quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Economy FAIL.


Eu não sei bem direito o que pensar sobre alguns aspectos da vida, do mundo, do país. Não entendo nada de teorias sobre economia, sobre contabilidade(apesar de estar cercado dela aqui onde trabalho), sobre estascoisas que parecem reger aspectos dinheirísticos mundo afora. Acredito que esteja tudo interligado em alguma suposta ordem cujas leis desconheço em absoluto, mas mesmo assim, fico com muita raiva de ter que me sujeitar a viver num lugar como esta merda de país, onde você não consegue achar quase nenhuma tecnologia não-pirata(AKA camelôs, xópis Oi e quejandos) com um preço mais aceitável para nosso escasso poder aquisitivo.

Cito como exemplo um sonho de consumo de vários desenhistas modernos, que desejam aliar tecnologia à seu trabalho; falo das modernas tablets gráficas, canetas especias para se desenhar direto no computador. A marca Wacom, líder absoluta neste tipo de equipamento, lançou no final do ano passado ou no ínicio deste - não me lembro bem - um novo modelo de tablet, um imenso upgrade das antigas Intuos, o modelo Intuos 4. Esta tablet é aparentemente magnífica, com sensores que detectam até a inclinação da caneta. Evidentemente, quando pensamos em equipamentos deste naipe, logo acreditamos que deve custar os olhos da cara. Mas acho que não é bem assim, pois o modelo menor custa 229 dólares. Não acho ser um preço absurdo para um equipamento que 95% das pessoas que o utilizaram afirmarem ser excelente em todos os aspectos.

Eu possuo um modelo inferior de tablet Wacom, a Bamboo, que custa 99 dólares lá fora. Se formos converter este valor para a moeda nacional, ficaria em 185 reais, aproximadamente. Mas...quanto você acha que isto custa aqui nas terras tupiniquins?? 450 reais. O modelo Intuos 4 média, que estive namorando no site da Wacom, custa 350 dólares lá fora. Aqui? Chute.


O QUÊ justifica uma coisa que custa 350 dólares, convertidos em reais - 650 reais, aproximadamente - custar quase TRÊS vezes o valor original?? Impostos? Taxas? Boquetes? Putas, políticos e palhaços?? Palhaços somos nós que moramos nesta josta de paíseco de merda. Eu SEI que não entendo nada de economia, mas mesmo assim, que PORRA é essa? Eu cheguei a ver, meses atrás este mesmo modelo cotado em 2400 reais em nosso país.

Novamente, que PORRA é essa?

Eu realmente não entendo as coisas, e recentemente, resolvi desistir de tentar entender ou ter alguma espécie de opinião sobre estas coisas abjetas, especialmente política. Sei que não entendo de nada e estou preferindo nem entender ultimamente. Por mais que digam que isto e aquilo, que as coisas estão melhorando, que o povo está vivendo melhor etcoetera et al., não sei, não quero saber. Não entendo e não quero entender, foda-se. Eu sou pessimista o suficiente para NÃO acreditar em políticos, no aspecto humano, honesto de ser. Não importa a legenda, o partido, o caralho. Eu acho que nenhum é honesto. Nenhum.

Se fosse, justificava-se pagar esta diferença absurda de preço entre o exterio e aqui. Porque saberíamos que as pessoas teriam acesso a qualidade devida, educação adequada, instalações hospitalares decentes, atendimento médico decente, segurança nas ruas, ruas e estradas pavimentadas de fato, transporte público de gente e funcional, e tantas outras coisas que pagamos tantos impostos e tantas taxas, para que apenas aproximadamente uns 5%(em uma perspectiva otimista) sejam de fato utilizados para a implementação destes serviços.

Mas não; o dinheiro some misteriosamente.

Estou farto disto tudo, e sinceramente, não creio que esta josta irá melhorar. Certo, alguns irão me dizer que não é algo que acontece do dia pra noite, blah blah blah. Eu já desisti de ver alguma melhoria de fato acontecer tão cedo, e desenvolvi tal ojeriza por papos políticos, cultivada desde os remotos tempos da faculdade e seus comunistas de merda, que apregoavam melhorias sociais mas não abriam mão da mesada dos pais, do carro, do pager, etc. Falavam muitas coisas sobre os sem-terra e outras coisas, mas nunca me explicaram porque tal "luta" se tornou algo parecido com uma loteria para caras não tão honestos assim, que entravam nesta, pegavam a terra, revendiam e entravam de novo na "luta". Aham. Grande honestidade.

