fascinava...o que eu mais achava legal, era um daqueles telefones antigões que nem disco tinha, daqueles que se tem que pegar o bocal com uma mão e levar o fone ao ouvido com a outra. Infelizmente, nunca soube a origem do telefone, uma vez que meu avô já se encontrava muito senil na época, e não tinha tanta intimidade com ele assim. Eu tinha até medo dele, uma vez que ele tinha muita raiva que nós, netos, fizessem confusão em suas relíquias, tão cuidadosamente guardadas. Junte-se a isso o fato que ele ralhava conosco em tcheco(ô língua estranha), e você tem crianças que o respeitavam pelo medo.

Anos mais tarde, depois que ele se foi, afamília se reuniu para desocupar a casa, e não me fiz de rogado. O que você quer? O telefone. A máquina de escrever. A calculadora. O relógio. Achei que iria ter briga para obter tais itens, mas...parece que só eu me interessei pelas "velharias".

Está tudo comigo. Tudo em meu sótão, inclusive a mesa gigantesca que era uma éspecie de prancheta para gigantes, e mesmo os móveis que ficavam fixos nas paredes estão em meus domínios. Um tanto quanto deteriorados, uma vez que antes de tomar posse dali, nem janelas haviam, e o as coisas ficaram expostas às intempéries, se tornando um tanto decaídas. Mas plenamente utilizáveis, ainda hoje. Faço bom uso delas.

Tem gente que acha bobagem ficar guardando tais artefatos. Eu não. Se tem umacoisa que acho legal é estudar as tecnologias passadas, ficar imaginando como era usar aquilo - a calculadora mesmo, eu NUNCA entendi como usar. Acho doido, por assim dizer. E se não fui o neto preferido de meu avô, ao menos tento manter seu legado. Bem sei que é dele que veio a tal da "veia artística" da família...e tento prestar homenagem a ele conservando seu itens, de que ele tanto gostava.

E dele muito puxei, pois tenho tentado fazer o mesmo para quem quer que seja, talvez até algum neto, quem saiba, se depare com um dos primeiros aparelhos celulares a transitar no Brasil, cuidadosamente guardado em minhas gavetas, que um dia já foram de meu avô. Tenho até um StarTac da Motorola. Uma filmadora velhaça e tantas outras coisas que procuro guardar quando vejo que são interessantes.

Porquê? Porquê é legal. Mesmo que seja somente pela memória. Pela preservação das coisas, sei lá. Eu sempre que olho para meu telefone antigão, tenho boas lembranças. Eu acho doido. Somente isso. Não tenho intenção de vender nada, só quero que as coisas ali fiquem para que eu sempre ache doido. E para que alguém mais também ache, pois, por mais que as pessoas digam que é lixo, que é velharia, caos velhos, blá - muitas olham e acham doido também. E talvez se lembrem que têm alguma destas memórias guardadas em suas casas, e sintam-se na obrigação de guardá-las também. Talvez se elmbrem de coisas que tão displicentemente jogaram fora em nome do progresso e das coisas novas, e se arrependam de tê-lo feito...

Enfim, eu e meus museus continuamos adiante, achando doido. E acho que se meu avô estiver vendo, ele também deve estar achando massa que o neto-problema se dedica a esta causa, para tantos inútil, mas para nós, os detentores de ditos museus, é algo muito bacana.

Bem, fica aqui algo para se pensar. E eis que o final de semana se aproxima, e a primeira sessão trash também. Mais novidades segunda-feira. Até lá....

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Basta!

Estou me sentindo muito bem estes dias.

Não sei se é apenas um reflexo de estar com as baterias recarregadas após a estada das férias, sempre necessárias para restabelecermo-nos de um ano de longas jornadas de trabalho, ainda mais em se tratando de um biólogo que desenha MAS que trabalha com contabilidade, esta coisa abjeta, a mais inexata de todas as ciências exatas.

Não sei; o que acontece é que de fato, tenho estado me sentindo bastante satisfeito. Fora o lance de ser início de ano, de estar eu um tanto quanto recuperado do desgaste do final do ano passado(vide arquivos de lamúrias anteriores), pouca coisa mudou.

Ao menos na superfície. Por dentro...

Bem, gostaria muito que as coisas continuassem assim por muito tempo. Não irei me iludir achando que a virada do ano me transformou magicamente em uma pessoa melhor, pois isto não aconteceu. Sim, algo mudou em mim, mas não foi devido a mágica.

