segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Viver...sozinho.

Viver sozinho. Sempre foi a proposta, em minha mente, antes mesmo de saber o seu significado, na vida adulta. E assim foi. Mesmo morando com meus pais, me mudei para o sótão, que é maior que muitos apartamentos por aí, nesta cidade, onde o aluguel seria absurdamente oneroso.

A vida dá muitas voltas. No final do ano passado, não vivi sozinho ali. Vivi em companhia da Loba, Jackeline Serena, que, curiosamente me fez despertar para meu lado "não-sozinho" e "não-gay" de ser. Mesmo que aqui tenha dito o contrário, inúmeras vezes.

Não. Não sou, inteiramente. E nem mesmo sei precisar o que me aconteceu, quando me aconteceu, mas foi em algum momento do ano passado. Eu já me correspondia com ela, via e-mail, por muitos e muitos anos, desde 2009, desde os primórdios deste blog. 

E aqui mesmo confessei minha afinidade pelo "fandom" furry - dane-se: é este o nome da coisa. Procurem, se tiverem estômago, pois muitas das coisas publicadas são gays, e muito trata-se de conteúdo sexual. Me habituei, fiz minhas seleções, e aqueles que eram meus artistas favoritos de tal fandom eram gays e altamente povoados por sexo ente machos de diversas espécies. 

Logo, eu era gay. Não poderia deixar de ser. 

Entretanto, no ano passado, eu e Jackeline saímos da navegação na internet africana - eu, num link de 2 megas, ela apenas nos finais de semana, na...internet discada. Na mesma época, conseguimos obter os famosos "combos" de internet banda larga -mais ou menos larga, de 15 mega, MAS sempre com a ressalva contratual de garantia de 10% da velocidade real. Ainda assim, lembro-me de como foi vê-la pela primeira vez, com ela travar uma conversa real, via Skype.

Algo mudou em mim. Eu sabia, de imediato. Aquela mulher - pois ela não é nenhuma criança ou "aborrescente" de 15 anos, e nem eu tampouco o era. Mas...vê-la, interagir com ela, me fez mudar. Me deu um "click" interno, e, em pouco tempo, eu não mais sabia o que era. 

Eu me apaixonei. 

E, as memórias da época são meio difusas pelo uso de drogas, não mais os canabinóides, mas os prescritos na lei, por um psiquiatra, o mesmo que me tirou do buraco profundo da depressão. Não me lembro o que aconteceu, mas já era, novamente usuário constante daquele outro universo virtual chamado Facebook. Ali, lembro-me dela ter declarado, sem que eu soubesse que estava "ouvindo", que ela julgava-me como um paladino, um cavaleiro andante que queria "resgatar" alguma "princesa". E que ela mesma se julgava parte de obstáculos que eu teria que passar, crocodilos num fosso que levava ao castelo de tal "princesa"...

Não sei em que momento decidi isto, mas sem ela, eu não queria viver mais. E tinha acesso a inúmeras caixas de rivotril, hipnótico que garantia minhas noites de sono. E em um sábado, cuja data não me recordo, eu ingeri aproximadamente 80 comprimidos da coisa, tendo a certeza que morreria de tal overdose.



Não mata. Não. Apenas te torna em uma outra pessoa - algo muito parecido com o efeito do álcool. Extremamente agressivo, violento, você perde totalmente o controle. E- fiquei sabendo apenas DEPOIS, pois a coisa, além de tudo lhe dá uma amnésia quase completa. Me lembro de alguns flashes, mas o todo se perdeu. Eu barriquei a porta de entrada ao sótão; do lado de fora, minha família estava em polvorosa, pois eu -acho - que mandei mensagens a todos, me despedindo. E, em determinada hora, felizmente isto não se tornou público, eu chamei a "mulher fatal" da história em chat privado do Facebook mesmo e fui monstruoso com ela, mas ela não é, de fato, nenhuma "donzela indefesa", pois soube revidar à altura.

