terça-feira, 25 de abril de 2017

Como viver....?

...esta pergunta não cessa de martelar em minha cabeça. Não sei, me falam muita coisa, me falam que foi um erro reduzir a dosagem dos medicamento que tomo, por conta própria. Admito, é uma coisa arriscada, mas em momentos de desespero, a gente começa a flertar com o perigo...de forma consciente e inconsciente. 

Mas eu o fiz com intuito de melhorar....e não piorar. Eu sei que em 2016, foi um ano que deveria ter sido incendiado, de tanta infâmia, não só para mim, mas para todos em geral. O que diabos está acontecendo? 

Eu não sei, mas o ano inteiro de 2016 foi uma desgraça em cima de outra, um desastre em cima de outro. Todos os dias, uma nova chatice. Todos os dias, uma nova decepção. E não me isento da culpa, pois eu fiz muita mas muita merda em 2016. 

Quem, depois de quase 40 anos de busca, encontra o que sempre procurou e ainda assim conseguem pôr tudo a perder...em um momento que eu nem me lembro como aconteceu, de tanto Rivotril que eu tinha na cabeça...?

Sei, que, depois deste ocorrido, as coisas nunca mais foram as mesmas. Minha vida entrou em um declínio constante. Nada nem ninguém me fez sorrir como naquele extinto mês de dezembro de 2015, e parte de janeiro de 2016. 

As coisas foram piorando e piorando. Muito mais, à medida que fui constatando que tudo de errado que havia acontecido era minha culpa. Minha. ùnica e exclusiva, minha.

Por isso que eu acabarei por encerrar toda esta injúria eu mesmo. Só preciso acumular dodorogas o suficiente, um pouco de camembert e 2 taças de vinho. Receita para o desastre total e inevitável, caso leve mesmo a cabo.

E me dizem tanto, que é uma saída para covardes, que as coisas só vão piorar porque irei pro inferno(segundo católicos), ou serei punido por não ter passado por toda a experiência que minha "alma" deveria ter experimentado(segundo espíritas), e todas as demais imbecilidades sobre a vida e religião.

Minha vida só existe devido ao acaso, da união desregrada de um óvulo com um espermatozóide. Mero acaso do universo...que deu errado. Deu. Errado. Eu sou todo errado. Eu não tenho nada a oferecer, a ninguém. Achei que tinha, mas não. Não gostam mais disso. Ninguém.

E em contrapartida, não tenho nada a esperar também. De ninguém. Nunca. 

Pessoas te olham feito um aleijado ou retardado mental quando você fala em terminar sua própria vida por seus próprios meios. 

Vão todos se fuder, digo eu.

Qual é sua única propriedade, de fato, neste mundo? Este corpo, esta carne e ossos ambulante que pensa e pensa e, em casos como eu, acha melhor uso para seu corpo enquanto fertilizante. Váááárias pessoas são contra, são a favor da vida.

Quando a vida e seus arredores ficam insuportáveis, o que voce deve fazer? Se mudar, seria uma. Mas, citando Pink Floyd, "I've got a strong urge to fly / But I got nowhere to fly to."

O mundo se tornou um lugar idiota e imperdoável. Não importa onde você vá, pessoas irão lhe julgar, dificuldades imensuradas irão aparecer, e vai ser tudo uma merda, no final. 

Como viver, se as coisas estão assim? Quando você precisa maximizar seus cartões de crédito para comprar merdas que você não precisa, com o dinheiro que você não possui, para tentar preencher o buraco na sua alma? 

Quando tudo que você queria não é dinheiro, não é uma coisa. 

...seria alguém. Um alguém, que, a duras penas, eu descobri que não existe, em nenhum lugar deste universo. 

Não existe.

Então, para que continuar aqui? Nesta merda, neste vale de lágrimas, nessa bosta sem sentido algum que chamamos vida?

Quanto mais eu questiono, mais dúvidas insolúveis aparecem. Talvez não sejam, para pessoas menos imbecilizadas que este que vos escreve, mas para mim, tudo me parece sem sentido, sem solução, um absurdo. 

E me citam a mesma ladainha, "mas voce é inteligente, você é bonito...."