É simplesmente uma sensação de estar farto. De estar cansado de ser o eterno chato da festa, o cara que tem que sempre estar reclamando....de coisas que em sua grande maioria não passam de erradas viagens na maionese, por assim dizer. Entraves imaginários, psicológicos. Como disse ontem para dois grandes amigos que comigo estiveram a debater sobre tais "aflições" que nos são comuns, "a gente SABE o que está errado, SABE o que deve fazer, mas inventa um bilhão de desculpas disfarçadas de argumentos ditos irrefutáveis para ficarmos na merda."

Nada mais certo. O ano de 2009 foi conturbado, mas creio que foi sintomático de uma série de misantropias de minha parte cultivadas desde 2006, ano em que vários "sonhos" ruíram com o final da tragicomédia que foi minha incursão àquela infame faculdade de "artes."

Mas é necessário deixar as coisas para trás. É necessário tocar o barco adiante. Enterrar o passado, por mais clichê que tal coisa possa aparentar ser. É necessário dar um basta. Fiquei alguns anos escondido do mundo real existindo apenas em um mundo virtual, para depois tentar voltar ao mundo real...um ano se passou em uma mistura do mundo virtual com o real, e este ano bastou-me para ver que a vida existia, mas somente fora da fantasia. E por mais problemática que este vida real pudesse ser, era ela que contava. Por ser REAL, não um faz-de-conta. Então, com um esforço que quase me causou pânico, abandonei de supetão tal mundo. E o baque foi forte: o ano de 2009 foi a culminância de tal resolução. Foi um ano difícil, mas necessário.

Agora estamos em 2010. Conforme disse no texto sobre o rei-velhão, alguém me disse que um esóterico de plantão afirmou que seria "o ano da colheita." Esoterismo por esoterismo, eu quero que assim seja. E que seja uma boa colheita: de resoluções tomadas ao longo de dois anos, que ainda estão em processo de consolidação. Que assim seja.

Em meados de minhas férias, ainda em 2009, assisti o filme "Into the wild", e me identifiquei em termos com o protagonista, ainda mais em seu momento mais desesperado, em que ele escreve a seguinte frase enquanto defrinhava até a morte: "a felicidade só é real...se compartilhada."

Nada mais certo. No ano passado, quantas vezes me flagrei em meu sótão, absolutamente sozinho, tocando guitarra e/ou baixo, desenhando ou fazendo qualquer coisa e me sentindo bem, mas...me sentindo "completamente incompleto" por estar fazendo algo que julgava ser bacana, mas sem ter ninguém ao meu redor. Ninguém para rir comigo, brigar comigo, conversar comigo, etc. A gente começa a enlouquecer, creio eu.

Eu quase cheguei no meu limiar de insanidade. E nestas horas, as merdas mentais brotam feito mato em época de chuva. E, no final do ano, quando me vi reunido com vários de meus melhores amigos, senti o quanto isto me fez falta durante o ano. Mesmo intem, dia em que almocei com dois amigos, e depois do serviço encontrei-me com outros dois, eu cheguei em casa sorrindo à toa. Fui dormir me sentindo absolutamente satisfeito. Cheio de problemas reais pendentes e etc, bem certo: tal coisa não faz sua vida e seus perrengues solucionarem-se magicamente, mas...te dá forças para continuar firme. Para viver.

Enfim, não teço aqui ilusões de que minha vida está resolvida por completo, porquê sei que isto não é verdade. Mas chegou a hora de mudar coisas simples em meus hábitos...por uma vida melhor. Por uma vida menos ordinária. Por uma vida menos solitária, em que as viagens erradas de que "sou o pior dos seres humanos existentes neste planeta" se dissipem. Ou que ao menos percam um pouco de sua força, tais idéias infelizes.

Que assim seja.

"All your sad and lost apostles hum my name and flare their nostrils
Choking on the bones you toss to them
Well I'm not one to sit and spin
'Cause living well's the best revenge
Baby, I am calling you on that!"

-----R.E.M. , Living Well Is The Best Revenge.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Chuvão!

Hoje, o dia começou cedo, lá pelas três da manhã, quando fui acordado por leves pingos de chuva em meu telhado. Aproveitando o despertador para ir visitar o banheiro, fui surpreendido pela intensidade que tal chuvinha tomou após uns dois minutos. Eu fiquei sinceramente apreensivo, pois morar em um sótão tem dessas coisas, ainda mais se não existe um forro propriamente dito, uma camada "protetora" entre o telhado e minha cabeça. Não existe isso ali, as telhas ficam todas expostas, e quando chove, o barulhão é impressionante.

