sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Quiçá.

Medo do incerto. Medo de acontecer.

Talvez, medo de dar certo.


Não sei. Não sei o que pensar, não sei como pensar, não tenho certeza de nada mas desconfio de muita coisa, como diria algum personagem de Guimarães, o Rosa.

Desconfio que, se der certo o que talvez venha, eu me tornarei mais feliz, menos descrente com a vida e talvez até uns 5% mais sociável.


Se não....se der com os burros n'água....

Eu não sei. Eu tenho medo destas coisas, destas ditas coisas que parecem ser boas ou conter promessas de benevolência para minha existência...Geralmente, quando surgem oportunidades assim, acontecimentos assim....eu costumo construir castelos no ar, imensas construções neo-góticas, neo-parnasianas, neo-blah, e a coisa rende e rende....até....

Que algo aconteça. Algo que destrua em milésimos de milionésimos de frações de segundo tudo que minha mente construiu, toda a beleza imponente reinante em meus sonhos, ainda mais em se tratanto de sonhos realmente "dourados", idealizados, sonhados por toda uma vida, por toda uma existência. 32 ou 33 anos, longos anos.

E agora....a coisa aparece. A oferta aparece. Tenta-me. E eu, afoito como sou, a quero, muito, muito. Mas....e a vida. A vida me ensinou a temer estas coisas justamente por eu sempre ser capaz de voltar a cabeça e contemplar, do alto de meu morro de desilusões, as ruínas de todos os outros castelos que desabaram atrás deste novo que está sendo construído.

Temo sim. Temo tudo. Pessoas, datas, assuntos, compromissos.....mas temo em especial as pessoas. E a mim mesmo. As pessoas, porque para acontecer algo errado, basta uma simples ação, um simples retirar de um dos blocos de ar de meu castelo para que tudo por terra tombe. A vida me ensinou isto....um de meus progenitores me ensinou isto em lições homéricas. Algo nada bonito de se ver, de se vivenciar.

E a mim mesmo....

Temo a mim mesmo porque sei que costumo reagir mal a estas coisas. Temo a mim mesmo porque simplesmente tornei-me tão cético com estas coisas que costumo, antes mesmo da coisa se concretizar em algo menos ilusório que transparentes castelos.....eu costumo de, uma forma ou de outra, sabotar-me das mais diversas formas.

Não, não desta vez, por favor. Não, não mais. Por algum sentido neste labirinto que minha simples existência se tornou....desde 2004 não vejo nada assim, nada tão....ideal, tão legal.

Não, não desta vez. Por um sentido em minha vida, não peço mais nada. Não quero tanto dinheiro, não quero tanto luxo, não....desejo apenas um sentido, uma razão para continuar vivo, para continuar em esta Grande Granja, em meio a tantos frangos, a tanto ocaso.

Que eu não seja uma reedição dele. Que eu não tenha que ser fadado a ter que me sujeitar a vivenciar em mim o que aconteceu, acontece e acontecerá com ele. Não, não.

Por um sentido em minha vida. Por uma razão para se haver ainda alguma esperança em minha simples existência. Para que eu pare de me amaldiçoar, de me sentir um lixo, um inútil que não consegue fazer nada de sua vida.

Algo que me afaste da tentação do ocaso da grana fácil porém prostituída, inútil, imbecilizada. Para que eu tenha que ralar e ralar, mas com um motivo real de fazê-lo.

Por uma razão de existir, por um sentido. Por um motivo para que eu deixe de me isolar em celas solitárias por mim mesmo erigidas, desconfiando de tudo e todos, amaldiçoando todos que porventura tenham feito comigo o que também fizeram com ele.

Não me abandonem, não me destruam. Não sei se toleraria mais uma destas desavenças.

Pelo trabalho que sei fazer, que gosto de fazer. Pelo meu diferencial em relação à frangalidade pasteurizada ao meu redor. Por uma vida menos ordinária, menos intolerável.

Pela manutenção de minha sanidade.

Para que eu possa ser algo além do chato da festa....do cara que se sente mais inútil que um protetor de bolso. Do cara que só reclama e que nada faz.

Não dê errado.