Vão se fuder, novamente. Inteligente?? E ganhando menos de 2 mil por mês. Posso até ser afortunado, de ter semelhante emprego nesta crise - tudo bem. Mas não faz de mim inteligente porra nenhuma. Se fosse inteligente, eu teria um cérebro que entendesse matemática, ciências exatas, coisas que são lucrativas e estas sim, dignas de uma pessoa  INTELIGENTE. Bonito? Vá tomar no cu. Primeiro, porra nenhuma. Segundo, mesmo que ainda fosse, beleza não põe mesa, seus tronchos. E AQUI, neste estado miserável que vivo, esta terra maldita que só tem roceiros, eu NÃO sou considerado bonito, sou considerado um alienígena. Têm medo de seres brancos como eu. 

O que eu posso esperar deste tipo de vida? Devo esperar algo desta vida, deste mundo?

Não. Não devo. E muito menos esperar pelo dia 17/09/2017...

Que venha a inexistência. Pois nada existe além de nada além deste nada....

quinta-feira, 2 de março de 2017

Quadro em branco.

Estou cansado. Muito cansado. gostaria de poder dizer diferente, especialmente após um grande feriado como o que acabamos de vivenciar neste semana no Brasil, o famoso carnaval, veio e já foi, e eu mal percebi.

Mal percebi, pois fiquei mais dormindo que tudo. Felizmente todas as atividades escusas negociadas fraudulentamente pelos funcionários da prefeitura, que haviam ilegalmente alugado o parque para barulhentas atividades populares. Anulado foi o escuso negócio, e pudemos ficar de boa ali no nosso canto, sem a barulhada de agentes populares da má musica e má diversão. 

Muito dormi, porém nada sonhei. Sonos artificiais têm esta tendência de permanecerem incautos em nossas mentes. Nada onírico, de fato, foi-me lembrado, mas de minhas mãos, silentes desde 2011 em se tratando de rabiscos e afins. 

Sim, saiu UM desenho. Bom o suficiente para me lembrar do que está dormente dentro de mim. Mas eu sou uma pessoa, ou pessoas, se preferirem, de múltiplas impossibilidades. Uma delas é justamente este...este...ou esta coisa, este negócio, que todas as vezes que eu vislumbro alguma luz na escuridão, eu fico...cego, não sei. 

Cego.

Não sei, acho meio megalomaníaco clamar que se possui esta tal "luz" interna, ainda que ela exista. Eu não sou especial. Eu só tenho uma certa afinidade com rabiscos. E com letras, também. Infelizmente, ambas "habilidades" têm valor reduzido em um mercado como o nosso. 

Muitos de meus antigos amigos, os quais não vejo, infelizmente, há muito tempo. Amigos dos quais eu sinto falta, mas aquela época passou, também. Cada um no seu canto, a maioria está com família completa, filhos, cães, tudo mais. 

Algo acontecia naquela época comigo. Me falavam que de meus amigos eu extraía forças para seguir adiante. À medida que o tempo passou e o povo sumiu, ou eu sumi, se preferirem, eu prossegui um tempo sozinho, mas veio o grande e infame ano de 2011 e fui obrigado a abandonar meu último laço com o desenho, que eram as aulas que eu "ministrava" para o famoso Nazista, Gabriel de nome, e imortalizado pelo infortúnio que praticamente arruinou sua vida por causa de uma brincadeira de mau gosto que se tornou um pesadelo.

Voltando a mim, estou aqui hoje me sentindo vazio...ou inacabado, não sei. Incompleto. 

Incompleto.

Pensei erroneamente que, tal vazio seria preenchido por coisas que viesse a produzir, mas não sei. Tudo me parece errado, ou feio, ou bobo, ou clichê. 

Eu ando pelas ruas, não sei o que pensar. Ando olhando para o chão, evitando as pessoas. Elas me veem, e em geral se afastam. Sim, eventualmente existem outros tipos de olhares, mas eu considero este tipo de olhar como "eu se fosse você ia num oculista," pois se eu sou cego, você também. E uma pessoa um tanto confusa. 

Eu não valho a pena. 

Não se engane.

