terça-feira, 31 de março de 2009

Errado.

Se você acordou no teto, você acordou errado.
Se você não se sente bem, mas aprentemente tudo está bem, você acordou errado.
Se você se sente pesado, e no entanto nao ganhou nem um grama, você acordou errado.
Se você quer coisas que não tem e se lamenta por isso, você acordou errado.

Se você tem raiva de todos ao redor, você está errado.
Se você quer descarregar tudo que sente em todos ao redor, você está errado.
Se você está lendo agressividade em tudo ao redor, você está errado.

Se você anda mal, mesmo andand0 bem, você sempre foi errado.
Se você acha que estão todos certos, você está errado.
Se você acha que estão todos certos, você está errado.
Se você achou que você iria fazer a diferença este ano, você estava errado.

Se você esteve aqui, estando ali, você estava errado.
Se você quis mas não conseguiu, provavelmente estava errado.
Se você achou que era certo porque estava errado, você não podia estar mais errado.
Se você, você, você, achou que era tudo certo, estava tudo errado.

Se você achou que podia deixar as coisas para trás, você estava errado.
Se você achou que uma decisão o salvaria, você esteve errado.

Estava errado. Esteve errado. Estará errado.

Se você achou que poderia resolver tudo de uma vez, vocÊ estava errado.
Se você sente que não te dão valor, você está errado.
Se você pensa que te dão valor, você está sempre errado.

Se você escreve sobre achar tudo errado, você não poderia estar mais errado.

Se você. Ler tudo isto e achar errado.

Você está errado.

Se você quis ser e não é, você esteve errado.
Se você não é, você está errado.
Se você é, você é errado.

Se você achou mas se perdeu, você está ferrado.
Se você quis mas não "soube" fazer, você está ferrado.
Se você existe, você está ferrado.

Se você. Ler tudo isto e achar errado.

Você está errado.



segunda-feira, 30 de março de 2009

Monday morning report.

Chove pra caralho, há névoa(neve, segundo os contemplados no bolsa-família 2009, tambem conhecido como Pro-Álcool 2009)por todos os lados e cá estou, a ver o que escrevo na data d'hoje. Novamente, o semana-fim não foi dos mais produtivos, mas os motivos foram bem mais interessantes que meros ocasos criativos.

Primeiramente, conheci deste lado do Atlântico minha porção além-Brasil, conhecendo meus parentes de sei lá que grau que residem na terra de meus avós e que aqui estiveram - e ainda estão - nestes dias. Depois que minha mãe e minhas tias os visitaram algumas vezes na terrinha, eles resolveram que era hora de virem verificar a quantas andam os tchecos transplantados para as terras tupiniquins. Estamos bem, conforme eles verificaram, e apesar do tempo não estar ajudando muito estes dias, com suas incessantes precipitações de água, água e mais água, eles estão se divertindo por aqui.

O pessoal é bastante gente boa, conforme verifiquei com escassas conversas em inglês com Vlad, o único deles que fala mais ativamente outra língua que não o tcheco, este desconhecido. Fiquei bem interessado em visitá-los algum dia, se possível em companhia de minha mula preferida, que também conversou muito com ele. Lugar para ficarmos lá já estaria garantido, pelo que nos foi afirmado.

Outro fato inútil do fim de semana foi a tradicional feijoada comemorativa que minha tia Olga sempre costuma fazer nestas ocasiões. A iguria é lendária, eis que me recuso a comer tal coisa em outro lugar que não seja ali. Fiquei imaginado, entretanto, se os estômagos estrangeiros nada acostumados com nossa tradicional comida gordurosa - e ponha gordurosa nisso - iriam suportar tal coisa de maneira adequada. Parece-me que eles resistiram bem mais que este que vos escreve; também, este aqui resolveu se aventurar nas misturas de limão, açúcar e cachaça, apenas para ficar com a cara rosa, ficar falando altas merdas enquanto sentia o mundo girar ao redor, ficar com sono excessivo, comer além da conta e passar mal em seguida. Tive mesmo que abandonar o barco mais cedo e fazer uso da única frase que sei na língua natal de meus parentes, que não vou escrever na grafia certa(meu teclado não possui aqueles acentos bizarros todos) mas que é a seguinte: "agora eu vou dormir". Hu-há.

