quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sastifassão.

Satisfação é ler quadrinhos. Principalmente quadrinhos com abordagens toscas, toscas abordagens. Vide Laerte, vide Angeli. Vide Niquel Náusea. Acho que em termos nacionais, estes são meus preferidos. Mas devo re-afirmar, com hífen e tudo, que Laerte continua sendo meu herói nacional. Continuo embassbacado com o cara.

Agora, em termos de vivências, propriamente ditas, quer um cara mais minha cara que Fernando Gonsales? Um biólogo bem-sucedido como cartunista. O meu sonho concretizado. Agora, em termos de tosqueira, Angeli bate muito, e bate forte. Desde que me tornei um ser mais monetariamente viável enquanto escravo, ando consumindo mais quadrinhos que nunca. E isto é bom, pois sempre precisamos de inspiração e exemplos.

Eu digo que estou sempre a trabalhar, mesmo quando aqui não estou a me escravizar, pois sendo esta minha nova(velha) ambição de vida, presumo que seja uma de minhas obrigações ficar antenado a tudo que se passa ao meu redor, e com outros caras que compartilham de minhas ditas afinidades. Portanto, quando estou aqui a ver milhares de quadrinhos nas internetis, eu estou também trabalhando, apesar de a união não aprovar.

Mas eu aprovo o foda-se! E fico aqui cogitando a satisfação que é criar algo de fato engraçado, usando exemplos reais e banais, mas que devidamente ilustrados, tornam-se verdadeiras jóias. Ao menos para nós, os que riscamos.

Satisfação é chegar em casa e trabalhar, e de fato render. Foda-se o tempo, foda-se o mau tempo. Foda-se a demora que levo para fazer algo, se gosto deste algo. Fodam-se os que acham que é apenas uma brincadeira o que existe em mim de mais sério...ou não. Não? Ah ha ha. Foda-se foda-se.

O importante é curtir. E ao mesmo tempo idiotizar ainda mais os idiotas ao meu redor, de forma ilustrada. E ainda escutar, "ah ah ah ha, que engraçado, eu conheço um cara que é assim" Eu também. VOCÊ. Sua anta. Ahahahahah.

Nada faz muito sentido, e tenho cansaço. Quero ferias da escravidão, para propriamente trabalhar, devidamente. Dito, dito. Feito, feito. Aguarde um mês, entretanto, pois os trâmites escravo...trabalhistas não nos permite liberação prévia.

Foda-se. o importante é que a concretização de Astolfo Rodolfo Pires Lemos de Sá agora existe, sim. Existe e vai existir, para sempre concretizado, devidamente ilustrado. Infelizmente não bem escaneado a ponto de aqui ilustrar o que acabo de escrever.

Mas existe, e isto me causa satisfação.

Quero férias, quero mais tiras. Férias. Tiras. Etisseteras. E tal.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Canseira.

Dias e dias se passam, feriados e finais de semanas, folgas e folgas, na medida do possível. Por mais que existam tais datas - abençoadas datas - de descanso, estou me sentindo completamente destruído por estes dias. É verdade que meus dias de folga se tornaram dias de trabalho, por assim dizer, trabalho propriamente dito, meu trabalho. Meus lápis, meus papéis, meus rabiscos. E não números inúteis e alheios espalhados em minha mesa, em minha tela...tela de monitor, do computador. Contabilidade. Tabelas de co-senos. Funcionários exemplares, a dar seu sangue para nunca, jamais serem reconhecidos pelos chefes. Salvo em horas que dá merda; nestas horas, você se torna uma celebridade instantânea no escrotório.

Enfim. Ando muito, mas muito cansado mesmo estes dias, e bem sei que é a mistura de uma vida dupla se iniciando, de fato. Ontem mesmo já agendei meu descanso, que infelizmente não será tão privilegiado como o de um amigo, que tem o curioso advento de ter férias contadas por dias úteis, e não corridos. Blá, enfim. Eu sou apenas um funcionário de enfeite desta repartição, bem o sei, e pretendo tentar mudar isto a partir destes dias. Aqui não dá para ser feliz, não mesmo.