Mais ainda com uma chuva destas: eu fiquei com medo que o vento arrancasse as telhas, fizesse um senhor estrago ali. Felizmente não aconteceu. A borrasca - creio que posso bem dizer que foi intensa o suficiente para levar tal alcunha - foi de curta duração. Mas parecia que o mundo iria acabar, e nestes dias que a mídia está fazendo a festa em cima do desastre ocorrido em Angra, a coisa ficou martelando na minha cabeça. Fiquei mesmo pensando no que aconteceria se a serra do Curral, que fica ali do lado de casa viesse abaixo devido à chuva.

Bem sei que isto não aconteceria facilmente, uma vez que aquilo é uma parede de pedra quase pura, mais minério de ferro que tudo, mas mesmo assim, este sensacionalismo da mídia tem este poder de vez em quando em nossas mentes. Na minha, ao menos. Respirei aliviado e voltei a dormir assim que a coisa se foi.

É uma coisa surpreendente, o poder devastador que a natureza tem perante nós, criaturas patéticas que somos enquanto espécie dominante deste glóbulo flutuante do vácuo eterno. Não somos nada diante de tais forças. E me surpreendo como às vezes nos comportamos com arrogância perante estas forças. Construímos casas onde não devemos, desafiamos as alturas com prédios de, sei lá, um quilômetro de altura, vivemos em regiões inóspitas, etc. É preciso mostrar a este planeta idiota quem manda, não é?

As construções de beiradas de morros que me refiro não são as das populações ribeirinhas que fazem suas favelas onde cai na telha. Bem sei que neste caso a necessidade fala mais alto que o ato de desafiar voluntariamente a sorte e a natureza. Falo de casas como a que estão construindo perto de onde moro. É uma verdadeira aberração, em minha opinião, tanto do ponto de vista estético(trata-se de um cogumelo de casa, só sendo melhor explicado quando se vê a parada) quanto do ponto de vista de risco. O lote que os caras estão construindo é no pé dum morro que não para de ruir na época de chuva, entra ano sai ano. Existe mesmo uma praça soterrada no local, devido a tal erosão. Não minto: quem quiser comprovar, entre na famosa Rua do Amendoim e siga uns duzentos metros. Veja a casa ao lado da Mesquita Islâmica de BH. Veja o lote ao lado e tente achar a praça. Está ali, debaixo de muita, mas muita terra.

E a casa está ali. Desafiando a sorte. O morro que fica atrás dela foi atapetado com grama, mas hoje mesmo já vi que a coisa não anda bem, pois as placas de grama não aderiram direito ao morro; desceram com força.

Cara, eu que não arriscaria morar ali. A pessoa que está construindo tal casa DEVE saber do histórico instável da região e lá está, teimando, desafiando a sorte e gastando horrores, pois tal casa, apesar de FEIA pra caralho, não deve estar custando barato.

E nessas horas, o que conta de verdade são as perdas materiais, mas sim o que a mídia tanto gosta de explorar. As pessoas que sobrevivem à tal teimosia, e choram diante das câmeras a perda de uma ou mais pessoas da família que ousaram desafiar a sorte de tal forma. Uma casa feia a menos, não é necessariamente uma perda. Se um cara teve ocacife monetário para fazer tal elefante branco, deve ser abastado monetariamente.

Mas ninguém substitui quem porventura tenha sido vítima de tal desafio, de tal teimosia.

Enfim, é o homem. Este ser que domina o planeta. Esta coisa estranha que a evolução produziu ao longo de milhões de anos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Insomnia.

Cá estou, novamente. Um tanto quanto exausto hoje, é verdade. A noite foi muito mal-dormida, e infelizmente ainda não posso afirmar que tenha sido devido à sessões intensas de atividades adultas que todo adulto que se preze goste, bem sabem vocês de que estou a falar. Não: minha insônia teve outras razões, um tanto mais nerds e menos "reprodutivas", por assim dizer. Nerd talvez não seja bem o termo, mas creio que talvez se aplique. Não, tampouco fiquei eu a me imergir em mundos virtuais nos jogos eletrônicos e quejandos.

A causa de minha noite insone teve outras raízes, um tanto mais musicais; felizmente não foi o caso de ter sido desperto pelo infame "Comando Fanque da Madrugada" ('funk carioca' para mim sempre será FANQUE, uma vez que tal coisa passa longe de um autêntico FUNK), que vive a assolar minha região nas madrugadas afora. O que aconteceu foi que minha irmã mais velha retornou de sua estada no paraíso muambeiro norte-americano, também conhecido por Miami. Trouxe-me minhas mais recentes encomendas do mundo consumista, a saber, parafernálias musicais diversas para meus instrumentos de cordas, meus baixos e guitarras(sim, tenho eu vários instrumentos de cordas, e teria mais se pudesse, ehehehe).

