sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Oldies, goldies.

Bom demais ter sugestões de última hora sobre o que escrever. Hoje mesmo, vim para cá pensando em algo interessante para digitar aqui, mas nada de especial surgia em minha cabeça. Daí, quando dei login para fazer o post, dei de cara com a última atualização do brog do Max. Pronto, taí um assunto legal, pois eis que também curto ser curador de museus particulares.

Coisas antigas me fascinam, desde menino. Todas as vezes que ia na casa de meu avô materno eu tinha ânsias de adentrar em um território altamente restrito para crianças como eu - o escritório de meu avô. Lá dentro, haviam relíquias que me fascinavam,verdadeiros tesouros aos meus olhos. Tinha máquina de escrever da década de mil novecentos e borrachinha, sei lá, no mínimo da década de 40, dessas em que se bobear dá até para escrever num A3, uma máquina de calcular do tamanho de uma máquina de escrever, um relógio antiquíssimo que meu avô havia recuperado de escombros de uma casa na primeira guerra mundial, e outras tantas velharias escondidas nos armários.

Mas o item que mais me fascinava...o que eu mais achava legal, era um daqueles telefones antigões que nem disco tinha, daqueles que se tem que pegar o bocal com uma mão e levar o fone ao ouvido com a outra. Infelizmente, nunca soube a origem do telefone, uma vez que meu avô já se encontrava muito senil na época, e não tinha tanta intimidade com ele assim. Eu tinha até medo dele, uma vez que ele tinha muita raiva que nós, netos, fizessem confusão em suas relíquias, tão cuidadosamente guardadas. Junte-se a isso o fato que ele ralhava conosco em tcheco(ô língua estranha), e você tem crianças que o respeitavam pelo medo.

Anos mais tarde, depois que ele se foi, afamília se reuniu para desocupar a casa, e não me fiz de rogado. O que você quer? O telefone. A máquina de escrever. A calculadora. O relógio. Achei que iria ter briga para obter tais itens, mas...parece que só eu me interessei pelas "velharias".

Está tudo comigo. Tudo em meu sótão, inclusive a mesa gigantesca que era uma éspecie de prancheta para gigantes, e mesmo os móveis que ficavam fixos nas paredes estão em meus domínios. Um tanto quanto deteriorados, uma vez que antes de tomar posse dali, nem janelas haviam, e o as coisas ficaram expostas às intempéries, se tornando um tanto decaídas. Mas plenamente utilizáveis, ainda hoje. Faço bom uso delas.

Tem gente que acha bobagem ficar guardando tais artefatos. Eu não. Se tem umacoisa que acho legal é estudar as tecnologias passadas, ficar imaginando como era usar aquilo - a calculadora mesmo, eu NUNCA entendi como usar. Acho doido, por assim dizer. E se não fui o neto preferido de meu avô, ao menos tento manter seu legado. Bem sei que é dele que veio a tal da "veia artística" da família...e tento prestar homenagem a ele conservando seu itens, de que ele tanto gostava.

E dele muito puxei, pois tenho tentado fazer o mesmo para quem quer que seja, talvez até algum neto, quem saiba, se depare com um dos primeiros aparelhos celulares a transitar no Brasil, cuidadosamente guardado em minhas gavetas, que um dia já foram de meu avô. Tenho até um StarTac da Motorola. Uma filmadora velhaça e tantas outras coisas que procuro guardar quando vejo que são interessantes.

Porquê? Porquê é legal. Mesmo que seja somente pela memória. Pela preservação das coisas, sei lá. Eu sempre que olho para meu telefone antigão, tenho boas lembranças. Eu acho doido. Somente isso. Não tenho intenção de vender nada, só quero que as coisas ali fiquem para que eu sempre ache doido. E para que alguém mais também ache, pois, por mais que as pessoas digam que é lixo, que é velharia, caos velhos, blá - muitas olham e acham doido também. E talvez se lembrem que têm alguma destas memórias guardadas em suas casas, e sintam-se na obrigação de guardá-las também. Talvez se elmbrem de coisas que tão displicentemente jogaram fora em nome do progresso e das coisas novas, e se arrependam de tê-lo feito...

Enfim, eu e meus museus continuamos adiante, achando doido. E acho que se meu avô estiver vendo, ele também deve estar achando massa que o neto-problema se dedica a esta causa, para tantos inútil, mas para nós, os detentores de ditos museus, é algo muito bacana.