Sei que agora, mais que nunca, a coisa depende de mim, e é algo muito estranho ter em mente tal constatação. Por que ando brigando comigo mesmo, mais que o de costume, para tentar sair fora desta subvida, sem entrar para a mamata medíocre das "férias privilegiadas" dos "púbicos" serviços brasilão das mamatas gerais afora. Algo que dependa de mim e de meu contínuo trabalho e esforço. Algo que venho tentando aplicar desde que venho tentando EXISTIR, enquanto este Buriol que sou; enquanto não-frango.

Mas afirmo que é díficil, bem difícil ter sucesso nessa empreitada, principalmente quando vocÊ de repente se vê com 33 anos e com a vida completamente estagnada. É como se eu estivesse acordando de um coma, e bem sabemos que não é de uma hora para outra que uma pessoa que sai de um coma volta a ser uma pessoa propriamente dita. Mesmo porque meu como foi auto-inflingido: por anos e anos estive tentando achar algum caminho de fuga deste caos que se tornou minha vida, minha cabeça, minha existência per se - e sem muito sucesso.

Porque, no final das contas, por mais que estivesse eu de coma induzido, eu tinha consciência, eu sabia e sei BEM o que eu precisaria fazer. O problema era fazê-lo. "The solution is the problem", de fato.

Não sei, ainda não sei se desse mato sirá algum cachorro, se dessa fonte beberei. Mas ando tentando fazer, acontecer. Eu devo isto a mim mesmo. Estou farto de me negar em minha essência e tentar viver a vida que outros planejaram para mim. Me tornei sozinho, imensamente sozinho, mas dono de mim mesmo, por assim dizer. E sabendo o que eu quero, irei mais uma vez tentar contornar tais coisas. Que seja pela última vez, que seja válido. Eu sinceramente prefiro a morte à mediocridade da vida frangal e fácil.

Mas há que vencer a mim mesmo, primeiro. Vencer-me, derrotar-me em meus mais obscuros aspectos, aqueles que me desafiam, me paralisam, me privam de criatividade e de vida propriamente dita. Por isso estou tirando férias, mas pretendo não descansar de meu trabalho. Trabalho, vejam bem, e não uma existência assalariada enquanto enfeite de contabilidade, peso de papel, artigo de luxo de escritório.

Enfim, que venha o tal "descanso", sem interrupções, sem hesitações. Que eu consiga fazer de mim algo que possa olhar no espelho sem ter ânsias de vômito. Que eu consiga fazer de mim algo que preste, algo que justifique minha existência. Algo que eu possa mostrar e me orgulhar. Não números alheios. Não metas inúteis. Não a esforços despendidos para nenhum reconhecimento no mundo dos alheios números, das vis somas, das obtusas mediocridades contábeis, tributáveis, isentas de ICMS, dedutíveis no PIS e no COFINS.

Algo que esteja traçado num papel, mas que eu não saiba o que é...ainda.

Que seja meu caminho, por fim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fé nunca mais!

Cá estou, segunda feira! E mais inteiro que julguei que fosse estar neste dia de hoje...Explico melhor. Hoje é a data posterior a um grande evento musical do final de semana, data em que os tios do Faith No More vieram nos visitar em esta roça imensa e asfaltada que é nossa metrópole.

Inicialmente minha irmã doida havia me afirmado que o show começaria as dez da noite no domingo, e eu já estava preparado para chegar aqui morto ou semi-morto. Felizmente não sei de onde a doida tirou que seria este hediondo horário: o show começou efetivamente as 20, sendo que eles mesmos só subiram ao palco lá pelas nove. Faziam anos, muitos anos em que eu não ia a um espetáculo de música, ainda mais de uma banda maior como FNM, mas como se diz - tudo que chega a tocar na roça grande de BH geralemente está no fim de carreira. Não sei bem se é o caso deles, uma vez que eles ficaram muito tempo separados, para enfim se reunirem no ano passado e entrarem em turnê mundial. Como costumo dizer, geralmente bandas que terminam e depois se "reconciliam" é por que estão sem dinheiro. Mas, enfim. Não vem ao caso.

O show foi fantástico, de fato. E marcou uma certa viagem no tempo pessoal. Quando FNM fez mais sucesso no Brasil, lá pelo início dos anos 90, eu estava morando num apartamento à Av. Bandeirantes, local que passamos por no caminho do show, e que me entregou a esta viagem no tempo pessoal na data de ontem. As músicas que na época fizeram mais sucesso aqui coincidiram com a queda do muro de Berlim, assunto abordado na data de hoje no jornal matinal. Achei que as coisas se encaixaram bem para completar a retrospectiva.