Enfim, hoje estou puto com toda esta merda, mas não é por isso que perdi inteiramente meu humor: irei postar aqui um exemplo nacional de falha nas comunicações entre consumidores virtuais e sites de aparatos tecnológicos. Na terça feira, enquanto pesquisava sobre a tal tablet, cheguei no site citado acima, mas os valores da dita estavam ligeiramente trocados, e eu me apressei em tirar o seguinte printscreen do site, editanto-o à moda de um de meus sites favoritos na internet:





Grande economia esta, não? Ahahahahah! Puta merda viu. A coisa já foi consertada de ontem para hoje, e tenho uma testemunha que tambem acessou o site na hora que verifiquei o tropeço deles. Ele também tirou um printscreen de tal coisa irônica. Eheheheh.

Ai ai. Deixa eu voltar para as lides econômicas e tentar juntar grana para comprar um lápis de cor ali, enquanto sonho com aparatos do naipe desta tabrete.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Para o inferno! E avante.

Ontem, fugindo um pouco da praxe (isso existe? Fugir da praxe?!) fui ter com minha irmã mais nova e companheiros para ir-me ao cinema. Fazia um bom tempo que eu não ia ao cinema, ultimamente ando cada vez mais seletivo com este tipo de gasto; acho que não compensa pagar muito para ver filmes de qualidade duvidosa. Estou somente atendendo a sessões cinematográficas propriamente ditas somente quando ao menos suspeito que o filme exibido é aceitável. Não tenho tanto dinheiro para ficar queimando assistindo merdas como Trovão Tropical e ecas do gênero. Tá certo, eu paguei para assistir esta merda anteriormente citada, muito para meu arrependimento. Gastar 14 contos para muito me arrepender depois não faz meu gênero. No máximo, filmes assim são feitos para se assistir em uma tarde chuvosa e tediosa, para depois ficar xingando o Ben Stiller. Credo. Pelo menos 90% dos filmes desse cara que já assisti me fizeram ter ímpetos assassinos de ir ter com este senhor e torturá-lo.

Mas divago. Fui com meus companheiros assistir ao novo filme de Sam Raimi, Arraste-me para o inferno, que supostamente seguia a linha de um filme que considero antólogico para mim: Evil Dead! Sim, este filme é algo de muito, mas muito precioso, em vários sentidos. Apesar de não ser nada novo, sendo de meados dos anos 80, somente este ano eu descobri a pérola que estava por tantos anos escondida. Como já disse em alguns posts anteriores, sou fã de filmes supostamente de terror mas que acabam sendo terrir, como é o caso de Evil Dead 2, o mais definitivo filme de terror de todos os tempos. Divertido até mandar parar, com excelentes atuações e direção, mesmo não contando com um orçamento estrondoso.

(Se você não assistiu ainda a esta pérola, pare tudo e alugue o filme. Agora!)

Logo, a premissa de Drag me to hell era promissora, e a companhia agradável, então lá fui eu, o anti-social para o centro de nossa roça pavimentada, mais especificamente para o xópis Cidade, o xopis do galerão de BH. Ando realmente cada vez mais misantropo, tendo a ter calafrios diante de multidões como a que frequenta aquele local diariamente. É muito frango para um galinheiro só. Paguei a inteira e aguardei as pessoas, meio que apreensivo diante de tantas e tantas pessoas estranhas. De fato, ando cada vez mais velho. Ou isso ou as pessoas estão cada vez mais bizarras.

Quando o povo chegou, entramos rapidamente para a sala de cinema, que estava bastante cheia, algo que geralmente dá merda, ainda mais se tratando de uma platéia composta de muitos e muitos aborrescentes espinhentos e barulhentos. Tivemos que sentar na segunda fileira, e eu mesmo fiquei espremido num cantinho do cinema, num ângulo estranho. Fiquei esperando o pior, como sempre. Barulhada dos adolescentes dos infernos e mau ângulo para se assistir um filme. Começaram a passar os trailers, e cheguei a duas conclusões: 1 - por que, eu me pergunto, vão fazer um QUARTO filme da série horrenda denominada Premonição?? e 2 - Viva! Filme novo do Tarantino à vista! Bom, muito bom. Pelo menos assim me parece.

Enfim, o filme começou, e apesar do ângulo de visão estar realmente estranho, logo me acostumei com a coisa. E sentar na segunda fileira foi bom, pois ficamos longe o suficiente do cerne aborrescente tagarela, e suas conversas imbecis se tornaram apenas ruído de fundo, sem necessariamente estragar o filme.