Bem, fica aqui algo para se pensar. E eis que o final de semana se aproxima, e a primeira sessão trash também. Mais novidades segunda-feira. Até lá....

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Basta!

Estou me sentindo muito bem estes dias.

Não sei se é apenas um reflexo de estar com as baterias recarregadas após a estada das férias, sempre necessárias para restabelecermo-nos de um ano de longas jornadas de trabalho, ainda mais em se tratando de um biólogo que desenha MAS que trabalha com contabilidade, esta coisa abjeta, a mais inexata de todas as ciências exatas.

Não sei; o que acontece é que de fato, tenho estado me sentindo bastante satisfeito. Fora o lance de ser início de ano, de estar eu um tanto quanto recuperado do desgaste do final do ano passado(vide arquivos de lamúrias anteriores), pouca coisa mudou.

Ao menos na superfície. Por dentro...

Bem, gostaria muito que as coisas continuassem assim por muito tempo. Não irei me iludir achando que a virada do ano me transformou magicamente em uma pessoa melhor, pois isto não aconteceu. Sim, algo mudou em mim, mas não foi devido a mágica.

É simplesmente uma sensação de estar farto. De estar cansado de ser o eterno chato da festa, o cara que tem que sempre estar reclamando....de coisas que em sua grande maioria não passam de erradas viagens na maionese, por assim dizer. Entraves imaginários, psicológicos. Como disse ontem para dois grandes amigos que comigo estiveram a debater sobre tais "aflições" que nos são comuns, "a gente SABE o que está errado, SABE o que deve fazer, mas inventa um bilhão de desculpas disfarçadas de argumentos ditos irrefutáveis para ficarmos na merda."

Nada mais certo. O ano de 2009 foi conturbado, mas creio que foi sintomático de uma série de misantropias de minha parte cultivadas desde 2006, ano em que vários "sonhos" ruíram com o final da tragicomédia que foi minha incursão àquela infame faculdade de "artes."

Mas é necessário deixar as coisas para trás. É necessário tocar o barco adiante. Enterrar o passado, por mais clichê que tal coisa possa aparentar ser. É necessário dar um basta. Fiquei alguns anos escondido do mundo real existindo apenas em um mundo virtual, para depois tentar voltar ao mundo real...um ano se passou em uma mistura do mundo virtual com o real, e este ano bastou-me para ver que a vida existia, mas somente fora da fantasia. E por mais problemática que este vida real pudesse ser, era ela que contava. Por ser REAL, não um faz-de-conta. Então, com um esforço que quase me causou pânico, abandonei de supetão tal mundo. E o baque foi forte: o ano de 2009 foi a culminância de tal resolução. Foi um ano difícil, mas necessário.

Agora estamos em 2010. Conforme disse no texto sobre o rei-velhão, alguém me disse que um esóterico de plantão afirmou que seria "o ano da colheita." Esoterismo por esoterismo, eu quero que assim seja. E que seja uma boa colheita: de resoluções tomadas ao longo de dois anos, que ainda estão em processo de consolidação. Que assim seja.

Em meados de minhas férias, ainda em 2009, assisti o filme "Into the wild", e me identifiquei em termos com o protagonista, ainda mais em seu momento mais desesperado, em que ele escreve a seguinte frase enquanto defrinhava até a morte: "a felicidade só é real...se compartilhada."

Nada mais certo. No ano passado, quantas vezes me flagrei em meu sótão, absolutamente sozinho, tocando guitarra e/ou baixo, desenhando ou fazendo qualquer coisa e me sentindo bem, mas...me sentindo "completamente incompleto" por estar fazendo algo que julgava ser bacana, mas sem ter ninguém ao meu redor. Ninguém para rir comigo, brigar comigo, conversar comigo, etc. A gente começa a enlouquecer, creio eu.

Eu quase cheguei no meu limiar de insanidade. E nestas horas, as merdas mentais brotam feito mato em época de chuva. E, no final do ano, quando me vi reunido com vários de meus melhores amigos, senti o quanto isto me fez falta durante o ano. Mesmo intem, dia em que almocei com dois amigos, e depois do serviço encontrei-me com outros dois, eu cheguei em casa sorrindo à toa. Fui dormir me sentindo absolutamente satisfeito. Cheio de problemas reais pendentes e etc, bem certo: tal coisa não faz sua vida e seus perrengues solucionarem-se magicamente, mas...te dá forças para continuar firme. Para viver.