Não.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Errante.

Errante. A palvra surge em minha cabeça, sem nem ao menos que eu mande. Errante. Que diabos, pensei eu. Fiquei ali na cama, desperto subitamente por toda a dimensão do mundo, toda a complexidade de suas construções, de suas relações, de suas convoluções.

Errante. Levantei-me, chequei o mecanismo contador do tempo: duas e trinta e seis, não exatamente a hora de ver o nascer do sol, o começo de um novo dia. Errante, errante. A coisa continuava a ecoar em minha cabeça, sem nem ao menos me dar chance para pensar, para tentar pensar, para tentar arquitetar alguma saída, algum escape. Errante.

Pela janela, muito pouco se via, se é que ver seu próprio reflexo na vidraça é ver alguma coisa além de uma visão distorcida de si mesmo. Fundos olhos, fundas vistas. Errante. Mas que diabos, pensei eu, pensando que penando, talvez rezando, talvez lamentando-me, do modo que a coisa se desenvolveu. O que havia feito eu, para ali estar, ali chegar. Estou muito distante de mim, deste próximo de mim. Errante.

Sentado na cama, o sono havia partido. Partido de mim, dali que ali estava, a não ali estar, sem nem ao menos pestanejar - ali eu não estava, ali ninguém estava. Errante. Marcante tal palavra, errante. Diga sete vezes seguidas, dez vezes nove, dez vezes nada, noves fora, doze dentro. Por horas, estive ali, sem nem ao menos ali estar. Errante.

Adiante, mundo afora a pensar, sem nem ao menos sair daquele recinto, daquele lugar. Aliterações e enumerações, números e datas, vozes e locais. Faces e mais faces. Tudo foge de seu lugar, tudo muda de lugar. Errante. Taxas e mais taxas, impostos que nos são impostos, sem nem ao menos nos perguntar, pra lá e pra cá, errante.

Do segundo que partiu do maquinismo, nada surgiu além da nítida sensação de que havia partido de mim outro momento, outros quinhentos momentos, outras novidades, vidas sem alento, vidas sem tormento. Ficções do interlúdio, como diria o genial ser, além-mar, além-túmulo. Errante.

Noite afora, horas a fio, momentos e mais momentos. De quê, de nada. Obrigado, por tudo. De nada e nada. Errante, errante. Acordado, sem nem saber por quê; desperto de todo o ocaso da inexistência de morrer sem de fato o fazer, desperto estava eu, a contar os insones segundos de uma noite velada pelo inexplicável. Errante.

Despertai em mim todo e qualquer poeta medíocre em mim adormecido, em esta noite desprovida de sentido, desprovida de sono, desprovida de tempo. Segundos, que em horas afoitas são milésimos, haviam se convertido em decênios, em quinquênios, algo que o valha. Errante. Errante. A palavra, a palavra dali não saía, não se movia, não se mexia.

Enfim, em dado momento alguns momentos depois, alguns segundos ou milênios se passaram, horas e horas errantes a se entrecruzarem por todo o acontecimento. Dormi, novamente dormi, sem nem ao menos conseguir distinguir o sonho da realidade, a essência da substância, a dor do calor, a mor de ser, sem o ser. Inexistência de existir, morrer sem morrer, dormir e dormir.

Errante.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cabeça!

A cabeça. É dura. É turrona.

Não sei se todas as gentes têm momentos idílicos de luta contra si mesmos feito as que eu tenho, dia a dia. Não sei nem se as gentes têm mesmo consciência de suas limitações, se enxergam seu defeitos e limitações...

Em se tratando de gente, com 90% de probabilidade de estarmos tratando de galináceos, acho que a resposta seria não. Enfim.

Por estes dias, andei cogitando seriamente o retorno a certos profissionais da área médica, mais especificamente os da área pêssiquiátrica. Conforme dito em momentos anteriores, eu acredito que se eu preciso de algum remédio, são os famigerados fudedores da mente, assim carinhosamente denominados por 90% das pessoas que não precisam deles se valer.