O filme é LINDO. Maravilhoso. Estupendo. E outros tantos adjetivos entusiasmados. Recomendo a TODOS que assistam no cinema para depois ter que recorrer a alguma cópia para televisão, pois o som do filme é fundamental para o filme. E que sonzão tenebroso. E que divertido, divertido até mandar parar, como é esperado de um filme de Sam Reimi. Aprovei. O cara não perdeu a forma de dirigir e escrever bons filmes do gênero. Este é o tipo de terror que aprecio: sem um bilhão de efeitos especiais imbecis (que nunca, mas NUNCA salvam nenhum filme, por mais estupendos que possam ser. Nada salva um filme com uma história capenga), sem cenas aflitivas de tortura e sofrimento em demasia de seus personagens, com uma protagonista muito bonita(sem ser de plástico), com um suspense tenso em certas cenas e...repleto de sustos. Era engraçado demais ver as pessoas pulando das cadeiras.

Enfim, se quiser se divertir, vá assistir Arraste-me para o inferno. Recomendo em gênero número e degrau. E cuidado com qual velhinha você escolhe sacanear para tentar fazer bonito com seu chefe no banco, eheheheh.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Do encontro entre gênios.


Sou conhecido por ser um inimigo atroz dos anos 80 e da grande maioria das coisas que dali surgiram. Não irei discutir tais coisas no capítulo de hoje, entretanto, mas antes, gostaria de discorrer sobre uma personalidade que despontou naqueles nefastos anos: Laerte Coutinho.

Laerte é um paradigma nacional e internacional em se tratando de quadrinhos. Desde moleque, lembro-me de já apreciar suas tiras em alguns jornais que por aí circulavam, sem nem ao menos entender direito algumas delas. Mas sempre apreciei seu desenho, exuberante e fluido, extremamente detalhado e bem-trabalhado, com linhas fortes e contrastes marcantes. Anos mais tarde, quando tive acesso a outro tipo de publicações saudosas daquela década quase inteiramente perdida - as revistas Chiclete com Banana, Circo e quejandos - foi que realmente tive contato com a obra deste genial cartunista, e com outros grandes nomes do humor desenhado de nosso país, tais como Glauco e Angeli, que são outros psicopatas do gênero, ao menos em termos de produtividade. O desenho deles não se iguala ao de Laerte, em minha opinião. Mas isto não vem ao caso.

Nestas revistas, tive acesso a outro tipo de história escrita e desenhada pelo cara. Histórias de maior porte, não necessariamente envolvendo personagens típicos de seu universo particular, como os Piratas do Tietê ou o pessoal do Condomínio. Geralmente tais histórias eram dotadas de um humor espetacular, repleto de meu tão-amado nonsense, e extremamente ricos em suas exuberantes imagens. Me diverti horrores lendo a coleção de revistas de alguns amigos meus, e sou orgulhoso de ainda possuir volumes originais publicados naqueles nefastos anos.

Muito tempo se passou, e neste ano, fui surpreendido ao encontrar um livro de bolso da L&PM contendo uma seleção de tiras de Laerte, mais especificamente dos Piratas do Tietê, aqueles corsários paulistanos, que tanto incomodam a todos. Eu fiquei rindo sem parar por uns dez minutos de uma simples tira daquele volume, e ri muito de outras. Sempre me deleitando com a qualidade gráfica das tiras. um tempo depois, soube que estavam publicando, em três volumes, uma coletânea de histórias dos Piratas, como a exibida na imagem acima, que se trata do segundo volume da série. Confesso que quando comprei o primeiro volume, fiquei ligeiramente desapontado, pois acreditava que seria a coletânea completa das tiras. Não era o caso; eram republicações daquelas histórias de maior porte, como as publicadas na Chiclete com Banana e Circo. Mesmo assim, foi interessante conhecer a história que deu origem aos Piratas e outras informações sobre o criador.