Em dado momento, não sei, eu caí no sono, e acordei, lá pelas quatro horas da manhã, dizendo, "Porra, tenho que ir para o trabalho." e fiquei a esperar, inutilmente, um ônibus na praça do Papa, pois a única e PÉSSIMA linha linha que nos atende, aos domingos, só circula a partir da CINCO da tarde. Como coincidiu ser época de greve de ônibus, parti, a pé até o centro da cidade. E quando vi o pessoal armando a famosa Feira Hippie, caiu a ficha. Era domingo! O que EU estava fazendo ALI??

Confusão mental. Já que está no inferno, abrace o capeta. Andei o restante até o meu emprego. E ali fiquei, sem saber o que fazer, o que pensar, tendo lampejos da destruição do dia anterior, e uma parte era meio que misturada com videogame. Logo, logo Jackeline me contactou via whatsapp. disse que precisava me ver, olhar nos meus olhos. Ali não havia nenhuma webcam. Liguei para minha irmã mais velha e expliquei o caso....ela ficou de me resgatar de volta para casa...e assim foi.

Cheguei e logo ligamos o Skype. Jack estava muito perturbada. "Olhe para mim!" e eu olhei. tão fundo quanto as lentes e a conexão deixavam - "Você gosta de mim...como um homem?!" - "NÃO! Não me pergunte. mas eu sinto atração por você como...uma pessoa. Alguém em especial, alguém muito especial..."

Descobri ali também outro fato a meu respeito - não tenho restrições sexuais, homens, mulheres - não me importa quem sejam, desde que comigo se importem.

E daí pra frente, ela me explicou o que eu não lembrava da noite anterior. Estava ainda tudo registrado no chat do facebook, e à medida que ia explicando, eu agarrei uma chave de cano velha, de uns dez quilos, e para cada atrocidade que lia ou era narrada, eu me dava um golpe na perna.Ainda tenho cicatrizes para prová-lo....

Daí em diante, assumi o papel de "ômega" com ela sendo a "macho alfa"; realizava tudo o que ela queria. Tentei compensar tudo que havia feito naquele sábado fatídico, e ainda assim haviam alguns atritos, sempre com a mesma ameaça - "se você me bloquear ou falar que vai se matar, ou qualquer besteira assim, é o fim. FIM. Definitivo". Houve até uma época que fiz uma das coisas proibidas, pois ela se recusava aser uma "namorada", se afirmava que NÃO era mulher de um homem só, que no máximo seria "amiga com benefícios" - a bloqueei, a conselho de meu irmão ex sanguineo Gabriel, o alcunhado Nazista. É o tal de não posso ter exclusividade, então quem garante que não há outros por aí, fazendo o mesmo papel de palhaço que eu? Fazendo "sexo virtual" com ela. Com certeza, acervo para tais sessões ela tinha em seu arquivo de fotos e vídeos.

Tentei por alguns dias resistir, mas não sei a que ponto, mandei-a um email de bandeira branca. E ela, chorosa, me aceitou de volta, e prometi-lhe que não mais o faria.

O resto do ano se passou, e nós, fizemos muito "sexo virtual". Não foi possível para cá trazê-la antes de dezembro, entretanto, pois precisei vender minhas férias(vencidas em dezembro) para pagar dívidas...o que a deixou um tanto mordida. Mas continuamos. E chegou dezembro, eu ainda vivendo no caos onde resido, a única diferença foi a cama de casal que cá arrumei.

E ela veio.

E foi bom, não negarei, muito bom, tê-la cá comigo, na solidão não mais tão só deste cômodo da casa. Porém, cometi o erro de chamar a minha casa, a casa de minha FAMÍLIA, uma convidada feito ela. Logo começou a surgir stress; não sei porque cargas d'água TODOS os dias minha mãe e irmãs inventavam uma programação diferente, numa cidade onde o ponto mais baixo são atrações turísticas.