E, não satisfeito em passar vexame diante de todos, meu corpo resolveu continuar a reclamar comigo no domingo, dia este que visitei o vaso sanitário inúmeras vezes, seja para coisas naturais tanto para outras nem tanto, como o expurgo de meu café da manhã no orelhão de louça. O Buriol dantes não é mais o mesmo. "É a idade," como diria meu adevogado. Tal coisa me impediu de ir ter com a parentada em outro evento mais natureba, em algum lugar perto de Rio Acima, onde eles finalmente puderam ver a face do sol brasileiro, até então desconhecido para eles.

Enfim, fui melhorar os ânimos muito tarde no domingo, após passar o dia a soro fisiológico e torradas. Mais uma vez repito, o álcool não compensa. Lado outro, como fui forçado a praticar atividades físicas extremamente limitadas, andei ouvindo algumas coisas diferentes e acabei fazendo descobertas sônicas que me deixaram muito impressionado. Nada muito recente, é verdade - me parece que após o ano 2000, as bandas ditas "novas" se resumem a coisas ruins, horrendas, hediondas ou simplesmente reciclagens descaradas dos anos 80 - que foram anos terríveis, em vários sentidos, incluindo os aspectos musicais. Enfim, mesmo assim fiquei impressionado positivamente com os ingleses do Boo Radleys, e recomendo muitíssimo a audição de seu terceiro disco, Giant Steps.

Enfim, veremos o que mais haverá de acontecer por estes dias tão úmidos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

5 pontas.

...tentou se desligar, por um instante que fosse, daquilo tudo. Inútil. Ainda ouvia os gritos lancinantes, ouvia os barulhos de coisas se partindo, coisas...que estavam encerradas dentro de um corpo, por debaixo de pele, músculos e sangue. Sangue. Muito sangue.

Lamentou-se mais uma vez por ter sido tão idiota. O que ele estava fazendo ali? Vencendo uma aposta ridícula entre amigos? Para que? Porque havia sido tão idiota?

O coral diabólico continuava a entoar sua parede de vozes grossas em uníssono em sua mente. Quanto tempo havia se passado, ele não saberia dizer. Sabia, no entanto, que estava coberto de vômito seco e ainda estava dentro da caixa.

Mas também, como iria ele adivinhar que todas as histórias sobre aquele lugar eram verdadeiras. O que havia presenciado era ainda pior que todas as histórias, para dizer a verdade. O que ele havia visto nunca poderia ser apagado de sua mente.

Ele tentou se lembrar de como tudo aquilo havia começado. A floresta perto do matadouro da cidade. A torre, se elevando por cima da floresta. As histórias contadas duas noites atrás. A aposta.

A aposta. Para que havia sido tão imbecil. Muito destemido, ele. Muito esperto. Feito se nunca tivesse lido algum livro de terror, visto milhares de filmes em que os protagonistas agem de maneira semelhante à dele. Havia, de fato entrado na torre, por um buraco lateral na construção que conseguiu se esgueirar. Tinha explorado o interior da construção, que lhe pareceu completamente inofensivo.

Até achar uma passagem devidamente escondida. Até achar o altar. Até ver aonde estava, a ponto de ouvir passos se aproximando...Ao seu redor, apenas caixas e mais caixas, muito grandes, todas meio amarronzadas de algum líquido que havia escorrido pelas juntas. Sem pensar, se adentrou numa que estava próximo dele, quase sufocando com o mau cheiro que emanava de dentro dela.

Segundos após, estava tonto com o fedor que havia ali dentro. Ouviu mais passos ao seu redor, e teve que fazer um esforço sobre-humano para não tossir. O múmurio devozes estranhas ao seu redor...Deslocou um pouco a tampa da caixa para tentar respira um ar menos hediondo e para ver.

Alguém havia acendido tochas ao redor. Viu muitas pessoas ao redor...todas vestidas de trajes pretos, com capuzes.

Em que havia se metido?

Ouviu um deles começar a entoar um cântico estranho, sendo seguido pelos outros. Uma figura muito bizarra entrou no recinto, alguém muito mais alto que os outros, com um traje diferente também. Logo em seguida, berros horrorizados, alguém implorando, "NÃO! ME DEIXEM IR EMBORA!!!" Ele estava semi-nu, apenas com um trapo na cintura, amarrado em uma espécie de pelourinho móvel.

Trouxeram alguém amarrado logo atrás da figura gigantesca. Um de seus amigos. Estava coberto de cortes, sangrando por todos os lados.