Semana passada, adquiri o segundo volume da série. Me propus mesmo a adquirir os três volumes, mesmo preferindo que fosse uma coletânea integral das tiras. Mais tarde, pensei que tal tarefa iria demandar uma edição bem mais polpuda e cara que aqueles três volumes, dada a psicopatia de Laerte, que deve ter muito mais que 10 mil tiras publicadas. Sei lá. O cara realmente é um psicótico, um exemplo de produtividade. Mas enfim, comprei o segundo volume, e ele é muito melhor que o primeiro. Existem histórias ali que realmente tirei o chapéu para o cara, como a adesão de Batman aos Piratas, o embate entre o Capitão e Fantasma, e...a obra prima de Laerte: a história entre o encontro fictício entre os Piratas e...Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa, é outro gênio, outra figura a quem tenho muita, mas muita admiração mesmo. É, em minha opinião, o melhor poeta da língua portuguesa que já existiu. Não somente por ele ter produzido sínteses de minha essência como ser humano em poesia - daqueles tipícos exemplos que costumo citar aqui, quando outras pessoas expressam em suas obras a forma que você se sente(acontece muito comigo); o caso é que Fenrando Pessoa levou a cabo uma de minhas maiores ambições enquanto "cara criativo": a de nunca, nunca se deixar abalar e sempre produzir, não importa forma que o humor está se manifestando no dia X ou Y.

É sabido que ele tinha uma porção de heterônimos, cada qual com sua produção independente, cada qual com sua voz e temperamento, indo da mais absoluta descrença com a vida até o excitamento ateu diante da vida maravilhosa que se desenrolava diante de seus olhos. . É como se ele fosse um esquizofrênico sob controle, com um bilhão de vozes em sua cabeça. Teorizo que conforme sua disposição no dia X ou Y, ele assumia uma de suas identidades e produzia e produzia e produzia. Não tinha uma destas imensas frescuras típicas de "artistas" por aí, de ficar choramingando pelos cantos por estar tendo um mal dia e usar isso como desculpa para não fazer nada. Eu levanto a mão. Presente. Sou assim muitas vezes e detesto. E se quer saber como Marcos, o Buriol se sente em dias de mais hedionda depressão, leia o poema Tabacaria, do heterônimo Álvaro de Campos. É exatamente daquele jeito ali descrito que me sinto em momentos de extremo desespero.

Sim, é bravo. E extenso, eheheh. E por mais reduntande que possa soar, é no mínimo 95% acurado.

Diziam que ele chegava mesmo a enviar cartas de um heterônimo para outro, discutindo temas relacionados à produção poética de cada um. É preciso ser muito louco para ser assim, em minha opinião. Ainda mais em uma época que mesmo uma máquina de escrever era um luxo destinado a poucos. Era tudo, tudo, escrito à mão. E a obra do cara é imensa, extensa, intimadora até. Dizem mesmo que um dos maiores desafios para os estudiosos de sua obra é decifrar seus manuscritos. Eu mesmo vi alguns trechos reproduzidos em um de seus livros, e posso afirmar que passa perto do sânscrito, da linguagem cuneiforme, do aramaico arcaico ou coisas assim.

Foi uma agradável surpresa ao verificar que Laerte é admirador de Fernando Pessoa. A história que narra o suposto encontro entre os piratas, com toda sua truculência e ignorância, e Fenrando Pessoa, com toda sua extensa paleta de emoções em forma de poesia, é algo antólogico. Surpreendente e fundamental. Extremamente agradável aos olhos e à mente. E da forma que vejo, o encontro não poderia ser melhor descrito. A cada página, eu me deleitava mais e mais.

Recomendo. Se quiser se divertir e conhecer o trabalho de dois gênios, adquira seu volume da obra de Laerte sobre os Piratas do Tietê. É algo de fato muito, mas muito surpreendente. E de qualidade. Atesto, assino em baixo. Compre sem medo de ser feliz.

Bem, tornemos ao mundo real. Que personalidade incorporarei hoje? Provavelmente a minha mesma, a de sempre. Não basta querer ser uma coisa, é preciso poder ser uma coisa, ainda que muito admiremos uma pessoa, somos o que somos, não é isso?

Infelizmente. Eheheheheh.



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Nada a declarar.

Ah....mais uma segunda servil à vista. Gostaria muito de relatar fatos inenarráveis e agradáveis sobre o fim de semana, mas...não houve nada de mais, em verdade. Basicamente, meus planos todos traçados anteriormente não foram necessariamente executados, mas isso era de se esperar. Finais de semana são marcados pelo excesso de indulgências quando não me vigio muito. E indulgência, no meu caso significa preguiça até não mais poder.

