sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Perspectiva.

Ah, as diversidades humorísiticas, as minhas ao menos, por vezes me surpreendem. Outro dia mesmo estava eu aqui num chororô inexplicado, e hoje....hoje tá tudo tão legal. E por quê? Bem, por motivos diversos, eu diria. Talvez mesmo por às vezes a gente parar pra pensar e analisar nossa vida. Eu maldigo tanto as coisas por vezes, mas como diz um amigo meu, "Perspectiva! Olhe as coisas por outro lado, cara!" E é verdade, não é mesmo? No último final desemana eu cheguei a pensar nisso, olhando a vista de meu sótão. É um dos lugares mais legais do mundo, com uma vista muito bacana, muito pitoresca, por assim dizer.

E eu me surpreendi. Pois, às vezes, a gente olha pras coisas mas não para pra pensar e analisar o tanto que temos coisas boas, muito boas, rolando ao nosso redor. Na nossa cara, por vezes. Fiquei alguns minutos ali entretido com a vista, e parei pra pensar nessas coisas. Acho que são estas coisas que dão raiva às pessoas que tão "de fora." Você vê o tanto que a pessoa tá reclamando de barriga cheia, e se enerva, facilmente, "que cara imbecil!"

De fato. Acho que um bom exercício a ser estipulado para nossas vidas é tal análise. Parar e pensar, ver por outro ângulo. Por mais que eu seja isso e aquilo, e não consiga fazer isso ou aquilo, e blah blah blah, eu moro num lugar do caralho, com meu próprio reduto, um dos locais mais excelentes que já tive o privilégio de estar em toda minha vida.

Ah, viver. É complicado aprender a viver certo, mas deve-se aprimorar a tal arte. E dela extrair o que pudermos para melhorarmos ainda mais o que pode ser melhorado, o que pode ser aprimorado. Eu sei que não preciso de muito para ficar de boa.

Mas, no momento, mais do que nunca, tenho que aprender a parar para pensar, e parar de ficar nesse nhemnhemnhem que não leva à nada e só azeda, paralisa, amarga a nossa vida.

Hu-hu. Consegui escrever um treco mais bem-humorado, com alguma perspectiva positiva.

É algum começo, eu diria. Que venha o final de semana, dele todos precisamos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

All apologies.

Sim, sim. Este post é um pedido de desculas a quem porventura ainda estiver se aventurando a tentar decifrar meus hieróglifos aqui escritos. Como diria um amigo meu, recentemente, este treco se transformou em um "diário emo" de Marcos, o Buriol. E sei, melhor que ninguém, o tanto que é chato ficar ouvindo apenas lamentações e chororô alheios, ainda mais por que por mais que seja duro, é verdade: "pimento no cu dos outros é refresco."(prefiro esta versão, a de João Ubaldo Ribeiro, do provérbio. É mais autêntica e mais tosca, ehehehe).

Mas enfim, eu reconheço que estou muito, mas muito reclamão. É má fase, ou melhor dizendo, é uma fase de transição que estou passando, tentando reformar minha vida, rever certos conceitos e quejandos. E geralmente, tais fases em nossas vidas dependem muito mais de nós mesmos do que dos outros para dar certo. E isto gera tensão, que acumula com outras tensões e faz-me um tanto mais rabugento do que de costume.

E, como já disse tantas e tantas vezes - eu sou uma espécie de Álvares de Azevedo ressucitado em uma época errada. Eu odeio este poeta, mas devo admitir que sou feito ele, romântico. Não(apenas) no significado imediato do termo, mas em outros aspectos do romantismo per se - a idealização da vida e dos objetivos, das coisas e pessoas, de tudo em geral. Idealizar é estar errado, por que sabemos que coisas ideais só existem em comerciais. Então, sou este cara que sabe bem que está errado e ainda assim insiste em continuar sendo assim, não por que necessariamente quer, mas por que já vim de fábrica com este defeito.

E sinceramente, por vezes, isto me deixa à beira de um ataque de nervos. Por que meu lado racional é muito pronunciado também, e nem é preciso dizer que tais coisas batem de frente a 300 km/h. Um desastre dentro de minha cabeça. Quase todos os dias.

Enfim, tentarei me corrigir doravante, mesmo por que sei que já tenho escassa audiência aqui, e se continuar sendo este chato insuportável que me tornei, vou é de fato ficar aqui feito louco falando sozinho. Mas posso afirmar que não foi minha intenção provocar ninguém, nem ofender ninguém, excluindo-se os frangos, evidentemente. Mas creio que frangos passam longe daqui.