Enfim, não teço aqui ilusões de que minha vida está resolvida por completo, porquê sei que isto não é verdade. Mas chegou a hora de mudar coisas simples em meus hábitos...por uma vida melhor. Por uma vida menos ordinária. Por uma vida menos solitária, em que as viagens erradas de que "sou o pior dos seres humanos existentes neste planeta" se dissipem. Ou que ao menos percam um pouco de sua força, tais idéias infelizes.

Que assim seja.

"All your sad and lost apostles hum my name and flare their nostrils
Choking on the bones you toss to them
Well I'm not one to sit and spin
'Cause living well's the best revenge
Baby, I am calling you on that!"

-----R.E.M. , Living Well Is The Best Revenge.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Chuvão!

Hoje, o dia começou cedo, lá pelas três da manhã, quando fui acordado por leves pingos de chuva em meu telhado. Aproveitando o despertador para ir visitar o banheiro, fui surpreendido pela intensidade que tal chuvinha tomou após uns dois minutos. Eu fiquei sinceramente apreensivo, pois morar em um sótão tem dessas coisas, ainda mais se não existe um forro propriamente dito, uma camada "protetora" entre o telhado e minha cabeça. Não existe isso ali, as telhas ficam todas expostas, e quando chove, o barulhão é impressionante.

Mais ainda com uma chuva destas: eu fiquei com medo que o vento arrancasse as telhas, fizesse um senhor estrago ali. Felizmente não aconteceu. A borrasca - creio que posso bem dizer que foi intensa o suficiente para levar tal alcunha - foi de curta duração. Mas parecia que o mundo iria acabar, e nestes dias que a mídia está fazendo a festa em cima do desastre ocorrido em Angra, a coisa ficou martelando na minha cabeça. Fiquei mesmo pensando no que aconteceria se a serra do Curral, que fica ali do lado de casa viesse abaixo devido à chuva.

Bem sei que isto não aconteceria facilmente, uma vez que aquilo é uma parede de pedra quase pura, mais minério de ferro que tudo, mas mesmo assim, este sensacionalismo da mídia tem este poder de vez em quando em nossas mentes. Na minha, ao menos. Respirei aliviado e voltei a dormir assim que a coisa se foi.

É uma coisa surpreendente, o poder devastador que a natureza tem perante nós, criaturas patéticas que somos enquanto espécie dominante deste glóbulo flutuante do vácuo eterno. Não somos nada diante de tais forças. E me surpreendo como às vezes nos comportamos com arrogância perante estas forças. Construímos casas onde não devemos, desafiamos as alturas com prédios de, sei lá, um quilômetro de altura, vivemos em regiões inóspitas, etc. É preciso mostrar a este planeta idiota quem manda, não é?

As construções de beiradas de morros que me refiro não são as das populações ribeirinhas que fazem suas favelas onde cai na telha. Bem sei que neste caso a necessidade fala mais alto que o ato de desafiar voluntariamente a sorte e a natureza. Falo de casas como a que estão construindo perto de onde moro. É uma verdadeira aberração, em minha opinião, tanto do ponto de vista estético(trata-se de um cogumelo de casa, só sendo melhor explicado quando se vê a parada) quanto do ponto de vista de risco. O lote que os caras estão construindo é no pé dum morro que não para de ruir na época de chuva, entra ano sai ano. Existe mesmo uma praça soterrada no local, devido a tal erosão. Não minto: quem quiser comprovar, entre na famosa Rua do Amendoim e siga uns duzentos metros. Veja a casa ao lado da Mesquita Islâmica de BH. Veja o lote ao lado e tente achar a praça. Está ali, debaixo de muita, mas muita terra.

E a casa está ali. Desafiando a sorte. O morro que fica atrás dela foi atapetado com grama, mas hoje mesmo já vi que a coisa não anda bem, pois as placas de grama não aderiram direito ao morro; desceram com força.

Cara, eu que não arriscaria morar ali. A pessoa que está construindo tal casa DEVE saber do histórico instável da região e lá está, teimando, desafiando a sorte e gastando horrores, pois tal casa, apesar de FEIA pra caralho, não deve estar custando barato.

E nessas horas, o que conta de verdade são as perdas materiais, mas sim o que a mídia tanto gosta de explorar. As pessoas que sobrevivem à tal teimosia, e choram diante das câmeras a perda de uma ou mais pessoas da família que ousaram desafiar a sorte de tal forma. Uma casa feia a menos, não é necessariamente uma perda. Se um cara teve ocacife monetário para fazer tal elefante branco, deve ser abastado monetariamente.