Eu só queria ficar ali com ela - eu estava feliz. Eu sorria espontaneamente, mas logo fechava a cara quando anunciavam que iríamos no local podre X, ver, a idiotice Y, que NÃO era necessário ver.

Tive problemas de ordem sexual, devo admitir. Para uma pessoa que tomou quase uma vida inteira de antidepressivos talvez já tenha ouvido falar o "efeito latente" deles - ou, trocando em miúdos - "Não consigo gozar!" Tive que fingir, várias vezes, de tanta agonia. Ou então eu continuava até que broxava. Ao menos -assim o acho - eu a fazia gozar. Ou era o que me dizia, não sei se era verdade.

Fui ter ao meu médico , junto com ela, que ficou de fora parte da sessão onde relatei o que estava acontecendo. Ele disse para administrar, concomitantemente com os remédios, antes da relação, Viagra. E depois da sessão, que ela saiu sem saber do conselho farmacológico, eu, que ainda tinha um pouco de dinheiro no bolso, encomendei caixas e caixas de tal medicamento, em sua forma genérica. Até eles chegare, era a mesma história todas as noites. Algumas noites eu era obrigado a terminar por conta própria....e outro fato se revelou: eu não mais ejaculo PORRA, por si, mas...água. Acho que além de tudo me tornei estéril, também. Desesperador, eu sei.

Quando enfim a caixa chegou, eu não admiti a ela nada - tomei a tal pílula azul e.... mágica. Orgasmo. Enfim, o orgasmo. Mas tomar aquilo todos os dias me deixou com dores quase insuportáveis nas pernas. Acho que tem a ver com circulação sanguínea.Mas eu aguentava, pois a recompensa era imensa a mim e a ela.

Mas aí, o restante da família começou a se tornar hostil à hóspede. Cada vez mais. Eu não me importaria, se não fosse um dia que pegamos minha mãe no flagra, falando sozinha que não aguentava mais "ciceronear" aquela mulher, e etc e tal. Aí o final foi tenso, cada vez mais tenso, porém, não entre nós dois.

Foi muito bom não ficar sozinho no sótão durante estas férias, que foram as melhores que já tive em minha vida.

Entretanto, nada dura para sempre, e quando ela voltou para Curitiba, os atritos virtuais recomeçaram, nem sei bem por que. Chegando ao ponto que resolvi...cortá-la de minha vida.

Sendo sincero, ela tirava fotos demais de nós dois, em todos locais que íamos e estávamos. E postava no facebook. Eu me senti como uma espécie de....perdoem se for muita empáfia, mas eu me sentia feito um "troféu".

"Olha só o que EU tenho e VOCÊS não", algo assim.

Sei que ela negará parar sempre, pois ela mesmo me disse, antes da viagem, se queria mesmo que eu fosse, pois, "sexo para ela não era um problema" - coisa que não entendi muito bem. Então julgava ela que a queria por sexo? Não. Nunca foi, embora era um excelente bônus, não nego. Aparência, para exibi-la como troféu? Não, pois, sei tamber ser franco - ela não é nenhuma beldade de fazer parar o coração.

Ela era uma amiga. De quem gostava muito. Muito. Se fosse rolar sexo, é muito melhor, creio eu, entre pessoas que se gostam de verdade.

Então...não sei. Sei que minha memória anda difusa, devido aos medicamentos. Não sei bem o que aconteceu na última semana, mas sei que ela "gralhou" tanto, como dizem os curitibanos, em meus ouvidos que resolvi...cortar. Arrancar pela raiz.

Se me fez mal? claro, pois nunca é fácil cortar uma amizade de tantos anos, ainda mais especial como aquela foi. Foi feito cortar vínculos com o Psico. Mas...me sinto mais leve, sem ter que...ser seu ouvinte eterno de como a mãe dela isto e aquilo, e qualquer brincadeira é tomada como uma rosnada.

E que, como Psico, acha que minha vida se resolverá se parar de dizer "não".

Sim, ela é praticante d'"O segredo". Coisa que abomino até os ossos.