Foi o que ocorreu durante a grande maioria do final de semana. Tirando o sábado, onde eu realmente fiz minhas obrigações arrumatórias do final de semana, para evitar que o morador daquele caos na terra se afogue em tanta poeira e fiapos provenientes de todos os represantes arborais da austrália que existem ao redor de minha casa. Malditos sejam, estes eucaliptos com todos seus fiapos a que tudo poluem, em tudo entram e engastalham. Pois bem, no sábado eu procedi à limpeza semanal auxiliada por aparatos geradores de vácuo modernos, mas não tão modernos quanto alguns que já existem por aí mundo afora, que parecem-me por vezes uma Skynet primordial se erguendo. Robôs irão dominar o mundo? Talvez, em outro dia, não bem neste. Mais adiante, fui informado que ensaio sabadal não iria acontecer, em virtude de outros eventos sociais agendados na vida de meus colegas de orquestra, digo, banda, digo, barulho.

Como nada havia a ser feito, terminei de arrumar minhas coisas e ali fiquei a ver navios pelo restante do final de semana, e que navios o sr. Laerte Coutinho desenha, por Mitra. Um artigo em especial sobre a obra deste monstro dos quadrinhos nacional - e internacional - será escrito em breve, dada a relevância que este senhor tem em minha inútil vida. A ver, a ver.

Entrementes, estou a planejar certos empreendimentos que irão contar com a participação vocal de minha irmã, eu que poderão ser uma inovadora experiência para o próximo fim de semana. Espero que o próximo não seja repleto de fracassadas empresas como foi este último em questão. O que mais ocorreu, foi uma sequência de nada de mais, por assim dizer: tempo foi desperdiçado em navegações inúteis na internet (Pergunta-se: por que dizemos navegar na internet? Que porra é essa?), uns parcos rabiscos espalhados em cadernos por aí e não muitas outras coisas a serem discutidas.

Enfim, o fim foi um final de semana parado, mas que o quesito descansar foi levado a sério, um pouco além do necessário, talvez. Foi um dos domingos mais sonolentos de todos os tempos. E na data de hoje, percebo que por mais incrível que possa soar, estou a me sentir muito cansado, apesar de ter dormido horrores ontem. Por que será que isto ocorre? É a pergunta do dia, sonolento dia, que se inicia diante de mim, diante de nós. Dormi e dormi ontem, e hoje apreço ter tomado uma surra do despertador anbtes de ter vindo para cá. Vida, estranha vida, estranha lógica de não se ter alguma lógica em nada que se deva ter lógica inicialmente.

E agora, para um pouco de vida real e real contabilidade. Hu-há.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Por uma vida menos ordinária, parte dois.

Do planeta diário de Marcos Burian, data "estrelar" de 14 de algum mês de 200X:

(...)Continuei andando por aquela imunda avenida, em direção ao vil covil de Fernandus, o cara, portando minha oferenda e tentando manter o passo. Era difícil caminhar no meio daquela nuvem de poluição em que me embrenhava. Contagem não é um local dos mais agradavés tampouco salutar para uma pessoa normal se aventurar ali a pé. E eu ia seguindo e xingando em silêncio, almaldiçoando o fato de que tinha que tentar travar contato com alguém que estava tão longe.

Tentei aplicar aqui outro ensinamento da sabedoria popular das pessoas ditas normais e tentar ver o lado positivo das coisas: "ao menos não está chovendo, né", disse a mim mesmo. No mesmo instante, senti a primeira gota de água. Depois outra. E outra. E uma porção ao mesmo tempo.

Como estava num cu do mundo, não haviam muitos locais onde me abrigar. Eu estava literalmente num mato sem cachorro, pois por tentar seguir os conselhos de outrem, havia deixado de portar comigo algum guarda chuva. Infeliz acontecimento. E como estava andando ao lado de uma via de circulação rápida de veículos automotores, não demorou muito tempo até que algum motorista mais sacana acelerasse ao passar por uma poça d'água e me encharcasse por completo. Eu xinguei e xinguei, berrei a plenos pulmões em protesto, mas de nada adiantaria - água não tem ouvidos, o céu não tem ouvidos.

Um pouco mais adiante, consegui encontrar um tosco abrigo de ônibus, devidamente depredado pela população de retardados mentais a quem a coisa tinha sido construída em primeiro lugar. Doces incongruências da vida. Fiquei ali no aguardo do encerramento da inusitada precipitação pluviométrica em pleno mês de seca.

Foi aí que me lembrei. As oferendas! Ao vasculhar meu alforge, eu instintivamente já sabia o que iria encontrar: uma sopa de sanduíches. Novamente urrei de frustração, pois sabia que Fernandus era um daqueles "homens modernos"; cheio de caprichos, cheio de firulas, plumas e paetês, que apreciava a companhia de bizarros seres que alguém teve a infeliz idéia de classificar erroneamente como cães - e não experiências incorretas e infelizes de algum laboratório nazista por aí, e que não aceitaria sopa de pão com linguiça como oferta para se obter nenhuma sorte de amuleto mágico.