Seu cérebro comandou seu corpo a fechar os olhos, mas eles não obedeceram.

Viu tudo.

Viu como a figura gigantesca levantou os braços deformados e o cântico parou. Ouviu a voz gutural da figura, dizendo coisas em algum linguajar desconhecido. E seu amigo continuava gritando. Viu como trouxeram um estranho cajado para o chefe, que ele apanhou, continuando a discursar naquela língua bizarra.

E seu amigo continuava gritando.

Viu como se aproximaram dele com baldes, jogando algum líquido por cima de seu corpo. A julgar pelos berros que se sucederam, NÃO era água. Viu como a figura gigantesca levantou seu capuz, revelando uma deformidade nada humana por debaixo daquele capuz. Se aproximou de seu amigo e levantou o cajado, que possuía uma ponta metálica afiada.

"Feche os olhos seu IDIOTA", mais uma vez seu lado racional comandou. Não conseguia nem respirar, muito menos fechar os olhos.

E seu amigo continuava berrando.

Primeiramente a coisa fez cinco furos no tórax de seu amigo, que continuava urrando. O demônio riscou a carne dele com a ponta da coisa, ligando os cinco pontos, ignorando completamente as súplicas de sua vítima. Em seguida, traçou um círculo ao redor de tudo com precisão cirúrgica.

Um pentagrama. Invertido.

Sim, ele havia visto filmes de terror o suficiente para saber o que aquilo significava.

Entornaram mais algum líquido por cima do corpo mutilado de seu amigo. Novos berros vieram da garganta dele, seguidos de urros de júbilo ao seu redor.

As figuras encapuzadas estavam exultantes, de fato. O chefe deles levantou seus braços novamente, e o rumor cessou, só restando o lamento de seu amigo atado àquele poste, sofrendo um suplício icomensurável. A figura deformada se virou para ele e disse mais alguma coisa. Logo em seguida, viu que a coisa arreganhou a boca, exibindo uma fileira de dentes altamente pontiagudos.

E seu amigo berrou como nunca.

A coisa se lançou sobre ele, mordendo, rosnando, arrancando pedaços. Quando a figura se ergueu novamente, a cabeça de seu amigo não pendeu para trás apenas porque seu corpo estava atado no tronco. O sangue jorrava de alguma artéria no pescoço dilacerado.

Nessa hora, sentiu algo a brotar de dentro dele, e novamente teve que fazer um esforço hercúleo para que não vomitasse muito ruidosamente.

Ainda assim, não conseguiu desviar o olhar.

A coisa novamente se lançou sobre o corpo agora silente de seu amigo, retomando o festim diabólico. "FECHE OS OLHOS, CARALHO!!!" De nada adiantava. Viu tudo. Ouviu tudo. O sangue, a carne, o rumr dos ossos sendo mascados por mandíbulas desumanas.

Sentiu que de uma forma ou de outra, sua porção racional o forçaria a fechar os olhos, ainda que fosse por mal. Desativou tudo, e ele não viu mais nada.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Texto.

Invenção. Há que se inventar coisas a escrever, neste instante. Falam de futebol ao meu lado, mas não necessariamente a mim, pois eis que concordo pacificamente sem captar toda a mensagem reinante ali, se é que ela existe.

Pensar, pensar. Mesas de escritório não são nada inspiradoras. Não são nada musas. Gerusas, Vanusas, Ferro-gusa, merluza. Tive uma profesora de bioquímica que se chamava Santuza. Ela não manifestava emoções, mas era menos andróide que a professora de embriologia, que mais parecia um robô japonês. E eis que vão bater o cartão alguns andares abaixo. Onde andarão? As pessoas que comigo cursaram aquele concurso, que se tornou um curso, com poucos recursos, em nada incursos, porém deveras abstratos.

Abstrato foi a outra desventura, desprovida de ventura, nada parecida com uma aventura, que se passou em uma comédia ou tragédia romana em outro prédio, outra unidade, mesma faculdade, anos após o fiasco, que me deixou cheio de asco. Outro lugar, outro andar, outras pessoas, outras intenções, novas ilusões. Bobinho. Ano após ano, mês após mês, dia após dia, uma coisa atrás da outra, assim como um mar de morros, escasso de cumes e servido de vales, estes ou de depressão ou de lágrimas, rios e rios a escorrer por entre a escuridão reinante nos vales desta natureza. Outra vez, ali não se encontrava nada, porém reinava o tudo.