Minha irmã desde pirralha gostava da banda e ia comentando isto no caminho. De fato, Marcela desde nova já trazia grandes esperanças que não fosse ser mais uma patricinha inútil no mundo - eu me lembro dela com tipo cinco ou seis anos de idade e assistindo "Epic" na MTV, vibrando com as bocas e os olhos nas mãos flutuantes no clipe, e o piano explodindo no final. Marcela sempre esteve ligada no mundo da boa música, torcendo o nariz para os primórdios das boy-bands nos anos 90 e se antenando no bom rock - Pearl Jam, Nirvana, Faith No More, etc. Nada de músicas meia-boca.

O show foi no ex-Marista-Hall, que me transportou ainda mais no tempo, na época do colégio, em que estudei naquele local - época que a banda mais fez sucesso. Bons anos, os 90. De fato, de fato. Tem pessoas que se fixam musicalmente em alguma década, em alguma época. Eu me fixei nesta, e com razão, ao menos particulares. Enfim.

Fazia muito tempo que não assistia a um show de uma banda grande e de renome, e fiquei satisfeito com o que vi/ouvi. Existiram pobremas técnicos, sim - como a acústica um tanto abafada do recinto. Mas em geral, eu gostei muito. A seleção musical também me agradou muito, incluindo até uma versão ultra-canastra de "Evidence", cantada em um português muito avacalhado e incompreensível. Mike Patton, além de muita irreverência, demonstrou ter muita competência vocal também. E é é o vocalista mais carismático que já vi em um palco. A vocalização do cântico "porra, caralho", que foram inclusas em algumas finais("Ashes to Ashes" por exemplo) nas músicas comprovou isto. A galera estava em transe com o cara e com a banda. E com razão. A performance foi energética e invigorante.

Me fez muito bem ter ido no show. Foi o fechamento adequado a um final de semana um tanto chato, improdutivo. Me fez ter saudade dos palcos enquanto "performer" e enquanto apreciador de boas bandas e boa música também. Pena que aqui na roça gigante não possamos ter muitos destes exemplares presentes sempre. É necessário aproveitar quando eles aparecem.

Enfim, agora que venha a semana. Nem surdo eu estou devido ao meu patenteado truque de preservar seus zuvidos em shows...Que venha a porra da semana, e que eu dê conta de resolver o que tenho que resolver.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Corretice.

Engraçado, por estes dias eu tenho escrito só blahblahblahs normais, a respeito de minhas tortas opiniões sobre a frangolândia e afins, e nada daqueles escritos de ficção. Por que, não sei bem dizer. Tenho andado muito ocupado com projetos a vir, muito mesmo, a ponto de me sentir um merda no dia seguinte de uma noite em que não consegui render nada, feito a de ontem.

Mais engraçado, em ocasiões como esta eu acordo imensamente cansado, com sensação de derrota. A canseira eu suponho que seja devida ao fato que estou com as férias por vencer estes dias; a sensação de derrota é fácil de entender, se porventura quem lê isto me conhece de outras datas, de outras ocasiões. É a minha "cauda do dragão", por assim dizer. Minha necessidade doentia de querer ser perfeito, não admitir falhas. Nem em mim nem em outrem. Daí o fato de eu ser esta pessoa por vezes difícil de ser tolerada, devido a tanta chatice, a tanta "corretice", por assim dizer.

Acho que ao longo de minha vida o que aconteceu foi algo do gênero - eu tenho esta necessidade de querer ser O correto, O paradigma de virtude, coisa altamente idiota e imbecil; quando paro para pensar no tanto que esta minha, digamos, ambição, é rídicula, dá vontade de rir de mim mesmo, mas aí entra a corretice e não me permite agir da maneira normal.

