terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sr. Bode, reboot.

Tem dias que são piores que outros. E por mais que esteja tentando conter meu mau gênio, por vezes ele me vence. Como foi o caso de ontem. Enfim, acontece. Não sou nenhum zen master nem estou constantemente sob efeito de fluoxetinas e afins.

Outrossim, bola pra frente: eis que ontem atendi direitinho o chamado da cafetina. Portanto, fiquei ate as 2 horas da manhã desenferrujando minhas juntas em cima de papel, debaixo da luz de abajures, diante de meu computador, enfurnado no sótão, a rabiscar o retorno. Portanto, sem mais delongas, aqui está o que resultou.
Não é preciso dizer que o Sr. Buriol aqui não ficou satisfeito, mas estou determinado a parar de falar incessantemente e fazer mais, por o lado lamurioso a ferros. Matéria prima para a confecção de futuras tiras já existe, agora é por em prática. Embora já tenha desencanado da idéia pueril de meu velho sonho dourado, tentarei pelo menos fazer isso com mais regularidade. A ver.

Entrementes, creio que esta mesa não era verde abacate até ontem, e nem que este computador era fosforecente e etéreo. As paredes brancas do escrotório estão sendo tingidas de flicts. E vejo que o embaixador de Portugal mudou suas instalações do nono andar deste prédio para o meio da praça defronte, e naõ me lembro de antes haver ali alguma praça. Curioso isto.

Acho que estou dando pau na minha placa mãe, ou infectado por trojans, eles se aproximam, eles se aproximam! São os do norte que vêm! São os do norte que vêm!

Acho que vou tomar um caféééééééééééééééé ali e tentar espantar este sono.

Feliz terça-feira magra a todos.

P.S. - Porque esta josta reduz tanto o tamanho das imagens? Quanto custa um trailer?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sr. Bode, uma introdução.



Conforme planejado, irei falar hoje do projeto secreto de 2009: a (provável) retomada das atividades do meu mais infame personagem - O Sr. Bode.

A imagem acima foi a primeira tira que fiz, em 2005. A idéia do personagem em si surgiu muito antes disso, nem sei bem quando; acho que foi em meados de 1999, quando imaginei fazer um personagem extremamente irritadiço e rabugento(sim, admito que me inspirei em mim mesmo, ehehehe), mas a "brilhante" idéia de fazê-lo como um bode, literalmente expiatório, veio à tona no ano que a tira surgiu, quando ainda estava cursando a infame faculdade de belas(não tanto assim) artes(idem).

Fiz poucas tiras em 2005, nunca ficando plenamente satisfeito com o resultado visual das mesmas. Sim, eis que sou um maldito cara estranho e eterno insatisfeito; isto, juntamente com outros fatores nefastos que assolaram minha pessoa naquele conturbado período da infâmia das "artes", me impediram de progredir muito.
Entretanto, no decorrer deste período(2005-2009), nunca deixei a idéia morrer plenamente(sou um cara teimoso também), e continuei tentando retomar a coisa plenamente, fazendo milhares de estudos de design do personagem, como pode-se ver na imagem acima. A maioria dos cartunistas propriamente ditos teria simplesmente deixado o barco correr e ir evoluindo o dito design no decorrer dos acontecimentos; acontece que não sou assim. Sempre exijo de mim mesmo muito mais do que deveria, a ponto de me travar por completo às vezes, como foi exemplificado anteriormente.