Curioso é que a vida tem certas coincidências que nos deixa pensando. Andei fuçando uns outros blogs dos escassos comentaristas que aqui surgem vez ou outra, e me deparei com este blog, de autoria do irmão de um grande cara que eu conheço, e que também é como o irmão em termos de grandeza de mente, de desenho, de inteligência. Em minha opinião, ao menos. E ali eu vi ilustrada esta nóia da população frangal que acha que remédio controlado ou é "frescura", ou é algo do demônio, ou qualquer imbecilidade que o valha.

Eu, por anos, fiz tratamentos pessiquiátricos. Creio, infelizmente, que me tratei com o profissional errado na maioria do tempo, pois os remédios não fizeram valer muito. Outra triste realidade destes tratamentos é que é tipo uma loteria: você pode acertar o tratamento logo de cara ou ficar se ajustando a diversos tipos de fármacos até acertar. Não irei brincar - os ditos tarjas pretas são cabulosos e podem trazer efeitos colaterais indesejados - no meu caso, eu só ia ter ao banheiro uma vez por semana. O restante eu ficava entalado.

Parei de ter com estes profissionais por vários motivos, a maior parte deles envolvendo grana e tempo. Mas por vezes eu realmente acho que preciso de alguma intervenção de maior porte. Estou tentando me tornar mais sociável, fazer valer minhas ditas "habilidades" naturais para as "inutilidades" da vida como desenho e música, mas é uma batalha diária. E por vezes sinto-me um soldado raso enfrentando um batalhão de mercenários altamente qualificados. É difícil vencer este tipo de inimigo.

Ontem mesmo, eu fui dormir muito contrariado pelos simples fato que uma tira que havia esboçado no lápis, não funcionou quando fui passar a limpo.

Algo absolutamente trivial no dia a dia de um cara que desenha. Acontece. Todos erram. Mas parece que há dentro de mim este ser que não admite erros, e fica gritando comigo toda vez que eles acontecem. Eu acho que ultimamente ando conseguindo mandar ele calar a boca, mas nem sempre resulta.

Para tal ser, devo ser pefeito. E por acaso alguma pessoa dita "perfeita" precisa de ajuda? Não. Então, buscar ajuda seria não ser perfeito. Inadmissível!

E incoerente também.

Por vezes, penso que temos que abaixar a cabeça, mandar a soberba pro espaço e procurar alguma forma de ajuda. Ando obtendo alguns votos de confiança de alguns amigos, mas mesmo eles já devem estar exaustos de minha eterna batalha inglória e patética. E sei que andei mesmo destratando, se assim posso dizer, alguns deles em estes meus momentos de fúria contra tudo e todos. Isto não é legal, de forma alguma.

Enfim, verei o que faço. Mérdicos da UNIMED que já procurei foram excelentes "receitadores de remédios aleatórios", mui aprazíveis para quem só deseja receber tais tarjas pretas para misturar com álcool e ficar por aí frangando, mas não é meu caso.

Enquanto isso, vou tentando segurar meu cavalo xucro de minha péssima personalidade(quando contrariada pela vida) por aí. E tentando fazer valer o meu tempo.

E já estão me enchendo o saco com notas de transferência de brinquedos tomatais de um certo frango para uma certa empresa, para que todos os frangos cacarejem em uníssono: "Tá fechado chefe! Dê-nos a ração agora!"

É a vida.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Canja de galinha.

A gente vive e vive, e vai aprendendo certas coisas. Ou pelo menos assim deveria ser, na concepção clássica de viver. Crescer e aprender, blah blah blah. Eu, cada vez mais que vivo, desaprendo certas coisas. A paciência com pessoas, por exemplo. Faz uns tempos para cá, ando tendo cada vez menos paciência pra gente, pra frango. E bem sei que sou um deles por vezes - afinal de contas, basta ser humano para também ser frango. Uns menos, uns mais, uns completamente, outros quase nada.

Semana passada, um amigo meu me mostrou um outro blog que criticava o modo de ser da classe média brasileira. Sim, admito que nossa classe média é escrota, de fato. Então pus-me a ler tal publicação virtual. O autor escreve muito bem, suas observações são pertinentes e bem-humoradas, mas mesmo assim, depois de ler um pouco, eu parei pra pensar e parei de ler a coisa.