Vida, essa desconhecida. Esta alucinação em que vivo, em que vivem, todos compartilham do mesmo coma coletivo, apesar de não estarmos conectados a um ambiente virtual e fictício. É real, muito real, mais do que frequentemente gostaríamos que o fosse. Apegamo-nos ao real, mas abraçamos o virtual, quer seja ele lícito ou não. Criamos realidades paralelas, outros universos, novas fugas. Drogas. Computadores. Mundos que não existem mas que nos dominam. Álcool, alcalóides, esteróides. Yoga, meditação, relaxamento, para além do firmamento. Mundos e fundos. Bem fundo mesmo. Religiões e pós vida. O sentido escrito em um lvro, traduzido e retraduzido, nada fiel a seu texto original, assim o suponho.

Bom dia, café. Bom dia, água filtrada, esterilizada, acidulada, tratada. Nada do que foi será de novo como o é neste instante, neste instante que invento tudo isto, tudo que escrevo, tudo que não planejo mas que aparece diante de mim. Invento esta realidade para tentar escapar da minha. Não sei se sou assim, se sou assado, mas sei que não é assim que a vida funciona. Capturo frases alheias, escrevo e escrevo. Tento e tento. Não sei de nada, mas desconfio de muita coisa. Tanto que estou aqui, a me tornar mais e mais preso dentro da minha solitária, o lugar mais sozinho do mundo e o mais seguro também. Daqui, algo me diz, que não devo entregar-me a isto, que devo tentar achar a chave, esta outra desconhecida. Escrevo e escrevo, não estando isento de machucar aos outros mas ao mesmo tempo que sei que me machuco muito mais que aos outros.

Escrevo, tentando encontrar a tradução de mim mesmo. Para que os outros entendam ou tentem entender, de alguma forma ou de outra. Dizem-me que estou assim porque quero, porque desejo, porque não saio daqui, não saio dali, não saio de lugar algum. Estou aqui mas estou em outros lugares, tentando achar a saída desta coisa, deste lugar. Acusam-me e acusam-me. Sei que não estou isento de culpa, que não possuo a razão por completo. Ninguém possui esta coisa. Escrevo e escrevo. Se não entendem, entendo muito menos. Assim e assado, assado e assim.

Perdão é o que deveria pedir, eu suponho. Fazem gols, fazem filhos, falta luz, falta dinheiro, falta esperança. Falta sentido, faltam sentidos, nada do que escrevo é nada mais além de mim mesmo, de mim mesmo, daqui mesmo, de onde estou. Entendam ou não, assim o sou, assim o é, assim será, assim estarei. Escrevo e escrevo, mas frequentemente encontro em outros lugares semelhantes traduções, semelhantes retratos, aparentemente não estou sozinho, encontro-me musicado, narrado por outrem:

i am a scientist - i seek to understand me
all of my impurities and evils yet unknown
i am a journalist - i write to you to show you
i am an incurable
and nothing else behaves like me

and i know what's right
but i'm losing sight
of the clues for which i search and choose
to abuse
to just unlock my mind
yeah, and just unlock my mind

i am a pharmacist
prescriptions i will fill you
potions, pills and medicines
to ease your painful lives
i am a lost soul
i shoot myself with rock & roll
the hole i dig is bottomless
but nothing else can set me free

and i know what's right
but i'm losing sight
of the clues for which i search and choose
to abuse
to just unlock my mind
yeah, and just unlock my mind

i am a scientist - i seek to understand me
i am an incurable and nothing else behaves like me

everything is right
everything works out right
everything fades from sight
because that's alright with me

---Guided By Voices, I am a scientist.

Enfim, assim o sou, assim tento me comunicar. Vivam os repentes de Robert Pollard e sua voz, sua encarnação, seu reflexo de si próprio que é também meu, esta banda chamada Guided By Voices. Esta, afirmo eu, é uma das mais completas interpretações de mim mesmo já escrita por outra pessoa.

E tenho que parar. Há que se ganhar o pão nosso de cada dia. Paro, mas hei de continuar, até onde der, até onde convir, até onde for. Até que não haja mais nada para se escrever. Dia este que estarei morto.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Bom...SOC!