Estive conversando com um de meus melhores amigos, a respeito do tanto que estes dias venho passando por tais "crises", ao que ele me afirmou que também já passou por perrengues semelhantes, mas que hoje em dia está quase curado de passar por tais crises, eis que de repente ele se tornou uma pedra. Explico. Ao que me parece, ele deixou de ter sentimentos. Raiva, culpa, tristeza, etc - foi tudo ou quase tudo expurgado de seu sistema, de um dia para outro. Era um detalhe que até então desconhecia em sua personalidade, mas que fez muito sentido. Explicou muita coisa, e me deixou um pouco até meio que atordoado.

Eu tenho a sensação que nasci com um excesso de sensibilidade a tudo, embora normalmente eu não manifeste muito tais coisas, ao menos fisicamente. Todas as sensações em mim são exageradas e até teatrais, eu diria. Foi uma das coisas que me inspirou criar o Sr. Bode, pois afinal de contas ele sou eu; mau-humorado, rabugento, com reações hilárias diantes de simples picuinhas. Sim, eu tenho auto-crítica o suficiente para saber que eu sou assim, exagerado diante de coisas ridículas. E sei que isto costuma ser engraçado, ao menos para alguém que esteja assistindo. Daí o personagem. Creio que pode vir a dar certo, eventualmente.

Mas, tornando a mim mesmo, eu sinceramente não sei se gostaria que tal coisa acontecesse comigo. Me tornar um autômato, um andróide. Mesmo por que acho, ACHO, que tal coisa não irá acontecer comigo, mesmo nunca. Sou passional demais para de repente me tornar uma estátua, um robô. E é exatamente isto que me incomoda, pois por mais que eu saiba que não irei me tornarei desprovido destes meus excessos de sensibilidade, eu preciso encontrar uma maneira de ao menos gerenciar um pouco tal coisa. Existia um professor que falava uma frase, que por mais clichê que seja, faz muito sentido, "Aprenda a dominar suas emoções ou elas te dominarão."

É verdade, por mais clichê que seja. Creio que tal frase tem origem em terras orientais, onde a filosofia reinante é muito mais voltada ao auto-controle, à paciência e disciplina que esta loucura ocidental que vivemos. Some-se tudo isto a um cara com a cabeça feita a minha e o que você tem?

Um Noiado No Sótão.

Enfim, verei se ao menos aqui eu tento ser menos imbecil e mais produtivo. Verei também se busco alternativas para tentar expurgar meu stress, minha rabugentice, meus hediondos e repelentes ataques de nervos. Sei que não será fácil, mas creio ser mais factível que simplesmente me tornar uma pedra.

Que fique bem claro também, não estou aqui criticando este meu companheiro; por mais estranho que possa parecer, tal resolução que com ele se processou faz muito sentido para mim, mas é simplesmente algo que sei que não irá acontecer comigo, mesmo por que somos todos pessoas diferentes neste praneta. O que acontece com alguém não necessariamente acontecerá com você. Não comigo, ao menos. Não creio nisso.

Enfim, tornemos ao nossos afazeres. Amanhã tem mais.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Reporte. Nada extraordinário.

Nada de muito novo a declarar. Desde ontem, desde a derradeira conversa de ontem, estou completamente à deriva. Supostamente, tenho isto somente para reclamar, assim como todos que já leram e daqui vazaram afirmam. Assim como eu mesmo o sei, bem sei. De nada me adianta saber estas coisas, entretanto. A única dúvida que tenho de fato que pesa hoje é: quanto tempo uma pessoa consegue se manter na sanidade, sendo esta coisa que eu sou?

Alguém me responde? Cri cri cri cri. Alguém sabe? Cri cri cri cri.

Não sei. Gostaria de aqui escrever coisas mais amenas, menos chatas, mais palatáveis de se ler. Mas as coisa vão mal, aparentemente, para este que a ninguém escreve. Estou impressionado com o estado de prostração completa que me encontro desde ontem. A derradeira conversa foi a gota d'água, mas mesmo antes disso eu já estava em estado de desgraça.

Loucos são pessoas que falam sozinhas, e aqui estou fazendo-o de maneira escrita. Loucos supostamente não conseguem lidar com a realidade, e cá estou eu sem conseguir fazê-lo, por 33 anos. Loucos são aqueles que só enxergam o lado negativo das coisas e para mim "positivo" é uma ficção científica. Louco, louco.