Então, assim foi. Estou novamente sozinho no sótão. Foi bom ser desejado por alguém, mas ouvir alguém dizendo, repetindo, mantras e mantras que enquanto EU quiser, as coisas NÃO vão melhorar.

Enquanto eu não mudar, tudo permanecerá na mesma.

Mudei algo. Não sei se pra melhor, mas que me desonerou de ser ouvinte noturno de alguém.

Me desculpe se teve de ser assim, mas foi.

Obrigado por tudo, minha ex-Loba...e que o segredo vos traga alguém mais decente.


4:17 AM

E aí
você percebe
que o te faz falta
é ninguém,
mas alguém,
que cá esteve,
que cá foi tolerada
por ser "falsa"

Falsa?
em que sentido
se bem real eras
se emanava calor
da cama, grande cama

agora desfeita,
para sempre,
pois foi deletada,
apagada,
ignorada,

por este ser
que a escreveu
em seus sonhos,
em seu mundo
pequeno mundo
de caos,

pequenos momentos
de capuz, cobertas
e frio
numa temperatura
por nós
bem tolerada,
mas não por ela

ansiava calor,
calor
meu calor, talvez,
mas não podias
dormir abraçada
a nada,

enquanto eu ainda
dormia
abraçado
a seres que cá não
existem,
existem
em minha fantasia

a realidade
não era fantasia
embora fosse,
de certa forma
pois sua forma
esteve
ali,

a ocupar grande
parte da cama,
do caos,
que cá impera,
imperou,
e há de imperar.

cansado estive
a ser
seu troféu,
sua matéria prima
da inveja alheia,

de ter de sair
quando queria ficar.

cansado estive,
quando mo afirmaram
quão falsa era,
falsa? todos, todas vocês.

Todas vocês que
a toleraram
por me fazer sorrir
por me fazer sentir
algo mais
que um simples
noiado
num sótão.

Agora vejo,
a deletei, a excluí,
a fiz desaparecer,
e ainda abraço
o ser que não há
por trás dos
travesseiros,
mas talvez
por trás dos
sonhos,
de meu pardieiro
de sonhos
e fantasia.

Não.
não eras falsa.
não, de fato aconteceu,
acontecemos,
no chão,

Mas ao longe vives,
ao longe "vives",
de fato,
enquanto cá,
no pardieiro,
tento acontecer sem
você.

aconteço, sem você,
mas com todas as
memórias
do
longínquo
dezembro,
início de dezembro,
e já fevereiro,
nos separamos
embora para
mim,
ainda sejamos um,
no chão,
na cama
que rangeu,
atordoou todos,
acordou todos,
falsa.

Falsa?

Não.

mas à distância,
Assim vos tornaste,
nada,
nada.


domingo, 31 de janeiro de 2016

Written within

Written within,
the chaos that
is me, the nature,
very own nature
of me and myself,
myself and me,
me vs myself,
only to know,
that this is just
a never ending
story,
a never ending tale,
that can't be fueled
by ale, cheese,
and so many other
foods, to the
body and soul,
everywhere I go,
everywhere I was,
not now, not now,
not ever since
the battles rages on,
ironically, it does,
doing so, it's me
against me,
against the meds
on me, against
the drugs on me,
drugs - that may have
well be the catalyst
of such battles,
the fattener of
this body,
the bloating of
my rage
against me
and myself,
do this,
but you'll cant't
do that,
eat this,
but not that.
everyone notices,
ever'one did
how much
do you weight
nowadays?
what has happened
to the man we
used to see?
it's all over there,
on my medicine
cabinet, on my drug
stash, of sorts,
because I was an
addict before,
but nevere, ever
ceased to be
a drug addict
now.
And I don't know
if they know,
how much I still
hate myself,
how much I'd like
to kill myself,
start over,
wipe the slate
clean.
No.
they don't know.
all they know,
is what I do tell,
but there are
other things
I shan't tell,
because I need
to keep in check,
to sleep on time
to wake on time,
to be on the job,
on time.
They don't know
who is this guy,
collector of
draconic mumbo
jumbo, collector
of seemingly useless
trash, they can't know,
they won't ever know,
because I'm everything
and nothing at all,
I'm the guy,
paying his dues,
paing his karma
bills, so many,
scattered on me,
beside me, inside me.
I tried, oh, I tried,
to become someone
different, someone
who'd be accepted,
acknowlwdge,
responsible,
No.
I am not.
I'm a heart-shaped
box, full of notes
full of sin and regrets,
full of secrets,
no one must know.
No one will ever know.