Na mesma hora que verifiquei o estrago, o céu se abriu e o sol raiou. Nesta hora, me lembrei de Max e nossa teorização acerca do Sarcasticus Celestius, a entidade superior que devia se divertir horrores ao assistir as desavenças de neurados seres humanos feito nós. Desconsolado, mas já sem forças para ter algum acesso de raiva inútil, pus-me em marcha em sentido contrário ao que estava indo.

O que fazer agora? Estava eu feito um cachorro molhado no meio do nada e sem nenhuma perspectiva de melhora; eu havia abandonado meu emprego; eu estava na merda. Enfim.

Conforme diria um outro companheiro meu - Eduardo, o Psico - eu ia tentando ligar o FÔDAS. Para aquele meu companheiro, o segredo da vida se resumia a duas palavras: "Não esquenta." Eu tentava e tentava, mas parecia não adiantar. Desprovido de oferendas, encharcado até os osteoblastos, sem transporte, sem dinheiro, sem sexo. Eu estava na merda e por mais que tentasse me convencer do contrário, Sacarsticus Celestius iria se apressar em me contrariar. Era minha batalha eterna e diária.

Enfim, sem um puto no bolso, eu tinha que tentar retornar a meu lar para tentar rearranjar meus planos de se obter o tal amuleto que me asseguraria o ingresso ao local que todo homem saiu de, um dia, e deseja retornar em idade mais avançada. Sem ser propriamente a coisa original, claro. Pois aí estaríamos falando de um Édipo qualquer. (Que comparação infeliz. Devo estar realmente ficando louco e doente para escrever tanta merda- N. do A.)

Por incrível que pareça, um carro se deteve ao acostamento e buzinou para mim. Desconfiado, aproximei-me e verifiquei para meu espanto e alívio que se tratava de outro companheiro velho de guerra, Hugo Justus, o adevogado das estrelas. Ele muito se riu de meu infeliz conto, e me ofertou uma carona, pois ele estava indo para o local de onde eu havia saído originalmente. Não, não aquele local que me referi ridiculamente no anterior parágrafo, mas o meu emprego, as sedes do império de Gengiva, o Antônio. Pois Hugo Justus era o mais novo escravo adquirido por aquela empresa. Hugo era uma pessoa mais nova que eu e mais PESSOA, por assim dizer. Apesar de sua idade menos provecta, tinha mundos e fundos, possuía carro, enquanto eu, tinha sete reais no banco em meu nome.

No caminho, como é de praxe entre amigos, que se zoam e se provocam até o mais definitivo óbito, Hugo foi me dando sermão. Disse-me que Pedrinha nenhuma me faria deixar de ser jacu, e que eu era mesmo um retardado mental e não sabia olhar ao meu redor. Eu calava-me raivoso, pois apesar de não gostar do que estava ouvindo, tinha discernimento apurado o suficiente para dsaber que ele não falava absurdos, e que ali havia algo real, dados concretos. Hugo lembrou-se de algumas caminhadas inocentes que fizéramos nos arredores daquela cidade, e que segundo ele, pelo menos duas mulheres haviam-me devorado com os olhos sem que eu sequer me desse conta disso.

Lembrei-me de tais eventos. Em verdade, eu havia até notado alguma espécie de olhar mais demorado dirigido em minha direção, mas meu cérebro havia interpretado tais coisas da maneira usual, que envolve as seguintes premissas:

1 - Não é comigo. Eu seria como um vidro no horizonte dela.
2 - Está olhando e não acreditando no que está vendo, "Puta que pariu! Que cara feio!"
3 - Não acredito. Não acredito. Não acredito.
4 - Ilusões de óptica não deitam olhares. Não existe.

De repente, minha mente se iluminou. Sim. Ali estava a resposta. Eu não precisava de uma Pedrinha. Eu precisava de outro cérebro. Um que não fosse imbecil. Um que não ficasse sempre desejando a verde grama do vizinho. Um que não tivesse tantos defeitos de fábrica.

Assim pensando, resolvi agir antes que voltasse para aquele local onde inutilmente seria atado a meus grilhões capitalistas, que agiam como laços fraternos entre amigos.

Atirei-me para fora do carro.

A continuar....


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fucking Real Life.