Mas ninguém substitui quem porventura tenha sido vítima de tal desafio, de tal teimosia.

Enfim, é o homem. Este ser que domina o planeta. Esta coisa estranha que a evolução produziu ao longo de milhões de anos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Insomnia.

Cá estou, novamente. Um tanto quanto exausto hoje, é verdade. A noite foi muito mal-dormida, e infelizmente ainda não posso afirmar que tenha sido devido à sessões intensas de atividades adultas que todo adulto que se preze goste, bem sabem vocês de que estou a falar. Não: minha insônia teve outras razões, um tanto mais nerds e menos "reprodutivas", por assim dizer. Nerd talvez não seja bem o termo, mas creio que talvez se aplique. Não, tampouco fiquei eu a me imergir em mundos virtuais nos jogos eletrônicos e quejandos.

A causa de minha noite insone teve outras raízes, um tanto mais musicais; felizmente não foi o caso de ter sido desperto pelo infame "Comando Fanque da Madrugada" ('funk carioca' para mim sempre será FANQUE, uma vez que tal coisa passa longe de um autêntico FUNK), que vive a assolar minha região nas madrugadas afora. O que aconteceu foi que minha irmã mais velha retornou de sua estada no paraíso muambeiro norte-americano, também conhecido por Miami. Trouxe-me minhas mais recentes encomendas do mundo consumista, a saber, parafernálias musicais diversas para meus instrumentos de cordas, meus baixos e guitarras(sim, tenho eu vários instrumentos de cordas, e teria mais se pudesse, ehehehe).

Lembro-me sempre de um de meus filmes prediletos quando me refiro a estes itens de consumo que tanto mexem comigo. Como dira Rob Gordon(do filme Alta Fidelidade), "fetish properties are not unlike porn." Bem dito, bem dito. Admito eu que sou um consumidor nato de aparatos musicais, e sempre que posso, gasto um dinheirinho com equipamentos novos. Sei que é um dinheiro bem aplicado, um investimento em minhas viagens sonoras. Desta vez eu adquiri dois pedais que há muito ansiava(anseiava? ô língua complicada esta), um Whammy da Digitech e um Loop Station RC-20XL da Boss. E ainda forcei um tiquinho mais a barra adquirindo um mini-amplificador Vox DA-5.

Como minha irmã e seu semi-marido(longa história) chegaram lá pelas 8 e meia da noite e ficaram conosco discutindo os mais diversos assuntos sobre a viagem, a vida e tudo mais(42) até as onze e meia da noite, não tive a chance de testar os equipamentos, uma vez que não sou mala o suficiente para fazer barulho na madrugada e incomodar todo mundo, tive que refrear minha ansiedade e deixar para fazê-lo mais tarde, talvez hoje, depois do serviço...

Resultado, estava tão pilhado de ansiedade para plugar tudo e fazer uma barulhada dos infernos, parece mesmo que tal ataque de ansiedade me afastou o sono. Fiquei rolando e rolando na cama, esperando em vão que alguma onda de sono me arrebatasse. É estranho isto: falam e falam que nestas horas não devemos ficar na cama, que deveríamos levantar e fazer outras coisas até o sono vir, mas quase nunca sigo tal conselho. "Não, tá vindo um soninho, eu tenho que ficar aqui. Se eu sair, aí que ficarei acordado mesmo." Nada mais errado.

Lá pelas três da matina eu levantei, fui ao banheiro, cismei e cometi um erro. Liguei o famoso fôdas e tomei uma dose de anti-emético, famoso por induzir a sonôlencia.

Duplo erro: não somente não adiantou nada, como fiz uma descoberta infeliz. Parece-me que recentemente meu corpo se mostra alérgico a tal coisa. Hoje estou repleto de urticárias pelo corpo. E como sou esta coisa quase transparente de tão branco, tá uma coisa buniiiiiiita de se ver. Ha, ha. Bom para eu aprender a não mais abusar de drogas para tentar resolver uma noite mal-dormida....

"Ô seu imbecil, vai auto-medicar a puta que o pariu! Agora vai ficar aí, coçando todo e com manchas vermelhas espalhas pela translucidade(isso existe?) de seu corpo." - mensagem de meu corpo para mim mesmo. Babaca.