I am who I am,
and I detest this
visage,
this reflection
of what I am,
still. I do.
I do, so much.
Everyone abandoned
my lost cause,
my lost case,
of being this
but also being that,
that which is hidden,
within, written
within, and scribbled
outside, parts of me
I need to show,
the rest - horror show,
is is written inside,
carved inside,
with a bayonnete
of war, the war
that still rages on,
that still haven't found
a way to placated,
subdued, thawed.
I am ice inside, and
fire burning too,
but the ice is gasoline,
and the fires are never-ending
pyres of myself,
burning myself on stakes,
impaled on stakes,
burning hot & cold,
while outside,
I try and mantain
to keep my head
clear, my face smiling,
while inside crying, weeping
for the pain that is
written within.

Modern - idade.

Existem coisas a aprender. Sempre, sempre. Ainda mais em tempos como estes, onde as pessoas não são mais pessoas.

São "usuários", "users", "members", todos sujeitos a um "disclaimer" de dez ou mais páginas que ninguém lê. Sim, sim, sim, aceito, estou de acordo. Alguém sabe, de verdade, o que está escrito ali?

Nem nos promórdios da computação, instalar sistemas operacionais, browsers e afins, bastava dar um "scroll down", aceitar. Concordo. Concordo que em usar seu site, lhe devo um rim. Lhe devo meus órgãos internos. Lhe devo o que não possuo, crédito, dinheiro, meu carro, que não possuo, minha casa, que não a tenho.

Concordo.

E agora, a coisa evoluiu aos relacionamentos. Não existe mais "discutir relacionamentos", "It's complicated" seria um indicador, em outros casos, não é. Simplesmente bloqueie, exclua a pessoa do rol de "amigos" do Facebook. Do Twitter. Do Tmblr. Do Reddit.

Agora, faça-o em um dia que você está chapado de entorpecentes, pois tudo que quer é dormir. Tudo que quer é que o dia termine rapidamente. Faça-o. Poof. Você foi excluído também.

Você foi deletado.

Não sou a melhor pessoa para dizer que é um absurdo, mas foi o que me aconteceu. De um mês para cá. Senti falta imensa de alguém. Certo domingo, me entupi de soníferos, e sei bem qual é o resultado disso. Ou deveria saber. Pois não me lembro direito o que aconteceu, a certa altura, eu fiz uma brincadeira imbecil com Ela, depois a coisa foi evoluinod até excluir Ela. Movimento errado! Excluir TODO o Facebook.

Mas nunca me lembrar de retirar o bloqueio sobre Ela.

Ela, impôs a regra, ano passado - me bloqueie mais uma vez e estamos acabados. No dia seguinta, com a cabeça mais limpa, restaurei o Facebook, mas não me lembrei em nenhum momento, de retirar o bloqueio Dela.

Resultado?

Acabou. Estou de mal, para sempre. Te bloqueei no Face, no Zapzap, em todo o resto. Acabou. Nenhuma palavra, nenhum direito a defesa.

Defesa? de um usuário profissional de drogas?

Não há.

Segundo o Segredo, é melhor se afastar para sempre. Mesmo por conta de um deslize idiota como este. Delete-o, bloqueie-o.

Faça-o tornar a ser o que sempre foi, o Sozinho no Sótão.

Deletado. Inexistente, existindo.

História de minha vida.