Por algum tempo, eu achei que havia melhorado um naco, após ter reduzido, por conta própria, a dosagem de certos remédios que tomo. A saber, o próprio Parnate, o famoso por causar por causar muitos efeitos colaterais, incluindo...depressão. É. Um antidepressivo que pode causar depressão. Ha, ha, ha. E, em conjunto com os outros remédios, me fez engordar 15 kg, e isto, para quem já naturalmente tem problemas com auto-estima, foi uma bomba.

Após uma dose de penúria a mais, durante o período que reduzi a dose do Parnate pela metade, eu passei a me sentir melhor. Estou 10 kg mais magro, e em geral estava me sentindo melhor. Mas, aconteceu algo neste carnaval. 

Não sei definir o que foi, mas se instaurou ontem. No final do dia. Um desânimo generalizado.

Em geral, eu acho que o balanço foi positivo, apesar de não ter feito nada que havia originalmente planejado para este carnaval.

Infelizmente, não consegui me livrar da inhaca que se apoderou de mim no final.

Prossigamos e vejamos o que vem em seguida...esperançosamente, esta joça passará.

Quando, é a questão.

domingo, 27 de novembro de 2016

Ass-perger.

Esta minha vida....cheia de surpresas; no entanto, nada de novo par aqueles que jé me conhecem. Meu médico psiquiatra - o Dr Milagres, ou também conhecido entre eu e minha irmã que com ele também se trata, o Doutor Caveira(pois ele é magro e tem a forma de seu crânio facilmente identificável por debaixo de uma delgada epiderme), me recomendou tratar-me com uma profissional da ordem dos psicólogos. Fui ter à tal pessoa, uma mulher mais nova que eu, com o nome de Dra. Manuela. 

Gostei dela, mais do que gostei de minha última psicóloga, que me falava de realidades paralelas e coisa a la "o segredo", que detesto veementemente. Esta parecia ser mais pé no chão, por assim dizer, apesar de acreditar em espíritos. Como eu mesmo não posso negar muito a presença destes seres chatos e etéreos em minha vida e minha existência, não lhe fiz mal julgamento, mas já fiquei de guarda. Não quero me tratar com alguém ainda mais doido que eu mesmo. 

Curiosamente, no mesmo dia, depois do expediente, depois das dez horas obrigatórias pela CLT para que recebesse meu salário, encontrei-me com um de meus "irmãos" que a vida nos permite escolher, diferentemente do irmão de sangue que é um dos caras mais malas que conheço, fazendo-me questionar se realmente é meu irmão de sangue deveras, ou apenas um invasor que tomou muitas coisas de minha vida...o irmão que a vida me deu por acaso e por minha escolha, de nome Gabriel, o que me refiro jocosamente de Nazista por sua predileção pela extrema direita; mas estou a desviar-me do assunto principal desta carta que poucos lerão, se é que alguém lerá.

Adiante, então. Encontrei-me com Gabriel após o expediente e após minha primeira sessão com a psicóloga, e no final do encontro, não me lembro como, chegamos ao ponto: discutimos sobre a síndrome de Asperger, que alguns conhecem de perto, e eu mesmo já havia ouvido falar, mas nem sabia o que era propriamente dito. Se querem saber mais sobre esta coisa, sugiro que procurem na internet, mas concentrem-se nas descrições imparciais sobre o tema.

Digo isto porque eu mesmo citei, na quinta feira seguinte, dia de sessão psicológica com a minha terapeuta e disse acreditar ter ao menos um pouco de tal síndrome em mim.

Não tenho APENAS alguns sintomas. Tenho vários sintomas de tal maladia em mim, se não for quase todos. O que explica diversos aspectos de minha vida.

Eu sou autista. Mas no espectro positivo da coisa. Porque eu consigo me comunicar com outrem, ainda que não lhes olhe nos olhos, coisa de Aspies mesmo. Eu tenho certa inteligência, mas não sei me comunicar. Muitas vezes sou tachado de arrogante por isto - por saber falar, saber escrever, de forma correta, mas por sempre andar por aí sem sequer ter coragem de olhar as pessoas nos olhos, por ter reações exageradas, por querer me isolar dos outros, e ao mesmo tempo me odiar por tê-lo feito tantas vezes, acabei, por fim, me tornando cada vez mais e mais solitário. Rolando em minha própria miséria e me perguntando por que.