Não concordava com a premissa básica lançada no blog. Aparentemente(certamente), o autor é fortemente esquerdista. E isso me desagrada. Sim, podem me chamar de preconceituoso, integrante odioso da tal classe ali criticada. Blah blah blah. Sim e sim, admito. Sou da tal classe média. Sou preconceituoso sim; não em relação a esquerdistas per se, mas com QUALQUER entusiasta de QUALQUER facção política. Não sou nada, politicamente falando, e odeio toda e qualquer discussão sobre isto. Tomei ojeriza de toda esta merda, de toda estas discussões inúteis na biologia, onde qualquer coisa era motivo de discussão política. Na outra famigerada faculdade que comecei a fazer era a mesma coisa: em tudo vinha a tal discussão política. E nunca, mas nunca acabava - o que acabava era minha paciência.

O que acontece é que de fato, ninguém tem razão. Todo mundo é culpado. E um lado vai sempre culpar o outro e vice versa. O post sobre trânsito do blog ilustra bem isso. A culpa do trânsito ser uma merda é de TODOS. Classe média, classe x, classe v, brancos, amarelos, azuis, negros, alvinegros, etc. Inclua tambem os pedestres, os agentes de trânsito, a polícia, até as máquinas projetadas pelos frangos do trânsito entram na equação. Não é somente culpa da classe média. É culpa das gentes, dos FRANGOS. De todos. Quem nunca fez merda no trânsito?

Quem nunca fez merda na vida? Não importa sua classe, sua grana, sua etnia, sua família, etc. A culpa é daqueles que não pensam, não se importam. Não são características exclusivas de uma classe social. Não mesmo. Não adianta argumentar porque não vão me convencer.

Enfim, são apenas lucubrações de um eterno rabugento, que também vive na Grande Granja. E como de costume, eu olho para cima - onde supostamente os idiotas religiosos impingem-nos a noção da morada de Sarcastius Celestius - e digo, "Você tá aí rindo de nós todos né."

E assim a vida prossegue. Todos errados, todos frangados.

Jeder Für Sich und Gott Gegen Alle.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Primeiro dia do resto.

Encerrados os dias úteis, voltemos à semana inútil. Entretanto, por mais que seja segunda, por mais que esteja uma cara de dia chuvoso, por mais que isso e aquilo, eu estou me sentindo muito bem hoje. Certo, isto sempre soa como famosas últimas palavras ,ainda mais vindas de um pessimista crônico como eu, em especial um que acredita no efeito tragicômico da vida.

Explico. Acho que a vida por vezes tem aquela lógica de quadrinho: em um dado momento, onde o bicho tá pegando, aconteceu merda atrás de merda mas parece que a tempestade acabou, você pára e pensa: "acho que o pior já passou."

Aí, já viu o que acontece né. Cai um piano em cima de você ou coisa parecida. A vida tem muito dessas coisas. Pelo menos comigo. Mas, enfim. Não vou muito discutir minha falida visão de vida hoje. Mas, estou me sentindo bem hoje, por um simples motivo. Na verdade, há mais que um motivo. O final de semana foi muito bom. Ontem, em especial, foi um dia quase perfeito. Não sei bem explicar, apenas foi legal.

Porquê, insistirão as mentes ávidas por algum sinal de algo que possa alegrar este ser turrão e duro que é este que vos escreve. E dias bons são como o Leandro Damasceno escreveu, artigos raros que deveriam ser emoldurados, guardados num cofre, sei lá.

Bem, houve música. Houve algo como a criação de um música e a abertura de um caminho para a posterior construção de mais músicas. Houveram rabiscos, houve o cumprimento de um prazo que achei que não fosse conseguir desenrolar.

Agora, houve algo que se sobressaiu. Uma idéia que tive na sexta, na ocasião da festa de Marcela, onde compareci de bom grado, encontrei-me com várias pessoas que não via há tempos, conversei muito com alguns deles mas não devidamente com todos, devido ao grande número de amigos mútuos entre minha irmã e eu. Enfim. A idéia apareceu na sexta, e ontem dispus-me a tentar executá-la.