Bola pra frente, dirão os adeptos do "viva e deixe viver", ainda que gerido por estranhas leis.

Assim o é, assim o foi.

Assim foi, lembro-me bem, com um ex-amigo meu, que cá foi deletado.

Deletado. Inexistente, sem o ser. Inexistente aos olhos da internet. Ou seja, ainda mais que deletado. Ainda mais que inexistente. Nenhum dado adicional a respeito.

Que assim seja, amém.

E assim sou.

Amém.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

801.

O que
sou eu
Acordo, durmo,
estranhos horarios
estranha pessoa estranho prazer
de me ver, morrer
dia a dia
cada vez mais
cada vez menos
mais um dia
dia a menos
neste mundo - cruel mundo imundo -
que estou,
que sou,
sem ser
nada.
quem eu era
se acabou
se esvaiu
quem eu era
já fui,
já foi,
um dia,
humano
demasiado humano,
demasiado estranho,
hoje
acordo a esta hora,
acordo agora,
e sei, 
que nada sei 
além do que 
isto
não é normal,
não é natural,
talvez um urro gutural,
murro virtual,
não posso mais,
saio,
saio de casa
caio nas ruas
2:30
para onde ir,
além do trabalho,
levando nada,
além de mim,
além de minha
loucura,
dirão
"sair de casa
a este horário!"
Exclamarão.
Eu sei
bem sei
os riscos 
da madrugada,
tais quais
os riscos
da alvorada
ruas silentes
mas nada mortas
estranhas figuras
aqui e ali,
se movem,
se morrem,
serei eu,
um a mais?
Sim, sou:
figuraha estranha,
botas, bermuda, fones
guarda-chuva
guarda-chuvas,
um esconde
meu negro
soco inglês,
se tiver
que tombar,
não tombarei sozinho,
caminho,
caminho
caminho,
escuros caminhos,
cristal a brilhar
na madrugada
em casa, me tornei
ninguém,
na rua continuo a ser
ninguém
bem como no trabalho
continuarei a ser
ninguém,
ainda mais no prédio
vazio,
porteiro a dormir,
"Que fazes tu
aqui a esta hora?"
Não sei.
Não saberei,
pois  a morte
não veio,
ainda que a 
chamasse, 
a conclamasse
por todo o caminho,
não veio.
Cheguei, e agora escrevo
linhas
que ninguém lerá
como as escrevo,
ninguém lerá
como se concebem
nesta cabeça errante,
andante,
a trotar, trafegar
peos caminhos
que levassem-me
ao norte,
à morte.
que enfim não veio.
as botas tiro,
visto o uniforme,
aguardo, tic-toc,
o horário de 
ponto bater,
soar,
clamar
a todos que cá 
ainda não estão,
para mais um dia,
menos um dia,
de trabalho, trabalho
trabalho,
para quem?
para que?
para  ganharmos
o pão, que cá mesmo
comeremos,
ou lá no centro,
venderemos.
Pois o trabalho é muito,
o dinheiro é pouco,
e sem dinheiro,
que somos?
Quem somos?
Nada
menos que nada
indigentes,
prostitutas,
prostitutos,
mil olhos a nos ver
e não nos enxergar
invisíveis monstros
a devorar
as latas de lixo,
o  lixo de uns
é o luxo de outros,
e o que hoje cá está,
pode não estar amanhã.
Eu, que dizem-me
ser assim e assado,
bonito e charmoso
(só se for para  porcos)
quando alguém consigo atrair
dali a escorraçam,
dali a maldizem,
dali ela se vai,
eu fico.
E cada dia é mais menos,
menos um dia,
mais um cigarro,
mais uma pílula,
não consigo dormir.
Então, desperto,
vil e desfeito,
para o resto da família,
dali me vou,
mas sei que voltarei,
pois não tenho dinheiro,
não tenho posses,
não tenho nem mais alegria,
que a ela só interessava isto:
a alegria.
E quando quedo-me
no abismo da melancolia,
nos debatemos
até que eu ceda,
finja estar tudo bem,
quando não está.
ao menos nem descendentes
terei, pois eis
que o consumo de
fármacos anti- loucura,
me tornaram estéril,
me tornaram inútil,
erro de Darwin
para a evolução
humana.
Não posso chorar.  
Não! Posso! Chorar!
serei abandonado,
e por mais que digam
que sou isto e aquilo,
nem em um prostíbulo
poderia agir,
pois não tenho
porra nenhuma.
E, cedo ou tarde,
percebemos
como a distância
que nos uniu,
nos distancia
cada vez mais e 
mais, mais e mais,
pois ainda resido
no local onde não
sou nada e
tudo ao mesmo tempo,
sou eu, e não sou,
sou alguém a ocupar
um futuro jazigo,
e ninguém a ofertar
aos outros da casa
nada além de 
nada.
Sou pálido,
barrigudo,
quarentão.
Sem ninguém
ao meu lado e
sem carro,
dinheiro,
posses.
Não possuo 
nada além de
coisas que para
mim nada mais servem,
Já não toco mais,
já não rabisco mais, ó
900 miligramas de carbolitio 
dos infernos.
Por um mês pensei ter
achado alguém 
como eu, que não se interessa
pelo mundo exterior,
mas errado estava eu,
e muito caro isto me custou,
pois agoro ainda choro,
ainda bato e esmurro
a mim mesmo,
em minha imaginação, pois não posso ser triste!
Não!
A vida tem que ser só alegria!!!
A-L-E-G-R-I-A.
Tenho alergia a alegria, parece.
pois a letargia que sinto
de ver os outros na rua
parece-me sempre
refletir-me
o fracasso
que sou.
E sim, há gentes piores,
com malefícios piores,
sem nenhuma posse,
mas também, 
sem nenhuma amarra,
nenhuma necessidade
de ser humano,
de precisar 
de alguém.
Eu mesmo já tentei sê-lo,
não consigo mais,
então, estranho,
barrigudo, quarentão,
pobre e sem porra nenhuma,
tento ser - fingir - ser alegre.
tenho que, como sempre,
fingir ser
o que
não
sou.