Por estes dias, estou sendo assolado de uma crise de criatividade. De tempos em tempos estas coisas acontecem, por mais chato que seja. E eu, que me propus desde a criação deste, realizar um post por dia, vi-me numa sinuca. Pois não quero, de forma alguma falhar em meu compromisso auto-proposto.

Tempos desesperados exigem medidas desesperadas. Estive revirando algumas mensagens eletrônicas que mandei para um de meus compatriotas da biologia, tombado no dever de ser profissional em tão ingrata área, e decidi aqui o publicar, pois eis que é um dos exemplos típicos de email que costumava escrever para as pessoas antes de criar este brogue. Não me pertubarei em realizar as devida correções de acentuação gráfica, entretanto, pois meus emails sempre foram preguiçosos neste quesito e pretendo manter o conteúdo original da coisa.

Picaretagem? Talvez. Afinal de contas me formei em licenciatura no reino da FAE de conta, onde aprendi que coisas escritas desta forma me garantiam muitas notas A, por mais incoerente que possa parecer. Enfim, aqui está a coisa:

"Caro senhor Rubens, ca estou novamente a ver coisas onde nao estao de facto. Por exemplo, quando estava a flutuar para este escritorio, vi uma freira nua, vestida de organdi azul, a balbuciar frases desconexas. Claro que nao me deixei seduzir por tal ortodoxia eclesiastica, retirando-me rapidamente para adiante. Apos pagar a passagem do troller-bus aereo no aeroporto da Pampulha, fui para Justinopolis, mas nao entendi bem porque estava indo na direçao nor-nordeste, quando meu rumo deveria ser sul-sudoeste. Quero crer que a rosa dos ventos estava deveras irritada em esta manha em especial. Cheguei as dez horas da noita quando o sol nascia no oriente medio-mediano do meio, onde fui alegremente informado que o rei estava morto, sendo coroado instantaneamente. Como a realeza nunca foi muito atrativa para mim, tratei de traçar todas as baronesas enquanto planejava minha fuga do castelo neo-barroco que me encontrava. Fugi pelas vinhas da ira que adornavam a parede exterior externa da torre sul do castelo. Devidamente disfarçado de Advogado engravatado, dirigi-me ao Forum da inutilidade, onde tomei posse em solene sessao, da Comarca de Conselheiro Lafaete e dos reinos circunvizinhos, mas fui prontamente destituido de meu cargo quando ordenei que me fosse servido um cafe da manha à base de Ruffles e Coca-Cola; nao sabia eu que haviam dissidencias internas entre a Pepsico e a Brahma em tal repartiçao. Enfim, mandei tudo a merda e continuei meu caminho; as sedes da Funchato Ltda nunca me pareceram mais distantes em tal abstinente manha. Houve por bem para defronte a uma banca de jornais, sendo que estes apenas vendiam revistas. Procurando conter-me, fugi em carreira de um maço de cigarros que me perseguiu insistentemente por dezenas de milhas. Quando finalmente consegui me livrar de meu persistente perseguinte, estava às portas de meu tao-amado emprego, mas fui devidamente informado que o elevador so estava indo para baixo, mesmo estando no terreo. Procurei entao, as escadas do edificio, mas quanto mais escalava os degraus, percebi que tudo era inutil. Os degraus tambem estavam com defeito, acabei por chegar ao centro da terra, onde o calor era insuportavel, apesar da insistente nevoa que circundava Londres. Verifiquei as horas no Big Ben, e vi que nada mais adiantava, uma vez que ja estava atrasado duas semanas para o expediente de hoje. Tratei entao de me dirigir para casa, onde novamente fui perseguido por nao um, mas tres maços de cigarros, a saber, um Paioso, um Djarum Black e um Marlboro. Novamente consegui adotar manobras evasivas e eludir meus implacaveis perseguidores. Cheguei afinal, as dez horas de ontem hoje em minha casa, onde me enrodilhei em uma manta de papel aluminio e dormi tranquilamente em companhia de minhas aranhas marrons de estimaçao, que estiveram a velar por mim durante meu velorio, duas semanas atras.

Como o senhor pode constatar, acho que nao estou batendo muito bem da bola. O que nao causa estranheza, uma vez que nunca fui fã de futebol.

E o senhor, como vao as coisas no planeta Marte? Ou sera que o senhor foi para Venus? Provavelmente este ultimo, uma vez que me lembro do senhor ter comentado que iria perseguir alguns rabos de saia em Plutao, mas estas se demonstraram deveras frigidas, tendo preferido as
paragens mais aquecidas do planeta efeito estufa.