Porque sou autista. Porque sofro da síndrome de Asperger, e somente agora, no auge da miséria e depressão eu fui diagnosticado como tal. Não por ser uma peça no joguete que algum ser superior e sarcástico quer para mim - mas porque eu decidi, por mim mesmo, não mais tentar me integrar na vida de ninguém - eu o fiz com alguém que é-me deveras querida, e quase acabei com tudo de bom que havia entre nós, sendo apenas amigos, ou não. No final, abusei dela tanto, tive uma reação tão exagerada que cá mesmo escrevi calúnias sobre tal "anjo" em minha vida, porque vi que ela havia postado no instagram coisas que me aborreceram. E como tenho 90% de chance de ter reações exageradas, fiz-lhe esta infâmia - não adianta procurar nos arquivos; eu deletei tal texto. Era o máximo que poderia fazer. Pois tal engano quase me custou a amizade com esta benevolente criatura que habita este manicômio esférico.

O importante foi saber que sou assim por ter nascido assim. Porque sempre fui, sempre agi desta maneira. Tenho as mais exageradas reações, e me sinto inadequado para fazer mesmo as coisas que tenho afinidade, como o desenho. Sempre olho as coisas pelo pior prisma possível. Dra. Manuela trata pessoas com esta síndrome há anos, e na primeira sessão já soube que eu era portador desta síndrome. E mais uma vez, eu me pareço com meu pai, pois foi dele que herdei tal carga genética. Também ele tem reações absurdamente desmedidas, nunca olha nos olhos das pessoas que está conversando, e também ele lutou com este conceito de "sou burro, sou inadequado" para tudo ou quase tudo na vida. A impulsividade, a mania de gastar, a maneira de compensar materialisticamente alguma falha, tudo tudo tudo.

De meu pai herdei o autismo. De minha mãe herdei o "artismo." E essa combinação fez de mim um fracasso quase completo em tudo que tracei originalmente como meu plano para vida. Não me tornei desenhista, muito menos tatuador. E quando me lembro que cheguei a frequentar um curso mequetrefe de tatuagem, cheguei a comprar a máquina e tentei tatuar uma pele de porco, quando vi as trêmulas linhas que deixei pra trás naquela pele, agradeci não ter sido feito em uma pessoa. Empretei minha máquina para um cara que julguei ser meu amigo, que está fazendo o meu sonho virar realidade em suas mãos, sendo tatuador, e que nunca, NUNCA, me devolveu minha máquina que na época custou muito caro para um cara que ganhava perto dos 350 reais mensais. A máquina custou 300 reais. O curso custou 600, e nem fiz a metade, pois assim que vi que não conseguiria jamais ter mãos firmes o suficiente para tatuar alguém, abandonei sem olhar para trás, a não ser algumas vezes, que contemplo estes acontecimentos como o início de meu fim.

E assim foi. Pois continuo falhando em tudo, continuo tendo reações exageradas, continuo me achando inadequado, não consigo olhar as pessoas nos olhos, não consigo sequer traçar uma reta usando uma régua.

Autista, quem diria? Todos.

Artista? Não, digo eu. Desenhista? Tampouco. Posso ser um "desenhêro" às vezes, mas desenhista? Não sou, e, francamente não quero mais ser. Quase não tenho mais auto-estima, estou ficando velho e flácido, e inutilmente tentando lutar contra a maré do tempo.

O único relacionamento que já tive, eu reduzi a cinzas por ser eu o idiota autista e exageradamente ciumento, mesmo depois do relacionamento ter sido anulado, por mim mesmo - e eu tive que ser lembrado de tal fato, pois eu havia esquecido que tinha agido assim.

Agora, o que fazer?
Não sei.
Quem sou eu?
Um idiota autista portador de Aspeger's.
ASS-PERGER.

É o que sou, quem sou.

E é uma merda.

domingo, 30 de outubro de 2016

Sozinho.

Sozinho.
Foi assim que me senti,
diversas vezes
na minha vida
nesta vida
de cão.

Cão de aluguel, sou.
E quando me comporto,
às vezes me atiram
um osso.

Algum alimento
para esta vida, para
esta existência
inexistente.