Não sei precisar por que sou assim, por que me comporto assim, apenas acontece. Suponho que seja algo involuntário como um tique, e tão incômodo quanto. Estou tentando ter mais consciência que isto não é a maneira certa de agir, e mais ainda, tenho tentado corrigir-me quando percebo que estou sendo o "paladino da virtude". Mesmo porque odeio paladinos, seja quaisquer eles quem sejam, sejam pessoas com corretice exacerbada, como meu caso, sejam eles personagens de certos extintos hábitos em minha pessoa. Paladino de cu é rola.

mesmo assim, estou longe de ser algo menos intolerável quando tenho meus acessos de corretice. Blah. Conforme dito antes, suponho eu que seja mais uma de minhas falhas. Sou humano, apenas humano, apenas isso. Sendo isto, sou incorreto, errado, incongruente. Apenas por ser este bicho estranho que somos; mesmo os humanos não-galináceos têm suas falhas. Não apenas eu, mas todos. Blah.

Suponho que seja de minha natureza incongruente e impertinente. Ser o que não somos. Almejar o que não pode ser atingido. Não sei. Besteiras, besteiras.

No final, semos tudo besta mesmo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Arte".

Cá estou, novamente moído por dias e dias sem dormir com regularidade e com horas o suficiente, em parte devido a ainda estar sob efeito de certos filmes, e por certos compromissos sociais, como o que aconteceu na data de ontem, ocasião em que se comemora o aniversário de uma amiga minha, ex-colega do curso de "Belas" artes, e fui ter com pessoas em um dos milhares de bares de nossa cidade.

Não achei ruim ter ido, mas mesmo assim fiquei cansado por extender ainda mais a minha irregularidade do sono por estes dias. O que me cansou mais foi conversar com algumas pessoas que ali estavam presentes, que por extensão, também eram de certa forma envolvidas nesse obscuro caminho que nós, pessoas que gostam de desenhos e coisas relacionadas, têm de seguir em suas carreiras. Me desanimou, muito, conversar com elas. Não porque fossem pessoas chatas ou cansativas, mas por outro motivo.

O mundo profissional que envolve estas atividades continua uma merda completa.

Muitas das pessoas presentes estão ativamente tentando viver com suas aptidões, e se dando mal, sendo mau-pagas, completamente desvalorizadas, à mercê de imbecis que não entendem nada relacionado à ARTE em si. Não falo aqui de "arte" picareta, como as famosas joças denominadas "arte conceitual", mas ilustração, design, pintura, escultura e outros ramos da ARTE, sem ser a parte picareta da coisa.

Eu desanimo com tudo isso, sinceramente. Eu, que em 2004 abandonei este sub-emprego que novamente me encontro, com grandes esperanças de entrar em uma faculdade séria, aprender, aprimorar, produzir e disso fazer minha vida, fui atirado à terra junto com minhas ilusões.

Aparentemente, é ilusão entrar numa faculdade como aquela para se formar em...desenho. De fato, é realmente um absurdo pensar nisso. Ora! Como assim, uma universidade denominada "Belas Artes", como é possível que me enganasse desta forma? Como fui tolo, em pensar que realmente eu iria desenhar ali, ainda mais formar nisso. Muito menos disso viver, claro! Como é possível que tivesse sido tão ingênuo. "BELAS ARTES" e desenho, evidentemente são coisas incompatíveis, como oléo e água. Claro, claro. Certo, certo.

Pra merda.

Lembro-me do assombro que senti depois que vi uma exposição dos formandos na especialização DESENHO do curso. Cadeiras com lixo em cima num canto. Fitinhas coladas numa parede. Radiografias velhas atrás de vidros. Tive que voltar ao cartaz de apresentação da exposição para me certificar que não havia entrado no depósito de lixo da faculdade. Não. DESENHO. Para ser sincero, haviam dois trabalhos que realmente eram DESENHOS, ou pelo menos o que eu entendo por DESENHO. E aposto que foram os trabalhos mais desvalorizados de toda a exposição.

Eu não aceito isso, não posso aceitar isso, não aceitei isso. Por isso abandonei aquela merda em 2006. Por que cheguei no meu limite de paciência, de compreensão. Fico esbaforido só de pensar em tudo isso, e sinceramente frustrado. Uma ex-colega minha que estava na festa ontem, me perguntou se eu não retornaria ao curso. Ao que afirmei, "Ali só volto se for munido de explosivos plásticos e detonadores."