"Bom dia!", disse a ululante caixa do supermercado. Um soco, alguns dentes quebrados. Em frente. Na banca de jornais, "Bom dia", mais um soco, mais alguns dentes quebrados. E burburinho ao redor, claro. Adiante. Na entrada do prédio, "Bom dia", várias pessoas perderam alguns de seus dentes ao mesmo tempo agora. A cena se repetiu no elevador. Na cozinha do prédio. Nos corredores. E enfim, em sua sala. Neste momento, os bem humorados resolveram organizar um levante popular ribeirinho escalafobético e defenestrar o mau-humorado cidadão, que se esborrachou cheio de felicidade no pavimento da rua.

Sim. Seria este o resumo de alguns dias, estes em que o sol parce ter-se levantado apenas para nos humilhar. São momentos de crise reinante, dias em que tudo dá errado e que você desejaria apenas que a terra lhe fosse leve ao te engolir. Dias, em suma, que a bruxa está a solta; que os demônios estão atrás de você; dias que você virou a diversão pessoal de uma entidade qualquer.

Sim, bem sabemos que, supostamente, estes dias não acontecem todos os dias, por mais pleonástica que possa ser tal afirmação. E que temos que aturá-los com a melhor de nossa paciência, para que continuemos vivos. Assim o é. Mas, por vezes, embarcamos em uma sequência de dias ruins, dias ingratos, dias opressivos e cruéis, em que as horas se arrastam de tal forma que de fato, parece até brincadeira de mal gosto. E por vezes, logo ao levantar, você tem a nítida certeza que o dia de ontem ainda não acabou, sendo que este foi a extensão terrível de outra sequência de outros dias terríveis.

Aí, estranham quando você reage mal ao cumprimento mais trivial de todos: BOM DIA.

Bom dia de cu é rola, dá vontade de dizer por vezes. Ou dar um soco na boca do dizente. Mas, para não ser defenestrado pelas pessoas de bem ou ser tachado de incorrigível mau-humorado, pessoa esta que merece ser atirada às masmorras levantadas por nossos bem-humorados regentes, temos que sorrir hipocritamente e rebater: Bom dia.

Nada impede que em nossa mente matemos tal pessoa, ou brinquemos de dentista amador com tal cobaia. Algo do gênero, por assim dizer.

Havia um ex-colega meu na remota época que os sonhos de ser um eminente biólogo ainda existiam, que não hesitava em responder, "MAU dia" a todos os "Bom dias" que lhe apareciam, se lhe apetecesse. Evidentemente, tal pessoa teve que abandonar seu curioso hábito para que não fosse queimado em praça pública. No final das contas, parece-me que todos têm de se resignar perante à nossa EXTREMAMENTE autêntica ZOOciedade, e fingir, fazer de conta que tudo está bem, que tudo vai melhorar, que temos que ter fé.

Fé é o caralho.

Sim. A bruxa anda à solta por meus lados, e por mais que me acusem de ser isto e aquilo, que eu deveria erguer os braços para o céu e promover ação de graças, afirmo que isto é uma autêntica perca de tempo. Deixem-me ir para o diabo sozinho, como disse anteriormente. Ou apenas aguardem que a vida me jogue um osso, como já o disseram:

"When I'm a good dog
they sometimes throw me a bone in."

--Pink Floyd, Nobody home.

Sim, celebremos os maus dias, já que têm de ser parte da vida. Que venham os ditos populares de vão remédio para tais aflições, "Há que se conhecer a escuridão para se discernir a luz", "Dias melhores virão", "Tudo vai melhorar", "Depois da tempestade vem a bonança", etc etc e tal.

Acho que tais eufemismos poderiam constar na famosa listagem, "Top 10 maiores mentiras já contadas". Não tenho em mãos a listagem definitiva, por assim dizer, e lamento. Mas algumas delas incluem, "Dinheiro não traz felicidade", "Só vou pôr a cabecinha", "Brasil, um país de todos" e por aí vai.


Sim, o dia está mal, começou mal e irá terminar mal.


Bom dia.

"I've got wild staring eyes.
And I've got a strong urge to fly.
But I got nowhere to fly to.
Ooooh, Babe when I pick up the phone
There's still nobody home."

--Idem, ibidem.

terça-feira, 24 de março de 2009

III.

Bzzzzzzz.

Enquanto sua cabeça ainda zumbia, o mundo se refez ao seu redor, ainda que de maneira muito desagradável, como iria constatar em breve. Sentiu dor, muita dor, ao tentar mexer sua cabeça. Sentiu em seguida um empurrão, seguido do ruído metálico.