Loucos são aqueles em que vivem em um mundo à parte do real, e cada vez mais me sinto neste mundo. Não é idealizado, entretanto. Apenas solitário, bastante solitário. Loucos são aqueles que se odeiam, virtualmente até a medula dos ossos, por serem o que são. Muito inteligentes, estes loucos, que se isolam do mundo por não entendê-lo, não o compreenderem.

Até quando se manterão vivos, os loucos?

Cri cri cri cri.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cachorro.

Tem dias que, logo ao acordar, já sei que vai dar tudo errado. Tá certo, este é o pensamento reinante neste cabeção todo e qualquer dia do ano, da semana, do mês, etc, mas não é o caso contemplado hoje. Tem dias, que logo ao acordar, você sabe.

Sabe que o dia será uma merda. Completa, total.

Hoje acordei com essa sensação. Sem ter motivo algum além dos triviais, para se ter este humor do capeta, eu tive esta sensação. Possa ser que esteja errado, eu mesmo quero que esteja errado, pois não quero estar extremamente mau-humorado neste dia de hoje. Já me encontro cansado o suficiente, a ponto de me sentir como geléia na hora de levantar da cama. Tudo em câmera lenta, e pacinência zero para picuinhas tradicionais.

Chegando aqui neste antro de nada, a sensação se amenizou um tanto, mas mesmo assim parece-me que o dia será lento, extremamente lento, no passar das horas, dez horas que devo aqui estar preenchendo esta cadeira e aqui permanecendo, por horas. Horas. Horas. Dez delas. Sem fazer nada que realmente me apeteça ou me incite ou valha de alguma coisa. Números, números, estrondosos números, icomensuráveis números, números.

Fazem-me rir de meu número. Que esteve mirrando ainda mais para fomentar o outro lado, o lado da esperança de algum dia me ver livre de tais visões, números, números, números, malditos números, malditos sejam todos aqueles que por eles nutram alguma sentimento, além do seu mirrad número em comparação com estes números que tanto alentam, tanto passeiam por contas e trâmites e caem em outra conta, esta que nunca sabe de fato seu valor.

Pare, pare, cale-se,cale-se. E ainda me perguntam por que sou sozinho. Por que devo ser sozinho. Por dias, nem eu mesmo dou conta de tanta rabugentice, tanto mau humor, tanta idiotice, tanta burrice e imbecilidade reunida num só ser. O maior favor que faço a todas as mulheres é me manter distante delas, o maior favor que faço aos homens é morrer sem deixar descendentes, semente do demônio esta, que nunca germinará em terra alguma, nunca.

Dias de cão. Eles existem, e muito me apoquentam. Desde seu primórdio.

E dizem que deles não devemos escrever, não devemos fomentar. Ah. Pimento no cu dos outros é refresco, já dizia o Sargento Getúlio, meu herói. Quem além de mim mesmo vai se importar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dois.

Não sei bem o que dizer hoje, em plena segunda feira, 16/11. Não saberia dizer se houve algo de muito significativo por estes dias, em estes momentos. Nada de muito novo. O calor anda massacrando mesmo os eremitas de minha região bolhal. Antes ele que o frio, já me dizem meus receptores anti-friais, que com o frio muito se irritam e me embarcam em intermináveis sessões de incontáveis espirros. Deve ser a idade, talvez. Com o tempo, muito se passa, muito se passa. Passa bem, passa quatro. Nascem feijões na pia, na pia.

Feijão. Tive que fazer uma experiência com feijões na faculdade. Deu tudo errado. Feijão de saco não nasce, diz a lenda. Saco de feijão é o que é famoso, ho ho ho. Assim como na biologia tudo é complicado. Quem é o cavalinho paraguaio? É cada uma que escuto por aqui, neste local de loucos, de doidos. Ah, futebol, claro. O que mais poderia ser? A droga nossa de todos os dias do brasileiro padrão. Que se preza, que paga seus impostos, que está em dia.

Na casa, existiram dois grandes momentos, mas nenhum deles daqui partiu; vieram do interior, do âmago da coisa, sem nem mesmo o saber o que se fazia, o que se bramia, o que se poderia dizer, assim sendo.