E, infelicidade que seja, aposto que assim o procedesse, se criasse uma cratera onde existe aquele hediondo prédio, maldito prédio, haveria a possibilidade de que, se eu elaborasse um texto picareta cheio de termos rebuscados e bonitinhos, cheio de citações de filósofos mortos, eu seria aclamado como um artista de vanguarda. Minha instalação seria um prédio em ruínas e vários corpos de "artistas" espalhados, devidamente esmigalhados.

Absurdo? Depois de ouvir dizer que um "artista" foi aclamado por encerrar um cão de rua atrás de um vidro em sua "instalação" até que este morresse de fome e sede, me pergunto se seria tão absurdo assim proceder de tal forma.

"Arte", de fato. Não um desenho legal, cheio de detalhes, bem elaborado, bem composto. Uma pilha de corpos e um prédio em ruínas fariam de mim um "artista" mais reconhecido, mais respeitado que se fizesse uma exposição de todos meus desenhos que fiz até hoje.

Pra merda, sabe. Não foi à toa que no dia que fui na secretaria do curso trancar e abandonar a porra do curso, eu estava tendo ganas de matar quase todos ao meu redor. Não aguento isso. Não aceito isso.

Para o inferno com toda esta merda. Fico tremendo de ódio só de pensar naquela merda toda que ali reside. Instintos assassinos em mim afloram, na mesa hora. Um ódio animalesco mesmo, de fato.

Abaixo as "artes", abaixo o blah blah blah que teria eu que desenvolver para tentar vender a roupa nova do rei; coisas que ninguém gosta nem entende mas que finge que gosta e entende, apenas para pertencer a esta corja de "artistas".

O rei está nu, seus cretinos fedaputas. Digo e repito.

O rei está nu!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ser.

Onde quer que tenha sido, o que quer que tenha sido, ando vivido, ando curtido, coisas que só o tempo me disse, que só o tempo me diz, que somente ele pode dizer, por assim dizer, por assim ser. Sem mesmo nem o ser, aproproadamente dito, justo, justo.

Em verdade, estamos todos, estamos todos sendo, sem o ser, sem o pertencer, sem o fazer, dizer. Faz-me dzer, faz-me valer. Ando sem andar, permaneço sem ficar, em lugar algum, em lugar nenhum. Tudo e nada, nada e nada.

Por vezes sou, sem mesmo nem o ser; por vezes acho, mas não sei dizer, não sei achar, não sei me importar. Por vezes, creio eu, que creio em algo, que não pode ser dito, não pode ser falado. Não aqui, não agora, nem ali nem aqui, por ali, por aqui.

Todos vamos, todos fomos, todos iremos, ser sem permanecer, ser sem o ser, saber para não mais poder, entender o que não se entende, não se diz, não se pensa. Aqui, ali, ali e aqui. Por assim ser, sem o ser. Sem permanecer. Não e não.

Por assim dizer, fui sem o ser, sou sem o ser, não sei de nada e sei de tudo. Acredito que sim, mas talvez não. Talvez, talvez? Talvez? Quem sabe, quem poder dizer? Quem poderia dizer. Não eu, não a mim, odeio ou renego. Não a ti, não penso nem arrenego.

Aqui, eu disse, aqui. Há que ser, há que fazer. Sem o poder dizer, sem o poder ser, sem poder viver. Quero e não quero, sou e não sou. Acontece que sim, mas talvez seja não. Não saberia dizer, não saberia poder ser. Não sem o poder, não sem o saber.

Fico.

Aqui, ali, em todos os lugares, fico. Sem mesmo nem o saber, sem mesmo nem acreditar, por assim dizer. Sem saber ser o que não penso que sou, sem poder assinalar o que pretendo ser sem nem o ser, sem nem o saber. Fico. Aqui. Fico.

Permaneço.

Por assim dizer, por assi o fazer, sou e não sou, não sei dizer, não sabem me dizer, não irão dizer. Eu gostaria. Sim, de ser. Ser de você, de alguém, por assim dizer, sem o ser, sem o permanecer. Sem aqui estar, acorrentado estar, sem mesmo nem o saber.

Algo além, algo aqui, algo ali, algo que me faça viver, que me faça ver. Ser sem mesmo nem o saber ser, sem nem o saber dizer, por assim dizer. Existir, para sentido algum, para fazer valer, para saber fazer o que fazer, para assim valer, algo que se diz, algo que se quis.