Lembro-me sempre de um de meus filmes prediletos quando me refiro a estes itens de consumo que tanto mexem comigo. Como dira Rob Gordon(do filme Alta Fidelidade), "fetish properties are not unlike porn." Bem dito, bem dito. Admito eu que sou um consumidor nato de aparatos musicais, e sempre que posso, gasto um dinheirinho com equipamentos novos. Sei que é um dinheiro bem aplicado, um investimento em minhas viagens sonoras. Desta vez eu adquiri dois pedais que há muito ansiava(anseiava? ô língua complicada esta), um Whammy da Digitech e um Loop Station RC-20XL da Boss. E ainda forcei um tiquinho mais a barra adquirindo um mini-amplificador Vox DA-5.

Como minha irmã e seu semi-marido(longa história) chegaram lá pelas 8 e meia da noite e ficaram conosco discutindo os mais diversos assuntos sobre a viagem, a vida e tudo mais(42) até as onze e meia da noite, não tive a chance de testar os equipamentos, uma vez que não sou mala o suficiente para fazer barulho na madrugada e incomodar todo mundo, tive que refrear minha ansiedade e deixar para fazê-lo mais tarde, talvez hoje, depois do serviço...

Resultado, estava tão pilhado de ansiedade para plugar tudo e fazer uma barulhada dos infernos, parece mesmo que tal ataque de ansiedade me afastou o sono. Fiquei rolando e rolando na cama, esperando em vão que alguma onda de sono me arrebatasse. É estranho isto: falam e falam que nestas horas não devemos ficar na cama, que deveríamos levantar e fazer outras coisas até o sono vir, mas quase nunca sigo tal conselho. "Não, tá vindo um soninho, eu tenho que ficar aqui. Se eu sair, aí que ficarei acordado mesmo." Nada mais errado.

Lá pelas três da matina eu levantei, fui ao banheiro, cismei e cometi um erro. Liguei o famoso fôdas e tomei uma dose de anti-emético, famoso por induzir a sonôlencia.

Duplo erro: não somente não adiantou nada, como fiz uma descoberta infeliz. Parece-me que recentemente meu corpo se mostra alérgico a tal coisa. Hoje estou repleto de urticárias pelo corpo. E como sou esta coisa quase transparente de tão branco, tá uma coisa buniiiiiiita de se ver. Ha, ha. Bom para eu aprender a não mais abusar de drogas para tentar resolver uma noite mal-dormida....

"Ô seu imbecil, vai auto-medicar a puta que o pariu! Agora vai ficar aí, coçando todo e com manchas vermelhas espalhas pela translucidade(isso existe?) de seu corpo." - mensagem de meu corpo para mim mesmo. Babaca.

E agora, estou aqui, todo coçando, com sono e ainda ansioso para chegar em casa e plugar meus "presentes de natal de mim para mim." Ah, enfim, por um lado é até bom eu descobrir tal coisa, para evitar futuras auto-medicações. Isto geralmente dá merda. Ainda mais que isto nem pode mesmo ser chamado de auto-medicação, uma vez que eu não usei a coisa porque estava tendo crises de vômito, mas sim para tentar ativar o sono....Exploração gratuita - e errada - dos efeitos colaterais....

Prossigamos dia adentro, manhã afora, a tomar goles generosos de café, droga esta um tanto mais salutar que qualquer dramin...Amanhã tecerei impressões sobre meus brinquedos novos, que lá em casa estão a me esperar.

Não se preocupem, crianças. Papai Brotoeja Buriol chegará em breve...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Reveião.

Chegar ao fim, sem passar pelos meios, não seria possível. E naquele dia, eu sabia que nada seria diferente do que já havia passado. Minto: algo de diferente aconteceria naquele dia, mesmo que o dia posterior pudesse ser a mesmíssima coisa do anterior, ainda que em anos diferentes, segundo a contagem dos dias, segundo a idéia de alguns homens já extintos, em alguma remota época, em outros reveillons. Enfim.