Sim, sim, o delirio é tremens e el mundo gira, gira gira. Que giro.

Enfim, ate a vista entao. Mande me um telegrama um dia destes, se assim o convir.

And by the way, I'm nowhere near sanity anymore, as you can clearly notice after reading this bullshit email. Whoo-ha. And a bottle of rum, rum rum. Anything other than vodka will keep me sane, even though I am quite insane, nonetheless anyway anywhere.

Oh hey
Oh yeah
And all the stars sing,

Its the end of the world as we know it...

And I DON'T feel fine. Booo Hooo.

Assinado,

Sr. Insano, insone, abstinente, adstringente, Epaminondas Otoni, Teofilo Otoni, blah blah blah."


Como podem ver, não é de hoje que sou louco. Faz tempo, faz tempo. Desde 1977. Tão velho quanto o panquerroque e igualmente caduco.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Adaptações.

Cá estamos novamente, sem ter muitas idéias inovadoras na cabeça. Entretanto, pensei em algo neste exato momento. Vamos ver no que vai dar.

Bem, ontem eu estive novamente na casa do mesmo Gengiva de sempre, e assistimos ao filme Choke, adaptado do livro de Chuck, o Palahniuk. Não achei o filme grandes coisas; bem pior que o livro em si, que já havia lido anos atrás. Acho engraçado isto, o fato de adaptações de livros para a forma de película. Geralmente não dão muito certo. Fico me perguntando o que acontece de errado. Muitasvezes parece-me que a resposta é evidente, pelo fato de ser justamente uma adaptação, uma releitura da obra original. E em se tratando de filmes, a coisa pode ser ainda mais piorada pelos vícios da indústria cinematográfica em si, que muitas vezes impõe algumas mudanças nas obras, fazendo com que elas percam alguns de seus elementos chave.

Livros em geral são maquiados demais ao serem adaptados para uma forma "móvel" de entretenimento. Em especial filmes produzidos em Hollywood. Um exemplo disso eu falei ontem, quando discuti sobre o filme do Wolverine. Eles removeram um elemento que em minha opinião é crucial para aquele tipo de história, mais especificamente apra o personagem em si: a violência. E fez com que o filme perdesse muito de seu potencial.

No caso do Choke, o caso foi outro: a história perdeu muito de sua graça depois de ter sido adaptada para filme. O estilo do escritor foi perdido na forma de filme. É algo que imagino eu ser o pesadelo de roteiristas mundo afora, ter que realizar esta adaptação. Transformar algo escrito em algo filmado, sem prejudicar a história, é uma tarefa ingrata, ou pelo menos assim me parece. Assistam ao filme "Adaptação" para saber sobre o que estou falando. E por ser um excelente filme, um dos melhores que já assisti até hoje, em minha humilde opinião.

Sei que existem muitos exemplos de boas adaptações, como por exemplo a trilogia "O Senhor Dos Anéis". Eu assisti os filmes e li os livros, e creio que são duas experiências igualmente apreciáveis. Não sou nenhum ser maníaco para reclamar que o detalhe X da cena Y foi feito de maneira muito diferente no filme. Tenho extrema preguiça deste tipo de gente, que fica esmiuçando demais estes detalhes irrelevantes. Creio mesmo que alguns elementos da adaptação cinematográfica foram bem feitos, melhorando alguns aspectos do livro, sem deturpar a história. Achei muito mais legal a amizade entre Legolas e Gimli na versão filmada, inicialmente tensa devido ao fato de serem representantes de raças naturalmente antagônicas entre si no universo de Tolkien, para depois ir evoluindo pouco a pouco, com aquelas disputas de quem mata mais orcs e provocações amigavéis. Fez com que eles tivessem mais personalidade, em minha opinião.

Mas certos livros não são bem adaptáveis para versões filmadas, e realmente tenho pena do roteirista que se depara com este tipo de problema. Mesmo porque a obra escrita geralmente é mais extensa que um filme, que tem de ser condensado para ser veiculado publicamente. Em geral, filmes não passam de duas horas de exibição, e condensar 1500 páginas em duas horas de película deve ser algo realmente complicado. Imagine fazer uma versão para o cinema de Ulysses, de James Joyce. Não deve ser nada agradável. Posso citar muitos outros exemplos, mas isto não vem ao caso.

O caso é que está ficando tarde aqui, e o tempo ruge, e tempo é dinheiro, ao menos para alguns caras porraí. Ainda assim, há que se atender aos grilhões capitalistas...