Algo que valeu.

Confunde-me ser sem nem o saber, sem você me dizer. Sem mesmo não saber, dizer palavras, saber professar, saber acontecer. Ser, sendo. Sendo algo, alguém, algum. Sentido, razão, existência, motivo. Por assim dizer, por assim ser.

Ser seu, sabendo disso, sendo informado disso, ser seu sem nem ao menos saberser, sem nem ter que ser. Ser seu, sem poder fazer, sem nem ao menos conseguir ser. Ser seu, se assim puder ser, se assim puder valer. Se assim achar que devo ser.

Ser, sem nem o saber. Seu. Ser. Sem nem ser. Sem nem saber ser. Ser.

Sem nem o poder dizer. Sem nem saber dizer.

Ser.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Medo, medo.

Nussa. Terça feira pós feriado, e eu aqui, morrendo de sono, muito sono. O feriado esteve bão em minha excursão para fora de meus domínios sotãonescos, com direito a pizzas caseiras, filmes a rodo e muita desenhação.

Entretanto, no meio das atividades, mais especificamente no meio dos filmes houve um título que se sobressaiu. Estou falando de um filme que ainda nem desembarcou oficialmente em terras tupiniquins, nem mesmo nocinema. Aliás, está sendo sucesso de bilheteria em estadosunidenses das américas. Mas graças às internétis, piratas cinéfilos e plantão conseguem adquirir pela módica quantia de zero reais.

O filme em questão é "Paranormal Activity", título ainda sem tradução por aqui.

Sinceramente, foi o filme que mais me deixou borrando de medo em todos os tempos. Pode parecer exagero de minha parte, mas não é. Quando terminei de assistir eu estava bambo, tremendo feito vara verda, coração disparado e adrenalina a mil.

O filme é bem modesto em termos de produção, bem no estilo Bruxa de Blair, mas isto não significa que não seja menos assustador. E como costumo afirmar, terror psicológico mexe demais comigo. Histórias que envolvem contos de demônios, mas sem os mostrar, dando apenas idéias sugestões sobre os ditos, costumam funcionar muito melhor para me amedrontar do que milhares de efeitos especiais.

Estou aqui, custando a me manter acordado devido ao tanto que fiquei boa parte da noite ouvindo coisas, sentindo coisas, coisas que ali não estavam. Assim como no filme. Você nunca vê no filme sequer uma silhueta do demônio que aterroriza o casal do filme. E isto bastou para que eu ficasse sinceramente apavorado.

Não costumo assistir filmes deste estilo porque eu sei que eles me dão viagens erradas. Mas depois de muita insistência da parte de meus amigos, ontem resolvi ceder, vencido pela curiosidade. E tive receio com razão - mesmo um cinéfilo fã do gênero havia me afirmado, um dia antes, que era um filme muito tenso e pesado. Isto vindo de um cara que curte tal tipo de filme, foi-me suficiente para resistir ao máximo À tentação. Eu sabia, sabia, que tal filme iria mexer comigo. No sentido errado.

Mas tenho que admitir que é um filmão. Mesmo o meu amigo Rafael e sua namorada, que ficaram me zoando para que eu assistisse o filme, e que afirmaram que o filme não dá medo nenhum, ficaram ouvindo barulhos à noite, custando a dormir.

Eu, de meu lado, fiquei muito tempo acordado escutanto o vento, com medo ede abrir os olhos na penumbra e me deparar com algum malévola presença, ver alguma sombra se movendo, sei lá. Pelo menos eu vi o filme no final da tarde, quando ainda havia luz do dia. Se eu tivesse visto a coisa de noite, eu teria enlouquecido de medo, eu presumo. Sorte a minha que na sexta feira de madrugada, ocasião em que Rafel pôs o filme sem nem termos idéia direito do que se tratava, eu estava com tanto sono que nem consegui ficar acordado.

Agora, quero ver como vai ser passar uma noite no sótão, com a lembrança do filme ainda fresca em minha mente. Ali já aconteceram coisas bizarras, que me deixaram muito amedrontado.

Vamos ver como vai ser hoje à noite.

Fica aqui a recomendação de um filme de genuíno terror. Eu recomendo, se você quer realmente ficar assustado. Eu fiquei.

E muito.