Neste mesmo período, muitas vezes amaldiçoei minha dita aptidão para o desenho, de tanto que sofro com essa porcaria - ultimamente tenho dito que tal aptidão é minha cafetina: se insisto em negligenciá-la, ela me atormenta. Semprei fiquei frustrado com tudo isto: nunca consegui fazer tal coisa me servir de ganha-pão(embora este tenha sido sempre meu sonho dourado, desde a minha infância); nunca tive desenvoltura o suficiente para fazê-lo sem ser assolado por minha ferrenha auto crítica; sempre tive a bizarra tendência de acreditar piamente nas críticas negativas de outrem(a ponto de me travar por completo), e por algum desvio de conduta qualquer de meu cérebro, sempre desconfiei das opiniões positivas acerca de meu "trabalho"; sempre fui envergonhado(ou orgulhoso, escolham vocês que me conhecem) o suficiente para me anular perto de outros desenhistas a ponto de simplesmente não conseguir fazer nem o esboço de um ovo perto deles; sou tão, mas tão detalhista e perfeccionista que não consigo resolver um desenho ridículo em menos que duas ou treze horas(ou quatro anos, como está sendo o caso relatado aqui). E por aí vai.

Entretanto, neste ano estou disposto a tentar, mais uma vez, mandar tais empecilhos para o caralhoplano e retomar, nem que seja para amenizar um pouco a tortura da cafetina, as ditas atividades "artísticas"(tomei ojeriza da palavra arte depois de minha curta estada naquele covil de cretinos que é aquela faculdade). Ontem mesmo, passei umas duas ou vinte horas refazendo a primeira tira. Ainda não a finalizei(ha, ha ha!), mas verei se consigo fazer isto hoje, a tempo para continuar a discussão dobre tais agruras amanhã; agora é hora de fazer atividades realmente rentáveis(nem tanto assim, mas mais que os apelos da cafetina me geram)e prosseguir na minha iminente carreira de contador/técnico de informática/catilógrafo/contínuo/quebra galho e quejandos aqui no escrotório.

Tenham todos um bom dia, e me perdoem se o descarrego soou deveras amargo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Baixa tecnologia.

Ah, eis mais uma sexta feira que vem nos salvar. Sim, sim, alforrie-nos por favor.

Calma. Ainda temos que aguardar as 18 horas. Tudo bem, sem problemas. A espera vale a pena. Ontem, estive brigando com aparatos tecnológicos, tais como scanners que se tornaram absolutamente incompatíveis com o Ruimdows 64 bits que fui obrigado a instalar em meu computador. Tudo bem, só fui obrigado a adiar um pouco a postagem de imagens acerca de um tema que não irei comentar hoje. Suspense! Emoção! Ha!

Enfim, imaginei outro tema, e como as tecnologias me deixaram na mão ontem, falarei sobre elas, não especificamente as atuais mas outras não tão velhas mas que já se tornaram absurdamente obsoletas. Vamos começar pelo nosso falecido amigo, o disquete. Uau. Quem, que não seja uma criança ou pré-aborrescente, não passou raiva com estas maravilhas. Especialmente se você fazia cópias ilegais de joguinhos na casa de algum amigo. 14 disketes ARJeados. Aí você chegava em casa, inseria o disco número 1, digitava um comando gigantesco no DOS(outra maravilha arqueologica moderna) e ia inserindo os discos adicionais. Geralmente, chegava no último ou penúltimo e...nhec nhec nhec nhec. O General Protection Fault(afinal, quem era esse cara??) teimava em não deixar você saborear sua cópia ilegal. Absurdo.

E hoje temos tantas opções de canetadiriges por aí, o de 1 giga já está ficando demodê.

Lembro-me que, até pouco tempo atrás, quando eu saía do serviço em direção ao fim de semana nerd: a internet ainda era incipiente, e eu tinha acabado de adquirir um...fax Mulder de 56 kbps! Internet discada! A novidade suprema do momento. Eu esperava ansiosamente até a meia noite para conectar-me, uma vez que as tarifas telefonicas são mais baratas neste horário. Estendia a extensão telefonica improvisada de 20 metros, que passava discretamente pela área e pela cozinha. Aí, era acionar o discador IG(ou ARGH) e ouvir aquela sinfonia de ruído branco. E...no meio do processo...TU TU TU TU TU. Ah, maravilha. Repita o processo por favor.