Clic.

Abriu os olhos. Diante de seu nariz, apenas uma sombra circular. Após alguns momentos de profunda estupefação, sua vista focou direito o cano dotado de uma alça de mira à sua frente.

"Nem tente fazer alguma gracinha," uma voz disse. Sua visão estava um tanto embaralhada ainda, seus ouvidos ainda estavam inundados do insistente zumbido, seu estômago roncou. Que fome, pensou ele. Logo após esta sequência de pensamentos e constatações, sacudiu um pouco a cabeça, aumentando mais ainda a dor latejante em suas têmporas, em sua testa, em sua nuca.

Fixando as pupilas no cano à sua frente, tentou reorganizar seus pensamentos. Tentou se lembrar do que havia acontecido até então.

Um imenso ponto de interrogação dançou em sua mente. Nada a declarar. Não sei de nada. Não vi nada. Circulando.

Sentiu o metal frio encostando em seu nariz. Não gostou nada daquilo. "O que há? O gato pegou sua língua? Comece a falar!"

Saco. Com todo aquele torpor em sua cabeça, ainda tinha que lidar com um provável agressor, alguém que não tinha idéia de quem seria, mas que estava com a evidente vantagem de estar portando alguma arma de fogo, apontada para o meio de sua fuça. Qualquer coisa significaria, Bang. Adeus cabeça. Olhou para a cara de seu "dono", aquele que o tinha na coleira. Não gostou do que viu. Tinha cara de rato.

Sem ao menos saber como, um flash de luz cegou sua visão por alguns segundos - ou pelo menos assim o pareceu. Quando se deu por si novamente, estava de pé. Sua visão estava um tanto desfocada, o zumbido em sua cabeça parecia ter aumentado. Soltou uma das mãos de sua carga e com ela esfregou sua cabeça. Ai. O que havia acontecido?

O que tinha em suas mãos?

Abriu os olhos e olhou para o rifle calibre 12 que segurava com a mão direita. Enquanto tentava em vão elaborar alguma explicação em sua cabeça, notou que haviam respingos de sangue em suas mãos. Em seu peito. Algo molhado, espesso, escorria de sua testa. Passou a mão direita ali e viu a mancha vermelha em seus dedos.

No chão, um corpo. Alguém com cara de rato.

Ouviu passos, alguém dizendo, "Zalinski! O que aconteceu? Ouvi um tiro!"

Um tiro foi o que ele ouviu, de fato. A última coisa que ele ouviu. Acertou em cheio na cabeça do infeliz, que se transformou em uma explosão duma massa vermelha, sangue, miolos, ossos.

Que belo fim para alguém que não tinha nem idéia de quem fosse.

Não estava entendendo nada, mas pelo visto não estava seguro ali. Uma rápida checagem em sua mais recente vítima revelou que ele também tinha uma predileção por escopetas calibre doze, bem como o falecido Zalinski, que tinha cara de rato. Apanhou toda a munição extra do outro falecido e procurou por mais algo em seu corpo. Um molho de chaves. Poderia ser útil depois.

Agora, tinha que sair dali. Olhou ao redor, aquilo parecia uma fábrica qualquer. Havia um tonel gigante aberto perto dele; com algum esforço, jogou os dois infelizes ali, sem se preocupar com que diabos poderia estar sendo processado naquilo. Sentiu dores na perna. Havia um curativo improvisado numa delas, parecia que havia sofrido algum acidente recente.

Não se lembrava de nada. Mas sentia que não tinha tempo a perder com este tipo de pensamento. Não agora. Sentia perigo no ar.

Olhou mais uma vez ao seu redor, mas não viu ninguém. Mas, ao longe, ouviu vozes.

Esgueirando-se cuidadosamente, para não fazer barulho, atingiu o segundo andar daquela fábrica e procurou por algum esconderijo. Entando em um escritório destrancado, viu em um canto uma canaleta de ventilação. Achou que poderia ser um local ideal para uma tocaia, e procurou por algo ao seu redor que pudesse ajudá-lo a retirar a grade dali.

As vozes pareciam estar se aproximando. Ouviu um grito de espanto. Rápido, rápido.

Sem pensar muito, tentou arrancar a grade sem usar ferramenta alguma. Ela saiu fácil, como se fosse de manteiga. Contiunuava sem entender nada, mas procurou não pensar muito a respeito. Se esgueirou ali, encostando a grade de volta ao fazê-lo.