Algo que pensei que fosse demorar dias para aparecer devidamente no papel, apareceu ontem mesmo diante de mim, no papel em branco que pus diante de mim.

Piada interna, por piada interna, acho que valeu o esforço, paesar de que, para variar, o autor não tenha ficado sastifeito com todos os detalhes:


Longa vida aos piratas de bar! E que venham mais dias como os vivenciados neste finds.

Argh. Que horas?? Fui.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Marcela's day.

Ah, nada como uma sexta-feira e suas consequências alegres. E hoje já estou em ritmo de fim de semana, uma vez que aqui derreto na frente desta tela, deste monitor, deste....nhé. Saí ontem para um tradicional buteco belorizontino, e hoje pago as consequências. Mas dane-se também, a noite fora me fez bem, as conversas me fizeram rir, e as coisas vão bem.

Hoje também é um dia especial, dia em homenagem a minha irmã mais nova, aquela que todos que a conhecem dela não mais se esquecem, por assim dizer. Pra falar a verdade, nem sei quantas primaveras ela está completando, mas sei que ela é mais nova que eu, por assim dizer. A premissa inicial é válida em minha mente, mas todas as outras informações se misturam. Café.

Ah. Café. Enfim, Marcela Burian é minha irmã preferida, e de minha família, ela é das pessoas que mais equilibram as duas vertentes reinantes no clã: os branquelos x os morenos. Pois, ali somos bem divididos. Há uma metade bem européia mesmo, pois minha mãe tem sangue 100% de fora, apesar daqui ter nascido. Ela tem aquela aparência clássica de uma tcheca padrão, e passou para 50% dos filhos essas características. Eu e Marcela somos branquelos como minha mãe, e Mateu e Milena puxaram meu pai, que é a figura de um brasileiro padrão.

Os ditos branquelos são ridicularizados pelos "brasileiros", pois temos a inerente condição de sermos voltados para o lado mais lírico da vida, mais voltado para coisas "inúteis", como a música e...tá certo, artes(eu anda odeio esta palavra). Meus irmãos mais velhos e meu pai sempre fazem piadinhas jocosas a este respeito - de como somos lerdos, gostamos de coisas de "retardados" e etissetera. Creio que estas coisas costumam acontecer em famílias, mas isto não vem ao caso.

Marcela, entretanto, é um meio termo, em minha opinião. Ela possui os atributos que os "brasileiros" da família caçoam, mas ela também tem aspectos do lado deles que se pronunciam bastante nela, como a determinação, a praticidade em termos profissionais, entre outros que meu cérebro dormente não se lembra direito no momento. Mais café.

Caféééééééééééé. Ah. Mas então. Marcela possui também, uma personalidade que é....não sei descrever. Acho que é realmente este adjetivo que procuro: indescritível. Ela faz qualquer um se divertir com seu modo de ser. Não que ela seja destas pessoas que fazem palhaçadas o tempo todo; longe disso, ela tem apenas um modo de ser que desafia os padrões. É um modo de ser muito legal, e digo isso não apenas de meu lado de irmão que a tem como preferida na família. Se você a conhece saberá do que estou falando. E se não conhece, aposto que assim que conhecer, me dará razão. Acho que não conheço uma pessoa que dela não goste. E...café.

Café? Café! Bem. Eu sinceramente gostaria de conseguir redigir um texto que melhor prestasse para homenagear a aniversariante, mas sinceramente, estou aqui a morrer internamente. E hoje, quando irei tornar a sair para comparecer à festa dela, sei que passarei aperto de sono. Se ao menos eu tivesse acesso ao energético que ontem na mesa de bar nos anunciaram, que vem em garrafas de 2 litros, eu estaria de boa. Duas garrafas, por favor. Bastante gelo. Sem nada horrendo como víski para estragar tudo, por favor. Café!

Caféééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééé! Ah, eu ainda tenho que terminar a droga da DCTF. Enfim, hoje o dia pertence à irmã mais legal que já existiu e existirá.

Uma salva de palmas para o café....digo, Marcela!