E os nem tão velhos CDs?? Credo, olho meu velho DiscMan e sinto um alívio por não ter que utilizar aquilo mais, por mais caro que tenha custado na época. CD original é caríssimo, então faziamos cópias. E as mídias piratas são uma maravilha: basta olhar mais forte para o CD para arranhá-lo. Depois falam que não existe poder da mente...

Hoje em dia temos iPods, MP4, MP7, mp63835673489673894, sei lá. Toca vídeo, toca música, faz pipoca, e por aí vai.

Imagino o que ainda virá por aí...Ainda somos jovens, por assim dizer. Eu penso muito sobre as coisas que serei futuramente ridicularizado por não saber usar. Meus pais não entendem direito um aparelho de DVD, e ficamos perplexos por não entenderem uma coisa "simples" como aquilo.

Os pais deles não sabiam operar um tocador de discos bolachão de vinil. A televisão era um mistério. E tantos outros exemplos...

Aí daqui a uns anos, não saberei operar o transmogrificador telepático, e serei ridicularizado por uma criança de sete anos de idade.

É a vida. Nestas horas que lembro-me que temos que ter mais paciencia ao sermos requisitados para prestarmos assistência técnica para nossos pais e familiares mais velhos. Nestas horas, precisamo tornar-nos "zen masters"...

Enfim, deixo aqui a deixa para a reflexão semanal do dia. E a idéia de recordarmo-nos sobre outras tecnologias já ultrapassadas, mas que somos gratos por estarem ultrapassadas. Lógico que existe algum saudosismo, mas não sou entusiasta disso. Não sinto falta NENHUMA de discos de vinil. Mas é somente minha opinião...

Este fim de semana verei se ponho em prática o plano adiado. Novidades no decorrer dos acontecimentos...

Hasta la vista entonces, e um bão semana-fim a todos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ecos do passado.


Senão vejamos.

Conforme comentei anteriormente, no ano de 2006 escrevi algumas coisinhas para a extinta publicação virtual Moconautas, e infelizmente o devagar aqui não se lembrou de salvar os textos em momento algum, coisa que tenho que me lembrar de não repetir também aqui. Eu gostei de alguns daqueles textos que postei lá; hoje, como exercício de memória, vou tentar reescrever um deles.


"Tudo começou em alguma noite remota do ano de 2006. Por força de alguma necessidade fremente, encontrava-me em alguma aglomeração pública destinada à obtenção de um artigo supostamente de luxo para alguém como eu, a saber, alguma pessoa do sexo oposto. Após o consumo de algumas doses d'algum líquido alcoólico qualquer, supostamente para inferir-me coragem para alguma abordagem audaz, eis que encontrei-me balbuciando bobagens defronte a uma mulher, que evidentemente se divertia horrores às minhas custas. Após momentos que fluiram como horas a fio, lembro-me de ter conseguido obter o número do celular da mesma; por sua vez, ela havia por bem feito algum passe de prestidigitação qualquer e tinha sumido do recinto. Fiquei alguns momentos a mais ali, saboreando esta pequena vitória(sim, para o tímido incorrigível a simples obtenção de um número como este representa uma vitória icomensurável, ainda que vã e efêmera), juntamente com mais alguns copos de bebidas amargas.

Aos tropeções, saí do local infecto e dirigi-me cambaleante pelas ruas quase desertas da cidade. Não sei bem como, subitamente encontrei-me diante do posto de reciclagem de dejetos industriais que posteriormente são ofertados como refeições aos estudantes da UFMG. Sim, estava diante do mausoléu denominado, ordinariamente, Bandejão. Não sei bem por que, mas uma aflição tomou conta de mim; talvez fosse o efeito do álcool, quiçá das emanações furibundas dos tonéis marcados com o símbolo de "radioativo" diante de mim, mas ocorreu-me que deveria ligar, agora mesmo para o número da mulher fatal desta historieta.

Obviamente, o número era falso ou meu celular, este muderno Tijorola que possuía na época e que teimava em apresentar falhas, não conseguiu realizar a tarefa com êxito. Subitamente, subiu-me um acesso de fúria e arremessei o aparelho fatídico em direção aos tonéis que ainda se encontravam à minha frente. Houve uma reação adversa qualquer, seguida de um clarão, que logo se converteu em um momento de inconsciência. Tudo sumiu.