E agora, estou aqui, todo coçando, com sono e ainda ansioso para chegar em casa e plugar meus "presentes de natal de mim para mim." Ah, enfim, por um lado é até bom eu descobrir tal coisa, para evitar futuras auto-medicações. Isto geralmente dá merda. Ainda mais que isto nem pode mesmo ser chamado de auto-medicação, uma vez que eu não usei a coisa porque estava tendo crises de vômito, mas sim para tentar ativar o sono....Exploração gratuita - e errada - dos efeitos colaterais....

Prossigamos dia adentro, manhã afora, a tomar goles generosos de café, droga esta um tanto mais salutar que qualquer dramin...Amanhã tecerei impressões sobre meus brinquedos novos, que lá em casa estão a me esperar.

Não se preocupem, crianças. Papai Brotoeja Buriol chegará em breve...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Reveião.

Chegar ao fim, sem passar pelos meios, não seria possível. E naquele dia, eu sabia que nada seria diferente do que já havia passado. Minto: algo de diferente aconteceria naquele dia, mesmo que o dia posterior pudesse ser a mesmíssima coisa do anterior, ainda que em anos diferentes, segundo a contagem dos dias, segundo a idéia de alguns homens já extintos, em alguma remota época, em outros reveillons. Enfim.

Juntar-me a amigos tombados no cumprimento do dever de sermos todos diferentes do resto do rebanho de dóceis frangos, sempre é legal, ainda mais conhecendo-se o local de encontro, em Santa Luzia, um tanto longe de nossa Belo Horizonte, mas não tão distante a ponto de termos de angariar fundos perante nossos empregos para chegarmos a tal local. E, surpresa, consegui uma carona menos incômoda para mim e minha irmã para chegarms a tal paragem. Valeu Max, pela ajuda. Encontremo-nos diante a uma padaria, aspiremos o pão aéreo que ali circunda, apesar do volume absurdo de chuvas que ainda tomba por sobre nós e vamos nessa.

Pegar a estrada assim, sempre põe-me a pensar em sair fora, abandonar tudo e pegar a estrada, mas bem sei que não sou nenhum beatnik, nenhum hippie, e bem sei que da civilização preciso, de minhas posses que me possuem também. Adiante, vamos ter com a lama das estradas de terra que circundam a chácara de Eduardo Bernardes, nosso sempre infalível anfitrião, com seu riso fácil e gestos absurdos. Bom sinal, ali iríamos ter todos nossos amigos de sempre, nossos companheiros que entra anno sai ano, estão sempre por ali, sempre sorrindo, sempre fazendo e falando merdas. Bons amigos, enfim.

Agreguemo-nos com as pessoas, cumprimentemos os demais a quem não temos ainda tanta intimidade, e sabore....er....saboreiemos? Ah, foda-se. Vamos comer e beber; existem muitos quitutes que a senhora de nosso anfitrião, a saber, Lola, fez para a ocasião: lombo com molhinhos cheios de sabor, e tantas outras coisas. E mesmo eu, que não costumo beber, tive que provar dos drinks preparados pela mesma, coisas que normalmente nunca bebo, eu bebi de montão. Nem tanto, nem tanto: felizmente, não passei mal, nem mesmo fiz nenhum vexame. Fiquei de boa sem ficar retardado. Rum, rum, rum e uma garrafa de rum. Faltou mais uma, na verdade. Enfim: ano que vem a gente leva duas.

Esperemos pois, a tal hora da virada, em um ambiente salutar e chuvoso, chuvoso. A previsão de tempo para tais dias seria de chuva a perder de vista, e eu já contava com isto, ignorando ao máximo a precipitação incessante. Lembrei-me de outro amigo ali ausente - mas que não se encaixaria no contexto por pertencer a outra tribo de amigos - quando um dos presentes trouxe à mesa um famigerado jogo de tabuleiro meio idiota, o qual recusei-me amigavelmente a participar. Esperemos. O quê, já são 11:55. Hu-há, aprontemos pois para a virada, para mais um dia, mais um ano, mais um momento.

"Seu grunge maldito", foi a primeira frase que escutei em 2010, vinda da parte de Max, e repliquei amigavemente xingando qualquer coisa de volta. Já é 2010! Também veio dele o primeiro abraço do ano, seguido dos demais. Massa demais galera, "vochêsh shão todosh meush amigosh, carash..."