Cafééééééééééééééé
Cafééééééééééééééé
Cafééééééééééééééé
Cafééééééééééééééé

ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzZzzZzzZzZZzzzzzZZZZZ

Parabéns pra Marcela! Muito café para comemorar. Muitos anos de vida, menos infortúnios, muitas coisas de oncinha e/ou com temas de vacas(que ela tanto adora), e muitas bugigangas de cor roxa para complementar.

Parabéns sua mula! Minha mula preferida!

Cafééééééééééééééé!

E parabéns. E enfim, tornemos ao trampo inútil nosso de cada dia.

PS-Cafééééééééééééééé

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

DCTF.

Curioso é este mundo, curiosa é esta ironia, esta vida. O que nos leva a pensar, a fazer, a agir? em busca de nós mesmo, de nossa realidade, de uma realidade nossa, à parte dos galináceos reinantes ao redor, à parte da Grande Granja, mesmo sem dela podermos sair, eis que dela fazemos parte, sendo ou não frangos.

De minha parte, sei que são muitos anos ainda no encalço de tal coisa, tal ambição, tal diferencial. Nunca almejei ser uma galinha como tantas outras, mas esta vida, curiosa vida, curioso jogo de forças além de nosso poder, nos força a portar-nos como os demais, como a maioria, a força reinante neste local, neste monumental viveiro.

Eu vejo, eu tacho, eu vejo, eu racho, eu vejo, eu acho.

Eu, que não sou frango, ajo como um diante de certas coisas, diante de certas necessidades, diante de certas exigências que parecem-me ser impostas em um cruel jogo de ironias celestes. Eu, que tanto acho, acabo me perdendo, me errando, me desfazendo em atitudes vis e mesquinhas, em reclusões, fugas. De mim mesmo. De todos os frangos. Até mesmo dos não-frangos que habitam minhas amizades.

Porque, eu me pergunto. Por quê, me perguntam. Não sei dizer. Não sei quando isto começou. Sei que deveria terminar, de uma forma ou de outra. O que aconteceu, ainda me perguntarão. Quem aconteceu, alguns irão dizer. Quem, o quê. Quando, onde, por quê.

Eu aconteci. Aconteci desde dez mais sete. Nove meses. Um mil, novecentos e setenta e sete anos. Aconteci de existir, sem me conformar com isto, desde o início, desde o princípio. Eu poderia ser o pai do emo, caso isto fosse em voga naquela remota época. Talvez seja a penas o retumbo de eras passadas, uma reencarnação de algum estilo de época passado. Quem sabe? Não sou eu que sei.

Penso e penso, penso e vivo, penso e respiro, cogito e cogito. Será hora de tornar aos fármacos mestres em artes marciais? Será o momento de encarar o caminho de Cão-postela, abandonar tudo e todos, andar por aí, feder por aí, morrer por aí? Alhures, alhures.

Pergunto-me, mas a DCTF aguarda-me, as DARFs aqui abundam, o dinheiro por aqui flui, de dentro das veias de todos estes frangos diretamente para as contas dos Frangos Maiores, estes, de sangue azul, de rico sangue azul. Monetários ali abundam, e a diversão raleia, a vida raleia, os cofres ficam cheios de números e o telencéfalo Deles cada vez mais, se esvazia, de prazer, de viver, de sentir, de fazer.

Eu prossigo. Eu prosseguirei. Cabisbaixo, como todo não-frango parvo e impotente, perplexo diante de forças além de sua compreensão, de seu poder. Assalariado, tributável, sem muitos números mas com muitos pontos. Sem muitas coisas mas com grandes idéias. Grandes, grandes idéias, do tamanho do nada existente na cabeça feita por outras coisas, outros anestésicos, outras alcóolicas infusões.

DCTF. DARFs. PIS. COFINS. Horas mais tarde, linhas, linhas linhas, preto, cinza e branco.

DARFs, DARFs, folha de pagamento. Checar salários. Salário. Número público algum me privaria de todo este vazio. Consumo nenhum me privaria de tal ocaso.

O quê preencherá tal vazio. Quem preencherá tal vazio? Quem? Hein, quem, nem. Nem.

DARFs, DARFs. DCTF aqui vou eu.