Acordei supostamente no mesmo local, mas imediatamente percebi que algo de estranho havia ocorrido. O Bandejão não mais ali estava; ao conrário, encontrava-me num terreno baldio onde havia uma tabuleta com a seguinte inscrição: "Local destinado às futuras instalassoes do restaurante universitario". Havia algo de errado, obviamente. Andei a esmo até encontrar uma estrada de terra, e decidi segui-la. Ainda era madrugada, mas sentia que o raiar do dia aproximava-se.

Depois de uma extensa caminhada, avistei civilização adiante; prédios muito estranhos, com ar muito retrô abundavam ao meu redor, sendo que a maioria dele não tinha mais do que três ou cinco andares. Foi com horror que percebi que algo de fato estava muito errado. Apanhei um jornal em uma lixeira perto de mim e vi a data: 17 de Setembro de 1943. Céus. Justamente a data de meu aniversário, porém algumas décadas antes. Eu teria aproximadamente -34 anos. O que fazer diante desta situação?

Ao mesmo tempo que constatava aonde de fato estava - na Avenida Afonso Pena, agora repleta de imensas árvores - notei que as poucas pessoas que já estavam acordadas olhavam-me com estranheza, algumas até com receio estampado nos olhos. De repente, um exaltado qualquer, ao se deparar com a minha triste pessoa, berrou a plenos pulmões: "MATEM O ALEMÃO NAZISTA!!!"

Evidentemente, não tentei argumentar com a turba sedenta de sangue que se precipitou atrás de mim, saindo correndo o mais rápido que podia. Desci a Rua da Bahia, onde mais e mais transeuntes se espantavam comigo e se juntavam a multidão que clamava minha iminente morte. A cada metro, espantava-me mais e mais de como a cidade era agradável naquela época, com prédios intocados, de fachadas imaculadas. Pena a situação não me deixar apreciar as coisas ao meu redor de forma mais despreocupada.

Cheguei à margem de um ribeirão, que presumi ser o nosso Arrudas. Como a turba ensandecida aproximava-se com rapidez, não tive escolha: arremesei-me nas águas escuras.

Felizmente tal rio ainda não era tão esgoto como o conhecia, mas mesmo assim fui arrastado por muito tempo. Quando consegui sair do rio, achei-me em safo, porém muito quebrantado: havia ferido-me em minha fuga, estava esgotado, estava no passado. Entrei em depressão imediata e passei a cambalear pelas estradas poeirentas que me conduziram à paragem de Caeté, onde fui capturado por agentes da polícia, por estar imundo, trajando roupas esquisitíssimas e por estar delirando, balbuciando em vão o suposto nome da mulé que ainda nem havia nascido ainda.

Fui recolhido a um asilo de loucos, onde fui tratado a pão de ló, com direito a sessões de banhos frios vindo de mangueiras de alta pressão e sendo pioneiro nos experimentos com eletrochoques. Ou não, não me lembro muito bem. Deram-me acessoa materiais de desenhos toscos, onde produzi imagens de diversos aparelhos telefônicos, que se tornaram minha obsessão nos anos que me restaram. Morri em 1947, de tuberculose pulmonar, morte esta digna de meu título que foi-me atribuído postumamente: O último dos românticos, que nunca conseguiu completar a ligação."

Ufa. Eis aí minha versão actualizada do conto em questão. Consegui também postar a imagem que usei para ilustrar o texto. Era mais fácil que imaginava postar imagens; infelizmente ela não ficou do tamanho certo, perdoem a minha falha.

Tenho que começar a trabalhar, eis que olham-me torto aqui. Tenham todos um bom dia...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Noiado.