Juntar-me a amigos tombados no cumprimento do dever de sermos todos diferentes do resto do rebanho de dóceis frangos, sempre é legal, ainda mais conhecendo-se o local de encontro, em Santa Luzia, um tanto longe de nossa Belo Horizonte, mas não tão distante a ponto de termos de angariar fundos perante nossos empregos para chegarmos a tal local. E, surpresa, consegui uma carona menos incômoda para mim e minha irmã para chegarms a tal paragem. Valeu Max, pela ajuda. Encontremo-nos diante a uma padaria, aspiremos o pão aéreo que ali circunda, apesar do volume absurdo de chuvas que ainda tomba por sobre nós e vamos nessa.

Pegar a estrada assim, sempre põe-me a pensar em sair fora, abandonar tudo e pegar a estrada, mas bem sei que não sou nenhum beatnik, nenhum hippie, e bem sei que da civilização preciso, de minhas posses que me possuem também. Adiante, vamos ter com a lama das estradas de terra que circundam a chácara de Eduardo Bernardes, nosso sempre infalível anfitrião, com seu riso fácil e gestos absurdos. Bom sinal, ali iríamos ter todos nossos amigos de sempre, nossos companheiros que entra anno sai ano, estão sempre por ali, sempre sorrindo, sempre fazendo e falando merdas. Bons amigos, enfim.

Agreguemo-nos com as pessoas, cumprimentemos os demais a quem não temos ainda tanta intimidade, e sabore....er....saboreiemos? Ah, foda-se. Vamos comer e beber; existem muitos quitutes que a senhora de nosso anfitrião, a saber, Lola, fez para a ocasião: lombo com molhinhos cheios de sabor, e tantas outras coisas. E mesmo eu, que não costumo beber, tive que provar dos drinks preparados pela mesma, coisas que normalmente nunca bebo, eu bebi de montão. Nem tanto, nem tanto: felizmente, não passei mal, nem mesmo fiz nenhum vexame. Fiquei de boa sem ficar retardado. Rum, rum, rum e uma garrafa de rum. Faltou mais uma, na verdade. Enfim: ano que vem a gente leva duas.

Esperemos pois, a tal hora da virada, em um ambiente salutar e chuvoso, chuvoso. A previsão de tempo para tais dias seria de chuva a perder de vista, e eu já contava com isto, ignorando ao máximo a precipitação incessante. Lembrei-me de outro amigo ali ausente - mas que não se encaixaria no contexto por pertencer a outra tribo de amigos - quando um dos presentes trouxe à mesa um famigerado jogo de tabuleiro meio idiota, o qual recusei-me amigavelmente a participar. Esperemos. O quê, já são 11:55. Hu-há, aprontemos pois para a virada, para mais um dia, mais um ano, mais um momento.

"Seu grunge maldito", foi a primeira frase que escutei em 2010, vinda da parte de Max, e repliquei amigavemente xingando qualquer coisa de volta. Já é 2010! Também veio dele o primeiro abraço do ano, seguido dos demais. Massa demais galera, "vochêsh shão todosh meush amigosh, carash..."

Nesta hora, tive um certo lampejo, meio que besta, eis sua banalidade e obviedade: que coisa boa é não estar sozinho nestas horas. Que coisa boa é não estar sozinho nessa vida. E mesmo que ainda faltasse ali alguma coisa, como a presença de alguém em quem estive pensando durante meses no final de 2009, e mesmo a presença de outros companheiros que não foram, foi muito boa a virada. Fodam-se as chuvas, fodam-se as divergências: ainda que a virada não signifique mesmo alguma forma concreta de mudança, foi uma boa noite, um bom evento.

Acabei nem dormindo durante o réstimo de noite que ainda havia quando fomos aos nossos cantos de repouso, pois a anta aqui tava tão pilhado e tem o sono tão leve. Ter galos cantando e cachorros uivando ao redor não me ajudaram em nada. Dane-se também: eram apenas algumas horas.

E, surpresa das surpresas, a chuva incessante que tanto almadiçoei no final de 2009, foi-se embora a partir da virada. Como disse Max, "dá até aquela idéia que houve uma 'lavada' na virada, néam." Mesmo assim, ficamos ali boa parte da primeira sexta feira do ano, fazendo tudo que fizemos no dia anterior, no ano anterior. Merdas e risadas, muitas risadas. Bom, muito bom.

Que o ano seja assim: com muitas coisas boas acontecendo. Com pessoas legais ao nosso redor.

Que seja realmente o ano da colheita, conforme dito na ocasião. Colheita esta, de bons resultados e boas coisas. Que seja doido, enfim.

Para todos nós, não-frangos de minha vida. De nossas vidas.