Aqui, tudo funciona de maneira incorreta, graças ao TI inexistente, incompetente. Que se diz mas não se acha; ao menos isso? Não sei se assim é, mas não sei de muita coisa - tenho que me render à desconfiança de muita coisa.

Hoje nada flui muito, deve ser o calor, deve ser por que aqui estou, a me perguntar até onde funcionará estas coisas aqui, uma vez que o TI de nada presta por aqui. Devo-me desconectar inadvertidamente de toda esta surrealidade, sem nem mesmo me perguntar ao certo por que. Tanto faz, tanto fez; nada faz muito sentido hoje mesmo.

Veremos depois...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Boate.

Música estranha, música chata. Luzes estranhas, chatas.

O que estava eu fazendo ali? Seguindo o fluxo, evidentemente. Se você sai para um final de semana no interior com seus amigos, você supostamente tem que fazer tudo que eles também fazem, claro. Ao menos foi o que me pareceu quando para cá me arrastaram.

Para este estranho recinto onde pessoas consomem drogas legalizadas e ficam na tal da azaração, pegação, sei lá como se chama isto nestes dias de hoje. Não creio que exista outra razão para se acotovelar em um local como este, abafado e pouco espaçoso. Tampouco pode ser pela qualidade musical. Já é a décima ônzima música que soa como um liquidificador ligado ao pé de meu ouvido.

Com meus confrades vim, para este local hediondo, com o suposto intuito de pegart, de morder, de beijar, de agarrar - palavras deles - e aqui estou, contando minhas moedinhas para comprar alguma sorte de coisa alcóolica. Quando em Roma....

Ainda mais se Roma, neste caso, é um local completamente agressivo para este que narra; tudo ali me soava gritante, atordoante, agressivo. Nunca, desde meus dias mais infantes, consegui entender locais como este. Mas cá estou, com meu amigos, em busca do...

De algo que eu sabia que ali não encontraria. De antemão, eu já sabia. Mas ali estava. Com meu jeito sem-jeito. Com minha lábia inexistente e meu interesse zero em ali estar. Mas...um gole da coisa amarga, que desce queimando e muito custa, pra baixo, pra dentro. Olhar ao redor. Faces, milhares de faces, sem rostos, sem caras. Sem sentido.

Me sinto mais sozinho que se estivesse em plena pradaria da Sibéria, no glacial inverno...e tão confortável quanto.

Olhares se cruzam mas nada significam, olhares são desviados, mensagens são ignoradas. Mais um gole, mais uma careta. Será que tenho o suficiente para outro anestésico destes? Talvez. Mais um gole, mais uma careta. Olhar ao redor, não ver nada, não entender nada.

O que estava fazendo ali?

Qual era o sentido de tudo aquilo?

Ninguém entende, e não querendo ser o rabugento, o chato da festa, cá estou, em busca de nada, colhendo em erradas viagens os pensamentos que me atordoam a cabeça, que já começa a ficar alterada pelo efeito da droga - em todos os sentidos - que continuo sorvendo afoitamente de meu copo, em busca de algum sentido, em busca de algum conforto que não encontrarei na noite que apenas começa.

Um de meus companheiros passa por mim, rindo até as orelhas, por que "tá cheio de tchutchucas aqui esta noite", afirmação que para mim nada significa. Sei que ali não encontrarei nada semelhante àquelas que em minha mente existem. Só ali existem, pelo visto. Só com elas consigo eventualmente me comunicar.

Lá vêm elas, as viagens erradas. Me viro para buscar uma reposição de meu extinto drinque e me deparo com uma mentira, que sorri com dentes disparatados para mim. Não consigo esconder o susto, e saio de perto correndo, temendo alguma retaliação nervosa de tal monstro.

Ao mesmo tempo que sigo adiante, sigo com remorso de ter tido tal reação. Era uma pessoa, como outra qualquer, por que fui agir como idiota? Por que? Por que? Por que? Minha estonteada cabeça teima em me torturar com as coisas mais idiotas em estas horas. Moedinhas ao homem do bar, mais uma dose da droga. Mais um gole, outra careta.

Tudo gira ao meu redor, e mais nada faz sentido. Continuo me sentindo um alienígena do planeta Zonthar que caiu de pára quedas numa estranha reunião de humanos, neste estranho planeta, nesta estranha dimensão, que teima em girar ao meu redor. Bebo, bebo. Olhares não se cruzam, não significam nada, não dizem nada. Me sinto o pior dos seres vivos por estar ali, em tal festa, em tal aglomeração, sem ali estar de fato. Tentando escapar de tudo me afogando em uma droga de drinque que tem gosto de remédio, mas que não age como tal.