Se arrastou pelo estreito espaço, até ficar suficientemente escondido nas sombras dali. A perna latejava, sua cabeça também.

As vozes estavam se aproximando. Disso tinha certeza.

Lentamente, puxou o carregador da escopeta e esperou. "Onde estão eles? Zalinski! Neumann!"

Cada vez mais perto agora. Passos.

A porta do escritório se abriu. Segurando a respiração, apontou a arma para a entrada da canaleta.

Mas não pôde vencer o negrume que se apoderou de seus olhos. Sua mente desligou.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Uáuaááuáuááaaa....Improductibilidadis est.



Sim, o tempo voa enquanto estamos nos divertindo. Ou não. Por mais que tentasse ser produtivo neste fim de semana, não obtive muito sucesso, pelo menos não na praia desenhística em si. Tem dias que são muito estranhos, parece que você simplesmente se esqueceu como é que faz. E ontem foi terrível; nao consegui nem esboçar um ovo.

Enfim, felizmente nem tudo foram sombras na folga semanal remunerada. Felizmente, do outro lado, o musical, realizei mais uma pancada de semi-músicas no improviso do decorrer das horas ingratas em que não fui socorrido pela agente inspiradora de realizações grafitistícas e/ou nanquinzistícas em que somos tentados a executar enquanto estamos vendo os navios inexistentes passando repletos de ninguéns ao nosso redor, de sorte esta que ainda temos outras coisas com o que nos entreter e/ou torturar vizinhos, familiares e quejandos; há que se contribuir para o mal-estar a nós propagado em estas horas, temos que, enfim, causar mais infortúnio do que nos afligem, temos que tentar executar, ainda que de maneira semi-satisfatória a execução de obras nada acústicas em instrumentos nada acústicos e....

Céus, que verborragia é esta. E olha que nem comprei a lata cafeinada de refresco de guaraná gaseificado que é nos ofertada em todos os supermercados existentes por aí nesta manhã matinal d'hoje. Que seria de mim se o tivesse feito, não saberia dizer. Sei que de qualquer maneira estou aqui a digitar um milhão de palavras com a grafia incorrecta enquanto escrevo isto tudo, e estou fazendo-o muito rapidamente, tal qual tivesse ingerido muito e muitos Red Bulls. Estranho, muito estranho. Deveria estar em uma marcha bem mais lenta, tendo em vista a data em ocasião. Mas, como já diz o paradoxo de Murphy, "Se a lei de Murphy pode dar errado, dará."

Enfim, como ia dizendo, embora nada consegui fazer sobre os papéis, muito consegui fazer sobre as seis cordas de Cremilda, esta menina que insiste em machucar as pontas de meus dedos. Alie-se a isto um Loop Station e uma ME-50 e você sentirá o tanto que meus dedos estão reclamando em esta manhã em particular. Não, não cheguei ao ponto de imitar Paul, o McCartney, após a faixa "Helter Skelter"; não obtive bolhas em meus dedos, mas consegui uma cãibra no "músculo pestaneiro" da mão esquerda, e várias dores no ombro esquerdo, que já estava lenhado desde a quinta feira à noite. Consegui lenhá-lo mais ainda com o peso de Cremilda. Ai ai, como se diz, "Sofra pela arte, fedaputa."

Enfim, eu estaria deveras carrancudo se não tivesse pelo menos conseguido divertir-me com minhas viagens sônicas. Acho que devo ter irritado deveras o alemão de araque que reside na casa ao lado, mas não poderia me importar menos. Sinto-me com remorso de não ter obtido sucesso quanto à tarefa de fazer uma tira por semana, mas enfim, ontem tudo deu muito errado quanto à isso. Às vezes, é necessário saber quando desistir. Após rasgar umas 2 folhas, eu soube que era a hora. O que não me impede de sentir que falta algo hoje.

Outras coisas que foram assaz desapontadoras se resumiram à tentativa frustrada de assistir dois clássicos da filmografia de Stanley Kubrick, sendo obrigado a não o fazê-lo devido à economia porca da revista Veja, que incluiu seu acrevo de filmes em promoção em embalagens mui econômicas, porém nada seguras para o não-arranhamento dos discos. A economia é realmente a base da porcaria, de fato. Deveras. Enfim.

Continuemos então. O que será que a semana nos reserva?