Eu era, eu fui, eu sou
Doente
da cabeça
Enquanto o corpo resistia
e desistia
de voltar a ser
o que era antes,

antes deste ano,
antes da experiência
de ter comigo alguém
que, bem o sentia,
me complementava
me contemplava
como se estivesse tudo bem.

Não estava.

ciúmes doentios, familiares
a protestar por mero ciúme
me plantaram em mim
semente que não queria plantar,
a semente da loucura,
tanto debelada por
fármacos diversos.
foi em muito aumentada
por mim mesmo, por nenhum
mando de psiquiatra e/ou
psicóloga, mas ainda assim
louco

terminei com tudo,
numa remota noite
que já não me lembro mais
mas que fui lembrado,
envergonhadamente,
depois de ter agido
precipitadamente
voltei a ser
o Sozinho no Sótão.
O MONSTRO
que deve morrer, assim
sozinho na poeira,
sozinho na fogueira
na pira que incendiei
aos meus próprios pés.

Sozinho fui,
sozinho sou.
e as gentes, oh as gentes,
falam e falam,
por detrás de minha pessoa,
têm medo de mim,
dizem.

Medo?
De um cão sarnento?
das ruas, a vagar,
recolhendo detritos,
a fumar,
que ameaça existe em
mim, que no meu autismo,
não consigo sequer
encarar tais gentes nos olhos,
sem estremecer,
esmaecer,
sumir?

Medo?
Não, não de mim,
tenham medo das ruas,
dos lazarentos desafortunados
que ali vivem, ou então
dos favelados declaradamente
vagabundos, a ganhar do governo,
o vale-cachaça, o vale-crack
ou até mesmo casas, apartamentos?

Encostados duma figa,
tenham medo deles,
e de quem os representa,
piores ladrões nem mesmo
nas favelas existem,
nas favelas,
onde eu seria morto
apenas pelo fato de ser branco.

Mas tudo isto de nada vale,
ao encarar a vida, a sociedade,
estando, e sendo,
Sozinho
no
Sótão.

domingo, 3 de julho de 2016

Explanações & pinçamentos.

Bem,bem. Sei que ando desatualizado com este brog, desde que o tornei privado. A começar: por que o tornei privado? Bem, a resposta é simples: pois que  as pessoas erradas tiveram acesso aos meus textos que cá publico e, então, isto virou um tiro no meu próprio pé. Tais pessoas são autômatos de meu emprego atual, que por mal resolveram me denunciar ao controller da empresa, aquele que se senta no trono de ferro no canto da sala, posição estrategicamente colocada, de onde eleele pode observar a tudo e a todos no "aquário" que se tornou o andar dos operacionais, ou seja, as Pessoas onde o mais-valia fala mais alto: somos os que mais trabalham, e os que menos ganham. com exceção, claro, do referido controller e sua companheira, não só de trabalho, mas na vida "amorosa" do mesmo. 

Mas assim o é em qualquer empresa. Ou parece ser. Ao menos na esfera privada do planeta, onde Das Kapital assume a central figura. E, devo admitir, tenho sorte de ainda estar empregado, pois fiz coisas que são consideradas graves insubordinações a Herr Direktor. Coisas do tipo, ter insônia e aparecer para trabalhar às 5 da manhã. Falta grave, segundo eles. Faltar por causa de enxaquecas, onde um bilhão de agulhas caem em seu cérebro - nem pensar. Tal coisa será considerada falta sem justificativa, e irão me cortar 100 reais de cada falta desta naturezaa. Agora, absurdo dos absurdos para mim foi a proibição expressa, vinda da boca do próprio Herr Direktor, que um dia já foi considerado um de meus melhores amigos - não posso mais usar meus anéis de dragões que tanto amo, por um motivo não explicado. Tampouco eu quis perguntar qual era o motivo. Antes mesmo dele terminar o discurso abjeto - algo como "estamos ficando velhos," eu já havia removido, por debaixo da mesa os anéis. Acho que temem que eu um dia surte e pratique atos de auto-agressão, como já fiz antes, ou ataque algum colega de serviço usando tais anéis - coisa que nunca fiz nem jamais farei.  Sei de pessoas ali que mereciam tal surra, mas não cabe a mim fazê-lo. E mesmo as auto-agressões, eu não as faço desde que fui advertido que se tornasse a fazer, estaria no olho da rua.