Ninguém ali se encontra, além de anônimos estranhos, seres abjetos, que desejam me execrar, me destruir. E giram ao meu redor, me provocando, me tentando, me alucinando. De detrás de meus óculos, vejo tudo embaçado, deformado, estranho. E assim me sinto, deformado, estranho, abjeto. Tentando me esconder das pessoas alegres ululantes, por ser eu o chato da festa, o estranho, o feio, o esquisito.

Tudo gira, e meu estômago se revolta. Perfeito. Fui tentar obter alguma resposta no fundo do copo, encontrei mais um motivo para me sentir um imbecil completo. Cambaleio por entre normais, entre gente bonita que faz e acontece, e tento encontrar um alento, um alívio, um banheiro. Uma privada. Dedos na goela, devidamente acompanhados das involuntárias contrações. Ah, aspectos fisiológicos que não me deixam esquecer. A esta altura, o alcóol já deveria estar sendo depurado, encaminhado para o fígado e....BLARGH. Lá se vão tantas moedinhas gastas em algo líquido que só me fez mal.

O que estava eu fazendo ali?

Vomitando, em um infecto banheiro de um hedionde recinto no interior de Minas. Tentando entender por que as coisas parecem ficar borradas em sua visão quando o volume de distribuição do alcóol atinge o patamar superior da meia-vida da....como é mesmo o nome daquele bicho, aquele que estava no laborá.....BLARGGGGGHHH.

Bile, só sai bile agora. Puta merda. E ainda preciso expurgar mais, expurgar minha alma. Expurgar minha existência, vil existência sendo o chato da festa. Ouço uma voz familiar me chamando por cima da porta do banheiro. Um de meus normais me avistou indo ter à reunião com o orelhão de louça, e partiu em meu encalço.

Muito consternado, me permito ser resgatado, transportado ao carro, passando a vergonha de ser o cara que não sabe beber, não sabe se divertir, e estraga tudo. meu anfitrião me leva até a casa, me larga ali e retorna ao covil dos normais que curtem tudo aquilo que para mim parece ser um círculo interno do inferno. Não sem antes rir de minha triste figura, evidentemente.

Cambaleio até a sala, tento beber alguma água para tentar me hidratar, uma vez que o efeito do álcool é desidratante, e a ressaca é causada por tal "ressecamento" cerebral. Mas a ânsia de devolvê-la para o exterior é mais forte que minha sede; corro para meu banheiro, vomito mais uma vez, nada sai, mas muito me contrai. Fico ali minutos, horas, nem sei, tentando entender algo. Tentando fazer algum sentido em ser eu esta coisa tão idiota, tão imbecil.

Depois de inumeráveis minutos ou momentos que não são exatamente mensuráveis, consigo me levantar e me dirigir para minha cama, onde me deito mas não encontro muito conforto. Ao meu redor, as paredes ainda giram. E minha cabeça não para de me destruir, de me recriminar. Idiota. Vai ficar um solteirão rabugento para sempre. Para sempre serás aquele que é o chato da festa, o que não pega nada e só chia, um rádio velho!! Ha ha ha.

Em momentos como este, me lembro e me conformo com o fato que aqui não pertenço, a este planeta de loucos, que uma pessoa deve se submeter a tal ritual do acasalamento se quiser obter algo. Se quiser não conversar sobre nada, se quiser ser bombardeado por sônicas ondas de inúteis sons emitidos por grandes caixas falantes. Se quiser se divertir, aparentemente.

Se quiser ser gente, segundo a concepção deles. Se quiser ser normal.

Não sou normal. É a última coisa que me lembro ter pensado naquela derradeira hora em que fianlmente, por algum golpe de misericórdia, meu cérebro resolveu se desativar, e tentar pôr um pouco de ordem em meus frangalhos internos, em meu estômago atormentado e meu ocupado fígado.

Não sou normal, e amanhã terei que escutar as jocosidades e recriminações de todos os normais, que se acotovelam em boates, se divertem em tais lugares; dali saem sempre com alguém a tiracolo, e se dão bem.

Não sou normal, de fato.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Moritude.

O que resta, depois da morte?