Eis que um novo dia começa. E embora, esteja começando, para muitas pessoas pode parecer que já acabou? Absurdo? Nem tanto, basta analisar os problemas de cada um para se saber que por mais que as coisas estejam indo bem para nós, para mim, para seu vizinho e outros, muitos estão a sofrer horrores em algum lugar do mundo, ou às vezes em alguma localidade mais próxima que imaginamos.

Passando por estes corredores urbanos, muitas vezes encontro-me irritado com coisas frívolas, e almadiçoô(reforma ortográfica de cu é rola, viva o "chapeuzinho")outras pessoas ao meu redor, por bloquear meu caminho, e coisas idiotas. Quantas pessoas dessas não têm problemas muito, muito maiores que a minha patética pressa?

É estranho isso, quando pondero sobre uma coisa como essa é que vejo o quanto me preocupo com assuntos que passam batido pela maioria das pessoas. Daí veio a designação "Noiado" que vem no título deste, por assim dizer, diário virtual. Preocupo-me por coisas que, em minha confusa cabeça, são assuntos pertinentes, nobres, sei lá. Quando na verdade não adianta nada fazê-lo, por mais, er, humanitário que isso possa soar. É uma imensa contradição, pois que preocupar-se com estas coisas de nada adianta; não ajuda ninguém muito menos a mim mesmo. Só me deixa mais estressado.

Po vezes, eu já me flagrei desejando uma mente menos "neurada", que só se preocupasse com coisas mais amenas. Mas isto é algo que denomino "configuração de fábrica". Sou noiado. Não que tenha que me resignar a ser assim para sempre, mas sei que isto nunca deixará de existir em mim. Mas, como disse ontem, por estes dias estou tentando refrear certos comportamentos que considero chatos em mim. Vejamos o que acontecerá no decorrer dos acontecimentos...

Não se preocupem que não hei de tornar-me um cara que só se preocupa com o resultado do jogo de futebol ou quem vai sair do Big Bosta Brasil. Isto nunca.

Caso aconteça, peço a todos que me abatam a tiros, por favor.

Se existir alguém lendo por aí, tenha um bom dia. E até a vista.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sea of changes.

Creio eu que nenhum habitante desta cidade deixou de presenciar a borrasca que assolou a área central no final da tarde. Foi algo realmente impressionante, com ventos fortissimos e mesmo algumas pedras de granizo. Felizmente, não precisei a enfrentar, uma vez que me ofereceram uma carona motorizada para casa, que aceitei sem hesitação. Houve queda de luz em casa, mas mesmo isso foi um tanto interessante, pois que é raro conversar com seus familiares à luz de velas. Agradavelmente retrô, por assim dizer.

Hoje de manhã acordei após uma noite meio que mal-dormida, esperando que o dia fosse se apresentar hostil feito ontem(que foi um dia particularmente chato), e ao olhar para fora da janela, achei que fosse ser mesmo; onde eu moro o céu estava encoberto com espessas nuvens ameaçadoras. Após a rotina usual de exercícios físicos que pratico logo ao acordar(mui excelente despertador), fui preparar o café e alimentar os diversos animais que residem em minha residência, tais como gatos, cachorros e papagaios, sempre com a impressão que o dia seria difícil. Verifiquei, minutos mais tarde, que minha brilhante idéia de maneirar um pouco na quantidade de pó de café resultou em uma autêntica "água de batata", denominação jocosa esta feita por compatriotas de serviço ao café ralo que nos é servido diariamente.

Mais um sinal de que o dia poderia ser uma josta? Talvez.

Ou não.

Saí de casa, em caminhada ao ponto de ônibus, que não é muito perto de casa. Como é de praxe, pus o iPod para funcionar, uma vez que a maioria das atividades é melhor executada com som na caixa, zin! Tenho a tendência de atribuir às músicas estados de "esprito", para o bem ou para o mal. Eis que o shuffle me apresentou como música de abertura do dia "Thorn in my pride", do Black Crowes, música esta que atribuo a momentos agradáveis. Em frente, então, cantarolando desafinadamente a melodia em questão.