Nesta hora, tive um certo lampejo, meio que besta, eis sua banalidade e obviedade: que coisa boa é não estar sozinho nestas horas. Que coisa boa é não estar sozinho nessa vida. E mesmo que ainda faltasse ali alguma coisa, como a presença de alguém em quem estive pensando durante meses no final de 2009, e mesmo a presença de outros companheiros que não foram, foi muito boa a virada. Fodam-se as chuvas, fodam-se as divergências: ainda que a virada não signifique mesmo alguma forma concreta de mudança, foi uma boa noite, um bom evento.

Acabei nem dormindo durante o réstimo de noite que ainda havia quando fomos aos nossos cantos de repouso, pois a anta aqui tava tão pilhado e tem o sono tão leve. Ter galos cantando e cachorros uivando ao redor não me ajudaram em nada. Dane-se também: eram apenas algumas horas.

E, surpresa das surpresas, a chuva incessante que tanto almadiçoei no final de 2009, foi-se embora a partir da virada. Como disse Max, "dá até aquela idéia que houve uma 'lavada' na virada, néam." Mesmo assim, ficamos ali boa parte da primeira sexta feira do ano, fazendo tudo que fizemos no dia anterior, no ano anterior. Merdas e risadas, muitas risadas. Bom, muito bom.

Que o ano seja assim: com muitas coisas boas acontecendo. Com pessoas legais ao nosso redor.

Que seja realmente o ano da colheita, conforme dito na ocasião. Colheita esta, de bons resultados e boas coisas. Que seja doido, enfim.

Para todos nós, não-frangos de minha vida. De nossas vidas.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009.

Em 2009, eu abandonei certas coisas. Abandonei certas noções. Abandonei coisas, redigi textos e mais textos. Li coisas. Vi gente. Fiz coisas. Etissetera.

Em 2009, abandonei uma carreira promissora de DPS em um mundo que não existe, a não ser em meu computador. Evento este que me deixou sequelas que ainda estou lutando para tentar remediar, como minha fobia social, que chegou mesmo a níveis alarmantes em meados de 2009.

Em 2009, comecei o ano com grandes intenções e grandes planejamentos, em que quase todos não deram muito certo; de realização pessoal para 2009, só posso aqui listar duas coisas...este semi-diário que tanto ocupou minha atenção durante o ano....em que tanto me lamuriei por problemas tão imaginários e surreais, mesmo risíveis parar outrem, mas de tão forma tão chatos para mim.

No decorrer do ano e da redação incessante de meu dia a dia como enfeite de uma certa empresa limitadissíma, tentei inicialmente retomar as lides de meu personagem, criado por mim em 1999, que só tomou forma em 2005, para depois entrar em um hiato de quase 5 anos e de repente reaparecer meio que incompletamente em 2009.

Ele foi a única realização mais pessoal realmente palpável para o minguante ano, e muito eu deliberei, muito eu enrolei para fazer de mim o que eu esperava de mim. Coisa que ainda assim não está concretizada.

Em 2009, fui amparado por algumas pessoas que tenho em mais elevada consideração. E no final deste ano, realmente cheguei à conclusão que preciso de pessoas...ao menos as que me consideram como um não-frango, para ser eu mesmo. Para conseguir vencer meu lado mau e fazer algo de útil com as coisas que só eu faço. As coisas que me tornam diferente dos frangos.

Em 2009, entretanto, muito eu maldisse por vezes tais pessoas em meus devaneios de frustração e raiva. Peço aqui apologias a meu comportamento deplorável com as pessoas que me querem bem, que são meus amigos. Que realmente se importam comigo.

Em 2009, adquiri tecnologias e mais tecnologias. Me dei presentes, muitos presentes, e que creio que fiz por merecer todos. E se ainda não estava eu os utilizando em sua plenitude, em 2010 creio eu que tais presentes me serão bem úteis. A exemplificar:


(Rabiscos meus feitos inteiramente via Wacom, diretamente no Photochopps. Creio que isto pode vir a dar samba, eventualmente...)

Em 2009, fui impaciente e intrasigente, fatalista e radicalista. Mas tentei ser de mim o que poderia ser, o que poderia fazer, para tornar minha existência um pouco mais justificável.

Em 2009, tentei fazer muitas coisas. Falhei em várias, mas creio eu que as coisas não se acabaram em derrota, não foram consumidas pelo tempo; aqui estão em mim, presentes e querendo saltar para fora desta barreira quase intransponível deste ser escrevente que ainda assim quer ser mais.