O que resta é quase nada, em especial quando a pessoa que morreu era alguém como ela, rico de espírito, pobre de dinheiros. Assisti a tudo calado, oferecendo com consternação e gravidade as condolências a todos os seus familiares. Anestesiado. Atordoado. Não sei. Não conseguia dizer quase nada além das inócuas sentenças típicas que constam em momentos como este.

Não me aproximei do esquife, entretanto. Desde que ouvi a notícia, desde que foi selada a sentença, minha última decisão consciente foi a de não ver a face sem vida, o corpo sem sentido, o ponto final. Ao menos isso eu devia a ela, não a ver depois que a vida ali deixasse de existir.

E o que mais existia agora?

Uma parte de mim caiu na gargalhada. Uma parte de mim sempre foi sarcástica e cruel. Mas ela estava longe de estar errada. Uma vida inteira, uma existência inteira, sabendo bem o que eu queria, o que eu deveria ter feito, o que deveria eu fazer.

Não fiz nada. Agora ali estava eu, trajando preto em uma terça feira à tarde. Anos, tantos anos depois de chegar a conclusão que eu sabia o que eu queria. Mas nada foi feito. Nada mudou.

Não soube, nem nunca saberei se ela também sabia. Se era algo além de simples desconfiança de minha parte, ou se era algo mais sério...será?

Nunca saberei. Não agora.

As pessoas continuavam a ir e vir, e eu continuava ali, em pé, absolutamente sozinho no meio de todas aquelas pessoas. Absolutamente sozinho, mesmo estando apenas a alguns passos dela. Mas não era mais ela que estava ali deitada em um ataúde. Era uma sombra do que havia sido.

Meus olhos subitamente me trairam e se voltaram para a direção dela, mas eu consegui afastá-los antes que vislumbrasse algo além das hécticas flores e do véu que cobria tudo.

Desde que eu soube, meus olhos se mantiveram secos, em um estranho estado de estupefação, creio eu. Tudo que havia em mim de esperança havia sido atirado ao chão, e seria enterrado juntamente com aquele corpo que ali estava deitado e inerte.

Se ela ali estivesse, ela estaria me enervando, "Seu fatalista, fatalista, pare com isso"

Fatalista? Longe de ser outra realidade, ainda mais agora. Quantas vezes na minha vida, em minha patética vida eu temi aquele momento, ainda mais ao longo de tantos arrastados anos que estive aqui neste mundo. Poucas foram as pessoas que obtiveram algum lugar tão especial em minha alma quanto aquela que ali estava sem estar. E agora...

Não sei. Não saberei.

Com ela quis estar, com ela queria eu trocar de lugar. E eu procederia, com sorrisos à mostra, com serenidade na mente. Mas não era possível barganhar tal coisa.

Me voltei para vislumbrar uma de suas irmãs, aos prantos perto do caixão. Nunca as conheci muito bem, as irmãs. Não sei se quem se aproximou ternamente dela e a afastou da visão da morte era seu marido, ou apenas alguém. Não sei.

Muitos minutos se passaram depois desta cena, a última que me lembro antes de ver algo se aproximando, algo rangendo. As rodinhas daquela coisa em que põem caixões por cima para transportá-los ao túmulo. Pude ouvir alguns choros se intensificando quando a coisa chegou. Vi homens desconhecidos tampando a última morada dela e a pondo por cima de tal carrinho.

Dentro de mim crescia algo, mas era além da dor. Era um grito. Eu podia sentir ele ecoando por dentro de todo o meu vazio. De toda minha obsolescência, minha covardia. Algo que não podia ser ignorado.

Neste momento, eu comecei a sentir as águas crescendo. Impróprio momento, evidentemente. Tentei me afastar mas minhas pernas não obedeceram, e eu fiquei ali plantado. Todo meu corpo se paralisou. O fúnebre cortejo começou a seguir as rangentes rodas, mas eu não fui. Não pude. Não conseguia me mover. Eu sentia as tórridas águas caindo em minhas roupas, mas eu não conseguia fazer mais nada além disso.

Eu estava sozinho, eu estava completamente sozinho.

Toda a minha inutilidade caiu sobre mim como chumbo, e eu dei alguns passos para trás. Senti uma parede, e me deixei escorrer para o chão, enterrando minha cara nos joelhos. O ranger era cada vez mais distante, mas eu não conseguia fazer nada além de ali ficar, inútil, inútil.

Mais nada havia ali. Nada.

Não mais ouvia o rangido, mas eu conseguia ovir o grito dentro de mim.

O que mais poderia eu fazer agora?