Após subir no ônibus e descer a "serra" em que moro, eis que verifiquei com certo espanto que o tempo encontrava-se límpido, céu azul, sem nenhum nimbo ameaçador a pairar por cima das cabeças dos cidadãos. E a trilha sonora do transporte público continuou a ofertar-me músicas agradáveis. Claro, volta e meia apareciam as eventuais faixas "nada a ver" com o clima que agora já planejava para o dia. Sim, a partir daquele momento, decidi que o dia seria legal.

Costumo ser um cara tachado de mau-humorado e rabugento a maior parte do tempo, e costumava aceitar tal rótulo normalmente, pois tenho auto-crítica altamente desenvolvida(creio eu). Mas ultimamente, mais precisamente no final do ano de 2008, algo mudou dentro de mim, não sei precisar o quê, mas me fartei de ser o eterno reclamão, e desde então tenho tentado me corrigir, passo a passo. Claro que não desejo tornar-me uma "Pollyanna"(ARGH NÃOOOO), mas também não desejo tornar-me tão repelente a ponto de afastar todos ao meu redor. Eis que não estou ficando mais jovem, muito pelo contrário.

E, enquanto escrevia as linhas anteriores, o bicho pegou absurdamente aqui no escrotório: computadores dando pau, vírus pipocando por todos os lados, ameaçando todo o império, formatações de HDs e quejandos, etcoetera et al.

Normalmente, eu estaria irado a ponto dedefenestrar máquinas e colegas de trabalho, e iniciando atividades pirotécnicas diversas. Mas, por increça que parível, ainda mantenho o bom humor! Hu-Há! Será que é um sinal dos tempos, ou simplesmente as oitavas de final dos tempos? Esperemos que seja apenas de facto um indicador que mesmo os rabugentos incuráveis não sejam tão incuravéis assim.

Enfim, o almoço se aproxima, então vamos ao churrásquio. Que Mitra esteja iluminando vossos caminhos. Hasta la vista.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Austregésilo de Andrade Barros Mendonça.

...então o senão foi levantado. Entrementes, o relógio despertador se despertou e começou a preparar-se para a lide diária. Muito havia que ser feito naquela manhã de 2215. Ano curioso este, começou numa terça e acabou ontem. Como é de praxe em casos como este, fui levado a me informar no guichê de número três, que haviam outros guichês a me aguardar em sequencia aleatória na repartiçao de bipartições.

Entrementes, mais adiante, o pão nosso de cada dia rezava um Credo, para escapar do Putz, uma vez que este estava tornando-se deveras demodê. No supermercado, anunciava-se que os produtos da ala nove estavam agora alados, e as recepcionistas distribuíam redes a granel, para a captura de tão asiados produtos de beleza e higiene mental. Ou bucal. Ou oral. Ou, me disseram que ali adiante existia um proposito para a existencia, levemente usada.

Apesar de ser inverno, o sol ardia como acarajé quente, eis que me encontrava-me na Bahia, na esquina da intervenção pública de resolução de final de ano. Dessarte, fui orientado a dirigir-me para o volante; já que desejava dirigir, melhor lugar não havia. Ou haveria. Ou haverá. Haverá vida em Marte? Creio que não, embora esteja convicto que sim. Será? Não saberia dizer, ainda mais depois que grossas gotas de água teimavam em descer da face oculta da Lua. Lágrimas ou suor, não saberia dizer.

Sei que adiante teria que ir, que adiante teria que estar.
À frente de tudo e de todos,
Em conjeturas similares,
Em outra parte e em outro lugar,
Alem do tempo e do espaço,
Noutro lugar.

Algo disso fez algum sentido? Não? Não se preocupem, assim como as manhãs de segunda feira - que não fazem o MENOR sentido - tenho a tendência de escrever textos nonsense às vezes. Considero-os extremamente divertidos por vezes. Às vezes é bom lembrarmo-nos que por mais que queiramos que tudo seja bonitinho e funcional, nem sempre isso acontece. Em especial nas segundas feiras pela manhã...