Não posso mentir - aquilo foi a gota d'água para que minha amizade com esse cara morresse de vez. Como disse um amigo, AMIGO de verdade, "friend is a four-letter word..." E neste caso, aplica perfeitamente: boss. BOSS. B-O-S-S. Minha alma lhe pertence, e tenho que obedecer, caso contrário, ficarei sem emprego. Sim, lhe sou grato por ainda estar empregado, mesmo depois de minhas falhas. Mas não espere de mim grandes expansões de alegria ou abraços - ao menos não sinceros. Assim é a vida.


fig 1. - a visão "olho de Sauron" do controller numa panorâmica do escrotório.


fig 2 - panorâmica mais restrita ao meu setor; como podem ver, ele tudo vê.


O mundo imundo dos negócios é uma merda de manter aparências, segundo o próprio diretor me disse. Bem sei eu, pois estou sempre alinhado e uniformizado, MAS nunca foi-me dito nada a respeito de anéis. Tudo bem, estou obedeçendo a nova regra; não sou idiota de desafiar meu Senhor usando todos os anéis no horário de serviço. Mas assim que o badalo soa, sou dos primeiros a estar na fila do ponto, com TODOS meus anéis. Lá fora não têm poder sobre o que visto ou uso nas mãos. Ainda mais estando eu a trilhar pelo fio da navalha, um escorregão e - zap. Exterminado, demitido, daqui pra fora; vá ter ao olho da rua. Não. 

Por isso privatizei o blog, deletei meu facebook. - pois o que falo aqui(e falava no face) sou eu FORA do horário servil. E não me importo em estar ficando mais velho; eis que estamos todos, e todos endereçados ao cemitério. Por que não posso curtir minha vida fora daquele lugar, da maneira como bem entender? Pois é. Acontece que algum imbecil acho isto aqui, e como diz meu chefe do TI, "é mais ou menos pôr a bunda para fora da janela durante umas chuva de piroca." Ah, ha ha ha ha. Ao menos isso - meu chefe imediato ali é uma pessoa divertida. Ainda assim, devo tomar cuidado com o que falo no meu setor, pois ali existe um espião protegido confesso do controller, não citarei seu nome, e meu próprio chefe tem que responder por mim quando questionado a respeito. 

Trabalhar numa empresa assim é tipo viver numa cidadezinha do interior: TODOS querem saber de sua vida para depois irem conclamá-la ao controller, que por sua vez, irá contar ao Diretor do Circo Máximo. E como diz o refrão, "quem conta um conto..." Sim, sim, vários pontos que nada têm a ver com minha vida profissional são acrescidos à fofoca original. 

Enfim...acho que isto explica o motivo de ter privatizado aqui. Se encontrarem maneira de ler o que escrevi, logo ficarei sabendo - com o afamado bilhete azul me esperando, passe no RH e adeus. 

Esperemos que isto não aconteça. Caso contrário, será-me impossível manter a vida. Por mais que não goste dali trabalhar, ou ao menos não goste do ambiente inóspito onde tenho que me calar sempre - e depois ainda me perguntam por que sou tão calado lá, eu só sei que não posso confiar em ninguém ou quase ninguém. Daí a fama de carrancudo silente. 

Ora, se tudo que eu digo pode e será usado contara mim no tribunal Funchal, melhor não dizer nada mesmo ali.

O que é uma merda.

Mas mantém-me vestido e me permite pagar minhas contas. Fazer o que então? Lá ficar, tendo conversas dentro de minha própria cabeça, nunca em voz alta...

E a vida prossegue....

sábado, 11 de junho de 2016

VD: #39 Single edition.

June the 11th. I'm not writing this one down on the 12th, because "it's against the rules" or make me sound like a "fucking wino with no money that's drinking desinfectant alcohol gel as a substitute".

This year, I'm alone, again. I can't remember properly if that was the same condition in 2015....oh fucking Rivotril, eating away my memories, one at a time.

But that's all this fucking day is about, really: to remind people how lonely they actually are.

how lonely they will turn out to be, for many, many, many, many years.

I now remember something about my ex....she said, last year, she was buying herself gifts "Because she was the best girlfriend in HER world!"