domingo, 13 de setembro de 2015

More 50 questions off Facebook:

50 questions
1: What would you name your future daughter?

Little miss nobody.

2: Do you miss anyone?

Yeah, my...real friends

3: What if I told you that you were pretty?

Get in line. A lot have, and still doesn't affect my low-self-esteem.

4: Ever been told “it’s not you, it’s me”?

Yeah.

5: What are you looking forward to in the next week?


My half of paycheck, but I kow it'll vanish as fast as it did come.


6: Did you go out or stay in last night?


I always stay in.


7: How late did you stay up last night?


Around 9 PM. I'd say.


8: Honestly, has anyone seen you in your underwear in the past 3 months?


Yes.

9: What were you doing at 12:30 this afternoon?


Having a petty argument, I think.

10: Have you ever told somebody you loved them and not actually meant it?


No.


11: Could you go for the rest of your life without drinking alcohol?


Yeah, if my life was supposed to last half a bottle of  Bailey's. Then, I'd have a stroke and die.


12: Have you pretended to like someone?


No.

13: Could you go the rest of your life without smoking a cigarette?


No! I'm smoking one right now!

14: Is there one person in your life that can always make you smile?


Mmmmmmm.....no.


15: Is it hard for you to get over someone?


It's one of the worst things in life.

16: Think back five months ago, were you single?


Yeah.


17: Have you ever cried from being so mad?


A lot more than I'd care to count.


18: Hold hands with anyone this week?


No.

19: Did your last kiss take place in/on a bed?

No. Not for real, only in imagination.

20: Who did you last see in person?


My mom....I think.


21: What is the last thing you said out lot?


"I'm sorry, I'm sorry...."

22: Have you kissed three or more people in one night?


Never.

23: Have you ever been to Paris?