Mais amigo, mais paciente, mais desenhante, mais produzinte, mais tolerante, mais...não sei.

Em 2009, eu quis que as coisas todas dessem certo. E ainda quero. Para 2010, 2011, 20xx. Sempre quero. Sempre quis.

E que venha 2010. Que tal ano seja(seje?) ainda mais cheio de realizações e eventos agradáveis para mim...e para todos que comigo se importem, de uma forma ou de outra.

Por um ano menos ordinário. Por uma vida menos cheia de recriminações vãs e idéias erradas. Por uma vida que se baseie na minha existência enquanto um ser que mesmo tendo que fazer parte da Grande Granja, com ela não concorda.

Enfim, o fim. Segunda feira estarei de novo incluso nas quatro paredes de meus grilhões, e a coisa retomará.

Boa virada de ano a todos que por aqui vieram durante o ano de 2009.

E até o ano que vem...



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Bom sinal!

Eis que chegou um dia, belo dia este. E começou isento de chuvas e maldições semelhantes. Eis que chegou o dia 11. Dia em que serei isento temporariamente do maldito ruído que me obriga a abandonar o mundo de Orfeu e ter que me reconstruir enquanto cambaleio sonolentamente até o banheiro("tudo fica melhor depois da primeira mijadinha", como diz um grande desenhista que conheço.), e ter que vir a este escrotório. Férias, em suma. Abençoada palavra esta.

Eu sei que estou muito arredio estes dias, conforme ode ser lido anteriormente, mas creio que hoje isto começa mudar. Fiquei uns bons dois meses num estado de espiríto muito chato, repleto de neuras e imbecilidades. Me remeteu ao final de 2005, data nefasta em que eu e alguns amigos comparecemos a uma horrenda festa à fantasia em que deu tudo errado, e que gerou-nos uma urucubaca(doravante apenas "uruca") que perdurou meses a fio. Meus amigos foram até em missa para ver se a coisa descarregava deles. Xô!

Pois, em mim parec-me mesmo que tal coisa ainda ronda, mas nem sempre se manifesta com plena força. Eu estava pronto a dizer que ela havia voltado com força total nestes dias em que se passaram, mas...

Aconteceu ontem. No final do expediente. Inicialmente, creio que algo dentro de mim quis levar para o lado errado, o lado da raiva(irracional) e criar confusão, protestar e etc. Mas eu sei quando estou errado e quando preciso de um empurrão, um safanão, um "pedala", algo do gênero. Pois, tomei um destes ontem, quase na hora de partir daqui. Algo que me pôs no lugar, que me devolveu a uma realidade que não pretendia abandonar, mas que estava prestes a fazer, caso não acontecesse algo como o que aconteceu.

Eu sei que sou péssimo chefe de mim mesmo. Sei, que preciso ser mandado. Sei que sou um excelente pau mandado. Não acho ruim ser desta forma, contanto que haja alguém CERTO para ser meu "chefe", por assim dizer. Infelizmente, esta é minha relaidade, e foda-se também. Não estou mais em idade de tentar dar murro em ponta de faca. Sou desta forma, e tento fazer de tudo para aprender a lidar comigo mesmo. Infelizmente, não posso ser como Jack e ter um Tyler Durden dentro de si para impulsionar-me a fazer as coisas, então preciso de alguém de fora deste caos de cabeça.

Agradeço muito ao "chefe". Pois eis que ontem eu fiz duas "descobertas" - uma é que eu destravei após o "safanão" - ontem à noite eu consegui produzir, ainda que devagar. Algo é melhor que nada, enfim. A outra é que eu possuía por anos e anos uma excelente guitarra e nem desconfiava que ela era tão boa. Ah, excelente descobrida!

Enfim, o que conta é que parece que haverá uma bonança de fato, após tanta tempestade.

Bem, não sei como ficará a regularidade do blog enquanto estiver na folga. Mas acho que não pararei por completo de escrever; apenas não prometerei fazê-lo todos os dias. O ano ainda não acabou, e tenho certas considerações a fazer sobre este ano de 2009. Creio que de certas formas, foi um ano seminal, que marcou algo.

Esperemos que seja assim mesmo, de fato, deveras. Enfim.

Bem ate a vista para os "cri cri cri cri"s que por aqui ainda se aventuram. Férias! Férias!!

Férias.

Uhu.