Her world. Not mine. Never, never, mine.

So no, I was alone too in 2015. That makes for four decades of solitude.

And people wonder WHY I'm all fucked up and weird. I really don't care when they say it's all commercial. No, it's about to act as a counter of how many fucking years you've spent alone, in misery.

Thirty-nine. Survived a 80 pill Rivotril overdose and a 75 x 50mg Pamelor OD - no harm done other than humiliate myself and had some days cut off my salary. Both of them caused by the same person, who now is gone forever off my life, because of me and my fucked up head, mouth and fingers.

The big question remains - why the FUCK am I still alive? Whatever for?

That's the question I made myself again and again at the hospital ward I had to spend the night because of my latest OD, the Pamelor one.

Each passing year, I believe less and less in myself. I drift away farther from people, centimeter by centimeter. I have less and less "true" friends.

Each fucking Valentine's Day, it makes me want to die bigger, faster, more. Because what Lewis Black(do your research) was right - it's a fucking day to remember us loners how alone we are and how alone we are still going to be next year.

I'll consider it as a sanity meter: how many lonely VDs can I take before I really cash myself out?

"Ooooohhhhh, he lived thru 47 lonely VDs....."

You KNOW there's something fucked up with you when all your friends got their valentines and all you got are sex toys and weird porn. For more than a decade.

I wish I could erase what I've done, or at least parts of it, the nastiest shit. But, alas, so is life. No undo button combo. No safepoint. You're going through hell, and you must get on going.

You're on drugs, you've always been. Can't remember a single day without one. Legal or not, I was, am, will be on drugs. And they've helped me a lot, oh they did - to fuck me from the inside out.

2 ODs because of the same person, no regrets. The only regret I have is that I did not die. Rivotril will just turn you into a mutant, deviant drunken asshole - very, very, very angry, and at some point you will forget everything. Pamelor COULD have killed me, but the stupid asshole here forgot to add alcohol to the equation.

I still don't know what the FUCK am I doing here. Being alone for yet another year, feeling like shit all day long - and now they won't even let me go to work at 4:30 in the morning,like I tried doing so to compensate for lost hours of the migraine days. No sir, yet another 500 $ cut to your paycheck, blocked access from the door, you know, all the works.

Either I've got a major case of Evil Eye, or life is tinking: this hasn't been fucked enough. Let's up the stakes.

Valentine's Day.

Fuck you, VD - at least I don't have to buy nothing to anyone.





sexta-feira, 27 de maio de 2016

A ruína.

Não faz muito tempo, alguns poucos, parcos leitores cá leram o que seria a escala descendente de uma amizade , um amor de seis anos à podridão,à lama. 

Sim, trata-se mais uma vez do caso eu vs Jackeline e o povo.

A coisa só fez sentindo regredindo meses atrás,data em que EU -sobrescrevo-me eu, resolvi terminar com ela  enquarto namorados.

Por que fiz isso? 

Não me lembro. Pela alma de minha mãe, não me recordo, plea alma de minha minha sobrinha, não sei po que. E por que, no mesmo final de semana, a bloqueei no facebook. Sei que o arrependimento foi quase imediato, pois.....não cabia,não valia, não fazia sentido.

Graças às graças de minha irmã mais velha, creio, nos voltamos a falar. Mas já não éramos um casal, tech-speak sayin'. 

Mas para meu cérebro, éramos. Ainda. Meu cérebro se esqueceu que eu havia terminado com ela. E estranhei a diferença no tratamento, mas nunca questionei o porque, até um dia algo me dar uma crise de ciúme banal, simplório. Nem éramos mais namorados!

Tive de ser relembrado, passo a passo, a reconstruir um passado em que destruí tudo que foi construído em seis anos.

O Demolidor perde feio para Marcos, o Burian. Usuário contumaz de Rivotril. Que não sabe onde pôs um papel que recebeu na sexta. Que não se lembra onde estão os pendrives que mexeu ontem.

O pior foi ter destruído os seis anos de amizade. Seis anos, no esgoto do meu cérebro, que é isso que está se tornando. Um esgoto.

Daqui a seis minutos não me lembrarei de deveras ter escrito este texto.

E ainda me perguntam porque quero morrer.