No, and I believe I won't ever get to see Paris.


24: Are you good at hiding your feelings?


'fraid not.

25: Do you use chap stick?


If I need to, yeah.

26: Who did you last share a bed with?


A sexy voice on my cell phone.


27: Are you listening to music right now?


No.

28: What is something you currently want right now?


A fucking shitload of money, endless money.


29: Were your last three kisses from the same person?


Virtual kisses count? If so, yeah.


30: How is your heart lately?


....in shambles, yet.


31: Do you wear the hood on your hoodie?


If it's cold enough, yeah.


32: When was the last time a member of the opposite sex hugged you?


Round four to five hours ago...


33: What do people call you?


Crazy.


34: Have you ever wanted to tell someone something but didn’t?


A lot mot than I should have.


35: Are there any stressful situations in your life?


I'm not insanely rich, so...of course there are! Idiot.


36: What are you listening to right now?


The earky birds singing, it's around 5 AM.


37: What is wrong with you right now?


I'm fucking lonely. And I fear I'll still be. Forever.

38: Love really is a beautiful thing huh?


No, it isn't. No.

39: Do you make wishes at 11:11?


Nope.

40: What is on your wrists right now?


Nothing.

41: Are you single/taken/heartbroken/confused/waiting for the unexpected?


A mix of everything. I think.


42: Where did you get the shirt/sweatshirt you’re wearing?


NetShoes, I think.

43: Have you ever regretted kissing someone?


Yes. Denize.

44: Have you hugged someone within the last week?


In the actual, real world? Only my mom and sister.

45: Have you kissed anyone in the last five days?


Not in reality.

46: What were you doing at midnight last night?


Sleeping.

47: Do you miss the way things were six months ago?

Sometimes...but not that often.

48: Would you rather sleep with someone else or alone?

I have always slept alone.

49: Have you ever been to New York?


No, and it ain't an ambition of mine. It's just a fucking big city.

50: Think of the last person who said I love you, do you think they meant it?


....

domingo, 9 de agosto de 2015

Dia dos Pais.

O pai, que eu tive, eu não tive,
às vezes. às vezes,
abandonei meu pai
Sem me dar conta que eu sou meu pai,
me tornei meu pai,
se ele não tivesse se tornado
meu pai.

Desperdicei a vida com drogas,
com ócio,
com vadiagem
e presimidamente viadagens
defronte
situações que
deveria ter sido como ele:
um pai.

Sim, ele falhou, ele fez merda,
ele nos abandonou,
de certa forma,
mas é meu pai,
é meu pai e
sou seu filho,

cada vez mais e mais
retrato dele sem ser ele,
cada vez mais, absorto em
coisas que deveria estar
fazendo
se fosse como ele.

Se fosse pai.

Não sou pai.
Não serei pai.
Nunca serei pai.

Nunca terei o que ele tinha,
na minha atual idade,
nunca conseguirei realizar
o que ele realizou muito antes de mim.

Sim, tive rancor de meu pai,
tive vergonha de ser seu filho
Mas sou.
Seu filho.
Que lhe deu muito mais vergonha
e muito mais motivo para rancores
contra mim que eu contra ele.

Meu pai....perdoai,
perdoai.


Teu filho inútil
que por preguiça,
por ser idiota,
nunca será,
nunca terá
o que você
em minha idade
construiu.

Sim, grande parte ruiu
por sua culpa?
Só por sua culpa?
Por muito tempo achei que sim,
cada ano que passa, vejo que não.

Pai, perdoai,
Teu filho inútil,
que queimou tanto
dinheiro em droga,
em coisas inúteis e vãs.

que se acovardou,
se recolheu, se escondeu,
perdeu todos amigos,
perdeu quase tudo.

quase se matou
quando sentiu,
pela primeira vez
a dor de uma rejeição,

voce não.

nós te rejeitamos,
te enjeitamos,
você se foi.

Ficamos.

Sem pai.
Pai, perdoai.